Who are you?
7 Feliz Aniversário, Luca?!
Notas iniciais
Brittany já não se lembrava qual havia sido a última vez que havia se vestido da forma como ela gostava. Bonita sempre ficava, mas sentia que não era ela. A mágica de um vestido que realçava as suas curvas, uma boa maquiagem, salto alto e cabelos soltos a agradou.
– Lembre-se de sorrir sempre, este é o truque. Curta a festa e ela passará rápido. – Falou agora alto, queria realmente acreditar nisso, mas ela no fundo sabia que não seria tão simples assim.
Brittany foi até o quarto de seu filho, pegou-o no colo e o abraçou com certa força entre os braços.
– Você é tudo o que me importa aqui. Um dia nós dois vamos para bem longe e vamos viver em paz, eu te prometo. Prometo que não deixarei que cresça sobre as influências de seus avos e de seu pai, vou te fazer um homem de bem. Este é só o seu primeiro ano, meu filho, talvez os próximos ainda tenhamos que enfrentar tudo isso, mas não vai ser pra sempre. – Beijou a testa do pequeno e se aproveitou de mais alguns minutos de tranquilidade com o pequeno antes de descer para a festa.
Seus olhos percorreram o salão e lá estava uma quantidade considerável de pessoas que deixava o ambiente cheio. Alguns ela podia reconhecer, como os acionistas da empresa, já havia cruzado com eles uma ou duas vezes, outros eram amigos de longa data de seus pais e seus sogros, mais alguns podia dizer que eram seus vizinhos, poucos de fato eram seus convidados ou de Sam, todo o resto ignorava de onde havia saído.
– Brittany, até que fim você desceu com esta criança. Temos que fazer fotos em família. – Brittany fechou os olhos e contou até dez mentalmente tentando manter a calma antes de se virar para sua sogra.
– Sim, senhora Evans. Com certeza faremos isto quando o pai da criança der o ar da graça.
– Onde é que meu filho está?
– Quem sabe? – Moveu os ombros. — Pensei que quem controlasse tudo fosse a senhora.
– Insolente!
– Quem é insolente? — A latina perguntou com um sorriso nos lábios enquanto se colocava ao lado da loira.
– Quem é esta? A agregada?
– Agregada? Estou progredindo nesta casa, Berta costuma me chamar de “coisa do mal”. – Fez uma careta enquanto ostentava uma cara inocente, como se tentasse entender porque a empregada a tratava de tal maneira.
– Está é Santana Lopez.
– Lopez. Um nome bem comum e julgando por teu estereótipo deve ter vindo de uma família qualquer, ralé. – O sangue de Santana ferveu, Brittany conhecia aquele olhar, sabia que se a morena surtasse voaria no pescoço da mulher.
– Só por que eu sou latina? Olha, não sei de onde eu vim não, mas com certeza de um lugar melhor do que a senhora e com mais educação, pois não me lembro de ter sido ensinada a ser tão arrogante e preconceituosa.
– Você vai deixar que esta qualquer fale assim comigo?
– Qualquer? Eu vou te mostrar o que uma qualquer faz. – A latina ameaçou ir para cima da senhora que a primeira reação foi colocar os braços diante de seu corpo, mas Brittany colocou-se na frente com Luca no colo, a latina não ousaria ultrapassar a fronteira.
– Santana, não. Não vale a pena, se um dia alguém tiver que bater nesta senhora será eu. Senhora Evans, sugiro não provocar a Santana, na próxima eu posso fingir não ver.
– Seus pais estão nesta festa, Pierce. Espero que não tenha se esquecido. – Saiu enfurecida.
– Isso, vai correndo contar pra mamãe, velha rabugenta. – Disse e depois mostrou a língua como uma criança rebelde. — O que foi que você bebeu quando foi se casar? É sério. Essa família é um pesadelo.
– Você nem imagina o que.
– Relaxa, se ela vier te perturbar de novo eu dou um jeito.
– Obrigada, Santana. Mas eu só quero que tudo acabe bem e se você ficar esquentadinha duvido que isso ocorra.
– Tanto faz. – Moveu o ombro para trás e agora virou-se em direção a loira observando o corpo da mesma com certa demora.
– O que foi? Perdeu alguma coisa em mim? – Tentou brincar.
– Você está gostosa. – Mudou seu tom de voz para seu rouco mais sensual. — Sério, está linda mesmo.
– Obrigada. – Disse um tanto retraída, estranhamente sendo que a latina já havia falado assim com ela antes. – Você também está.
– Você não acha isso, se achasse daria uma pequena fugida comigo desta festa, um cantinho onde eu ouça os teus gemidos ao invés dessa música, o que é “uni-duni-tê, salamê minguê?” – Brittany começou a rir e Santana ficou a encarando buscando respostas.
– Sant, é uma festa de criança, a música não tem que fazer sentido. Só tem que grudar na sua cabeça igual chiclete.
– Isso não faz sentido, mas se eu fosse você não deixava meu filho escutar estas músicas de macumba. – A loira não aguentou-se e riu ainda mais alto atraindo a atenção de mais algumas pessoas. — Quer saber de uma coisa, Pierce? Tem uma garota, uma ruiva bem gostosa, que está fazendo pintura no rosto das crianças, vou perguntar se ela não quer me marca também. – Piscou de um jeito malicioso, enquanto Brittany mudava sua expressão divertida para uma mais carregada de raiva.
– Como é que é?
– Fica aí com suas músicas de chiclete. – Deu as costas com seu sorriso provocativo nos lábios.
Brittany estava prestes a protestar, mas teve sua fala cortada ao sentir que delicadas mãos tamparam seus olhos.
– Adivinhe quem é. – Uma mulher morena com franja um pouco acima dos olhos e um sorriso enorme dizia atrás da loira.
– Bom, ao julgar pelo tamanho só pode ser Rachel Berry.
– Hum, não gostei disso do tamanho. – Fez um enorme bico e soltou as mãos dos olhos da loira, virando-se para abraçá-la com todo cuidado, devido a Luca estar no meio.
– Eu estava morrendo de saudades de você. Cadê a Quinn?
– Eu também. – Disse se afastando um pouco. – Ela foi parada no caminho por alguns conhecidos, mas agora deixe-me agarrar essa gostosura. – Pegou o garotinho do colo da mãe e começou a instantaneamente fazer voz de bebê, enquanto brincava com o menino que retribuía com sorrisos.
– Aí estão vocês. Saiba que ela nunca mais vai devolver seu filho. – Uma loira dos olhos avelãs se aproximou com um enorme embrulho.
– Quinn! – Brittany a recepcionou com um grande e apertado abraço.
– Você está linda e incrível! – Disse observando a mulher a sua frente. — E olhe só esse menino, a última vez que o vimos com certeza ainda tomava apenas leite. – Aproximou-se de sua mulher e da criança.
– Sinal de que vocês devem vir mais para cá.
– Estes são os planos. – Rachel disse animada.
– Sério?
– Rachel e eu estamos pensando em fazer uma inseminação, ter o nosso primeiro filho.
– E para isso queremos fugir do caos de Nova York, Quinn irá abrir seu divã e eu poderia coordenar tudo do meu estúdio daqui, fazendo pequenas viagens quando necessário.
– Isso é maravilhoso! Vocês nem imaginam tudo o que eu tenho passado aqui, o quanto eu preciso das minhas amigas. – Britt mal podia conter a sua alegria com a novidade.
– Sam continua sendo um babaca? – A outra loira perguntou de um jeito sério.
– Sim, mas agora há mais do que ele, tem muitas coisas que preciso contar a vocês.
– Bom, antes de nos mudarmos definitivamente para cá, passaremos uns dias aqui, podemos sair e assim você nos conta o que tem passado. – A morena dizia enquanto entregava o bebê de volta a mãe.
– Resolveremos isso.
– Calma, para tudo. Será que isso é uma miragem ou estou mesmo vendo o meu casal favorito? – Uma voz masculina cortou a conversa do trio de amigas.
– Noah! – O casal respondeu em uníssono e foram abraçar o rapaz que apertou cada uma em um braço.
– Hoje eu estou feito, cheio de mulher bonita. Só ta faltando a latina, que é a única disponível no mercado pra mim. – Britt levantou uma sobrancelha e mordeu os lábios tentando conter seu incomodo. – Cadê a Santana?
– Quem é Santana? – Quinn perguntou curiosa.
– Santana é a minha mais nova preocupação. Com licença, porque eu lembrei que deixá-la muito tempo sozinha perto das pessoas é sinal de perigo.
“É, eu definitivamente devia ter a trancado em um armário.” – Bufou e saiu pelo salão a procura da morena, deixando seus amigos sem compreender as reações dela.
– Definitivamente a delícia da Sant ta pirando ela. – Noah dizia enquanto a loira se afastava.
– E você irá nos contar sobre ela. – A morena baixinha disse encaixando um de seus braços no homem.
Brittany caminhou por toda área cedida para a festa a procura de Santana, o que se tornava cada vez mais complicado a medida que os convidados iam chegando. Já havia desistido de sua procura, estava distraída olhando Luca brincar em uma das piscinas de bolinhas com as outras crianças, quando foi abordada por sua mãe.
– Eu sempre soube que você seria uma mãe melhor do que eu. — A senhora loira disse ao parar ao lado dela.
– A senhora precisaria ter sido mãe para eu ser melhor.
– O que é isso, Susan? Eu fiz tudo por você. Te dei tudo o que você sempre quis. Desde aquela boneca que patinava, até aquele seu cavalo que está esquecido no estábulo da fazenda. Todas as viagens, todas as suas travessuras, eu te ajudei.
– Você sempre gostou que eu me mantesse entretida assim com as minhas bobagens para que você não precisasse se ocupar comigo. Principalmente para que eu não ficasse em casa e brigasse com o papai, porque ele sempre pareceu não gostar de mim. Acho que a única vez que eu o alegrei foi quando me casei com o Sam e tive o Luca.
– Eu só estava tentando de elogiar, mas já vi que até isso é impossível entre nós. Eu estou me esforçando, talvez eu tenha percebido tarde demais, mas estou tentando ajudar com o Luca.
– Porque ele o papai aceita, só que você não entende que não é com o Luca que tem que consertar as coisas, é comigo. Você sempre fica do lado do papai, como essa festa idiota.
– Estou te ouvindo reclamar mais uma vez sobre as minhas decisões, Brittany?
Um homem um pouco menor do que Brittany, com roupas engomadas e de cabelo castanho escuro parou entre as duas mulheres intercalando seu olhar entre elas.
– Sem surpresas, não é papai?
– Infelizmente. Sua mãe, Brittany, não sei como pude aceitá-la em minha vida, talvez tenha sido um momento de alto desespero. Uma mulher fraca e sem nenhuma instrução, mas ambiciosa sim, isso desde sempre.
– Eu não vou ficar aqui e te escutar falar assim de mim. Não se esqueça o que é.
Brittany abaixou a cabeça e respirou fundo, lá estava o casal Pierce em mais uma discussão, isso foi o tipo de coisa que ela nunca desejou para si, mas que viu se repetir em seu casamento.
– Se não está satisfeita...
– Papai, por favor, é uma festa. Seu neto. — Disse tentando intervir, apesar de seu clima para comemoração ter se perdido há muito tempo.
– Sim, eu sei. Não se preocupe que eu aqui sou o menor interessado em escândalos. Só queria dizer que eu pensei que você teria serventia. E teve. Eis aí o garotão Pierce Evans. Como recompensa as duas tem tudo o que podem desejar, por isso não devem nunca contrariar as minhas decisões. Entendeu Brittany?
– Desde sempre.
– Ótimo! — Ele se afastou das mulheres e foi até o brinquedo tirando o neto de dentro. — Vou dar uma volta com o Luca, mostrá-lo a algumas pessoas. Te dou meia hora para encontrar seu marido para fazermos as fotos. — Saiu com a criança a contra gosto de Brittany.
– Viu sobre o que eu estava falando? Você deixa ele falar assim com a gente, como se fosse um favor que ele faz para nós ser teu marido e ser meu pai.
A loira saiu ainda mais nervosa, aproximou-se de um dos garçons e serviu-se de um coquetel.
"Procurar Sam, como se eu fosse a baba dele. Faça-me o favor, depois ele quer vir me dizer que se importa com o filho. Ele não me atende nem em caso de morte, vai me dar muita atenção justo hoje." – Respirou fundo e fechou os olhos tentando evitar que a sua dor de cabeça começasse, ao abrir os mesmos deparou-se com a figura latina totalmente sorridente a sua frente, o que a fez levar um pequeno susto.
– Santana, agora entendo quando Berta diz que parece uma assombração, aparece do nada.
– Berta cultiva um forte carinho por mim, que como pode perceber é recíproco de minha parte. — Sorriu e atreveu-se a tirar o copo da mão da loira. — Hum, pegou isso pra mim que gentil. Tem álcool? — Já ia levar a boca, mas a mulher lhe parou tomando seu copo de volta.
– Tem e você não pode tomar, porque ainda está fazendo uso de medicamento controlado. — Tomou mais um gole de sua bebida.
– Tá ok, mamãe. Eu vou me esbaldar em suco de uva. — Cruzou os braços e prosseguiu sua fala com uma voz mais travessa. — Fermentado, é claro. — Brittany revirou seus olhos.
– Por que não vai atrás da sua desenhista? Ou ela já te deixou marcas suficientes? — Disse um tanto hostil.
– Isso é ciúmes? — A latina a encarou e ela virou o rosto balançando a cabeça com um sorriso no canto dos lábios mostrando sua negação. — Tá com ciúmes Pierce? Me diz.
– Eu não estou com ciúmes, Santana. Ciúmes do que? Pelo amor.
– Ciúmes de mim, ciúmes que outra mulher tome esse corpinho que você despachou.
– Ainda bem que você não pode beber, ou ficaria ainda mais insuportável. — Trocou seu copo vazio por outro cheio com o garçom que passava.
– Não, pelo jeito está fazendo isso por nós. Não devia se controlar? É uma festa de criança e ainda são cinco horas da tarde.
– Eu sei me controlar, não se preocupe.
– Tudo bem, não sou a tua mãe. — Ergueu as mãos e fez uma pequena careta. — Mas respondendo a sua pergunta, a pintora de crianças estava ocupada demais, mas me deu o número de telefone dela. Assim nós matamos dois coelhos com uma cajadada só. Eu paro de te perturbar como você tanto queria e eu arrumo uma gatinha. — Brittany sentiu que poderia fuzilar Santana com seu olhar, apertava o copo em sua mão com tanta força que sentia as pontas de seus dedos doloridas.
– Só precisa recuperar sua memória e ir para sua casa, enquanto estiver aqui não vai ter encontros com ninguém.
– Por que não? O que me impede? — Perguntou de uma maneira provocativa, Santana sabia irritar Brittany e na verdade, até gostava de ver aquele brilho de raiva na garota, pois sabia que era quando ela estava mais próxima de dizer tudo aquilo que realmente pensava. — Eu fico aqui sem fazer nada. Não se preocupe que eu não trarei ninguém pra manchar teu sofá.
– Quer saber, Santana? Faça o que quiser. Todo mundo faz o que quer aqui, a minha opinião não vale de nada. Se quiser convidá-la pra vir aqui em casa, sem problemas. Eu passo o dia inteiro fora. — Respondeu da forma mais irônica e deu as costas para a morena que conseguiu segurá-la pelo braço. — Me solta.
– O que você tem? Por que está tão brava? Por que não resolve as coisas?
Brittany estava pronta para responder, mas seu olhar se vidrou na entrada, Sam surgiu com uma mulher morena, magra, dos olhos claros. Santana continuava a falar tentando chamar a atenção da mesma, mas era praticamente ignorada, sendo sua solução seguir o olhar fixo da loira.
– Quem é ela?
– Harmony, a garota da vez. — Brittany soltou seu braço da mão de Santana e saiu entre as pessoas.
"Eu cuido disso, nenhuma garotinha recém saída das fraudas vai chegar aqui e chatear a Pierce."
Santana vestiu seu melhor sorriso e aproximou-se de onde Sam se encontrava com a garota.
– Incrível festa, Evans. — Passou seu braço de maneira intima ao redor do pescoço dele, arrancando algo que ficou parecido com um grunhido da parte da morena ao lado. — Eu tenho certeza que com um homem excelente como você é, deve ter se esforçado muito para o seu filho ter o melhor.
– Pensei que visse o contrário, que Brittany tivesse dado um jeito de provar o contrário, mas fico feliz que tenha compreendido de como eu sou um bom homem, Santana. — Deixou sua mão pousar sobre o quadril da morena que forçou um sorriso para não demonstrar seu desconforto.
– Não, apenas estava te observando e agora eu sei o quanto podemos nos dar bem.
– Olha só, será que você pode desencostar? — A garota finalmente se pronunciou notando como o flerte ficava "mais intenso".
Santana virou seu rosto para garota dando um sorriso atrevido e depois se voltou para Sam.
– Quando se livrar da nome de pasta de dente infantil de marca barata, você fala comigo. Aliás, é um bom momento, se eu não me engano estão te esperando para tirar fotos entre família. Mulher, filho, pais, sogros... Sabe? – Virou seu rosto em direção de Harmony podendo ver como ela ficava um tanto retraída ao falar da família de Sam.
– Caraca, eu me esqueci disso. Meu pai vai me matar. Obrigada, Santana. Você é um anjo. – Deu um beijo na bochecha da latina e saiu a procura de seus familiares.
Santana discretamente limpou a região do beijo e depois se concentrou em Harmony.
– Quantos anos você tem mesmo, criança?
– Não sou nenhuma criança, eu já tenho 18 anos.
– Nossa, me desculpe, realmente tem uma grande maturidade na vida. – Ironizou. – Então vamos ter uma conversa de mulher, pra adulta em idade de cachorro, pra combinar. – Sorriu. – Você é uma piveta e eu não estou aqui pra julgar tuas atitudes, quem sou eu? “Ainda mais pra quem provoca a Pierce o tempo todo, né Santana?” – Pensou consigo mesma. – Mas eu me importo com você. Você é uma menina, nem imagina o que é ser amante de alguém e você não quer isso pra você, porque é muito criança, uma garota que pode encontrar o rapaz que quiser, não ficar aí se iludir, ele tem várias.
– Você parece ser uma delas e está com ciúmes.
– Não, não sou. Mas poderia ser e ele te largaria. Essa é a questão. Deixa de ser trouxa.
Santana voltou a se misturar e foi até a mesa central onde a família pousava para diversos fotógrafos.
“Como sorrisos bem dados pode esconder falsidade sem fim?” – A morena respirou fundo enquanto acompanhava a cena com reprovação.
– Uma moeda por seus pensamentos. – A latina virou seu rosto em direção ao rapaz de moicano.
– Uma moeda não paga nem uma meada deles.
– Você fala bem, se expõe bem, é uma pessoa muito destemida. Queria saber como aprendeu isso.
– Eu também, mas esse é o seu trabalho. Alguma novidade pra mim?
– Uma ótima! Segunda eu consigo sua ficha civil. É garota, acho que volta para casa rapidinho.
– Bom. Espero que a minha casa seja realmente um lar e não nada que se compare a isso. – Indicou com a cabeça a família a frente.
– Eu vou apenas sentir porque quando vier aqui não poderei ver uma coisa tão linda quanto você.
– Mas vai ser você a descobrir o meu endereço e meu telefone. Vou adorar ver todos vocês.
– Ah é, todos nós. – Disse desanimado.
Brittany saiu da pequena sessão de fotos e foi empurrada a pequenas entrevistas. Afinal, agora as tradicionais famílias Pierce e Evans controlavam o grande ramo de telecomunicações. Para ser mais específica a família Pierce era responsável por um grupo de marcas de revistas famosas, que envolve desde produções de conteúdo científico àquelas de conteúdo interativo e popular, bem como uma crescente editora. A família Evans controlava o tradicional meio de comunicação jornalístico, local e estadual. A junção das famílias trouxe quase que um monopólio e um destaque de ouro a sua marca, sendo reconhecidos por todos os empresários, uma vez que tinham controle e influência em todos os mercados.
Para aguentar tal tarde maçante, Brittany se amparava a bebida, para ela o fato mais pesado era não poder dar a atenção que seu filho necessitava e merecia naquele dia por ter que seguir o protocolo que seu pai lhe impunha. Também já não estava mais certa se Luca estava com sua mãe, com Sam ou até mesmo Lisa, que não tinha vindo a trabalho e sim como convidada, mas devido as atribulações da família se dispôs a ficar de olho no pequeno garoto. A loira deu graças quando, às 20h30 da noite, sua sogra deu permissão para que fosse cortado o bolo, Luca teve que ser acordado, o que a irritou ainda mais.
– Até que fim essa palhaçada acabou. – Britt dizia com a voz um tanto mole, enquanto aninhava o pequeno Luca nos braços para levá-lo de volta ao quarto.
– Você está cheirando a álcool. – A mãe a repreendia.
– Dane-se! – Esbravejou já pronta para sair, mas Fabio, pai de Sam, entrou em sua frente.
– Onde pensa que vai com o nosso meninão?
– Desculpa, senhor Evans, mas a festa acabou para gente. Vocês podem continuar aí, mas a nossa parte já foi cumprida.
– Não, nada disso. Eu ainda preciso proferir algumas palavras com meu neto no colo. Ajeite ele que eu vou fazer estas pessoas todas ouvirem algumas palavras, saberem da força da nossa família.
– Quer que as pessoas saibam sobre nós?
– Mas é claro!
– Então eles vão saber!
– É assim que eu gosto de ouvir, minha norinha querida. – O homem sorriu.
Brittany apenas deu um sorriso a ele e se direcionou para o salão onde se encontrava a maior parte das pessoas. Tentava manter o equilíbrio de seus passos, bem como ter os braços firmes para não derrubar seu filho, mas era completamente visível que já não tinha mais controle sobre as suas ações e era movida por seus impulsos estimulados pelo álcool. Sua visão estava turva, mas não o suficiente para não reconhecer seus amigos a frente.
– Vocês poderiam segurar Luca um instante?
– Britt, você está bem? – A morena baixinha dizia enquanto tomava a criança, que choramingava sonolenta.
– Eu não te vi comer nada, apenas beber. Acho que é hora de uma chuveirada, alguém está alegrinha demais.
– Bingo, Quinn! Nem ao menos precisou de Freud para obter uma boa análise de mim. – Riu com certa diversão que os demais desconheciam.
– Vem, eu te ajudo.
– Não, eu não preciso de sua ajuda, Noah. – Desviou-se dele o que fez seu corpo gingar devido ao seu desequilíbrio. – Eu tenho uma festa para acabar. – Piscou para os amigos e seguiu em frente.
– Ela vai fazer merda. – Rachel disse um tanto temerosa.
– Deixa. Estou pagando para ver. – Quinn sorriu.
A loira livrou-se de seus saltos em um canto qualquer da sala, pegou uma cadeira e arrastou até o meio do salão, chamando a atenção de todos, pois fazia questão de passar trombando em quem estivesse em sua frente, bem como arrastar os pés da mesma pelo assoalho, além de ter pedido que parassem a música de “macumba”, como Santana mesmo havia batizado. Já bem em evidência pediu ajuda a um dos garçons para que a ajudasse a subir na cadeira, o que foi suficiente para massa de jornalistas irem até ela. Pegou uma garrafa cheia na mão e convidou a todos a se aproximarem mais.
– Hãhã. – Limpou sua garganta e usou de seu tom de voz o mais alto que tinha. – Meu sogro disse que ele queria que vocês, queridíssimos convidados, tivessem, ou melhor, soubessem um pouco mais da nossa família. Não há muito o que dizer, só que somos um bando de hipócritas.
– O que ela pensa que está fazendo? – Rafael, pai de Brittany, mostrou-se de pronto irado.
– Isso, anota aí pra publicar no nosso jornal amanhã, Justos. HI-PÓ-CRI-TAS. – Silabou depois de reconhecer um dos jornalistas da empresa, em meio ao circulo que se formava ao redor de si.
– Tirem aquela garota de lá. – A senhora Evans dizia entre os dentes.
– Cadê a droga do seu filho para fazer isso? – A senhora Pierce devolveu no mesmo tom.
– Não ouse falar assim do meu menino.
– Menino? Ele é um canalha! É isso que ele é. – As senhoras entrarem em um atrito pessoal.
– Isso mesmo pessoal. – Britt continuava seu discurso. — Nós, como qualquer outra família tradicional, vivemos num mundo de mentiras e ilusões, em que fingimos que somos uma família perfeita e sem problemas, quando na verdade sentimos vontade de servir o fígado do outro pro jantar.
– Brittany, cala boca, desce daí. Você está bêbada. – O homem esbravejava ameaçando tirá-la de cima da cadeira.
– Papai, fique longe de mim ou eu atiro essa garrafa em alguém. – Cerrou seus olhos e falou com toda a raiva que havia alimentado durante o dia. – Espera que eu nem falei direito.
– Mas não é pra falar.
– Eu vou falar! Uma vez na vida eu vou falar. Você é o pior de todos, você não me ama, você nunca me amou. Me vendeu pro filho do seu melhor amigo, que só não é mais ambicioso do que você, além de ter uma mulher que é uma bruxa e faz questão de atormentar a minha vida. E sabe o que é pior? Eu tenho uma mãe que não me defende, não cuida de mim, como uma mãe faz. Mas fazer o que, não é? Um colar de pérolas e ela esquece que o senhor a chamou de burra durante o dia inteiro. Você é uma droga de pai. – Dizia agora com lágrimas nos olhos. – Não sabe o quanto eu te odeio por me casar com Sam, pois fiquem todos sabendo que não teve amor, ainda bem que tem prazo de validade de apenas cinco anos, mas foi tudo premeditado e agora estou casado com um galinha que me trai com qualquer rabo de saia. Aliás, uma das amantes dele está aqui hoje, dê um olá pro pessoal aqui Harmony. – Apontou pra garota morena que sentiu o peso do olhar de todos cair sobre si, tendo como única alternativa sair correndo do salão. – Sim, senhor Carlos. A sua doce filhinha está abrindo as pernas pro meu marido, perdão por falar assim, eu sei que o senhor é um dos nossos grandes acionistas e colaboradores, além de sonhar de promover o casamento da sua única filha, tão mais promissor que o meu, mas vai ter que baixar o nível, porque ela não é mais pura. – Começou a rir enquanto o homem se desfazia de vergonha e os convidados murmuravam, achavam graça ou maldizendo ainda mais a cena.
– Isso já chega, acaba aqui. Desça dessa cadeira agora ou...
– Ou o que? – Cortou o homem de maneira atrevida e desafiadora, algo que nunca havia feito na vida, estava realmente enfrentando seu pai.
Santana assistia a cena com certa diversão, eram atitudes que ela queria ter visto na loira desde o principio, mas sabia o quanto isto seria prejudicial a mesma no dia seguinte. Ela estava bêbada, sendo que em sã consciência nunca subiria em cima daquela cadeira. Precisava ajudá-la, precisava, na verdade, salvá-la. A latina atreveu-se a atravessar as pessoas a sua frente e parar diante da loira.
– Britt, olha pra mim. – Disse firme. – Chega, chega.
– Não era o que você queria de mim? Atitude? Não está bom pra você?
– Sim, sim, mas não assim. Quero dizer, você foi ótima. Mas Luca precisa da mãe sóbria e você extrapolou qualquer limite. Então solta essa garrafa e vem comigo. – Estendeu as mãos a loira.
Brittany respirou fundo e olhou para as pessoas ao seu redor, deu a garrafa para o garçom ao seu lado e estendeu suas mãos para segurar as de Santana, que após ajudá-la a descer a encaminhou em direção a cozinha.
– Então essa é a tal Santana Lopez? – Quinn perguntou a Noah, que apenas assentiu com a cabeça. – Gostei dela.
– Senhoras e senhores, foi apenas um pequeno inconveniente. Minha nora bebeu um pouco demais, acontece. Espero que desconsiderem todo o ocorrido, principalmente as palavras pronunciadas e voltem a aproveitar a festa. – Fabio tentou ser o mais simpático possível e depois sussurrou para Rafael. – Pode contar que isso terá conseqüências graves, Pierce. Se não sabe controlar sua filha eu terei que intervir em algumas coisas. – Se afastou completamente nervoso.
Assim que chegaram à cozinha, Santana puxou a cadeira para que Brittany sentasse e começou a abaná-la com as mãos em sua frente, notando como ela suava e “delirava” em seu “pequeno” estado alcoólico.
– Enfiou o pé na jaca, Pierce. Nunca imaginei. – Riu lembrando das imagens.
– Você gostou?
– Particularmente eu adorei. – Deu de ombros.
– Você não presta, sabia? Eu acho que eu me meti numa roubada, não foi?
– Bem, se tudo aquilo que disse for real, eu acredito que sim.
– Estava esperando algo do tipo: “não Brittany, você não se ferrou, quando acordar amanhã tudo estará melhor”.
– Quando você acordar amanhã você não vai conseguir nem que o chão te deixe firme, sua cabeça vai estar explodindo, além de ter que enfrentar sérios problemas. Difícil tentar te iludir assim.
– Você é má. – Balançou a cabeça um pouco tristonha.
– Estou sendo realista. – Afastou-se e foi preparar um café forte para cortar um pouco a embriaguez de Britt. – Tudo aquilo que você falou é verdade?
– A mais pura verdade. – A loira balbuciou sentindo o peso de sua cabeça.
– Até mesmo aquilo de prazo de validade do seu casamento? O que quis dizer com isso? – Estava realmente interessada.
– Hum... – Bufou. – Eu e Sam só podemos nos separar depois de cinco anos.
– Que? Por quê? Que loucura é essa? – Voltou a se aproximar da loira agora com uma xícara na mão.
– É uma das cláusulas do nosso casamento. Se eu pedir o divórcio antes, terei que pagar uma multa tão grande que praticamente viraremos acionistas comuns. E do contrário também vale.
– Mas e se os dois entrarem em um acordo? – Ofereceu a xícara a ela.
– Aí tudo bem. Mas não vai acontecer, porque isso quer dizer que estamos devolvendo a presidência para os nossos pais e Sam nunca aceitaria voltar a ser controlado pelo pai. De certa forma ele se sente importante assim. O bom? Praticamente três anos já se passaram. O ruim? Ainda tenho mais dois. – Moveu o ombro para trás e levou a xícara a boca sobre os olhares atentos da latina que parecia tentar compreender aquela história toda. – Credo, isto está uma droga. – Disse com a voz manhosa.
– Você precisa, Brittany.
– Brittany? Está brava comigo para me chamar assim? – Riu um pouco alto, levantou-se e deixou a sua xícara de lado na mesa.
– Não, apenas estou assimilando as informações. Sabe o que é mais engraçado? Eu gasto mais tempo tentando compreender a sua casa, a sua vida, do que tentando me lembrar da minha. De completar esse livro branco que me assombra.
– Sabe o que é engraçado? A minha forte vontade de te beijar agora.
As duas ficaram em silêncio, deixando que seus olhares se encontrassem e falassem por si. Logo um sorriso maroto surgiu nos lábios finos da loira, que foi correspondido por um mais malicioso da morena.
Brittany envolveu seus braços ao redor do pescoço de Santana e mordeu o lábio da mesma, enquanto a puxava mais para si. A latina deixou sentir a língua da loira que invadiu a sua boca, enquanto seus lábios se encontravam com desejo. Santana desceu a mão pelas costas e seguro firme na mesma, a outra segurou no quadril de Brittany que entendeu o recado e ajudou, desajeitadamente, a latina a sentá-la na beira da mesa.
– Você é tão gostosa.
A latina dizia enquanto suas mãos escorregavam pelas pernas brancas por baixo do tecido e apertavam sempre que chegavam na virilha, podendo ouvir suspiros pesados da mulher a sua frente. Brittany estava completamente maravilhada com cada sensação. Sexo era o que ela queria e sabia que com Santana seria bom, mas era mais do que isso, a cada toque ela se sentia ainda mais ligada a morena.
– Isso é tão bom, Santana.
Disse após sentir que a massagem da morena em seu centro sobre a calcinha. Segurou firme os cabelos negros e mordeu o lábio carnudo, puxando-o até se soltar sozinho. As duas abriram seus olhos e ficaram se fitando em sintonia, a loira sorriu ao ver o lábio avermelhado, o que a fez voltar ao beijo com mais vontade. Mas Santana decidiu não prolongá-lo muito, pois fez com que seus lábios deslizassem até o pescoço de Brittany dando longas chupadas no mesmo. Britt fechou suas pernas ao redor do quadril da morena e parou a sua mão na bunda dela, matando seu desejo de apertá-la, como em todos os seus devaneios com a latina, o fazia.
Santana começou a inclinar e a forçar seu corpo para frente a medida que o de Brittany fosse deitando sobre a mesa, a loira praticamente explodia de tesão com as carícias persistentes em seu sexo e deseja aquele prazer sem fim, mas teve que barrar a morena.
– O que foi? – A latina perguntou em meio a beijos no rosto da loira.
– Não da pra ser.
– O que? Ainda quer aquele joguinho? – Agora a latina a encarava um tanto contrariada. – Eu quero você, Pierce. – Parou com seus lábios entreabertos no queixo branco e chupou um pouco forte
– Eu também. – Disse se agarrando mais forte aos cabelos da latina. – Eu também quero muito e é por isso que eu não posso fazer isso agora. – Basicamente sussurrava já que sua voz estava fraca por conta de sua excitação. – Eu quero me aproveitar disso, San. Eu quero me lembrar disso amanhã. Você mesma disse, eu estou bêbada. Não quero que seja assim.
Santana passou sua língua ao redor de seu lábio, soltou o corpo de Brittany dando passos para trás, enquanto passava sua mão em meio a seus cabelos fazendo com que eles fossem para trás.
– Tudo bem. Eu concordo. Você precisa de um banho e cama. – Respirou fundo.
– Desculpa. – Disse um pouco tristonha com medo de ter decepcionado a mulher.
– Não tem que se desculpa, sério. Vai lá. – Indicou a porta com a cabeça, deixando um pequeno sorriso se formar em seus lábios.
Brittany apenas fez sinal positivo com sua cabeça, desceu da mesa e saiu praticamente se arrastando da cozinha. Santana encostou-se no balcão repassando seus últimos minutos.
“No que está se metendo? Bom, ao que parece por dentro do vestido de uma loira bem gostosa.” – Riu então sozinha. – “Quer saber? Sem retaliações, aproveite o tempo que tem nessa casa. E isto inclui a Pierce.”
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