White Roses

1 Capítulo Único


Notas iniciais
Vi esse prompt no twitter e tive essa ideia em homenagem ao dia de finados, espero que aproveitem. Boa leitura!

Regina acordou sozinha em sua cama, olhou ao redor e o quarto estava totalmente escurecido. A única iluminação provinha dos raios de sol que passavam pelas frestas da janela, insistindo em tentar iluminar o ambiente. Fechou os olhos e se cobriu totalmente com as cobertas, estava tendo um começo de enxaqueca e só queria voltar a dormir. Tateou embaixo do travesseiro a procura do celular, encontrou o aparelho e acendeu a tela, verificando que não tinha nenhuma nova mensagem ou ligação.

O papel de parede era uma foto sua, de Emma e Henry no aniversário de treze anos do garoto. Elas estavam de mãos dadas e ajudavam o filho a apagar a vela de um enorme bolo de chocolate, feito pela própria Granny que insistiu em realizar a festa em sua lanchonete. Sorriu lembrando-se daquele dia, era uma das memórias mais felizes que tinha de sua familia.

Destravou o celular e foi direto para a galeria, tinha uma pasta com fotos sua e de Emma. As duas dançando no dia de seu casamento, na piscina enquanto Henry jogava agua nelas, uma outra de quando Emma tinha se mudado para a mansão de vez.

Regina também lembrava muito bem desse dia. Emma chegou com seu terrível fusca amarelo e aquela jaqueta vermelha horrorosa, as malas no banco de trás e um sorriso descarado no rosto. Simplesmente entrou e anunciou que estava se mudando para lá.

Regina amava isso, aquela ousadia da loira. Amava Emma.

Fechou a galeria e abriu a parte de mensagens, procurou o nome da esposa e digitou: Bom dia meu amor, acordei com uma forte dor de cabeça. Acho que hoje não vai ser facil, espero que voce esteja bem. Eu te amo.

Terminou de digitar e enviou. Esperou cinco minutos e não recebeu nenhuma resposta.

A porta de seu quarto se abriu e um adolescente alto e magrelo entrou, os cabelos pretos estavam bagunçados indicando que tinha acabado de despertar. Se enfiou na cama da mae e a abraçou, repousando sua cabeça em seu colo. Henry se encontrava agora com dezessete anos, era quase um homem feito e em poucos meses deixaria a mansão para cursar a universidade.

– Bom dia, mae. – Ele disse, ainda se apertando contra o corpo da morena, em busca de algum conforto.

– Bom dia, querido. – Regina passou a ponta dos dedos no cabelo do filho, tentando arruma-los de alguma forma, mas era impossível. Nisso ele e Emma eram iguaizinhos, os cabelos rebeldes, a cara amassada e o jeito carinhoso logo pela manhã. – Dormiu bem?

– Sim, e a senhora?

– Dormi bem.

Depois de mimar o seu filho por um bom tempo, Regina se retirou para o banheiro. Tomou um longo banho relaxante, queria assim afastar essa dor de cabeça incomoda. Colocou um vestido azul escuro e sapatos de salto alto, se olhou no espelho e aprovou a imagem de si mesma. Emma adorava aquele vestido. Escovou os cabelos e fez uma maquiagem, usando seu inseparável batom vermelho.

Desceu as escadas e sentiu cheiro de algo queimando, uma fumaça vinha da cozinha e ela correu até lá, encontrando Henry no fogão com uma frigideira na mão e uma espátula na outra.

– Desculpa, eu estava tentando fazer panquecas. – Ele olhou para a morena realmente arrependido de ter quase destruído a cozinha, mas Henry só estava tentando fazer aquele dia ser um pouco mais fácil.

– Tudo bem, querido. Pode deixar que eu faço o nosso café da manhã. – Regina sorriu, o filho era igual a mae biológica nesse departamento. Uma negação completa.

Se tinha alguém que era um perigo na cozinha, esse alguém se chamava Emma Swan. E aparentemente ela tinha passado isso para Henry.

Regina preparou rapidamente panquecas e um suco para ela e o filho, o menino comeu apressado pois queria chegar logo a escola. Assim que terminou, deu um beijo na testa da mae e se despediu, prometendo passar as quatro horas na prefeitura para ir busca-la. A morena vestiu um sobretudo preto, pois o tempo estava nublado e um pouco frio la fora, e saiu para mais um dia de trabalho.

No caminho viu Gold e Belle, eles seguravam um buque de rosas brancas e iam em direção ao cemitério, provavelmente visitar o falecido Neal naquele dia de finados.

Ela parou no sinal que estava vermelho, indicando que não poderia sair com o carro ainda. Pegou o celular e verificou que não tinha nenhuma mensagem nova, abriu a conversa de Emma e digitou:

Henry me fez uma surpresa hoje, tentou fazer panquecas. Ele também é horrivel cozinhando, igual a voce. Vamos ir te visitar mais tarde, estou com saudades.

Poucos minutos depois e ela estacionou em frente à prefeitura, desceu do carro e adentrou o prédio. Assim que sua presenta foi notada alguns funcionários lhe lançaram olhares temerosos, e outros até de pena. Regina ignorou a todos e foi direto a sua sala, se trancando la dentro.

Sentiu o rosto arder, e algumas lagrimas escaparam. Secou-as rapidamente e pegou o celular de novamente para mandar mais mensagens a esposa. Aquilo de que as pessoas se viciam em mensagens de texto era verdade, Regina tinha adquirido esse hábito a alguns meses e agora sempre que podia estava mandando algo para Emma.

Eles me olham como se eu fosse enlouquecer a qualquer instante. Eu sei que perdi meu caminho nos últimos meses, mas é compreensível, certo? Qualquer um estaria mal se passassem pelo que eu passei.

Enviou e se sentou na cadeira, encarando o celular a espera de uma resposta. Uma resposta que nunca veio.

Escutou batidas na porta, enxugou as lagrimas e permitiu que entrassem. Snow apareceu com um sorriso triste e um buque de rosas brancas nas mãos. Se aproximou da mesa e depositou as flores em frente de sua nora.

– Olá, Regina. Como está hoje? – Ela perguntou carinhosamente para a prefeita.

– Do mesmo jeito que todos os dias, o que veio fazer aqui? – Regina resmungou. Não estava afim de receber visitas hoje, muito menos da sogra. As únicas pessoas que queriam ao seu lado naquele momento eram Henry e Emma.

– Será que voce pode levar? – Apontou para as rosas. – Eu ainda não tenho coragem de ir até lá. – Uma lagrimas solitária escorreu pela bochecha de Snow, e Regina sentiu compaixão pela mulher.

– Sim, eu vou com Henry mais tarde. – A morena confirmou, e logo sua sogra deixou a sala rapidamente.

Num reflexo, Regina agarrou o celular e mandou uma nova mensagem.

Voce gosta de rosas brancas?

Era até irônico, tanto tempo juntas e ela não nunca tinha se dado ao trabalho de perguntar suas flores favoritas. Mas achava que rosas brancas eram apropriadas. Significavam paz, e isso era o que Regina mais desejava nos últimos meses, visto que sua vida tinha se transformado num pesadelo sem fim.

O restante do dia passou devagar e tranquilo, sem mais choros. Regina assinou diversos documentos, e até participou de uma pequena reunião com alguns cidadãos preocupados que insistiam em tentar sair da cidade, mesmo que a linha de limite impedisse isso.

Quando o relógio bateu quatro horas, seu celular vibrou e ela quase caiu da cadeira com o susto. Destravou rapidamente e foi até a parte de mensagens, na esperança de que fosse uma resposta de Emma, mas era de seu filho.

Me desculpe mae, eu não posso ir hoje. Voce entende, não é? Eu te amo, beijos.

Regina entendia. Ela não queria passar por aquilo sozinha, mas entendia o desejo de Henry de não querer ir. Abriu a conversa de Emma e lhe mandou uma nova mensagem.

Henry não vai hoje, ele disse que não consegue. Mas não se preocupe, eu irei te ver.

Regina deixou o escritório segurando o buque de rosas brancas, não usou o carro, decidiu caminhar pela cidade. Depois de vinte minutos alcançou a entrada do cemitério, e pouco tempo depois estava em frente à entrada do seu cofre.

Entrou no mausoléu, e onde antes se encontrava o tumulo de Cora, agora continha um caixão de mogno com os dizeres: Emma Swan.

Se aproximou lentamente e depositou a flores em cima do caixão, passando os dedos em cima do nome da esposa. Lembrou-se de meses atrás quando Emma se sacrificou por Regina, sendo sugada por um vórtice negro e desaparecendo para sempre. Ela tinha procurado incessantemente pela esposa, tanto em Storybrook quanto na Floresta Encantada, mas Emma tinha ido de vez. Nunca encontrada, a única explicação que seus familiares encontraram era que ela estava morta.

– Eu sinto tanto a sua falta, Emma.

As lagrimas escorreram novamente, e dessa vez ela não limpou. Desde que Emma tinha ido, um vazio tomou conta de seu coração, e a única coisa que a mantinha estável era o filho das duas. Não podia se permitir enlouquecer pela saudade, precisava estar lá para o que Henry precisasse.

Uma fumaça negra tomou conta do ambiente, envolvendo o corpo de Regina e embaralhando seus sentidos. Sentiu seu corpo ser puxado para cima, e rodopiou por alguns segundos. Quando abriu os olhos, se encontrava em uma parte isolada da floresta. Olhou para frente e seu coração quase parou, não querendo acreditar no que estava vendo.

Ali em sua frente encontrava-se Emma, vestida totalmente de preto e couro, os cabelos quase brancos presos num coque firme, e segurando uma única rosa branca nas mãos.

– Eu pensei que voce estivesse morta. – Regina sussurrou com um fio de voz.

– Eu também senti sua falta, e eu adoro rosas brancas.

Notas finais
Deixe seu comentário se voce gostou, obrigada.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!