Who are you?

43 Mercedes Jones.


Notas iniciais
Boa leitura! :)

Depois do pedido de casamento, duas semanas passaram rápidas. Como Brittany se declarou de férias, ela foi para Albany com seu filho, estava hospedada na casa de Santana e era lá que pretendia celebrar o natal junto com os amigos.

Já Santana se dividia entre gerenciar sua empresa e cuidar de sua defesa. As investigações ainda eram inconclusivas e a ausência de grande parte de sua memória não a ajudava. Tinha muitos pontos que não se fechavam, no entanto ela contava com o apoio de seus amigos que estavam tentando de tudo para ajudá-la.

— Brittany. – A morena foi caminhando em direção ao escritório. — Eu tava revendo a lista e ainda faltam algumas coisas pra ceia de... O que você está fazendo? – Parou a sua fala ao ver a loira debruçada sobre alguns papéis. – Isso por acaso se parece com férias pra você?

— Bom, você como uma mulher de negócios, deve imaginar que não tem como se desligar totalmente do trabalho. Agora eu sou a única presidente e tem coisas que eu preciso revisar e assinar.

— Eu entendo, mas fique a senhora sabendo que não vou te deixar aí por muito tempo.

— E eu agradeço por isso. – Deram uma pequena risada. – Mas me diga, no que eu posso ajudá-la?

— É sobre a ceia de amanhã, ainda falta algumas coisas. Eu queria decorar a casa, deixar mais alegre. Eu já estou com um sensação tão pesada de celebrar algo tão familiar sem a minha família.

Brittany suspirou profundamente, ela sabia sobre o que Santana estava falando. O natal pra maioria é simbolo de felicidade, seja por motivos religiosos ou comerciais. E grande parte das pessoas sentem-se deprimidas com o excesso de pressão que a data requer.

— Eu entendo. – Ela se levantou, deu a volta na mesa e abraçou o corpo de Santana de lado. – Mas vai ser o nosso primeiro natal juntas e isso é muito especial.

— Você gosta de natal?

— Eu sempre tentei ver pelo lado de que é uma época de esperança. E ao contrário de que todo mundo diz, eu vejo como algo pessoal. É você e sua fé, no que você acredita, no que nasce dentro de você. Porque eu acho muito pobre acreditar que precisamos de um determinada época pra sermos pessoas melhores. – Santana sorriu de forma encantada. – O que foi?

— É que você não existe, sabia? É lindo ver você falar. Você é linda! – Roubou um selinho. – Mas agora, estou te roubando desses papéis e te convocando a ir pro shopping comigo.

— Tudo bem, eu vou arrumar Luca e podemos ir. Mas dessa vez vou ficar esperta pra não aprontar comigo como da primeira vez que fomos. – Santana deixou uma extensa risada escapar, enquanto Brittany lhe lançava um olhar reprovador.

— Eu não tenho culpa se você tentou atacar uma velhinha.

— Muito engraçado, senhorita Lopez. Ainda não me recuperei daquela vergonha. – As duas seguiram em direção a sala. – Está avisada. Em alguns minutos eu desço.

— Tudo bem, te espero aqui.

Brittany seguiu pro quarto e Santana planejava se acomodar na sala, mas não teve nem tempo de sentar no sofá, pois a campainha começou a tocar de forma insistente e ela foi logo atender.

— Calma, meu querido. Não precisa massacrar a minha campainha, eu estou indo. – Abriu a porta com um sorriso cínico, mas que logo foi trocado por um de imensa alegria. – Noah! É tão bom vê-lo! Mas chegou cedo pro Natal.

— O natal pode não ter chego ainda, mas eu já tenho um presente maravilhoso pra você.

— Novas pistas? – Perguntou empolgada.

— Exatamente. Se você parar de travar a minha entrada, eu posso te mostrar com prazer. – Ambos riram.

— Desculpe, pode entrar. Sinta-se a vontade. – Caminharam até a sala onde sentaram lado a lado no sofá. – E então, o que descobriu?

— Lembra que você pediu as declarações de bens do seu tio?

— Lembro, eu estava começando a achar que fosse inútil, mas se você está aqui...

— No começo eu também achei que não iríamos achar nada de interessante, mas há uns quatro dias atrás eu achei esse papel aqui. – Deu uma folha a Santana contendo os maiores compradores de mercadoria de seu tio.

— E isso é?

— Seu tio tem uma fábrica de celulose que contava com esses compradores em essencial. Inclusive esse grande instituto que atende crianças carentes. Eles compravam cadernos em massa pra atender diversas crianças.

— Lindo, muito lindo. Mas no que isso pode me ajudar? – Perguntou confusa.

— Olha só quem está aqui, tio Noah! – Brittany chegou até a sala com Luca.

— Ei, garotão! – Ele se levantou e foi abraçar a amiga e o afilhado. – Estou aqui mostrando novas pistas pra Santana.

— Oh meu Deus! Conseguiu achar algo que a salve?

— Salvar eu não sei... Mas é grande coisa.

— Então me explica de uma vez que eu estou curiosa, o que tem a ver?

— Tem a ver que você não está lendo os detalhes, minha cara. Essa compradora fica localizada em Rochester. Coincidência? Eu acho que não. Seu tio não dispunha de grandes transportadoras para elevar seu mercado. Então, ele comprou um galpão em Rochester para deixar acumulado parte de seus materiais. Assim, quando fosse necessário, a empresa fazia o depósito e ia retirar o que precisava. Claro que precisaria de supervisão, por isso ele contratou caseiros que ficavam na propriedade.

— E por propriedade você está se referindo aquela em que eu fiquei presa? – Santana foi se levantando lentamente enquanto processava o que havia acabado de escutar.

— Exatamente!

— Então temos a prova de que ele sequestrou a Santana, obviamente porque era a que faltava eliminar pra ficar com toda herança.

— Eu vou ligar pro meu advogado!

— Meninas, muita calma. A gente ainda não conseguiu o principal que é provar que não é Santana no vídeo e sim sua irmã. Há quem possa dizer que ela trabalhou com Manuel e depois ele quis passar a perna na latina e ficar com a grana só pra ela.

— Noah, não fode comigo! Você me dá uma excelente notícia e depois me passa uma rasteira dessas.

— Pelo contrário, eu ainda estou sendo bonzinho, porque aquele pessoal da Promotoria vai querer sua cabeça e eles vão jogar todas as teorias possíveis.

—Puck tem razão, nós temos que nos concentrar em encontrar alguma ligação entre Samara e Manuel.

— Eu já revisei aquele papel da clínica um milhão de vezes, ele nunca foi visitá-la. Aliás, meus pais eram bastante zelosos quanto a isso.

— Tem gente corrupta em toda parte, San.

— Britt tem razão. Se conseguiram comprar um mecânico pra sabotar o carro, o que seria um enfermeiro pra liberar Samara?

— Ótimo! E como saberemos se alguém permitiu a saída da Samara?

— As câmeras nunca mentem, podemos pegá-los desprevenidos com uma autorização da justiça.

— A justiça está em recesso. Só vão permitir isso nas vésperas do julgamento.

— Eu vou pensar em algo, latina. Mas agora preciso descansar porque estou quebrado.

— Pode ficar em minha casa, tem quartos preparados pra todos. Fique a vontade pra se instalar, eu preciso ir com a Brittany no shopping.

— Tudo bem. Bom passeio, meninas.

No carro, Brittany dirigia enquanto Santana ia em silêncio, o que incomodava a loira, pois era fora do normal.

— O que foi, meu amor? Pensei que estaria animada, estamos no caminho certo.

— Eu sei. Mas algo dentro de mim está gritando que a resposta de tudo isso está de baixo do meu nariz.

— Se ela está mesmo, a gente vai encontrar, porque o time “#todosporsantana” está cada vez mais forte. – Santana não pode evitar de rir.

— Só você mesma pra me fazer rir de uma coisa dessas.

— Estou aqui pra isso. – Deu de ombros. – Além do mais, vamos nos contentar com a vitória de hoje, vamos passar um natal agradável, depois das festas a gente pensa nisso, pode ser?

— Pode sim, senhora. – Curvou seu corpo pro lado pra podre alcançar a bochecha de Brittany e a beijou. – E aí, meu príncipe? Pronto pra deixar a mamãe louca no shopping? – Falou se virando agora pra Luca.

— Não vou nem te falar nada.

Um tempo depois elas já tinham rodado grande parte do shopping. Santana estava completamente perdida em sua própria lista, mas para sua sorte Brittany tinha habilidade em organizar jantares e a salvou. E ainda aproveitaram para comprar presentes para seus amigos, além de se darem meia hora longe uma da outra para que pudessem comprar seus presentes, tendo como ponto de encontro a praça de alimentação.

Brittany foi a primeira a chegar, enquanto esperava a latina dividia uma batata frita com o filho. Ela viu Santana se aproximar, mas antes que pudesse chegar até a mesa, Santana foi parada por uma mulher negra e com o sorriso mais iluminado que Brittany já vira.

— Eu não posso acreditar! Santana Lopez! – Ela foi logo abraçando a latina que ficou muito confusa com toda aquela “intimidade”. – É tão bom te ver! Olha, só quero aproveitar pra dizer que eu e a minha família apoiamos você, não acreditamos em nada nas notícias. Você jamais faria algo tão bárbaro contra os seus pais.

— Obrigada! – Sorriu simpática enquanto tentava se lembrar daquela mulher, sua expressão de duvida ficou bem nítida.

— Oh! Desculpe, eu me esqueci que você perdeu a memória. Ficou bizarra essa frase. – Uma coisa Santana sabia, a mulher tinha a habilidade de falar mais do que ela. – Eu sou Mercedes Jones, minha tia era empregada na casa dos seus pais. Ela sempre me levava com ela pro trabalho pra podermos brincar juntas porque você ficou muito sozinha depois que a sua irmã pirou. Nós sempre fomos muito amigas, seus pais fizeram questão de pagar os meus estudos para que pudéssemos estudar juntas. O que sou imensamente grata até hoje. Eles eram as melhores pessoas possíveis e bem... Somos amigas! – Terminou aquela breve explicação com um sorriso maior ainda.

Santana utilizou aqueles momentos de silêncio para organizar seus pensamentos e uma linha do tempo se formou em sua cabeça, lembrou-se dela criança brincando com Mercedes e os anos foram passando até que chegaram a fase adulta.

— Céus! Eu me lembrei! – Agora foi à vez dela de abraçar Mercedes. – É tão bom encontrar com rosto amigo. Me desculpe não lembrar antes, mas... Você sabe...

— Não se preocupe, eu sei. E estou feliz por podermos ter tido essa oportunidade de nos encontrar. Eu pensei em te visitar, minha tia quis muito. Mas pensei que não fosse um bom momento, não queria parecer intrometida ou coisa do tipo.

— De forma alguma. É bom ver pessoas que ainda acreditam em mim. Mas venha, eu quero te apresentar a minha noiva. – Começou a caminha em direção da mesa de Brittany, a loira já estava ficando intrigada com aquela conversa.

— Com certeza não se lembra, mas eu já conheço sua noiva. A Dani... – Foi parando de falar ao ver que Santana parou diante de Brittany.

— Brittany, essa é minha amiga de infância, Mercedes Jones. Mercedes, essa é a minha noiva, Brittany Pirce.

— É um prazer enorme conhecê-la, Mercedes. – Brittany estendeu a mão, mas foi logo puxada pra um grande abraço.

— O prazer é meu. Nossa Santana, você gosta mesmo de uma branquela loira. – Enquanto Santana ficou um pouco envergonhada, Brittany pôs-se a rir. – Mas essa aqui é muito mais bonita e simpática do que aquele nojo da Dani. Além do mais, ainda bem que se livrou daquela encrenca mercenária.

— Como é? – Santana surpreendeu-se com o “apelido” que Mercedes elegera pra Dani.

— Desculpa, você sabe que eu não costumo medir as palavras. Mas é verdade, aquela garota era encrenca pura. Olha só que criança mais linda! É seu? Posso pegar?

— É sim. É o Luca, sinta-se a vontade.

— Ele não vai me estranhar?

— Ah não. Esse garotinho adora o colo de uma mulher. – Elas riram, mas Santana continuou séria pensando nas palavras da amiga.

— Mercedes, pode me explicar? Por que a Dani era encrenca? É que tem muitas coisas que não fazem sentido na minha vida ainda e Dani é uma delas, se puder me ajudar, eu...

— Não precisa pedir duas vezes, pra falar mal daquela miserável eu dou uma palestra.

— Não duvido. – Ironizou a latina.

As três mulheres se sentaram, Brittany tomou o filho de volta para que Mercedes pudesse se concentrar no que ia contar.

— Tudo parecia um sonho quando você disse que ia voltar pro EUA e que traria a sua noiva para a família conhecer. Mas já começou dando tudo errado, no dia que vocês chegaram a casa a senhora Alma, sua avó, foi embora da casa. Sua mãe foi muito receptiva com a Dani, pra ela o que importava era a sua felicidade. Seu pai não a tratou mal em momento algum, ele obviamente não estava satisfeito. Como se diz... Ele respeitou, mas não aceitou... Então tratou de deixar isso bem claro com você quando foram tratar de negócios.

— Como assim? O que tem os negócios?

— Ele ia se aposentar, você já deve saber. Ele queria que você voltasse pra casa e assumisse os negócios. Mas ele impôs algumas condições.

— Como quais? – Perguntou Brittany.

— Ele não queria que Santana se casasse com a Dani, quer dizer, não oficialmente. Ele disse que ia incluir uma cláusula testamentária em que se você se casasse com ela, você perderia seu direito a tudo. Que Dani não poderia ser beneficiada em nada dos bens dele.

— Isso é tão absurdo! Eu não acredito que meu pai fez isso.

— Não foi um dos melhores momentos dele, eu confesso. Mas você aceitou.

— Eu aceitei? Sem brigar? Sem tentar conversar com ele?

— Ah, claro que tentou! Ou não seria Santana Lopez. Mas você já tinha perdido a sua avó e não queria que se repetisse com seu pai, ele era uma das pessoas que você mais admirava no mundo. E pra você era importante ajudar com a empresa da família, não teriam mais ninguém. Além do mais, ele disse que não se importava que morasse com Dani, se era o amor que te importava, ele não seria contra que vivessem juntas, só não queria que ela tivesse o dinheiro de vocês.

— E no que nisso mostra um comportamento ruim da parte da Dani? – A loira tentava entender.

— Eu também não estou entendendo, até agora meu pai parece ser o vilão.

— Não me leve a mal, mas Dani sempre foi perfeita demais. Ela era muito simpática, complacente, uma pessoa animada e doce. Sua mãe estava encantada com ela, saiam pras compras, conversavam sobre problemas enquanto você e seu pai ficavam enfiados em negócios. Ela entendia os conflitos com a Samara, dizia não se importar com o dinheiro da família, que nada mudaria. Mas vocês duas estavam em pé de guerra. Ela queria voltar pro Canadá, não queria mais ficar na sua casa. O pai dela estava doente e ela estava preocupada com o tratamento. Vocês brigavam o tempo todo, por qualquer bobeira, principalmente por ciúmes. Ela é uma pessoa de temperamento forte e não conseguia esconder. Não foi nem com a minha cara, acredito que por isso não vou muito com a dela também. Mas enfim, não foram poucas as brigas. Você pediu um tempo e ela não quis aceitar. Foi então que aconteceu...

— Aconteceu o que?

— Eu trabalhava na empresa do seu pai. Como eu disse, ele sempre foi muito bom pra mim. Mas meu grande sonho sempre foi cantar, gravar meu próprio cd. Resolvi me mudar pra LA, porém antes queria agradecê-lo por tudo que sempre fez por mim, ele pagou meus estudos e me deu uma profissão. Sendo assim, eu fui até a sua casa e quando eu cheguei, ele estava conversando com a Dani.

FLASH BACK.

— Aqui está. – O homem tinha um pacote volumoso nas mãos. – Isso é uma quantia generosa pra você. Dá pra pagar o tratamento de seu pai e ainda abrir um negócio próprio, não sei, ajeitar a sua vida. Mas é o suficiente, principalmente, pra você ir embora e sair da vida da minha filha.

— É um jogo muito baixo, eu amo a Santana!

— Então recuse o dinheiro. Fique com ela! Eu não estou te obrigando a nada. Estou te fazendo uma proposta. Você aceita se quiser.

FIM DE FLASH BACK.

— E ela te amava tanto que aceitou. Não é por nada, amiga. Mas naquele envelope ela tinha uma pequena fortuna. Depois disso eu soube que ela tinha aceitado o tempo, que ia voltar pro Canadá. Eu sempre tive na cabeça que seu pai estava testando ela. E ela não passou no teste.

— E isso foi muito antes do acidente de carro dos pais de Santana?

— Não, foi um dia antes. Eu me lembro porque no dia seguinte era minha viagem, mas cancelei quando soube do acidente.

— Santana, acho que temos uma nova suspeita do assassinato de seus pais.

— Está dizendo que Dani pode ter matado os senhores Lopez por dinheiro?

— Estou dizendo que há uma grande possibilidade.

Notas finais
Espero que tenham gostado! Até o próximo.