White Rose - (Rosa Branca)
11 Capítulo 11 - Invasores Onde tudo começou
Notas iniciais
O cheiro de álcool impregnava minha camisa, o idiota havia derramado em mim. Nem brigar ele sabia – Otário. O som estridente que vinha da boate, não me deixava pensar direito, encostado a meu carro estava eu e Suzana que agora caminha sem parar, de um lado para o outro, por fim me olhou incrédula. Retribui o olhar segurando um lenço que a própria tinha me entregue. O usava para tentar estancar o sangue do ferimento que havia por dentro da minha boca.
– Maldito seja! – praguejei feito uma velhinha.
– Você é inacreditável, Marcos... – ela me olhava com um pouco de ódio.
– Você não viu Suzana? Foi ele quem começou! – Falei com um doce sorriso irônico, que tanto adorava dar.
– É... foi ele quem começou, você está certo, mas por qual motivo mesmo?! Hum, deixa eu pensar... – ela colocou a mão no queixo, fingindo pensar – Ah lembrei... Você deu em cima da namorada dele, na cara dele Marcos, na cara dele. – disse quase gritando a última parte. – Você não podia ter ao menos esperado ele virar as costas?
– Claro que não, assim não teria graça Suzana, você já foi bem mais divertida sabia. – disse me aproximando mais dela, podia vê-la cambalear, sorri ao perceber que a sua raiva tinha passado. – Aliás, ela parece ter gostado muito... – antes de terminar a frase ela me jogou longe. Afastou-se e me olhou com ódio novamente.
– Chega! Chega disso, eu não preciso Marcos.Eu me sinto um nada perto de você, e isso não me faz bem, você disse que tinha sentido minha falta nesses últimos dias, e quando resolvo dar uma segunda chance, o que você faz?! Me humilha na frente de todos... – Ela chorava, apesar de não gostar de Suzana, não era insensível, não queria vê-la chorar me lembrava muito da... Droga, deixa pra lá.
– Certo Suzana, vou embora... Quer carona?
– Não, já chamei um taxi. – ela disse enxugando as lágrimas que não eram poucas.
– Então tá, vou nessa. – entrei no carro e dirigi, liguei o radio e passava uma musica de uma banda conhecida, CATEDRAL, cara muito irado...
Musica:
http://www.youtube.com/watch?v=AthXlFP2xuI
Me identificava com a musica, não que eu fosse um ‘Suburbano’, longe disso, minha condição financeira era bastante... Privilegiada. Desde sempre tive tudo que queria, na hora que queria, e acredite isso nem sempre é tão legal como parece. A minha vida é um verdadeiro inferno. E me sentia de certa forma um estranho, um estrangeiro na minha própria casa.
O celular tocou, Leandro me ligava feito louco.
– Não é possível! – atendi, quase esmagando o aparelho. – Fala!
–Marcos, onde você está? – perguntou autoritário.
–E eu lá te devo explicações?!
– Serio cara, sua mãe tá me ligando há horas. – suspirei alto.
– Diz a ela que você não é meu guarda costa, que eu sai com uma garota aí...
– Então você saiu com aquela garota da boate? Ela é uma gata. – revirei os olhos.
– Não, eu não saí com ninguém, só quero que ela me deixe em paz... – falei como se fosse óbvio.
– Ah certo, então tá mano, vou deixar você sozinho... É... Com você mesmo. – desligou rindo o canalha.
A verdade é que queria ficar sozinho, apenas com meus pensamentos. Estacionei o carro em frente a uma casa abandonada, essa casa, estranhamente me trazia paz. Sabia que era abandona por que sempre vinha aqui, ficava a olhando até o sono chegar.
Casa: http://i.imgur.com/BgMYNDk.jpg
Não era uma casa extravagante feito a minha, mas era uma boa casa, uma que adoraria morar pelo menos. Lá fora a chuva caia sem piedade, recostei-me ao banco e puxei meu edredom, estava prestes a dormir quando sinto uma luz extremamente irritante. Abri os olhos, e vi que a luz vinha da ‘ minha’ casa abandonada. Só me faltava essa, intrusos. Estiquei-me, quase encostando meu rosto ao para-brisa. Queria ter visão raio-x, para ver quem estava lá dentro, que invadira a ‘minha’ casa. Mas infelismente não tinha.
Musica:
http://www.youtube.com/watch?v=a6mOwvdxN0E
Poucos segundos depois aparece uma silhueta feminina na janela, que agora percebia está aberta. Ela parecia bastante delicada, sem força alguma nos braços, pois tentara fechar a janela inutilmente. Demorou um pouco mais e em uma arrancada coseguiu em fim fechar a bendita janela. Sorri com a pequena vitoria da garota, ela também o fez, mas seu semblante logo mudou e se tornou uma feição triste.
– Mas o que houve? – perguntei como se ela pudesse me ouvir, que idiota.
Ela encostou de leve sua cabeça na janela, fez o que me pareceu ser, enxugar uma lagrima.
– Não chore, deveria ser proibido, uma menina tão linda chorar. – Marcos você está ficando pior que o Leandro.
Ela olhou rápido, a blusa que vestia e saiu de perto da janela. Depois a luz se apagou embora não se tenha ficado totalmente escuro o quarto. Meus olhos pesavam cada vez mais, parei de lutar e deixei que a inconsciência me tomasse nos braços.
* * *
Acordei com um pivete batendo na janela do carro, abaixei o vidro.
– O que é? – perguntei de mal humor.
– Você sabe do nosso trato, eu te acordo e você me compra doce. – respondeu o pequeno extorsor.
– Ok. Me lembro do trato, quanto você quer hoje?
– Dez reais!
– O quê? – quase gritei. – Tá maluco Dudu?
– Não, escute moço, a vida tá difícil para todos nós...
– Tá, tá toma seu dinheiro. – entreguei a nota para o moleque.
– Moço é um prazer negociar com você.
Dudu morava naquela rua, certo dia por curiosidade ele bateu na janela do meu carro. Acontece que eu estava dormindo e ele me acordou, fiquei tão agradecido que lhe dei uns trocados, depois desse dia ele sempre me acorda, mas nunca é de graça.
A porta da casa se abriu e de lá saiu uma menina linda, pelo visto preparada para um dia de aula. Ela tropeçou algumas vezes, e sorri ao ver que ela ficava mais linda ainda envergonhada.
Quando passou pelo carro, ela parou e me olhou, claro que não a mim mesmo, afinal o vidro do carro era escuro e ela não conseguiria me ver, mas que me deu a leve impressão disso, me deu, a acompanhei com o olhar e me lembrei de que eu também tinha aula. Tinha que correr precisava passar na casa dos meus pais ainda, tinha que trocar essa camisa, afinal não daria para entrar em uma sala de aula cheirando a álcool. Sorri ao lembrar a briga. Agarrei no volante e dirigir até a casa dos meus pais, e que seja o que Deus quiser.
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