Whisper & Diving
1 I – To Meet.
A garota andava de um lado para o outro no quarto, mas conseguia a água em sua volta.
Sempre que as coisas com ela ficavam românticas, quando parecia que finalmente tinha a garota em seus braços, os deuses faziam o espírito sair de harmonia e fazer coisas que não queria com a garota, mas estava tudo programado hoje: nada iria interferir, ela finalmente teria seu momento com sua amante.
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Mary, você gosta de gatos?
Desculpe, não era isso que eu quis... Enfim, eu preciso de você, agora. Não demore a aparecer. Estarei lá, e acho eu você já conhece o lugar.
(66) 9706-4587
Enviada às 11h47min
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Mary olhava a tela do celular, indecisa se deveria ir pra escola ou ir ao encontro do remetente, que ela já ligara três vezes e todas elas caíram na caixa postal. Só ela sabia do lugar, nunca contou a ninguém, e sempre verificava se tinha alguém por perto antes de entrar no bosque antigo que ninguém ia mais há séculos.
Seu pequeno segredo havia se revelado (?).
Não, ele nunca foi segredo.
– MARY! – gritava alguém da porta, que ela reconheceu a voz como de Toby, o seu perfeito “boy magia”, como a mesma dizia.
Ela não queria encontrar com Toby agora, nem com as suas piadinhas sem graça que as calouras tanto adoravam. Ele era tão fútil na vida dela, um namorado de enfeite, quase falsificado, não ser pelo fato de eles terem relações sexuais.
Mary bloqueou o celular, desceu o segundo andar e encarou a porta antes de abri-la.
Toby estava com o antebraço direito apoiado no batente e um óculos de sol pousado na ponte do nariz, a expressão de sempre: despreocupado de um jeito superior que fazia a garota ficar irritada.
– Meu Deus, que demora garota! – disse Toby. – Esqueceu que eu vinha?
– Você não disse que viria. – devolveu Mary – Além disso, eu não quero você por perto agora. Tenho que ir... pra algum lugar. – completou.
– É? Vai se encontrar com quem?
– Tchau Toby, vejo você depois. – e fechou a porta na cara dele.
Olhou para a sala, de frente a TV desligada via seu reflexo: uma menina de shorts curto e uma blusa larga que servia como pijama, o cabelo castanho-escuro despenteado a fazia parecer uma bruxa de filmes para assustar crianças, mas pelo menos não tinha olheiras.
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Mary estava de frente ao bosque; o cabelo fora penteado e as roupas estavam apresentáveis.
Faça sua escolha, Mary. O vento dizia em seu pensamento. Entre aqui e mude sua vida... Ele pareceu empalidecer. Ou volte para o chato Toby, que vai te engravidar, ver que você não é tão interessante e te bater, te espancar, mas você não poderá largar dele por causa dos filhos que você não abortou.
Parecia que o vento tinha contado o futuro de Mary; tão detalhamente, parecia até ele tinha vivido tudo aquilo.
E então ela adentrou o bosque, na metade no caminho passou a correr, os galhos que roçavam suas roupas, os tropeções que dava, nada daquilo era importante. Nada.
Quando Mary chegou, finalmente percebeu que estava arfando.
Uma dezena de árvores se estendia em um caminho de rochas cinza que dava para um lago cor de musgo.
A garota olhou pelas árvores, uma coisa peluda estava andando entre elas. Um gato branco estava passeando por ali. Mary observou cada movimento, atenta para todos os seus músculos se flexionando.
E o gato foi se aproximando dela...
E ele fez algo que um gato normal nunca teria feito: ele pulou na água fria.
Invés de Mary ficar preocupada se o gato se ele estava com frio ali dentro, ela ficou desapontada. Por que ele se aproximou tanto dela, seu nariz quase tocando o joelho da garota, e depois pulou na água?
Ela se pôs de pé e andou até a beirada do lago: não tinha vestígios de que gato nenhum tinha passado por ali, só a escuridão, porque o lado era realmente grande em proporção à largura e profundidade. Ela estava quase indo embora quando uma fita branca apareceu no meio da escuridão, o ponto mais colorido que ela vira desde que entrara na floresta: ali só tinha verde, marrom e preto.
E a fita foi ficando mais larga, até de tornar em um laço preso num vestido branco de babados da época vitoriana, mas mesmo na água, o vestido não estava molhado.
E no vestido tinha uma garota de traços finos e fortes, os olhos eram o que mais se destacavam: íris negra – uma negritude que Mary adoraria se mergulhar e se apaixonar –, os cílios pequenos e espessos, olheiras roxas que a fazia parecer cansada.
Não se precisava de palavras para as duas se comunicarem.
O cabelo loiro se espalhava na água por todos os lados, e os braços estavam abertos e erguidos para o céu, o que fez, quando ela chegou a superfície, abraçar Mary e a levar pra dentro a água.
Aproxima seu rosto do dela...
E, quando os lábios se tocaram, a água pareceu estar quente. Tão quente, tão bom.
Ao toque, elas se agarraram, se abraçaram, e Mary se lembrou de todas as suas vidas passadas, e todas as memórias de Gabrielle.
Elas nunca poderiam ficar juntas, era a ordem dos deuses, uma punição por as duas terem fugido juntas quando seus pais diziam não para o casal.
E os segundos foram se passando, as garotas se beijavam cada vez mais com vontade e ternura.
O problema era que Gabrielle conseguia respirar debaixo da água, e Mary...
Foi perdendo a vitalidade... – Gabrielle achou que poderia ficar com a mocinha dessa vez, achou que a vilã poderia ser feita por uma pessoa que fazia o leitor amar até o vilão, mas, por brincadeira dos deuses... – E ficou claro que lhe faltava ar.
Mas, quando a garota tentou sair da água, Gabrielle a levou para mais fundo.
Mais fundo...
E finalmente a vida havia se esvaziado dos pulmões de Mary.
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