When you'll open your eyes
2 Capítulo 2
Notas iniciais
Um sentimento de alívio se formou ao ouvir a voz da minha senhora. Porém, esse sentimento não durou muito ao ver sua forma na minha frente caminhando em minha direção sorrindo como se eu não tivesse feito nada de errado.
— eu tenho nome sabia? – agir como uma criança mimada com certeza irá fazê-la me detestar devidamente.
— Oh erro meu! – ela deu um risinho adorável – prefere cidadão gostoso? –
Eu podia sentir a minha cara esquentando. Ela está me provocando... Não que eu odeie isso. Na verdade, posso e acostumar numa boa!
— Você não está acompanhada do seu cavalheiro hoje... – tentei disfarçar a provável expressão de retardado que eu estou fazendo agora.
— Acho que é a hora da soneca do gatinho – notei um pequeno sorriso de canto e me animei com a ideia de estar em seus pensamentos, nem que seja um pouco.
— Hn... Sobre os gatos... É complicado, eles-
— Não gostam de concorrência? – como sempre tem uma resposta pra tudo, tão adorável...
— Por incrível que pareça... É sim – Ouvi uma risada estúpida sair da minha boca e a engulo fingindo que nada aconteceu.
Para minha surpresa, sua linda risada preencheu o ar e parecia que Paris não estava iluminada antes disso.
— E oque um cidadão gostoso faz aqui tão longe de casa? – ela estava mantendo uma distância segura de mim talvez notasse o meu receio, sinceramente eu não sei, às vezes a culpa fica estampada na cara.
— Estava... Pen... sando. – dei um passo pra trás tentando esconder o que já era óbvio.
— Parece algo realmente importante – aquele olhar preocupado fixo em mim, hipnotizante olhar – não quer dividir comigo? Talvez eu possa ajudar –
— Na verdade isso é algo que só eu posso fazer... –
— Estou curiosa... – Ela estava ficando muito perto – o que poderia ser...? – seus dedos foram em direção ao meu rosto, mas pararam no meio do caminho – é um segredo importante? – fitei sua mão macia e não me impedi.
Encostei meu rosto na sua mão estendida, me aninhando igual a um gato. Notei tarde demais que ronronava como um também.
Quando voltei a abrir os olhos, sua face avermelhada me fez ter pensamentos impróprios pra minha idade no primeiro segundo, porém no segundo seguinte eu me dei conta do que estava fazendo me envergonhando também. E dos meus pensamentos impuros.
Mas não me afastei.
Ela também não tirou a sua mão.
Na verdade começou a acariciar minha bochecha com o polegar.
Eu poderia beija-la.
Seria perfeito.
O rosto de Marinette passa na minha mente.
E então, me lembrei do por que o babaca do cidadão gostoso está longe de casa.
Esquivei-me de sua delicada mão e fiquei olhando um gato a distância lamber a própria pata.
— Sabe... Um amigo... do.. do meu trabalho de modelo me perguntou uma coisa que eu não soube como responder – procurei pelas palavras certas. Odeio a ideia de ter mais segredos com a minha lovebug.
— Sim...? – Seus olhos me encaravam tão profundamente.
Azul e verde.
Vermelho e preto.
Sorte e azar.
—Ele... Bem, ele se apaixonou pela primeira vez por uma... Garota peculiar. – Tento me concentrar no que dizer e não me perder nos olhos da mulher da minha vida e futura mãe dos meus filhos – Ele não parece ser correspondido, mas ele não consegue pensar em outra coisa além dela! Bom... Até recentemente. – fechei os olhos, de repente ofuscados pela sua imensidão azul – tem essa garota... Uma amiga dele, ela é muito especial pra ele... Não que a primeira garota não seja! É só que de uns dias pra cá parece que eu- que ele a viu pela primeira vez como mulher sabe? –
Me senti um lixo no exato momento em que eu admiti em voz alta pra mim e pra minha senhora que eu estava atraído pela minha amiga. Fitei o chão envergonhado.
— Parece uma situação onde qualquer decisão, alguém sairá ferido... – Seus olhos curiosos me estudavam sempre atento a qualquer movimento, porém não devolvem nada de volta, me deixando apenas à imaginação os seus pensamentos.
— O que você acha que... Devo falar a ele? – estava ficando difícil organizar os pensamentos com seu cheiro exótico me anestesiando.
— Ele deve ser rápido, seria meu conselho – só percebi a presença do gato quando ela se abaixou pra pegá-lo no colo – cedo ou tarde ele ficará sem nenhuma das duas, sabe como é... Mulheres não gostam de homens indecisos – e com uma piscadela me rouba um risinho de idiota, eu nem quero ver como está a minha cara agora...
— Mas o problema é que ele quer as duas! – Ladybug arregalou os olhos – Quero dizer, eu não sei te explicar direito já que não é comigo e... Você por um acaso gosta de café? – E pela segunda vez na noite, eu estava tendo uma ideia estúpida e não previamente pensada, mas que aparentemente a pega desprevenida fazendo-a piscar algumas vezes sem entender.
— Ahn... Acho que sim. Por quê? – Ela desviou o olhar envergonhada.
— Quer me dá uma carona pra casa? Eu posso te oferecer um café! Ou alguma outra coisa, se quiser... – Meu corpo recheado de luxúria pra você fazer oque bem entender dele.
— Ok –
— É claro que nã- espera! Ok?! – Procurei em seu olhar algum indício de que estava delirando, mas ela apenas devolvia o olhar, aparentemente também não pensou muito no assunto.
— porque não? – ela revirou os olhos dramaticamente — Paris me parece calma essa noite e eu não tenho exatamente nada pra fazer entããão, aceito qualquer coisa pra beliscar –.
Sorri abertamente com o seu fingimento de desinteresse, o jeito nervoso em que ela mexia as sobrancelhas e o seu sorriso torto forçado a entregava. Como Adrien, o que mais adoro é a sua tentativa de me impressionar. Tão fofa!
— Sabe o que é incrível? – olhei pros lados discretamente, entrando na brincadeira. Inclinei-me na sua direção até ficar perto o suficiente do seu rosto – eu sei aonde eles escondem os biscoitos – sussurrei de um jeito conspiratório depois de uma piscadela.
Ela soltou o gato que, com o susto, tentou me atacar no ar e por puro reflexo me esquivei dando um passo pra trás sem conseguir conter um xingamento pelo susto, foi quando fui surpreendido novamente pela sua risada contagiante, me fazendo rir também novamente com uma expressão mais estúpida do mundo na cara.
— Pronto pra ir amante de gatos? –
Eu ainda estava tentando esconder a minha cara de idiota então só respondi com um aceno a fazendo me segurar na cintura. Oh Lord, ela vai me beijar agora?!
Mas com a força de algo me puxando, senti como se estivesse sendo lançado longe, mas sua mão me segurando firmemente me lembrou de que não devo me preocupar com nada, mesmo não me acostumando com a velocidade e estranhando a minha incapacidade de distinguir as coisas ao meu redor devido à falta dos meus sentidos de gato.
Fechei os olhos e me deixei ser levado com vento batendo em meu rosto e a envolvi na cintura numa tentativa estranha de me segurar, mas não deu muito certo, e também não é que eu tenha odiado ficar agarrado com minha amada enquanto estamos meio que voando meio que caindo a caminho da minha casa.
A viagem foi mais curta do que eu imaginava e lá estávamos, nos equilibrando em cima da mesma janela na qual fugi, olhando para o interior do meu quarto sem saber exatamente o que fazer.
Fui eu quem deu o primeiro passo adentro. Observei por cima do ombro my lady deslizando para dentro do meu quarto e constatei aliviado que o Plagg ainda dormia enrolado nas cobertas como um croissant. Eu realmente preciso comer alguma coisa... Daqui a pouco eu vou começar a ver bolos flutuantes e marias-moles dançantes.
Com um suspiro genuinamente cansado segui em direção ao longo corredor sem nem me preocupar em avisa-la já que não é a primeira vez que ela está na minha casa, embora em todas as outras fossem relacionadas a ataques de akumas.
Na cozinha, tento fazer o mínimo de barulho e bagunça possível preparando pela primeira vez pra algum ser vivo beber o chocolate quente do Adrien.
Volto no quarto com uma bandeja atolada de biscoitos e dois copos que pus alguns Marshmallows em cima por puro capricho.
— Isso... É verde? – Seu olhar de curiosidade atiçou ainda mais o meu ego felino.
—Sim... – um sorriso maroto se formou lentamente – e sabe o que é melhor? – levantei uma sobrancelha a desafiando me questionar – é totalmente bebível e realça meus olhos brilhantes – mordi a língua, me lembrado que não estava com o uniforme no momento. Droga... Perdi a chance da piada perfeita. Como Adrien, isso soou totalmente como um comentário de um modelo. Eca!
— Concordo. – respondeu veemente
— Pois não deveria! — me impressiono com a minha cara dissimulada já que internamente estou tentando engolir um grito – não sem antes saborear o incrível chocolate do Adrien! – isso, desvie suavemente do assunto principal. Ninguém quer ter esperanças e pensamentos impróprios pra faixa etária dessa história... Não é?
Minha senhora desviou o olhar murmurando alguma coisa.
— O que disse? —
— NAada! N-não disse nada! – pela primeira vez a ouvi desafinar e gaguejar na mesma frase, e isso! Foi o ápice da fofurisse do dia. Gravada na memória para sempre.
— Tem certeza? Tenho certeza que ouvi algo sobre sabor de alguma coisa... Você quer tanto assim experimentar o chocolat vert chaud suprême? Tô comovido! – e de novo não consegui disfarçar o sorriso idiota.
— Você não tem ideia do quanto... – Ela só está sendo cortês! Esse olhar na minha boca é só ela pensando em como um modelo profissional pode fazer uma cara tão estúpida tantas vezes na mesma noite, porém é muito educada pra comentar qualquer coisa em voz alta.
—Bom! – percebi tarde demais que ainda segurava a bandeja – Então... V-vamos lanchar antes que esfrie! – depositei os biscoitos em cima do sofá por falta de uma mesa de centro e dei a taça pra ladybug quando ela passou na minha frente para logo se sentar ao meu lado. Tem um grande prato de biscoitos entre nós, mas como nem é uma coisa viva então não conta.
Prendi a respiração quando a vi levar a taça em direção à boca, o que parecia uma eternidade até que ela se vira bruscamente.
— A menta é o que deixa dessa cor! – segunda memória gravada para sempre no meu coração: seus olhos brilhantes fascinados me encarando, suas bochechas avermelhadas por debaixo da máscara e o seu sorriso infantil com um pouco de líquido esverdeado no canto da boca que quase me fez ataca-la ali mesmo.
Porém, com o filete de autocontrole que me restava, me limitei em apenas alcançar seu rosto com a ponta do polegar e depois levando a minha boca, tudo isso sem desviar dos seus olhos que agora me fitavam surpresos com a intimidade.
— A hortelã... É o que deixa dessa cor – a corrigi com a voz rouca – deve ser feito com chocolate branco... E essência de baunilha – e suavemente, coloquei o meu braço no encosto do sofá sem que ela se dê conta do ato.
— E o que mais...? – não parece que my lady notou que estava se inclinando levemente em minha direção, muito menos que a sua voz soou manhosa como de uma gatinha.
— Eu esqueci – eu também estava me inclinando em sua direção – acho que... Eu não me importo com a bebida... – respondi em total transe.
Droga eu quero tanto beija-la que chega a doer. Ela está logo ali! Quase que me pedindo pra fazer isso.
Consigo sentir o meu eu felino esmurrar as paredes da sua prisão de dentro do meu ser desesperado em tocar a ladybug, sentir a ladybug, tê-la totalmente pra mim. Consigo até ouvir seus gritos implorando para ser libertado.
Minha mascara já estava estilhaçada no chão revelando o meu semblante selvagem, faminto, ansiando pelo seu corpo por tanto tempo. Apenas aguardando o momento em que minha senhora me permitisse.
— a senhora permite que esse animal inútil realize o desejo egoísta de toca-la? —
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