Notas iniciais
Oi gente, desculpa pela demora (de novo) ! Eu tentei umas coisas novas nesse capítulo, espero que gostem ! :3

"...E eu definitivamente iria encontrá-lo."

Já haviam se passado 3 dias desde que acolhi a velha em meu apartamento, nós basicamente líamos livros, ela me ensinava tudo o que sabia e até me ajudou a fazer um café melhor. E para ser sincera, estava sendo incrível, tinha me esquecido de que ter uma companhia é ótimo.

Eu tinha aprendido muita coisa, sobre o mundo dos espíritos e sobre alguns dos tipos de seres que lá habitam.

O mundo dos espíritos é chamado de Another, a velha disse que "Deus" criou aquele lugar para os espíritos terem uma segunda chance de encontrarem a paz, mas acaba acontecendo o contrário, ele encontram ódio e mais ódio. Ela disse que se baseando nisso deve ser um lugar triste e depressivo.

Há muitos tipos de espíritos, alguns infelizmente se transformam em monstros quando o seu ódio começa a consumi-lo esse é o primeiro estágio dos monstros que são denominados Yents, eles vão se fortalecendo até não conseguirem sentir nada além de ódio e dor, esse é o estágio final, a partir daí eles se chamam Wartos, e não fazem nada além de destruir e matar.

A velha me disse que aquele gato também é um espírito que trabalha para os meus pais, as vezes quando ocorrem duas mortes ao mesmo tempo pode ocorrer bem raramente de seus espíritos se fundirem quando ocorre o processo de transporte de espírito, no caso dele, ele teve a sorte de se fundir com um gato, esses espíritos não tem um nome certo. Mas imagino que deve ser bem difícil conseguir manter a harmonia dentro de si quando se tem dois espíritos.

Nós estávamos lendo livros e tomando café em um final de tarde, o horizonte estava pintado com um doce laranja, os ventos não estavam nem tão fortes e nem tão fracos, estava uma ótima tarde.

_Velha, eu acho que acabou o café.- disse depois de olhar para minha xícara vazia e o armário também vazio-.

_Isso é um problema, temos que arranjar mais.

_Mas não é perigoso ?

_Acho que não faz muita diferença entre ficarmos sozinhas em casa ou na rua.

_É, tem razão. Vamos naquele mercado da esquina, o dono de lá não levou quase nada quando fugiu.

_Samantha você é burra ? A gente pegou de lá já faz um tempo, e nós pegamos bastante, acha mesmo que alguém não deve ter pegado os que a gente deixou lá ?

_Eu não sou burra ! Velha, acha que tem mais idiotas igual a gente que preferiria pegar café do que comida ? Você que é burra!

_Não sei !

_Vamos logo lá, se não tiver lá é só procurarmos em outro.

Me levantei, estendi a mão oferecendo ajuda para a velha se levantar, mas se recusou e se levantou sozinha.

_Ahn ? Vejam o saco de ossos consegue se levantar sozinha ! — Falei rindo -.

_Sua peste.

Ri, peguei uma lanterna e uma faca e fomos apressadas pelas escadas, seria um problema se ficasse de noite, aquele gato se esconderia muito bem nas sombras. Quando chegamos na calçada parei um pouco para olhar a rua, estava bagunçada e deserta.

Fomos andando cautelosamente até o mercado, o olhamos de longe e entramos. Ouvimos algumas coisas caindo.

_Tem alguém aí ? Não se preocupe, só queremos café.- A velha disse -.

_Idiota, o que você ta pensando e se for ele?!- sussurrei-.

_Oh, tinha me esquecido disso.

_Eu acho que não sou "ele" de quem vocês falam, bem, eu espero não ser. — Um menino alto , com uma pele clara, cabelos loiros bagunçados e olhos pretos aparece antes que eu consiga brigar com a velha-.

_Acho que você não é ele — Olho para suas mãos e ele está segurando 3 sacos de café -.

_Ha ha ! Eu te falei, nós não somos as únicas idiotas que gostam de café!- A velha disse rindo -

_Idiota ? — Ele diz confuso -

_Não, não! Esquece isso! Pode me dizer seu nome ? -digo tampando a boca da velha-.

_Meu nome é Louis, e o de vocês ?

_O meu é Samantha e o dela é velha !

Continuo segurando e tampando a boca dela.

_Louis tem mais café lá ?

_Esses são os últimos.

Eu e a velha nos olhamos, depois olhamos para ele, e repetimos isso algumas vezes.

_Então Louis, por que não nos dá um saco de café pelo menos ?

_Me desculpem, mas eu gosto muito de café.

_Nós também gostamos muito! E somos duas, o que é o dobro do que você gosta! — eu disse olhando pra velha-.

_O que ?! Eu peguei o café primeiro!

_Eu sou mais velha, ninguém te ensinou a ter educação com os mais velhos ?! -ela diz quando finalmente consegue se soltar-.

A velha vai na frente dele e segura os sacos de café.

_Vamos, tenha um pouco de educação. A minha filha está morrendo e seu ultimo pedido foi café, eu preciso voltar lá, nós não temos tempo.

_Isso mesmo, a velha é minha mãe e a minha irmã está muito mal ! Por favor Louis ! — Digo dando continuação ao seu teatro — .

_Ah, quer saber, tudo bem, mas não pensem que eu acredito nessa história. — Ele diz soltando os sacos e os deixando nas mãos da velha-.

_Eba! Vamos embora velha ! Muito obrigada Louis .

_Espera! Esse seu colar.

_O que tem ele ?

_Não, nada, esquece.

_Tá, vamos velha.

Já estava escurecendo mas por sorte nossa missão de pegar café havia sido bem sucedida. Andamos até ficarmos um tanto longe do mercado.

_Hey velha, eu tenho algumas perguntas. — Parei de andar e olhei pra ela-.

_Faça-as quando chegarmos em casa. — Ela continuou andando -.

_Não! Ele vai morrer ? Eu falei com ele ! E se aquele gato matar ele também ?

_Olha, ele não vai morrer fácil, confie em mim e deixe para conversarmos em casa.

Já estava ficando para trás, resolvi confiar nela e deixar que falássemos sobre isso em casa.

Quando entramos no prédio, eu já tinha mais um monte de perguntas.

A velha para, olha um pouco para trás, depois olha pra mim e diz :

_O Louis tá seguindo a gente.

_O que ? Como você sabe ?

_Eu o ouvi.

_Você é algum tipo de monstro ?

_Eu acho que ele não vai entrar aqui no prédio.

_Mas responde a pergunta que eu tinha feito, você acha que o gato não vai matá-lo ?

_Pode tentar, mas acho que ele é forte e não vai morrer. Eu acho que o gato está tendo problemas e talvez nem tenha visto nós falarmos com ele.

_"Eu acho" ?

_O Louis provavelmente está abrigado com outras pessoas. Você não tem que se preocupar com isso.

_Como será que ele sabe do colar ?

_Não sei.

_Ah, acha que ele também tem o poder do elo com Another ?

_Talvez, mas pelo o que eu sei a sua família é a única com o elo que está viva.

_Tinha muitas outras famílias ? Morreram lutando contra Yents e Wartos ?

_Sim, vamos subindo, eu te conto enquanto subimos. — Começamos a subir a escada — Quando Deus percebeu o que havia feito, que os espíritos estavam virando monstros resolveu dar esse poder para algumas famílias para poderem combater os espíritos que estavam sendo consumidos pelo ódio e se transformando, e assim, restaurar a paz. Os Yents e Wartos gostam de devorar espíritos vivos, então são bem perigosos caso consigam vir pro mundo real. No começo estava tudo bem, mas algumas das pessoas com o elo foram corrompidas e deixaram a arrogância e a ganancia os devorarem. Muitos morreram em guerras contra Yents e Wartos, alguns acabaram se matando, e outros foram diretamente punidos por Deus.

_Nossa.

_A sua família foi diferente, ela sempre conseguiu controlar muito bem seus poderes, e sempre os usaram para o bem, eu mesma havia pensado que todos com o elo haviam morrido, até encontrar você.

_Então por que meus pais fizeram isso ? Se são pessoas boas por que mandaram matar Adelaide ?!

_Não sei, talvez possam estar sendo mantidos reféns por espíritos e tenham sido obrigados a fazer isso.

_Será ?

_Deve se lembrar que existe outros tipos de espíritos em Another, eu não sei de todos.

_É.

Chegamos em frente ao apartamento, e entramos, eu não conseguia parar de pensar nos meus pais. Entramos eu deitei no sofá e ela foi fazer café.

Nós precisávamos do café para me manter acordada e assim eu conseguir cuidar dela, tínhamos que estar preparados, nós não sabíamos quando ele iria aparecer.

Comecei a ler um livro sobre pessoas vivas que se fundem com espíritos, mas não conseguia parar de bocejar.

_Fez o café ?

_Samantha, dorme um pouco. — a velha disse com um olhar de preocupação — .

_Para de bobagem, e se ele aparecer ? Também tem aquele cara que nos seguiu até o prédio, eu tenho que cuidar de você.

_Eu me viro, e se eles aparecerem eu vou gritar e você vai acordar, simples. Descanse Sam. Você não dorme quase nada, e quando dorme são só umas duas horas.

_Para de bobagem, e se ele tampar sua boca ? Eu não vou dormir, eu só preciso de café.

"Toc, Toc "

_Quem é? — disse- .

_Louis.

_O que será que ele quer ? — sussurro -.

_Quero ajudar !

_O que ?!?! Vocês dois são monstros ! Como conseguem escutar tão bem ?

_Entre, não está trancada. — A velha disse me ignorando — .

Ele abre a porta, nos olha, entra, fecha a porta e se senta perto de mim.

_Samantha, pode dormir, eu cuido da velhinha pra você.

_Até você me chamando de velha?! Eu tenho no-.

_Você precisa descansar, quando acordar nós conversamos sobre o seu cordão e seus poderes.-Ele interrompe a velha-.

_O que você sabe sobre isso ? Me fale agora, por favor.-disse me sentando direito no sofá-.

_Só vou te contar se você dormir um pouco, vamos, confie em mim e durma, eu vou falar com a velhinha e cuidar dela. — disse colocando uma de suas mãos em meu rosto e a outra em meu ombro-.

_Tudo bem. — resolvi aceitar -.

Deitei e ele tirou seu casaco de couro e me cobriu, sua mão era quente e grande, eu sentia a estranha vontade de querer segurá-la.

_Espere, como sei se posso confiar em você ? — disse quando voltei pra realidade -.

Ele colocou a mão dentro de sua camisa e tirou pela gola uma pedra amarrada em um cordão velho, igual ao meu, então ele também tinha o elo ? Eu ia perguntar mas sabia que ele não iria me responder até que eu descansasse. Resolvi dormir e esclarecer minhas dúvidas quando eu acordasse.

Dormi sem conseguir parar de me perguntar quem era aquele cara e se ele também tinha o elo com Another. E também o que era aquele sentimento de quando Louis colocou sua mão em meu rosto .

Notas finais
Comentem o que acharam ! :3
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.