Whispers
10 Ela o ama
Notas iniciais
“I saw you and I knew you
Because you still smile in the same way
I found you and I called you
**
I forgive you, but I can’t forget you
Because the things you said, are etched inside my brain
You said”
No Answers (acoustic)- Amber Run
Scott procurou por Lydia durante horas seguidas, mas não achou. Ironicamente, foi a própria Martin que o encontrou quando ele já não sabia mais aonde farejar.
O McCall se apoiou em uma árvore, fechou os olhos por alguns segundos e quando as pálpebras se ergueram e voltaram a exibir a íris vermelhas típicas de um alfa, ele se deparou com um cabelo ruivo bem a sua frente.
— L-lydia? — Gaguejou em surpresa e depois, quando teve a total certeza de que era mesmo a garota, seu tom se tornou mais alto e animado: — Lydia!
— Eu estava procurando por você — Ela murmurou de forma distraída, sem olhar para Scott. Os olhos verdes estavam focados no vazio e a voz parecia distante.
— Procurando por mim? Eu e Stiles que estávamos procurando você! — Ao ouvir o nome “Stiles”, Lydia pareceu prestar um pouco mais de atenção, olhando finalmente para o rosto de Scott. — Onde você estava, Lydia?
Ela franziu o rosto como se aquela fosse uma pergunta muito difícil de se responder. Espremeu os lábios na tentativa de se concentrar, pois se sentia confusa e área, sem conseguir assimilar as coisas a sua volta com a devida velocidade.
— Eu fui para a clinica do Deaton e para a Eichen House, eu acho. — Ela respondeu sem muita segurança. Virou a cabeça para os lados a procura de quem ela mais queria ver. — Stiles...?
— Ele foi para a Eichen. — Scott disse boquiaberto, sem acreditar que Stiles estava certo. — Antes ele me fez ir até a clínica, depois disse que tinha certeza que você estava na Eichen, mas eu não acreditei porque não fazia sentido você ir para lá. A gente se separou, fui tentar encontrar um rastro do seu cheiro e ele foi para lá.
— Stiles foi sozinho? — Ela pareceu incomodada, se balançando no lugar como se quisesse ir imediatamente a busca do humano.
— Como... como ele sabia onde você estava? — Lydia não respondeu, ela apenas sorriu sem mostrar os dentes. — E você disse que estava me procurando?
— Nós precisamos terminar — Ela disse de uma só vez, sem nem pensar em como pronunciaria aquela frase. O rosto permaneceu neutro.
— Estava me procurando para terminar comigo?! Eu que queria terminar com você!
— Ótimo, então problema resolvido. — Disse voltando a sorrir e antes de virar de costas, acrescentou: — Mas só para constar, fui eu que terminei.
— Eu ia terminar também! — Scott se defendeu de forma automática, o rosto franzido de desconforto. Lydia só balançou os ombros e começou a andar, fazendo com que Scott a seguisse. — Então você está bem? — Acrescentou ao perceber que toda preocupação dele e de Stiles tinha sido em vão.
— Eu vou ficar bem assim que encontrar o Stiles.
Depois daquela declaração, eles andaram juntos em total silêncio. Apesar do término repentino e desajeitado, os jovens se sentiram bem de imediato. Acabar o namoro parecia tão certo e natural, que o clima entre eles já pareceu se tornar mais leve.
— Você o ama, não é? — Scott disse após longos minutos. Não olhava para Lydia, apenas sentia o braço dela roçar no seu.
A Martin ergueu a cabeça para encarar o McCall, observou com atenção em busca de alguma mágoa, querendo se certificar de que ao responder não seria cruel com ele. Acima de tudo eles eram amigos, sempre foram e talvez por essa amizade ser tão forte que em algum momento eles tinham confundido os sentimentos e iniciado o namoro.
Lydia tinha muito o que dizer, o torpor que a dominou e a fez caminhar sem muita consciência pela cidade, estava passando aos poucos. Sua mente ficava mais clara a cada segundo, fazendo com que lembrasse por todos lugares que tinha andado.
Enquanto sua sanidade voltava, flashes de lembranças antes perdidas violentavam seus pensamentos, dominando sua cabeça de forma abrupta, sem pedir permissão. Eram muitas imagens, momentos, que surgiam com violência, uma lembrança misturada na outra.
— Amo — Lydia resumiu toda sua confusão, todos seus pensamentos e palavras que lutavam para ser expostas em uma resposta curta e sincera. Disso ela tinha certeza, que o amava.
— Talvez seja bom eu dar um pouco de privacidade para vocês — Scott falou logo em seguida, fazendo com que Lydia virasse a cabeça para os lados com ansiedade.
Ela viu qual era a direção que Scott olhava e finalmente enxergou Stiles. Ele estava a poucos metros de distância, em uma rua ainda próxima a Eichen House, denunciando que ele tinha acabado de sair de lá.
O certo seria Lydia dizer algo para Scott, mas ela não conseguiu pensar em nada. Correu na direção de Stiles, sem nem se dar conta dos movimentos do corpo, sendo guiada por seu coração ansioso pelo aconchego dos braços do Stilinski.
Scott sorriu no lugar, abaixou a cabeça e decidiu se afastar, ainda acompanhando com o olhar a corrida de Lydia. Ele se sentia confuso a respeito de muitas coisas, no entanto, tinha certeza de que Stiles dizia a verdade, que era seu melhor amigo e também, sabia que o lugar de Lydia era ao lado do Stilinski.
Quando o abraço tão desejado se concretizou, Lydia escondeu a cabeça na curva do pescoço de Stiles e ele, grato, olhou de longe para Scott. Apesar da distância, os olhos sobrenaturais do lobisomem foram capazes de ver com perfeição o sorriso reconfortante do humano.
Só depois disso, Scott virou de costas e se afastou de vez, sabendo que Stiles e Lydia precisavam de um momento sozinhos e que ele próprio também precisava.
— Onde você estava, Lydia?! Tem ideia de como fiquei preocupado? — Stiles despejou as palavras sem se dar conta de como seu hálito quente batia contra a nuca da mulher.
— Eu precisava sair de casa, foi um daqueles impulsos de banshee que não consigo controlar. — Ela explicou e se separou do abraço desesperado, deixando as mãos ainda apoiadas nos ombros largos. — Eu precisava lembrar, lembrar de tudo.
O sorriso que Stiles deu ao abraçar Lydia, tinha sido substituído por uma expressão de preocupação profunda, confusão. Os olhos verdes estavam tão ávidos, desesperados ao analisar seu rosto, que ele se sentia transtornado, incapaz até mesmo de respirar da forma certa.
— Por que Scott foi embora? A gente precisa levar você para casa. — Ele lutou para respirar e ainda sem fôlego, acrescentou: — Você está bem? Lembrou de alguma coisa? — O nervosismo fez com que falasse demais.
— Eu preciso de você.
As palavras ditas fizeram Stiles sentir uma vertigem forte, desconfortável. Piscou diversas vezes e balançou a cabeça, tentando manter a mente em ordem. Precisava permanecer forte na sua decisão de dar espaço para Lydia, de não interferir no seu namoro com Scott.
Porque amava Lydia, sabia que precisava ser capaz de deixá-la ir. Por mais que fosse difícil, ele não queria ser o responsável por arruinar o namoro da mulher que amava.
Lutando para continuar firme, para não se deixar perder pela sedução dos lábios carnudos tão tentadores, ele se livrou de todo contato com Lydia. Parou de tocar em seu corpo e desviou o olhar.
— Lydia...
— Você gosta quando eu beijo aqui! — Lydia, desesperada, soltou a frase afobada e se esticou para tocar em uma pintinha especifica na lateral do pescoço pálido.
— O quê?! — Surpreso, confuso, Stiles paralisou no lugar ao sentir o toque naquele lugar tão sensível para ele.
— É fácil deixar você arrepiado... — ela completou com a voz baixa, os olhos fixos no pescoço dele — e você geme quando eu faço carinho aqui — as mãos pequenas de Lydia se arrastaram até a nuca de Stiles.
Ele permitiu o toque conhecido e fechou os olhos de forma automática. Lydia fez carinho em seu cabelo, nuca e depois, teve a coragem de descer um pouco as mãos por dentro da blusa que ele usava, o acariciando na altura da coluna. As unhas curtas o arranharam bem de leve, se arrastando na pele nua em movimentos familiares para os dois.
Com as pálpebras bem apertadas, Stiles fez o que Lydia aguardava com ansiedade: gemeu baixo pela satisfação absurda que aquele pequeno carinho lhe provocava.
Lydia se aproximou mais dele, andando nas pontas dos pés para ficar mais alta. Respirou forte e continuou o carinho por longos momentos, desfrutando dos sons tímidos que Stiles soltava, mostrando o quanto estava rendido ao toque.
Ela lambeu os lábios e sem resistir, beijou a clavícula ainda coberta pela blusa. Ele abriu os olhos de rompante e arfou, abaixando a cabeça a tempo de ver ela o beijar outras vezes seguidas, descendo os lábios para seu peito vestido.
— Você lembra. — Ele disse em total surpresa, incrédulo ao reconhecer as atitudes de Lydia. — Você lembra de mim? — Transformou a afirmativa em pergunta por causa do medo de estar criando falsas expectativas, tentando engolir a emoção que queria transbordar.
— Você é meu melhor amigo, meu namorado. — Ela pronunciou com os próprios olhos preenchidos de lágrimas. De repente, as imagens confusas em sua mente se tornaram claras. Ela lembrou por completo.
— Deus! V-você lembra que...
— Lembro da nossa primeira dança, do primeiro beijo, de você me salvar diversas vezes. Lembro de você acreditar em mim quando ninguém mais acreditava, de segurar minha mão, de lutar para descobrir qual ser sobrenatural eu sou. Lembro que você me ama.
Stiles concordou com a cabeça, sem saber o que dizer. Ele sentia tanta coisa ao mesmo que nem sequer conseguia entender, não era capaz de expor seus sentimentos, sensações.
Ele queria chorar, gritar, falar, sorrir, ficar em total silêncio.
— Você e Scott... — Se engasgou na própria fala quando aquela preocupação o invadiu.
— Somos só amigos. — Foi a forma que encontrou de dizer que eles tinham terminado. — Eu sou sua, Stiles. — A segurança na voz dela era inabalável, assustadora. — Lembro de tudo, finalmente lembrei! Eu amo você.
Para Stiles, nada mais importava. Se ela lembrava, se ela ainda o amava, sabia que todas as outras pessoas se lembrariam também. Então, naquele precioso instante, foi dominado pela certeza de que ficaria vivo, que sobreviveria.
Ele não seria apagado para sempre. Scott lembrava. Lydia lembrava.
Não havia mais o que dizer e nenhum dos dois conseguia controlar suas emoções. Por isso, quando as bocas finalmente se reencontraram após um período de tempo torturante, eles também soltaram suas lágrimas.
Se beijaram no meio da rua deserta. Se beijaram repletos de certezas, consumidos pela saudade e pelo alívio.
Fale com o autor