Who are you?
2 Santana Lopez.
Notas iniciais
Assim que acordou Brittany foi seguir o seu ritual diário de higiene pessoa e logo após cuidar de Luca, se dava uma hora matinal para brincar com ele antes de começar sua rotina massacrante de se arrumar e ir para empresa.
Ela era uma ótima mãe, se pudesse se dedicaria integralmente ao filho, mas já não tinha mais confiança em Sam para deixar tudo nas mãos dele.
– Senhora, Pierce. – A babá bateu a porta.
– Entre, Lisa.
Luca estava deitado de barriga pra cima na cama e Brittany estava sentada em suas próprias pernas, já que estava de joelhos na frente do garoto que dava risadas gostosas para a mãe que tinha meias de bichinhos em cada uma das mãos e fazia vozes engraçadas para ele.
– O seu marido ao telefone. – Indicou o aparelho na mão.
– Mas ele já saiu?
– Eu não sei nem se ele chegou. – Sussurrou a frase e Brittany revirou os olhos.
A loira livrou sua mão de uma das meias e pegou o telefone para si.
– Fala Sam.
“- Que porra é esse de seguro de carro? O que foi que você fez Pierce?” – O homem falava irritado do outro lado da linha.
– Pierce Evans, não se esqueça disso, meu querido.
Ela ironizou, não que pra ela fizesse alguma diferença já que nem fazia questão de usar o seu sobrenome de casada, era sempre Pierce para todos os lados.
“- O que aconteceu com o carro?”
– Nossa, fico tão lisonjeada que a sua preocupação seja só com o carro e nem se quer se dá o trabalho de perguntar se eu estou bem, ou não. Se fosse pra eu ter morrido, morreria, porque as minhas inúmeras ligações não tiveram um retorno, uma dro.... – Se segurou ao lembrar que o filho estava em sua frente. – Uma mensagem se quer.
“- Você está vida, não está?”
– Porra, Sam. – Ela não conseguiu se segurar, olhou para Luca em sua frente e então se levantou da cama e fez sinal para que Lisa ficasse de olho nele. – Eu atropelei uma mulher. – Dizia já fora do quarto.
“- O que? Onde?” – O grito foi ainda mais alto.
– Na estrada velha, ela surgiu do nada e...
“- Puta que pariu. – Brittany precisou afastar um pouco o telefone do ouvido. – Você é burra mesmo. Quantas vezes eu já disse pra você não ir por lá?”
– Me disse diversas vezes sobre roubarem o carro. Mas enfim... Como se o centro fosse menos perigoso, por favor, Sam.
“- Diz como ela está, foi grave? Ela morreu?”
– Ao contrário, ela vai receber alta daqui a pouco, eu tenho que buscá-la no hospital porque fiquei responsável por ela.
“- Responsável? Mas ela não está bem? Bom, pelo menos não tem família pra indenizar e nem tratamento pra pagar.”
– Está, mas as coisas não são bem assim...
“- Ela não morreu e isso é o suficiente. Agora vê se não comete mais nenhuma bobagem.”
– Sam, me escuta, temos que falar sobre outra coisa.
“- Olha, depois nós falamos sobre isso, os investidores acabaram de chegar para a reunião, sabe que eles odeiam esperar. Então, só dê um jeito nessa mulher.”
– Sam, mas isso é sério.
“- Você fez a merda, não fez Pierce? Agora faça o favor de resolvê-la.”
Ele desligou sem dar tempo dela responder.
– Obrigada, Evans. – Disse irritada, sua vontade era jogar o aparelho contra a parede, mas respirou fundo e voltou para o quarto. – Lisa, tome conta de Luca, sim? Eu preciso ir até o hospital.
– O que vai acontecer agora, senhora?
– Bom, até que essa mulher se lembre de alguma coisa eu terei que cuidar dela e ir procurando seus familiares. O mais prudente é eu contratar um investigador.
– Por que a senhora não chama o Puckerman?
Lembranças amargas vieram a mente de Brittany ao se lembrar da última vez que precisou dos serviços de Puckerman, um velho e bom amigo de faculdade.
FLASH BACK
– Cadê a loira mais linda e mais gostosa que eu conheço? – O rapaz de moicano a abraçou por trás.
Brittany estava na cozinha, acabara de fazer um lanche pra si, estava em seu oitavo mês de gestação, quase nono, seus pés inchados que só ficavam confortáveis em chinelas, um vestido longo e grudado que realçava ainda mais sua barriga.
– Noah! Que susto você me deu, acho que até meu filho sentiu. – Ela disse levando a mão ao peito.
– Oh, desculpe esse teu servo, majestade e pequeno príncipe. – Ele fez reverencias arrancando risadas da loira.
– Deixa de ser bobo e me dê um abraço. – Assim o rapaz o fez. – O que te trás aqui? – Agora o olhava nos olhos enquanto apreciava seu sanduíche.
– Eu terminei o que você me pediu. – Respirou fundo e tirou um envelope de dentro do bolso de seu paletó.
Brittany deixou seu prato na bancada, suas expressões mudaram totalmente, ela pegou o envelope com as mãos tremulas.
– E então? – Ela perguntou temerosa sem coragem de abrir o pacote branco.
– A verdade está aí. – Ele deu de ombros.
Ela encarou o envelope por mais alguns segundos antes de romper o lacre e de dentro tirou diversas fotografias de Sam com outra mulher, ou melhor, mulheres. Se antes da gravidez o relacionamento deles estava turbulento, depois então ficou ainda pior. Brittany tinha sérias suspeitas que ele a traia com a secretária, mas aquelas fotos mostraram que ela estava enganada, não era apenas Tina, aquela que se fazia de sua amiga, havia também outras diversas que ela nem conseguia imaginar quem seria.
– MALDITO! – Ela gritou sentindo seu coração se despedaçar enquanto as lágrimas escorriam de seus olhos.
– Brittany, por favor, se acalme. – Noah tentou abraçá-la já que ela estava bem mais pálida, mas foi empurrado.
– Acalmar? Acalmar? – Ela falava entre dentes. – Meu marido está me traindo com essas vagabundas e você quer que eu me acalme? – Ela serrou os olhos assim como os punhos fazendo com que algumas das fotos se amassassem. – EU QUERO QUE TUDO VÁ PARA O INFERNO. – Ela pegou o prato que estava com o seu sanduíche e jogou contra a parede.
– Brittany, por Deus! O seu bebê. – Puckerman segurou-a pelos braços e a apertou o mais forte que pode, sem que a machucasse, apenas para controlá-la.
– Por que, Noah? Por quê? – Ela chorava incontrolavelmente no peito do amigo que tentava acalmá-la enquanto passava suas mãos pelas costas dela, ela só se distanciou ao notar que um líquido viscoso escorria por suas pernas. – Meu bebê. – Olhou desesperada.
– Vai nascer! – Puckerman levou as mãos à cabeça completamente atrapalhado. – Calma, muita calma. Eu vou levar você.
Noah acabou levando-a para o hospital, sendo até mesmo confundido como pai da criança. Luca nasceu prematuro, mas forte, Brittany cuidou muito bem de sua gestação, apenas passou os dias essenciais na incubadora. Sam apenas chegou para ver o filho no dia seguinte.
– Como eu não sou notificado que meu filho estava nascendo?
Sam dizia irritado em frente ao leito hospitalar de Brittany, ela tinha a cabeça virada pro lado, chorava em silêncio.
– Eu tava parindo, como gostaria que eu te avisasse? Se estivesse em casa ao invés de com as suas putas, estaria aqui na hora.
– Esse papo de novo? Quantas conversas nós teremos que ter?
– Nenhuma. Eu já dei seu herdeiro, não é? Cumpri o desejo de nossos pais. Agora por que não some da minha frente? – Ela finalmente o encarou.
– Amor, você está cansada e... – Ele se aproximou e foi fazer carinho nos cabelos dela, mas ela o impediu segurando seu braço no ar.
– Vai embora. – Ela disse pausadamente e de uma forma dura.
– Eu trouxe flores.
– Manda pro meu tumulo quando estiver com consciência pesada.
– O que é isso? Por que está me tratando assim?
– Porque eu quero que você vá embora, não entendeu? Quer que eu desenhe? – Pego as flores da mão dele e jogou na metade do quarto. – Vai, some daqui. Eu não quero te ver, não quero mais ver sua cara. – Ela gritou.
– Você está fora de controle. Eu chamarei os enfermeiros. – Sam saiu assustado.
E em questões de minutos colocaram Brittany para dormir com sedativos.
FIM DE FLASH BACK.
– Senhora, Pierce? – A babá chamou a loira ao notar que estava dispersa.
– Sinto vergonha até hoje quando se trata do trabalho dele. – Levou a mão à testa.
– É a melhor opção, além do mais ele é seu amigo, não vai divulgar nada a ninguém. Duvido que queira que saibam que a senhora atropelou alguém.
– Céus! Não. Meu pai falaria na minha cabeça infinitamente. Ok, você me convenceu. Ligarei pro Noah no caminho.
– Apenas se for de táxi, nada mais de telefonemas ao volante. – A babá a advertiu.
– Isso com certeza, Lisa! Eu aprendi a minha lição. – Ela riu de canto.
Brittany percebeu que já estava atrasa, trocou logo de roupa e lembrou-se que a latina não tinha peças pra vestir, tratou de escolher algumas das suas que pudessem servir na morena, levando em consideração que ela era bem menor que a loira.
Já que seu carro foi pro concerto devido alguns amassos por conta do impacto com o corpo da morena, ela bem pensou em pegar um dos carros da coleção de Sam, mas tinha certeza que ele lhe arrancaria o couro e já seria suficientemente difícil contar a ele que teria que tomar conta de uma desmemoriada. Decidiu por bem pedir um táxi, assim teria tempo de resolver tudo o que precisava.
“- Quando eu vi seu nome na tela do meu celular, pensei até que estivesse sonhando.” – Noah ria pelo nariz devido ao fato de ainda estar sonolento.
– Desculpa, eu te acordei? – A loira notara a voz rouca de sono.
“- Não se preocupe, sabe que eu sempre estou disponível pra você.”
– Que bom, pois eu tenho um trabalho pra você.
“- Diga lá, qual é a piranha da vez?”
– Puckerman! – Brittany revirou os olhos.
“- Ok, me desculpe.”
– Olha, eu atropelei uma mulher.
“- Loira, eu disse que estava disponível pra tudo, mas para me livrar de cadáver eu cobro mais caro”. – Começou a rir podendo ouvir a mulher bufar todo outro lado da linha. – “Tudo bem, eu prometo que já acabei.”
– Não me faça me arrepender de te ligar, ok? Eu atropelei uma mulher, mas ela não morreu, o caso é que ela perdeu a memória e até que recupere terei que cuidar dela, nada melhor do que o meu investigador favorito para me ajudar a encontrar a família dela.
“- Tu é ferrada mesmo. Mas pode deixar, eu faço. Mas posso apenas terminar de dormir meu sono de beleza?”
– Noite agitada?
“- Sempre! Só faltou você lá, saudades das nossas baladas.”
– Um dia.
“- Vou cobrar.” – Disse entre bocejos.
– Pode cobrar. Enfim, vá dormir e esteja inteiro pra mim depois. – Os dois soltaram uma risada.
“- Pode deixar, minha gostosa.” – Desligou.
Brittany fez mais algumas ligações para sua secretária para saber como tudo estava na empresa, ela não sabia ao certo o quanto aquela situação lhe ocuparia, mas já estava convencida que naquele dia seria praticamente impossível botar os pés no seu escritório. Também tinha que resolver alguns últimos detalhes da festa de aniversário de Luca que seria naquele final de semana, mais isso para ocupar sua cabeça. Quando deu por si o táxi já estava estacionado em frente ao hospital, ela pagou sua corrida, pegou as bolsas com suas coisas, respirou fundo e foi pra dentro a procura do médico bonitão, aquele que quase frustrou a sua masturbação.
“Pare com isso, Brittany. Céus! Será que só consegue pensar nisso agora?” Era o pensamento da loira que chegou a trombar com o médico devido a sua distração.
– Agora eu sei porquê atropelou, Santana. – Aquele bendito sorriso estava em sua frente mais uma vez.
– Atropelei quem? Desculpa. – Ela disse um pouco sem graça, aliás, aquilo estava se tornando um hábito na frente dele.
– Santana. Assim que se chama a mulher que você atropelou. Eu vim te chamando desde o começo do corredor, mas parecia que estava no mundo da lua.
– Espera, ela se lembrou quem é? O céu parece estar ao meu lado. – Já levava as mãos pra cima. – Quando a família dela vem buscá-la?
– Você é engraçada. – O médico ria do jeito espontâneo da loira. – Olha só, não é nada disso, ela não se lembrou quem é, continua na mesma.
– Mas então? Vai dizer que foi assim que vocês a batizaram? Porque se foi, pelos momentos que estive com ela lúcida, de Santa ela não tem nada. – Marcos riu ainda mais.
– Lembra que ela chegou com algumas peças de roupa? Pois bem, a enfermeira ia jogar tudo no lixo quando se deparou com uma etiqueta grudada por baixo do pano com o nome de “Santana Lopez”, estamos pensando que no meio da confusão pode ter se grudado a ela. O fato é que se essa mulher não for Santana, ela conhece alguém com esse nome, que pode ser um parente ou nos levar até um.
Brittany respirou fundo, deixou uma das mãos no cabelo e outra na cintura.
– Já é um começo né? O que me assusta é o fato dela ser latina e se ela nem for daqui?
– Então já vai ter um lugar pra começar, a embaixada. Agora venha, ela está impaciente no quarto, sinto que as enfermeiras vão jogá-la pela janela. – Os dois caminhavam lado a lado, o médico abriu a porta e permitiu que ela entrasse na frente.
– A senhorita precisa comer. – A enfermeira dizia.
– Não quero comer isso, essa gosma é pra neném. – Empurrou a bandeja pra frente.
– Talvez ela só esteja precisando de mais um sedativo.
– Nem pense, Dr. Parker. Aquela droga parece que ainda faz efeito, me sinto mole.
– Você procurou por isso, Santana.
– “Santana”, estou procurando saber da onde minha mãe tirou esse nome. – Deu de ombros e cruzou os braços. – Enfim, quando eu poderei ir embora?
– Agora mesmo, Brittany está aqui pra te levar.
– Eu vou com ela? – Arqueou a sobrancelha dizendo com certo desdém. – Ela quase me matou duas vezes.
– Ei. Uma delas a errada foi você e a segunda eu estava tentando salvar a sua vida.
– Dirige feito uma louca.
– Crianças, crianças, por favor. Eu vou lá em baixo verificar os papeis da alta, acho melhor entrarem em um acordo. Santana você está totalmente dependente de Brittany, Brittany você está totalmente responsável por Santana. – O medicou olhou pras duas mulheres que tinham expressões emburradas. – Por favor, não se matem. – Ele saiu do quarto.
– Olha, eu acho que nós começamos de um jeito errado. Me desculpe por te atropelar, foi uma irresponsabilidade minha que agora estou aqui pra pagar, eu vou te levar pra casa e cuidar de você até que recupere a sua memória ou encontre a sua família. – Brittany se aproximou da cama e olhou Santana de uma forma sincera.
– Ok, então vamos, sim? Estou cansada desse lugar.
– Certo, eu te trouxe uma muda de roupas, espero que sirvam. – Ela retirou as peças de dentro da sua bolsa.
– Ótimo, isso daqui parece até gozação.
Santana desceu de sua cama e retirou a roupa hospitalar sem demora sem se importar com a presença de Brittany ali. A loira instantaneamente se lembrou de sua madrugada em que “brincou” com a imagem da morena, foi inevitável para ela contemplar a morena enquanto ela se vestia. Era um jeans simples e uma blusa em tom salmão.
– Acho que ficou bom, não é? – Colocou as mãos na cintura enquanto olhava pro seu próprio corpo.
– S-sim. – Limpou a garganta.
– Garotas. – Marcos disse empolgado ao abrir a porta. – Está tudo certo, você só precisa assinar aqui, senhora Pierce e passar na recepção pra acertar a conta. Eu marcarei um retorno para Santana, espero que já possa vir com sua família ou com a memória recuperada.
– Eu também, não tenha duvidas.
Brittany fez tudo que o Dr. Parker pediu, seguida de Santana, após tudo ser acertado as duas saíram.
– Cadê seu carro? — A latina pergunta enquanto entra no táxi.
– Levei ele pra arrumar já que acabou amassando e quebrando uma das lanternas.
– Devia ter esperado me trazer pra casa para mandar consertar.
– Por quê? Pensei que achasse que eu dirijo feito uma louca.
– Eu ainda acho. Mas se tivesse esperado poderíamos voltar aquela via e darmos uns amassos em cima do carro que realmente valesse a pena. — A latina piscou e exibiu um sorriso malicioso.
– Vou fingir que eu não entendi.
– Não precisa, você é bem esperta e sabe do que eu estou falando. — Santana colocou a sua mão na coxa de Brittany e apertou seus dedos na parte interna da mesma.
– Não sei não. — Brittany lutou para mover a sua mão até a de Santana e colocá-la de volta ao colo da latina.
– Claro que sabe, eu reparei o seu olhar em mim.
– Acredito que os remédios que tomou ainda estejam te influenciando.
– Se quer fazer esse joguinho. — Deu de ombros.
Santana se perguntava de onde vinha tanta ousadia. Será que alguma vez ela já se relacionou com mulheres antes para ter essa naturalidade tentando seduzir Brittany? E também, por que estava tentando fazer isso?
Ela deu uma olhada discreta na loira que parecia distraída olhando pela janela. Brittany era realmente charmosa, toda aquela pose lhe deixava ainda mais sensual, suas roupas sócias demonstrando que era uma mulher de fibra, apesar de seus olhos trazerem paz e tranqüilidade. Aquele enigma dentro dela aguçava a curiosidade de Santana, de saber o que poderia descobrir da loira em todos os sentidos possíveis. E claro, ela era linda! Desde o cheiro até a sua pele branquela era algo que atraia Santana e fazia despertar um desejo que ela não sabia explicar.
Mas estava claro também que suas personalidades eram divergentes, se elas não entrassem em um acordo, com certeza entrariam em uma grande guerra, mas do contrário, apesar de tudo, Santana sentia-se protegida ao lado de Brittany, alguém em quem poderia confiar, era apenas questão de se acertarem.
O caminho se tornou longo devido ao fato que nenhuma das duas dizia uma palavra se quer. Santana parecia que teria um faniquito já que suas pernas e mãos não paravam se mover.
– Você precisa ir ao banheiro? – Britt perguntou um tanto incomodada com os movimentos da mulher.
– Não, apenas quero chegar logo.
– Não precisa ficar nervosa.
– Eu estou no carro com uma completa estranha, sem me lembrar de absolutamente nada, indo para uma casa em que eu não conheço ninguém, realmente é uma situação pra se acalmar.
– Olha, eu não sou nenhuma assassina. Com meu marido talvez tenha que tomar cuidado, pois ele é um babaca. — Bufou e deu de ombros, essa frase tinha intrigado Santana. — E meu filho não tem nem um ano, o máximo que ele pode fazer é te matar de fofura.
–Você tem um filho? — A latina arqueou a sobrancelha.
– Luca, minha grande paixão. — A loira abriu um sorriso, mas a morena pareceu murchar ainda mais. — O que foi?
– E se eu tiver um filho também? E se ele estiver precisando de mim? Maldita hora que fui atropelada. — Praguejou.
– Olha, eu desisto. Ao menos chegamos.
Os portões enormes da casa de Brittany se abriram, Santana olhava pela janela a casa luxuosa a sua frente, nada daquilo parecia lhe impressionar, mas dizia muito da loira ao seu lado. Se ela estivesse entrando na casa de uma criminosa, pelo menos era uma de colarinho branco que não suja as mãos com latinas desmemoriadas.
Brittany pagou a corrida, saiu do táxi seguida por Santana, as mulheres entraram na casa e Santana ficou se adaptando ao lugar, olhando cada detalhe da decoração sóbria, retratos na parede indicavam uma pequena família, Brittany e seu provável marido e filho, mas não era em todas que a loira aparecia sorrindo, isso acontecia apenas na que ela estava com o pequeno menino loiro.
As duas seguiram pra parte superior da casa e Brittany indicou o quarto de Santana.
– Pedi que deixassem tudo pronto pra você.
– Olha só quem chegou. — Lisa vinha brincando com o pequeno Luca no colo.
– Oi, meu amor. Acho que hoje teremos um dia inteiro para gente. — Britt sorriu pegando o filho e lhe enchendo de beijos, mas reparou que ele não tirava os olhos de Santana. — Acho que ele gostou de você.
– Posso? — A latina se ofereceu para pegá-lo.
– Ele costuma estranhar as pessoas.
– Somos dois, talvez nos entendamos. — A morena esticou os braços em direção ao bebê que para surpresa de Brittany e a babá não resistiu e inclinou o corpo para que ela o pegasse. — Viu? Nos demos bem. — Ela sentou em sua cama com a criança no colo e passou a fazer caretas que arrancavam risadas de Luca. — Já sabe falar? — Virou-se para Brittany.
– Não, ele arranha algumas silabas perdidas.
– Fala pra mim "Santana". San-ta-na. — Silabou e o menino riu ainda mais. — É uma bela criança. — Se levantou e entregou o pequeno a mãe.
– Bom, se de fato você for mãe, deve ser uma das boas. — Santana sorriu sincera para loira pela primeira vez desde que elas saíram do hospital. — Eu vou pedir que preparem algo pra você comer. Se quiser tomar um banho, eu vou trazer mais algumas trocas de roupas minhas até podermos ir comprar algumas coisas pra você.
– Por favor, eu sei que não posso reclamar já que fui encontrada de calcinha e uma blusa rasgada, mas suas roupas são sérias demais pro meu gosto.
– Eu não sou nenhuma jovenzinha.
– Quantas anos você tem mesmo?
– Vinte e quatro.
– Caramba, você é muito nova pra tudo isso. Família, filho, amargura. Suas roupas apenas refletem sua situação atual, mas lá no fundo não refletem quem você é.
–Você não tem nem ideia de quem você seja, Santana, como pode tirar conclusões de mim?
– Porque isso a gente conhece nos olhos. Posso não ter ideia de fato de onde venho, se esse é mesmo o meu nome, se eu tenho alguém nessa vida. Mas eu estou tentando me conhecer interiormente, eu passei horas vegetando naquele hospital colocando a minha cabeça pra funcionar, Santana Lopez não devia ser qualquer mulher.
– E se sua memória voltar e descobrir que era como eu?
– Então eu assumo essa verdadeira eu, porque você deve ser quem realmente acreditar ser, independente de seu meio, vestes e situações. Seu caráter não muda porque perdeu a memória.
– É... Acho que devemos começar a procurar para ver se tem registro seu em faculdade de filosofia. Daqui a pouco eu volto.
Brittany saiu do quarto fervendo de raiva, Santana tinha o poder de irritá-la, mas irritava pelo fato de estar certa e Brittany lá no fundo sabia disso.
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