Notas iniciais
Na agência de babás...
Sra. Stevenson: É um prazer recebê-los aqui, Sr. e Sra. Castle.
Castle: Obrigado por nos atender tão rápido.
Sra. Stevenson: Por aqui – a senhora apontou em direção à uma sala.
Kate: Tem certeza que podemos deixá-los ali? – Kate olhou para os filhos, sentados no sofá da recepção, remexendo em revistas.
Sra. Stevenson: Kelly ficará de olho neles. É sempre bom conversarmos a sós. As crianças podem se sentir intimidadas com a mudança que está por vir.
A senhora de meia idade se acomodou em sua mesa, tendo o casal sentado diante de si.
Sra. Stevenson: Então.... A senhora me disse ao telefone que nunca tiveram uma babá...
Kate: Nunca.
Sra. Stevenson: Uau. Com gêmeos isso é um pouco surpreendente. E assustador – ela riu, Kate e Castle também.
Kate: Nós sempre demos conta. Criamos nossos métodos e tivemos ajuda da família também.
Sra. Stevenson: Entendo.
Castle: Confesso que somos um tanto quanto protecionistas quando às crianças.
Kate: Especialmente eu. Meu trabalho me coloca numa posição difícil, e já passamos por momentos... complicados antes.
Castle: Um sequestro do qual não gostamos de lembrar.
Sra. Stevenson: Entendo perfeitamente. E devo dizer, 90% dos pais que se sentam diante de mim têm a mesma preocupação. A natureza nos fez assim. Não há nada mais importante no mundo do que meus filhos, por isso somos criteriosos na escolha de nossos profissionais.
Castle: É realmente muito bom saber disso.
Sra. Stevenson: Bem, na maioria dos casos, depois de uma conversa inicial eu vejo uma de nossas profissionais que se encaixe no perfil e escalo para o trabalho. Claro que há sempre a possibilidade de troca. Mas em casos como o de vocês, trabalhamos com um método um pouco diferente.
Castle: Casos como o nosso?
Sra. Stevenson: Celebridades. Pessoas ricas e famosas.
Kate: Não sei se somos tudo isso...
Castle: Diga por você! – Castle sorriu metido – A senhora dizia que o método é diferente?
Sra. Stevenson: Sim. Nesses casos eu envio algumas opções para teste. Na primeira semana, envio 5 de minhas melhores funcionárias, uma por dia.
Castle: Ahh, é como uma degustação...
A detetive olhou séria para o escritor.
Castle: Péssima escolha de palavras.
Sra. Stevenson: É um “test drive”. É bom que as crianças auxiliem nesse processo. É essencial que haja uma boa interação entre elas e a babá.
Kate: Certamente.
Sra. Stevenson: Agora eu gostaria que vocês me falassem um pouco das crianças e da rotina da casa.
O casal trocou um olhar orgulhoso.
Castle: A senhora deve ouvir muito isso, mas a verdade é que nossos filhos são crianças especiais.
Kate: Extremamente espertos, enérgicos e criativos.
Castle: Um pouco demais às vezes.
Kate: Eles têm a quem puxar!
A senhora riu, olhando a cara de bobo do escritor.
Kate: Mantemos uma rotina de estudos, que agora está reduzida em virtude das férias.
Castle: E também o horário de alimentação.
Kate: Claro que tem um certo pai que estraga as regras – Kate espreitou Castle.
Castle: Nós gostamos de doce!
Kate: Eles têm um quarto de brinquedo, e acesso frequente ao playground do prédio. Mas gostam bastante de filmes, desenhos e do Xbox.
Castle: Não são os únicos – Castle sorriu crianção.
Kate: Não há outras crianças no prédio, mas às vezes os dois recebem amiguinhos.
Sra. Stevenson: Own eles parecem uns amores... e crianças bem calmas.
Kate: É... – Kate e Castle trocaram um olhar preocupado. Aparentemente estavam exagerando no “bom comportamento” das crianças. Contavam a verdade ou não?
Sra. Stevenson: Mais uma questão: vocês procuram uma babá apenas para acompanhar as crianças ou cuidar das coisas delas também, como roupas, o quarto, a alimentação?
Kate: Não, não, a casa fica por conta de Susie.
Castle: Susie está comigo desde muito antes deles nascerem.
Kate: Eles a adoram!
Castle: Exceto quando a trancaram na lavanderia junto com o gato.
Sra. Stevenson: Como??
Kate: Foi um pequeno incidente. Que não deveria ter sido mencionado – Kate sussurrou para Castle – Mas tirando isso eles são uns amores.
Sra. Stevenson: Pois bem, então procuramos basicamente alguém para brincar com as crianças?
Kate: Isso. Mantê-los ocupados para o Castle poder trabalhar.
Sra. Stevenson: Certo. Vocês têm alguma objeção, recomendação ou exigência?
Castle: Apenas que seja uma pessoa de bem e que goste dos nossos pequenos.
Sra. Stevenson: Garanto que será – a senhora sorriu, finalizando as anotações na ficha. Amanhã mesmo mandarei nossa primeira candidata.
Os três se levantaram.
Castle: Obrigada pelo seu tempo e atenção – Castle cumprimentou a senhora, e Kate fez o mesmo.
Sra. Stevenson: Por aqui – ela apontou, e Castle foi na frente. Quando passavam pela porta, Kate parou.
Kate: É... Sra. Stevenson?
Sra. Stevenson: Sim?
Kate: Quando àquela parte da objeção, recomendação ou exigência, a senhora pode anotar mais uma coisinha?
Sra. Stevenson: Claro. O que seria?
Kate: Não muito nova, não muito bonita, e não muito inteligente.
Sra. Stevenson: Certo... – a senhora conteve o riso – E o fato de ser a candidata fã do seu marido, isso é uma objeção também?
Kate: Não, acho que isso não será um problema.
Sra. Stevenson: Ok, está anotado – a senhora sorriu e Kate agradeceu novamente.
Estava dada a largada em busca da babá ideal.
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Alex: Babá?
Jo: O que vocês querem dizer com babá?
Kate e Castle não podiam mentir. Os olhares dos filhos os assustavam às vezes.
Castle: Bem, babá é uma pessoa muito, muito legal que fica com as crianças enquanto os pais trabalham.
Alex: Nós sabemos o que é babá – O garoto deu um passo em direção ao pai.
Castle: Que bom! – Castle teria se afastado, se já não tivesse totalmente encostado no sofá.
Alex: Nós não precisamos de babá.
Jo: Nós somos grandes. Muito grandes.
Alex: Eddie precisa de babá. Nós não.
Kate: Queridos – Kate tentou ser firme – Babás não cuidam apenas de bebês. Elas brincam com as crianças! Jogam, veem filmes...
Castle: Dão banho no Tiger! – Castle apontou para o gato, inocentemente deitado no tapete.
Kate: Castle, não inventa – Kate o beliscou.
Castle: Você sabe que o gato é fator importante na aceitação deles – o escritor sussurrou de volta.
Jo: Ela gosta do Tiger?
Kate: Na verdade nós ainda não a conhecemos.
Castle: Mas ela vai adorar! Claro que vai. Quem não ama essa bolinha peluda, espaçosa e folgada?
Jo: Todo mundo! – Johanna sorriu e quase cedeu.
Alex: Mas por que nós nunca tivemos uma babá e agora teremos?
Kate: Bem, a questão é que... – Kate pensou e resolveu ser sincera. Com Johanna e Alexander não adiantava muito fazer rodeios – O papai ama ficar com vocês...
Castle: Amo muito!
Kate: Muito! Mas ele precisa de um tempinho sozinho para escrever.
Castle: Será por poucos dias...
Kate: Mas se vocês gostarem ela pode ficar. Quem sabe?
Castle: Eu acho que vai ser bem divertido!
Johanna puxou Alexander para um canto. Os dois falavam um no ouvido do outro, trocando segredos, o que deixava os pais ansiosos.
Castle: Em que momento eles passaram a nos dominar?
Kate: Desde que saíram daqui – Kate apontou a barriga. Os dois pequenos voltaram.
Castle: E então, o júri vai deliberar?
Jo: Nós podemos mesmo fazer o que quisermos com ela?
Castle: Com “o que quisermos” você quer dizer...?
Kate: Claro que podem!
Castle: Kate, não dê carta branca...
Alex: Se ela for mesmo legal, nós topamos.
Kate: Ótimo! Ela vai ser perfeita, vocês vão ver!
Perfeita. Assim Kate esperava. De que outra maneira alguém poderia lidar com aqueles dois?
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