Who are you?

20 Padre Vita.


Notas iniciais
Oie. Cheguei pra matar a curiosidade de vocês. Boa leitura!

— Padre Vita. Eu fiz uma busca avançada pela região de Lima, Albany e até mesmo por aqui. E eu quis ignorar o quanto pude, mas chegou um momento que não deu mais. Em Albany eu encontrei o registro da internação da filha dos Lopez.

— Então a Santana cresceu mesmo em um internato? As lembranças dela não estavam erradas?

— Não exatamente... Não era um internato, Brittany. Padre Vita de Albany é um hospital psiquiátrico, mais especificamente um local indicado pra crianças com distúrbios psíquicos graves. A ficha era antiga e apontava um “transtorno de conduta”. Eu não tive acesso ao relatório completo, eu apenas usei muito meu charme pra convencer uma enfermeira a me confirmar se alguma Santana Lopez esteve por lá. Ela achou a folha de um arquivo, já bem velho com a indicação de “Lopez”, com os dados dos responsáveis, no caso, os pais da Santana. E isso me preocupou muito, Britt. Se Santana teve, ou ainda tem alguma doença psíquica, se os pais a internaram, ela teria todos os motivos do mundo para matá-los, não precisaria nem ser pelo dinheiro.

Brittany voltou a se sentar lentamente, estava totalmente branca e as palavras estavam presas em sua garganta. As informações faziam um carrossel em sua cabeça. Pouco a pouco pode sentir suas forças irem embora de suas pernas, enquanto sua vista ficou negra e Noah teve que ampará-la.

— Brittany, Brittany. Fala comigo. Por favor, fala comigo. – Tentou abaná-la. – Brittany! – Nada adiantou, ela estava totalmente fora do ar. Com cuidado ele a deitou sobre o sofá e depois foi chamar a secretária, pedindo que trouxesse álcool e um lenço.

— Aqui está, senhor Puckerman. Mas não é melhor chamarmos um médico?

— Não, não, não. Ela está reagindo. Vá pegar um copo com água, por favor.

— Sim, senhor.

Brittany aos poucos voltou a si e ao ver o amigo ali de pé, a observar seu corpo, pode ter certeza de que não estava sonhando. Entretanto, não podia aceitar aquelas informações como verdadeiras.

— Senhora Pierce, toma um pouco dessa água, tem açúcar, vai te ajudar. – Entregou o copo a ela, que tomou um longo gole.

— Eu... Eu não sei o que dizer. Parece que está tudo embaralhado dentro da minha cabeça.

— Eu disse que você é emocional demais. Mas em todo caso, você não tem que dizer nada. Quem tem que se explicar é Santana. Foi ela quem esteve internada, foi ela que...

— Não! Não diga isso! Não diga mais nada. Eu acredito na inocência de Santana. Eu não sei o que aconteceu no passado dela, ninguém sabe ao certo. São apenas informações cruzadas, mas a Santana, a minha Santana não. – Disse enquanto uma lágrima solitária escorregava em seu rosto. – Ela não pode ter feito isso. – Pegou sua bolsa e se levantou com rapidez para não dar tempo de ser impedida.

— Brittany! Aonde você vai? Volta aqui, você não está em condições de sair assim.

— Me deixa, Noah! E não venha atrás de mim com essas ideias.

Brittany dirigiu loucamente para casa, ela não se preocupava em cometer outro acidente, nem se poderia passar mal de novo de tão nervosa. Ela só queria chegar em casa, ver Santana, olhar nos olhos dela e ver que não podia ser nada daquilo que Noah descobrira.

Depois que Brittany chegou, demorou um pouco para que Santana também chegasse. Assim que o carro parou na frente da casa, Brittany correu pra porta e a abriu, esperando ansiosa que a latina subisse as escadas da varanda.

— Eu não entendo porque eu escolhi essa profissão, têm uns procedimentos que são muito chatos, além do mais, esses sapatos estavam me matando e eu... – Tagarelava sem parar, mas foi interrompida por Brittany que a puxou pra um forte abraço. – Que recepção! Eu também estava com saudade. – A latina sentiu seu corpo doer tamanha a força dos braços de Brittany. – Ei, o que houve? Você está bem? – Virou seu rosto e se afastou um pouco para poder encará-la.

— Sim... – Suspirou fundo, não sabendo como falar. – Quer dizer... Eu... Eu estou com tanto medo por você, Santana.

— Com medo? Por quê? O que aconteceu?

— Puck, ele... Ele foi me ver agora à tarde e ele me trouxe novas informações sobre você.

— O que foi que ele descobriu? É ruim, não é? Por isso que você está desse jeito.

— Antes de eu te dizer qualquer coisa, olha pra mim. Só olha tá? – Santana atendeu o que ela pediu, mesmo muito confusa do motivo daquelas reações de Brittany.

— Você está me assustando. – Levou a mão ao rosto de sua paixão e o acariciou.

— Desculpa. Vem, vamos até o escritório pra eu poder te contar tudo. – A loira a pegou pela mão que a acariciava e a levou até o escritório.

Santana sentou-se em uma das cadeiras, enquanto Brittany apenas se encostou na mesa.

— Como eu disse, Noah foi me ver. Ele me contou que andou investigando em Lima sobre a sua avó, ela está morando em uma fazenda em Albany e ela não tem interesse nenhum na herança da família, que, aliás, ela mesma deixou no comando de seu pai. E então, Puck investigou mais e parece que sua mãe tinha um irmão e que é ele quem está tomando conta de tudo, o que é muito bom, pois coloca mais um suspeito na lista.

— Se é bom, por que você está dessa forma? — Arqueou sua sobrancelha.

— Porque ele investigou mais sobre o Padre Vita também, lembra? – A latina fez sinal positivo com a cabeça. – Então, ele descobriu que lá é um hospital psiquiátrico e que você foi paciente desse local, pois apresentava um caso de distúrbio de personalidade ou algo assim... Eu não entendo nada dessas coisas... Eu...

— Você acha que eu posso ter matado os meus pais? Que eu sou louca?

— Não! – Foi rápida na resposta, se afastou da mesa e abaixou seu corpo, pegando as mãos da latina. – A Santana que eu vi, que eu vejo, não é essa mulher. Tem tanta coisa confusa, sem entender... Pode haver um erro.

— Mas eu tenho uma lembrança desse local. Se eu tiver mesmo algum distúrbio, eu posso ser perigosa. Brittany, eu posso ter matado os meus pais. Eu posso fazer mal a você.

— Não! Para! Presta atenção em mim. A gente tem que ter acesso a esse arquivo pra poder saber a verdade, ler o relatório. Mas só você pode fazer isso, porque o arquivo é seu. E tem mais.

— Mais?

— Sim, infelizmente. Noah me disse que a polícia pode vir em breve atrás de você, se eles cruzarem as informações do seu boletim de desaparecimento com o de homicídio dos seus pais...

— Eu quero mais é que eles venham mesmo.

— Agora sim eu acho que você está louca. — A olhou confusa.

— Brittany, eu cansei de ficar escondida. Eu quero assumir quem eu sou. Eu não posso ficar aqui vivendo essa vida, fingindo que nada de errado acontece. Eu quero ir atrás da verdade e isso só pode acontecer com a ajuda da polícia, em muitos aspectos. Eu tive muito medo de ser uma pessoa ruim, mas se você que é uma pessoa maravilhosa vê em mim algo tão bom a ponto de acreditar na minha inocência, mesmo com tantas evidências contra mim, então... Eu não me preocupo com mais nada, porque é isso que me importa. Se eu não fiz isso, eu vou provar a verdade.

— Você é muito corajosa. Eu até desmaiei quando o Noah me contou essas coisas.

— Desmaiou? – Olhou pra ela preocupada. – Você está bem?

— Sim, agora eu estou. Na verdade, eu só precisava te ver.

— Vai ficar tudo bem. – Segurou o rosto dela com as duas mãos e deu vários selinhos longos. – Agora me conta direito essa história toda, detalhe por detalhe do que o Puck descobriu. — Brittany assentiu com a cabeça.

Dois dias passaram arrastados tanto para Santana, quanto para Brittany, já era quinta-feira. As novas informações ainda causavam um rebuliço nas duas. Ambas não conseguiam pensar em outra coisa, foi então que Brittany teve uma ideia para ajudar a latina a obter mais pistas.

— Você tem certeza que quer fazer isso? Pode ser que eles já tenham notícias de que você seja a responsável por mim, não quero que entre em problemas por minha causa.

— Santana, eu já estou envolvida. Não tem mais volta. E além do mais, é apenas uma ligação despretensiosa.

— Tudo bem, mas deixa no viva voz e a qualquer suspeita deles, você desliga.

— Tudo bem, não se preocupe. – Discou os números em seu celular e aguardou ser atendida. – Alô, boa tarde. – Olhou no seu relógio conferindo os ponteiros, que ainda marcavam um pouco antes das 18h. – Meu nome é Brittany Pierce e eu falei com você mais cedo. Você me informou que o senhor Manoel Garcia estaria disponível para falar comigo nesse horário.

“- Apenas um momento, senhora Pierce. Vou transferir a sua ligação.”— A secretária anunciou.

- Tudo bem.

“- Alô, senhora Pierce? No que posso servi-la?” — Agora uma voz masculina assumia a chamada.

— Olá, senhor Garcia. O senhor pode me servir muito. Não sei se a sua secretária passou o recado, mas eu sou presidente de uma empresa de comunicação, posso dizer que uma das maiores do Estado de Nova York.

“- O legado de sua empresa a precede, senhora Pierce. Por isso fico ainda mais surpreso e curioso com sua ligação. Nossos ramos são bem distintos, não?

— Sim, com certeza são. – Disse um tanto sem graça. – Mas é que eu tenho uma fortuna particular e fui instruída a fazer investimentos diversos. Eu pesquisei bastante e recebi indicações sobre sua empresa. Gostaria muito de receber informações sobre ela, sabe? Pra poder ter segurança em investir. Eu quero ter algo que conquistei sozinha, não sei se me entende. Mas também busco algo em que eu não precise me preocupar em gerir, eu já tenho responsabilidade demais no meu escritório. Eu quero ver apenas os lucros.

“- Sim, eu compreendo. E digo que não irá se arrepender de investir em minha empresa. Assim que possível peça pra sua secretária entrar em contato com a minha, assim pode passar tudo o que tiver interesse em saber. Mas posso adiantar que somos uma indústria tradicional e que apenas tem crescido ao longo dos anos.”-

— É, eu recebi essas informações, por isso me chamou tanto a atenção. Mas hum... Hã. O senhor é o presidente agora, não?

“- Isso mesmo. Infelizmente meu cunhado faleceu e eu fui o mais adequado para o cargo. Posso dizer que em minha gerência, os números têm sido satisfatórios.”

— Que bom! É que como presidente, eu também me preocupo com isso. Fico feliz que o senhor esteja gerindo com tanta competência.

“- Os relatórios que te enviarei falaram por si. Mas bem, eu tenho um jantar de negócios, a senhora precisa de mais alguma coisa?”

— Não, não. Era apenas isso mesmo. Agradeço demais a sua atenção.

“- Eu que agradeço o seu interesse. Passar bem.”

- “Eu fui o mais adequado para o cargo”, você ouviu a prepotência com a qual ele falou? – Santana dizia irritada. – Que prepotência! Meus pais mal foram enterrados e ele correu pra esquentar seu lugar.

— Nós não sabemos como foi, Santana. Mas a empresa dos seus pais é grandiosa. Não poderia parar de qualquer forma, precisavam de um presidente.

— Está falando como uma empresária.

— Mas estou falando com razão. Eles conseguiram achar alguém da família, mas se não fosse seu tio, poderia ter sido um estranho qualquer... Mas olha, com o relatório que eu pedi, a gente pode mandar pra contabilidade, eles vão fazer um levantamento profundo pra saber a situação da empresa.

— Eu não me importo com o dinheiro. Pode ter sido isso que matou meus pais.

— Eu sei. Mas infelizmente dinheiro quer dizer muita coisa nesse mundo, inclusive poder pra te dar segurança pra enfrentar qualquer processo.

— Você tem razão e eu não quero que o que meus pais, até avô, deram tão duro pra construir, caia nas mãos de qualquer aproveitador.

— Isso mesmo. – Beijou o rosto dela. – Agora que tal irmos pra casa, tomar um banho bem gostoso e nos prepararmos pra ir no jantar das minhas amigas? Rachel já me mandou 500 mensagens confirmando nossa presença, elas estão loucas pra falar com você.

— Eu havia até me esquecido. Não sei se estou no clima pra jantar. Mas eu sei que você quer muito ir, que elas são suas amigas. Você deveria ir, outro dia eu as conheço.

— Ah, vamos. Nada disso. Vai ser bom pra descontrair. Mas eu entendo o seu estado, se você não quiser, eu vou entender perfeitamente. Eu remarco, nem eu vou. Fico em casa te fazendo companhia. – Santana viu aqueles olhos pidões e não resistiu.

— Não, não vou estragar sua noite. Eu vou tomar um banho bem longo e vou estar nova em folha.

— Obrigada. – Deu um rápido beijo nela. – Não sabe o quanto significa pra mim.

As duas foram pra casa, tomaram seu longo banho e se arrumaram. Brittany foi a primeira a ficar pronta e teve que aguardar Santana, que a mais de uma hora estava trancada no quarto se arrumando.

— Vamos, Santana. O jantar é pra essa noite, não pro Ação de Graças. – Batia pela milésima vez na porta.

— Não me fale em Ação de Graças que eu me lembro das ameças da Bertinha. – Gritou da parte de dentro.

— Também... Não era pra menos. Ela me contou o que você fez. – Tentou não rir pra mostrar seriedade, mas era impossível.

— Eu não sei o que ela te contou, mas é mentira. Ela adora implicar comigo. – Fez um tom triste, que se Brittany não a conhecesse muito bem, poderia até acreditar. – Mas tudo bem, um dia ela vai me amar. – Disse e logo abriu a porta.

Brittany até tinha a resposta na ponta da língua, mas tudo aquilo foi engolido ao ver Santana a porta com um vestido vermelho colado ao corpo, maquiagem bem feita, apesar de simples. Ela estava impecável! E bonita! Muito bonita! Vermelho com certeza era a sua cor.

— Então, como estou? Eu quero passar uma boa impressão pras suas amigas, você disse que era importante.

— Você está maravilhosa! Sério! Eu acho que eu nunca vi ninguém mais linda. – Exibia um sorriso abobado.

— Se olhe melhor no espelho. Mas agora vamos, porque se ficarmos nos olhando assim, eu vou ter certeza que não sairemos hoje.

— Com certeza não. – Elas saíram rindo pelo corredor.

Não muito depois, tocaram a campainha das Berry Fabray e foram recebidas por Rachel.

— Brittany! – A pequena abraçou a amiga com toda força que pode. – Que saudade.

— Eu também! Embora não tenha tantos dias que nos vimos.

— Verdade, mas é que ainda temos tanto que conversar.

— E a partir de agora teremos muito tempo. – Quinn falou enquanto vinha ao encontro das mulheres. – Uau, como estão lindas! – Abraçou Brittany e depois Santana.

— Obrigada. Deixa eu aproveitar e apresentar a vocês Santana. Essas são as minhas amigas Rachel e Quinn.

— É um prazer enorme te conhecer. – Rachel abraçou a latina. – Você é muito famosa.

— Famosas são vocês, Brittany fala com tanto carinho.

— É que somos amigas de escola... Muitas coisas já passamos juntas.

— Rach está certa. Mas vamos sair da porta, vamos nos acomodar na sala, tem tanta coisa que eu quero saber. Por favor, entrem.

— Essa casa é divina!

— Obrigada, Britt. Se soubesse como foi custoso achar a casa perfeita pra nossa diva.

— Não me culpe. Agora que a família vai crescer, eu...

— Espera! Vocês já...?

— Sim! Iria dizer durante o jantar, fazer um suspense a mais. Mas já que Rachel não se aguentou, como sempre. – Todas riram. – Eu estou grávida.

— Meus parabéns! – Todas voltaram a se abraçar, agora com ainda mais festa. — E eu quero dizer que já estou me intitulando como madrinha, não aceito não como resposta.

— Não poderia ser de outra pessoa. Quinn e eu não encontraríamos madrinha melhor.

— Como suborno ela trouxe até um presente pra vocês. — Santana entregou o pacote que carregava.

— Ela já estava pressentindo. Muito obrigada, não precisavam se incomodar.

— Não foi incomodo. Foi a Brittany que agou. — Todas voltaram a rir.

E foi nesse clima, que em pouco tempo, Santana sentiu como se estivesse em casa e já conhecesse o casal Faberry uma vida toda. Elas contavam histórias com Brittany que a deixava encabulada, reviveram momentos de suas adolescências e muitas vezes Santana se pegava pensando se ela teria amigas assim, pessoas com quem dividira a vida e quem amasse como se fosse da família. Mas não teve tempo de se sentir nostálgica, era uma dupla bem animada, bem se via que eram bem apaixonadas uma pela outra.

— Sabe, se outras pessoas tivessem me contado essas histórias da Pierce, talvez eu não tivesse acreditado.

— Isso não é nada. Kitty podia ser a filha rebelde dos Pierce, mas Brittany era a impulsiva. Então, no final, acabava dando essas merdas...

— Berry fala como se ela fosse uma santa, mas só eu sei o quanto já salvei a pele dela.

— Mas eu quero ouvir de Santana a história dela. Puck contou pra mim e pra Rach no dia da festa, porém foi meio por cima. Depois Brittany completou, mas ninguém melhor pra falar da gente, do que a gente mesmo.

— Quinn é psicóloga, ela sempre tira umas reflexões das coisas. – Alertou Brittany, pegando carinhosamente a mão de Santana sem perceber.

— Bom, se quer que eu conte sobre o que eu sei de mim, não tem problema. Mas precisa abrir outra garrafa de vinho, porque essa só não vai dar conta.

— Eu vou pegar mais pra vocês e um suco pra mim. Você me acompanha, Brittany? Sempre teve um gosto excelente pra vinhos.

— É claro, Q. – Levantou-se e acompanhou a outra até a cozinha. – Tudo bem, Quinn, você não podia ter sido mais sutil com essa desculpa esfarrapada. O que você quer?

— O que eu quero? Eu quero que você seja franca com a sua melhor amiga. O que está rolando?

— Seja direta. – Apoiou suas mãos no balcão encarando a outra loira, que parou na mesma posição, do lado contrário.

— Eu tenho observado você, como se refere a Santana. Observado todo zelo que uma tem pela outra, naquele dia da festa e nesta noite. Todo o carinho... Vocês têm uma troca de olhar tão intensa, uma intimidade tão grande... Que eu posso afirmar que se não rolou nada, estão bem perto disso.

— Você é terrível, Quinnie! – Amoleceu deixando um longo suspiro escapar. – Sim, eu e Santana estamos apaixonadas. Nós temos um “caso”, por assim dizer.

— Eu sabia! – Sorriu vitoriosa por ter certeza que sua percepção não estava errada. – Há quanto tempo?

— Bom, de verdade, desde o primeiro dia nós temos essa atração meio louca... Quero dizer... Foi como se já houvesse um clima entre nós, essa química. E com ela indo morar em casa, nós duas de baixo do mesmo teto, as coisas só foram se intensificando. Santana já é intensa por si só, pra ser franca. Ela me provocou e eu não resisti... Não que eu quisesse... Depois do primeiro beijo, tudo foi se desenvolvendo muito rápido e isso me assustou demais. Eu pensei que fosse uma questão física, que depois do sexo a gente perderia o interesse. Ainda mais pra mim que estava há tanto tempo sem transar, mas não foi bem assim... O desejo só aumentou. Poucos dias depois, estávamos assumindo que estamos apaixonadas uma pela outra. Fico me perguntando se não é precipitado, se estamos confundindo os sentimentos, por que tão rápido? Mas cada vez que eu olho pra ela, eu só consigo ter mais certeza de que a quero.

— Eu entendo a sua forma de pensar. Mas Britt, meu bem, a paixão é assim mesmo, ela não se importa se vocês se conhecem há um dia ou um ano, quando ela acontece... Agora o amor sim, esse depende da dedicação, do carinho, da reciproca e diversas outras coisas. Mas ninguém espera que se case amanhã com Santana. Então aproveite, se ela te faz bem... Todos sabemos que você e o Sam não tem volta, então... Viva sua paixão!

— Eu estou vivendo. Mas nossas vidas são tão complicadas que eu me preocupo demais com nosso futuro. Todos os dias eu digo pra mim mesma pra ir com mais calma, pra não me jogar de cabeça, mas eu percebo que é tarde demais. Eu estou indo totalmente contra a minha razão. Estou completamente cegada por ela e esperando que no final eu não me decepcione.

— Sempre emocional. Mas agora você tem suas amigas por perto que vão cuidar de você. – Deu a volta na bancada e abraçou a amiga.

— Ei, eu vim ver o que aconteceu com esse vinho que não chega... – Rachel encontrou sua esposa e amiga abraçadas e foi logo convidada pra participar. – Aí meu Deus, não sei o que está acontecendo, mas tô gostando. – Elas riram.

— Depois eu te explico, amor. Agora não vamos deixar a Santana sozinha.

As três voltaram animadas para a sala, onde Santana pode contar tudo o que havia acontecido nas últimas semanas. Tanto Rachel quanto Quinn ficaram de boca aberta com tudo que ela relatava.

— Eu não sei nem o que dizer. Essa história bem poderia virar um musical. – As demais riram com a fala de Rachel.

— Um musical, eu não sei. Mas essa história de “distúrbio de personalidade”. Há algo muito errado nisso...

— O que você quer dizer, Quinn?

— Bem, Brittany. Eu precisaria de uma sessão com Santana, mas eu não vejo resquícios de uma doença. Além do mais, seus exames neurológicos foram todos perfeitos, não?

— Que eu me lembre sim, meu médico disse que estava tudo em ordem e que era questão de temo pra minha memória voltar. Quer dizer que pode ter havido um erro? — A latina perguntou entusiasmada.

— Que tal a gente marcar um horário pra segunda-feira? Você será a minha primeira paciente em Rochester. Eu poderei te analisar melhor.

— Olha, qualquer coisa me ajude nesse embate, pode confirmar.

— Ótimo! Mas agora, que tal irmos jantar? Eu estou faminta.

— Estou com a Rachel e desde que cheguei aqui com Santana estou sentindo um cheiro maravilhoso!

O restante da noite continuou com assuntos aleatórios. Quinn e Rachel faziam o possível para que Santana se sentisse integrada ao ciclo de amizade. Assim como Brittany havia dito, sair e espairecer a fez bem. Pelo menos durante àquelas horas pode se esquecer das confusões de sua vida.

Já no caminho de volta pra casa, Brittany e Santana comentavam sobre o jantar.

— Suas amigas são muito legais. No tempo que você e Quinn ficaram na cozinha, Rachel me fez rir a beça.

— Elas são incríveis mesmo! E sobre meu tempo com Quinn na cozinha... Bem... Ela já sabe.

— Já sabe o quê? – Olhava distraída pelo vidro, sem se dar conta do que a outra mulher dizia.

— Sobre nós. O nosso caso. Ela intuiu e eu não tive como negar. Eu contei a ela. – Santana começou a rir, agora olhando em direção de Brittany. – Do que está rindo?

— Que se ela for tão boa assim analisando as pessoas, eu estarei em ótimas mãos. E o que ela achou de sua melhor amiga estar apaixonada por uma completa estranha?

— Está feliz por eu estar feliz.

— Você está feliz?

— Não é evidente?

Notas finais
Comentem bastante! No mais tardar, no sábado eu estou de volta. Até mais. :)