White Rose - (Rosa Branca)
13 Capítulo 13 - O Médico
Notas iniciais
Música tema do capitulo:
https://www.youtube.com/watch?v=OnWFuPFU_8U
Dois dias se passaram e evitei o máximo possível dormir a não ser à noite quando podia estar tranquila, porque tinha certeza que não receberia visita alguma. As perguntas ainda queimavam minha mente.
Felizmente minha mãe não me deixou um minuto sozinha, o ‘22’ sempre estava lá também, ao menos ele teve a decência de não a ter abandonado no momento que ela mais precisava.
Estava sentada na cama quando as lembranças de dois dias atrás me vieram atormentar. A voz de Marcos ecoava em minha mente, sádica.
Minha mãe chamou minha atenção, me mostrava um vestido rosa em uma revista.
– Olha filha, ficaria linda nesse vestido... – olhei de novo o vestido, era um rosa gritante, cheios de babados e muito Sharpay Evans para mim.
– Não, eu acho que não. – disse desanimada.
– O que houve filha? – esperou uma resposta, ao perceber que esta não viria continuou – Sei que não gosta desses vestidos extravagantes, mas achei que poderia ao menos arrancar um sorriso seu...
– Desculpe mãe, estou cansada.
– Filha, sei que não é isso, o que houve?
Pensei em uma forma menos patética para perguntar o que queria, mas não encontrei. Murmurei que estava bem, que só precisava de um tempo sozinha, ela entendeu o que quis dizer e logo saiu junto com o ‘22’.
Minha cabeça queimava em lembranças, como podia ser tão patética, a ponto de deixar visível ao Marcos o que sentia, eu me odiava por isso. Caio, ele sim era uma cara legal, mas mesmo a Luiza não dizendo nada, sabia que ela gostava dele, e seria o pior dos pecados me interessar por ele.
A voz daquele senhor também não saiu dos meus pensamentos. Ao contrario, eles sempre eram os primeiros a aparecer, tentei me endireitar na cama e senti uma dor fina.
– Ahhhhhh! – gemi de dor.
– Olha, olha, dona Akyra, está tentando piorar sua situação? –uma voz forte soou no quarto. Era o Dr. Sidney. Ele havia vindo me ver varias vezes enquanto dormia, mas naquela tarde eu estava acordada, e ele pareceu satisfeito com aquilo.
– Olá Akyra, eu sou o Dr. Fabregas, sou o seu medico.
– Eu já ouvir falar do senhor. Minha mãe me disse quem era o medico responsável pela minha melhora, obrigada doutor. – ele se aproximou e sentou na cama.
– Ora, este é o meu trabalho Akyra, mas se continuar tentando adquirir novas fraturas lhe aviso que não sairá.
– Eu sinto muito doutor, só senti um desconforto e tentei me alinhar, mas doeu um pouco. – Em um movimento rápido, ele deslizou sua mão por minhas costelas fraturadas, empurrou de leve. Prendi o gemido de dor, que teimou em sair entre os dentes.
– Desculpe, te machuquei? – se aproximou mais.
– Não! – disse um pouco surpresa pela aproximação. Ele pôs a mão do lado esquerdo do meu pescoço, e acariciou, seu olhar era diferente, definitivamente não era o olhar de um medico. Abaixei meu rosto, na tentativa de esconder me esconder.
– O que é isso? – ele perguntou, parecendo me examinar.
– O que? – perguntei com a voz fraca, ainda surpresa com sua atitude.
– Uma marca, não fui eu que fiz. – ele riu divertido. Levantou-se e me olhou sorridente. – Desculpe, me perco em brincadeiras por vezes.
Tentei sorrir, acho que foi inútil. Depois deu uma breve estudada no meu prontuário.
– Você já deve saber que terá alta hoje.
– Não eu não sabia, que bom eu... Eu, obrigada doutor. – eu estava resplandecente com ideia de voltar a minha vida normal.
– Sua mãe e seu pai devem chegar daqui à alguns instantes. Eu mandei avisa-los. O senhor Fortunato ficou muito feliz.
– O senhor Fortunato não é meu pai, ele é só um... amigo da minha mãe.
– É... ele estava tão pesaroso com o que aconteceu que eu pensei que ele fosse... – eu fechei a cara.– Com certeza eu me confundi.
– É, o senhor se confundiu. Mas me diga Doutor, quando vou poder voltar à escola?
– Receio que daqui a um mês.
– Tudo isso?
– Sim, você precisa de descanso. Akyra você precisa descansar, entendeu?
– Bom, pode ter certeza que não vou fazer nada para voltar aqui. Esta experiência basta para mim.
– Que bom! Eu voltarei mais tarde, antes de você ir para casa, para vê-la mais uma vez.
– Obrigada Doutor. – eu disse educadamente. Ele era uma pessoa simpática, apesar dessa cena estranha. Ele parecia ter saído de uma propaganda de televisão, alto, forte, claro, olhos verdes, cabelos escuros, e aparentava ter um pouco mais de trinta anos, o sonho de qualquer garota, obviamente não o meu, meu sonho era bem "idiota".
– E que sonho idiota! – pensei alto, quando parei de sonhar, lembrei do que Marcos havia me dito.
Minha querida mãe entrou no quarto de mãos dadas com o ‘22’, agora ela não se incomodava mais em esconder sua paixão.
– Querida, parece tensa, o que houve? – perguntou minha mãe, olhei diretamente em seus olhos e disse por fim.
– Queria falar com você, a sós. – me virei para o ‘22’. Ele soltou um pigarro.
– Marina, eu vou tomar um café. – disse ele apressado para sair.
– Diga querida, eu só espero que não seja nada que tenha haver com meu namoro com Max, por que...
– Não mãe, não é nada disso.
– Então o que é? Fale.
– Mãe eu sou... Magricela? – perguntei baixo demais.
– Hãm? Desculpa querida não entendi o que disse.
– Eu sou... Magricela? – falei um pouco mais alto.
– Oh não Akyra, não sei como uma pessoa tem o seu corpo, pode se achar magricela. Você é linda, e não é porque você é a minha filha não, todos dizem isso, o Dr. Fabregas por exemplo, quando lhe viu a primeira vez ficou encantado, eu fiquei até um pouco constrangida e apreensiva com o seu modo de te tratar, ele chamava você de ‘minha menina’. – “Imagino que isso deve ser bem estranho, para um medico”. – Ele até quis impedir uma vez aquele rapaz lindo, que eu te falei de te visitar. – “Marcos”. – Eles quase brigaram, por sua causa, você é linda querida, só é um pouco desajeitada, eu não sei a quem você puxou neste sentido...
– Ta legal, mãe obrigada, é serio. – interrompi antes de ouvir aquele discurso sobre como não me enquadro em nada do que ela amava.
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