Who is... Uzumaki Karin?

Capítulo II

Frustrada.

Era assim que passei a maior parte dos últimos meses de meu último ano em Konoha High School. Fazia pouco mais de três semanas que havia voltado do recesso de Ano Novo, a neve de janeiro ainda encobria Konoha. Eram tempos frios. Mais que frios, eram estressantes.

Pois, era a época em que, nós alunos, mais deveríamos nos esforçar. Era a hora das decisões para o futuro. E eu já tinha alguns em meta, admito que no recesso tomei um tempo e pensei. Pensei muito, até chegar uma conclusão que me satisfazia. E então, na volta estava tomando as dores dessa decisão. Acho que nunca estudei tanto como naquela época. Parecia uma condenada lutando para viver.

As universidades abriam suas portas, e KHS fechava as suas para nós.

Lembro-me de muitos dos meus colegas animados para o final do ano que se aproximava. As provas de admissões me assustaram um pouco – totalmente normal—, mas consegui ir bem à maioria dos casos. Além disso, meu histórico escolar e algumas realizações— não são todos os dias que você ganha um prêmio de primeiro lugar nacional em uma feira de ciências –, me ajudavam muito para aumentar minhas possibilidades.

O que eu queria? Decidir ser bióloga. Genética era fascinante.

Um ramo difícil, na qual você tem que ter muito esforço em estudar, compreender. Eu sabia que conseguiria, eventualmente. E já no começo de fevereiro, cansada dos estudos, das provas de admissões e planejamentos para a formatura; eu já estava quase desistindo quando os exames finais da escola começaram. Era o mais puro inferno na terra.

Já nos meados de meio de fevereiro, as provas me sugavam, mesmo estando na reta final, sentia-me como se eu voltasse ao meu primeiro ano. A nerd, a garotinha invisível, sem graça... Eu me apavorei. Não queria sentir aqueles sentimentos esmagadores como no primeiro ano. Eu via como estava afastada dos meus amigos, nem me lembrava da última festa na qual participei; fiquei tão assustada que até cogitei a possibilidade de parar de estudar. Onde estava a diversão nisso? Sabia que havia ido bem nos primeiros testes, poderia não estudar tanto e sair com meu grupo, a maioria dos meus amigos estava fazendo isso. Então, por que eu não poderia fazer a mesma coisa?

Cheguei muito perto de largar tudo naquele momento. Mas sabe, minha tia sempre pareceu ter uma intuição de quando as coisas não iam bem para mim. Ela conversou comigo em uma noite, parecia tão séria que nem ousei interrompe-la alguma vez. Apenas fiquei sentada no meu quarto, ouvindo-a. Minha tia, Uzumaki Kushina— casada com Namizake Minato, mas não tomou o sobrenome do marido por querer independência – era para mim uma segunda mãe, não que eu tenha dito alguma vez isso para ela. Eu a admirava. Agora me arrependo de não ter falado isso para ela, porém, algo sempre me dizia que ela tinha conhecimento de meu afeto por ela. Assim como tio Minato era um pai para mim, já que a figura biológica nunca estava presente na minha vida, mas meu tio ocupava àquele lugar sempre vazio na minha infância. Até mesmo poderia considerar meu primo barulhento, Naruto, como um irmão mais novo, mesmo sendo tão problemático. E espalhafatoso. Eram a minha família, de algum modo.

E naquela noite, minha tia me lembrou disso. Eles estavam lá, por mim.

Desde então, eu esforçava-me. Se não fosse por mim, então que fosse pela minha família aquele futuro na qual eu almejava. Eu ignorava meus amigos a maior parte do tempo, ignorando os convites de festas que eu sabia que iriam desde o início da noite até o raiar do dia seguinte. Lembro-me o quanto Suigetsu, aquele idiota, me importunava para sair com nossos amigos, incomodando-me no intervalo. Pensando agora, acho que aquele albino fazia isso para chamar minha atenção, da maneira mais tosca, mas que combinava com seu baixo intelecto.

Então, março chegara.

As provas acabavam. Era tempo dos resultados. A formatura. Então...

O adeus a todos.

—oOo-

Acho que nunca poderei esquecer aquele dia. Era a minha formatura. Um estágio da vida na qual representava um adeus a uma fase e um olá para o início de outra. E de certa forma, me assustava, bem como me fascinava. Sim, eu estava com medo para o que poderia vir pela frente, o que o futuro me espera, as responsabilidades e expectativas sobre mim. Mas também me sentia radiante que finalmente eu tomaria alguma independência, teria as rédeas da minha própria vida. Sentia-me com a liberdade em mãos, e não a deixaria por nada.

O primeiro passo estava sendo dado ao me formar. Fora longo a cerimônia, lembro-me de ficar impaciente, pois graças ao meu sobrenome – Uzumaki— seria uma das últimas a receber o meu certificado. Mesmo impaciente, ainda tinha um sentimento excitante correndo em minhas veias. Ao estar naquela fila e a um passo de subir no palco, tornei-me muito consciente de meu entorno e de mim mesma. Do céu de fim de tarde, as cores quentes pintando o ar acima de mim. O vento frio, as flores que faziam harmonia com a decoração em preto e dourado, a multidão de pais e professores que se sentavam em frente ao palco. Acho que nunca pensei em como o jardim de Konoha High School poderia parecer tão lindo como naquela época.

Ao som dos aplausos quando eu subira no palco, com meu vestido de ceda e com pedrinhas brilhosas decorando o meu tronco; uma discreta abertura na lateral fazia o charme final. Quando subi no palanque mil emoções me abateram, porém a alegria fora mais acentuada do que qualquer outra coisa. E no final, em meio aos meus colegas esperando para finalmente encerrar a cerimônia, eu sorria como nunca pensei que sorriria num momento como aquele. Eu estava orgulhosa de mim, mesmo sabendo que ainda havia muito mais pela frente, mas naqueles instantes eu apenas concentrava-se em sentir a adrenalina, eufórica.

Penso agora, fora um dos momentos mais marcantes para mim.

E o início de minha desgraça.

As próximas duas horas e meias foram como um borrão para mim, poucas foram as coisas que mais tarde me lembrei. Após a cerimônia, oficialmente terminar, havia uma recepção para os pais e professores, e demais autoridades presentes. Lembro-me de procurar meus parentes, os poucos que ainda restavam. Minha tia havia me surpreendido, aparecendo de repente e me dado um abraço esmagador. Era tão quente com seus sentimentos belos em direção a mim. Nunca passara em minha mente que seria a receptora de tais emoções. Fora uma meia hora regada a abraços e felicitações, com algumas lágrimas por parte das mulheres presentes, ou seja; tia Kushina, Konan— uma mulher, melhor amiga de meu primo Nagato, e que se tornara como uma irmã mais velha para mim –, e tia Fusō— a mãe de Nagato, uma senhora já de idade e prima de tia Kushina –.

Não sei o que me apossara naquelas duas horas e meia, mas passei cada momento com a minha família na recepção que havia ali mesmo, no jardim da escola. Não sabia o porquê, ou talvez pressentisse o que poderia vir mais a frente. Todavia, foram as horas mais relaxantes que me lembro, regadas as risadas em meio às lembranças de família. A minha família, a única que tenho e na qual detenho apreço.

Talvez, também, soubesse inconscientemente que poderia curtir com meus amigos no mais tardar; pois haveria uma festa no início da noite. E por tal, não os dei muita atenção. É claro, não fui tão rude ao ponto de ignorá-los, sem ao menos parabenizá-los. O primeiro que encontrei – depois de falar com minha família – fora Jūgo, na qual estava junto de Kagaya Kimimaro, melhor amigo do ruivo grandão e também seu guardião legal. Fora uma breve conversa, não por parte de mim – ambos eram muito agradáveis e com assuntos interessantes—, contudo notei que Jūgo parecia ansioso com algo; eu os deixei com a promessa de conversar mais em outra ocasião. Acabei me deparando com Temari e o resto de sua família. Para a surpresa de ambas.

Se passamos por algum momento constrangedor? Sim, de certa forma. Eu realmente esbarrei em Temari sem intenção, contudo, não foi por causa de nossa inimizade que agimos com descortesia. Admito que fora até proveitoso conhecer a família Sabaku. O patriarca – Sabaku no Rasa— era em suma, um homem rigoroso e de pouca fala, esta última característica era compartilhada com seu filho mais novo; Sabaku no Gaara. E este sendo um dos amigos de meu primo, Naruto, e com aquele ar silencioso e misterioso tanto quanto Uchiha Sasuke detinha. Eu já sabia que Temari era órfã de mãe, mas me surpreendi ao encontrar com seu tio materno, Yashamaru, que na verdade era irmão gêmeo da falecida senhora Karura. Yashamaru parecia um estranho no meio daquela família, sendo calmo, alegre e bem receptivo. Um mau momento na qual passei na presença deles fora quando Kankurō chegara tão repentino e surpreendente quanto eu o lembrava. Não é preciso dizer que depois da aparição dele não fiquei por muito tempo; não que houvesse algum clima ruim entre nós, mas não me sentia bem sendo a ex de Kankurō naquele momento de família.

Acho que Temari ficou até aliviada com a minha ida, principalmente quando o herdeiro Nara aparecera. Não dei muita atenção a esse fato e continuei a andar pelo gramado bem cortado, o céu já se encontrava com cores em laranja e vermelho, o roxo-azulado tomando pouco a pouco o céu. Ainda encontrei com alguns outros, na qual pouco papeei. E outros eu fiz questão de passar longe, como a mais conhecida quadrilha da escola, apesar disso não pude negar um cumprimento para Tayuya; ela era uma boa garota, mesmo com as piores companhias consigo.

E já estando de noite, o final chegava. Eu estava de volta com minha família, que aparentemente tinham conhecido outra família – os Hamushi— e estavam em uma agradável conversa. No final, acabei não vendo nem Suigetsu durante a recepção toda, apenas tive um vislumbre dele durante a cerimônia e poderia afirmar que ele estava belo naquele smoking; não que eu iria dizer a alguém tal coisa. É uma das tantas coisas que levarei para o túmulo. Entretanto, só no finalzinho é que pude ver Sasuke, na maior e pura casualidade. Ou seja, graças ao meu primo loiro escandaloso.

Eu, em minha plena ingenuidade, ainda tinha a convicção que poderia ter alguma coisa com o mais novo Uchiha. E quando o herdeiro mais velho da família Uchiha – um lindo homem de vinte anos, Itachi— reconheceu Naruto quando o mesmo passava; não é preciso dizer que praticamente colei-me em meu primo quando este fora até os Uchiha cumprimentá-los.

E não precisava ser muito esperto para poder notar a tensão que havia entre meu primo e Sasuke. Era notável para quem quisesse ver. Não sabia o que poderia ter acontecido entre os dois, mesmo tendo noção que a amizade forte que um dia os dois tiveram, parecia estar completamente desfeita; sobrando apenas migalhas. Naruto se agarrava a essas migalhas, enquanto eu agarrava-me a essa oportunidade e ganhava mais terreno com o moreno. Ou ao menos eu tentava como acontecera naquele momento. Tinha muita consciência que estava sendo uma péssima prima, aproveitando-se do momento inquieto entre eles; ainda conseguia sentir o olhar intenso de Uchiha Itachi em mim. Ele parecia o único – além de mim – que notara a tensão no ar. E o que eu estava fazendo.

Como se eu não me sentisse mal o suficiente.

Ficou bem óbvio que o encontro casual não gerara muito proveito para mim. O recolhimento de algumas informações, sim. No mais, parecia ter gerado um desastre total. Contudo, logo minha mente fora ocupado com outra coisa e rapidamente esqueci esse momento. Minha mente focou instantaneamente na hora em que pisei dentro da quadra esportiva de Konoha High School.

O lugar estava vivamente decorado, com luzes coloridas piscando o tempo todo, uma vasta pista de dança em frente ao palco onde uma banda um pouco conhecida tocara a noite toda; havia aos cantos algumas mesas e cadeiras, além de um mini bar na qual eu havia adorado. E não, eu não era uma louca por bebidas alcoólicas, mas naquela noite eu pensava em curtir como se não houvesse amanhã. Pensamentos, claro, de uma adolescente – um tanto irresponsável – com os hormônios em alta.

Foi também a hora em que minha mente começou a fazer confusão.

Sim, bebi até ficar bêbada de verdade. Tão bêbada que precisei ser carregada, ainda que fosse para casa de uma amiga já que não queria que meus parentes me vissem naquele estado tão deplorável. Foi vergonhoso? Muito... Não é algo que me orgulho, mas...

Bem, então o que me lembro da festa?

Lembro-me de entrar, navegar entre a quadra que quase não a reconhecia direito; parecia mais bela que nas formaturas anteriores. Sim, em meu primeiro ano, após minha fama crescer um veterano convidara-me para a formatura, era uma das poucas calouras a ter esse privilégio; pois era conhecido que primeiros anos eram proibidos de ir à festa sem alguém de ano maior. O corpo docente já tinha conhecimento das loucuras que nós conseguíamos fazer. Em meu segundo ano lembro-me que aproveitei pouco, já que acabei brigando com meu par e resolvi ir embora. Lembro que fora Suigetsu a levar-me para casa, e no trajeto admito que apreciei sua companhia que tentava me deixar de alto-astral com suas piadinhas.

E agora, finalmente, era a minha festa de formatura para aproveitar e nada faria com que eu não a apreciasse. Ou era o que eu pensava. Depois de um tempo entre andar, conversar com alguns que não vira antes e a estréia da pista de dança, eu seguira para o mini-bar. Eu não tinha nem dezoitos anos ainda, e obviamente não poderia beber nada com álcool. Contudo, o que um vestido justo e tomara que caia junto a alguns charmes com o corpo não poderia fazer? Eu até poderia ter convencido o barman, se não fosse pelos professores espalhados pela festa nos supervisionando, inclusive no mini-bar.

É claro que tinha amigos com maioridade, mas eles não se encontravam mais na escola, afinal tinham vinte anos. Porém, ainda havia alguns indigentes convivendo com gente da pesada e não fora muito difícil deles conseguirem apagar os professores ou os deixarem meio bêbados. Isso ocorreu uma hora depois do início da festa. Na época eu até poderia ter rido junto aos demais, mas agora eu vejo o quanto fora uma atitude irresponsável. Era um crime, afinal.

Depois disso, tudo virara um borrão na minha mente. O pouco que lembro fora que dancei tanto que meus pés começaram a machucar e havia tirado os saltos, que nunca mais os encontrei visto que havia jogado em algum canto qualquer. Tomei tanto quanto eu pude, ri sem sentido até chorar. Sei que fiz besteira com meu primo novamente e não sei como ou o porquê dele estar lá, mas eu consegui o fazer chorar ao ter Sasuke para mim por alguns minutos na pista de dança. Minutos que mal recordei no dia seguinte. E minutos que terminaram quando o Sabaku mais novo entrara de repente em uma briga com o Uchiha. Sasuke e Gaara acabaram por serem retirados da festa pelos amigos e depois disso não vi nenhum dos dois, nem Naruto.

Acabei ficando com muitos durante aquela festa. Horrível, humilhante penso agora.

Em alguma hora entre cinco e seis horas alguém me ajudara— ou carregara-me – para a casa de Tayuya onde passei o resto da madrugada e uma parte da manhã. Só voltei para casa depois das duas da tarde, mais ou menos a hora em que avisei que chegaria para os meus tios. E se não fosse por Tayuya, talvez ainda ficasse com a dúvida até agora de quem me carregara. Para a minha surpresa fora Suigetsu. Novamente. E por que da surpresa? Pois, durante a festa lembro-me vagamente de brigar com o albino idiota e dizer algumas palavras fortes e que em sã consciência jamais as diriam. Não sei o porquê de ele ter me ajudado e nunca o perguntei também.

Mas talvez naquela época ele me conhecesse melhor que a mim mesma.

—oOo-

Férias...

Férias eram – ou deveriam ser – sinônimos para relaxar. Dias sem preocupações.

Contudo, nem todos tinham esse luxo de fazer nada durante os poucos dias que havia entre uma formatura e o início da vida universitária. Ao menos, não era o meu caso. Pouco mais de uma semana na qual minha formatura e a aquela festa não tão proveitosa aconteceram; eu estava me mudando para um pequeno apartamento no centro de Konoha e perto da universidade na qual eu escolhi. Claro, eu não deixaria meus tios bancarem tudo sozinhos, eu pretendia começar a trabalhar logo que as aulas começassem. Além do mais, ainda dividiria o apartamento alugado com outra pessoa que na época em que me mudei ainda não havia conhecido.

Enfim, uma semana se passara desde a mudança e no final desta semana acabei por conhecer a minha nova inquilina. Uma garota em torno da minha idade, praticante de lutas marciais e com jeito de moleca, mas com sua própria simpatia. M. Tenten era seu nome e coincidentemente era atual namorada de Hyūga Neji, outro gênio que havia se formado em KHS há uns dois anos atrás. Também era consciente que sua prima Hyūga Hinata tinha uma quedinha pelo Naruto. Eu tinha certa pena da garota. Ela era patética em minha visão, um contraste gritante no que ela se tornara. Uma grande mulher, alguém em quem se deveria admirar e espelhar-se.

Fora também naquela semana em que voltei a ter contato com os meus amigos novamente. Havia um pouco se afastado deles de novo para que eu pudesse me adaptar a mudança, me reorganizar novamente. Parecia tudo tão diferente da casa em que morava antes, que precisei de um tempo sozinha comigo mesma. Mas estar na solidão não era algo do meu feitio e logo estava entre o pessoal, sabendo das novidades que perdi. Porém, o que mais me abalou fora saber que Suigetsu estava namorando, verdadeiramente. Não as brincadeirinhas que ele fazia com as pobres das garotas que caiam em sua lábia, mas namorando sério, pra valer. Sem brincadeiras, apostas. Algo mais sentimental.

Fiquei em choque.

Primeiro de tudo, eu nem sabia que aquele albino estava gostando de alguém para chegar até aquele ponto, namorar. E segundo... Não sabia o que sentir com aquela revelação. Surpresa? Sim, muita. Contudo, havia algo que remoeu em mim que não sabia identificar e que demorei muito a perceber o que seria. Eu verdadeiramente detestei aquele sentimento em meu peito. No entanto, mesmo assim, eu felicitei o novo casal. Até mesmo brinquei que eles pareciam muito bem juntos, mesmo achando em minha mente o quanto eles eram estranhos juntos. Sinceramente, nunca achei que Suigetsu e Ajisai formassem um casal, pois bem, as personalidades não combinavam e, além disso, seus gestos um para o outro pareciam forçados.

De qualquer forma, ainda fomos comemorar a novidade. E o que melhor se não uma festa? Um do pessoal do grupo sugeriu a balada que ocorreria em uma boate na zona norte de Konoha. A maioria aceitara, inclusive eu... Oh, God! Foi o início de um dos meus martírios que ainda hoje eu os sinto tão cru quanto naquela época. Se pudesse, eu voltaria no tempo e reveria todas as minhas decisões e não apenas esta.

Era pouco depois das dez da noite quando resolvemos ir até a boate e eu ingenuamente pensando que ficava na zona norte; Contudo quanto mais nos aprofundávamos naquela área mais eu percebia que nos afastávamos da cidade. Fora quando Jūgo que comentara, com certo desprezo que eu nunca ouvira em sua voz, que nos encontrávamos na periferia da cidade, justo no lugar mais perigoso.

Eu quis voltar para casa na hora.

Deveria ser o esperado, ainda mais sendo que a sugestão havia vindo de Fuyō, uma garota com conexões com gente fichada ou de comercio suspeito. E tudo indicava que essa boate era do mesmo feitio que os amigos de Fuyō eram – o que inclui Suiren, sua melhor amiga e também Ajisai –. Eu deveria ter seguido os meus instintos e não ter caído na lábia fajuta do babaca do Suigetsu. Eu acabei indo apenas por causa dele.

Quando chegamos ao local, já havia detestado. A música até que era bom, o DJ da festa conseguia colocar uns sons bons. Porém, o lugar cheirava a droga pura, álcool, sexo e excrementos... Urgh, era completamente nojento!

E o mais inacreditável fora ver conhecidos meus que não imaginava que frequentavam esse tipo de lugar. Eles nem mereciam ser citados. Já outros, infelizmente não fora tão chocante assim. Como por exemplo, encontrar Tayuya – nos braços de um qualquer – e o resto de sua gangue. Jirōbō parecia competir com os gêmeos – Sakon e Ukon— o quanto cada um conseguia beber. Enquanto Kidōmaru parecia se achar o rei da festa e tentava conseguir as meninas para si. Não sabia em quem deveria sentir pena, das meninas que caiam fácil ou no idiota daquele garoto. Era um grupo digno de pena, ou simplesmente tristeza. Estavam todos perdidos nessa vida e nem sabiam como sair da mesma. E todos vieram do mesmo orfanato. Assim como Jūgo, na qual teve mais sorte que eles. Mas acho que era o ruivo que mais os entendia e por isso tentava os ajudar o quanto podia.

Tayuya era a que mais tinha chance e até que futuramente conseguira.

Inesperado, certo?

No entanto, voltando à festa... Eu duvido que aquilo possa ser considero uma festa descente. Tanto que a mesma não durara por muito tempo, era pouco depois da meia-noite quando o caos havia começado completamente inesperado. Apesar disso, acho que não deveria ter ficado tão surpresa – ou apavorada— quanto fiquei quando soube que a polícia estava vindo. Oras, olha o local em que fui me meter?!

Ainda tive sorte de conseguir escapar da multidão alvoroçada. Ou melhor, dizer, eu tive um anjo da guarda grandão e ruivo que me salvara daquele arrastão. Jūgo ainda conseguira localizar Tayuya e Suigetsu no meio do caos e os tirar dali o mais rápido possível. Não havia sinal da namorada do albino ou de suas amigas. Aquelas pestinhas conseguiram escapar bem antes de tudo começar e não tiveram a mínima decência de avisar-nos; nem mesmo o próprio Suigetsu. Lembro-me o quanto o mesmo ficara irritado com isso. E não pude deixar de ficar até um pouquinho alegrinha com tal coisa, afinal, os dois não combinavam.

Poderíamos até ter escapado da festa, mas a polícia ainda estava na área. O que era o nosso maior medo. Não me lembro de outra ocasião na qual eu tive que correr tanto como naquela vez e depois daquela experiência me certifiquei que nada parecido poderia ocorrer novamente comigo. Escapamos várias vezes do cerco da polícia, mas em uma hora não poderíamos escapar. E foi quando Jūgo se tornou meu herói... E que também fez com que meu coração sangrasse com mais uma ferida sendo feita naquele órgão já muito danificado. Jūgo, vendo que não poderíamos todos escapar daquele cerco fez com que a atenção dos policiais focassem apenas em si; criando uma distração perfeita que nos deixou – eu, Tayuya e Suigetsu – escaparmos ilesos até chegar a um lugar mais seguro.

Já era início das duas da manhã quando eu e Suigetsu deixamos Tayuya em sua casa – ela há muito tempo havia fugido do orfanato –. Ainda fui acompanhada pelo Hōzuki até meu apartamento e como não queria ficar sozinha – não que eu disse isso a ele, pelo menos não diretamente – eu convidei-o a entrar e passar aquele resto de madrugada ali. Eu sabia que ele ainda teria que acordar cedo para ir trabalhar. Suigetsu conseguira um emprego em uma lanchonete no shopping e ganhava até que bem. De acordo com ele, era melhor do que estudar naquele momento. Não entendia a lógica daquela pessoa.

Ainda não o entendo.

No final, acabamos nós dois amontoados no sofá pequeno da sala e cobertos por um cobertor. Suigetsu ficara comigo, tranquilizando-me em relação ao Jūgo e prometendo-me que iria atrás de informações sobre o que havia acontecido com o ruivo bipolar. Isso aquecera meu coração de uma forma até que dolorida. Era uma sensação estranha, mas ao mesmo tão bom.

Acordar nos braços do Hōzuki fora uma experiência nova. Quero dizer, na manhã seguinte fui acordada pelos barulhos vindo da cozinha – Tenten estava tentando cozinhar, coisa na qual ela nunca fora muito boa – e obviamente, a minha primeira reação ao constatar a maneira em que me encontrava fora fazer o maior escândalo. Deixei com que minha voz atingisse o maior pico, ouvindo os risos de minha colega de apartamento enquanto Suigetsu me olhava entre divertido e assustado. Não era para menos, eu o acordara aos murros e gritos. E depois de meu histérico discurso sobre pervertidos albinos, o acusado apenas me dera um sorrisinho de canto dizendo-me de forma debochada:

— Mas, Karin-koi, fora você a única a me agarrar enquanto dormia.

Não preciso dizer que expulsei o atrevido às tapas, com o mesmo ainda ousando em dar-me um rápido beijinho em uma das minhas bochechas extremamente coradas. Todavia, eu no fundo sabia que minha histeria era apenas uma forma de esconder o meu grande constrangimento. Ou a forma em que meu coração disparara até que meu peito doía, ou então o embaraçar do meu estômago. Naquela época, era algo que eu não aceitava, inconcebível de minha parte. Tenten adorara me provocar com o acontecido.

Dois dias depois, Suigetsu telefonara-me para informar que Jūgo se encontrava detido e que recebera uma pequena detenção por vandalismo. Ele passaria um tempo em uma prisão juvenil cumprindo algumas ações comunitárias como sentença. Eu me sentira terrivelmente culpada e queria vê-lo, contudo Jūgo dissera para Kimimaro que não queria receber visitas de ninguém; E que, principalmente, ele não culpava ninguém. Fora sua própria escolha. Desde então, eu pouco saia do apartamento. Encontrava-me com meus amigos, mas dificilmente saía para alguma festa ou balada novamente. Resolvi aproveitar aquelas réstias de férias na calmaria. Principalmente quando soube que Suigetsu e Ajisai ainda se mantinham juntos, mesmo depois do que ela aprontara aquela noite. Eu não conseguia entender do porquê de Suigetsu ainda estar com ela.

E só descobrir meses mais tarde.

Até lá, eu ignorava a pontada dolorosa em meu coração.

Ou a vontade inexplicável de chorar.

Notas finais
Olá! Bem, primeiro, me desculpe a demora, sim? É que quando tô de férias acabo esquecendo da maioria das coisas - como escrever - e fico curtindo o verão! shisshi Então, o que acharam do capítulo? Bom, péssimo, devo desistir? Continuar? Alguns esclarecimentos... Ajisai e suas duas amigas - Suiren e Fuyo - realmente aparecem no anime, sendo que Ajisai é um dos Pein que atacam Konoha a mando de Nagato. Se lembram, da única mulher do grupo? Se procurarem na Narutopédia irão encontrá-la na sua verdadeira aparência. Tayuya e sua gangue também são personagens de Naruto - assim como Kimimaro e Fuso, e sim, esse é o nome da mãe do Nagato -. Tayuya e sua gangue são subordinados do Orochimaru e que aparecem para Sasuke quando ele deixa Konoha. Vocês também encontrarão o grupo na Narutopédia. E por último, a maioridade japonesa é aos vinte anos, apesar de poder dirigir a partir dos dezoito anos. Então, só algumas informações como garantia para quem não sabia. Espero que tenham gostado, sim?! ^^ Até a próxima, Kunimitsu.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.