Who Will Be Hurt?

5 Cunhadas, não mais amigas.


Notas iniciais
Demorou muito pra sair esse capítulo. É eu sei, mas aqui está após muitos contratempos. Boa leitura!!

Maura poderia fingir e chamar aquela noite de recomeço e Jane fingia acreditar que aquilo seria um reinicio de uma amizade que a muito tempo deixou de existir, mas que ambas lutavam para disfarçar. Era uma noite de sexta feira, o Dirty Robber estava cheio. Como em um ritual religioso as duas se sentavam na mesma mesa de sempre, Maura bebia um vinho e Jane uma cerveja como de costume. O assunto entre elas pouco se desenvolvia, ainda se lembravam do que acontecera mais cedo e mesmo assim não tocavam no assunto, fingiam esquecer.

— Sabe Jane, eu estive pensando... Durante todos esses anos de amizade nos sempre nos encontramos aqui no Robber e poucas vezes fomos a um lugar diferente.

— Mas pra quê frequentar outro lugar Maura? Aqui eles têm o vinho que você gosta e na minha opinião eles servem o melhor hambúrguer da cidade. – Jane faz uma pausa para mais um gole de sua cerveja. – E você já parou pra pensar o quão seguras nos estamos aqui?

— Como assim seguras? Esse bar é como outro qualquer!

— Ah é? Você percebeu que a maioria dos policias que trabalham na central se reúnem aqui, se acontecer qualquer coisa todos já estão alertas.

— Eu não estou pensando nem em segurança nem em Hambúrgueres, eu só estou com vontade de fazer algo diferente, de ir a um lugar que nós nunca fomos antes, Jane. Me deu uma vontade de ir a um lugar mais movimentado e que de preferência tenha música.

— Numa sexta feira à noite você quer algo mais movimentado do que este? Quem é você e o que fez com a Maura?

Com um sorriso Maura começa a responder numa tentativa de persuadir Jane. – Sabe eu só quero tentar algo original, se o objetivo era retomar a nossa amizade, por que não nos damos a chance de fazer algo novo? O que me diz?

— Tudo bem Maura! Você mais uma vez me convenceu, afinal o que eu não faço por você?

Rizzoli pediu a garçonete para trazer a conta, enquanto imaginava que a noite mal havia começado e pelo visto iria demorar pra acabar.

— Eu tive essa ideia depois que vi um anúncio de uma nova casa de shows que inaugurou a pouco tempo. Apesar de tocar muita música eletrônica parece um lugar perfeito pra um fim de semana.

— Já vou logo avisando que apesar dos meus muitos anos de balé não estou nem um pouco a fim de dançar hoje, nem de pular no meio de uma multidão ao som da música eletrônica.

— Eu sei que você vai mudar de ideia, ou essa é só mais uma desculpa, pois você dança muito mal e não quer causar vexame? – Disse Maura com um tom de provocação.

— Quer saber?! Agora eu me senti ofendida, vou mostrar pra você quem é a mestre da dança.

— Então vamos detetive que essa eu quero pagar pra ver.

Em meio a risos as duas saíram do Dirty Robber e foram direto para a nova balada da cidade.

Quando chegaram encontraram o lugar lotado, era um ambiente completamente iluminado, havia pessoas de vários estilos, muita bebida e um som enlouquecedor.

— Vamos ao bar tomar uma bebida.

— Se conseguirmos chegar até lá.

— Que exagero Jane, o lugar não está tão apertado que não dê para andar. Vamos!

Quando chegaram ao balcão do bar se sentaram e pediram bebidas e ali ficaram durante algum tempo.

— Um whisky saindo! – Disse o barmen entregando o copo a Jane.

— Moço, me desculpe, mas eu não pedi isso!

— Aquela Moça loira ali na ponta do balcão foi que ofereceu a bebida a você.

Jane olhou para a mulher e recebeu um aceno e logo depois o retribuiu. Ela não se lembrava de tê-la visto antes, mas algo lhe pareceu familiar. Era uma mulher jovem e bonita, olhos azuis, cabelo loiro, trajando um vestido preto básico, mas que ao mesmo tempo não desvalorizava a sua beleza.

— Você a conhece? – Perguntou Maura.

— Não me lembro de ter visto antes.

— Então isso quer dizer que ela está dando em cima de você. Se aceitar a bebida sabe o que isso significa não é?

Jane sabia o que aquilo significava, era uma oportunidade perfeita para testar Maura, quem sabe arrancar dela um ciúme ou constatar que qualquer sobra de esperança havia acabado.

— Eu não sou de recusar nada que é de graça Maura e sem contar que seria uma desfeita não aceitar essa bebida.

— Você não entendeu o que eu quis dizer Jane.

Melhor do que você imagina Maura. Pensou enquanto provava a bebida com um canudo nos lábios.

Enquanto isso Maura percebeu que a loira se levantou do lugar de onde estava e caminhava em direção as duas.

— Falei pra não aceitar, ela já está vindo pra cá e agora eu vou ficar sobrando.

— Você que me convenceu a virmos até aqui e agora você vai ter que aguentar até o fim. Ok?

— Culpa desse seu terninho que chama atenção dessas mulheres.

— De novo Maura? Para de implicar com a minha roupa!

As duas se calaram ao perceber que a loira já estava perto e pronta pra se apresentar. Pronta pra atacar. Pensou Maura. E Jane foi a primeira a cortar o silêncio.

— Foi você quem me ofereceu a bebida não é mesmo? Obrigada!

— Na verdade já nos conhecemos, foi tão rápido que você nem deve se lembrar.

Como assim já se conhecem? E por que Jane iria mentir sobre isso pra mim? Os pensamentos de Maura eram um misto de fúria, raiva e ciúmes, mas por fora o seu semblante transparecia serenidade, calma e até um riso enquanto presenciava a conversa das duas.

— Desculpe, mas não me lembro de você. Qual o seu nome?

— Meu nome é Alisson Bianchini, fui a policial que estava na cena do crime hoje mais cedo.

Jane falou com uma voz de surpresa. – Nossa! É verdade, nem te reconheci sem o quepe e com esse vestido você ficou tão diferente... Irreconhecível.

— Uma roupa diferente para cada ocasião, aquela farda policial nos deixam tão masculinas, que quando saímos de dentro dela parecemos até outra pessoa. Por isso te entendo, é completamente normal não reconhecer assim de cara.

Maura deu um leve cutucão em Jane, tentando lembrá-la que ainda estava ali no ambiente.

— Essa é minha amiga Dr.ª Isles.

— Pode me chamar de Maura! – Disse enquanto estendia mão para um cumprimento.

— Também já a conheço, é a legista que está cuidando do caso da mulher carbonizada.

— Exato. – Maura não queria muito papo com a tal policial e pra deixar claro não tentava ao menos prolongar a conversa.

— Tem uma mesa vaga ali, quer se juntar à gente hoje policial Bianchini?

— Não quero incomodar! Vocês devem estar aqui pra curtir a noite, sozinhas.

— Imagine, não é incomodo algum. Vamos que dessa vez eu que pago a sua bebida.

— Topo, mas com uma condição detetive Rizzoli.

— Qual?

— Que você me chame de Alisson, não de policial Bianchini, vamos deixar isso para o trabalho.

— Aceito se você também me chamar de Jane.

— Ok, sem formalidades hoje!

Maura olhava tudo indignada com a atitude de Jane, primeiro por ter convidado aquela mulher sem perguntar se ela se importava e segundo por ninguém ter perguntado como ela gostaria de ser chamada, mesmo ela já tendo dito. Claro, estava tendo um ataque por necessidade de atenção. Estava começando a se sentir literalmente jogada pra escanteio.

A noite ia passando, a conversa entre Jane e Allison ia ficando cada vez mais intima e Maura cada vez mais ausente. Ela percebia as verdadeiras intenções daquela policial, o jeito de falar, olhar, os sorrisos que ela mostrava a cada vez que Jane dizia algo, até mesmo se não fosse engraçado. O que Maura tentava descobrir era se Jane não via todos aqueles sinais porqueela estava sob o véu da ingenuidade ou se ela estava consciente daquilo e gostando de todas aquelas flertadas da Alisson.

— Então Jane, você está namorando ou apaixonada por alguém? – Perguntou Alisson.

— Até recentemente eu estava namorando, mas acabou não dando certo, hoje eu estou solteira.

— Mas você não me respondeu se estava apaixonada, está?

— Não! Como dizem: meu coração está livre.

Não foi o que você me disse a pouco tempo atrás Jane. Mas tudo bem se for pra seguir em frente que assim seja. Os pensamentos de Maura estavam cada vez mais afiados.

Alisson colocou as mãos sobre as da detetive e ao mesmo tempo o olhar continuou fixo nela, como se estivesse tentando sugerir algo. – Não se preocupe Rizzoli, eu tenho certeza que você logo vai encontrar alguém pra se apaixonar. – Jane consentiu sorrindo em sua direção.

Maura não aguentava mais ficar e suportar toda aquela sedução que a policial tentava jogar pra cima de Jane.

Poxa! Ontem havia me dado um beijo e hoje está aceitando todas essas cantadas na minha frente, na maior cara de pau. Está bem que rejeitei a ideia de ficarmos juntas, mas mesmo assim acho que mereço mais respeito da parte dela. Preciso respirar e sair daqui agora mesmo!

— Com licença garotas, preciso ir ao toalhete!

— Claro Maura pode ir, ficaremos aqui! – Jane permanecia com os olhos fixos em Alisson, deixando em Maura a sensação de estar sendo ignorada.

A loira chegou ao local reservado aos banheiros. Viu uma fila enorme de Mulheres em direção ao banheiro masculino e a fila para o feminino estava completamente vazia, mesmo assim ignorou aquilo e passou direto, dando graças aos céus por não haver ninguém.

— Ei moça! – Gritou uma mulher. – Esse banheiro não está funcionando, vai ter que ir pro final da fila.

— Quer dizer que as mulheres têm que usar o banheiro dos homens?

— Essa é a única opção.

— Mas essa boate não foi recém-inaugurada? – Perguntou Maura indignada.

— Que nada querida! Sempre eles colocam propaganda dizendo que está inaugurando, mas é tudo mentira, é só pra trazer mais clientes.

Não acredito! – Pensou Maura, enquanto caminhava desanimada até o final da fila. – O dia hoje começou de uma forma tão ruim e eu só queria que a noite terminasse bem, de um jeito animado. Mas tudo isso pra quê? Só pra ver Jane sendo paquerada por aquela loira oxigenada que mal saiu das fraudas pra depois eu ter que ficar numa fila enorme rumo ao banheiro masculino de uma boate de quinta. Dá pra ficar pior? Mas qualquer coisa é melhor, até essa fila, do que ficar e olhar toda aquela cena e ter que me conter a todo estante.

[...]

— Sabe Jane? Tô com uma vontade de dançar, que vir comigo?

— Não! Eu não sou muito boa nisso!

— Ah! Qual é! Vamos. Eu te ensino.

— Mas eu disse que esperaria a Maura.

— Vem! – Disse Alisson puxando Jane pelas mãos. – Vamos nos divertir, se ela quiser vai nos achar.

— Ok, mas só uma dança!

De repente as duas se perderam no meio daquela multidão de pessoas, quase não havia espaço, obrigando as duas a ficarem cada vez mais próximas uma da outra. Jane já estava um pouco mais solta do que de costume, tudo por conta das bebidas que experimentou durante a noite. Se esqueceu de que queria apenas dançar uma música, se esqueceu do que havia dito a Maura, que iria espera-la na mesa e se esqueceu até da própria mentira ao dizer que não sabia dançar.

Enquanto isso Alisson se aproveitava da desinibição de Jane e cada vez mais tentava se aproximar dela, dançando de um jeito sensual.

Agora a policial já havia grudado na cintura de Jane, a música ainda continuava com o ritmo rápido e estranhamente os passos de Alisson foram ficando na medida do tempo mais pausados.

— O que ouve? Está cansada? – Perguntou Jane.

— Não só quero dizer uma coisa.

— Vá em frente!

— Lembra quando eu te disse que você iria encontrar alguém pra se apaixonar? Pois é, eu quero ser essa pessoa e hoje é o seu dia de sorte. – Alisson foi se aproximando de Jane que não se esquivou, passando a ideia de consentimento, dando-a permissão para avançar. O beijo aconteceu de uma forma lenta no meio de várias pessoas que dançavam aceleradamente conforme a música.

[...]

Assim que Maura saiu do toalhete, depois de uma longa espera em uma fila nada agradável, foi se encontrar com Jane apenas para dizer que estava indo embora. Quando chegou a mesa onde estavam já havia outras pessoas, então começou a procurar Jane em meio à multidão.

Depois de passar por alguns empurrões e apertos viu a cena que não esperava. Qual? Vocês já devem imaginar, Alisson e Jane trocando beijos dentro da boate, sem se importarem se estavam sendo vistas. Maura não sabia de onde vinha aquele sangue frio que corria em suas veias, conseguiu ficar e olhar aquela cena por alguns segundos.

Há pouco tempo havia acabado de se declarar para mim e agora está beijando outra garota merecendo até uma plateia. Antes se importava com que os outros achavam dela e hoje, sem nenhum pudor, fica com ela diante de todos. Mesmo que sejam todos estranhos, você não teve essa mesma coragem e atitude comigo Jane. Ontem beijou sua melhor amiga e hoje uma desconhecida. Pode ser até que entre nós só possa existir a nossa amizade Jane, mas você não deveria fazer isso comigo, não hoje, não agora.

Depois de acabar o efeito do sangue frio, Maura só pensava em sair dali o mais rápido possível. Seus olhos já estavam vermelhos de tanta raiva, o que a deixava com uma aparência irreconhecível, muito diferente com a imagem doce que ela passava.

Após sair da balada Maura entrou em seu carro. Enquanto ligava a chave pensou: Jane está sem carro, tenho que avisá-la que vou embora... ah pouco importa – deu de ombros – se ela quiser chame um taxi, ou se não, pode ir na companhia daquela mulherzinha, com certeza vai ser bem melhor do que a minha!

Quando chegou em casa torceu para que Frankie estivesse dormindo.

— As luzes já estão apagadas! – Maura estacionou o carro e entrou em casa. Fechou a porta cuidadosamente e em seguida tirou os saltos numa tentativa de não despertar o marido com qualquer barulho e não ter que falar sobre nada daquela noite. Subiu delicadamente os degraus das escadas até chegar ao quarto. Deu uma conferida para ver se Frankie estava dormindo, como não viu sinais que evidenciassem que ele estava acordado se dirigiu até o banheiro e tomou um rápido banho e logo depois já estava pronta para dormir. Mesmo com o relógio marcando 3:00 horas da manhã, dava tempo suficiente pra não acordar tão cansada e ir para o trabalho.

Enquanto Maura deitava sorrateiramente na cama notou o seu marido se mexer.

— Maura? Onde estava? Te liguei diversas vezes hoje e você nada de atender.

— Eu estava com a Jane, fomos até uma boate, péssima por sinal.

— Então quer dizer que vocês fizeram as pazes?

— Nunca disse que estávamos brigadas, foi somente um estresse, normal de amigas.

— Sei! E por que não me avisou onde estava ou não me convidou para ir com vocês.

— Foi uma decisão de última hora, mas prometo que na próxima não vou me esquecer de você.

— Então vem cá, me deixa dormir abraçado a você, hoje nem tive a oportunidade de ficar com a minha esposa. – A loira se rendeu ao abraço, ficou por algum tempo com os olhos abertos, não conseguia fecha-los, os flashes daquela noite iluminavam sua memória.

[...]

Jane tocou os ombros de Alisson afastando-a se si. – Me desculpe Alisson, mas não quero me envolver com ninguém agora.

— O seu ex-namorado te deixou com tanta mágoa assim?

— Isso não tem nada a ver com ele. Eu só não quero te dar falsas esperanças.

— Tentar não vai me dar falsas esperanças Jane, eu não sei o que te deixa tão insegura, mas eu espero. Não se preocupe com relacionamento, afinal nos conhecemos hoje. – As duas riram.

— É verdade. Bom, eu preciso ir agora. Você sabe, esse caso vai me tomar bastante energia amanhã, tenho que descansar um pouco. Vou procurar a Maura.

— Tudo bem, oportunidade não vai faltar pra eu encontrar você de novo certo?

— Ok! Já tenho o seu telefone e estamos ligadas ao mesmo caso. Até logo!

— Até!

Em um instante Jane desapareceu na multidão a procura de Maura, revirou todo o local e nada. Quando ligava o telefone só dava fora de área. Maura me deixou na mão! Pensou. Depois de ter se convencido que Maura já havia ido embora e a deixado a pé, a morena pediu um taxi para voltar pra casa.

[...]

A luz do sol iluminava o quarto de Maura a despertando, em poucos minutos já estava pronta para começar o dia.

— Vai mais cedo hoje para o trabalho? – Perguntou Frankie.

— Sim, preciso terminar a necropsia na vítima.

— Quer que eu te leve?

— Adoraria.

Dor de cabeça, tontura são alguns dos efeitos da ressaca e era o que Jane sentia agora ao acordar. Para ela a noite não foi tão ruim assim, até que conseguiu se divertir, mas sentia que precisava encontrar Maura para saber o que havia acontecido, pois não era do seu costume sair sem avisar. Então se arrumou rapidamente e mesmo atrasada para o trabalho preferiu passar antes na casa de Maura.

Quando chegou não havia mais ninguém, só o silêncio e nenhum sinal de vida. Havia perdido a viagem e agora tinha que dirigir correndo até o departamento.

[...]

— Bom dia Ângela! – Disse Maura ao sentar na mesa da cantina.

— Bom dia Maura! Aceita um café?

— Claro.

Enquanto Ângela colocava o café, aproveitava para atuar como detetive, claro toda mãe é uma investigadora nata. – Soube que você e Jane brigaram, me perdoe, mas, quantas vezes eu vou ter que dizer que isso é coisa de pessoas imbecis, vocês são como irmãs. Parem com essa birra e voltem a ser amigas!

O conselho de mama Rizzoli soava quase como uma bronca aos ouvidos de Maura.

— Tudo bem Ângela, tudo já foi resolvido. Nem sei quem contou ou como você soube disso, mas as coisas não foram bem assim. Foi apenas uma conversa com alguns desentendimentos entre mim e Jane.

— Como você pode dizer que foi tudo uma conversa se a Susie ouviu os berros no seu escritório e reparou que você havia chorado. – Ao perceber que havia acabado de deixar escapar a sua informante, Ângela levou a mão sobre a boca como se quisesse repreender-se por falar demais.

— Então quer dizer que foi a Susie que espalhou a fofoca?

— Não a culpe, fui eu que a forcei a dizer. E seja lá o que aconteceu supere isso Maura e dê um desconto a Jane. Ela acabou de terminar com o Casey. Ela finge que não se importa, mas ela ainda está muito machucada. Tudo que eu queria é que ela encontrasse um homem comum, sabe? Que entendesse o trabalho dela e que me desse netos. Um homem como o Giovani.

— Eu tenho certeza que homens como o Giovani não fazem o tipo dela. Aliás, onde está a Jane?

— Até agora ela não chegou. Estranho! Hoje é o plantão dela no sábado, normalmente ela não se atrasa. Deve ter ocorrido algum imprevisto.

Já sei até que tipo de imprevisto foi esse. – Pensou Maura. – Ela foi pra casa da Alisson, depois aceitou beber mais alguma coisa, como se já não estivesse muito saidinha pra isso e acabou ficando com a tal policial, já pela manhã, acordou completamente bêbada e nua na cama de outra mulher, mas claro, tudo isso por conta de um pequeno imprevisto.

— Lá vem ela. – Disse a mama Rizzoli ao ver a filha chegando. – Onde você estava, dormiu demais?

— É! O que aconteceu Jane? Ficou muito cansada depois de se divertir tanto com a sua nova amiguinha?

— Eu é que te pergunto Maura. O que deu em você pra sair sem avisar, me deixando sozinha? Tive que voltar de taxi pra casa.

— Eu apenas não queria interromper toda aquela cena entre vocês, achei inapropriado da minha parte fazer isso, então resolvi ir embora.

Ao ouvir aquela explicação Jane teve certeza que Maura presenciou o beijo entre ela e Alisson.

— Que cena foi essa Jane? – Perguntou Ângela.

— Nada mãe! Só estava um pouco bêbada, apenas isso, nada demais.

— Tome um café então! Espere que eu vou preparar pra você.

— Aproveitando que a minha mãe esta longe, eu preciso ter uma conversa com você Maura. – Falou Jane enquanto sentava-se a mesa.

— Nem precisa se dar ao trabalho de me explicar o que aconteceu ontem, se é isso o que você quer conversar. Você precisa conhecer novas pessoas e eu respeito isso.

— Tem certeza Maura? Parece que algo ainda te incomoda. Como o modo que você saiu ontem, demonstra que nem tudo está resolvido.

— Você tem razão, eu estou tentando seguir em frente, fingir que nada existe entre nós, mas agora que sabemos o que nos duas temos em relação à outra, torna tudo mais difícil. Difícil de fingir, de sermos amigas, de estar com o Frankie sem sentir nenhuma culpa, não posso conviver mais com isso Jane.

— O que você quer dizer com isso Maura? Quer dizer que vai aceitar o meu pedido, que vai...

— Aqui não Jane, vamos conversar no meu escritório, lá é mais reservado. – Falava a loira enquanto se levantava da cadeira.

— Você tem razão. – Disse Jane com os olhos brilhando. Brilhando pela esperança que de repente se ascendeu nela, brilhando pela possibilidade de Maura perceber que o sacrifício de um casamento infeliz, mesmo que fosse com o seu próprio irmão, valia menos que o amor que elas sentiam, um amor verdadeiro, puro e completo, mesmo sem tê-lo experimentado plenamente. Seus olhos brilhavam só por imaginar todo um futuro que tinham pela frente, juntas sem amenos lembrar que aquilo custaria o ódio do seu mais próximo irmão.

— Cadê elas? Nem esperaram eu voltar com o café.

Pouco tempo depois as duas já haviam chegado à sala de Maura.

— Então, a conversa que você quer ter é a continuação da anterior ou dessa vez você tomou uma decisão diferente?

O semblante de Maura era pensativo, como de alguém que procurasse na imensidão de todas as palavras existentes, aquelas que juntas expressassem o melhor e verdadeiro sentido do que deveria ser dito. Depois de dar uma volta em sua mesa parou de costas para a morena, que cada vez mais ficava apreensiva com o que Maura tinha a dizer.

— Fala logo de uma vez Maura, seja o que for eu aguento.

A loira agora estava de frente a Jane, seus olhos eram como represas prontas para explodirem, pois não se continham com as inúmeras lágrimas prontas para escorregarem nos finos traços do seu rosto.

— Eu sei que foi muito rápido o modo como tudo isso veio à tona, porém eu pensei muito no que eu iria dizer para você Jane. Foi muito complicado chegar a esse resultado. O que eu vou dizer vai ser difícil pra nós, mas é a decisão mais certa a ser tomada nessa circunstância.

— Qual é essa decisão?

— Temos que dar um fim na nossa amizade. Não há como manter essa hipocrisia, sermos amigas e ficarmos com ciúmes uma da outra. Quanto mais estamos próximas, mais eu tenho vontade de trair o Frankie e isso não é certo Jane, ainda mais você sendo a irmã dele. Como existir alguma amizade sincera se o segredo já foi revelado. É melhor que o nosso contato seja apenas profissional, nada além disso. Claro que não vamos nos evitar nas reuniões de família, por que é isso que nós somos agora, cunhadas e não mais amigas.

Notas finais
Parece que tudo terminou mesmo entre as duas ou será que a intenção da autora é fazer com que as personagens sofram um pouco? Ah! Eu não sei.