When the Sun goes down
2 What is this feeling?
Notas iniciais
O homem riu. Ela estranhou a reação. Não fora uma piada e ela nem mudara sua voz para falar.
– Do que ri? – Finalmente perguntou. Tinha medo dele estar vendo ela, e talvez estivesse com lama na blusa ou nos cabelos para estar tão engraçada.
– Você. Não precisa me agradecer. E eu não salvei sua vida, nem mesmo a cobra era venenosa. Se me permite o abuso, acho até que foi um pouco dramático esse seu obrigado. – Ele se desvencilhou de um galho e começou a trilhar um caminho que até então, Sam não conhecia. Ela não se movia. A resposta fora tão simples e pequena, mas de tão impacto nela. Afinal, quem ele era para tratá-la assim?
– Então, não posso ao menos lhe agradecer? Ótimo. E me desculpe se eu não conheço cobras como o senh... – De repente, antes de conseguir terminar a frase, sentiu seu pé bater em algo e seu corpo ir para o chão. Ela havia caído.
– Achei que não iria ter que fazer isso. Mas o destino prega peças, então vamos. – Ele a levantou com facilidade e começou a guiá-la. Era como se ele tivesse visão noturna, e seus reflexos eram impecáveis. Foi só ai, que Sam se deu conta. Ela estava sendo raptada.
– Não vou com você!
– Acha que eu queria que fosse?
– O que significa com isso? Acabo com você em dois segundos! – Ela retirou o canivete de seu esconderijo, logo se sentindo ridícula pelo tamanho do canivete e se arrependendo de ter o empunhado. Ele novamente riu. Sam dessa vez sabia o motivo. O canivete em sua mão. Era provavelmente mais ridículo do que a posição em que estava. Mas pouco importava. Ela daria uma lição nele.
– Não se ao trabalho. – Ele se virou sem emoção. Os reflexos de Sam eram bons, mas mesmo que tentasse os usar ali seria em vão, por causa da agilidade na qual ele se movia.
– Não vou desistir. Melhor matar do que ser morta. Voltarei como heroína por ter matado um mago. E ainda ganho o brinde de acabar com essa historia entre moças virgens e magos pervertidos. – Se vangloriou antes mesmo de um só golpe.
– Poder e algo extravagante demais pra você, muita coragem e atitude. Pouco raciocínio. Os mais sábios são os mais poderosos, então acredite, nem que derrotasse mil magos com um só canivete, não voltaria como heroína. Teria o passageiro reconhecimento de seu povo, mas logo iria acabar, por que algo maior e mais extraordinário iria acontecer, te deixando somente como a menina que desafiou os magos e acreditou na historia de magos pervertidos. – Ele ditou. Ela engoliu seco, mas não moveu um músculo. Não deixaria se abalar pelo discurso.
– Não acha que com esse discurso moralista vai conseguir fazer com que eu abaixe minha arma.
– Seu canivete? – Riu.
– Quebro seu canivete em uns segundos, e se me amolar demais você vai ser a próxima coisa quebrada. – Terminou.
– Como ousa falar assim comigo? – Ela se aproximou. Pode sentir o olhar feroz dele a sua frente. Uma brisa os roçou, e de repente, o canivete começou a ficar quente em sua mão fazendo com que ela logo o soltasse. Mas o canivete não caiu, como o esperado. Ele começou a flutuar e a se contorcer no ar e depois simplesmente cair em fragmentos invisíveis. Os olhos de Sam quase pularam para fora quando vira aquilo. Recuou um passo, e ele aproximou-se, colocando a ponta dos dedos em sua testa e sussurrando palavras que ela não conhecia, mas que a fizera adormecer imediatamente. Ele a colocou nos ombros e marchou até sua casa.
Os raios de sol batiam de leve em sua face. Sentia o braço doer e a cabeça latejar. Sua visão estava embaçada e ela só podia distinguir barulho de potes de vidro batendo um no outro e coisas borbulhando. Se levantou com esforço e percebeu que não estava mais suja de terra. O diário, o tinteiro e a pena permaneciam na mesinha de madeira escura ao seu lado. A cama em que estava deitada era de casal, e bem confortável. Havia uma janela, dando uma vista linda para a floresta e para o céu, que estava limpo. Os cabelos estavam soltos e um pouco desorganizados. Sentiu algo apertar seu pulso. Uma faixa.
– O que aconteceu? – Ela descera as escadas com um pouco de dificuldade. Ele se movia rapidamente e como no primeiro encontro que tiveram, ela só o via de costas.
– Caiu ontem e machucou o braço, mas já cuidei disso. – Ele parecia preocupado com as coisas que fazia. Olhava em livros, mexia em panelas e um monte de coisas.
– Olhe para mim quando estiver falando. – Sam o desafiou. Finalmente poderia ver seu rosto. Seu coração se acelerou. Sua pupila dilatou. Cabelos cor chocolate, olhos da mesma cor, pele alva. Ele era lindo.
– O que quer? – Ele sorriu. Aquele sorriso. Hipnotizou Sam.
– Me desculpe, mas eu tenho que ir. – Ela subiu e agarrou suas coisas ignorando a dor que sentiu no braço.
– Espera. Não pode ir agora... Seu braço...
– Não me importo. Obrigada por tudo.Mesmo – Saiu de lá antes que cometesse alguma bobeira. Que estranho. Não era normal seu coração palpitar, sua pupila dilatar e suas bochechas queimarem em um cor de rosa tímido. As pernas bambas mal conseguiam a sustentar.
– O que esta acontecendo? – Sussurrava infinitas vezes para si. O braço doía e a floresta não parecia tão encantadora quanto no dia anterior. Afundou as botas na lama e se pois a caminhar. O sol já estava no alto quando Sam viu o primeiro pedaço da vila. Respirou fundo e arranjou forças para caminhar até lá. Camponeses afobados corriam de um lado pro outro. O cheiro de pães e palha a invadiu de novo. Ah! como era bom estar em casa! Era carruagem de um lado, de outro. Carroças cheias de feno e de frutas deslizavam sobre o chão de pedra. Se escondeu atrás de uma carroça ao perceber que seu pai e sua mãe andavam atônitos a sua procura e distribuíam retratos dela por todo o reino.
– O que esta fazendo aqui? – Um homem perguntou para Sam, fazendo-a se assustar e sair do esconderijo.
– Ah meu deus! Griffin! Que susto! –A loira exclamou colocando a mão no peito em sinal de susto.
– O que faz dona Samantha? Não sabe que seu pai e sua mãe procuram por você? – Ele direcionou o olhar a seus pais que não haviam percebido nada.
– Claro que sei! Não lhe parece obvio disso? – Disse irônica a moça escondida no feno.
– Então vá! Antes que seu pai chame os guardas do palácio! – Griffin fez movimentos para que Sam se retirasse.
– Não seria possível. Papai não seria tão...desesperado. – O rosto da jovem empalideceu ao constatar que seu pai falava com um guarda do palácio, mostrando a foto de Sam. Ela saiu num pulo e se pois a correr.
– FILHA! – Pam com lagrimas nos olhos foi em direção a filha a abraçando forte. O braço de Sam doía, mas ela não se importava naquele momento.
– Samantha! Onde se enfiou? O que houve? – O pai a abraçou preocupado. Os olhos cansados e fundos. A barba loira com alguns fios grisalhos. Olhos negros.
– Desculpe. Eu fui ao lago e acabei perdendo a noção do tempo. Na volta acabei me cortando em uma galho. Nada de mais. – Ela disse não sabendo ao certo se era verdade ou não. Nem ela havia sentido o corte ou ao menos visto.
– Oh filha! Mais cuidado da próxima vez. – Pam afagou os cabelos da filha.
– Não. Eu não vou deixar ter uma próxima vez. Essa foi a ultima vez que você se aventura na floresta. – Ralhou o homem alto. Sam sempre teve um certo medo pelo seu pai. Ele era um daqueles que dava tudo e mais um pouco para filha, mas quando ela passava um dedo do limite, ele já impunha regras desnecessárias.
– Mas pai! – Sam birrou.
– Pra casa. Agora. – Ele apontou para a bela casa de pedra e madeira de três andares. Caminhou em passos pesados até lá, amaldiçoando Griffin, Freddie, seu pai e a si mesma. Entrou e foi tomar um banho. Quando foi retirar a faixa branca viu que não havia nenhum machucado. Somente algumas ervas e uma mancha vermelha. Se despiu e adentrou na água fria, e de repente, ela sentiu como se estivesse sendo abraçada por plumas frescas. A água entrando em sua pele a fazia arrepiar. Deu um mergulho e lavou os cabelos, acariciando cada cacho. Todas as memória voltaram, fazendo-a encarar as paredes e mergulhar em sua mente. Ele não se parecia com um mago. Segundo as descrições, os magos eram feios e velhos. Ele não era velho... e muito menos feio. Mas era ignorante o que deixara Sam furiosa. Talvez ela tenha exagerado ao falar que ele salvara a vida dela, mas, o que vale e a intenção. Terminou o banho e saiu, vestindo o vestido que sua mãe obrigara a usar por causa do baile que aconteceria de noite. Se sentou e arrumou os cabelos e as jóias.
– Sam? – Carly entrara já pronta no quarto de Sam. A morena estava com os cabelos presos em um coque lindo, com algumas mechas rebeldes que escaparam lhe caindo atrás das orelhas. O vestido creme, com detalhes de seda e bordados dourados caiam muito bem nela. As mangas iam até o ante braço e daí saiam grandes ondas de georgete de seda da cor creme.
– Sim? – Ela se virou para encarar a morena.
– Fiquei sabendo da sua ida a floresta. – Carly fechou a porta e se sentou na cama de Sam.
– A esse ponto todo o reino já deve estar sabendo. – Sam murmurou terminando de colocar o brinco.
– Por que insiste em ir a floresta? Sabe que e perigoso! Eu me preocupo com você. E ainda tem os magos que podem te raptar e...
– Carly, não existe essa coisa de que magos raptam virgens. – Disse a loira cansada.
– Como sabe? Você não tem certeza di...
– Eu tenho certeza disso sim.
– Por que?
– Por que eu conheci um mago.
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