Whole Lotta Love 2 - Especial 100 capítulos
2 Bloqueado
Notas iniciais
Castle: Bom dia, babe! Caiu da cama ou não dormiu de novo?
Castle se aproximou e ganhou o pior dos piores olhares da capitã Beckett.
Castle: Aconteceu alguma coisa? – ele a beijou no rosto, e pegou um cookie que estava na mesa do café da manhã, já pronta.
Kate: Ah, você não faz ideia?
Castle: Não. – ele falou mastigando.
Kate: Oito anos, Richard Castle. Oito anos de casamento e você bloqueou o computador pela primeira vez.
Castle: Ah... é isso.
Kate: Não se faça de desentendido!
Castle: Amor, esses seus hábitos noturnos vão acabar fazendo mal à saúde. E essas olheiras...
Kate: Não ouse falar das minhas olheiras quando você é a causa delas! E não fuja do assunto. Por que você bloqueou seu notebook?
Castle: Sinceramente? – ele a olhou sério.
Kate: Sim, sinceramente.
Castle: Porque eu quero te surpreender.
Kate: Então você já escreveu mesmo o final?
Castle: Aham. – ele parecia tranquilo.
Kate: E está... ali? – ela se perturbava só com a ideia da solução para o mistério estar no computador a poucos metros dela.
Castle: Acredite, você vai se surpreender – ele assentiu.
Kate: Iria, você quer dizer, se você não tivesse bloqueado o computador. Oito anos, Castle! Oito anos!
Alex: Não são dez?
Kate e Castle olharam para os filhos, que haviam surgido do nada.
Jo: Dez anos com o namoro, são oito de casados e sete com a gente.
Alex: A vida deles devia ser tão sem graça sem a gente.
Jo: Com certeza.
Kate e Castle trocaram um olhar enquanto os filhos se acomodaram na mesa.
Alex: Podem continuar com a DR.
Kate: Como é que é?
Jo: DR, significa “Discutir a relação”.
Kate e Castle trocaram um olhar surpreso.
Castle: Da onde é que vocês tiraram isso?
Alex: Os pais do Jake sempre discutem a relação.
Jo: Discutir a relação é normal entre os casais.
Alex: É, e não é uma briga. É quando eles têm opiniões diferentes e tentam entrar em um acordo.
Jo: Uma briga é uma discussão mais acalorada.
Kate: Acalorada? – Kate estava cada vez mais surpresa.
Jo: Foi o papai que me ensinou. Significa intensa.
Kate olhou para Castle.
Castle: Eu sou escritor! Eu gosto de ensinar palavras novas a eles!
Jo: Então nós não precisamos nos preocupar, porque DR não é briga.
Alex: Podem continuar.
As crianças voltaram ao café da manhã, aos olhos incrédulos dos pais.
Kate: Quando foi que eles viraram nossos terapeutas?
Castle: Não sei, mas acho que perdi algo durante esse processo.
Jo: Vocês estavam falando sobre o que mesmo?
Kate: Sobre vocês dois terem acordado tão cedo – Kate se aproximou da mesa e beijou cada um dos filhos. Castle fez o mesmo. – Hoje é feriado, lembram? Não tem escola.
Jo: Por isso mesmo, mamãe. Para aproveitar mais o dia.
Castle: Quando é dia de escola a gente tem que praticamente sacudir os dois da cama... – ele olhou para Kate, que concordou.
Alex: E então, o que nós vamos fazer?
Castle: Que tal o Museu de História Natural?
Jo: Legal!
Alex: Mamãe, você vai adorar o novo esqueleto de dinossauro.
Jo: É mamãe, da última vez que você não foi nós vimos.
Alex: Ele é enorrrrme!
Jo: Gigante!
Kate: Meus amores, a mamãe adoraria ir com vocês, mas... eu preciso trabalhar hoje. O feriado é escolar, o expediente na delegacia funciona normalmente, e eu preciso estar lá.
Johanna e Alexander fizeram expressões de desapontamento.
Kate: Eu sinto muito – Kate beijou mais uma vez cada um deles.
Os adultos enfim se sentaram e tomaram café com os filhos.
XXXXXXXXXXXXXXX
Um tempo depois...
Kate: Obedeçam ao papai, não corram, e não sumam, por favor, não sumam!
Castle: Kate, é só um museu.
Kate: É sempre bom reforçar.
Enquanto Kate se despedia das crianças, o telefone de Castle tocou.
Castle: O que? Como assim não vieram? Ir para lá? Claro que eu não posso pegar um avião daqui duas horas!
Quando ouviu a palavra avião, Kate voltou os olhos para Castle, e passou a prestar atenção na conversa.
Castle: Gina, eles tiveram um imprevisto, ok, remarque. Nós podemos fazer isso semana que vem. O estúdio não espera? Deus! Gina, eu... eu vou ver o que posso fazer. Eu te retorno. Tchau.
Castle desligou o telefone afobado.
Kate: Que foi?
Castle: Você se lembra da reunião que eu teria com os produtores do novo filme de Nikki Heat?
Kate: Sim, claro, é amanhã, não é?
Castle: É, só que eles não vieram, e querem que a reunião aconteça em LA.
Kate: Você vai ter que ir para lá?
Castle: Vou babe, e vai ter que ser hoje.
Kate podia sentir os olhos inconformados de Castle.
Kate: Amor, tudo bem, você vai e resolve tudo.
Castle: E as crianças?
Kate: Vão para a delegacia comigo.
Alex: Ebaa! O quadro é meu!
Jo: Mamãaae o Alex quer o quadro só para ele!
Kate: Parece que eles gostaram da ideia... – Kate deu um sorriso para Castle – Não se preocupe, eu me viro.
Castle: Obrigado, amor – ele se aproximou e a beijou num selinho rápido – Eu te amo.
Kate: Eu também te amo.
Jo: Viu? A DR funcionou.
Castle não segurou o riso. Kate sorriu também.
Kate: Vamos crianças, se despeçam do papai que a mamãe não pode se atrasar.
As crianças obedeceram e encheram o pai de beijos.
Kate: Boa viagem. – ela o abraçou, beijando-o.
Castle: Vocês vão ficar bem, não vão?
Kate: Eu tenho uma arma, Rick. É bom que você sempre se lembre disso.
Castle: É impressão minha ou tem um duplo sentido nisso?
Kate: Você sabe – ela deslizou a mão pela camisa dele, ajeitando-a – LA, sol, calor, piscina, mulheres...
Castle: Ah... aquelas piscinas de LA... Ai! – ele sentiu o beliscão – Eu adoro esse seu ciúme irracional.
Kate: É bom que seja irracional mesmo. Se você me der alguma razão, Richard Castle...
Castle: Sem razão – ele a puxou para um beijo.
Kate: Me liga quando chegar?
Castle: Claro. – ele a beijou uma última vez – Ah, e... você tem mais uma chance de tentar adivinhar o final.
Kate espremeu os olhos, desfazendo o olhar doce.
Castle: O que? Desistiu de tentar?
Kate: Não importa o que eu diga, você vai mudar o final só para me contrariar. Eu já saquei o seu jogo.
Castle: Sacou mesmo? – ele provocou.
Kate: Vai brincando com meu humor, vai Rick. Eu ainda não perdoei o computador bloqueado. Você tem sorte de eu não ter te matado enquanto dormia.
Ele fez uma falsa expressão de medo, enquanto ela revirou os olhos e o beijou no rosto, antes de sair. Sem saber, deixou um Castle sorridente.
Castle: Cara, eu sou mesmo muito bom!
XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX
Tory: Capitã! Eu soube que trouxe as crianças hoje. Eu posso ficar com eles aqui, se quiser. Tem uns jogos que eles adoram.
Kate: Eu agradeço, Tory, depois mando os dois para cá. Mas agora... eu preciso de um favor.
Tory: Sim?
Kate tirou a capa que encobria o notebook.
Kate: Eu preciso que você desbloqueie esse computador para mim.
Tory: Claro. Se não tiver algum tipo específico de criptografia ou...
Kate: Não, não tem nada disso. É um computador simples.
Tory olhou para a capitã.
Kate: É meu computador. Na verdade, é o computador de Rick.
Tory: Ah...
Kate: As crianças enfiaram uma senha e ninguém consegue desbloquear.
Tory: Seus filhos são terríveis, não são? – Tory riu.
Kate: Pois é! Assim que conseguir me chama, ok?
Tory assentiu e a capitã voltou para a sala. No meio do caminho, encontrou Alexander, que queria ir ao banheiro. Kate então levou o filhote.
Enquanto isso...
Ryan: Sorenson?
Sorenson: Ryan.
Os dois homens pararam diante da porta do elevador, que havia se abrido.
Ryan: O FBI foi requisitado em algum homicídio?
Sorenson: Não, minha equipe estava na Divisão de Roubos. Já estamos de saída mas antes... – Sorenson hesitou um pouco, mas pensou que não tinha nada a esconder – eu gostaria de rever Kate.
Ryan: Capitã Beckett está na sala dela.
Ryan intimou com o tom de voz firme. Na ausência de seu amigo Castle, ele faria as vezes de lembrar que Kate não era mais uma detetive livre e desimpedida, como da última vez em que Sorenson estivera ali. Fazia muito tempo, era verdade, e o agente do FBI certamente sabia de tudo que havia acontecido na vida de sua ex.
Sorenson deu alguns passos, sendo seguido pelo detetive. Parou quando avistou a mesa da capitã, mas com uma presença que não era a mesma.
Sorenson: Ou a máquina do tempo realmente funciona ou aquela não é Kate...
Ryan: É Johanna, a filha dela.
Sorenson passou por Ryan e adentrou a sala, onde só estava a pequena garota.
Sorenson: Oi.
Jo: Oi – Jo levantou os olhos do desenho que pintava e encarou o homem.
Sorenson: Você é Capitã Beckett?
Jo: Não, essa é a mamãe. Eu sou Johanna.
Sorenson: Que alívio, pensei que tivessem encolhido a capitã.
Johanna deu uma risada junto com o estranho.
Jo: Encolhido como Alice?
Sorenson: Ah, você conhece a história de Alice no País das Maravilhas?
Jo: Sim, o papai já nos contou. Alice era muito curiosa, sabia?
Sorenson: E você, é curiosa também?
Jo: Bastante! Qual o seu nome?
Sorenson: Will.
Jo: Você mora aqui, Will?
Sorenson: Não, em Washington.
Jo: Tem filhos?
Sorenson: Dois garotos.
Jo: Eles gostam dos Vingadores? Meu irmão e eu adoramos os vingadores. E o papai também.
Sorenson: Sim, eles gostam muito. E você é mesmo bem curiosa, heim? – ele riu.
Jo: Espera! Você conhece mesmo a mamãe?
Sorenson: Sim, há muitos anos.
Jo: Tem certeza?
Sorenson: Absoluta.
Jo: Então você deveria saber que eu não poderia ser uma miniatura dela.
Johanna encarou Sorenson exatamente com o mesmo olhar de Kate.
Sorenson: Vocês duas são muito parecidas...
Jo: Sim, mas a mamãe tem olhos verdes, e meus olhos são azuis.
Sorenson ficou visivelmente surpreso com a inteligência e sagacidade da garota.
Sorenson: Você é muito esperta!
Kate: Claro que ela é esperta, ela é minha filha!
Sorenson virou-se e deu de cara com a capitã, que sorriu para ele.
Sorenson: Kate...
Os dois se abraçaram.
Sorenson: Quanto tempo!
Kate: Anos! Como tem passado?
Sorenson: Bem, e você?
Kate: Muito bem.
Sorenson: Aliás, parabéns pela promoção.
Kate: Obrigada.
Sorenson: Soube que até ganhou novos assistentes.
Kate sorriu.
Kate: Vejo que já conhece minha garota.
Sorenson: Linda e inteligente como a mãe.
Alex: Ei! Ninguém chama a mamãe de linda, só o papai.
Kate: Bem, esse é o meu defensor.
Sorenson: Me desculpa, então. – ele olhou para o garoto, que o encarava.
Kate: Alex, fala oi para o amigo da mamãe.
Alex: Oi – Alexander estava contrariado.
Jo: Você também é policial?
Sorenson: Eu sou agente do FBI.
Alex: A mamãe já foi agente do FBI!
Sorenson: Uma excelente agente, eu ouvi dizer.
Alex: A mamãe é a melhor em tudo!
Sorenson: Não duvido – Sorenson encarou Kate, e ela sorriu amigavelmente.
Alex: Meu vovô era agente da CIA!
Sorenson: É sério isso? – ele olhou para Kate, que assentiu.
Kate: Filho, lembra que nós combinamos de não mencionar isso?
Alex: Desculpa, mamãe. Você não vai contar para ninguém, vai?
Sorenson: Não, eu prometo. – Sorenson voltou-se para Kate – eles são adoráveis.
Kate: E os seus?
Sorenson: Um pouco maiores. Espertos, inteligentes e igualmente terríveis. – os dois riram
Kate: Eu fico feliz por você.
Sorenson: Eu também Kate. É incrível ver a transformação que ele fez em você. – os dois se olharam por um minuto – Bom eu... tenho que ir. Eu só queria mesmo te ver.
Kate: Eu adorei a visita. Apareça quando estiver por aqui.
Sorenson: Aparecerei. Se cuida – ele a beijou no rosto – tchau crianças.
“Tchau” – os dois disseram juntos.
Alex: Você conta ou eu?
Jo: Nós dois. – Johanna já discava um número.
Kate: Vem cá, desde quando vocês ficaram tão fiéis ao papai heim?
Alex: Nós só estamos cuidando de você, mamãe.
Kate: Estou vendo...
Tory: Capitã?
Kate: Tory! E aí? – Kate se virou empolgada.
Tory: Está feito.
Kate: Crianças, fiquem aqui! – ela falou mas os filhos não prestaram atenção, já estavam falando com o pai.
Kate correu até a sala de Tory, pegando o notebook e sentando-se num sofá disponível. Abriu o arquivo do livro e encontrou um capítulo a mais. Sorriu imediatamente. Mas quando começou a ler...
“Eu sabia que você daria um jeito. Você deixa a detetive, mas a detetive não deixa você. Bom trabalho, amor.
Rick.”
Kate: Seu filho de uma... – Kate parou de falar quando percebeu que Tory a observava. – Obrigada, Tory, muito obrigada.
Kate saiu a passos rápidos, carregando o notebook com uma vontade imensa de arremessá-lo contra a parede. Entrou assim furiosa na sala, e as crianças ainda detalhavam a visita que a mãe recebera ao pai.
Jo: O papai quer falar com você.
Kate pegou o telefone e se afastou das crianças.
Castle: Não é bonitinho que eles sempre me contam quando alguém diferente se aproxima de você?
Kate: Não, já que você os treinou para isso.
Castle: Você sabe que eu nunca falei nada.
Kate: Humpf.
Castle: Você parece nervosa...
Kate: Eu? Imagina, amor, estou super calma. Calmíssima.
Castle: Você abriu o arquivo, não foi?
Kate: A vontade que eu tenho é de te bater tanto, Rick, mas tanto...
Castle: Como aquela vez com o chicote? Hum...
Kate: Will esteve aqui. Me elogiou muito, sabia?
Castle: Bela tentativa, amor. Mas eu não vou ficar com ciúme do seu ex.
Kate: Nem se eu o convidar para jantar?
Castle: Amor, ele já foi embora e meus dois guardiões vão te conduzir cuidadosamente para casa.
Kate: Eu te odeio, Castle!
Castle: Eu também te amo, babe. Nós realmente devíamos repetir o chicote.
Kate desligou brava. Se tinha um homem no mundo capaz de mexer com ela em todos os sentidos, esse homem era Richard Castle.
Fale com o autor