White Rose - (Rosa Branca)
18 Capítulo 18 - A Festa – Parte Final
Notas iniciais
Fora que mudei esse capitulo do original, criando assim um quase do zero... É enorme peço desculpas... Quero agradecer as leitoras que comentaram, amo vc's e dizer para as fantasmas para comentarem tbm, é muito triste trabalhar tanto para depois não ver quase nenhum cometário... Então façamos o seguinte... Um 'Gostei' ou até 'Não Gostei' qualquer coisa... Tá ok? espero que sim...
#boa Leitura amadas e amados...
Ah sobre as musicas, algumas delas fazem parte da festa, outras fazem parte do momento vivenciado, certo?!
Tudo Ok agora podem partir para a leitura...
(Musica tocada na festa)
http://www.youtube.com/watch?v=rcHMr3kKauE
O som era ainda mais alto ao lado de dentro, várias pessoas espalhadas pelo jardim já dançavam ao som da música. Meninas conversando em uma rodinha olhavam Clara com admiração. A sala estava escura e as luzes me deixavam atrapalhada. Mal havia chegado à festa e meus pés já doíam. Senti alguém segurar minha mão, olhei em volta, mas não reconheci ninguém, mais uma vez alguém tocou minha mão e não vi nada, na verdade até vi, pessoas por todo lado, me sentia espremida. Coloquei minhas mãos em cima do ombro de Clara que ainda estava em minha frente, ele pulou com o susto e olhou para trás me encontrado e percebendo que eram as minhas mãos em seu ombro. Com os mais alguns passos, as pessoas que antes nos espremiam foram deixadas para trás, Fazendo-nos sentir mais à vontade. Logo Bianca apareceu sorridente.
Bianca: http://www.polyvore.com/white_rose_rosa_branca/set?id=70982312
Carla: http://www.polyvore.com/white_rose_rosa_branca/set?id=70984224
(Musica tocada na Festa)
http://www.youtube.com/watch?v=ChajseAWJ1A
– Oh mais que boa surpresa, nossa amada Akyra nos deu o ar de sua graça... – disse Bianca, Carla estava ao seu lado, ela não esboçava nenhuma falsa felicidade por me encontrar, nem me olhava na verdade, sempre que nossos olhares se cruzavam ele desviava o olhar. “Que estranho...”
–Está bonita Carla... – Luiza sorriu educada. Carla se assustou com a frase, abriu a boca e fechou sem falar nada, abriu novamente olhando para o chão, parecia um pouco envergonhada.
– Obrigada... – Carla disse apenas.
– E de mim não falam nada? – Bianca perguntou dando uma pequena volta.
– Também es... – Luiza começou, mas Clara não permitiu continuar.
– Ah pelo amor de Deus, Vamos. – saiu nos puxando.
Seguimos um corredor que deu em outra sala, estava pior que a outra. Não conseguimos sequer entrar no local.
_ Droga! Vamos voltar. – Clara deu meia volta.
– Clara... O que acha que Bianca pretende fazer a Akyra? — Luiza fez a pergunta que eu queria fazer.
– Não sei. Mas...
–Não tenho medo dela. – disse antes de Clara terminar. Chegamos ao salão principal.
– Akyra... – alguém falou entusiasticamente meu nome, me virei e vi um menino loiro sorridente, Caio. – Vamos dançar? – o som ia perdendo o volume aos poucos.
– Caio... Desculpe, mas não estou muito no clima. — disse me desvencilhando dele que já estava perto demais me mim. Mesmo assim ele continuou se aproximando, primeiro agarrando minha mão depois minha cintura com muita força. Seus lábios chegando mais perto dos meus, senti o cheiro do álcool forte entrando e queimando minhas narinas.
– Deixa disso Akyra, quem não gosta de dançar... Dança comigo. – ele respondeu me apertando mais contra ele. Quanto mais tentasse afastá-lo mais ele me apertava, já me doía o corpo.
– Não! – gritei o empurrando com mais força, notei dois pares de braços femininos baterem nele, que parecia nem notar a presença delas. Ele afundou seu rosto em meu pescoço. – Não, Caio para... – Vi Caio sendo arrancado longe, olhei desnorteada para todos os lados até entender que deveria olhar para frente para ver quem me havia ‘Salvo’. Um rapaz alto, loiro também, de olhos verdes penetrantes, estranhamente lembrava alguém.
(Musica tocada na Festa)
http://www.youtube.com/watch?v=Aqw_b9G7gSQ
– Você é Akyra então? – ele sorriu, me examinando. – Até que não vai ser tão...
Luiza pulou em seu pescoço.
– Maninho que saudade de você...
– Maninha linda, eu também morria de saudade de você! – eles se abraçavam forte. Depois de uns segundos eles se separaram e Luiza nos apresentou.
– Akyra esse é o Gustavo, meu irmão. Gustavo essa é Akyra, minha amiga.
– ‘Até que não vai ser tão... ’ O quê? – falei de uma só vez. Ele riu divertido.
– Até que não vai ser tão ruim assim, fingir que estou afim de você, não me leve a mal gatinha, mas quando minha irmã disse que tinha uma amiguinha dela que precisava de ajuda, de que eu fingisse está afim dela para fazer não sei o quê... Imaginei que fosse um... Desculpe-me a falta de palavras, um canhão. Mas não, você até que não é tão mau... – ele raciocinou.
Fiquei estática, não sabia o falar ou fazer, senti meu rosto esquentar e se não fossem as luzes piscando ficaria mais envergonhada ainda em saber que havia corado.
(Musica tocada na Festa)
http://www.youtube.com/watch?v=v5Wp_rGrrX8
Sai correndo dali, a primeira porta vi a minha frente, foi a que abri. Era um banheiro, diferente mais era, havia um espaço apenas com um grande espelho com o que parecia uma cômoda e uma poltrona, jarros de flores espalhados pelo lugar, ao lado uma porta e por causa dele tive a certeza de que era um banheiro. Ouvi o som de descarga e logo depois uma torneira sendo aberta, ao cessar, a porta abriu e de lá vi uma garota clara de cabelos castanhos com grandes pontas loiras, olhos igualmente castanhos.
??? http://www.polyvore.com/white_rose_rosa_branca/set?id=74701070
Ela me olhou assustada por está ali, eu acho.
–Tudo bem com você? Está pálida feito papel. – se aproximou de mim, tomando minha mão. – Está gelada...
–Estou bem, obrigado. Só precisava sair daquele tumulto... Por um segundo...
_ A Bianca dessa vez se superou não é? Ela deve ta aprontando alguma... – apertei os olhos desejando que eles fossem ouvidos e que assim como agora não via nada, pudesse não ouvir mais nada. – O que houve?
– Nada é só que... – ainda estava de olhos fechados. –... Eu não me dou bem com a Bianca...
– Ah, mas não precisa ficar assim, mais da metade dessas pessoas não se dão bem com ela, eu sou a primeira, te garanto que ela não tem mais raiva de você do que ela tem de mim.
– Você nem imagina! – disse rindo tristemente.
– Hahaha... Essa eu pago para ver... – ela riu alto, se encostando à cômoda. – Mas se ela te odeia tanto como ela acabou te convidando?
– Para tentar me envergonhar na frente de todo mundo e me transformar na atração principal da festa... – Ela me olhou incrédula. Droga, falei demais...
– Mas não há limites para essa garota?! Mas por que você veio se sabe o que ela quer fazer?
– Não tenho medo dela, além disso, tenho duas amigas... – me lembrei do que Luiza fez, definitivamente estava magoada com ela, mesmo assim elas eram as únicas amigas que eu tinha –... Que não vão me deixar acontecer nada.
– Clara, eu presumo...
– Como sabe?
– Simples, o único motivo que Bianca poderia ter para te odiar, seria a amizade com a meia irmã odiada por ela. No caso a Clara, acertei?
– Sim... – senti corar, por saber que não era só esse o motivo.
– Tem sorte, a Clara é uma ótima pessoa...
– Eu sei... E você? Se a Bianca te detesta tanto como você foi convidada?
– Simples, não fui... Meu namorado, ex na verdade, ele me convidou... – ela disse triste a palavra ex.
–Mas com certeza, ele gosta de você, se não, não tinha te convidado.
– Você acha mesmo? – ela sorriu e em seus um brilho angelical.
– Claro, se ele te convidou.
– Ah você sem duvida nenhuma, fez uma nova amiga! – ela riu. – Ah, a propósito meu nome é Suzana. – ela estendeu a mão em minha direção.
– O meu é Akyra, prazer em te conhecer. – apertei sorridente.
– Eu vou indo, qualquer coisa, não deixe de me procurar... – me abraçou e deixou o banheiro. No mesmo instante, Clara e Luiza entraram. Clara de olhos arregalados para Suzana.
– Eu sinto muito Akyra, tudo o que eu pensei foi em ajudar... Achei que se o Marcos te visse com outro garoto, ele se declararia.
– E você achou que eu me prestaria a esse papel? Essa infantilidade não combina tanto comigo Luiza.
– Me desculpe... – ela pediu de rosto vermelho.
– Tudo bem, apenas não quero falar sobre isso... Vamos? – chamei já saindo do banheiro.
As luzes voltavam a me deixar tonta, Luiza foi ficando para trás.
Vi Caio se aproximar e segurar sua mão, ela o tirou e disse algo se afastando. E passando por nós, ao encontro de Marcos, ainda não o havia visto. Ela o cutucou e ele se virou para ela serio, logo depois sorriu e a abraçou, a puxando em seguida para dançar, sorri. Olhei de volta procurando por Caio e o vi encostado à parede olhando para Luiza fixamente, com uma latinha na mão.
– Será ciúmes, finalmente? – perguntei para Clara, olhei para trás quando não ouvi resposta. Pedro havia chegado e eu não tinha percebido, eles trocavam beijos apaixonados.
Caminhei entre as pessoas até chegar à cozinha, em cima da grande mesa tinha várias guloseimas e quitutes, meu estomago gritou em desespero pedindo por alimento, o atendi prontamente, avançando sobre o alimento.
– Akyra querida, não ponha fim ao lanche... — a voz tinha um tom de desdém. Entortei-me para ver quem era. Era a Bianca e suas duas ‘cobrinhas’ ou amigas –... Se quiser posso pedir para a empregada fazer uma marmitinha, é assim que se fala, não é Carla?
– Sim... – ela disse de cabeça baixa, ‘O que há de errado com essa garota?’. Até Bianca e sua xerox oxigenada notou algo estranho em Carla. Ela abriu sua boa em menção de falar algo, mas a interrompi.
– Oh, mas não precisa, desculpe eu não fazia ideia, que economizara nos quitutes. – vi um sorrisinho discreto de Carla. Ouvi um som estranho vi um garoto vomitando, Bianca fechou os olhos no momento. – Mas, a festa está ótima. – disse com sarcasmo.
–Então se divirta querida. – ela olhou para o garoto que havia vomitado a pouco em um jarro. – Hey você, pessoa que vomita em tudo, você vai limpar. – aproveitei o momento para escapar. Caminhei sem rumo pela festa durante um tempo, em alguns lugares da festa tinha casais se beijando, em determinado momento alguém me puxou para trás, me assustei achando que era Caio outra vez, mas não era Marcos e ele tinha um sorriso incrível em seus lábios.
(Musica tocada na Festa)
http://www.youtube.com/watch?v=Cvm2OYF2p7E
– Me deve uma dança... – ele sorriu – Vim cobrá-la...
– Não sei se é uma boa ideia... Não sei dançar, além disso, é uma musica lenta...
– É perfeita para se aprender, vem? – ele segurou minha mão delicadamente, me puxando para ele.
O abracei timidamente. Seus braços rodeavam minha cintura, me puxando delicadamente mais para ele. Meu coração batia cada vez mais forte, minhas mãos em seu peitoral, subiram para se pescoço, ele colou nossas faces, sua respiração forte fazia cócegas a minha orelha, era bom saber que não era a única a ser afetada pelo contato. Ele se separou um pouco, apenas o suficiente para olhar-me nos olhos intensamente, sorri boba e fui acompanhada, no entanto, ele ficou serio. Quis perguntar o que havia acontecido, mas não foi necessário, ele já roçava seus lábios nos meus. Estava tão perto, tão perto de ter meu primeiro beijo, sei que pode ser patético ter quase 18 anos e nunca ter beijado, mas perto dele fazia todo o sentido, se fosse para ser algo especial, não seria mais se não com ele.
– Cara... – um rapaz chegou assustando-nos e fazendo-nos separar rapidamente. – Tem ‘alguém’ te procurando.
Marcos acenou positivamente e se foi sem falar nada, o rapaz me sorriu antes de sair.
Como gostaria de entender apenas uma vez a cabeça de Marcos. Com tudo que quase acabou de acontecer, tudo bem que não aconteceu, mas mesmo assim, ele tinha que se comportar como um idiota? Pergunto-me quem era esse alguém que o procurou, e o porquê dele sair dessa forma...
– Preciso de ar... – sussurrei para mim mesmo, procurando algum lugar para me refugiar e pensar.
Encontrei uma grande porta de vidro, dava para uma área de lazer, com uma enorme piscina e várias espreguiçadeiras a beirada. Segui para uma delas, sentia dor nos pés e queria me sentar e dar um pouco de descanso a eles. No entanto ao chegar à beira da piscina ouvi o ruído da porta de movendo, eu sabia quem era... Meu coração vacilou, e sem pensar falei.
– Chega a ser cômico de tão clichê toda essa situação. – sem me virar para olhá-la continuei a falar. – Na verdade pensei que você seria mais criativa, sinceramente Bianca, eu, você e uma piscina, é meio obvio você não acha? – me virei devagar para encará-la. Mas... Não era ela ali. Era... Gustavo... – O que faz aqui?
– Desculpe, vim ver se você estava bem, você saiu correndo... Minha irmã não me disse que você não sabia... O tal Marcos, era aquele que você dançava apouco, certo? –fiz sinal positivo, abaixando instintivamente a cabeça. – Bem, se você quiser pode contar comigo.
– Obrigada, mas não é do meu feitio esse tipo de infantilidade, não sou tão clichê assim... – sentei na espreguiçadeira, e ele imitou minha ação.
– Não acho, na verdade você é bem clichê em tudo, vamos ver se consigo te decifrar, ‘ uma garota bonita, linda na verdade... – ele sorriu – Porém se acha desprovida de qualquer beleza, nova na cidade, se apaixona por um cara um pouco difícil, que também é apaixonou por ela, mas não consegue demonstrar seus sentimos, cansada desse besteirol todo, ela decide pedir a ajuda de uma cara gato e charmoso, no caso, eu... – ele alargou o sorriso, terminei por sorri também. – ele finge está apaixonado por ela, a fim de provocar ciúmes no garoto. No final tudo da certo, o garoto enciumado se declara, e eles ficam juntos para sempre. Típico filme adolescente americano. Mas como nem tudo são flores, o rapaz que fingiu está afim dela, acaba se apaixonado de verdade por ela... E sofrendo consequentemente, mas não precisa se preocupar, por que isso não vai acontecer comigo.
– Como? – fiz a pergunta, logo em seguida me arrependendo de tê-la feito.
– Não me apaixonarei por você, te garanto!
– Não foi o que quis dizer! – disse me levantado rápido. Com certeza vermelha feito um pimentão. Ele levantou-se também e passou a mão por cima da minha cabeça, bagunçado meu cabelo.
– Hey, eu sei baixinha. – ele continuava a rir divertido com o meu constrangimento.
– Desculpe, tenho que ir... – disse me desvencilhando dele.
– Mas você nem me respondeu, aceita me ajuda ou não? – falou um pouco mais alto, pela distancia entre nós.
– Não me parece uma boa ideia! – disse num tom de voz divertido, afinal não era tão estranho está perto dele, parecia uma versão masculina da Luiza ou até mesmo Clara. Sorri.
(Musica tema do momento, ela não é tocada na Festa#)
http://www.youtube.com/watch?v=nUrKtduAy6w
Puxava a porta de vidro quando vi lá dentro em meio há algumas garotas Bianca, não estava preparada psicologicamente para um novo encontro.
Então decidi procurar outra entrada pela lateral da casa, passei espremida entre varias plantas e a parede que segurava grandes janelas.
Em uma delas, provavelmente a ultima delas, vi Suzana abraçada a um garoto. Ela sorria radiante, seria ele seu namorado? Apesar de não ver seu rosto, ele parecia se divertir também. Ele a girou uma, duas, três, e na quarta girou junto, foi o suficiente para ver seu rosto também sorridente, apaixonado talvez, não suficiente vi um beijo estalar meus olhos, Suzana o beijou delicadamente os lábios e o abraçou com força.
Senti minhas forças escaparem aos poucos do meu corpo, a vista escurecia, sentei no chão, tentei respirar, tentei recuperar as forças, não podia ser, não podia ser... Não era possível ser, o namorado da Suzana não podia ser o Marcos. Não podia ser o Marcos que quase me beijara nessa mesma festa, em que estava com Suzana, sua namorada. Levantei e corri em direção a porta de vidro, pouco me importava agora ver Bianca e ouvi suas piadinhas. Entrei e acabei me perdendo em meio a tanta gente, até ouvi alguém falar meu nome, olhei em direção ao som, Bianca em um improvisado palco, havia também um telão e um projetor multimídia. Ela continuava a me chamar, e de nada adiantou os segundos parada, há procura por Clara e Luiza, nenhum sinal de vida delas. Segui o caminho, com um estranho aperto no coração, pareço idiota eu sei. Saber que nada bom o espera e mesmo assim não fugir, mas se eu o fizesse, aí sim daria motivos para Bianca se divertir as minhas custas. Carla tentou me impedir de subir, a ignorei, qual era apegadinha afinal?
– Como sabem, nossa amada Akyra completa 18 aninhos amanha, e decidi presentear a ela e a sua querida mãezinha. Por favor, Andressa o slide!
Imediatamente ela colocou um filme para passar, fiquei de costas sem querer ver o que se passava no tal vídeo. Depois de algumas risadas foi inevitável não querer ver o motivo.
– Mas... – fotos de minha mãe e seus diversos namorados, algumas montagens mal feitas de minha mãe sugestivas, montagens em seus perfis de sites de relacionamentos.
– Como veem a mãe de Akyra necessita de homens para sustentá-la, por todos os lugares por onde passou, sempre teve um homem que a sustentasse. Aqui também não foi diferente, dando o golpe do baú no Max Fortunato... Ele até pagou a estadia da Akyra naquela clinica. Então pessoal peço em nome a família Magonele, que se caso o Max dê um pé na bunda da mãe de Akyra, que façamos uma vaquinha para ajudar a Akyra a continuar na cidade! Não é pedir demais, não é pessoal?! – ela ria descontroladamente. Tudo ao meu redor girava, ouvi algumas risadas distorcidas. Minha visão era um rastro de cores, se meus olhos fossem de vidros estariam trincados. O ódio me possuía, minhas mãos e garganta queimavam. Olhei enfurecida para Bianca e ela me respondia à altura, seu olhar era odioso demais para alguém normal, sua pele se retorcia em um sorriso desagradável, caminhei em passos curtos, senti alguém me segurar em uma tentativa falha de impedir meu trajeto. Carla apareceu em minha frente balbuciando alguma coisa, depois de uns segundos entendi.
– Akyra não seja ingênua, é isso que ela quer! – ela falava, tentei me desvencilhar, mas ela continuava a me importunar.
– Saia da minha frente agora! – gritei perdendo toda a paciência. Minha mão queimou em seu rosto, um estalo foi ouvido e ela Ziguezagueou. Ela me olhos com dor, olhos marejados. Arrependi-me, por algum motivo, não era ela a culpada, eu sentia isso. Bianca em pé, parecia me esperar, caminhei o mais rápido possível. Estava a sua frente, seus olhos mostravam a ausência de medo, cínica.
– Não Akyra, não! – Carla ainda falava, não sei se por bem ou mal, mas ela tinha razão... Engoli todo o meu orgulho e dei as costas para Bianca, descendo e fugindo da multidão. Caminhei até o encostamento perto da casa, me sentei em um degrau. Só percebi que chorava pelo gosto salgado em meus lábios. Mesmo assim poderia descrever a rua, vários carros estacionados em frente a casa daquela cobra. E eu em uma fresta deles, ali mal conseguiriam me ver, e eu a eles.
(Musica tema do momento, ela não é tocada na Festa#)
http://www.youtube.com/watch?v=FL7Z2Ao-Tug
Passos rápidos me chamaram atenção, achava que todos estavam na festa. Ainda olhava o chão quando alguém parou em minha frente, levantei os olhos devagar esperando saltos prateados em um vestido curto, com lantejoulas azuis. Mas não vi saltos, o que vi foi um par de sapatos masculinos, muito bem engraxados. Em um terno muito elegante o homem me olhava.
– Por que choras Rosa?
Pasma, me levantei tentando me equilibrar nos saltos.
Ele agarrou minha mão tentando evitar minha queda, conseguiu, não fui ao chão. Soltei-me de suas mãos, ele me olhou mais uma vez e caminhou a saída da rua. Instintivamente fui atrás dele. No final da rua havia uma espécie de muro feito em arbustos, como em filmes americanos. Ele me esperava por detrás deles.
– Por que está aqui? – perguntei em voz dura.
– Por sua causa, estou aqui por sua causa! – a resposta veio rápida.
– Como sabia que estava aqui? – havia uma pontada de desespero.
– Não foi difícil...
– O que quer de mim? – gritei em profundo desespero.
– Não é muito fácil falar... – ele mantinha a voz calma.
– Só diga! Por favor, quem é você, e o que quer de mim? – minha voz agora era como um sopro, meu coração, no entanto era como um vulcão. As lagrimas queimavam meus olhos, e eu não lutava mais em tentar controlar.
– Pense, apenas pense... Você é capaz de responder essa pergunta sozinha... Quero apenas que entenda que não vim lhe causar dano.
– Então, por que me atormentas?
– Faço isso a ti?
– Pense, apenas pense... Você é capaz de responder essa pergunta sozinho! – repeti suas próprias palavras. Ele soltou o ar pesadamente.
– AKYRA! .................................. AKYRA!
Olhei em volta, alguém me gritava. Voltei os pés em direção a voz... de Marcos. Estiquei-me e vi que ele tinha me visto, me demorei o olhando, antes de me virar para o senhor na minha frente, comecei a falar...
– Está tudo bem, é um conhecido meu... Digo que o senhor é... – olhei para frente e ele não estava mais lá. Droga o perdi novamente. Virei-me para todos os lados, como quem tentando encontrar o caminho que ele usou para sair dali, nada! Não vi nada. Droga!
– Fala sozinha agora? – Marcos me encarava.
– Me deixe... – dei as costas para ele e caminhei saindo dali.
– Qual é o seu problema, fiz apenas uma brincadeira! – a dor no meu peito crescia, como podia? Como podia continuar?
– Brincadeira? Estou farta de suas brincadeiras! Não te aguento mais, não aguento a ninguém, me põe em louca esta escola. E agora me faz uma brincadeira justamente com um assunto como esse. Não a senso, não é Marcos?
– Senso? Mas do que está falando? Que tal assunto é esse?
– O que exatamente viu, ao chegar aqui?
– Você a conversar sozinha...
– O quê? Mas, não viu... – disse baixo apenas para mim. Uma adaga invisível me penetrou o coração. Sozinha? Sozinha! ‘Por sua causa, estou aqui por sua causa!’
– Não estava sozinha? – ele perguntava confuso.
(Musica tema do momento, ela não é tocada na Festa#)
http://www.youtube.com/watch?v=nJzBcKM3ZIE
– Sim, eu sempre estive sozinha... – disse me afastando novamente.
– Hey espere... – o senti segurar meu braço.
– Me deixe... – puxei de vez, o trazendo junto. Abraçou logo minha cintura, e me puxou para ele com força, mas com certo cuidado.
– Não, não te deixo. Está magoada, e vejo que precisa de alguém. — as palavras saiam de sua boca, e me deixava atordoada por saber o que sabia.
– E por que acha que esse alguém, seria logo você. – o empurrei e ele me soltou.
– E quem seria? Ah claro, tem o Caio, o Sidney e agora até o tal de Gustavo, não é?! Tantos...
– Você é um idiota! – dei as costas e caminhei. Ele voltou a me segurar. Puxou-me outra vez para si. Desta vez com nenhuma delicadeza. – Me solta! – gritei
– Seu coração bate muito forte quando estou perto de ti. Posso sentir... Mas é bom que você entenda uma coisa... Não te quero, e nunca vou te querer... Não faz meu tipo! É muito sem graça como mulher...
– Akyra! – uma voz firme se fez presente. – Está tudo bem? – Gustavo estava atrás de mim. Marcos se afastou o encarando.
– Agora está, obrigada. – sorri triste. – Viu a Luiza ou a Clara? – caminhei em sua direção com lágrimas nos olhos e rosto provavelmente vermelho.
– Não... Tem certeza que está tudo bem? – ele direcionava os olhos para Marcos, que sorria irônico para Gustavo.
– Tenho sim, só quero ir para casa...
– Então vamos, te deixo linda. – acariciou meu rosto e deu uma piscadela.
– Obrigada... – baixei a cabeça e passei por ele. Depois voltei, caminhei até Marcos. Olhei bem para ele. – Você não precisa se preocupar em dividir o assento comigo amanhã, procurarei outro lugar para mim.
(Musica tema do momento, ela não é tocada na Festa#)
http://www.youtube.com/watch?v=2judm5t9Qdo
Gustavo me guiou até o carro. Abriu o banco do passageiro. E olhou nos meus olhos com compaixão, depois arrancou. O vento tocava minha face, disse para ele o endereço da minha casa e ele seguia o caminho indicado... As lagrimas começaram a coçar meus olhos. Ainda tentei lutar mais um flash de lembrança trouxe a dor de volta, com ainda mais força. Chorei nervosamente, tapei meu rosto com as mãos. Senti o carro parar e destampei os olhos, olhei pela janela e vi que ainda não era minha rua, soluçando um pouco perguntei.
– Por que paramos? Ainda não é minha rua Gustavo.
– Eu sei, achei que não ia querer chegar a casa desse jeito...
– Desprezível?
– Não, abalada... – chorei por mais algum tempo, às vezes ele passava a mão pelos meus cabelos. Quando consegui me controlar, sorri e ele retribuiu. Partimos dali e logo estávamos em frente a minha casa. Gentilmente saiu do carro e abriu a porta para mim. Ainda estava na calçada de casa quando ele se inclinou e depositou um beijo em minha testa. Sorriu com minha cara abobalhada.
– Você fica vermelha por qualquer coisa... Parece minha irmã. – ele sorriu ainda mais.
– Vocês são muito ligados não é?
– Sim, não nos desgrudávamos, mas quando passei no vestibular tive de me mudar e deixar minha irmãzinha... – ele estava triste.
– Você fala como se ela fosse uma garotinha, só um bebê...
– Mas ela é... Eu sei que paternal da minha parte, mas quando olho para ela, ainda a vejo nos braços da minha mãe, quando era ainda recém-nascida.
– Quantos anos de diferença entre vocês?
– Cinco... Mas na minha cabeça é mais...
– Às vezes gostaria de ter um irmão ou irmã, é muito solitário a vida de filha única. – sorri triste.
– Eu acredito em você. Mas se quiser posso me adotar como irmão.
– Irmão? – perguntei sorrindo brilhante.
– Sim, irmãs você já tem, duas. Faltava o irmão, agora não. Tenho-te por irmã desde agora.
– Seria estranho o irmão fingir está apaixonado pela irmã, não?
– Aceita minha ajuda afinal?
– Penso agora que não seria tão má ideia... – disse lembrando as coisas que Marcos disse.
– Irei fazer esse garoto rastejar por ti, prometo-te! – abraçou-me forte.
– Irei sufocar assim, parece mais ser irmão de Clara... – disse espremida. Ele me soltou rápido.
– Deus me livre disto! – ele gargalhou indo para o carro. E em pouco tempo foi embora.
Colocava a chave na fechadura, quando ouvi um barulho vindo dos arbustos. Caminhava em direção a ela, quando ouvi uma voz atrás de mim, me chamar meu coração parou de bater.
Virei-me devagar para encarar o dono da voz.
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