Notas iniciais
Ahhh eu nem sei por onde começo! Vocês vieram! Recebi tantos comentários no capítulo anterior que ainda nem consegui responder! Estou tão, tão feliz! :) Adorei o fato de algumas leitoras já terem lido o livro citado na fic. Não era para ser um mistério não, só não falei mais dele ontem porque a introdução ficaria grande demais. Então vamos lá: o livro se chama “Os dez negrinhos” ou “E não sobrou nenhum” (encontra-se com os dois nomes), e é o livro mais famoso da escritora. Muito, muito bom e surpreendente! Recomendo a leitura ;) Como eu já havia dito, não vou entrar em detalhes dele, usei-o só como pano de fundo mesmo (e tentarei não dar spoiler na cena final rs). Ain, queria tanto citar todas as coisas lindas que li pela minha volta! Mas aí a introdução ficaria maior que o capítulo haha Bem, por hora serão só os três capítulos mesmo (sim, eu também fico triste com isso). Mas vocês já me conhecem, eu posso aparecer a qualquer momento hehe Enquanto isso, vamos aproveitar! Beijo, Ari ;)

Castle: Bom dia, babe! Caiu da cama ou não dormiu de novo?

Castle se aproximou e ganhou o pior dos piores olhares da capitã Beckett.

Castle: Aconteceu alguma coisa? – ele a beijou no rosto, e pegou um cookie que estava na mesa do café da manhã, já pronta.

Kate: Ah, você não faz ideia?

Castle: Não. – ele falou mastigando.

Kate: Oito anos, Richard Castle. Oito anos de casamento e você bloqueou o computador pela primeira vez.

Castle: Ah... é isso.

Kate: Não se faça de desentendido!

Castle: Amor, esses seus hábitos noturnos vão acabar fazendo mal à saúde. E essas olheiras...

Kate: Não ouse falar das minhas olheiras quando você é a causa delas! E não fuja do assunto. Por que você bloqueou seu notebook?

Castle: Sinceramente? – ele a olhou sério.

Kate: Sim, sinceramente.

Castle: Porque eu quero te surpreender.

Kate: Então você já escreveu mesmo o final?

Castle: Aham. – ele parecia tranquilo.

Kate: E está... ali? – ela se perturbava só com a ideia da solução para o mistério estar no computador a poucos metros dela.

Castle: Acredite, você vai se surpreender – ele assentiu.

Kate: Iria, você quer dizer, se você não tivesse bloqueado o computador. Oito anos, Castle! Oito anos!

Alex: Não são dez?

Kate e Castle olharam para os filhos, que haviam surgido do nada.

Jo: Dez anos com o namoro, são oito de casados e sete com a gente.

Alex: A vida deles devia ser tão sem graça sem a gente.

Jo: Com certeza.

Kate e Castle trocaram um olhar enquanto os filhos se acomodaram na mesa.

Alex: Podem continuar com a DR.

Kate: Como é que é?

Jo: DR, significa “Discutir a relação”.

Kate e Castle trocaram um olhar surpreso.

Castle: Da onde é que vocês tiraram isso?

Alex: Os pais do Jake sempre discutem a relação.

Jo: Discutir a relação é normal entre os casais.

Alex: É, e não é uma briga. É quando eles têm opiniões diferentes e tentam entrar em um acordo.

Jo: Uma briga é uma discussão mais acalorada.

Kate: Acalorada? – Kate estava cada vez mais surpresa.

Jo: Foi o papai que me ensinou. Significa intensa.

Kate olhou para Castle.

Castle: Eu sou escritor! Eu gosto de ensinar palavras novas a eles!

Jo: Então nós não precisamos nos preocupar, porque DR não é briga.

Alex: Podem continuar.

As crianças voltaram ao café da manhã, aos olhos incrédulos dos pais.

Kate: Quando foi que eles viraram nossos terapeutas?

Castle: Não sei, mas acho que perdi algo durante esse processo.

Jo: Vocês estavam falando sobre o que mesmo?

Kate: Sobre vocês dois terem acordado tão cedo – Kate se aproximou da mesa e beijou cada um dos filhos. Castle fez o mesmo. – Hoje é feriado, lembram? Não tem escola.

Jo: Por isso mesmo, mamãe. Para aproveitar mais o dia.

Castle: Quando é dia de escola a gente tem que praticamente sacudir os dois da cama... – ele olhou para Kate, que concordou.

Alex: E então, o que nós vamos fazer?

Castle: Que tal o Museu de História Natural?

Jo: Legal!

Alex: Mamãe, você vai adorar o novo esqueleto de dinossauro.

Jo: É mamãe, da última vez que você não foi nós vimos.

Alex: Ele é enorrrrme!

Jo: Gigante!

Kate: Meus amores, a mamãe adoraria ir com vocês, mas... eu preciso trabalhar hoje. O feriado é escolar, o expediente na delegacia funciona normalmente, e eu preciso estar lá.

Johanna e Alexander fizeram expressões de desapontamento.

Kate: Eu sinto muito – Kate beijou mais uma vez cada um deles.

Os adultos enfim se sentaram e tomaram café com os filhos.

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Um tempo depois...

Kate: Obedeçam ao papai, não corram, e não sumam, por favor, não sumam!

Castle: Kate, é só um museu.

Kate: É sempre bom reforçar.

Enquanto Kate se despedia das crianças, o telefone de Castle tocou.

Castle: O que? Como assim não vieram? Ir para lá? Claro que eu não posso pegar um avião daqui duas horas!

Quando ouviu a palavra avião, Kate voltou os olhos para Castle, e passou a prestar atenção na conversa.

Castle: Gina, eles tiveram um imprevisto, ok, remarque. Nós podemos fazer isso semana que vem. O estúdio não espera? Deus! Gina, eu... eu vou ver o que posso fazer. Eu te retorno. Tchau.

Castle desligou o telefone afobado.

Kate: Que foi?

Castle: Você se lembra da reunião que eu teria com os produtores do novo filme de Nikki Heat?

Kate: Sim, claro, é amanhã, não é?

Castle: É, só que eles não vieram, e querem que a reunião aconteça em LA.

Kate: Você vai ter que ir para lá?

Castle: Vou babe, e vai ter que ser hoje.

Kate podia sentir os olhos inconformados de Castle.

Kate: Amor, tudo bem, você vai e resolve tudo.

Castle: E as crianças?

Kate: Vão para a delegacia comigo.

Alex: Ebaa! O quadro é meu!

Jo: Mamãaae o Alex quer o quadro só para ele!

Kate: Parece que eles gostaram da ideia... – Kate deu um sorriso para Castle – Não se preocupe, eu me viro.

Castle: Obrigado, amor – ele se aproximou e a beijou num selinho rápido – Eu te amo.

Kate: Eu também te amo.

Jo: Viu? A DR funcionou.

Castle não segurou o riso. Kate sorriu também.

Kate: Vamos crianças, se despeçam do papai que a mamãe não pode se atrasar.

As crianças obedeceram e encheram o pai de beijos.

Kate: Boa viagem. – ela o abraçou, beijando-o.

Castle: Vocês vão ficar bem, não vão?

Kate: Eu tenho uma arma, Rick. É bom que você sempre se lembre disso.

Castle: É impressão minha ou tem um duplo sentido nisso?

Kate: Você sabe – ela deslizou a mão pela camisa dele, ajeitando-a – LA, sol, calor, piscina, mulheres...

Castle: Ah... aquelas piscinas de LA... Ai! – ele sentiu o beliscão – Eu adoro esse seu ciúme irracional.

Kate: É bom que seja irracional mesmo. Se você me der alguma razão, Richard Castle...

Castle: Sem razão – ele a puxou para um beijo.

Kate: Me liga quando chegar?

Castle: Claro. – ele a beijou uma última vez – Ah, e... você tem mais uma chance de tentar adivinhar o final.

Kate espremeu os olhos, desfazendo o olhar doce.

Castle: O que? Desistiu de tentar?

Kate: Não importa o que eu diga, você vai mudar o final só para me contrariar. Eu já saquei o seu jogo.

Castle: Sacou mesmo? – ele provocou.

Kate: Vai brincando com meu humor, vai Rick. Eu ainda não perdoei o computador bloqueado. Você tem sorte de eu não ter te matado enquanto dormia.

Ele fez uma falsa expressão de medo, enquanto ela revirou os olhos e o beijou no rosto, antes de sair. Sem saber, deixou um Castle sorridente.

Castle: Cara, eu sou mesmo muito bom!

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Tory: Capitã! Eu soube que trouxe as crianças hoje. Eu posso ficar com eles aqui, se quiser. Tem uns jogos que eles adoram.

Kate: Eu agradeço, Tory, depois mando os dois para cá. Mas agora... eu preciso de um favor.

Tory: Sim?

Kate tirou a capa que encobria o notebook.

Kate: Eu preciso que você desbloqueie esse computador para mim.

Tory: Claro. Se não tiver algum tipo específico de criptografia ou...

Kate: Não, não tem nada disso. É um computador simples.

Tory olhou para a capitã.

Kate: É meu computador. Na verdade, é o computador de Rick.

Tory: Ah...

Kate: As crianças enfiaram uma senha e ninguém consegue desbloquear.

Tory: Seus filhos são terríveis, não são? – Tory riu.

Kate: Pois é! Assim que conseguir me chama, ok?

Tory assentiu e a capitã voltou para a sala. No meio do caminho, encontrou Alexander, que queria ir ao banheiro. Kate então levou o filhote.

Enquanto isso...

Ryan: Sorenson?

Sorenson: Ryan.

Os dois homens pararam diante da porta do elevador, que havia se abrido.

Ryan: O FBI foi requisitado em algum homicídio?

Sorenson: Não, minha equipe estava na Divisão de Roubos. Já estamos de saída mas antes... – Sorenson hesitou um pouco, mas pensou que não tinha nada a esconder – eu gostaria de rever Kate.

Ryan: Capitã Beckett está na sala dela.

Ryan intimou com o tom de voz firme. Na ausência de seu amigo Castle, ele faria as vezes de lembrar que Kate não era mais uma detetive livre e desimpedida, como da última vez em que Sorenson estivera ali. Fazia muito tempo, era verdade, e o agente do FBI certamente sabia de tudo que havia acontecido na vida de sua ex.

Sorenson deu alguns passos, sendo seguido pelo detetive. Parou quando avistou a mesa da capitã, mas com uma presença que não era a mesma.

Sorenson: Ou a máquina do tempo realmente funciona ou aquela não é Kate...

Ryan: É Johanna, a filha dela.

Sorenson passou por Ryan e adentrou a sala, onde só estava a pequena garota.

Sorenson: Oi.

Jo: Oi – Jo levantou os olhos do desenho que pintava e encarou o homem.

Sorenson: Você é Capitã Beckett?

Jo: Não, essa é a mamãe. Eu sou Johanna.

Sorenson: Que alívio, pensei que tivessem encolhido a capitã.

Johanna deu uma risada junto com o estranho.

Jo: Encolhido como Alice?

Sorenson: Ah, você conhece a história de Alice no País das Maravilhas?

Jo: Sim, o papai já nos contou. Alice era muito curiosa, sabia?

Sorenson: E você, é curiosa também?

Jo: Bastante! Qual o seu nome?

Sorenson: Will.

Jo: Você mora aqui, Will?

Sorenson: Não, em Washington.

Jo: Tem filhos?

Sorenson: Dois garotos.

Jo: Eles gostam dos Vingadores? Meu irmão e eu adoramos os vingadores. E o papai também.

Sorenson: Sim, eles gostam muito. E você é mesmo bem curiosa, heim? – ele riu.

Jo: Espera! Você conhece mesmo a mamãe?

Sorenson: Sim, há muitos anos.

Jo: Tem certeza?

Sorenson: Absoluta.

Jo: Então você deveria saber que eu não poderia ser uma miniatura dela.

Johanna encarou Sorenson exatamente com o mesmo olhar de Kate.

Sorenson: Vocês duas são muito parecidas...

Jo: Sim, mas a mamãe tem olhos verdes, e meus olhos são azuis.

Sorenson ficou visivelmente surpreso com a inteligência e sagacidade da garota.

Sorenson: Você é muito esperta!

Kate: Claro que ela é esperta, ela é minha filha!

Sorenson virou-se e deu de cara com a capitã, que sorriu para ele.

Sorenson: Kate...

Os dois se abraçaram.

Sorenson: Quanto tempo!

Kate: Anos! Como tem passado?

Sorenson: Bem, e você?

Kate: Muito bem.

Sorenson: Aliás, parabéns pela promoção.

Kate: Obrigada.

Sorenson: Soube que até ganhou novos assistentes.

Kate sorriu.

Kate: Vejo que já conhece minha garota.

Sorenson: Linda e inteligente como a mãe.

Alex: Ei! Ninguém chama a mamãe de linda, só o papai.

Kate: Bem, esse é o meu defensor.

Sorenson: Me desculpa, então. – ele olhou para o garoto, que o encarava.

Kate: Alex, fala oi para o amigo da mamãe.

Alex: Oi – Alexander estava contrariado.

Jo: Você também é policial?

Sorenson: Eu sou agente do FBI.

Alex: A mamãe já foi agente do FBI!

Sorenson: Uma excelente agente, eu ouvi dizer.

Alex: A mamãe é a melhor em tudo!

Sorenson: Não duvido – Sorenson encarou Kate, e ela sorriu amigavelmente.

Alex: Meu vovô era agente da CIA!

Sorenson: É sério isso? – ele olhou para Kate, que assentiu.

Kate: Filho, lembra que nós combinamos de não mencionar isso?

Alex: Desculpa, mamãe. Você não vai contar para ninguém, vai?

Sorenson: Não, eu prometo. – Sorenson voltou-se para Kate – eles são adoráveis.

Kate: E os seus?

Sorenson: Um pouco maiores. Espertos, inteligentes e igualmente terríveis. – os dois riram

Kate: Eu fico feliz por você.

Sorenson: Eu também Kate. É incrível ver a transformação que ele fez em você. – os dois se olharam por um minuto – Bom eu... tenho que ir. Eu só queria mesmo te ver.

Kate: Eu adorei a visita. Apareça quando estiver por aqui.

Sorenson: Aparecerei. Se cuida – ele a beijou no rosto – tchau crianças.

“Tchau” – os dois disseram juntos.

Alex: Você conta ou eu?

Jo: Nós dois. – Johanna já discava um número.

Kate: Vem cá, desde quando vocês ficaram tão fiéis ao papai heim?

Alex: Nós só estamos cuidando de você, mamãe.

Kate: Estou vendo...

Tory: Capitã?

Kate: Tory! E aí? – Kate se virou empolgada.

Tory: Está feito.

Kate: Crianças, fiquem aqui! – ela falou mas os filhos não prestaram atenção, já estavam falando com o pai.

Kate correu até a sala de Tory, pegando o notebook e sentando-se num sofá disponível. Abriu o arquivo do livro e encontrou um capítulo a mais. Sorriu imediatamente. Mas quando começou a ler...

“Eu sabia que você daria um jeito. Você deixa a detetive, mas a detetive não deixa você. Bom trabalho, amor.

Rick.”

Kate: Seu filho de uma... – Kate parou de falar quando percebeu que Tory a observava. – Obrigada, Tory, muito obrigada.

Kate saiu a passos rápidos, carregando o notebook com uma vontade imensa de arremessá-lo contra a parede. Entrou assim furiosa na sala, e as crianças ainda detalhavam a visita que a mãe recebera ao pai.

Jo: O papai quer falar com você.

Kate pegou o telefone e se afastou das crianças.

Castle: Não é bonitinho que eles sempre me contam quando alguém diferente se aproxima de você?

Kate: Não, já que você os treinou para isso.

Castle: Você sabe que eu nunca falei nada.

Kate: Humpf.

Castle: Você parece nervosa...

Kate: Eu? Imagina, amor, estou super calma. Calmíssima.

Castle: Você abriu o arquivo, não foi?

Kate: A vontade que eu tenho é de te bater tanto, Rick, mas tanto...

Castle: Como aquela vez com o chicote? Hum...

Kate: Will esteve aqui. Me elogiou muito, sabia?

Castle: Bela tentativa, amor. Mas eu não vou ficar com ciúme do seu ex.

Kate: Nem se eu o convidar para jantar?

Castle: Amor, ele já foi embora e meus dois guardiões vão te conduzir cuidadosamente para casa.

Kate: Eu te odeio, Castle!

Castle: Eu também te amo, babe. Nós realmente devíamos repetir o chicote.

Kate desligou brava. Se tinha um homem no mundo capaz de mexer com ela em todos os sentidos, esse homem era Richard Castle.