Who's that boy?
6 Capítulo 6
Notas iniciais
Não quis perder tempo, e contei para Mel o que havia planejado já que ele poderia deixar a piscina a qualquer momento e eu não queria perder essa oportunidade. Ela me olhou com uma expressão “Eu não vou fazer isso nem que me paguem” e eu dei a ela o meu olhar de cachorro que caiu da mudança e ainda prometi que ficaria devendo uma para ela caso ela me ajudasse. Então ela concordou e falou que só estava fazendo aquilo porque era muito amiga e um monte de outras coisas, num drama infinito.
Peguei a mochila dela e me posicionei, enquanto ela andava em direção a piscina e dois segundos depois fingia escorregar do outro lado que estávamos, fazendo com que Chad prontamente assumisse sua postura de salva vidas e indo ajudar a minha amiga. Aproveitei a deixa para correr para dentro do vestiário e me enfiar em umas cabines com vaso, agora era só esperar um pouco e se o menino se deixasse levar pelas palavras da minha amiga, ele estaria aqui daqui a uns cinco minutos. Não tardou muito e ele entrou tirando a roupa e colocando no banco comum junto com a limpa e se encaminhando para um dos boxes de chuveiro. Não perdi tempo e sai do meu box com um pé na frente do outro verificando novamente se não havia mesmo mais nenhum outro menino por ali. Confiar em buracos de fechadura nem sempre da certo e a ultima coisa que eu queria era ser flagrada no vestiário masculino por alguém seminu. Puxei todas as roupas de Chad comigo, pus tudo nas nossas bolsas e me esgueirei pra fora do cômodo antes que a sorte virasse do meu lado.
Encontrei com a Melissa há apenas alguns metros adiantes, nos escondemos novamente e pegamos nossos celulares para capturar o momento glorioso e depois usar em nosso beneficio se fosse o caso. Não demorou muito um Chad pelado, pingando igual um pato e molhando todo o chão apareceu, xingando até a terceira geração, pelo corredor e tiramos varias fotos. Rimos muito. Saímos correndo depois de vermos algumas funcionárias mais velhas gritando e tapando os olhos enquanto ele tentava inutilmente tampar duas partes intimas.
Minha barriga estava doendo de tanto gargalhar e parecíamos duas crianças que tinham feito nada mais do que pegadinhas, mas eu não me importava. Eu ia me lembrar desses momentos para sempre. Assim como me lembraria do momento que se seguiu.
Quando eu havia dito mais cedo que eu queria me desculpar com Peter, eu estava sendo totalmente honesta, e era o que eu pretendia mesmo fazer. Mas eu havia planejado tirar um tempo hoje à noite para treinar na frente do espelho, me arrumar melhor (claro que não para impressiona-lo, apenas para continuar sendo fashion) e planejar como seria e quando. Mas agora aqui estou eu parada na frente do clube, com meu cabelo desarrumado e sem fôlego, vendo ele se encaminhar para a entrada com uma mochila nas costas, de óculos escuros, com o cabelo todo arrumado, e prestes a tomar uma atitude impensada e ir me desculpar com ele, porque eu me conheço e sei que se eu não fizer isso agora, toda a minha história de mais tarde vai ser apenas uma desculpa para ficar enrolando e nunca realmente falar com ele. Depois vai se passar muito tempo e eu vou ficar com mais vergonha ainda de trazer o episodio a tona e vou acabar me fazendo de desentendida.
Então me virei do nada para Mel, que estava olhando as fotos que tiramos e secando as lagrimas de tanto chorar de rir e mandei-a pegar as minhas coisas e se encaminhar para o carro, ela me deu um olhar estranho, mas eu apenas movimentei a cabeça na direção de Peter e ela pareceu compreender imediatamente.
Comecei a dar alguns passos tímidos na direção dele, que ainda não havia percebido que estava ali e vinha andando na minha direção com a cabeça abaixada, quando ele estava perto o suficiente, eu encostei uma mão no seu ombro com receio e ele recuou olhando para cima. Dei um sorriso sem jeito e falei um oi completamente sem graça, obvio que a ultima pessoa que ele esperava que viesse falar com ele seria eu, afinal de contas eu não estava com essa moral toda.
— Ah, é você...
— Pensou que fosse outra pessoa? – Levantei uma sobrancelha sugestivamente.
— Vai começar a ladainha de novo? Eu não estou no clima de brigar tá Amber, então se você me der licença eu...
— Espera! – O interrompi segurando em seu braço – Hey, eu também não quero brigar, na verdade eu vim aqui completamente pelo motivo oposto, eu queria lhe pedir desculpas por ser tão rude no dia da festa e também agradecer... Eu não estava no meu juízo perfeito e tenho que admitir que apesar de qualquer situação que tenha se instalado entre nós, você me ajudou e eu aprecio isso, eu estaria em uma situação muito mais constrangedora agora se não fosse por você.
— Amber pedindo desculpas? Essa é novidade.
— Ah você me conhece, sabe que quando eu estou errada eu sei reconhecer meu erro.
— Então tá.
— Então tá exatamente o que?
— Tá que eu aceito o seu pedido de desculpas. Eu realmente não esperava mais nada vindo de você. Ainda mais depois do nosso ultimo encontro e mesmo assim você continua se mostrando uma pessoa superior a mim ao que tudo indica...
— Não, olha, eu não sou melhor do que ninguém e de você ainda por cima ai é que não mesmo, todos nós cometemos erros e você pode não ser perfeito e a gente pode não ter terminado as coisas de uma forma civilizada, e eu nem deveria estar tentando explicar tudo isso ou dizer algo mais do que eu planejei mas eu acho que a gente pode tentar viver em harmonia, não estou dizendo que vou te perdoar pelo nosso passado nem que vamos virar amigos de uma hora para outra, mas eu acho que a gente pode, você sabe, no mínimo coexistir no mesmo ambiente sem ficar uma situação estranha ou querer se matar ou sei lá.
— Soa como um plano.
— Acha que podemos fazer isso então?
— Sim, claro.
Estiquei uma mão para selarmos um acordo e inesperadamente ele me puxou para um abraço um pouco desajeitado e dessa vez não me tencionei, nem fiz uma cena só suspirei e me afastei olhando para o chão sem graça.
— A gente se vê... Por ai então. – Ele falou se afastando e ajustando sua mochila nas costas mesmo que não precisasse, com a outra mão arranhando a parte de trás do pescoço.
— Aham... É sim, se vê, tchau! – Me enrolei toda nas palavras e quase me bati mentalmente por ter passado mais tempo do que precisasse reparando nele. Acenei desconfortavelmente por ultima vez antes de me virar em meus pés e correr para o carro, entrando sem fôlego e batendo minha porta do passageiro com força.
— E então...?
— Ele me abraçou. — Falei sem nem perceber que não era isso que vinha planejando contar anteriormente.
— E o pedido de desculpas?
— Ah, isso, deu certo, estamos num certo acordo de harmonia, paz ou que quer que você queira chamar. — Olhei para baixo e para a janela, evitando seu olhar.
— Não se preocupe, vamos rir de tudo isso no final. — Ela se pronunciou depois de um momento de silencio ligando o carro.
— Depois da diversão de hoje, posso te dizer que rir tem sido um ótimo remédio. – Começamos a gargalhar de novo enquanto saiamos daquele estacionamento com ótimas histórias para contar.
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