Whole Lotta Love 2 - Especial Dia das Mães
1 Mamãe policial
Notas iniciais
Kate: Eu tinha certeza que eles fariam isso – a voz de Kate soou calma, demonstrando que já esperava pela notícia que Ryan lhe dava. Ela estava em pé, bem no meio da sala, com o celular na mão.
Ryan: Esperamos a noite toda até as imagens chegarem. As câmeras das ruas colocam o suspeito em dois dos locais. Para o FBI era a prova que faltava. E, bem, não podemos dizer que não era.
Kate: Não é ele, Ryan, eu sei que não é. Não faz sentido.
Ryan: Nem todo serial killer tem uma história de fundo, Kate. Às vezes eles simplesmente escolhem um padrão e agem.
Kate: O cara tem uma filha, Ryan. Por que ele estupraria garotas virgens?
Ryan: Algum trauma, distúrbio, problemas amorosos...
Kate: Você está pensando igual eles.
Ryan: Kate, não é isso, é que... parece tudo tão certo. Tudo leva a ele.
Kate: Tudo? As câmeras o colocam em dois lugares, e foram seis vítimas, seis!
Ryan: É, isso é realmente questionável...
Kate: Não é ele, eu sei que não é.
Ryan: E o que você pretende fazer?
Alex: ATAQUE NINJAAAA.......
Kate não teve tempo de olhar para trás, só sentiu o filho agarrando suas pernas. Os dois rolaram pelo tapete.
Alex: Quem é o melhor agora?
Kate: Você me atacou pelas costas!
Ryan: Kate?
Kate: Sim, Ryan – ela voltou ao telefone, com o filho ainda sobre sua barriga.
Ryan: Isso foi Alexander pulando em cima de você às 6h da manhã?
Kate: É um sacrifício para tirá-los da cama, mas depois que saem... – Kate afastou o telefone e olhou para o filho – Querido, mamãe está no telefone.
Alex: Eu sou o melhor! – Alexander se levantou vitorioso e foi para a cozinha.
Kate: Ryan, eu vou reabrir o caso.
Ryan: E o FBI?
Kate: Dane-se.
Ryan: Você acha mesmo que vale a pena?
Kate: Ryan, eu sei que você está cansado, você e toda a equipe. Vocês podem ir para casa. Eu vou reabrir o caso e assumir a investigação. Sem o FBI e longe da imprensa.
Ryan: Você vai arriscar seu cargo de capitã batendo de frente com autoridades por uma intuição?
Kate: Não, Ryan. Eu vou bater de frente com o FBI e com autoridades porque eu tenho uma filha. Dispense a equipe e vá para casa.
Ryan: Eu vou, mas é só para um banho e volto.
Kate: Ryan...
Ryan: Kate, eu tenho uma filha também. Nos vemos mais tarde.
Kate desligou o telefone e foi até a cozinha, onde Castle já preparava o café.
Kate: Você me paga, mocinho! – ela bagunçou o cabelo do filho, e deu um beijo em sua bochecha – Cadê minha princesa?
Jo: Aqui, mamãe – Jo chegou abrindo a boca.
Kate: Bom dia meu amorzinho! – Kate abraçou a filha, que disse um “Bom dia” ainda ensonado.
Castle: Aqui babe – Castle entregou uma caneca de café para Kate, que tomou quase de uma vez aos olhos surpresos dele.
Kate: Eu preciso ir. O FBI saiu e vou reabrir o caso.
Castle: Tem certeza que quer mesmo fazer isso?
Kate: Absoluta.
Castle: Então eu estou com você. Vou deixar as crianças na escola e te encontro mais tarde.
Kate: Ok. – Kate beijou Castle e os filhos, e saiu.
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Reabrir um caso de grande repercussão e dado como resolvido era algo ousado e Kate sabia muito bem. A capitã andava de um lado para o outro em sua sala, enquanto esperava Espo e Ryan voltaram de uma diligência. Ela, os garotos e Castle tinham gastado horas do dia traçando perfis e investigando possíveis suspeitos pelos estupros seguidos de morte que vinham acontecendo numa dada região de NY, sempre de garotas entre 15 e 18 anos, e virgens.
Castle: Aqui. – Castle chegou lhe estendendo mais uma caneca – Mas eu ainda acho que você devia parar.
Kate: Eu preciso disso. – Kate tomou rapidamente. Já havia perdido a conta de quantas daquelas tomara só nas últimas horas.
Castle: Eu sei que esse caso mexeu com você.
Kate: Eu não consigo... Essas garotas... Como alguém pode fazer isso? Eu não aceito.
Castle: Eu sei – ele segurou a mão dela – Nós vamos conseguir.
Kate fez que sim, e o toque do telefone fez os dois quebrarem o contato.
Kate: Capitã Beckett. Sim, senhor, eu reabri. – Kate lançou um olhar para Castle. A coisa tinha acabo de ficar complicada.
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Kate: Como assim não encontraram? – Kate encarou Espo e Ryan.
Espo: Não encontrando. O cara desapareceu.
Kate: É ele.
Espo: Talvez seja, mas como vamos descobrir?
Kate: Patrulhando. Cercando. Nós vamos pegar esse cara ainda hoje.
Ryan: Eu vou checar os alertas mais uma vez.
Castle olhou para Espo e Ryan, visivelmente cansados, mas ainda determinados.
Castle: Kate...
Kate: Não me peça para parar. Você ouviu, a Corregedoria já sabe. É o meu nome que está em jogo.
Castle: Eu sei, mas você pode continuar amanhã ou depois...
Kate: E esperar que ele faça uma nova vítima?
Espo: Ela está certa, Castle. Se o cara ainda está à solta ele pode agir essa noite.
Ryan soltou o telefone e veio correndo.
Ryan: Temos uma pista. Vamos!
Ryan e Espo saíram mais uma vez. Castle olhou para Kate, e havia esperança e ansiedade em seus olhos.
Castle: Amor, eu queria continuar aqui com você mas... – Castle olhou para o relógio.
Kate: São quatro horas e você tem que levar a Jo no salão. Me desculpa por você ter que fazer esse programa de mulher...
Castle: Não é como se eu nunca tivesse feito – ele sorriu – Me lembro de Alexis nas apresentações, sempre tão linda! Agora ela é uma mulher e mora com um homem – Castle fez uma cara inconformada, e Kate riu.
Kate: Promete que vai se certificar que nossa menininha fique linda também?
Castle: Claro.
Kate: Não esqueça as borboletinhas, estão perto do telefone da sala. Ela quer as borboletinhas no coque.
Castle: Sim, sim. – Castle fechou o sorriso e olhou sério para a esposa – Kate, você não vai se atrasar, não é?
Kate: Não, eu prometo.
Castle: Ok. Eu te amo.
Kate: Eu também te amo!
Kate viu Castle deixar a delegacia.
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Kate, Espo e Ryan esperavam ansiosos andando de um lado para o outro na delegacia. Eram sete da noite quando Castle telefonou.
Kate: Amor, nós só estamos esperando o exame de corpo de delito.
Castle: Mas vai demorar? Kate, você não pode se atrasar.
Kate: Eu sei, olha, vai dar tempo. Lanie disse que mais uma meia hora no máximo. Eu posso ir direto para lá.
Castle: Você tem certeza?
Espo: É... Kate... eu acho que você tem visitas.
Kate levantou os olhos e cinco homens adentravam a delegacia, entre eles o Corregedor Geral e o Secretário de Segurança Pública.
Castle: Kate? O que foi?
Kate: Parece que as notícias correm. Rick, eu tenho que desligar.
Castle: Kate, se você não vier agora...
Kate: Se eu demorar você vai com eles, certo?
Castle: Kate, é a festa de Dia das Mães...
Kate: Eu sei, eu encontro vocês lá. Eu chego até as 20h, eu prometo. Eu preciso desligar.
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Castle olhou para o relógio mais uma vez, visivelmente aflito. As apresentações começaram, e ele olhou para o anfiteatro lotado. Se Kate ainda chegasse, veria tudo de longe, mas pelo menos veria.
20:30 – O Recital das crianças do segundo ano. Jo e Alex estavam lá, lindos, enchendo o papai Castle de orgulho. Mas Kate ainda não havia chegado.
21:00 – O balé começou e Johanna parecia uma verdadeira princesa com suas borboletinhas cor de rosa no cabelo. Arrancou lágrimas da vovó Martha e sorrisos orgulhos da irmã mais velha. Alexander também se orgulhou da irmãzinha. E pela primeira vez em todas as suas apresentações, Kate não estava lá para ver.
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Assim que Johanna desceu do palco, Castle abriu os braços para receber a filha.
Castle: Cadê minha bailarina?
Jo: Você viu, papai?
Castle: Você dançou muito bem, minha princesa!
Castle pegou a filha no colo, saindo pelo corredor. Ele tinha o coração na mão, pensando como Jo reagiria quando soubesse que Kate não estava ali.
Jo: Cadê a mamãe?
Castle: Olha lá a vovó toda chorosa!
Castle soltou Johanna, que correu em direção à avó. Martha abraçou a neta, enchendo-a de beijos. Alexis olhou aflita para Castle, e ele retribuiu com um olhar resignado.
Jo: Cadê a mamãe? Ela viu que eu rodopiei certinho? Eu sou uma verdadeira bailarina, não sou vovó?
Martha: Você é a melhor de todas, minha linda!
Alex: A mamãe estava lá no fundo, não é papai? Por isso nós não a vimos?
Castle: Na verdade... – Castle olhou para os filhos. Enquanto procurava as palavras, viu Kate correndo em sua direção. Ela havia chegado, e ele não precisaria explicar. O óbvio não precisava de explicação. Kate diminuiu os passos quando se deu conta que já não havia mais tempo. Ela olhou triste para Castle. Alexander foi o único que se moveu até ela.
Alex: Mamãe, você só chegou agora?
Kate: Me desculpa, meu amor. A mamãe ficou presa no trabalho. – ela se agachou, olhando para ele e também para Jo, que ainda estava perto do pai.
Alex: Você não podia prender os bandidos depois?
Kate: Eu... – Kate olhou triste para o filho, e balançou a cabeça negativamente – Não filhote, nesse caso não.
Alex: Tudo bem, eu leio o nosso poema para você depois. – Alexander deu um beijo na mãe e correu em direção aos amiguinhos.
Kate se levantou e foi até Jo, mas ela deu um passo para trás e esticou os braços para o pai. Castle segurou sua pequena bailarina, que já tinha cara de choro.
Kate: Você está tão linda meu amor...
Jo: Eu não quero falar com você! – Johanna escondeu a cabeça no pescoço do pai, e Kate olhou arrasada para Castle.
Kate: Jo, a mamãe está muito triste...
Jo: Você prometeu que vinha! – A menina agora chorava, e Kate também tinha lágrimas nos olhos.
Kate: Me desculpa... – Kate passou a mão nas costas da filha, mas ela a empurrou com a mão, com o rostinho ainda escondido no pescoço do pai.
Castle fez sinal para que Kate esperasse e se afastou com a filha nos braços. Kate sentiu a mão de Martha repousar em seu ombro, enquanto deixava as lágrimas caírem.
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