White Rose - (Rosa Branca)
19 Capítulo 19 - A Festa - 3° Parte
Notas iniciais
(Musica tocada na Festa)
https://www.youtube.com/watch?v=93ASUImTedo
– Cara... – um rapaz chegou nos assustando, me separei do Marcos, rapidamente. – Tem ‘alguém’ te procurando.
Marcos acenou positivamente e se foi sem falar nada, o rapaz me sorriu antes de sair.
Como gostaria de entender apenas uma vez a cabeça do Marcos. Com tudo que quase acabou de acontecer, tudo bem que não aconteceu, mas mesmo assim, ele tinha que se comportar como um idiota? Me pergunto quem era esse alguém que o procurou, e o porquê dele sair dessa forma...
– Preciso de ar... – sussurrei para mim mesmo, procurando algum lugar para me refugiar e pensar.
Encontrei uma grande porta de vidro, dava para uma área de lazer, com uma enorme piscina e várias espreguiçadeiras a beirada. Segui para uma delas, sentia dor nos pés e queria me sentar e dar um pouco de descanso a eles. No entanto ao chegar à beira da piscina ouvi o ruído da porta de movendo, eu sabia quem era... Meu coração vacilou, e sem pensar falei.
– Chega a ser cômico de tão clichê toda essa situação. – sem me virar para olhá-la continuei a falar. – Na verdade pensei que você seria mais criativa, sinceramente Bianca, eu, você e uma piscina, é meio obvio você não acha? – me virei devagar para encará-la. Mas... Não era ela ali. Era... Gustavo... – O que faz aqui?
– Desculpe, vim ver se você estava bem, você saiu correndo... Minha irmã não me disse o principal, que você não sabia sobre seu plano... O tal Marcos, era aquele que você dançava apouco, certo? –fiz sinal positivo, abaixando instintivamente a cabeça. – Bem, se você quiser pode contar comigo.
– Obrigada, mas não é do meu feitio esse tipo de infantilidade, não sou tão clichê assim... – sentei na espreguiçadeira, e ele imitou minha ação.
– Não acho, na verdade você é bem clichê em tudo, vamos ver se consigo te decifrar, ‘uma garota bonita, linda na verdade... – ele sorriu – Porém se acha desprovida de qualquer beleza, nova na cidade, se apaixona por um cara um pouco difícil, que também é apaixonado por ela, mas não consegue demonstrar seus sentimos, cansada desse besteirol todo, ela decide pedir a ajuda de uma cara gato e charmoso, no caso, eu... – ele alargou o sorriso, terminei por sorri também. – ele finge está apaixonado por ela, a fim de provocar ciúmes no garoto. No final tudo da certo, o garoto enciumado se declara, e eles ficam juntos para sempre. Típico filme adolescente americano. Mas como nem tudo são flores, o rapaz que fingiu está afim dela, acaba se apaixonado de verdade... E sofrendo consequentemente, mas não precisa se preocupar, isso não vai acontecer comigo.
– Como? – fiz a pergunta, logo em seguida me arrependendo de tê-la feito.
– Não me apaixonarei por você, te garanto!
– Não foi o que quis dizer! – disse me levantado rápido. Com certeza vermelha feito um pimentão. Ele levantou-se também e passou a mão por cima da minha cabeça, bagunçado meu cabelo.
– Hey, eu sei baixinha. – ele continuava a rir divertido com o meu constrangimento.
– Desculpe, tenho que ir... – disse me desvencilhando dele.
– Mas você nem me respondeu, aceita me ajuda ou não? – falou um pouco mais alto, pela distancia entre nós.
– Não me parece uma boa ideia! – disse num tom de voz divertido, afinal não era tão estranho está perto dele, parecia uma versão masculina da Luiza ou até mesmo Clara. Sorri.
(Musica tocada na Festa)
https://www.youtube.com/watch?v=CfihYWRWRTQ
Puxava a porta de vidro quando vi lá dentro em meio há algumas garotas a pessoa mais detestável da festa, Bianca, não estava preparada psicologicamente para um novo encontro.
Então decidi procurar outra entrada pela lateral da casa, passei espremida entre varias plantas e a parede que segurava grandes janelas.
Em uma delas, provavelmente a ultima delas, vi Suzana abraçada a um garoto. Ela sorria radiante, seria ele seu namorado? Sorri junto. Apesar de não ver seu rosto, ele parecia se divertir também. Ele a girou uma, duas, três, e na quarta girou junto, foi o suficiente para ver seu rosto também sorridente, apaixonado talvez, vi um beijo estalar meus olhos, Suzana obeijou delicadamente e o abraçou com força.
Senti minhas forças escaparem aos poucos do meu corpo, a vista escurecia, sentei no chão, tentei respirar, tentei recuperar as forças, não podia ser, não podia ser... Não era possível ser, o namorado da Suzana não podia ser o Marcos. Não podia ser o Marcos que quase me beijara nessa mesma festa, em que estava com Suzana, sua namorada. Levantei e corri em direção a porta de vidro, pouco me importava agora ver Bianca e ouvi suas piadinhas. Entrei e acabei me perdendo em meio a tanta gente, até ouvi alguém falar meu nome, olhei em direção ao som, Bianca em um improvisado palco, havia também um telão e um projetor multimídia. Ela continuava a me chamar, e de nada adiantou os segundos parada, há procura por Clara e Luiza, nenhum sinal de vida delas. Segui o caminho, com um estranho aperto no coração, como uma completa idiota. Saber que nada bom o espera e mesmo assim não fugir, mas se eu o fizesse, aí sim daria motivos para Bianca se divertir as minhas custas. Carla tentou me impedir de subir, a ignorei, qual era apegadinha afinal?
– Como sabem, nossa amada Akyra completa 18 aninhos amanha, e decidi presentear a ela e a sua querida mãezinha. Por favor, Vivian o slide!
Imediatamente ela colocou um filme para passar, fiquei de costas sem querer ver o que se passava no tal vídeo. Depois de algumas risadas foi inevitável não querer ver o motivo.
– Mas... – fotos de minha mãe e seus diversos namorados, algumas montagens mal feitas de minha mãe sugestivas, montagens em seus perfis de sites de relacionamentos.
– Como veem a mãe de Akyra necessita de homens, por todos os lugares por onde passou, sempre teve um homem que a sustentasse. Aqui também não foi diferente, dando o golpe do baú no Max Fortunato... Ele até pagou a estadia da Akyra naquela tal clinica. Então pessoal peço em nome a família Magonele, que se caso o Max dê um pé na bunda da mãe de Akyra, que façamos uma vaquinha para ajudar a Akyra a continuar na cidade! Não é pedir demais, não é pessoal?! – ela ria descontroladamente. Tudo ao meu redor girava, ouvi algumas risadas distorcidas. Minha visão era um rastro de cores, se meus olhos fossem de vidros estariam trincados. O ódio me possuía, minhas mãos e garganta queimavam. Olhei enfurecida para Bianca e ela me respondia à altura, seu olhar era odioso demais para alguém normal, sua pele se retorcia em um sorriso desagradável, caminhei em passos curtos, senti alguém me segurar em uma tentativa falha de impedir meu trajeto. Carla apareceu em minha frente balbuciando alguma coisa, depois de uns segundos entendi.
– Akyra não seja ingênua, é isso que ela quer! – ela falava, tentei me desvencilhar, mas ela continuava a me importunar.
– Saia da minha frente agora! – gritei perdendo toda a paciência. Minha mão queimou em seu rosto, um estalo foi ouvido e ela Ziguezagueou. Ela me olhos com dor, olhos marejados. Arrependi-me, por algum motivo, não era ela a culpada, eu sentia isso. Bianca em pé, parecia me esperar, caminhei o mais rápido possível. Estava a sua frente, seus olhos mostravam a ausência de medo, cínica.
– Não Akyra, não! – Carla ainda falava, não sei se por bem ou mal, mas ela tinha razão... Engoli todo o meu orgulho e dei as costas para Bianca, descendo e fugindo da multidão. Caminhei até o encostamento perto da casa, me sentei em um degrau. Só percebi que chorava pelo gosto salgado em meus lábios. Mesmo assim poderia descrever a rua, vários carros estacionados em frente a casa daquela cobra. E eu em uma fresta deles, sentada ao meio fio, ali mal conseguiriam me ver, e eu a eles.
(Musica tema do momento)
https://www.youtube.com/watch?v=xyqQ4iT4IeU
Passos rápidos me chamaram atenção, achava que todos estavam na festa. Ainda olhava o chão quando alguém parou em minha frente, levantei os olhos devagar esperando saltos prateados em um vestido solto de cor azul. Mas não vi saltos, o que vi foi um par de sapatos masculinos, muito bem engraxados. Em um terno muito elegante o homem me olhava.
– Por que choras?
Pasma, me levantei tentando me equilibrar nos saltos.
Ele agarrou minha mão tentando evitar minha queda, conseguiu, não fui ao chão. Soltei-me de suas mãos, ele me olhou mais uma vez e caminhou a saída da rua. Instintivamente fui atrás dele. No final da rua havia uma espécie de muro feito em arbustos, como em filmes americanos. Ele me esperava por detrás deles.
– Por que está aqui? – perguntei em voz dura.
– Por sua causa, estou aqui por sua causa! – a resposta veio rápida.
– Como sabia que estava aqui? – havia uma pontada de desespero.
– Não foi difícil...
– O que quer de mim? – gritei em profundo desespero.
– Não é muito fácil falar... – ele mantinha a voz calma.
– Só diga! Por favor, quem é você, e o que quer de mim? – minha voz agora era como um sopro, meu coração, no entanto era como um vulcão. As lagrimas queimavam meus olhos, e eu não lutava mais em tentar controlar.
– Pense, apenas pense... Você é capaz de responder essa pergunta sozinha... Quero apenas que entenda que não vim lhe causar dano.
– Então, por que me atormenta tanto?
– Faço isso a ti?
– Pense, apenas pense... Você é capaz de responder essa pergunta sozinho! – repeti suas próprias palavras. Ele soltou o ar pesadamente.
– AKYRA! .................................. AKYRA!
Olhei em volta, alguém me gritava. Voltei os pés em direção a voz... de Marcos. Estiquei-me e vi que ele tinha me visto, me demorei o olhando, antes de me virar para o senhor na minha frente, comecei a falar...
– Está tudo bem, é um conhecido meu... Digo que o senhor é... – olhei para frente e ele não estava mais lá. Droga o perdi novamente. Virei-me para todos os lados, como quem tentando encontrar o caminho que ele usou para sair dali, nada! Não vi nada. Droga!
– Falando sozinha agora? – Marcos me encarava.
– Me deixe... – dei as costas para ele e caminhei saindo dali.
– Qual é o seu problema? Fiz apenas uma brincadeira! – a dor no meu peito crescia, como podia? Como podia continuar?
– Brincadeira? Estou farta de suas brincadeiras! Não te aguento mais, não aguento a ninguém, me põe em louca esta escola. E agora me faz uma brincadeira justamente com um assunto como esse. Não ha senso para você, não é Marcos?
– Senso? Mas do que está falando? Que tal assunto é esse?
– O que exatamente viu, ao chegar aqui? – perguntei olhando seria, pra ele.
– Você conversando sozinha sozinha...
– O quê? Mas, não viu... – disse baixo apenas para mim. Uma adaga invisível me penetrou o coração. Sozinha? Sozinha! ‘Por sua causa, estou aqui por sua causa!’
– Não estava sozinha? – ele perguntava confuso.
(Musica tema do momento)
http://www.youtube.com/watch?v=nJzBcKM3ZIE
– Sim, eu sempre estive sozinha... – disse me afastando novamente.
– Hey espere... – o senti segurar meu braço.
– Me deixe... – puxei de vez, e ele vindo junto. Abraçou logo minha cintura, e me puxou para ele com força, mas com certo cuidado.
– Não, não te deixo. Está magoada, e vejo que precisa de alguém. — as palavras saiam de sua boca, e me deixava atordoada por saber sobre a Suzana.
– E por que acha que esse alguém, seria logo você. – o empurrei e ele me soltou.
– E quem seria? Ah claro, tem o Caio, o Sidney e agora até o tal de Gustavo, não é?! Tantos...
– Você é um idiota! – dei as costas e caminhei. Ele voltou a me segurar. Puxou-me outra vez para si. Desta vez com nenhuma delicadeza. – Me solta! – gritei
– Seu coração bate muito forte quando estou perto de ti. Posso sentir... Mas é bom que você entenda uma coisa... Não te quero, e nunca vou te querer... Não faz meu tipo! É muito sem graça como mulher...
– Akyra! – uma voz firme se fez presente. – Está tudo bem? – Gustavo estava atrás de mim. Marcos se afastou o encarando.
– Agora estou, obrigada. – sorri triste. – Viu a Luiza ou a Clara? – caminhei em sua direção com lágrimas nos olhos e rosto provavelmente vermelho.
– Não... Tem certeza que está tudo bem? – ele direcionava os olhos para Marcos, que sorria irônico para Gustavo.
– Tenho sim, só quero ir para casa...
– Então vamos, te deixo linda. – acariciou meu rosto e deu uma piscadela.
– Obrigada... – baixei a cabeça e passei por ele. Depois voltei, caminhei até Marcos. Olhei bem para ele. – Você não precisa se preocupar em dividir o assento comigo amanhã, procurarei outro lugar para mim. Algum que seja menos desagradável!
(Musica tema do momento, ela não é tocada na Festa#)
http://www.youtube.com/watch?v=2judm5t9Qdo
Gustavo me guiou até o carro. Abriu aporta do banco passageiro. E olhou nos meus olhos com compaixão, depois arrancou com o carro. O vento tocava minha face, disse para ele o endereço da minha casa e ele seguia o caminho indicado... As lagrimas começaram a coçar meus olhos. Ainda tentei lutar mais um flash das lembrança trouxe a dor de volta, com ainda mais força dessa vez. Chorei nervosamente, tapei meu rosto com as mãos. Senti o carro parar e destampei os olhos, olhei pela janela e vi que ainda não era minha rua, soluçando um pouco perguntei.
– Por que paramos? Ainda não é minha rua Gustavo.
– Eu sei, achei que não ia querer chegar a casa desse jeito...
– Desprezível?
– Não, abalada... – chorei por mais algum tempo, às vezes ele passava a mão pelos meus cabelos. Quando consegui me controlar, sorri e ele retribuiu. Partimos dali e logo estávamos em frente a minha casa. Gentilmente saiu do carro e abriu a porta para mim. Ainda estava na calçada de casa quando ele se inclinou e depositou um beijo em minha testa. Sorriu com minha cara abobalhada.
– Você fica vermelha por qualquer coisa... Parece minha irmã. – ele sorriu ainda mais.
– Vocês são muito ligados não é?
– Sim, não nos desgrudávamos, mas quando passei no vestibular tive que me mudar e deixar minha irmãzinha... – ele estava triste.
– Você fala como se ela fosse uma garotinha, só um bebê...
– Mas ela é... Eu sei que paternal da minha parte, mas quando olho para ela, ainda a vejo nos braços da minha mãe, quando era ainda recém-nascida.
– Quantos anos de diferença entre vocês?
– Cinco... Mas na minha cabeça é mais...
– Às vezes gostaria de ter um irmão ou irmã, é muito solitário a vida de filha única. – sorri triste.
– Eu acredito em você. Mas se quiser posso me adotar como irmão.
– Irmão? – perguntei sorrind.
– Sim, irmãs você já tem, duas. Faltava o irmão, agora não. Tenho-te por irmã desde agora.
– Seria estranho o irmão fingir está apaixonado pela irmã, não?
– Aceita minha ajuda afinal?
– Penso agora que não seria tão má ideia... – disse lembrando as coisas que Marcos disse.
– Irei fazer esse garoto rastejar por ti, prometo-te! – abraçou-me forte.
– Irei sufocar assim, parece mais ser irmão de Clara... – disse espremida. Ele me soltou rápido.
– Deus me livre disto! – ele gargalhou indo para o carro. E em pouco tempo foi embora.
Colocava a chave na fechadura, quando ouvi um barulho vindo dos arbustos. Caminhava em direção a ela, quando ouvi uma voz atrás de mim, me chamar meu coração parou de bater.
Virei-me devagar para encarar o dono da voz.
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