White Rose - (Rosa Branca)
20 Capítulo 20 - Repercussões
Meu coração batia desregular, me virei devagar para saber a quem aquela voz pertencia e suspirei aliviada.
– 22?!
– Akyra o que está fazendo aqui, uma hora dessas? – ele perguntou
– Ouvi um barulho e vim ver o que era. E você o que ainda esta fazendo aqui?
– Já estou de saída, deixei sua mãe e tia assistindo TV... E então, o que era? – ele olhava em volta procurando, caminhei em direção a porta, não me aguentava mais em pé, queria descansar. Tomar um banho há uma hora dessas deveria ser o melhor a se fazer.
– Nada! Devia ser um gato, sei lá.– disse cruzando a porta, e a fechando antes de ouvir um boa noite do 22 – Mãe? Tia? Ela dormiu? – perguntei ao encontrar minha mãe recostada no sofá ao lado da minha tia.
– Sim minha querida, ela te esperou, mas não conseguiu resistir ao péssimo gosto do Max.
– Ótimo, vou me deitar também. – subia as escadas quando minha tia puxou meu braço. A olhei assustada sem entender nada.
– Akyra onde está o medalhão que seu pai te deu? – imediatamente levei a mão a meu pescoço, onde ele deveria está, mas não estava. – Você o perdeu? – eu tinha recordação de tê-lo usado na festa, por varias vezes o segurei por habito. Mas não fazia ideia do momento em que o perdi, ou onde o deixei cair.
– Eu não sei onde ele está... – disse com os olhos voltando a arder, já não havia chorado o suficiente por uma noite?
– Acalme-se querida, nós vamos encontra-lo, não chore... – ela me abraçava como se quisesse me ninar.
As lembranças me atormentavam enquanto tomava meu banho, era muita coisa para um dia só, mas ultimamente isso se tornava uma terrível rotina de desespero. Entrei no quarto correndo, o toque do celular me irritava naquele momento.
– Alô... – disse desanimada.
– Akyra como você está? – voz de Clara estava tremula.
– Como mais poderia estar? – ri sem vontade.
– Me sinto péssima por hoje, eu nunca irei me perdoar.. – ela disse e achei ter ouvido o som de choro abafado do outro lado. – É tudo culpa minha, tudo culpa minha...
– Hey, calma... Eu estou bem, aquilo não foi nada, por favor Clara, não fica assim... – tentei parecer melhor, não queria ver a Clara daquele jeito por minha causa, principalmente por que sabia que ela não tinha culpa de nada...
– Eu preciso desligar, tenho que dormir, amanha tem aula. Você vai? – ela perguntou e eu senti um frio na espinha.
– Óbvio, por que não iria? – me esforcei para parecer confiante e segura, duas coisas que eu realmente não era naquele momento.
– Você tem razão, te vejo lá amanhã então. – ela desligou rápido.
(Musica tema do momento)
https://www.youtube.com/watch?v=AT99dfh6c5A
Me deitei com dificuldade na cama que parecia mais fria do que nunca, queria apenas dormir e deixar que meus pensamentos morressem aquela noite, para que no outro dia elas voltassem com talvez muito mais força. Os olhos que tanto ardiam, se fechavam agora e isso me dava um pouco de alivio.
Devo ter acordado cerca de duas horas depois, não sei. Fiquei sentada na cama por um tempo, até sentir as dores voltarem e inundarem meu coração... Chorei, chorei e chorei mais um pouco antes de levantar e ir pro banheiro fazer minha limpeza diária. Voltei para o quarto sequei o cabelo, e vesti qualquer roupa, fiz tudo mecanicamente, sem esboçar espontaneidade alguma.
Akyra: http://www.polyvore.com/white_rose_rosa_branca_cap%C3%ADtulo/set?id=148189039
Depois de vestida, olhei pro espelho, não via nada alem de um ser que mais parecia um fantasma. Tentei sorrir, parecer algo mais humano, foi inútil. Ouvi o som de uma buzina de carro, caminhei lentamente até a janela, avistei o Gustavo se ajeitando pelo retrovisor, peguei minha bolsa e lentamente desci as escadas, pareci não ter ninguém em casa. Abri a porta e a fechei atras de mim. Gustavo sorria gentilmente pra mim, tentei sorrir de volta, não sei se funcionou.
Ele olhou pra mim com uma expressão de divertido.
– Você é péssima em fingir, não é? – dei de ombros e entrei no carro. – Tome, aqui... – ele disse me entregando um óculos escuros. – Desse jeito ninguém vai perceber que você está tão detonada.. – riu. Tentei rir com ele, acho que dessa vez minha tentativa foi ridícula, pois a gargalhada do Gustavo foi tão alto que me doeu os ouvidos. Fechei os olhos, e ri. Acho que foi a unica vez no dia em que consegui rir, por um breve momento, ele beijou minha cabeça.
– Melhor assim, agora sim posso te levar a escola... – ele disse com um sorriso, girando a chave e fazendo o carro se movimentar.
– Obrigada por passar aqui... Ideia da Luiza aposto... – olhei pela janela.
– Sim, ela achou que seria melhor alguém vim te pegar. E se esse alguém fosse lindo e charmoso como eu, seria muito melhor... encostei minha cabeça no banco e fechei os olhos, em pouco tempo estávamos em frente a escola.
– Obrigada Gustavo, de verdade.. – disse saindo do carro, olhei pro lado e vi uma expressão seria em um garoto que por mim não veria tão cedo. Marcos.. Virei e segui reto para dentro do colégio, lá dentro parecia pior.. Vários olhares em minha direção, senti vontade de cavar um buraco e me enfiar lá dentro. Algumas pessoas riam, outras cochichavam, outras me olhavam com pena.. E eu sinceramente não sabia dizer qual me fazia mas mal. Talvez todas entrei na sala, todos pareciam surpresos com minha presença.
– Que coragem Akyra... – a voz aguda da Bianca me fez querer vomitar, sua postura de superioridade também. A ignorei. Tive que segurar toda minha vontade de esmurrar a cara dela. Vi Luiza sentada e Clara ao seu lado em pé, elas se esforçavam para agir normalmente. Não sei se era só a mim que elas não enganavam.
Luiza: http://www.polyvore.com/white_rose_rosa_branca_cap%C3%ADtulo/set?id=148208992
Clara: http://www.polyvore.com/white_rose_rosa_branca_cap%C3%ADtulo/set?id=148195470
– Eu estou bem.. – sussurrei, e revirei os olhos ao sentir Clara me abraçando. Luiza percebeu meu desconforto e se aproximou mudando de assunto.
– Então, o debate esta se aproximando... Está pronta Akyra? – ela sorriu.
– Tenho que estar, não é?
– Você vai... – Luiza parou de falar e engoliu em seco. Olhei na mesma direção em que ela olhava e um garoto estava ali. Um garoto de olhos verdes e braço enfaixado entrava na sala.
Bianca na porta, pareceu está tão surpresa quanto Luiza e Clara que agora eu olhava tentando entender o motivo da sua cor ter sumido e ela ter ficado mais pálida do que eu. Bianca olhou pra ele e um sorriso surgiu em seus lábios, no momento que seus olhos encontraram os olhos inerte de Clara, ela voltou ao garoto e falou algo que eu não consegui ouvir, ele a respondeu, mas também não conseguir ouvir. Comecei a entender quando finalmente os olhares de Clara e aquele garoto se encontraram. Havia algo ali, algo grande. O menino tinha olhos verdes brilhantes agora, ele sorriu e se aproximou de Clara, que ainda tinha expressão vazia. Ela saiu esbarrando nele com força. Luiza foi atras dela, e eu fiquei parada lá feito uma arvore olhando pra ele, mas ele não percebeu isso. Estava ocupado, segurando o braço quebrado que devia estar machucado depois desse encontrão da Clara.
A professora entrou na sala e anotou algo no quadro, depois se virou pra turma e anunciou que a aula seria no auditório, todos começaram a sair devagar. Ainda tinha minha mochila nas costas, vaguei os olhos até o final da sala e encontrei alguém sentado em uma carteira olhando pra mim. Não pensei muito, apenas me aproximei, segurando a alça da mochila apertando ao meu peito.
– Você fica irreconhecível sem o uniforme... – ela deu um sorriso discreto, e desviou o olhar.
– Oi, pra você também Akyra... – ela se levantou e pôs seu caderno dentro da bolsa, e olhou mais um vez, pra mim. – Olha eu sei que dificilmente você irá acreditar... Mas mesmo assim irei dizer... – ela hesitou, mas por fim falou de uma vez – Eu sinto muito por ontem, e por favor acredite eu não tive nada a ver com isso... – talvez, fosse o maior erro que eu cometeria nesse dia, mas acreditei nela, afinal ela realmente parecia sincera.
– Eu imagino que isso deve ter sido difícil pra você, vim falar comigo...
– Pra ser sincera, sim, muito... – ela desviou o olhar como se engolisse a seco todo seu orgulho.
– É tão importante assim, pra você, que eu acredite? – perguntei arqueando uma sobrancelha.
– Contrariando toda logica da vida, sim é importante, sim... – a resposta veio mais rápido do que eu esperava. Mesmo assim me segurei, olhei pra ela mais uma vez.
– Então prove... – disse cruzando os braços a minha frente
– Como? Você não acha que Bianca vá interceder por mim, não é?
– Mesmo se ela o fizesse, eu não acredito na Bianca...
– Então me diga, como posso provar?
– Esse garoto que chegou a pouco... Todos parecem conhece-lo, exceto eu... Significa que ele estudou aqui em uma época que eu não, mas você sim, de certo você o conhece...
– Claro, o nome dele é Eric... – ela disse desconfortável. – Mas eu acho, que é melhor que a Clara, fale sobre ele...
– Ela parece bastante desconfortável, não acho que ela vá sentir vontade de falar sobre ele durante um bom tem, e eu detesto ficar por fora dos assuntos, então por favor apenas me conte... – disse rápido a ultima parte, era difícil pra mim mesma, reconhecer que precisava da ajuda da Carla.
– Ok, mas não aqui, pessoas podem ouvir, e eu não gostaria disso.
– Então quando e onde? – disse sendo direta.
– Hoje, agora, só não pode ser, você já deve ter percebido que em frente a escola há uma lanchonete, pois bem podemos conversar lá...
– Certo, agora precisamos apenas saber como sair dessa escola.. – digo olhando em volta como se a resposta fosse brotar das paredes.
– Isso é o de menos, eu invento qualquer coisa, e eles acreditarão, apesar da Bianca tenho uma boa reputação perante o corpo docente. – ela disse caminhando, por um momento o seu rosto me lembrou o vislumbre do primeiro dia em que a vi, tão segura e confiante. Agora percebia com facilidade que há tempos ela não estava assim. Senti um calafrio percorrer minha espinha, não entendi bem o por que mas tinha medo do que a Carla iria me contar.
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