Who are you?

25 Albany.


Notas iniciais
Gente, tô muito feliz pelo retorno positivo que eu tive do capítulo anterior. Obrigada por todo carinho! Agora vou logo matar a curiosidade de vocês. haha

O mundo de Brittany parou por alguns segundos quando ouviu aquela frase “ela se foi”, aquilo doeu de uma forma absurda, era como se ela tivesse tomado um murro bem no meio da barriga e outro no peito quando sua respiração falhou por alguns segundos.

— Como assim ela se foi? Foi pra onde? O que ela disse? Por que não me avisaram?

— Desculpe, senhora Pierce, mas Santana passou um bom tempo no celular e como saíram juntas, eu imaginei que de alguma forma ela tivesse a avisado. Ela não faz nada sem que a senhora saiba.

— Isso não é bom! Isso não pode ser bom! Mas o que ela disse? Ela não deixou nenhum recado?

— Não, ela apenas se despediu. Foi até abraçar a Berta... – Fez uma expressão um pouco estranha ao contar esse fato.

— Tudo bem, obrigada. – Rapidamente tirou seu celular da bolsa e começou a discar o número de Santana, levou duas chamadas até que fosse atendida. – Santana, o que você pensa que está fazendo? Pra onde você pensa que vai?

“- Uau! Falou até como se fosse a minha dona agora. Eu estou fazendo a coisa certa, Brittany. Eu vou atrás do meu passado. Eu vou me descobrir.”

— Você não pode fugir...

“- Fugir? Você acha que eu estou fugindo? Eu acabei de sair da empresa, Brittany. Eu ia te avisar que estou indo pra Albany, mas a Marley me informou que se sentiu indisposta e foi embora mais cedo. Eu tenho permissão da polícia pra viajar, passei a tarde negociando com o delegado. Assim que eu chegar em Albany, eu preciso me apresentar na delegacia de lá. Eu avisei até mesmo o meu advogado e com você eu queria falar pessoalmente, por consideração. Mas houve um desencontro.”

— Olha, me desculpa... E-eu não quis ser rude com você.

“- Eu já sei que não confia mais em mim. Eu gostaria de te culpar, mas não posso... Nem eu sei nada sobre mim e não sei se posso confiar em mim mesma. Mas não pode me recriminar por tentar.”

— Santana... – Quis dizer algo reconfortante, mas não conseguiu. – Olha... Tem certeza que quer fazer essa viagem? Pode ser perigoso e...

“- Brittany, não se preocupe. Eu agradeço tudo o que fez por mim até aqui, mas é hora de eu caminhar com as minhas próprias pernas. É um risco pra mim. Você está fora disso a partir de agora. Não precisa mais ser a minha babá e nem correr qualquer risco. Está livre desse fardo. Adeus.”

Aquelas palavras cortaram não só o coração de Brittany, mas o de Santana também, ela não queria ter sido tão fria, mas era necessário. Magoava profundamente o fato de Brittany não confiar mais nela, mas ela tentava o máximo possível se colocar no lugar da loira e compreender que não era uma situação fácil. Assim sendo, o melhor era buscar as respostas que precisava sozinha. Tinha que se focar 100% naquilo e sabia que seus sentimentos turvados por aquela crise, apenas viriam a confundir e roubar energias.

O que não queria dizer que ela havia desistido de Brittany, aquela altura sabia a dimensão e a intensidade de seus sentimentos, apenas queria fazer aquilo do jeito certo, queria ser digna. Do que adiantaria insistir numa mulher para mais pra frente perdê-la, pois descobriu que era uma assassina? Não! Brittany merecia o melhor dela. E o melhor, naquele momento, só poderia ser descoberto em Albany.

E uma coisa era certa, muitas surpresas a aguardavam naquela viagem.

Assim que chegou a cidade, como havia dito a Brittany, foi até a delegacia de polícia e se apresentou a delegada daquele distrito. Aproveitou principalmente para se colocar a par da investigação, já que os arquivos principais estavam lá e eram mil vezes mais completos do que os de Rochester. Com as informações a mais, ela foi pra um hotel, mesmo tendo a possibilidade de ir pra casa da família, entretanto não queria chamar a atenção, não ainda. Já estava anoitecendo e tudo o que ela precisava fazer só poderia ser resolvido no dia seguinte, durante o dia.

— Amanhã será um dia pesado. Vamos ver se eu vou ter motivos para dar Graças na quinta-feira. – Pensava solitária enquanto contemplava o teto do quarto, mas logo se virou de lado alcançando o celular, desbloqueou o mesmo pela milésima vez e constatou o que já sabia, nenhuma mensagem e nenhuma ligação. – Sinto sua falta...

A foto de Brittany com Luca no parque era seu protetor de tela, sorriu ao se lembrar daquele dia. Sorriu ao se lembrar que havia muito pelo que lutar.

Brittany fazia o mesmo processo de olhar o celular e rolar na cama, mas ela sentia um peso esmagador a mais sobre seu corpo.

— Eu queria você aqui... Eu queria estar com você aí.

Ambas tinham diversos problemas, mas mesmo assim a mente insistia em conectá-las, mesmo estando uma tão distante da outra naquele momento. E foi com o pensamento uma na outra que acabaram dormindo por exaustão.

Pela manhã bem cedo, Santana traçou um plano mental sobre quais passos seguiria primeiro. Pediu um café bem forte em uma cafeteria próxima ao hotel, hábito que havia adquirido de Brittany, e tomou o táxi rumo ao seu primeiro destino. Ela iria encontrar a sua avó. Foi difícil decidir que essa seria sua primeira ação, mas tinha medo de não conseguir mais tarde. Além do fato de que se pudesse enfrentar Alma Lopez, poderia tudo.

Assim que chegou a fazenda teve a sensação de que o lugar lhe era familiar, não podia afirmar com toda certeza de que já havia estado no local antes, mas ao mesmo tempo não lhe era estranho. Enquanto aguardava ser recebida por sua avó, tentou forçar a mente para conseguir alguma lembrança, no entanto não obteve sucesso. Porém, para sua felicidade, bem na sala de estar da casa havia diversas fotos de família, suas inclusive, que ela tratou logo de analisar. Era um bom sinal, certo? Sua avó ainda guardava algum apreço por sua pessoa? Ou então, não teria mais fotos dela ali. Iria descobrir isso em breve.

— ¿Que haces aquí? – A senhora que invadira duas de suas lembranças mais marcantes, agora se concretizava de forma real em sua frente, assim como seu desprezo que também se materializou.

— Abuela...

— Yo no soy más tu abuela hace años. – Interrompeu rancorosa. – Responda, o que faz aqui?

— Eu... – Mordeu seu próprio lábio segurando o suspiro, pois sabia que se não o controlasse iria ao choro. – Você é tudo o que me restou, vovó. Meus pais morreram, eu fui sequestrada, eu sofri um acidente, eu perdi a memória e eu não sei quem sou direito... Mas eu me lembrei da senhora, me lembrei de você tentando me proteger e depois me mandando embora... Eu só preciso de respostas.

— Você escreveu sua própria sorte, Santana.

— E eu não estou aqui para lamentá-la. Eu apenas preciso que me diga o que aconteceu. Eu sou uma pessoa ruim? É isso? Você não me quis mais por que eu te machuquei? A senhora acha que eu poderia ter matado os meus pais? Me responde, por favor, me fala o que acha, porque se minha própria avó disser que sim... Eu me rendo agora.

— Não faz ideia mesmo de nada, não é? – Pela primeira vez demonstrou alguma compaixão pela garota à sua frente, tamanho o desespero que ela expressava. Mas logo retomou a sua postura dura. — La familia toda parece que fue maldita.

— Por quê? Por que somos amaldiçoados? Fala algo. – Insistiu adotando a mesma forma dura de falar da mais velha. — Dígame lo que quiero saber que me voy, para siempre.

— O gênio ruim nunca muda, mesmo com o tempo, mesmo desmemoriada. – Relembrou. – O que quer que eu fale?

— Por que me mandou embora? Você me odiava? Eu fui má?

— Odiar? Eu te criei em baixo da minha saia, Santana. Enquanto seus pais viajavam por negócios por aí, eu te carreguei no colo. Eu fiz tudo por vocês. Por você, principalmente, eu te mimei. Mas nada disso teve valor pra você quando resolveu jogar o nosso nome na lama. Quando decidiu afrontar até mesmo a Deus. – Havia um pesar muito grande em sua voz. — Usted decidió ser lesbiana. – Finalmente tudo fazia sentido na cabeça de Santana quanto a ser renegada.

— Abuela...

— Eu já disse que não sou sua avó. Eu não sou avó de aberração nenhuma. – Santana não conseguiu mais segurar e as lágrimas rolaram por seu rosto.

— Foi só isso? Quero dizer, é por isso que não me ama mais? – Colocou as palavras de forma apelativa tentando tocar a avó.

— Se você quer saber se é uma pessoa má, não é. Não acredito que faria mal aos seus pais, não você. Mas há outra face... Eu testemunhei a seu favor, isso prova que eu não te odeio. Eu tinha orgulho de quem você se tornou, apesar de tudo. Mas isso não esconde seu defeito.

— Não fala assim. Eu tenho amor aqui dentro pela senhora, eu posso sentir quando te olho. Eu tenho certeza que eu nunca tive a intenção de feri-la. E eu não escolhi ser lésbica. Eu sou lésbica. E há uma diferença tão grande que eu gostaria que compreendesse...

— E eu gostaria que você fosse embora da minha casa.

— Abuela, me escucha, por favor...

— Eu não vou falar de novo. Vá embora, encontre o caminho que a trouxe até aqui e vá. Não posso mais ver esse rosto. – Saiu da sala nitidamente abalada.

Antes de sair Santana teve que recolher os estilhaços de seu coração que havia se partido mais uma vez. Ao mesmo tempo um leve alívio tomou seu peito pelas palavras de sua avó, ela não acreditava que fosse culpada e isso contava muito, mesmo que só pra ela e não para a justiça.

A latina usou o tempo que teve dentro do carro para se recompor, seu segundo destino exigia que ela fosse enérgica. Ela desejou mais do que tudo a presença de Brittany, a loira saberia o que lhe dizer e acharia uma forma dela se sentir melhor. Mas teve que fazer isso sozinha, teve que usar de toda sua audácia e sua irreverência pra não se deixar cair, pelo menos não antes de poder voltar pro seu quarto de hotel.

De dentro do táxi Santana observou a rua do seu segundo destino, uma avenida bem movimentada, cheia de prédios imponentes e de lojas das melhores marcas. O bairro nobre se destacava, só pelo estilo de roupa que as pessoas usavam. Santana também se observou por alguns segundos, pensando se estava de acordo com aquele padrão e principalmente para seu objetivo. Mas era tarde demais pra se preocupar com isso, seu carro havia finalmente chego ao seu destino. Ela pagou a corrida e agradeceu ao taxista, observou por algum tempo o prédio que deveria entrar. A empresa Lopez, a sua empresa.

— Nada pode ser pior do que ter enfrentado a sua abuela, Santana. Coragem! – Moveu seu corpo para dentro do refinado prédio e não deixou que nenhum detalhe escapasse aos seus olhos. A decoração luxuosa correspondia ao local. – É, acho que um pouquinho rica eu sou mesmo. – Ela entrou no elevador, que já ia se fechar, mas uma mão segurou a porta.

— Eu sabia que você viria até aqui alguma hora.

— Brittany? – Indagou surpresa.

— Achou mesmo que eu ia deixar você embarcar nessa loucura sozinha? – Se posicionou ao lado dela no elevador e soltou a porta.

— Você não parecia segura sobre o fato de estar ao seu lado.

— Não vamos falar sobre isso agora. Primeiro você vai fazer o que veio fazer e depois, com toda calma do mundo, vamos discutir isso. E eu vou cumprir com a minha promessa, eu não vou te abandonar e vou enfrentar com você o que for. – Segurou uma das mãos dela e as apertou com as pontas dos dedos, mas as soltou assim que o elevador indicou o andar que iriam descer e a porta se abriu. – Vá na frente, eu estarei bem atrás de você.

Santana se sentia confusa com aquela atitude de Brittany, mas achou por bem não confrontá-la naquele momento, já que ela teria um embate muito mais “perigoso” agora. Apenas usaria daquela energia boa que a loira lhe transmitia e todo o resto veria depois.

— Bom dia! – Encaminhou-se até a recepcionista. – Pode me indicar a sala da presidência?

— A senhorita tem horário marcado com o senhor Garcia? – Perguntou sem nem mesmo olhar para Santana, ocupada demais lixando as unhas.

— Eu não preciso de hora marcada, eu...

— Escute senhorita, o senhor Garcia é um homem muito ocupado. Agora mesmo ele está em uma reunião com o conselho e se não tem hora marcada, eu peço que se retire, ou volte quando tiver horário.

Brittany abriu a boca apenas observando a cena e sabia que aquele desdem não seria perdoado pelo temperamento explosivo da latina. E já se preparava pra rir das cenas seguintes.

— Escuta aqui. – Disse autoritária ao mesmo tempo em que puxava a lixa das mãos da recepcionista. – Meu nome é Santana Lopez e eu sou dona de tudo isso aqui, inclusive do dinheiro que paga o seu salário. Ou pagava, vamos decidir isso mais tarde, vai depender da sua agilidade para me indicar aonde é a sala de reuniões.

Brittany não queria e sabia que aquele não era o momento, mas não pode deixar de sentir um forte calor tomá-la ao ver Santana se posicionando daquela forma tão dura.

“Oh, Pierce! Agora não é o momento pra esse tipo de pensamentos, se concentra, por favor.” — Pensava consigo mesma.

— E-eu acompanho as senhoritas até a sala. – Levantou-se com o máximo de pressa que conseguiu e indicou a sala para Santana e Brittany. – É aqui. Precisa de mais alguma coisa senhorita Lopez?

— Sim, que saia daqui. – Falou irritada e assim que a figura da garota desapareceu, olhou pra Brittany que pode ler o medo que havia em seus olhos.

— Eu não sei o que você pretende, nem como poderei ajudá-la. Mas você é a Santana Fodona Lopez, você pode tudo. Você inventou a palavra coragem e ousadia. E eu estou aqui, bem aqui.

Santana não respondeu, apenas abriu a porta com cuidado, podendo ver um homem semi-calvo, baixinho e um pouco mais gordo falar.

— Como vocês podem ver nessa cotação, apesar da tragédia, o valor de nossas peças vem se valorizando cada dia mais no mercado. E nós contamos que com a proximidade das festas de final de ano, possamos lucrar ainda mais.

— Senhor Garcia, mas não teme que portas se fechem à medida que os rumores sobre a investigação de homicídio se alastrem? Muitos acionistas ainda estão desconfortáveis com sua permanência na presidência. Eles acham que é um “tapa buracos” e essa insegurança não os agrada.

— Essa resposta eu mesma posso dar. – Santana acreditou que aquele fosse o momento oportuno para se fazer presente. – Para quem não me conhece, meu nome é Santana Lopez, a filha e única herdeira de Roberto e Glória Lopez. Ou seja, por direito, a única presidente desta empresa. Tenho muito que agradecer ao meu tio postiço que assumiu tão corajosamente esse encargo de cuidar da empresa enquanto eu estive impossibilitada, mas se eu estou aqui nesse exato momento é para assumir, finalmente, o lugar que me é de direito. E também acalmar os nossos acionistas.

— Santana? – O homem a olhava como se visse um fantasma, enquanto um grande murmurinho se espalhava pela sala.

— Surpreso, titio? – Sorriu de forma cínica.

— Feliz! Quero dizer, a polícia havia dito que você tinha desaparecido...

— E o senhor nem se preocupou em me procurar, não é mesmo?

— Veja só... Eu tenho feito o que eu posso. – Tentava achar uma explicação plausível para o desinteresse do paradeiro da sobrinha, mas seu nervosismo era nítido. — São grandes responsabilidades. Mas bem, isso é algo que devemos conversar em particular, você e eu. Eu ainda não acredito que você esteja aqui.

— Eu imagino, mas estou aqui pra isso mesmo, para aliviar a sua carga e dizer que pode voltar a se preocupar com a sua vida. Eu tomo conta de tudo o que é meu daqui para frente. – Tomou seu lugar na cadeira que ficava na cabeceira da longa mesa sob o olhar atento de todos.

— Isso não é brincadeira, criança. São negócios sérios, não pode chegar aqui do nada e assumir um negócio que não faz ideia de como funciona. – Falou com o canto da boca, tentando chamar o mínimo de atenção possível e segurar sua irritação.

— Está me chamando de incompetente? – Formou uma expressão ofendida, enquanto seu tom soava alto. – Deixe-me esclarecer as coisas de novo, caso não tenha compreendido da primeira vez. Eu sou a única herdeira. Ninguém sabia de sua existência, porque você nem é irmão, de fato, da minha mãe. Os senhores sabiam que ele é um estranho pra família? – Se dirigiu agora pro conselho. – Que ele apenas se aproveitou da minha ausência e da falta de habilidade de minha avó idosa para assumir o posto, logo depois que meus pais faleceram em um acidente suspeito e sua fábrica faliu? – O murmurinho voltou a se instalar. – Desculpe, titio. Eu estou muito bem informada sobre o senhor, enquanto você não sabe nada de mim. Então não pode me chamar de criança, dizer que eu não entendo nada e muito menos me dar ordens. Eu vim pra ficar! Podem espalhar essa notícia por aí.

— Senhorita Lopez, nos desculpe, mas estamos todos intrigados. Onde esteve até agora? – Um membro do conselho indagou.

— Eu fui sequestrada no dia do funeral dos meus pais. Isso é um fato comprovado pela polícia, o que eles ainda não sabem é o motivo e por quem. Eu consegui fugir, fui atropelada e perdi totalmente a minha memória que está sendo recuperada aos poucos e foi assim que eu consegui chegar até aqui. Em nenhum momento eu fugi de minhas responsabilidades ou da polícia como quiseram fazer crer.

— Você está sendo indicada pela polícia como principal suspeita de assassinato. – Manoel a olhou com raiva e depois voltou seu corpo para o conselho. — É pra ela que querem entregar a presidência? Será um escândalo!

— Meu querido tio postiço está se esquecendo de dizer que ele também está sendo investigado. E escândalo vai ser se eu entrar na justiça afirmando que o senhor Manoel não tem direito algum de estar na empresa, enquanto eu sou a legítima herdeira. Logo agora que estamos na reta final do ano, como foi dito, uma das épocas mais promissoras para nosso mercado.

— O que você entende sobre gerir uma empresa? Você esteve à vida inteira fora.

— Com licença. – Brittany que até então esteve calada no fundo da sala, se pronunciou e caminhou até a frente, parando ao lado de Santana. – É nessa parte que eu me encaixo. Vocês devem me conhecer por nome, ou pelo menos conhecer a minha empresa. Meu nome é Brittany Susan Pierce Evans, eu sou dona da empresa de comunicação, a maior e mais famosa do Estado. Eu sou presidente, juntamente com meu esposo Sam Evans. E fui eu quem atropelou Santana e quem ficou responsável por ela todo esse tempo. Nesse período eu introduzi Santana a minha empresa, com a formação dela em Direito, ela fez parte do meu jurídico. E com muito prazer, com todo meu conhecimento, eu posso assessorar Santana nessa nova jornada, assim como eu fui assessorada pelo meu pai, Rafael Pierce, até que pudesse andar com as minhas próprias pernas. E eu tenho certeza de que Santana fará um ótimo trabalho, ela se demonstrou muito competente e ela desenvolvia um ótimo trabalho no Canadá também. Não é como se ela caísse de paraquedas no ramo de negócio. A empresa estará em ótimas mãos, eu asseguro.

— O reconhecimento de sua empresa é inegável, senhora Pierce. – Um dos conselheiros afirmou. – Mas quero que compreendam que estamos em uma situação delicada. Se nos derem licença, precisamos nos reunir em particular para estudarmos todas as possibilidades. Nós desconhecíamos o fato de Manoel não ser da família. E de como Santana foi afastada injustamente daquilo que lhe era de direito.

— Eu compreendo. Nós três iremos nos retirar para que vocês possam discutir o assunto. – Santana afirmou enquanto se levantava da cadeira. – Estarei aguardando na minha sala com Brittany. – As duas saíram e foram seguidas por Manoel.

— O que você está pensando? – Manoel segurou Santana pelo braço assim que saíram da sala. – Acha que pode chegar aqui de qualquer maneira e tentar me queimar na frente de nosso conselho?

— Nosso? Qual parte o senhor não entendeu? Precisa que eu faça um desenho? Não tem nada seu. Nada! Tudo aqui era do meu avô, pai do meu pai. Minha mãe se casou com ele e passou a ser dona também. Mas quem é você? Você nem irmão dela é de verdade. Não tinham qualquer contato que eu sei. E agora acha que têm direitos? Quer mesmo entrar nessa briga?

— Isso até você ser presa.

— Ou você. Porque agora, nada me tira da cabeça que você planejou tudinho. Inclusive o meu sumiço. Então, me desculpe se eu não mandei um cartão, se eu não liguei marcando uma visita. Mas eu não confio em você. Pode ser que eu não assuma a presidência, mas eu vou me certificar de que também não seja você. Então, eu recomendo que o senhor saia agora da minha empresa com as próprias pernas, antes que eu chame a segurança. Não se preocupe que todos os seus pertences que estiverem na minha sala, eu mando entregar ao senhor. Vamos Brittany.

Elas caminharam até a sala e Santana deixou seu corpo cair sobre a cadeira principal da mesa da presidência, enquanto um suspiro pesado escapava de seus pulmões. Brittany continuou de pé diante da mesa, com seus braços cruzados, observando a morena.

— Eu mal te reconheço! Por um momento eu pensei que a latina perigosa iria assumir a personalidade e esmagaria todo mundo. Mas pelo contrário, você foi bastante madura e conseguiu se segurar ao máximo pra ter uma conversa franca com seu conselho, sem esconder nada. Você é sempre tão corajosa e eu admiro muito isso em você.

— Eu nem sei como eu consegui isso, quero dizer, manter todo esse controle. Eu só tinha na cabeça que eu não podia decepcionar os meus pais.

— Obviamente não vai.

— Mas eu devo muito a você. Você me deu tanta força. – Sorriu de forma sincera. – Soube se posicionar no momento certo. Eu agradeço.

— Não tem que me agradecer. E falei super sério, eu posso perfeitamente te ajudar no que precisar.

— Você já tem muitos problemas na sua empresa. Eu não quero causar mais incomodo do que eu já causei. Quando você for embora de Albany, eu vou ter que me virar sozinha. Acharei alguém de confiança para me guiar.

— Você ainda não entendeu, não é mesmo, Santana? Eu não vou a lugar algum sem você.

Santana olhava a mulher a sua frente com um certo ar de confusão, o que divertia Brittany. Mas o fato é que para a latina, ela não podia ser a mesma mulher de um dia atrás. Aquela cheia de dúvidas, inseguranças e medos. Aquela que estava ali compartilhando o mesmo ar da sala com ela, parecia bem mais segura, bem mais resolvida e intrigante.

— Sabe, Brittany... – A fala dela foi interrompida pelo soar do telefone, o que a fez revirar os olhos. – Alô?

“- Senhorita Lopez. — A voz da secretária ainda era de grande receio quanto sua mais nova chefe. – Estão te aguardando na sala de reuniões.”

— Informe a eles que eu já vou. – Colocou o telefone no gancho e voltou a sua atenção para loira.

— O que está esperando? Vamos logo lá saber a decisão deles.

— Eu não estou me aguentando é de curiosidade por você.

— Eu já disse. Tudo ao seu tempo. Se mova, Lopez. Não quer deixá-los esperando e causar uma má impressão logo de cara, não é mesmo?

Santana teve que concordar em segui-la de volta até a sala de reuniões. Mais uma vez respirou fundo antes de entrar na sala, como se vestisse sua armadura e os encarou de cabeça bem erguida.

— O conselho deliberou. Fizemos algumas consultas prévias e sua história foi confirmada, senhorita Lopez. Nós queremos que assuma a presidência e que tome posse do que lhe é de direito. Não faria bem pra ninguém a empresa entrar em uma disputa judicial, ainda mais agora que está se desenvolvendo num ritmo tão bom.

— Isso é ótimo! Não irão se arrepender dessa decisão.

— Mas queremos que aceite que um membro do conselho lhe auxilie nessa nova jornada. Todos nós sabemos que como presidente a senhora Evans tem suas próprias responsabilidades. Dividir a atenção não fará bem nem para os negócios dela, nem para os nossos, por melhores que sejam as intenções.

— Eu compreendo. Mas juntamente com o seu membro, eu posso mandar um funcionário do meu jurídico para ajudar Santana? É que eles estão acostumados a trabalhar juntos. E creio que ela sentirá mais confiança. Afinal, quanto mais pessoas para instruí-la, melhor.

— Se for de seu agrado, senhorita Lopez.

— É sim. Vou me sentir mais confortável e segura. Entenda que são momentos de crise pessoal, mas quero dar tudo de mim.

— Eu vou conversar com nossos investidores, explicar nossa situação. Acredito que na segunda-feira pós feriado seja o dia mais indicado para assumir seu lugar. Ainda temos que mudar algumas papeladas também, burocracia já que antes quem presidia era Garcia.

— Segunda-feira estarei pronta. Mas se puder mandar esse tal membro entrar em contato comigo antes, eu agradeço.

— Será feito.

— Ah, e também quero trocar de secretária. Não precisa demiti-la não, mas quero uma nova. – Brittany não pode deixar de rir.

— Como quiser, senhorita Lopez. Se me dá licença.

— Toda.

— Meus parabéns, senhora presidente. – Brittany deu um abraço involuntário em Santana, que correspondeu, não podendo negar que seu corpo sentia saudades daquele calor. — Você é uma das mulheres mais poderosas do Estado. E eu estou muito orgulhosa de você.

— Obrigada, mas principalmente por estar ao meu lado.

— Uhum. – Um senhor de mais idade e que estava acompanhando a reunião, se fez presente ao arranhar sua garganta. – Não quero interromper...

— De forma alguma. – Brittany disse ao se separar de Santana. – Meu celular está vibrando, deve ser alguma ligação de casa. Vou deixá-los conversando a vontade.

— Obrigada. – Voltou sua atenção ao homem. — O senhor estava na reunião, posso ajudá-lo? – A latina perguntando se demonstrando prestativa.

— Meu nome é Herrera, Otto Herrera. Sou um dos membros e sócios mais antigos da empresa. Muito antes de seu pai assumir, eu estava aqui ao lado do velho Lopez, seu avó.

— É uma honra conhecê-lo!

— Eu carreguei não só o seu pai no colo, mas a você também. Conheço toda a sua família, Alma é uma mulher admirável!

— Então o senhor sabe muito sobre mim? Mais do que eu, presumo.

— Sim! Por isso mesmo não pude deixar de notar um erro na sua fala, que aliás, se repetiu por diversas vezes e isso me incomodou. Será que ela está ignorando, ou será que ela realmente não se lembra?

— Eu posso afirmar que eu não ignorei fato algum. Se há algo de errado me diga para que eu possa corrigir. Eu realmente não me lembro de muita coisa da minha vida. 85% dela, pra ser mais exata. Se puder me ajudar, serei eternamente grata.

— É incrível como se parece com sua mãe. Adorável, mas muito audaciosa. Ela sentiria orgulho. – Um sorriso sincero nasceu nos lábios de Santana, mas a curiosidade era maior.

— Eu agradeço muito os elogios.

— Não agradeça. Só é bom ver que algo dessa família se salvou. Porque você, Santana, não é a única herdeira dos Lopez como tanto ressaltou.

— Eu não sou? Isso quer dizer que eu tenho mais um tio perdido?

— Não, você não é. E é até gozado você ter se esquecido dessa pessoa.

O homem realmente tinha uma expressão de diversão ao pensar naquela informação, mas Santana apenas conseguia sentir calafrios.

— Você tem uma irmã, senhorita Lopez.

“Você tem uma irmã” essa informação deu tantas voltas em sua cabeça, que Santana pensou até mesmo que não tivesse ouvido direito. Irmã? Ela tinha uma irmã?

Notas finais
Muita gente já tinha levantado a teoria da Santana ter uma irmã, bem, aí está. Mas fica a dica, nem tudo é o que parece ser. haha O que acham que pode significar essa tal irmã da Santana? Comentem! Até quarta.