White Past

1 Inverno


Notas iniciais
Oi gente :D Desculpem se ficou meio ruim , é que é a introdução e eu tentei explicar tudo paara não parecer uma história sem sentido, enfim, espero que gostem!

Uma madrugada silenciosa, o vento balançando a cortina, já estava cansada daquela rotina. Trabalho, faculdade e casa. Sempre ligava o noticiário, não sei o porque, já que eram sempre as mesmas lamentáveis notícias, os assassinatos ainda não haviam parado. Toda noite eu me perguntava o que estava acontecendo com o mundo e comigo, sentada na varanda, sentindo o vento na minha pele, olhando o céu. Sinceramente, eu não sabia o que estava fazendo, tentando me virar, tentando ter uma vida normal, jamais iria conseguir ter uma vida normal depois daquilo, aquilo não sai da minha mente. Além de que eu não quero cursar direito, e eu odeio trabalhar naquela lanchonete, mas não posso fazer nada, eu tinha que tentar me virar, tinha que conseguir ter uma vida normal, eu tinha que esquecer aquilo.

Talvez fosse loucura minha, um pesadelo de criança quem sabe, eu realmente não lembro muito bem, as memorias são completamente abstratas, mas era real eu sei. Aquela dor, é real.

Tudo começou quando eu era criança, morava em uma cabana na floresta, com uma senhora chamada Adelaide, ela disse que me achou em meio a neve enrolada em um pano de lã vermelho era inverno, e a floresta estava lindamente pintada de branco, ela me nomeou Samantha e disse que um dia eu saberia o motivo, assim ela passou a cuidar de mim, até aquele dia, eu tinha 7 anos e estava brincando na neve, era o mesmo inverno de quando fui abandonada, a floresta estava deslumbrante, foi quando eu avistei um gato preto de olhos azuis claros em meio as árvores, ele era realmente lindo. Resolvi brincar com ele, mas ele não parava de correr, ele corria, parava e virava para mim, como se estivesse pedindo para que eu o seguisse, continuei seguindo-o e ele ia mais rápido, minha visão estava ficando mais embaçada a cada passo, quando eu não o vi mais, estava ofegante e com o coração disparado, foi quando senti alguém me empurrando e fui rolando morro a baixo. Estava muito confusa, quando recuperei a consciência só via uma imensidão branca e meu ouvido estava doendo muito como se eu estivesse acabado de ouvir uma explosão bem de perto, avistei um homem e uma mulher se aproximando e eles ficavam pedindo perdão e falavam que não dava para explicar agora, me disseram que ainda não era a hora certa e que eu deveria me afastar de Adelaide, mas que de qualquer forma eles já iriam cuidar para que nós ficássemos afastadas, falaram que era o melhor pra mim e que "aquela velha" havia estragado tudo, me falaram que quando chegasse a hora eu ia entender tudo, me deram conselhos e avisos, dos quais eu não me lembro muito bem, me deram um colar e me disseram para não tirá-lo em hipótese alguma, no final eles falaram que me amavam e que tudo o que eles fizessem seria para o meu bem, mas não acredito que me afastar da única pessoa que já cuidou de mim fosse uma coisa boa.

Quando aquele branco passou eu queria correr para os braços de Adelaide, estava assustada e queria contar tudo o que havia acontecido comigo para ela, só queria me confortar em seus braços, ouvir dela que estava "tudo bem". Mas não estava, a tempestade de neve cada vez se fortalecia mais e conforme eu me aproximava, mais eu ouvia os gritos claramente. Quando cheguei lá, ela estava jogada no chão com uma possa de sangue e grandes machucados na cabeça. Eu não tive tempo nem de chorar, fiquei fora de mim, tudo o que eu queria era correr o mais distante que eu conseguisse daquele local, eu queria saber o porque de alguém ter a coragem de matar a única pessoa que um dia cuidou de mim, que me ensinou tudo o que podia e que fazia de tudo para me ver feliz, eu só conseguia correr e chorar. Quando eu finalmente achei uma estrada cai de joelhos e só sentia as lágrimas escorrendo sob meu rosto e a dor apertando em meu peito. O carro da polícia passou algumas horas depois que eu adormeci na estrada, eles estavam lá pois todos haviam ouvido a explosão, então realmente tudo aquilo tinha sido real. Eu os via falando, mas não os escutava. Eles decidiram que eu iria ser criada pelo orfanato, recebendo educação e alimento até quem sabe alguém me adotasse, mas ninguém queria uma garota perturbada como filha. Eu passei a me dedicar pra não precisar depender de ninguém, e consegui entrar em uma faculdade pública, arranjei um emprego em uma lanchonete velha e um apartamento pequeno em um prédio antigo no centro da cidade e me vi do jeito que estou agora.

Estou com 19 anos agora e por algum motivo as imagens do que aconteceu ficam se repassando em minha mente.

Eu sinto que o dia do qual eles falam, está próximo.

Notas finais
Obrigada, o segundo capítulo sai em breve, comentem o que acharam :3 ♥