Why Cliché?

10 Capitulo IX


Aquilo era simplesmente o pub. As luzes já podiam ser vistas a uma esquina de distância, e a quantidade de carros estacionados, fora a fila gigantesca pra entrar, mostrava que por dentro ele era melhor ainda. Saímos do carro, e eu corri pro lado de Carrie e Lisa, impedindo Peter de tentar conversar comigo. Desanimadas, eu e Car já nos dirigíamos pro final da fila, quando nossa amiga nos chamou.

– O que vocês estão fazendo ai? – Perguntou, passando por várias pessoas que estavam paradas na fila.

– Hm, Lis, furar fila é errado. – Falei a seguindo, e encolhendo os ombros com os xingamentos que vinham das pessoas que esperavam.

– Você realmente pensou que eu fosse chamar vocês pra ficarem esperando duas horas na fila de um pub? – Riu, piscando para o grupo. – Eu tenho os meus contatos. – Eu achava realmente impressionante o talento de minha melhor amiga para conseguir entrar em todas as festas da cidade. Carrie, conhecendo essa qualidade de Lisa agora, arqueou a sobrancelha para mim, escondendo um sorriso. Nick deu uma gargalhada alta, e juntos, todos fomos até o segurança na porta do clube, agora ignorando completamente os resmungos dirigidos a nós.

– Olá, garotão. – Lisa disse para o armário na sua frente, abrindo seu sorriso mais bonito e jogando o cabelo ruivo pro lado.

– Mais de vinte e um anos? – O mesmo perguntou, ignorando todas as tentativas de galanteio de minha amiga. Eu gelei.

– Nós temos cara de pirralhos? – Retrucou, apontando para nosso pequeno grupo. Ele nos olhou de relance, fazendo cara de desinteressado e esticando a mão.

– Carteiras de identidade, por favor? – Pediu impaciente. Sorrindo novamente, Lis delicadamente fechou sua mão antes esticada, e falou numa voz levemente ameaçadora:

– Você conhece o Bob? Pois ele é meu tio. E se você não deixar eu e meus amigos entrarmos agora, eu vou reclamar para ele sobre o péssimo atendimento que recebi no seu pub. E acho que ele não vai gostar nem um pouquinho disso. – Terminou a frase com um sorriso mais malvado no rosto, enquanto enrolava uma mecha do cabelo calmamente. O armário de repente ficou pálido.

– V-você é p-parente do Bob? Porque não me disse antes, não precisaria ter perdido todo esse tempo. – Se corrigiu, abrindo a cordinha para nós. Antes de entrar no pub, Lisa deu um tapinha nas costas do segurança.

– Muito obrigada, Christian. – Então nós entramos. O lugar realmente explicava a fila do lado de fora. A música era muito alta, e muitas pessoas dançavam e se exprimiam naquela escuridão que de segundo em segundo era meio clareada pelas luzes coloridas. Enquanto nós três – os meninos já haviam sumido – seguíamos para o bar, sussurrei no ouvido da minha melhor amiga:

– Você não tem nenhum tio chamado Bob.

– Eu sei. – Respondeu, gargalhando logo em seguida. Balançando a cabeça, me permiti abrir um sorriso, enquanto ia aproveitar a noite, pronta pra esquecer totalmente o Stevens.

Eu já tinha perdido as contas de quantas doses de uísque já havia bebido. In – ou felizmente – Carrie estava do meu lado esse tempo todo, avisando que “amanhã nós temos aula”. Bléh. Quem liga pra escola? Meu namorado de apenas uma semana mentiu pra mim e provavelmente está se esfregando em alguma loira sem sal por ai. Tanto faz. Sorte que Lisa não estava aqui para ouvir meu desabafo. Mesmo que ela esteja mais bêbada do que eu, duvido muito que amanhã ela não lembraria que sua melhor amiga estava namorando –atualmente brigando – com seu irmão mais velho.

Antes que eu pudesse virar mais uma dose, uma mão forte segurou meu braço, pegando meu copo e o bebendo inteiro.

– Ei! – Me virei pra reclamar, apenas pra dar de cara com Peter. Só pensar no diabo, viu, poxa vida.

– Oi. – Ele respondeu, me encarando no fundo dos olhos. Não sei por qual motivo, mas de repente me deu uma vontade incrivelmente louca de rir e chorar. Talvez fosse a bebida. – Nós temos que conversar.

– Você está se aproveitando de mim! – Apontei, com a voz um pouco mais alta que o habitual. – Você sabe que eu estou bêbada, e se eu tentar fugir de você, eu vou cair nesse chão imundo, e ninguém vai ligar pra mim porque estão todos bêbados e dançando, então eu vou ser pisoteada até ficar sem ar e eu vou morrer. – Pausa pra respirar. – E eu não quero morrer.

– Qual é o seu problema? – Peter gritou pra mim enquanto me levava pra um lugar um pouco mais distante. Viu? Eu falei que ele estava se aproveitando do meu miserável estado alcoólico.

– O meu problema é você! – Gritei de volta, só que não surtiu o efeito que eu esperava, já que Stevens balançou a cabeça e riu. Será que eu tinha confundido as palavras? De qualquer jeito, o risinho dele me irritou um pouco demais e eu comecei a estapea-lo. – Eu odeio você! Eu odeio você!

– E eu te amo, Sara! – Exclamou assim que conseguiu prender meus braços e me encostar na parede. Seus olhos avelãs estavam bem mais perto e a vontade de chorar tinha voltado. – E eu sei que você me ama também. A única coisa que eu não sei é porque você ficou assim de repente. A gente estava bem ontem e...

– Onde você foi ontem a noite, Peter? – Interrompi, indo direto ao ponto. Agora foi a vez de Stevens ficar sem resposta. Touché. – Porque eu sei que você não estava no jantar com os japoneses. Lisa disse que você deu a desculpa de um compromisso. Qual compromisso?

– Sara, não dá pra eu te explicar. – Falou. – Eu tenho certeza que você não vai entender.

– Por que eu não entenderia? Tá me chamando de burra?

– Não, Sara! É porque é complicado de entender. – Corrigiu e eu empinei o nariz.

– Tenta explicar e eu vou tentar entender. – Disse e ele assentiu ainda meio em dúvida.

– Olha, não dá pra explicar tudo agora, porque é uma história muito longa e aqui não é um lugar seguro. – Olhou pros dois lados antes de continuar a falar e eu fiz o mesmo. O que ele quis dizer com “aqui não é um lugar seguro”? É só uma boate. – Eu estou metido em problemas.

– Que tipo de problemas? – Indaguei. O estado idiota que o álcool havia me deixado já estava indo embora, mas as inúmeras doses de uísque ainda estavam lá, no meu sangue. Eu sabia que qualquer coisinha iria me fazer explodir. Acho que Peter também sabia. Por isso fez todo esse suspense.

– Problemas... Sérios. – Sussurrou. – Do tipo que você não pode saber mais, porque não é seguro pra você.

– Você está me assustando. – Resmunguei e ele me abraçou.

– Não precisa ficar com medo, gatinha. – Falou em meu ouvido. – Eu não vou deixar que nada aconteça com você. Eu vou resolver isso sozinho, e então a gente vai poder ficar junto, sem nenhuma interrupção.

– Promete? – Levantei levemente a cabeça. Peter deu um meio sorriso pra mim.

– Prometo. — E me beijou, me fazendo esquecer completamente do tal problema, ou da nossa discussão, ou de que estávamos em um pub e um de nossos amigos podiam nos ver. A única coisa que me importava agora era ele.

Notas finais
Uuuuuh suspense, han? Já estamos indo pra reta final da história, pessoal, se preparem. Obrigada por lerem, COMENTEM, e até semana que vem