Notas iniciais
Olá faz tempo que eu não apareço por aqui estava com um tempinho livre e resolvi postar essa fic espero que gostem.

Sentia sob minhas pernas a umidade daquele chão frio, mas já não importava, como todo o resto, sem ele aqui o que haveria de importar afinal? Certamente não o frio que eu podia sentir até na minha espinha, muito menos meu rosto já desfigurado pelo excesso de lágrimas, eu era um desastre emocional ambulante e não lembrava a ultima vez que atingira o fundo do poço, mas não pode ter sido pior que isso. No espaço de uma semana eu fui em dois extremos, conheci a felicidade em seu estado pleno e em seguida tive o coração partido em milhões de pedaços, sem nenhum motivo aparente e em ambas as situações tendo o mesmo guia. Lembrava claramente de suas palavras dolorosas, sem dúvida com o objetivo de me fazer sair dali. Ainda podia sentir nosso ultimo beijo, uma tentativa falha, diga-se de passagem, de fazê-lo entender o erro que iria cometer. Algo estava errado era óbvio, mas nada podia estar mais fora do lugar que nós dois separados, ele me amava disso eu sabia, quantas vezes ele me disse isso eu não saberia dizer e nessa semana seu “eu te amo” vinha sempre acompanhado de um “nunca duvide disso”. No outro cômodo o celular de Carly tocava, pelas minhas contas era a quarta ligação. Ela não estava em casa, havia esquecido o celular como era costume e a música que tocava tragicamente narrava minha história, era Last Kiss da Taylor Swift. Nunca pensei que odiaria uma música dela, mas agora era fato, eu odiava. Não suportava mais ouvir aquelas palavras que agora descreviam minha triste realidade. Levantei com pesar, fui até o quarto da Carly, peguei o celular e o nome que vi na tela me deu um aperto doloroso no peito, mais lágrimas rolaram por meu rosto. Deitei na cama dela abraçada ao celular que agora havia parado de tocar, meio minuto depois tocou novamente, tentei me recompor, respirei fundo. Sim, eu atenderia o cara que acabou de me deixar em pedaços que foi embora depois de várias promessas que remetiam a um futuro juntos. Aceitei a ligação e levei o celular ao ouvido.

- Carly – ele falou com a voz embargada, pelo seu tom de voz era notável que ele estava tão destruído quanto eu. – Sei que você deve estar querendo me matar, mas só me escuta tá. Eu estou um caco e sei que ela deve estar também, você sabe que era necessário, eu não poderia suportar a pena em seus olhos, eu sei que o que ela sente por mim é forte mas eu não quero que ela passe por isso. Essa é a melhor coisa que eu posso fazer por ela. – ele se calou, e de repente senti algo dentro de mim se quebrar, eu estava louca ou realmente ouvi o som de vidro virando cacos? “pena em seus olhos”, “não quero que ela passe por isso” e porque me deixar era o melhor a ser feito por mim? Eu sabia a resposta, mas estava empurrando para o mais longe possível de mim. Aqueles exames... não eram do Gustavo é claro, eram dele, como eu fui idiota por não desconfiar.

- Freddie os exames, eu... eu... você não podia ter escondido isso.

- Sinto muito Sam, eu não sei o que dizer.

- Tô indo aí agora.

- Eu queria te deixar longe disso. Por que você não facilita pra nós dois?

- Eu chego aí em 20 min.

Desliguei sem deixar que ele respondesse, chamei um táxi, não estava em condições de dirigir. Tomei um banho rápido peguem uma roupa qualquer e desci para esperar o táxi que não demorou mais que cinco minutos.

Passei o endereço e em 10 minutos cheguei ao apartamento do Freddie, o porteiro me deixou subir sem questionar como ele freqüentemente fazia. Bati na porta dele e esperei o que pareceu uma eternidade. Ouvi um suspiro alto do outro lado da porta, essa situação certamente era difícil pra ele, eu só não sabia o quanto, estava ali para descobrir.

Ouvir a porta ser lentamente destrancada, ele abriu caminho para que eu entrasse sem me olhar nos olhos, também não tinha coragem de lhe encarar. Sentei no sofá e senti ele sentar ao meu lado, encarei minhas mãos que se mexiam freneticamente no meu colo e resolvi quebrar o silêncio.

- Você vai me explicar o que ta acontecendo. – senti seus olhos caírem fixamente sobre mim.

- Não. – ele falou firmemente.

- Por quê? Você acha que eu não mereço saber?

- Não, não merece, mas não pelo motivo que você está pensando, não é falta de confiança. Eu já condenei vidas de mais Sam, entende que eu não quero fazer o mesmo por você.

Ele pôs a mão no meu rosto e o puxou com o intuito de me fazer encarar-lhe. Desviei os olhos e ele soltou meu queixo.

- Você não consegue nem me olhar nos olhos e acha que pode lidar com isso?

-Pelo visto você não me conhece direito. Devia saber que eu vou descobrir de uma maneira ou de outra.

Nos encaramos por um tempo ele me puxou pra mais perto e me abraçou. Ficamos um longo tempo assim.

- Freddie?

- oi?

- Você ainda sente alguma coisa por mim?

- Alguma coisa? – Ele gargalhou. – Eu te amo Sam.

- Mas Você terminou comigo.

- Eu fiz isso por você, não dá mais pra ficarmos juntos.

- Se você ainda me ama então posso enfrentar qualquer coisa.

- Por que você é tão teimosa?

- Freddie o que quer que esteja acontecendo você sabe que pode dividir comigo. Eu nunca te dei motivos pra pensar o contrário, ou dei?

Ele respirou fundo, se soltou de mim e entrou no quarto. Eu não sabia se devia segui-lo então esperei no sofá. Alguns minutos depois ele voltou com um envelope em mãos, o mesmo que eu vi na bolsa dele no outro dia que segundo ele eram exames de rotina que o Gustavo o pediu pra pegar, mas a clínica montes claros não faz exame de rotina, mesmo sabendo disso na hora deixei o assunto pra lá.

Ele me entregou o envelope, o olhei apreensiva, abri o envelope, tirei os papéis e comecei a ler. Perdi o ar quando vi algo pior do que havia imaginado, a princípio não entendi aquela baboseira formal, até ver aquelas palavras gritantemente destacadas em negrito: “ Tumor Reincidente”. De repente eu parecia tão impotente, de mãos atadas ali, enquanto algo consumia aquele ser antes visto como forte, mas que agora me parecia tão absurdamente frágil.

- Como assim reincidente? Você já teve câncer?

- Sim, quando eu era criança. Foi uma fase difícil da minha vida, mas eu acabei superando, estava sem vestígio de câncer á 14 anos. Sempre achei que um dia ele voltaria. – Ele chorava copiosamente, nunca o havia visto assim. – Jamais me permiti ter esperança, até o momento que você entrou na minha vida, pensei que eu tinha recebido uma nova chance, que eu poderia ser feliz e eu realmente fui, até receber esse diagnóstico. Tive um mal estar, coisa simples por isso nem lhe falei nada. – Ele sentou ao meu lado e pegou minhas mãos. – O médico disse que na melhor das hipóteses eu tenho dois meses de vida, não há nenhuma chance de cura. Você percebe o quanto isso é injusto? Antes eu tinha a perspectiva de que viveria por muitos anos, mas não tinha motivos pra querer estar vivo, e agora eu tenho motivo, mas não tenho tempo suficiente.

Suas palavras se embaralharam na minha cabeça, estava presa aos dois meses. Ele seria arrancado de mim na melhor das hipóteses em dois meses, depois disso seria eu a pessoa sem motivo para continuar viva. Mas independente da situação ficaria com ele pelo tempo que nos fosse dado, só o deixaria quando ele me deixasse. O que aconteceu a exatos dois meses depois daquele fatídico dia. E se eu pudesse voltar ao exato momento em que o conheci e mudar isso, eu não faria, por mais que a dor de tê-lo perdido seja excruciante não é maior que a vivacidade que ele trouxe a minha vida.

Notas finais
O que acharam?? Me digam, please.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!