Who are you?
13 I Like To Dance.
Notas iniciais
Os quatro entraram na boate e foi instantâneo se sentirem contagiados pelo ambiente, principalmente Brittany que guardava um carinho especial por esse tipo de balada, as músicas, as luzes, a energia das pessoas faziam com que seu corpo se sentisse bem. Era inevitável pra ela não se movimentar ao ritmo sonoro e se esquecer da vida, do mundo real lá fora e isso não passou despercebido por Santana, que pode ver as expressões da loira se transformarem no momento em que foi levada para o centro da pista por Noah e começou a dançar.
A latina também não tinha como explicar, mas aquele lugar lhe era familiar, talvez não que ela o tenha frequentado antes, mas possivelmente era o tipo de ambiente que buscava para se divertir. Seu corpo se soltava com a música, seu quadril correspondia as batidas fortes, com certeza era alvo de atenção de muitos, principalmente Brittany que se segurava para não “encaixar” seu corpo ao dela em meio a música e segurá-la pelo cabelo e pela bunda, de uma forma totalmente ousada, para trazê-la para um beijo ali mesmo. Sim, aquela era a imagem perfeita que se formava na cabeça da mulher, que esperançosamente torcia para que fosse a ideia de Santana também.
Sam perdeu-se no meio das pessoas afirmando que iria até o bar, mas mais provavelmente foi atrás de algum rabo de saia, nada que surpreendesse Brittany ou lhe preocupasse, uma vez que ali era praticamente impossível estarem cercados por algum jornalista ou algo do tipo. Noah preocupava-se pouco em dançar, queria mais era se concentrar nas mulheres ao seu redor que faziam isso, logo se animou com algumas doses de bebida e foi atrás de seu alvo daquela noite: Santana Lopez.
– Você dança muito bem.
– Hã? — Ela não compreendia nada devido ao barulho, então ele se aproximou mais dela e a segurou pela cintura.
– Eu disse que você dança muito bem. — Sussurrou no ouvido dela para que pudesse escutar algo. — Tem certeza que é bacharel em Direito mesmo? Eu acho que combina mais com a dança.
– Quem sabe eu não tenho uma casa de stripper? — Os dois riram.
– Como foi que eu não te encontrei antes em uma?
– Vai ver era pra ficarmos próximos agora. — Escolha errada de palavras.
– Próximos é? — Ele praticamente grudou o seu corpo ao de Santana que não teve como medir forças contra. — Próximos como?
Agora a boca dele roçava na orelha da morena que se sentia incomodada e não conseguia ter qualquer prazer com aquilo. Mas ela também sabia que se ousasse virar o rosto seria beijada por ele.
– Próximos assim, ué. — Moveu os ombros para trás como se fosse obvio, deixando no ar a resposta que ele esperava. — Agora menos papo e mais ação, vamos dançar. — Ela afastou seu corpo como pode e voltou a dançar.
Puck ficou ao lado dela dançando junto, era como se ele estivesse cuidando para que nenhuma outra pessoa tentasse se aproximar da latina, a ideia era que ela fosse dele naquela noite. Isso também ficou claro para a Brittany, a forma como o amigo envolvia o corpo de Santana para si, algumas pegadas mais “pesadas”, os sussurros e as fortes tentativas de beijá-la eram captadas e isso enervava a loira, afinal por que Santana não acabava logo com aquilo? Por quê? Mas maior do que este questionamento era: O que Brittany tinha a ver com isso?
– Sabe do que você precisa, Pierce? De uma bebida. — Disse alto para si mesma.
– Eu concordo e faço questão de pagar para você. — Aquela voz que vinha por trás não lhe era estranha.
Brittany virou-se e deu de cara com nada mais, nada menos, do que o Dr. Parker. Lá estava ela pagando o mico de ser vista por ele falando sozinha e agora em um ambiente diferente. Na verdade, ele sem seu uniforme médico ficava diferente. Mais atraente?
– Doutor Parker. — Disse sem graça.
– Não, nada de doutor. Aqui eu sou apenas o Marcos, um conhecido que está imensamente surpreso em te ver por aqui.
– Por quê? Acha que eu não posso me divertir?
– Não, não é isso. Mas não tinha certeza se isso combinava com a sua personalidade. Mas fico feliz que sim, temos esse algo em comum. — Uma cantada? Teria que lembrá-lo de que ela era casada novamente ou seria o efeito da bebida?
– Pra você ver. — Abriu um sorriso sem graça. — Santana também veio. — Indicou com a cabeça a latina mais a frente.
– Ela está bem?
– Opa! Melhor do que nós dois.
– Vem, vou lá te pagar uma bebida e depois nós vamos dançar.
– Nós dois? — Ela fez uma cara de dúvida.
– Sim, não vou perder a oportunidade de ter te encontrado aqui.
Brittany não conseguiu recusar o convite, uma bebida levou a outra e a conversa passou a fluir de maneira mais natural entre eles, mas ela não chegou ao ponto de ficar bêbada ou perder qualquer noção da realidade ao seu redor, ela simplesmente se sentia mais leve e mais solta, além de que o doutor Parker, ou melhor, Marcos, havia a feito se esquecer da latina e agora ria e dançava com animação. Ele era um homem engraçado e gentil, em nenhum momento se quer tentou “invadir o seu espaço pessoal”, ao contrário, apenas demonstrava-se interessado em ter um “algo a mais” com ela. Afinal a loira era encantadora e desde que a viu na sala do hospital sentiu-se atraído, apesar de ter construído uma barreira entre eles quando descobriu que ela era casada, assim que leu a notícia nos jornais sobre o “falso casal Evans” um pingo de esperança ressurgiu.
– Acho que nós devemos marcar mais saídas dessas.
– Acho que você deve ir mais devagar com a bebida. — Ela riu.
– Sou médico, tenho consciência então não fuja. — Ele a olhou profundamente, os dois dançavam, mas ele deu um jeito de ficar frente a frente com ela de uma maneira mais intimidadora.
– Marcos... Eu sou casada, acho que eu já lhe disse isso, não quero que confunda as coisas.
– Eu sei, mas eu também sei sobre o tipo de casamento que tem. Eu li.
– Eu estava bêbada. — Gaguejou um pouco e ficou receosa.
– Não precisa se preocupar, Brittany. Eu não farei nada que não queira, apenas quero uma oportunidade de te conhecer melhor, você é uma pessoa legal e ainda existe amizade entre homem e mulher, não? — Disse de forma simpática e sincera.
– Claro, claro que existe.
– Então? — Abriu seu enorme sorriso sedutor. — Mais uma bebida?
– Água, só água agora.
Não muito distante, Santana já se sentia cansada das investidas de Noah. Além do fato de ter perdido Brittany e Sam de seu campo de visão.
– Puck, por que não paramos um pouco e vamos beber algo? Estou desidratando.
– O que quiser, gata. — Segurou a mão dela e passou a conduzi-la até o bar, ao chegar no mesmo encontraram Brittany e sua companhia. — Passando o rodo? — Disse baixo no ouvido da amiga que até levou um susto com eles ali.
– Não, mas é claro que não. — Seu olhar receoso foi de encontro com o de Santana que tentava compreender a presença de seu médico ali.
– Doutor Parker resolveu vir fazer hora extra?
– De forma alguma, Santana. Como eu disse para Britt fora do hospital eu sou uma pessoa como qualquer outra, mas estou feliz que esteja tão bem.
– Britt? — Cruzou os braços e lançou um olhar inquisidor para a loira. — Estão se divertindo juntos?
– Ela é uma ótima dançarina. — O rapaz sorriu.
– Legal gente, papo divertido, mas por que ninguém me apresenta?
– Desculpa, que indelicadeza. — A loira disse. — Noah, esse é o médico que atendeu a Santana, doutor Marcos Parker. Marcos, esse é o meu melhor amigo Noah Puckerman que está tentando encontrar a família da San.
– Muito prazer. — O médico estendeu a sua mão para Puck que a apertou.
– Bom, apresentações feitas, bebidas nas mãos, hora de dançar. — Santana pegou a mão de Brittany com a sua livre e a puxou de volta para o meio das pessoas fazendo com que os rapazes as seguissem.
O ritmo da música eletrônica, mas com uma batida mais envolvente e até mesmo "caliente", para Santana ajudou na aproximação de ambas. A latina praticamente grudou seu corpo ao te Brittany, as pernas meio enroscadas e o movimento intenso do quadril contribuía para uma intensa troca de energias de ambas. A loira até tentava escapar daquilo, pois sabia que poderia deixar comprometedor, ainda mais com os movimentos milimetricamente calculados e sexys de Santana em sua frente, mas que ficavam ainda mais perigoso quando ela dava as costas e podia sentir o corpo da morena vir por trás. Aquela respiração quente em sua nuca descoberta, a ousadia da mão no quadril. Mas no fundo ela sabia que havia um sentimento a mais naquela dança, talvez um sentimento de posse?
– Qual é o seu problema? — Brittany perguntou enquanto tentava se mover ao ritmo da música para acompanhar a morena a sua frente.
– Qual é o seu problema? Estava dando bola pro meu médico?
– Dando bola? Vocês me deixaram para ficarem se esfregando juntos e eu encontrei Marcos por acaso e ele quis me pagar uma bebida.
– Eu não estava me esfregando com ninguém e você e o doutorzinho já estão até se chamando por nomes íntimos, quer me dizer que ele não estava dando em cima de você? Eu vi a forma como ele te olhava.
– E eu vi a forma como o Puck te tocava e tentava te beijar, não vá me dizer você que aquilo era normal. — As duas pararam de dançar e ficaram se encarando de maneira furiosa.
– Meninas, tudo bem? — Marcos chegou por trás de Brittany e Puck de Santana.
– Eu vou ao toalete. — Brittany anunciou e saiu sobre supervisão dos olhos de Santana.
A latina não podia perder a oportunidade de ter alguns minutos a sós com ela, por este motivo resolveu ir atrás.
– Acredito que eu também preciso ir, com licença rapazes. — Saiu rapidamente.
– Mulheres e seus eternos segredos do banheiro. — Noah disse com um riso. — Devem se pegar nele, eu pegaria.
– Quem dera nos convidasse. — Marcos completou.
Brittany estava de frente ao espelho refletindo consigo mesma o motivo daquela “DR”
“Isso tudo é uma loucura, vá para casa. Você embarca pela manhã e tem exatas quatro horas de sono. Ficar correndo atrás de Santana, ou melhor, a vigiando como um cachorro vigia as ovelhas do pastor não adianta de nada, porque no final sabe que a lã não vai para ele. Calma, espera. Que bobeira é essa?”
Suspirou fundo, tirou seu batom da bolsa e começou a retocar, pode ver pelo reflexo do espelho quando Santana entrou.
– Pensei que tivesse medo de vir a banheiros sozinha. — Disse enquanto se aproximava por trás de Brittany, colocando suas mãos no balcão bem do lado das dela. — Bonita cor. — Ela abaixou a sua cabeça para que sua boca estivesse na orelha da mulher a frente, seu hálito quente fazia com que a pele de Brittany se arrepiasse.
– É que eu não sei o que seria mais perigoso, ficar aqui sozinha ou você vir comigo. — Tentou desviar do olhar dela no espelho.
– Que perigo há em nós duas sozinhas? — Recuou dando uma olhada minuciosa na loira com um sorriso secreto de aprovação.
– A verdade é que ao seu lado eu não tenho consciência dos meus atos. — Ela se virou e agarrou a bancada atrás de si.
Santana pegou as mãos de Brittany e as prendeu contra seu peito e a puxou para mais perto, quando a loira ficou totalmente de frente para ela soltou uma de suas mãos e passou na bancada para constatar se ela estava seca, após soltou sua outra mão, segurou no quadril de Brittany e a levantou ficando com seu rosto no nível do dela, seu sorriso era convidativo e aquela posição mexia com a fantasia de ambas.
Brittany se moveu para a beirada da bancada, suas pernas longas balançavam de cada lado das de Santana, que amparou suas mãos na bancada bem do lado de fora dos quadris da loira e inclinou sua cabeça para um lado indo mais para perto até tocar o ombro de Brittany e após subir para o pescoço, uma área sensível e perigosa. O cérebro de Brittany não conseguia processar um pensamento lógico, a boca da latina estava perambulando para o norte, sobre a mandíbula, sugando gentilmente a pele, havia como recuar?
– Nós devemos parar. — Sussurrou coma respiração totalmente ofegante.
– Parar de falar, eu também concordo. — Sussurrou antes de tomar os lábios da loira e preencher a boca dela com sua língua, enquanto apertava suas mãos no quadril.
Brittany segurou os cabelos de Santana com uma das mãos e com a outra fez com que suas unhas descessem arranhando o braço dela, podendo ser ouvido um gemido abafado. O desconforto entre suas pernas crescia, ainda mais com a pressão que Santana realizava fazendo com que a região de seu abdômen roçasse no centro das pernas de Brittany. A mão da latina rapidamente deslizou pela coxa e invadiu por baixo do vestido, sendo que para provocar apertava a coxa pela parte de dentro, ainda mais na virilha.
– Santana... — Chamou o nome dela em forma de gemido e empurrou a sua cabeça para trás, quase que entregue aos beijos e mordidas que a morena dava em seu pescoço, quando pode ver a figura de uma mulher adentrar no banheiro pelo espelho, o que lhe rendeu um belo grito que assustou até mesmo a latina.
– Dios, Brittany! — Parou para encará-la.
– Não, não se incomodem, podem continuar. Eu já vi muito disso por aqui, eu só preciso usar o banheiro. — Uma mulher nitidamente alcoolizada disse enquanto tentava chegar de forma cambaleante a uma das cabines, sendo que as amantes compartilhavam um riso discreto.
– Vamos embora. — A loira segurou na bancada e deu um pequeno salto de volta ao chão.
– Não, você a ouviu, podemos continuar. — Santana tentou prendê-la.
– Pra chegar outra pessoa? Não, não é certo. — Balançou sua cabeça de forma negativa.
– Mas não é certo agora ou não é certo nunca mais?
– Que? Do que está falando?
– Você anda me evitando, Brittany e eu não estou gostando nada disso. Mas ao mesmo tempo fica dando seus ataques de ciúmes, eu queria entender o que você quer.
– Nada, eu só acho...
– Acha que não é certo. — Revirou os olhos após completar a frase. — Por que não disse isso quando estávamos transando? Já conseguiu o que queria não é? Ou será porque agora repentinamente o Sam achou de te fazer um mimozinho antes de ir te trair, ou porque encontrou o doutor Parker, não desculpa, o Marcos e se tornaram melhores amigos? — Perguntou irritada.
– Não é nada disso.
– Então como é? Me explica, eu quero saber. — A loira ficou em silêncio. — Quer saber? Faz o que você quiser, porque é exatamente isso que eu vou fazer. — Saiu do banheiro rapidamente.
– Santana... Santana! — Deu alguns gritos que não foram atendidos.
A latina voltou até onde havia deixado os homens, ela entrou no meio deles e abraçou o pescoço de Puckerman com um dos braços enquanto que com a outra mão segurou na nuca dele e direcionou o seu rosto para o dela dando inicio a um beijo intenso. De começo o rapaz não conseguia compreender muito bem aquele surto da morena que a noite inteira havia lhe “dado um toco”, mas aproveitou-se da situação.
Brittany ao sair do banheiro viu a imagem de Santana em um beijo arrebatador com Noah e isso a machucou. Nem se quer se deu ao trabalho de se despedir deles ou de Marcos que acabou virando “vela”, mas ele pode vê-la sair feito um furacão para parte de fora. Ela nem ao menos tentou encontrar Sam para que ele a levasse de volta para casa, sabia que era perda de tempo.
O tempo parecia ter mudado e uma grande corrente de ar fria incomodava sua pele, mas o sentimento de raiva e angustia que sentia eram maior. Para completar os táxis que passavam já estavam ocupados e nenhum parava.
– Que beleza.
– Ei Brittany, indo embora sem se despedir? — Marcos surgiu dando um pequeno susto na loira.
– Marcos, já estava pensando na minha oração de misericórdia para o ladrão.
– O que houve?
– Nada, eu só... – Os olhos dela se encheram de lágrimas. – Eu só precisava sair.
– Calma, você está tremendo. – Ele tirou seu casaco e colocou sobre os ombros da loira, aproveitou e segurou na borda do mesmo e a puxou para um abraço. – Você pode me dizer o que foi, eu sou um bom ouvinte.
– Que cena mais comovente. – Sam que também viu quando Brittany saiu como um foguete de dentro da boate, se aproximou totalmente nervoso.
– Sam, não... – Ela se afastou de Marcos um pouco assustada.
– Olha Brittany, nem tenta dar suas explicações. Você bem fala de mim, mas olha aí você abraçada com qualquer um.
– Ei cara, olha lá como fala com ela. Além do mais eu só estava tentando ajudá-la, já que tem um marido que não presta e a deixou a noite inteira sozinha.
– Quem você pensa que é pra me dizer como devo falar com a minha mulher? Acho melhor você dar o fora.
– É mesmo? E quem vai me obrigar? Você? – Eles confrontaram de maneira intimidadora.
– Sim, eu mesmo vou te ensinar a não dar em cima da mulher dos outros, palhaço. – Ele colocou as mãos sobre o peito de Marcos e o empurrou com brutalidade, que correspondeu da mesma forma.
– Sam, chega. Pelo amor de Deus, não tem nada disso. – Tentava intervir, mas era praticamente impossível.
– Você não defende ele. – Gritou nervoso.
– Eu vou te ensinar a não levantar a voz para uma mulher. – Marcos cerrou sua mão direita e socou o rosto de Sam que pode sentir o gosto do sangue escorrer pelo canto de sua boca, sendo que logo após revidou o soco.
– Parem, por favor, parem. – Brittany se sentiu desesperar com a briga, mas eles não lhe davam ouvidos e continuavam a trocar socos e xingamentos. – Vocês são dois idiotas, dois idiotas. – Gritou e saiu correndo ao longo da avenida, assim que avistou um táxi fez sinal e entrou no mesmo seguindo para casa.
Já Santana, no momento que os seus lábios se encontraram com os de Puck ela se arrependeu, não que o beijo fosse ruim, ou algo do tipo. O rapaz sabia mesmo como encantar e satisfazer uma mulher, mas na mente da morena só vinha a imagem de Brittany e ela não conseguia desfrutar de nenhuma carícia. Ela havia sido impulsiva, uma característica que pertencia a loira e não a ela, fez isso nervosa e apropriada pelo ciúmes, perdeu qualquer razão que tinha. Contudo, não iria continuar em seu erro, Noah estava se animando e ela sabia onde isso poderia acabar, por isso sua única opção foi pará-lo.
– Noah, não, para. — Afastou sua cabeça e colocou suas mãos sobre o peito dele para mantê-lo afastado.
– O que foi? Eu fiz alguma coisa de errado? — Ele a olhou preocupado.
– Não, você não fez nada de errado, eu fiz. Eu não devia ter te beijado.
– Por quê?
– Eu não gosto disso. Desculpa, Puck. Minha cabeça está girando, acho que foi demais pra mim em uma noite. Pode me levar para casa?
– Olha que você nem bebeu. — Deu um pequeno riso para que ela não se sentisse tão sem graça. — Mas é claro que eu posso.
O caminho de volta até a casa dos Evans foi silencioso, assim que o taxista estacionou o carro Santana ameaçou descer, mas Noah a impediu a segurando pelo braço.
– Me desculpa eu já ia sem me despedir e sem agradecer pela noite divertida.
– Não, não era isso, mas eu fico feliz que tenha se divertido. Eu também me diverti muito com você, principalmente por termos zoado o babaca do Evans. — Os dois riram. — Só quero saber o que eu fiz de errado que você mudou de repente, foi pelo beijo?
– Não, você não fez nada de errado, tire isso da sua cabeça. O problema fui eu, eu te beijei pelas razões erradas, Noah. Eu acho que eu gosto de mulheres, quer dizer, eu me sinto atraída por elas, não sei se era assim antes, mas te beijar não foi a coisa certa a fazer e eu gosto de você, é um cara super bacana. Não acharia legal perder sua amizade por me sentir estranha por estar ao seu lado mais pra frente. Você me entende?
– Perfeitamente. Eu só não quero que se preocupe com isso, lembra que eu e a Britt estamos aqui pra te ajudar e não pra virar sua cabeça.
– Eu sei. Obrigada. — Eles se inclinaram e se deram um abraço desengonçado dentro do carro. — Boa noite. — Desceu do veículo.
– Boa noite. — Ela deu um aceno.
Santana esperou que o táxi sumisse de vista para caminhar até a porta de entrada, segurou na maçaneta e a girou, mas a mesma não abriu. Trancada. Ela e Brittany nunca conversaram sobre a latina precisar de uma cópia da chave da casa, afinal não tinha para onde Santana sair sem a loira até o momento, ou seja, ela estava trancada do lado de fora. Apertou a campainha por diversas vezes, mas Britt estava mergulhada em seu banho relaxante com o som de seu celular ligado em sua playlist favorita, sendo que não escutou nenhum ruído se quer. Além de seus pensamentos a ensurdecerem. O beijo com a Santana. A súbita mudança de Sam e seu aparente ataque de ciúmes. O interesse de Marcos... Coisas demais para uma noite.
E bem, como Santana sabia que iria dançar saiu desprovida de bolsa para que não a incomodasse e também não sofresse o risco de perder qualquer coisa.
– Meus parabéns, Santana! Que incrível essa sua noite, em? — Dizia irritada para si mesma. — Você pode ir deitar em um daqueles sofás fofos da área de lazer, pode sentar no degrau e contar as estrelas até que alguém acorde as 7 horas da manhã, afinal já é quase 3 horas. Ou você pode... — Um sorriso sacana surgiu em seus lábios.
Santana deu a volta na casa e caminhou até a edicula da mesma, pôs-se a frente da porta e começou a bater com a mão fechada fazendo um enorme barulho e ela pode ver pela janela quando as luzes se acenderam.
– Valha-me Deus! Quem foi que morreu? — Santana ria do lado de fora ao escutar.
– Bertinha querida, sou eu a Sant. Vamos abrir a porta? Eu sei que já acordou.
– A latina dos infernos, você veio me matar. Acha que eu vou abrir a porta pra você? — A senhora estava de pé atrás da porta e falava receosa, Santana não pode evitar de gargalhar mais alto.
– Eu não vim matar ninguém, Berta. Não ainda. — Deu de ombros. — Mas é que eu não tenho chaves para entrar na casa e eu sei que você tem da cozinha e pensei que pudesse abrir para mim.
– E o que te leva a pensar que eu te faria qualquer favor? Como posso confiar em você?
– Berta, ainda estou enferma, preciso descansar e a senhora Pierce não vai gostar de saber que você me deixou dormindo para fora no frio.
– Está enferma e estava fora de casa até essas horas?
– Ok, você me pegou. Mas ainda assim é uma sacanagem, vamos.
– Eu não me importo. — Disse apagando a luz e dando passos até a sua cama.
– Berta. — Voltou a bater na porta. — Eu não vou sair dessa porta até você abrir e não vou te deixar dormir também.
– Só abro com algumas condições. — A senhora voltou atrás.
– Que condições? — Revirou os olhos.
A senhora destrancou a porta e abriu um vão em que deixou aparecer apenas a sua cabeça.
– Primeiro de que vai prometer que não irá mais se meter na minha cozinha.
– Eu prometo. — Fez uma careta.
– Falo direito e levanta a mão direita.
– Eu prometo! — Disse mais firme e agora com a mão levantada.
– Segundo que não vai mais me perturbar.
– Mas essa é a minha forma de carinho por você.
– Sem retrucar.
– Eu prometo. — Fez figas com os dedos da mão esquerda atrás do corpo.
– Também tem que me pedir por favor e por último prometer que não vai machucar a senhora Pierce.
– Que? — A latina perguntou sem entender muito bem.
– Peça.
– Por favor, Bertinha do meu coração.
– Tudo bem. — A senhora se agarrou a uma vassoura que tinha em casa e abriu a porta rendendo mais algumas risadas da morena.
– Isso é mesmo necessário?
– Segurança nunca é demais, agora fique quieta. — Santana balançou sua cabeça negando e as duas seguiram juntas até a casa principal. — Pronto e se bater na minha casa de madrugada de novo eu juro que te jogo um balde de água gelada. Eu me assustei, pensei que fossem ladrões.
– E desde quando ladrões batem a porta? Eu hein. Mas muito obrigada, salvou a minha vida. Merece até um abraço.
– Se chegar perto eu te bato. Eu tenho uma vassoura e não tenho medo de usá-la. — Disse enfezada.
– Tudo bem, tudo bem. — Levantou as mãos em rendição. — Não estou com vontade de ver meu neurologista tão cedo novamente.
Santana seguiu para parte de cima, mas antes de ir para o seu quarto passou pelo de Brittany, abriu a porta com cuidado e viu da mesma a loira já deitada e provavelmente adormecida. Respirou fundo e foi rumo ao seu aposento. Brittany viu quando ela abriu a porta, mas fingiu estar dormindo, não queria falar mais nada com ela por aquela noite.
Pela manhã a loira despertou um pouco mole, havia dormido pouco e irritada, sabia que seu dia seria longo e teria muitos problemas para resolver quando chegasse em na filial de sua empresa. Mas tinha que reunir forças já que nunca fora de fugir de qualquer tipo de problema. Levantou-se e se arrumou rapidamente, deu um beijo em Luca e pediu para que Lisa já tomasse conta dele logo cedo, ao descer viu uma pequena mala próxima a escada e estranhou, não se lembrava de ter pedido a Berta que a trouxesse para baixo. Ao chegar na sala de refeições deu de cara com Santana bem arrumada e já tomando o seu café.
– Nossa, você já está acordada. — Tomou o seu lugar na mesa e se serviu de uma boa xícara de café.
– Qual a surpresa?
– Você chegou tarde, pensei que estaria dormindo.
– Eu tenho um relógio biológico que grita dentro de mim.
– Eu já percebi. Morava na roça? Lima é uma cidade pequena pelo que pesquisei.
– Que engraçado. Mas é bom que seja pequena mesmo assim facilita o trabalho do Noah que vai para lá hoje.
– Hum.
– Mas também, eu tinha que estar pronta para nossa viagem.
– Nossa viagem? Calma, espera. Você não vai comigo para Queens.
– Porque eu vou a trabalho.
– Mas eu até já arrumei minhas malas e o que eu vou fazer com você dois dias foras? Não vou começar na empresa sem você.
– Mas ainda estamos providenciando seus documentos, como eu vou te botar dentro de um avião?
– Senhora Pierce, desculpa interromper, mas a senhorita Rose está no telefone e deseja falar com a senhora urgente.
– Bom dia, Bertinha! Como acordou essa manhã? — Santana fingiu um sorriso simpático.
– Poderia ter sido melhor, mas obrigada. — A senhora saiu antes dela responder.
– O que está acontecendo com vocês agora? — Brittany a olhou de canto.
– Nada não, bobeira.
– Sei. — Respirou fundo. — Marley, bom dia! O que foi que aconteceu de tão urgente para me ligar?
“- Senhora Pierce, desculpe incomodá-la tão cedo, mas temos um problema.”
– Acho que trocarei meu Susan por “problema”. Mas vai, fale.
“- É que eu liguei agora pouco para confirmar a sua viagem, mas...”
– Mas...?
“- Me disseram que a sua viagem foi mudada para segunda-feira a tarde.”
– Como assim ela foi mudada, Marley? Eu não solicitei nada disso.
“- Eu sei, senhora Pierce. Fui eu que fiz as reservas da senhora, mas alguém ligou ontem a tarde e fez essa transferência.”
– Alguém não. Sam fez isso, ele era o único que sabia que eu iria viajar. Eu vou matá-lo. — Disse irritada e Santana ficou olhando para a cara dela sem compreender nada.
“- O fato é que eu discuti bastante com a atendente e o mais próximo que conseguiram encaixá-la foi pra um vôo de amanhã 18h.”
– Marley, meu bem. O que eu vou fazer em Queens no horário que eu chegar amahã? Fim de semana. Quer saber, cancela tudo que eu vou de carro. Afinal, o que são cinco horas e meia de viagem?
“- Tudo bem. Desculpe-me, senhora Pierce.”
– Não se preocupe, Marley, pois não é culpa sua. Até mais. — Desligou o telefone e respirou fundo.
– Então Sam cancelou sua viagem?
– Ao que parece sim. Mas enfim, está com as suas malas prontas não é? Saímos em meia hora.
– Eu e você em uma viagem de carro pelo estado de Nova York?
– É isso, ou você fica aqui.
– Eu vou escovar os meus dentes.
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