Where Are You Now?

4 Capítulo 4: WHERE THE F HAVE YOU BEEN?


Notas iniciais
Oi, oi! Estou voltando com os capítulos dessa fic. E venho por meio dessa humilde 'nota de capítulo' para avisar que esse é o penúltimo da história :(

Capítulo 4: WHERE THE F*** HAVE YOU BEEN?

PDV Jade

Oh, merda. Ele me pegou totalmente despreparada e isso me deixou completamente puta. Havíamos acabado de nos beijar. O meu primeiro beijo tinha justo que acontecer com aquele sedutor-barato?

Me senti culpada, mas não por ele ser comprometido. Não, me senti culpada por eu ter gostado do beijo, da forma como me envolveu e enrolou a língua dentro da minha boca... Foi sutil, calmo. Mas totalmente errado!

Desde muito cedo desprezei os garotos, por achá-los muito nojentos. Então, beijar um deles seria algo que estava fora de cogitação!

— Eu... — ele deu um sorrisinho bobo logo após me beijar. — Desculpa, eu não devia ter te beijado...

— Quer saber, esquece. — bufei, empurrando-o e me distanciando dele.

Segui em passos rápidos para um rumo qualquer naquele cemitério. Sim, o meu primeiro beijo ocorreu dentro de um cemitério.

— Ei, Jade! — ele berrou, vindo atrás de mim. Acabou me alcançando e me parando em frente a um tumulo de um ator famoso dos anos 50. — Calma, não precisa fugir de mim, ok?

— Não estou fugindo, estou indo para casa. O nosso passeio acaba aqui. Vou pegar um táxi.

— Não. — me pegou pelo braço. Percebi que ele não teve a intenção de me impedir de ir com tamanha impulsividade; portanto, me largou sem hesitar: — Desculpa. É que... Você veio comigo, então o correto seria você voltar comigo. Vamos, te deixo em casa.

O fitei, chateada. O que eu poderia fazer para me livrar dele? Beck não se sentia nada intimidado com a minha pose, muito menos com a minha expressão fechada para ele.

Ele iria ficar no meu pé até que eu aceitasse a sua carona.

— Você é insistente, né? — bufei. — Tá, vamos logo.

— Ótimo. — ele abriu um enorme sorriso. — Só tem mais uma coisa... — olhou em volta, meio em dúvida/desnorteado.

— O quê? — bati o pé, cruzando os braços.

— Onde é a saída desse cemitério? — fez uma careta medonha; o que me arrancou um sorrisinho bobo.

— Por aqui. — segui na frente, ainda de braços cruzados.

[ DENTRO DO CARRO ]

Beck assumiu o volante do veículo, dirigindo a mais de 30 km/h em uma estrada sem muitos carros. Enquanto isso, eu, sentada a sua direita, ia bisbilhotando as coisas que o moreno guardava em seu carro. Cheguei a encontrar alguns CDs de rock, fotos de cachorro e restos de comida.

— Vai me dando a rota. — gentilmente, ele me pediu, sem tirar os olhos da pista.

— Você já ouviu falar em GPS? — revirei os olhos, entediada.

— Sim, mas não uso. Estou tentando me livrar da tecnologia.

O fitei por um instante.

— Você é bem esquisito, sabia?

— Olha só quem fala. — riu de um jeito sarcástico. — A garota que me arrastou pra um cemitério no meio do nada.

— Eu não te "ARRASTEI". Você que quis vim junto. Você que quis conhecer o "meu mundinho"... E, ah, vira na próxima esquina.

Beck acabou virando para a esquina contrária, o que me aborreceu intensamente. Estava começando a escurecer e eu continuava na companhia daquele moreno.

— Não essa, idiota. AQUELA LÁ QUE PASSOU! — apontei desesperadamente para a direção que ele perdeu.

— Tudo bem, relaxa. Vamos encontrar um retorno mais a frente. — ele me garantiu, super tranquilo. — Está com fome? Quer parar para ir no banheiro?

Me questionou e eu nem me dei ao trabalho de lhe responder.

— Bom, vou supor que essa sua cara fechada seja um "não". Seu problema não deve ser fome. — zombou.

— Qual a sua, hein?! Curte tirar os outros do sério? — eu o questionei. — É esse o seu hobby favorito?

— Olha, não é a minha culpa se você saí do sério tão facilmente. Não tô nem fazendo esforço, olha só... — se exibiu, tirando as mãos do volante por um momento. — Mas já que tocou nesse assunto, vou falar a verdade...

Trocou olhares comigo:

— Eu só aceitei vim com você para esse passeio sinistro porque senti desde o princípio que somos parecidos. Claro, você tem o seu jeitinho bem perspicaz de encarar o mundo; mas sinto que temos algo em comum. Você reparou que as pessoas a nossa volta não estão mais tendo 'isso'... — apontou para si e para mim.

— "Isso" o quê?

— Isso... — Beck se explicou melhor: — Essa nossa troca, nossa conversa...

— E você não conversa com a sua namoradinha? — lancei-lhe um olhar desafiador.

Beck ficou mudo.

— Oh. Desculpa. Toquei em um assunto delicado? — perguntei, debochando.

— Não... É que... A Tori é diferente. Ela vive presa na bolha dela, nas amigas dela. Tudo gira entorno dela. Uma vez ela quase me obrigou a participar do grupo de canto da escola, mas eu preferi entrar para o clube de teatro e me orgulho dessa minha escolha.

— Nossa. Se tá tão ruim assim, então... Então por que você não termina com ela? — bem que eu iria gostar.

— Não é tão simples assim.

— É sim. — retruquei.

— O que você sabe de namoro? Nunca deve ter namorado.

— Ok, eu posso nunca ter namorado na vida, mas seja sincero com você mesmo! — praticamente berrei. — Está ruim o bastante para você ter beijado outra, me beijado! — enfatizei.

Ele se calou, assim como eu me calei. O meu modo explosivo que argumentei deve ter feito o moreno refletir e cair na real.

O restante do percurso, Beck e eu viemos em total silêncio. Ele vinha se aproximando da minha residência. Reconheci a rua por onde vínhamos entrando.

— Você mora em qual dessas casa? — ele quis saber, manobrando o volante.

Nem lhe dei reposta. Mais que imediatamente, retirei o cinto de segurança e saí do carro, ainda em movimento. Optei por me direcionar a pé mesmo (minha casa ficava há 60 metros, aproximadamente, de onde desci).

Olhei de relance e notei que Beck não fora embora. Ele continuou me acompanhando em seu carro, que se aproximava lentamente, quase parando.

— Você já pode ir, sabia?! — gritei para ele.

— Ficarei mais tranquilo quando te deixar "na porta" da sua casa. Agora, vai. Entra no carro e deixa eu cumprir com o nosso combinado.

— Não, obrigada. — virei o rosto e segui os com meus passos.

— Jade, eu não tô brincando. Entra no carro.

Fingi que nem era comigo. Continuei caminhando com certa calmaria.

— Ah, é? Então tá. — Beck subiu a janela e arrancou com o carro, sumindo do meu ponto de vista.

Ufa. Finalmente, a paz!

Por mais que eu estivesse andando sozinha em uma rua pouco iluminada e arborizada de Los Angeles, eu não me sentia completamente "desacompanhada". Daqui para frente seria somente 'eu' e os 'meus pensamentos'.

Segui por uma rua estreita na maior tranquilidade. Confesso que andar de noite era algo confortante para mim; muito embora o meu pai me aconselhasse a não andar desacompanhada em ruas escuras (como a que eu estava).

O meu sensor de perigo ficou em sinal de alerta quando avistei mais a frente dois homens conversando entre si. Um deles, o careca, estava em pé, fumando um cigarro; enquanto o outro, sentado na calçada, tinha umas tatuagens esquisitas no pescoço.

Suspirei fundo. Para evitá-los eu decidi atravessar a calçada e continuar o meu percurso como se nada tivesse acontecido. No entanto, reparei que eles direcionaram o olhar para mim.

Abaixei a cabeça, coloquei as mãos no bolso e continuei a caminhada. Tive a erronia ideia de olhar para trás — mesmo que de relance — para ver se eles continuavam me observando. E, SIM, ELES ESTAVAM.

Mais do que isso! O careca, que estava em pé, jogou o seu cigarro no chão, atravessou a calçada e veio me seguindo.

— Oi, gatinha.— ele chegou a sussurrar no meu ouvido. Aquele idiota exalava nicotina até quando ousava respirar ao meu lado.

— Dá o fora! — ordenei, revirando os olhos. Não me sentia intimidada com a presença daquele cara esquisito, mas devo admitir que, pela primeira vez, o medo se fez presente.

— Ih, ela é bravinha.— riu. — Curti muito o seu estilo. Te ver com esse seu piercing no nariz tá me dando um tesão...

Apressei os passos.

— Ei, corre não, gatinha.— ouvi ele dizer. — Só quero conversar com você.

A minha salvação vinha se aproximando. Não pensei duas vezes e acenei para o carro que parou a poucos metros da calçada em que estava. O veículo era de ninguém menos que o Beck, que deixou a porta aberta para que eu saltasse sem hesitar.

Nem sequer coloquei o cinto de segurança e o moreno já deu uma arrancada brusca com o carro, seguindo em linha reta.

— Caramba, você tá bem? Aquele desgraçado tocou em você?

— S-sim, tô bem! Tô bem agora! — passei a mão no rosto e sentindo o coração mais acelerado do que o seu carro. — C-Como sabia que eu estava em perigo?

— Eu não sabia... — ele admitiu. — Resolvi dar meia-volta porque estava perdido.

— É, bem, vamos ter que voltar lá...

— VOLTAR? TÁ DOIDA?

— Eu moro ali! Duas casas depois daqueles caras esquisitos! — expliquei.

— Ah... Ah... Claro. — Beck arregalou os olhos, fazendo o que eu pedi.

O moreno parou exatamente na entrada da minha casa. No momento em que ele desligou o carro e as luzes de dentro do veículo se acenderem, pude perceber algo nele. Não era a sua beleza que me chamava a atenção.

Mas, sim, o mistério. Beck tinha um ar indecifrável em sua expressão facial. Eu, por exemplo, não sabia absolutamente nada a seu respeito e isso, de certa forma, me fez despertar uma espécie de "encanto" doentio. Poderia chamar isso de paixonite platônica?

— Valeu. — agradeci, expondo um sorriso sincero no rosto.

— Não há de quê. — ele me deu uma simples piscadela, enquanto dava uma ajeitada em seus cabelos rebeldes (que insistiam atrapalhar a sua visão).

A troca de olhares, assim como o silêncio constrangedor entre nós dois, foi essencial para que eu tomasse a decisão de me retirar do carro e entrar em minha casa.

— É melhor eu entrar. Já está tarde. — falei, já pronta para abrir a porta do carro e sair.

— Sim, sim. Quero agradecer pelo "passeio macabro". — ele fez uma careta engraçada. — Tenho que admitir que foi bem divertido.

— É, foi mesmo. Você até que não é tão chato quanto parece.

— Obrigado, isso significa muito para mim. — disse ele de um jeito bem sarcástico e sexy.

Gargalhei. Por um momento, me esquecera que eu já poderia sair do carro. Algo nele me fazia se sentir atraída/presa àquele banco do seu carro.

— Você não vai entrar na sua casa? — ele quis saber, lançando um olhar penetrante.

— Sim, é que... — abaixei o olhar, me colocando de frente par ele.

— Ah, já sei. — ele me impediu de falar. — Você vai me pedir para se afastar depois do que eu te fiz, né? Tudo bem.

— O quê? Do que você tá falando?

— Do beijo que eu te roubei. Deve ser por isso que você ficou tão irritadinha e...

Nem o deixei finalizar a frase. Tomei uma atitude que nem eu mesma esperava tomar: avancei para cima do Beck. E avancei pelo simples fato de querer sentir novamente a sensação boa que os lábios dele trazia. O enroscar das línguas...

De início ele recuou um pouco, talvez tenha ficado assustado, mas logo se situou do que acontecia ali. Ele, de certa forma, me "ensinou" e teve a audácia de conduzir o beijo. Usou de toda a sua calmaria para tocar em minha nuca e enroscar a ponta do seu nariz no meu.

— Agora estamos quites. — falei, logo após sessamos o beijo. "Quites" por eu também ter lhe roubado um beijo.

O toque dos seus lábios era viciante... Me fez desejá-lo mais e mais... E, quem sabe, poderíamos ter prolongar aquele delicioso beijo se não fosse pela droga do carro do Beck, que começou a apitar e piscar o farol freneticamente.

— AH, MERDA! — Beck pegou a chave para desligar aquela joça barulhenta.

Me afastei, completamente assustada. Fiquei ainda mais assustada quando reparei no meu pai, de braços cruzados, parado bem na entrada de casa.

A quanto tempo ele estava ali?

— Vish, sujou. — recolhi as minhas coisas na maior rapidez.

— É seu pai? — Beck me perguntou, tenso. Assenti com a cabeça. — É... Ele parece com você, sabe? Me parece bem bravo também.

— E ele é! É melhor eu ir. — me retirei do carro e, ainda assim, pude escutá-lo dizer: "Tá explicado de onde você herdou toda essa braveza".

Saí do carro do Beck e corri para dentro de casa, sem nem ao menos trocar olhares com o mal-encarado do meu pai — que permanecera parado na entrada até que o moreno e seu carro barulhento se retirassem.

Naquela noite ainda tive que suportar o meu irmãozinho mais novo, o Richie, zombar da minha cara durante o jantar em família. O moleque ficava o tempo todo cantarolando: "JADE TÁ NAMORANDO! JADE TÁ NAMORANDO!"

A minha vontade era de esganá-lo.

PDV GERAL

Por volta das 7 da noite quando Beck, que se dirigia para a sua casa, recebeu uma chamada inusitada de sua namorada Tori Vega.

BECK: Oi, amor, estou dirigindo e não posso falar agora...

TORI: ONDE VOCÊ ESTAVA?!

BECK: Eu? É...

TORI: Nem adianta enrolar, Beck. A Hayley e a Ariana me mandaram mensagem agora pouco. Tenho fotos suas com aquelazinha de mechas azuladas. Estou até sabendo que vocês dois saíram juntos da Hollywood Arts. AGORA, ME CONTA! PRA ONDE VOCÊS FORAM?

Notas finais
E aí??? O que acharam??/ Sem passar pano pra traição, né? Mas Jade e Beck juntos >>>>>>>> A Tori não está errada de achar que o Beck e a Jade tiveram algo hehehe A CASA CAIU!! O próximo capítulo se passará nos tempos atuais. Os capítulos anteriores foram os "flashback" antes do Beck desaparecer. No próximo e último, iremos desvendar esse mistério. Ui!