When the Sun goes down
7 Fall in love
Notas iniciais
Correu e correu. Tropeçando em galhos, desviando de pedras. A escuridão atrapalhava sua visão. Era como estar cega. A única coisa que a guiava era os urros do urso que a perseguia. Os cabelos já soltos se balançavam vorazmente contra o vento. Sua expressão era de medo. Começou a enxergar uma luz ao longe. A casa dele. Não pensou duas vezes antes de entrar correndo. Fechou a porta ofegante. Ele se levantou assustado e a vira na porta. Os machucados que ele fizera nela. Com dificuldade ela se levantou e correu para os braços dele chorando. Viu os machucados, e o desespero que ela exalava.
– Por favor, não deixa ele entrar... – Ela murmurou chorando silenciosamente. Ele foi lá fora e viu o urso. Simplesmente olhou para ele, sussurrou palavras estranhas e o animal fora embora. Entrou e fechou a porta, vendo a moça chorando. O sangue escorrendo de seu braço e os olhos avermelhados. Uma mancha roxa avermelhada em volta dos dois braços. Fora ele quem havia feito aquilo. Freddie a pegou no colo, sentindo a fragilidade dela e a posicionou na cama.
– Me desculpe... – Ela sussurrou já calma com o efeito do chá de camomila.
– O que te trouxe aqui? – Ele se sentou. Ela respirou fundo, fazendo esforço para levar o chá até a boca.
– Eu havia acabado de sair do baile, quando eu precisava de um tempo para pensar. Fui para a minha casa, do outro lado da margem do lago...
– Não sabia que tinha uma casa lá.
– E mais um esconderijo do mundo. Estava dormindo, quando fui acordada por um ruído. Desci para ver o que era e vi o urso. Tente me defender, mas meus braços doíam. – Ela parou e o encarou. Ele desviou o olhar, sabendo o motivo da dor no braço.
– Então, juntei o resto de força que tinha comecei a correr até chegar aqui. – Terminou.
– Me desculpe. Pelos... braços. Eu havia me enganado. – Ele disse envergonhado. Ela sorriu do modo mais compreensível do mundo, o fazendo se sentir estranhamente bem.
– Tudo bem. Acho que isso serviu como um lembrete. Tomar cuidado ao andar por aqui. Senão acabo me cortando de novo. – Disse. Ele riu. Ela estava com a aparência horrível. Olhos e nariz avermelhados, braços roxos e sangrando, cabelos desorganizados e vestido sujo.
– Vou pegar algo. Espere aqui. – Ele agilmente desceu as escadas e agarrou uma caixinha. Subiu e se sentou. Abriu a caixa e retirou de lá um pequeno vidrinho, com o que se parecia com água. Algumas folhas e duas faixas. Delicadamente pegou um braço dela e pingou algumas gotas do vidro e em seguida, colocou as folhas em volta de toda a mancha roxa avermelhada e depois fechou o curativo com a faixa. Fez o mesmo processo no outro braço.
– Quer que eu lhe empreste uma roupa limpa? – Ele disse a fazendo rir.
– Acho que uma camiseta já serve. – Falou. Pegou uma de suas camiseta e a entregou, se retirando logo em seguida para lhe dar mais privacidade. A camiseta ficara grande nela. Ia até um palmo acima do joelho, com as mangas ultrapassando seu braço. Ela fizera uma engenhoca para que a camisa não ficasse muito decotada. Ele corou ao vê-la daquele jeito. Ela era muito bonita.
– Se sente melhor? – Perguntou. A moça assentiu.
– Se me permite perguntar, existe um feitiço para o amor?
– Não.
– Por que?
– Por que o amor em si já e um feitiço. – Disse sorrindo o mago, vendo a bela moça adormecer.
Os primeiros raios da manhã acariciaram sua face. Seu olhos já haviam recuperado o azul vibrante e brilhante de sempre. Os cachos meio bagunçados, mas brilhosos e sedosos. Se encontrara debaixo dos cobertores da cama do mago. Os lençóis do seu lado ainda estavam quente. Corou com a idéia de que talvez ela e o mago tenham dormido na mesma cama, e começou a imaginá-lo durante a noite, navegando nos sonhos.
– Acordou. – Ele sorriu ao vê-la. Ela se ajeitou nos lençóis e deu um meio sorriso como resposta, tendo a certeza de que suas bochechas estavam coradas.
– Esta melhor? – Perguntou.
– Sim. Meu braço já não dói mais. – Falou. Ele pegou seu braço e cuidadosamente desfez o curativo. Incrível! O machucado estava quase transparente. Estava só um pouco vermelho e a cicatriz das garras do urso já estava quase transparente. Dali algumas horas iria sumir completamente.
– Nossa! – Ela se maravilhou. Ele riu de sua expressão.
– Não esta acostumada com isso, não e mesmo? – Se sentou e lhe entregou uma bandeja com um suco de laranja e um pedaço de bolo.
– Não. Quer dizer, não estou acostumada com nada disso. Ter dezessete anos, ter que casar... – Mordeu um pedaço do bolo.
– Mas não e obrigada. Não mandam no seu sentimento. Acho até um pouco deselegante, tentar controlar a vida dos outros. – Comentou. Sam nunca havia se identificado tanto. Quando terminou de comer, viu a falta que aquilo fez para ela. Se sentia mais forte agora.
– A questão e: Eu sou obrigada. Meu pai, ele quer que eu me case com um Lord. Eu sinceramente odeio gente da realeza. Não que eu tenha algum desrespeito por meu povo ou por meu rei, e que... Eles dão muita importância a luxo. – Ela tirou uma mecha de cabelo dos olhos. O mago a encarava, como se ela fosse a mais bela escultura. Cada cacho, cada sorriso que ela esboçava, para ele era lindo e quase inevitável de se olhar. Quando ela esta com raiva e suas bochechas ficam vermelhas. Ou quando ela sonha acordada, seus olhos parecem dois diamantes. Ele não conseguia se esquecer daquele dia no baile. Quando seu rosto tocou a luz da lua. Fora a coisa mais bela que já havia visto em toda sua vida. Contemplava ali e agora todas suas expressões. Ouvia sua respiração e seu cachos adquirindo um tom dourado na luz do sol.
– O que foi? – Ela sorriu desconcertada.
– Perdoe-me. Me perdi em meus pensamentos. – Falou.
– E verdade, aquilo que me disse sobre o amor? – Disse um pouco envergonhada.
– Sim. E um feitiço. Não vê que quando o sente, parece que tudo ficou mágico? Tudo se alegra, o céu se torna mais azul. Isso e o amor. – Falou com um brilho nos olhos. Sam havia se encantado. Nunca ouvira tão belas palavras. Nem mesmo o som do lago ou dos pássaros se comparavam a voz dele ao falar aquilo. Sentiu seu coração palpitar, suas bochechas queimarem. O sol brilhou mais, e o céu ficou mais azul. O vento mais fresco, e as frutas estavam parecendo bem mais saborosas. Então, ela constatou e finalmente percebeu. Ela estava apaixonada pelo mago.
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