Who can save me now?
2 Capitulo 2
– Sabe a vida de uma Duquesa é tãooooooo difícil. – Disse Jane enquanto sobrevoamos a cidade, ela não era tão pesada, mas era horrível ter que carregar alguém, principalmente porque ela não queria ficar “pendurada”, tivemos que enganchar nossos braços nos dela para que ela ficasse na mesma altura que a gente. Garota chata.
– Deve ser mesmo, principalmente quando você criada por humanos e não teve contato nenhum com o mundo infernal. – Falei soando irônica.
– Carrie, não seja ruim com ela. – Falou Henry.
– Cala a boca, não quero papo, quero recolher logo essas porras de Almas e ir embora daqui. – Falei já cortando o garoto, que fechou a cara. Seguimos o resto do caminho em silencio, o que foi bom por um lado e ruim pelo outro, porque só aumentava a tensão entre nós.
– É aqui – Falou Henry. Fomos descendo devagar, a Duquesa colocou os pés no chão, não fiz cerimônia nenhuma em solta-la, larguei ela lá. Olhei para os lados, vi as Almas, tinha cinco garotos e oito garotas, cada uma com um rosto diferente, não sei o que eles fizeram para estar aqui, mas com certeza deveria ser algo grave.
– Carrie? – Falou uma Alma. Eu a conhecia, de alguns debates para tentar ter paz entre nós, onde reunia dois demônios, dois AP’s e dois humanos. Nunca dava certo essas “reuniões”, até porque, quero mais é que se foda e Edd pensava o mesmo que eu.
O nome dela era Cecil, ela tinha cabelos um pouco abaixo dos ombros, ruiva, olhos verdes, pele tão branca quanto a minha, magra e da mesma altura que eu, talvez um pouco maior até. Eu gostava dela e realmente foi um espanto vê-la ali no meio.
– Oi Cecil, o que você ta fazendo aqui? – Falei soando até um pouco incrédula.
– Estou aqui administrando para ver se nenhum deles vai fugir né! O que você acha que eu também... ah não, capaz, sempre vou manter meu posto e meu lado. – Falou ela. Até que a garota tinha razão, ela era uma das mais “fodas” entre os AP’s. Ela era como eu, poderosa e tinha um ótimo cargo, além de impor um respeito enorme.
– Nunca se sabe, todos vocês dizem a mesma coisa e olha o que estamos fazendo, quem sabe algum dia eu venho te buscar. — Falei brincando com a menina, que deu uma risada falsa e um sorriso amarelo. Nenhum AP gostava de ser caçoado pelos demônios, afinal, toda semana recolhíamos dezenas deles.
– Podemos conversar? – Perguntou ela.
– Henry, acorrente os AP’s, depois eu acorrento as meninas. Duquesa observe e aprenda. – Falei indo ao encontro de Cecil.
– Tem uma AP... bom, ela está grávida, quando o bebe dela nascer ele não vai ficar no inferno, vai? – Perguntou ela com uma cara assustada.
– Bom, a criança não tem nada a ver com os crimes da mãe. – Falei dando de ombros.
– Carrie, a Poliana...o bebê, nesse caso, não pode ficar sem a mãe, você sabe disso. – Falou ela. Eu sabia o que ela queria, ela queria que eu liberasse a mãe e o bebê do inferno.
– Cecil, vamos fazer assim, eu libero a mãe, ela vai ser o único caso dessa magnitude, você sabe que quem vai ter que responder isso vai ser eu. – Falei baixinho, se Henry escutasse, eu levaria um sermão lindo, até porque, vim dando um sermão nele por causa de compaixão. Mas na verdade, não era compaixão, uma grávida não pode fazer muita coisa, uma mãe sem o bebê...já da pra escutar os choros e os lamentos antes mesmo disso acontecer.
– Sério? – Os olhos verdes da menina brilharam.
– Sério, fala que ela é uma garota que você está treinando e tira ela daqui. Como é o nome dela? Tenho que apagar da lista de AP. – Olhei para trás, Henry estava ensinando o processo de acorrentamento para a Duquesa.
– Obrigada Carrie, que De... que... ahn, Lucifer... ahn, não sei, mas obrigada. O nome dela é, Beatrice. – Falou ela, dei uma risadinha, era engraçado como os AP tinham mania de agradecer deus por tudo, só que nós demônios, bom, não temos um Deus.
– Chame-a. – Falei pegando a lista da mão de Cecil e riscando o nome “Beatrice”.
Cecil a chamou, a garota veio em nossa direção, sua pele pálida mostrava que ela parecia estar em pânico, os olhos escuros refletiam medo puro, ela se agarrava a barriga (que por sinal é enorme) como se fosse a coisa mais importante da vida dela, deve ser, eu não sou mãe para entender esses negócios. Ela era pequena, bonita, os cabelos eram curtos e castanhos, os lábios eram finos e rosados, a única coisa que chamava atenção nela, eram suas bochechas, que eram grandes.
– Diga-me Beatrice, o que você fez para vir parar aqui? – Falei olhando com curiosidade.
– Bom... eu estou grávida, o pai da minha filha, tem o coração bom, mas foi um canalha, então...eu acabei matando-o. – Falou ela sem rodeios.
– Entendi. Por que um canalha? – Perguntei. Esse era um caso interessante, gosto de coisas interessantes.
– Ele dizia que queria ficar só comigo, mas estava prestes a se casar com outra, além do que, ele não iria assumir a própria filha. Melhor ter um pai morto, do que ter um pai babaca. – Falou ela, sua voz continha tanta amargura e ódio, que quase lamentei de não leva-la para o inferno.
– Você sabe que se ir para o inferno, você vai ser separada da sua filha logo que ela nascer, certo? – Cecil me olhou com cara seria, mas qual é, eu já tinha perdido uma futura demônio, brincar um pouco com ela não faz mal, ou faz, porque a mesma caiu em um ataque de choro, implorando para não ser separada da filha. Isso fez com que atraísse o olhar de outras pessoas, inclusive da Duquesa e de Henry. Me postei perto da menina-chorona, abri minha asas e bloqueei a visão dos outros.
– Odeio quando vocês demônios abrem essas asas. – Falou Cecil revirando os olhos.
– Inveja? – Disse sorrindo, a menina ainda chorava.
– Eu tenho as minhas. – Disse ela abrindo suas longas asas brancas com as pontas amarelo. Dei uma risada e voltei minha atenção para a menina que ainda chorava. Como eles têm tanta água no corpo?
– Beatrice, por favor, PARA DE CHORAR. – Falei aumentando o tom da minha voz.
– CARRIE, TA TUDO BEM AI? – Gritou Henry.
– TA, SÓ ESTOU FALANDO COM A MENINA QUE A CECIL ESTÁ TREINANDO. – Gritei de volta.
– Treinando? – Perguntou Beatrice.
– Sim, você se livrou do Inferno dessa vez, agora some da minha frente. – Falei fechando as asas e voltando para as AP’s que eu ia acorrentar.
Olhei para trás e vi Beatrice abraçando Cecil, que olhou para mim e murmurou um obrigado, movi a cabeça em concordância, olhei para as AP que eu ia acorrentar.
– Bom suas vadias criminosas, vocês vão se foder na minha linda mão, todo mundo no paredão agora e mãos nas costas. – Falei soando como uma Militar. Todas elas foram como eu mandei. Peguei as algemas infernais, que nada mais eram que algemas pretas, que se a pessoas resistissem ao ficar com ela, elas esquentavam, quanto mais resistem, mais calor, até que em um certo momento elas simplesmente pegavam fogo. Era extremamente engraçado vê-los pulando e gritando tentando apagar o fogo.
– Co-co- com licença, eu ouvi dizer que você é A demônio que vai nos treinar, certo? – Falou uma garota, acho que eu nunca tinha visto ela.
Cabelos vermelhos como fogo, pele morena, olhos azuis como o céu, tinha a minha altura, corpo escultural, ela com certeza era uma das AP’s mais bonitas que eu já tinha visto.
– Quem é você? – Perguntei franzindo a sobrancelha.
– Meu nome é Marrie, eu sou uma Serafim. – Disse ela, todos os olhos daquela sala voltaram-se a menina anjo, que abriu suas longas asas, azuis, que desciam em degradê, deixando assim as pontas brancas, tão brancas quanto as asas de Lucifer, para sem sincera, ela mesma me lembrava Lucifer.
Eu não sabia o que falar, olhei para Henry em busca de suporte, mas ele também estava quieto, encarando ela, olhei para a Duquesa que finalmente havia ficado quieta, mas se até ela estava sem fala, quer dizer que o negocio estava sendo bem tenso. Minha ultima alternativa era Cecil, que quando nossos olhares se cruzaram, eu via certo pavor pairando em seu olhar. Cecil e mais dois garotos, eram os únicos Serafins que até onde sabíamos existiam.
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