White Rose - (Rosa Branca)
1 Capítulo 1 - A Chuva
Notas iniciais
Música tema do capitulo:
http://www.youtube.com/watch?v=_bAMNx8v6lQ
A noite estava fria e chuvosa, a janela velha do meu quarto estava emperrada, tentei fechar e me molhei ao tentar. “Maldita janela!” pensei.
Detestava aquela casa velha, na verdade odiava todas as casas por onde passei, minha mãe se muda com uma freqüência irracional ela costuma ‘encontrar’ dificuldades com vizinhos, não é que ela seja ‘encrenqueira’, ela só não leva desaforo para casa, literalmente, ela arruma as suas coisas e simplesmente diz: “Querida cansei deste lugar, que tal mudarmos?”, e claro, pra mim era péssimo, mas a gente acaba se acostumando, mentira, a gente não se acostuma nunca. No começo quando tinha sete, oito anos, era divertido, sempre tinha amigos novos e quando enjoara da escola, já era tempo de mudar de novo. Mas o tempo passou e logo não era mais tão divertido assim. Todos, incluindo humanos precisam de laços para viver, laços com família, amigos, colegas e até mesmo lugares, e eu não tinha isso, então comecei a sentir falta. Mesmo deixando bem claro o quanto odiava essas constantes mudanças, minha mãe parecia não querer entender. E continuamos a nos mudar, de todos os estados do país o único que não conheço é o Sergipe. Atualmente moro no estado do Rio Grande do Sul, em uma cidade chamada Gramado, tem cerca de 30 mil habitantes.
Consegui fechar a janela, minha blusa estava ensopada, fiquei sentada na cama, lembrando das minhas idas e vindas, só depois de alguns minutos percebi que ainda não havia trocado a blusa, troquei e vesti por cima uma jaqueta velha, daquelas que usamos apenas em casa.
O sono já chegava então apaguei as luzes, tendo o cuidado de deixar a luz do banheiro acesa, sei que pra uma garota de 17 anos é bobo, mas mantinha o costume adquirido na infância de não dormir no escuro. Estava exausta e sabia o que me esperava no próximo dia. Dormi por fim, cansada demais para sonhar, ou para lembrar-se dele, pelo menos.
***
Eu ainda estava descendo as escadas quando a ouvi cantarolando algo.
– Bom dia amor? Está animada para o primeiro dia na escola nova? – fiquei em silencio reorganizando as palavras para não magoa-la.
– Querida? – ela se virou bruscamente, mas com uma voz doce e preocupada. –Algum problema querida?
– Não mãe, eu estou bem, hum... Bom dia.
– Está animada com o seu primeiro dia na Ramos Pacheco?
– Claro. – soltei um suspiro.
– Fiquei sabendo que está havendo uma seleção para lideres de torcida.
– Que ótimo! – falei num tom irônico. Minha mãe havia sido líder de torcida e queria muito que se repetisse no meu caso, acho que ela deve ter esquecido a boa coordenação motora que tenho. Estremeci só de lembrar as milhares de quedas que já levei. Para agradá-la eu me matriculei em aulas de dança, foi desastroso, estremeci de novo com as lembranças. Estava muito ansiosa, engoli rápido o café da manhã, disse um tchau demorado a minha mãe, com direito a suspiros, abraços e boa sorte.
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