Whispering Hearts

1 Capítulo Único


Notas iniciais
Olá gente! Primeiramente deixa eu me apresentar. Meu nome é Rafaela, mas NUNCA, NUNQUINHA EM HIPOTESE ALGUMA me chamem assim, me chamem de Rafa, Rafs, Rafitcha ou como vcs preferirem :P Bom, essa não é a primeira fic que eu escrevo mas é a primeiríssima que eu posto. Sei lá, eu não consigo postar uma fanfic sem ter terminado todos os capítulos primeiro, então ontem eu resolvi escrever uma oneshot. Esse ideia foi inspirada em uma eu bebê que gostava de escutar o coração da mãe pra dormir. Achei fofissimo e vcs? Enfim, espero que gostem meus amores!!

Whispering Hearts

Amelia sempre fora assim. Quando estava na barriga de sua mãe escutava a batida de seu coração tão alto que era capaz de ouvir até seus pensamentos. Por isso ela nunca culpou a mãe por ter fugido do marido. Mesmo ainda sem ter nascido, já sabia a tristeza e dor que o pai trazia para a ela. Sabia que a mãe pensava que o pai era só um bêbado imprestável que ela se apaixonou na adolescência, mas mesmo assim nunca arrependeu de ter amado ele. Como sabia disso? Pois bem, escutando a batida do coração de uma pessoa, Amelia pode ver um pouco de seus sentimentos e pensamentos.

Quando nascida ela era mais inteligente que outras crianças, pois tinha um pouco mais de noção de mundo que até mesmo alguns adultos. Adquirira essa experiência pedindo colo para pessoas, como os amigos de sua mãe, por exemplo. E enquanto estava nos braços da pessoa, escutava seu coração, seus pensamentos e sentimentos mais profundos e as vezes cantava uma musica ou recitava algum poema bonitinho que lera em algum livro. Tinha a esperança de que ajudaria a pessoa de alguma forma.

Amelia achava que esse era um dom que Deus deu a ela com o propósito de tornar o mundo um lugar melhor... Até tentar contar isso à mãe, aos oito anos de idade. De inicio a mulher não acreditou, óbvio, mas quando tentou mostrar, abraçando a mãe e escutando as batidas de seu coração e contando o que ele sussurrava, a mulher quase surtou, gritou com a filha e a chamou de aberração. E a garota, coitada, teve seu coração despedaçado em um milhão de pedacinhos, como se fosse vidro frágil, por aquela que considerava sua heroína... Sua mãe. Desde então a garota nunca foi a mesma, o coração de ouro que tinha, virou gelo e as roupas floridas que vestia, se tornaram pretas.

Amelia nunca mais quis escutar o coração de ninguém, tentava ao máximo não ter contato físico com as pessoas, para que não escutasse seus pensamentos e sentimentos.

Sua mãe mal olhava em seus olhos, temendo do que a filha fosse capaz e a menina evitava ao máximo tentar fazer amigos, por isso mudava sempre de escola. Mas ela sentia falta de amor, de calor humano.

Carregara esse fardo por muitos anos, até que ele se tornou pesado demais e ela sucumbiu à pressão. Se tornou rebelde, passou a ligar menos para suas notas na escola, parou de tentar agradar a mãe, começou a fazer aulas de dança de hip hop e fugia todo final de semana para ir em festas ou dormir na casa de alguma amiga, fumar alguns baseados e beber até cair. Se sua mãe sabia, nunca se importou. Tudo que passou, toda diversão, todos os sorrisos, todos os amigos, tudo isso era falso, esses sentimentos nunca foram genuínos e verdadeiros. Esse tipo de coisa nunca a levou á lugar nenhum, o sentimento de que poderia fazer o que quiser que tomava conta de sua cabeça quando ela bebia, não era dela, era do álcool e a leveza proporcionada pela maconha, era temporária. A verdade estava no vazio do seu coração, quando todas as noites ela deitava a cabeça no travesseiro e sentia falta da mãe, e talvez de um pai que nunca conheceu. Imaginava, na calada da noite, o que teria acontecido se sua mãe nunca o tivesse deixado e talvez ele tivesse parado de beber, será que a aceitaria do jeito que ela é? Será que ele a botaria em seu colo, faria carinho em seu cabelo e sussurraria que estava tudo bem até ela dormir e acordar em sua cama no dia seguinte? Será que ele a levaria para andar de cavalo como sua mãe dizia que o velho gostava de fazer? Eram perguntas que nunca seriam respondidas, mas a noite a acolhia enquanto lágrimas de diamante escorriam de seus olhos. Mas uma pequena parte da verdadeira Amelia ainda continuava intacta, dizem que a capacidade de amar nunca abandona ninguém.

A menina dos olhos cor de ouro amava alguém sim, um garoto. O nome dele era Logan, ele não era o garoto mais bonito da escola pequena em que estudava, mas aos olhos dela era sim. Com seus olhos verdes e cabelo preto, mais magro e alto que o normal, era um garoto muito divertido e carismático, falava com todos que se aproximavam. Mas infelizmente ele era dois anos mais velho e nunca falara com ela, portanto, só podia admirar de longe. Tentava ao máximo esconder sua queda pelo garoto, para suas "amigas" não perceberem e fazer alguma merda, mas era realmente muito difícil não olhar quando, no intervalo das aulas, ele era o centro das atenções. Era visível que isso o divertia, os olhos cor de esmeralda dele brilhavam como se uma luz celeste focasse bem ali. Ela percebia que o moreno não era uma pessoa ruim, não fazia coisas estranhas só pra chamar atenção, era naturalmente assim, como se fosse esse o dom que Deus dera a ele. Quando falava todos prestavam atenção, como se fosse o comandante de um exército. Mesmo sem nunca ter falado com ele, Amelia sentia que o conhecia muito bem, gostava de observar o que o garoto apreciava. Por exemplo: detestava maçãs, mas adorava uvas; tinha um pastor alemão chamado Pulga; sua cor favorita era vermelho e gostava de andar de skate.

Quando ela estava no primeiro ano e ele no terceiro uma péssima noticia chegou em seus ouvidos: o moreno iria se mudar para Califórnia e ficaria lá por um bom tempo. A menina ficou arrasada, mas não se deixou chorar por algo tão fútil como isso. Ele poderia ser substituído, pensou ela. E fez o que sempre fazia, fugiu pra uma festa e bebeu até cair.

No final do ano fizeram uma festa de despedida para Logan, e Amelia não foi, pois, por incrível que pareça, ficou com vergonha de aparecer lá sem nem ao menos ele saber seu nome. E no dia que pegou um avião pra Califórnia, parecia que ele tinha levado um pedaço do seu coração, deixando mais um buraco ali.

Amelia sentiu falta dele por muito tempo, mas depois não pensava mais nele, pois acreditava ser menos doloroso.

Com o passar do tempo ela mudou radicalmente: mudou de escola, parou de beber, de fumar e ia menos em festas, voltou a ler livros, pois eram boas companhias. Mas nunca abandonou as roupas pretas e o hip hop, sua paixão. Quando dançava parecia que tudo ao seu redor sumia e ela pisava em nuvens ao invés de chão, a musica alta ecoava em seus ouvidos e passava como corrente elétrica para os seus pés e não deixava eles pararem. Mas isso era só um hobbie, agora que ela passou a se importar mais com a escola, descobriu sua paixão por exatas, um pouco estranho, admito. Mas foi isso que a impulsionou a entrar para faculdade, e conseguiu passar para uma das melhores do país. Quando a mãe soube que a filha passou no top 10, esqueceu momentaneamente do segredo da menina e a tomou em seus braços. Isso realmente a pegou de surpresa, que deixou algumas lágrimas escaparem, mas deu a desculpa de que era a emoção.

Tudo ia bem no primeiro semestre, Amelia fez amigos e tudo mais... Até que... Apareceu alguém novo na aula de hip hop, alguém que conhecia, alguém que... Logan! Mas ele tava tão diferente... O brilho de seus olhos sumiram, seu cabelo, descuidado e sem corte batia nos ombros e estava bagunçado, suas roupas estavam desleixadas e tinha um piercing no canto esquerdo do lábio inferior. Por mais diferente que estava, para Amelia, ele continuava lindo. Durante a aula ela não conseguia se concentrar, errava os passos, esquecia a coreografia, tudo porque não conseguia parar de olhar para Logan, e não conseguia parar de sorrir também. O que tinha de errado com ela? Porque ainda tinha borboletas no estômago quando estava perto dele? Depois de tanto anos... Será que ainda era apaixonada por ele? Bom... Essa era a chance de sua vida, então no final da aula, tomou coragem e foi falar com o garoto.

— Oi, seu nome é Logan né?

— É sim. Eu te conheço de algum lugar? Ah! Am... Amelia, não é?

O queixo da garota quase caiu de surpresa. Ele sabia seu nome! Todos esses anos e ele sabia quem ela era sim. Não podia acreditar no tempo que perdeu sentada em sua mesa na hora do intervalo pois estava com medo de ser rejeitada quando poderia ter puxado qualquer assunto com o moreno. Burra!

Ficaram sentados num banquinho do lado de fora do studio de dança jogando conversa fora, esperando a carona de Logan chegar. Pouco tempo depois um Corolla preto com vidros abertos e tocando reagge alto parou na frente deles. Dirigindo estava um garoto com os cabelos pretos cacheados e bagunçados, com sorriso impecável, parecendo muito simpático e acenou para ela. Logan se despediu, entrou no carro, se inclinou para o motorista E DEU UM SELINHO NELE. O carro partiu a toda velocidade.

Amelia precisou de alguns minutos para se recuperar do que tinha visto, ficou paralisada no banquinho enquanto absorvia a imagem do seu crush de adolescência beijando outro cara. COMO ASSIM LOGAN HALE ERA GAY? Como nunca havia percebido antes? Ele nunca estava com uma garota, mas ela pensava que era porque ele não se encaixava no padrão de beleza que um cara tem que ter para pegar uma patricinha puta da escola. Mas o tempo todo a verdade estava bem na cara dela e ela nunca percebeu.

Pelo menos isso não a abalou como pensou que iria. Sempre quis ter um amigo gay mesmo. Então era isso que eles seriam: amigos. Só isso. Admito que é um pouco broxante.

Logan, para sorte de Amelia, passou a frequentar todas as aulas de hip hop, então eles se viam toda semana. A menina reparou que ele estava sempre com a mesma aparência: cabelo longo e bagunçado, olheiras, calças de moletom, sem o brilho nos olhos que tinha anos atrás e as vezes tinha cheiro de maconha, mas isso nunca a incomodou pois a personalidade dele continuava a mesma, bom... Quase. Ele não falava mais com tanta gente, e não era mais o centro das atenções sempre, como se tivesse esquecido o próprio dom, como ela esqueceu o dela. Algo provavelmente muito ruim acontecera na vida dele, mas a menina não tentou tocar no assunto.

Eles começaram a passar mais tempos juntos e Amelia se conformou com o fato dele ser gay, pois era um ótimo parceiro de compras. As vezes ela chamava o namorado de Logan, Marcus, pra ir a algum lugar com eles, contanto que prometessem que não ficaria de vela.

Eles passaram a dividir interesses: o garoto ensinou ela a andar de skate, ela fez ele ler alguns bons livros para depois rirem das adaptações em filmes. Eles viraram melhores amigos e o moreno se tornou o porto seguro dela, e mesmo nunca admitindo pra ninguém, lá no fundo ela ainda tinha uma queda por ele.

Um certo dia, nas ferias de inverno, Amelia e Logan decidiram fazer uma maratona de filmes de romance. Pegaram pipoca e coca-cola e se enfiaram debaixo do cobertor no sofá gigante que ela tinha na sala e ficaram um do lado do outro.

O primeiro filme chamava-se "My Girl" que era sobre entrada de uma garota na adolescência, o pai dela começa a namorar e ela tem seu primeiro beijo com seu melhor amigo.

— Nossa, Loh... Vendo isso até me faz lembrar: eu tinha A MAIOR queda por você no fundamental.

— Serio isso?— perguntou, meio incrédulo. Aparentemente era um pouco raro garotas gostarem dele.

— Aham. Você sempre foi gay ou foi algo que descobriu na Califórnia?

O garoto engoliu em seco.

— É... eu, hm.. acho que descobri... na Califórnia mesmo.

A garota deu de ombros e se aconchegou no peito dele. Ela começou a ouvir um barulho estranho e ritmado seguido por sussurros que pareciam estar cada vez mais perto, chamavam seu nome e falavam coisas que não conseguia entender.

— Loh... Você ta ouvindo isso?

— Isso o que?— disse o garoto, distraído com o filme.

Os sussurros se ficavam mais fortes e mais intensos a cada segundo até que se transformaram em gritos. Amelia começou a hiperventilar e fechou os olhos com força até perceber mãos violentas em seus ombros, sacudindo-a. Quando abriu os olhos percebeu que estava gritando e alguém gritava com ela.

— Meli! Meli! AMELIA! O que ta acontecendo?

— Eu... Eu... Você... Você não é gay.

O barulho ritmados os sussurros eram fruto de seu dom. Ela passara tanto tempo sem usa-lo que esqueceu como era e como consequência do desuso, ele ficou mais fortes e os sussurros se tornaram gritos. E gritaram pra ela que Logan não era gay e revelaram os sentimentos que ele tinha por ela, mas precisava esconder por algum motivo que não conseguia identificar.

— Meli, eu...

— Porque?

A pergunta era um pouco vaga mas ele entendeu perfeitamente: porque mentira pra ela? Porque ele fingia ser gay? E então desabafou: contou a melhor amiga que ele e os pais foram para Califórnia devido ao trabalho da mãe, que exigia que ela mudasse de país ou estado eventualmente, mas aí seus pais começaram a brigar e três anos depois ela faleceu em um acidente de carro. Desde então o pai começou a beber muito e se culpava pela morte da esposa, pois eles brigaram feio antes do acidente. O homem já quase não lembrava da existência do filho quando chegava de madrugada em casa, bêbado. Dormia, acordava quando o filho já não estava mais em casa e voltava para um bar beber novamente. E isso se repetiu por meses, Logan achava que um dia o pai ia superar, mas esse dia não chegava. Até que ele bolou uma ideia para chamar atenção do pai: fingiu ser gay. E o homem se sentiu culpado por isso também e passou a dar mais atenção pro garoto. Eles se mudaram novamente para sua cidade natal, mas o garoto continuou com a farsa, com medo do pai o deixar de lado novamente.

Ao terminar de contar a historia, o garoto teve medo da reação de Amelia, mas ela simplesmente o abraçou.

— Você ainda tem aquela queda por mim?— perguntou Logan, relutante.

A menina riu.

— Talvez— piscou pra ele.

O sentimento que ele guardou todos aqueles meses, enquanto eles eram apenas amigos, transbordou e fluiu pelas suas mãos, que puxaram Amelia pelo pescoço e a beijou tão apaixonadamente que era como se fosse seu primeiro beijo e ela correspondeu com a mesma intensidade.
Finalmente, pensou a garota sorrindo entre beijos.

Notas finais
HELOU GENTEE!!!! Eai, gostaram? Eu realmente espero que sim, porque eu fiquei muito nervosa ao postar ASDFGHJKL COMENTEM!!! ESTOU ABERTA PARA CRITICAS, ELOGIOS E SUGESTES. Se tiver algum erro de gramtica ou sla me avisem ok? COMENTEM PFVR ai talvez eu poste alguma outra fic ou oneshot ;)Bjs da Sra. Gold
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!