Why Cliché?
13 Capitulo XII
Notas iniciais
– Eu não aguento mais olhar pra cara desse japa. – Lisa resmungou no meu lado, olhando no relógio. – Há quanto tempo a gente tá nessa aula? Três vidas?
– Lisa, fica quieta. – Carrie pediu, tentando fazer suas anotações. Eu apenas escutava a discussão, já que minha mente voava enquanto eu olhava a quadra pela janela.
– Ui, tá irritadinha? – A ruiva provocou, rindo da careta de Car.
– Dá pra calar a boca, caramba? – A baixinha se irritou, dando mais motivo pra Lisa achar graça. Eu revirei os olhos.
– Srta Stevens e Srta Stewart, será que há algo que vocês queiram compartilhar com a turma? – O japa, ou melhor, o professor de história virou-se de repente para as duas meninas ao meu lado. Junto com o resto da turma. Carrie, corada de vergonha, abaixou a cabeça. Porém minha metida melhor amiga Lisa, deu um sorriso malicioso pro pobre professor.
– Compartilhar? Melhor não. – Falou, balançando a cabeça. – Acho que todos aqui já estão com sono suficiente. – Então caiu na gargalhada, assim como todo mundo com a cara feia que o professor a lançou, antes de se virar de volta pro quadro.
A aula continuou a mesma droga de sempre, e quando finalmente o sinal tocou indicando o intervalo, peguei minha bolsa e já ia me dirigindo a porta, quando Lisa me chamou.
– Não vai ficar com a gente no intervalo? – Perguntou, arrumando o cabelo.
– Não, tenho trabalho de álgebra. – Respondi rapidamente, evitando seu olhar.
– Outro? Mas você fez dois trabalhos de álgebra só semana passada. – Carrie argumentou.
– Pois é. – Dei de ombros. – O professor nos odeia. – Então corri pro corredor, me obrigando a não olhar para trás. Logo teria que contar a respeito de Peter para Lisa, ela não estava mais acreditando na história da biblioteca.
Cheguei ao lugar em que sempre nos encontrávamos, e Peter já estava lá. Quando me viu, abriu um sorriso.
– Hey, como você tá? –Perguntou me abraçando.
– Péssima. – Falei com a cabeça encostada no seu ombro. – Tive pesadelos a noite inteira.
– Sara, vai ficar tudo bem. – Acariciou meu cabelo. – Você precisa confiar em mim.
– Eu já disse que confio em você. – Então, me lembrei de algo que havia pensado ontem a noite. Dei um pulo. – Peter, eu tive uma ideia.
– Sobre o que? – Perguntou, confuso. Rolei os olhos.
– Sobre Basso. – Respondi impaciente. – E se nós formos até o clube de sinuca dele? Fazemos algumas apostas, e tudo o que a gente conseguir nós entregamos pra ele de uma vez.
– Sara, é impossível conseguir cinquenta mil dólares em uma noite. Mesmo se for o maior apostador do mundo. – Disse, me encarando com algo parecido com... Pena?
– Eu sei disso, Peter. Mas pelo menos uma parte a gente pode conseguir. – Sorri, entusiasmada. – E a gente aproveita e o convence a nos dar mais tempo.
– Convencer Basso a nos dar mais tempo? – Repetiu, incrédulo. – Eu não sei se é uma boa ideia, gatinha. Não acho que Basso é o tipo de homem fácil de convencer, e não quero que você se decepcione.
– Bom, nós temos que tentar, não é? – Arqueei as sobrancelhas. – Podemos ir lá hoje a noite?
– Tem certeza? – Seu olhar ainda demonstrava dúvidas. E medo. Não culpava Peter, eu também estava me borrando de medo por dentro, sabendo que teria que ver aquele homem monstruoso de novo. Mas nós precisávamos tentar.
– Tenho. – Assenti. Suspirando, Stevens me abraçou, me beijando logo em seguida. Mesmo com tudo o que estava acontecendo, com todas as coisas que rondavam a minha mente ao ponto de me deixar maluca, Peter ainda tinha o poder de me fazer esquecer tudo e todos, apenas com um beijo.
Acabando o nosso beijo, ele me abraçou outra vez. De repente, senti seu corpo ficar tenso, e sua respiração falhar. Franzi a sobrancelha, me afastando dele para poder entender o que havia acontecido. Seguindo seu olhar, me virei, entendendo então porque a tensão repentina.
A menos de um metro de onde nós estávamos, uma garota de cabelos ruivos esvoaçantes nos encarava, com lágrimas escorrendo pelo rosto.
– Lisa? – Peter chamou, alguns minutos depois. Eu ainda estava paralisada.
– Olá, irmãozinho. – Respondeu, sarcástica.
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