When the Moon meets the Night

22 Capítulo 4 (T2) - A traidora (parte 2)


Notas iniciais
*Esse capítulo menciona tortura, não há nenhum tipo de descrição forte ou cenas pesadas, porém achei melhor já deixar avisado. Boa leitura.

Depois de Morgana contar a sua histórias e eles colocarem os "pontos nos is", os cavaleiros de dragões tinham se concentrar no problema maior, eles ainda estavam presos em um navio de caçadores, sendo o líder um brutamontes querendo vingança, além do fato de seus dragões estarem também presos e a única esperança era Soluço, Melequento e os 3 dragões que escaparam.

— O Dagur está aqui e com a Heather junto, não da para acreditar. — Perna de Peixe falou, até agora eles não tinham mencionado a traição da amiga, era surreal demais para todos.

— Confiar nela foi um erro muito grande. — Astrid falou, era visível o desapontamento no rosto da loira, ela estava apoiada nas grades.

— É! Quem poderia ser mais leal ao irmão do que aos amigos? — Cabeça Quente comentou.

— Eu ouvi isso, mana.

— Se pelo menos tivéssemos ouvido a desconfiança da Morgana quando a Heather apareceu.

— Nada disso é culpa de vocês Pena de Peixe, eu desconfiei porque não a conhecia, o mesmo quando vocês me conheceram, ela me convenceu de que era de confiança, depois de tudo que ela fez e passou com vocês, é bem difícil de acreditar nessa mudança. — Morgana respondeu ao comentário do loiro.

Realmente aquilo estava errado demais, Heather, a menina que buscou vingança por anos, se fortaleceu física e mentalmente só para poder destruir um homem, e de repente quando descobre que este é o seu irmão, simplesmente aceita isso? Não podia ser verdade, a morena viu a amizade da guerreira com Soluço e os outros, Astrid era a sua melhor amiga, Heather não os trairia assim facilmente, a não ser que...

Morgana arregalou os olhos quando percebeu do que se tratava tudo aquilo, mas tentou não transparecer para os outros. Não podia ser aquilo, Heather não podia estar tentando jogar como agente duplo isso só vai ter um fim e ele não é nada bom. Os príncipes caçadores não confiam em ninguém, principalmente depois de Morgana, essa ideia doida da morena não vai dar certo, e Morgana precisava de um jeito de avisa-la, porque Heather estava colocando a sua vida em perigo de uma maneira que ela não tem nem ideia.

— Mas o mais importante agora é entender esses caçadores, já sabemos quem são pela Morgana, mas não sabemos o que eles querem com a gente. — Astrid levantou a dúvida.

— Será que querem vingança pela Morgana?

— Não, quero dizer sim, mas acho que eles estão atrás de um prêmio maior. — Morgana falou ao se aproximar das barras da cela para ver se alguém estava perto para ouvir suas próximas palavras. — O Olho de Dragão.

— O Olho de Dragão?! — Todos praticamente gritaram, e Morgana os mandou calar a boca rapidamente, verificando novamente para ver se alguém ouviu.

— Shhh e sim, o Olho de Dragão, ele era dos caçadores, está na família do Ryker há gerações.

— Espera um minuto, você está dizendo que um caçador fez o Olho de Dragão?! — Perna de Peixe perguntou indignado.

— Não da para se saber, pode ter sido roubado, afinal é o que os caçadores fazem. Estou falando disso, porque foi através do Ragnar que eu soube do objeto, ele sempre falava de uma arma capaz de ser utilizada para ser o maior caçador de todos, com informações sobre todos os dragões com lugares e espécies no mundo ainda não vistos, ele até me mostrou um desenho do objeto, disse que estava na sua família há gerações, porém o seu avô era tão egoísta que quis levar o objeto com ele o tempo todo, assim, quando ele e o seu navio se perderam, o objeto também sumiu.

— Então era por isso que o Olho de Dragão estava no Ceifeiro, que era um navio de caçadores. — Astrid concluiu. — E por isso também que você estava atrás dele quando nos conhecemos.

Morgana assentiu. — Depois de alguns anos me martirizando pelo o que eu fiz, decidi que teria que compensar, estive derrubando cada navio que conseguia achar do caçadores, também tetei ao máximo atrapalhar os planos deles deslocando dragões antes que fossem capturados. Contudo, eu tinha esquecido do Olho de Dragão, até ouvir em uma taverna de uns comparsas bêbados de Ryker dizendo que os caçadores estavam atrás do "cilindro mágico", sabia na mesma hora do que eles estavam falando e percebi que não podia deixar que alguém como Viggo colocasse as mãos no Olho de Dragãos.

— Você o esteve procurando quando nos encontrou não é? Por isso tentou fujir da vila com ele. — Concluiu Perna de Peixe.

— Sim, quando nos conhecemos, alguns dias antes eu estava procurando Johann, ele tinha uma pista para mim no cemitério de navios, acabei conseguindo o mapa dele. Antes disso, já fazia 2 anos que eu estava procurando.

— Pelo menos você acabou nos encontrando. — Astrid colocou apertou o ombro da amiga em conforto e esta retribuiu com um sorriso fraco. — Além do mais, Ryker não sabe que nós temos o Olho de Dagão.

— Mas Dagur sabe, e com certeza deve ter contado. — Perna de Peixe os lembrou.

— Sim, mas não temos certeza.

— Bem, que tal uma pequena conversinha agora?

Todos se viraram para olhar Heather na porta da cela com dois guardas a acompanhando.

— Ryker que ter uma pequena conversinha com você, Morgana. Soube que foram grandes amiguinhos.

Astrid tentou segurar o braço de Morgana, mas esta se esquivou e lançou um olhar para a loira, garantindo que estaria bem.

Heather tinha um sorriso cínico no rosto enquanto eles caminhavam pelo corredor.

— Quem diria heim? A grande nova heroína da turma era na verdade uma caçadora. — Heather provocou sem tirar o sorriso do rosto, mas acabou levemente surpresa quando o olhar que recebeu de Morgana não foi de raiva, mas sim de aviso, quase pena.

— Eu sei o que você está fazendo, Heather.

— Sério? E o que exatamente isso seria?

Morgana observou os guardas pelos cantos dos olhos e abaixou a voz para aquela conversa se limitar apenas a elas. — Um jogo muito perigoso, Dagur é um idiota, mas Ryker e, principalmente, Viggo, não vão ser enganados assim.

Heather acabou rindo, mas Morgana percebeu que os ombros dela estavam tensos.

— Você está só se iludindo Morgana, pensei que fosse mais durona, eu sou leal ao meu irmão, deveria se preocupar com você, poque vai responder pelos seus crimes.

Com isso eles chegaram na porta dos aposentos de Ryker, Heather abriu a porta e empurrou a "amiga" para dentro. Pelas suas habilidades, Morgana não tropeçou, e também não mudou a expressão ao ver Dagur parado ao lado da mesa e Ryker sentado na cadeira atrás desta.

— Olha só, se não é a pequena bruxinha! — Dagur soltou uma risada louca antes de rodar a garota. — Irônico não é? Eu disse que teria a minha vingança e olha só para você? Uma ex-caçadora!

Morgana rosnou quando foi chamada de "ex-caçadora"

— E parece que continua bem bravinha! Mas não vai durar por muito tempo! — Dagur soltou outra risada e olhou sorrindo para Ryker que também sorria, o mesmo sorriso de seu pai, um sorriso de Morgana nunca esqueceria.

— Sabe, eu estava pronto para te matar, mas conversei com Viggo e ele acha que você pode ser útil, com algumas informações.

— Você sabe muito bem que eu não vou te dizer nada. — Morgana manteve a expressão séria.

— Eu também pensei que diria isso, mas Morgana, você já viu o que eu sou capaz de fazer para retirar informações dos meus inimigos, imagina com você que matou o rei dos caçadores.

Dagur e Heather ficaram bem surpresos com a informação, sabiam por cima das história de Morgana com os caçadores, Ryker não tinha chegado nem perto dos detalhes que a morena deu as amigos.

Morgana relaxou um pouco os ombros. — Eu não matei o seu pai, Ryker.

— Ah não? Então como você explica isso?! — O sorriso tinha sumido do rosto dele agora e ele apontou para o Osso voador apoiado na parede da sala. — Aquela arma estava nos aposentos do meu pai, e você foi vista saindo "coincidentemente" do lugar com ela depois da explosão!

Ele socou a mão na mesa a sua frente, isso fez Dagur e Heather pularem assustados, mas não Morgana, está sabia bem do temperamento do viking a sua frente, sabia tudo sobre ele e o irmão, se ainda fosse a menininha que foi quando os conheceu, ela também teria se assustado, mas agora a garota se mantinha imóvel, tinha mudado, ela podia conhecer eles, mas Ryker não tinha noção de como ele já não sabia mais quem era Morgana, mas ela mostraria isso a ele.

— Não vou negar que peguei o Osso Voador, foi naquela noite na sala de seu pai, exigir a verdade sobre todas as mentiras que vocês me contara. Ele falou e depois ficou louco quando eu disse que ia embora, ele mesmo causou a explosão com as Bombas de Gás de Ziper Arrepiante.

Ryker soltou uma risada sínica e de novo, Morgana não expressou reação.

— Você realmente acha que eu vou acreditar que um homem como o meu pai iria fazer algo descuidado assim?!

Morgana percebeu naquela hora que não importa o que ela fale, ele já decidiu há muito tempo que ela estava condenada a raiva deles e também a sua vingança.

— Bem, se você não quer admitir a verdade, vamos ver o que você tem a falar sobre os seus novos amiguinhos.

Morgana sentiu os ombros ficarem tensos e ela ficou mais reta, sem desviar os olhos do viking a sua frente.

— Agora sim, a parte divertida! — Dagur esfregou as mãos em antecipação.

— Pode perguntar o que você quiser, eu não vou falar nada.

O sorriso de Ryker ficou maior. — Oh Pequena Salvadora. — Ryker ficou feliz ao ver pela primeira fez uma reação no rosto da morena ao mencionar o apelido, mas logo ela fechou a expressão novamente. — Eu pensei em um meio melhor, primeiro vamos a ação e depois as perguntas.

Dagur riu sarcasticamente, mas até o sorriso do ruivo caiu quando viu Ryker andar até um bau e tirar um objeto de lá de dentro. Morgana tentou não mostrar reação, não seria a primeira vez que seria torturada.

— Ryker, eu acho que primeiro seria melhor-

Heather foi interrompida com o olhar do caçador.

— Não continue essa frase menina, se não vou começar a duvidar da sua lealdade. — Heather ficou quieta imediatamente. — Sabe, seria melhor você sair e isso não é uma sugestão.

Heather tentou não olhar novamente para Morgana ou para o chicote nas mãos do homem.

— Então, vamos começar.

Ryker fez um sinal com a cabeça para os dois guardas que estavam no comodo, eles foram até Morgana, cada um pegou um braço dela e arrastou a menina até um banco, Morgana soltou um resmungo quando um deles chutou a parte de trás dos joelhos dela para a fazer cair, em seguida eles amarram os braços dela no banco para evitar que se mexesse.

— Bem, esse cabelo todo vai ser um problema. Cortem.

Um deles juntou os cabelos dela no alto, pegou uma espada e passou por eles, quando soltou, os longos fios negros como a noite caíram pelo chão, e agora o cabelo da menina chegava aos ombros. Morgana soltou um suspiro quando viu os fios no chão, seu cabelo, o seu pai gostava tanto dele, dizia que era igual ao da sua mãe. O outro capanga rasgou as costas da túnica da menina para deixar as costas amostra, linhas brancas de cicatrizes antigas eram visíveis.

Se fosse para encarar tudo aquilo, Morgana faria com a cabeça erguida, já tinha sido humilhada demais na infância com todas as mentiras que lhe foram contadas, e não passaria por isso de novo. Então, quando Ryker levantou o braço para começar, Morgana aguentaria tudo sem soltar uma única palavras.

Do lado de fora do aposento, a montadora da Tesoura de Vento fechava os pulsos ao ouvir cada estalo.

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Na manhã seguinte, os cavaleiros ainda estavam dormindo quando a cela foi aberta e Morgana foi jogada dentro.

— Morgana, você esta b-

Astrid se interrompeu quando viu a amiga cair de joelhos com as costas amostra para eles.

— Por Thor... — Perna de Peixe não sabia o que fazer, os gêmeos estavam de boca aberta para o que estava a frente deles: Morgana, com os cabelos cortados e com longas linhas de ferimento nas costas, o sangue ainda pingava, eles não tinham nem lhe tampado as costas novamente.

— O que eles fizeram com você?

Astrid correu para perto da amiga, não tinha nada que eles pudessem fazer, não tinham roupas, ou medicamentos, nada.

— Eu vou acabar com cada um deles! — Astrid praticamente rosnou de raiva.

— Só, por favor... amarre a minha túnica novamente. — Morgana conseguiu falar em meio a dor que sentia. — Tem uma erva verde clara na minha bolsa na cintura.... coloque no ferimento e depois ... depois feche tudo.

Astrid exitou no começo, sabia que a amiga precisava de tratamento, mas não tinha o que fazer, então a loira tentou seguir as instruções da amiga, ela achou as ervas, eles não tinham nenhuma atadura, então ela tentou amarrar a túnica da morena nas suas costas da melhor forma possível.

Cabeça Dura chegou perto para ajudar Astrid a apoiar Morgana na parede da cela de modo que não encostasse nos ferimentos.

— Eles te torturaram. — Cabeça Quente concluiu, ninguém sabia o que falar.

— Sim... — Morgana gemeu de dor ao se mexer um pouco. — Mas Ryker já sabia que eu não iria falar nada.... ele só perguntou algo depois de... horas com o chicote.

— Você vai ficar bem? — Perna de Peixe exitou um pouco em falar, mas a preocupação era aparente no rosto de todos.

— Sim, eu tenho uma tolerância grande para dor. — Já se podia ver um pouco mais de cor no rosto de Morgana. — Só estou desconfortável, as ervas já estão surgindo efeito.

— Isso é muito bom. — Astrid se sentou ao lado da amiga. — Então, eles queriam saber do Olho de Dragão?

Morgana assentiu devagar.

— Mas pelo menos você não falou nada, não desistiu, você aguentou firme. — Cabeça Quente tentou melhorar o clima.

— Mesmo que tivesse, não teria feito diferença.... Ryker não acreditaria em nada... ele só queria vingança.

Astrid se levantou e aumentou um pouco a voz. — Que bom que você não falou nada, porque a gente não precisa se preocupar, já que o Olho de Dragão está no Domínio e protegido por vários cavaleiros de dragões.

Morgana arqueou a sobrancelha, não impediu a amiga, sabia que aquilo não daria certo, mas não tinha forçar para ficar argumentando, então deixou que os outros também entrassem no "teatrinho".

— Eles vão acreditar nisso? — Cabeça Quente perguntou.

— Espero que sim, é o máximo que nós podemos fazer para evitar que eles consigam o Olho de Dragão. — Astrid respondeu, ela olhou para amiga que estava no chão e esta deu de ombros, não tinha como prever no que aquelas pessoas iriam acreditar ou não.

Morgana viu pelo buracos da porta da cela que um guarda parecia ter ouvido tudo e tinha saído do aposento agora.

— O Ryker pode acabar mandando alguém lá para confirmar. — Morgana comentou.

— Isso pode nos dar tempo! — Perna de Peixe falou mais esperançoso.

— Sim, e nós precisamos achar um jeito de sair daqui antes que descubram que é só um blefe. — Astrid os avisou, ou seja, era bom todo mundo começar a pensar em algo para eles escaparem, não podiam depender de Soluço e o Melequento apenas.

— Eu já pensei nisso, tenho o plano perfeito. — Cabeça Dura falou, todos olharam com curiosidade para ele. — Vamos fazer um túnel! — Ele mostrou uma caneca.

Morgana deixou cair os ombros de novo, é claro que seria uma ideia idiota.

— No fundo do navio que da para o fundo do mar? — Perna de Peixe exclamou indignado.

— Isso! Eles nunca vão suspeitar!. — O loiro começou a passar a caneca no chão, tentando "cavar". — Nem eu imaginaria, principalmente, porque eu não sei nadar, nota mental: aprender a nadar.

— Nós vamos morrer aqui. — Morgana murmurou depois da "brilhante" ideia do gemio homem.

Perna de Peixe tentou convencer Cabeça Dura que a ideia dele era completamente idiota, mas o loiro não quis decidir o que acabou na briga dos dois pela caneca, no final, a vitória foi de Perna de Peixe que jogou a caneca pelo buraco da cela.

— Ah! — Exclamou Cabeça Dura com outra ideia. — E se a gente colocar fogo na cela e depois..

Perna de Peixe interrompeu. — Não!

— Eu tenho uma ideia! — Cabeça Quente começou, mas foi interrompida pelo domador de gronckle.

— Que tal uma batalha psicológica? A gente aprende os nomes dos guardas e faz eles gostarem da gente e no final eles vão baixar a guarda e ai...

— Chato!

— E se..

— Ácido!

Morgana ficou vendo Perna de Peixe e Cabeça Dura exclamando ideias, uma pior que a outra, sempre sem deixar a Cabeça Quente falar algo. Morgana arqueou a sobrancelha ao ver a loira cruzar os braços, derrotada. Assim, quando os outros continuaram discutindo, Morgana esperou que Cabeça Quente olhasse para ela e assim bateu no chão ao seu lado, indicando que esta deveria sentar ali, ela olhou meio confusa, mas fez isso.

— Ok, pode me contar a sua ideia.

— Você quer mesmo saber? — Cabeça Quente perguntou surpresa.

— Claro, eles estão falando cada coisa doida, a sua não deve ser tão ruim assim. — Morgana deu um leve sorrido para amiga.

Morgana ignorou quando Cabeça Dura gritou um "ácido para destruir as grades" e se concentrou na ideia da garota a sua frente e para total surpresa da morena, era boa. Então, elas deixaram tudo combinado para quando conseguissem a oportunidade e não demorou muito.

— Esse plano não é melhor que o do Perna de Peixe de casar com o guara, pedir o divorcio e conseguir a chave no acordo.

Morgana quase gargalhou com esse último, o que o desespero faz com o pensamento das pessoas.

Todas as "ideias" foram interrompidas quando Heather apareceu do outro lado do aposento.

— Ryker ta chamando.

Morgana se encolheu pensando que teria que passar por outro interrogatório, todos tiveram o mesmo pensamento, assim eles ficaram na frente dela, tentando esconde-la, como um escudo de proteção e foi nesse momento que Morgana percebeu que eles realmente se importavam com ela, que a tinham aceitado apesar de tudo, lá estavam eles, tentando protege-la apesar de ser impossível.

— Não se preocupem, seu idiotas. Ryker quer falar com todo mundo.

Morgana viu que a turma iria começar a protestar, mas não querendo arranja consequências para eles, que ela sabia que viriam se ela não se levantasse, com dificuldade, a morena se apoiou na parede e começou a se levantar com dificuldade, Astrid correu para o lado dela a ajudando. Todos saíram da cela, Astrid fez questão de esbarrar em Heather quando passou, mas de um jeito que ainda conseguisse ajudar Morgana a andar. Eles andaram pelo corredor do navio até pararem em frente a sala de Ryker, Dagur estava parado de um lado da porta, Heather se posicionou no outro. E assim Ryker chegou. Ele andava com as costas retas, o peito estufado, com o olhar mais sínico e de vitória possível, como se fosse um orgulho ter torturado uma garota de 18 anos há poucas horas.

— A grande, forte e independente Morgana sendo segurada por uma amiguinha? — O sorriso do Ryker aumento ao ver a expressão fechada de Astrid e a de dor de Morgana. — Acho que você não precisa disso, vamos lá loirinha, solte-a.

Astrid já iria mandar o viking para o inferno quando Morgana começou a se soltar dela.

— Me solte, Astrid.

— Mas Morgana...

— Por favor, só vai piorar. — Morgana conseguiu sussurrar. Astrid rosnou para o viking antes de soltar Morgana, todos podiam ver que ela não se aguentava de pé, mas mesmo assim Ryker e Dagur só pareciam mais satisfeitos, Heather não conseguia olhar para a garota. Astrid permaneceu ao lado da amiga, isso ela não abriria mão e o bandido não pareceu se importar.

— Eu sou o Ryker, mas vocês já devem saber tudo sobre mim graças a sua amiguinha ai. Bem, esse é o meu navio, vocês são os meus prisioneiros e os seus dragões agora são os meus dragões. — Ele falou devagar e com clareza, era possível ouvir a satisfação daqueles eventos na sua voz.

— E como eles vão ser tratados, depende só de vocês. — Dagur falou, tão animado quanto o outro homem.

Ryker saiu andando por outro corredor, um guarda deu um empurrão neles, sinalizando que deveriam seguir os três "líderes".

Quando chegaram a uma série de celas, Morgana soube que lá era a onde estavam o dragão de todos, o lugar era bem grande. Primeiro eles passaram por uma cela em que estava a Batatão, ela estava presa pelo pescoço por correntes, e tinha vários barris com tipos diferentes de pedras pelo local, um capanga estava dando diferente para a dragão comer.

— Batatão! — Perna de Peixe chamou em surpresa e desespero. Batatão ficou momentaneamente feliz ao ver o dono, antes de ter as correntes puxadas para que voltasse a comer.

Ryker impediu que Perna de Peixe se aproximasse antes de começar a explicar.

— Esse gronckel vai ser muito útil.

— O nome dela é Batatão. — Perna de Peixe disse irritado.

— Eu não me importo. Só me interessa que ela faça metais o dia todo e a noite toda.

Eles puderam ver que tinha um caldeirão na frente da Batatão para ela cuspir o metal. Aquilo era tortura, o que só fez a raiva de Morgana e de todos aumentar. Porém, apesar de não quererem deixar as coisas daquele jeito, eles não tinham opção no momento, estavam desarmados e em desvantagem, então não tiveram escolha ao continuar o "tour". O próximo foi a Tempestade, esta também estava acorrentada só que pelas patas, havia também dois capangas lá que pareciam estar provocando a dragão para que ela lançassem espinhos neles e estes se defendiam com escudos, os espinhos ficavam presos.

— Perfeito, pontas bem afiadas para nossa lanças e balistas. — Ryker conseguiu pegar um espinho quando Tempestade lançou nele pelo buraco da cela.

— Não pode fazer isso com ela! — Astrid disse furiosa, ele estava usando a dragão dela como fonte de matéria prima para armas.

— Eu posso e eu vou. — Ryker não mostrou intimidação, até apontou o espinho em sua mão para o rosto da loira como uma ameaça.

Ryker fez questão de empurrar Morgana bem em cima das feridas nas costas para eles continuarem, a morena quase cair no chão com a dor lacerante que passou pelo seu corpo, mas ela sabia que não podia, então ela engoliu aquilo da melhor maneira que podia, e continuou andando, tentou aliviar a dor nas costas cravando as unhas nas palmas das mãos.

— Que tipo de tortura será que Vomito e Arroto devem estar sofrendo? — Cabeça Quente comentou com o irmão preocupada.

— Eu não consigo olhar porque as minha mãos estão em cima dos meus olhos. — Cabeça Dura tampou os olhos, mas espiou entre eles quando eles chegaram na próxima cela. — Opa, assim está bem melhor.

Dentro do aposento, o ZiperArrepiante estava deitado com a barriga para cima, e estava sendo alimentado com peixes por um dos bandidos enquanto outro passava um óleo sobre as suas escamas. Morgana viu que os gêmeos estavam aliviados, mas ela sabia exatamente o porquê daquele tratamento.

— Eu vou ganhar bem por esse couro nos mercados do Norte. — Ryker comentou.

— Claro, é macio e flexível e a cor, a cor...Espera! — Cabeça Dura se deu conta do que eles estavam falando. — O que?!

— Bota ZiperArrepiante, eu sempre quis uma assim. — Dagur provocou.

Cabeça Dura fechou a expressão como todos os outros enquanto Ryker continuava a falar de como ele iria aproveitar dos dragões deles.

— É isso que espera os seus dragões. — Ele pegou o copo de creme que o guarda estava usando. — Mas é claro que eles podem ser tratados melhor, se....

— Como? — Cabeça Quente perguntou esperançosa, mas todos tiveram que desviar quando o viking jogou o copo neles.

— Quando vocês começarem a me responder! Me falem o que vocês sabem sobre o Olho de Dragão! — Ryker segurou Perna de Peixe pelo rosto e o puxou para perto. — Quantos cavaleiros ficam na base de vocês?. — Ele jogou o loiro para trás.

— Ryker, você tem a mim, não precisa deles, deixe-os ir. — Morgana se colocou na frente de todos, apesar dos protestos, ainda andava curvada e suor pingava de sua testa.

O viking soltou uma risada de escarnio.

— Pena que eu não tenha aquela peste de Fúria da Noite sua Morgana, ela não teria a sorte de trabalhar. Mandaria a carcaça de presente para o meu irmãozinho.

Morgana queria não expressar reação diante da provocação, mas uma coisa que ela não tolerava era que ameassem seus dragões, porém ela engoliu o xingamento, porque era aquilo que Ryker queria, e só permaneceu com a expressão de ódio.

— É óbvio que eu não vou deixar os seus amiguinhos irem, eu ainda preciso de informações. Mas pode ter certeza que os planos que eu tenho para você em especial, são muito melhores.

Astrid puxou a amiga para trás de si, claramente dizendo que se Ryker quisesse Morgana, teria que passar por cima dela. O vilão deu de ombros para a atitude nobre.

— Então está bem. — Ryker se virou para os bandidos cuidando do Vomito e Arroto. — Continuem engordando ele, é mais para vender.

Morgana lançou um olhar para Cabeça Quente indicando que agora era a hora, a loira entendeu perfeitamente e se jogou na cintura do guarda que os tinha guiado e começou a implorar.

— Por favor, por favor, por favor não machuca o nosso dragão! Eu faço qualquer coisa!

Morgana tinha que admitir que foi uma ótima atuação.

— Então me fala o que eu quero fazer! — Foi Ryker que respondeu.

— Mana, para! Os Thorston nunca imploram... só por comida, principalmente se for da Morgana...

Cabeça Quente continuou agarrada no guarda.

— ... Ou dinheiro ou casa ou qualquer coisa que a gente precise. — Cabeça Dura desistiu da sua frase de efeito dando de ombros. — É... esse argumento não foi muito bom.

— Você quer salvar o seu dragão? Então me de informações. — Ryker repetiu.

Cabeça Quente finalmente se levantou e olhou bem para o vinking. — Não! Nunca! — E ela voltou andando para o grupo. — Desculpa, perdi a cabeça por um segundo. — Disse a eles.

— Interessante, isso é uma coisa que você e o seu dragão terão em comum. Tirem eles da minha frente.

O guarda de antes chegou perto para os conduzir novamente para a cela, mas quando passaram por Ryker, ele segurou Morgana pelo braço novamente.

— Menos você, garota. Vamos fazer uma nova seção de interrogatório.

Morgana acabou se encolhendo pelo pensamento, os outros começaram a protestar muito alto.

— Tire as suas mãos dela seu porco!

— Solte a Morgana, seu brutamontes!

— Me leve no lugar dela!

— É! Leve o mano no lugar dela.

Ryker apertou o braço dela com mais força em um sinal para ela controlar os amigos, ou seria pior.

Então Morgana se voltou para eles e implorou com os olhos, eles se calaram em surpresa, nunca tinham visto Morgana assim, implorando, e eles entenderam que ela não estava implorando por ela, mas sim por medo de eles sofrem as consequências.

— Gente, só obedeçam e voltem para a cela, eu vou ficar bem. — Ela falou com mais intensidade as próximas palavras. — Vocês vão ficar bem, não se preocupem comigo, não se preocupem. — Ela frisou o final.

Morgana olhou significamento para Cabeça Quente, e esta soube o que ela quis dizer, porque agora a loira tinha a chave e eles podiam escapar, mas como fariam isso se ela ficasse presa no escritório do Ryker? Então, apesar de ser meio lerda de pensamento, Cabeça Quente entendeu, era para eles fugirem... deixarem ela para trás.

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Quando a porta se abriu e Morgana foi jogada de joelhos de novo no chão, ela teve que respirar fundo, sabia que a tortura voltaria, mas não sabia se aguentaria.

— Vamos ver se você não vai falar com uma outra conversa com o nosso querido amiguinho. — Ryker falou ao retirar o chicote do bau novamente. Morgana olhou com horror para o objeto.

— Ryker, não acho que essa seja a melhor opção. — Heather entrou no meio do caminho.

— De novo? Essas interrupções estão começando a me irritar profundamente. — Ryker abaixou o braço, mas agora a sua raiva estava começando a se redirecionar para a outra morena na sua frente.

— Eu só estou querendo dizer que se vocês fizer ela passar por isso de novo, ela não vai aguentar. É só olhar para ela, está acabada, e o que vai acontecer se o Viggo souber que você terminou com ela sem antes entrega-la?

Ryker parou, percebendo que as palavras de Heather realmente faziam sentido, se ele não entrega-se a traidora com vida ao irmão, este ficaria furioso e ele seria o alvo da fúria.

— Pois bem, parece que você se livrou do chicote. — Morgana suspirou em alívio.- Mas não da tortura, há outras maneiras de fazer isso.

Heather pareceu quer protestar novamente, mas ela sabia que se fizesse isso uma terceira vez, acabaria totalmente com o seu disfarce. Então, ela observou calada, com um sorriso que ela nunca achou tão forçado no rosto, tão diferente do seu irmão. Ryker pediu um barriu fosse levado ao aposento, e ela sabia exatamente o que ele iria fazer quando começaram a encher de água e a amarrarem Morgana em uma cadeira do lado do objeto. Contudo, o que realmente surpreendeu Heather era que Morgana não tinha uma expressão no rosto que pudesse ser descrita, ela parecia cansada, mas deveria estar com raiva, ou até medo, mas estava neutra e ela sabia que ficaria assim até as coisas terminarem, como também ficou durante as chicotadas. Heather tinha total respeito por Morgana, porque esta nunca iria trair os amigos, assim, quando Ryker começou, ela teve que sair da sala novamente.

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A tentativa de fuga não deu certo, parecia um plano perfeito, mas acabou sendo cheio de falhas. Primeiro, todos ficaram surpresos com a agilidade e esperteza da Cabeça Quente em ter conseguido a chave da cela ao ter se jogado no bandido mais cedo, porém, eles logo protestaram quando a loira explicou o que Morgana tinha falado antes de ser levada. Contudo, eles sabiam que se quisessem salvar a amiga, tinham que ter os seus dragões, para aumentar significamento as chances de vitória e eles tentaram fazer isso, mas não conseguiram. Eles tinham o elemento surpresa, mas este foi logo ofuscado quando Cabeça Dura acabou pisando em uma armadilha sinalizadora enquanto ele e a irmã estavam tentando soltar Vomito e Arroto, assim, sem armas, eles não conseguiram fazer muito, os três acabaram sendo pegos pelos guardas e Astrid, que tinha mais chances de conseguir algum exito, acabou sendo derrotada por Heather por estar desarmada.

Todos os três foram reunidos no convés do barco, Ryker e Dagur observavam do nível superior, Heather se juntou aos dois quando terminou de levar Astrid para perto dos amiguinhos.

— Onde está Morgana?! — Astrid gritou para Ryker, por dentro estava preocupada, a fuga não deu certo e eles não sabiam se a culpa poderia recair para cima da amiga.

Ryker arqueou a sobrancelha antes de dar um passo para o lado, dando espaço para que um guarda trouxesse Morgana com os cabelos curto, o rosto e a parte superior do rosto completamente molhados. Os cavaleiros olharam com horror o estado da amiga, ela ofegava e tossia muito, parecia que mal conseguia respirar direito, o ódio começou a borbulhar mais forte entre eles, além da preocupação que não podia ser classificada.

— Parece que a sua brincadeira interrompeu a minha pequena conversinha com Morgana. — Ryker riu antes de se virar para o guarda. — Pode colocar ela com os outros.

Morgana foi levada para o andar inferior e depois praticamente jogada para cima dos amigos, Perna de Peixe teve que a pegar antes que essa caísse de joelhos, Morgana não aguentava ficar de pé.

— Morgana!

— Eu... vou ficar bem... — As palavras mal saíram direito.

— O que fizeram com você? — Cabeça Quente perguntou.

— Afoga....mento repetitivo.

Todos soltaram exclamações de surpresa

— Eu vou matar eles. — Astrid se virou para os três no alto que agora conversavam sobre o que fazer com eles.

— Eu te avisei sobre eles, nunca desistem. Petulantes. — Dagur falou. — Ryker, garotão, a gente podia trabalhar juntos nisso? — Dagur pediu. — Você entende de dragões e eu de cavaleiros de dragões .

— E?

— Manda uma mensagem: joga um deles na água. — Dagur começou a rir de empolgação. — Vai ser tão divertido!

— Uma ideia excelente. — Heather começou. — A não ser, claro, caso o Viggo queira interrogá-los pessoalmente. Eu tenho uma ideia melhor: coloca eles para trabalhar. — Heather falou com cinismo.

— Eu prefiro ser jogado na água. — Cabeça Dura levantou a mão.

Heather continuou: — Separem eles para não planejarem mais fugas e faz eles te servirem igual aos dragões deles.

— Quer saber, eu gostei dessa ideia. — Ryker se virou para os capangas. — Coloquem eles para trabalhar, e o próximo que tentar fugir vai para a água.

Guardas se aproximaram para orientar o que eles deveriam fazer.

— Menos você Morgana.

A garota sentiu um arrepio subir a espinha, não tinha como ela suportar outra seção de tortura, já esgotaram todas as suas forças.

— Não precisam me olhar assim. — Ryker se referia aos olhares de ódio e medo dos cavaleiros que pensaram o mesmo que Morgana. — Não haverá mais interrogatórios hoje, porém, eu também não confio na senhorita trabalhando, sei bem do que é capaz, mesmo ferida. Ela, volta para a cela.

Morgana e Astrid trocaram um último olhar antes de serem separadas novamente. Quando chegou a cela, Morgana não aguentou mais, desmaiou de fraqueza.

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— Soluço... — Melequento pareceu meio exitante. — O que você acha que aquele viking grandão quis dizer quando falou da Morgana?

— Eu não sei...

Soluço respirou fundo com a lembrança, não fazia sentido, Morgana não podia conhecer os caçadores, bem, eles já sabiam que ela os conhecia, porque tinha salvado dragões deles, mas o modo como aquele homem falou, não parecia certo, mas não tinha como Morgana ter mentido ou escondido algo deles, principalmente dele, afinal ele esta disposto a lhe dizer tudo o que sente. Não, Soluço não pensaria assim, tudo vai dar certo e ser explicado quando eles salvassem os outros.

No momento Soluço e Melequento estavam costurando as escamas do Grito da Morte para fazer armaduras para Dente de Anzol, Banguela e Luna. A única dragão fêmea, estava deitada com o semblante triste.

— Não se preocupe, Luna. Nós vamos salvar Morgana e os outros. — O moreno fez um carinho leve na cabeça dela que soltou um ronronar de animação meio fraco, Banguela prontamente foi ficar ao lado dela, tentando passar algum conforto. — Vamos achá-la, eu prometo.

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Morgana acordou com um estrondo sendo ouvido em cima do convés do navio, logo depois a embarcação toda tremeu. A morena levantou com dificuldade, quando foi se aproximar da porta da cela para ver se conseguia descobrir algo, Astrid apareceu na sua frente, e para surpresa dela, Tempestade estava logo atrás.

— Astrid! O que está acontecendo?

— Morgana, que bom que está bem. Soluço e Melequento voltaram, vamos sair daqui.

Morgana soltou um suspiro de alívio, ainda mais feliz pela amiga ter voltado por ela. Astrid conseguiu abrir a cela e ajudou a Morena montar na Tempestade, logo elas estavam correndo entre os corredores

— Eu preciso pegar algo antes.

Astrid ia perguntar o que poderia ser tão importante, até ver o olhar de determinação da amiga, e ela entendeu. Elas correram pelos corredores até a sala de Ryker, Tempestade derrubou a porta, Morgana arranjou forçar para descer, pegar o Osso Voador, e voltar. Não iria deixar a arma, não por orgulho, mas sim por obrigação, obrigação com todos os dragões que morreram para ela ser feita, não iria deixar que a arma fosse usadas por caçadores novamente, nunca.

Tempestade derrubou qualquer viking que tentava impedir com a calda, quando eles estavam próximos a escada que dava para o convés, Astrid mandou que a dragão explodisse, elas voaram do navio para os céus finalmente.

— Eu disse que vocês estava mexendo com os vikings errados! — Astrid gritou em provocação para Ryker.

Morgana deu um simples olhar por cima do ombro ao homem, antes de voltar para frente, ainda iria fazer com que ele pagasse, não por a ter machucado, mas sim por tudo que ele fez com os dragões e com os amigos dela, e aquilo era uma promessa.

Soluço soltou um exclamação de alívio ao ver as duas garotas saindo do navio montadas na Tempestade, ele já ia gritar, as chamando, quando olhou melhor para Morgana, ela... não estava normal, os cabelos lisos, negros e longos que ele achava tão lindos, agora, batiam no ombro da garota, de longe ele não conseguia ver direito, mas parecia que a túnica estava de alguma forma estanha e o pior foi ver quando Luna se aproximou da Tempestade gritando por Morgana e o máximo que esta conseguiu fazer foi escorregar para a Fúria da Noite, caindo deitada na sela. Por Thor, o que tinha acontecido naquele barco?

Não demorou muito para Perna de Peixe e os gêmeos seguirem as meninas e agora que eles conheciam o inimigo, eles causaram apenas mais algumas explosões, mas decidiram sair dali, não era prioridade acabar com eles e sim salvar a todos, o que dessa vez tinha sido um sucesso.

Ryker, urrou de raiva ao ver a morena fugindo e ainda mais ao ver que ela levava o bumerangue gigante, mas ele sabia que as marcas que tinha deixado nela nesses dois dias, ficariam com ela para sempre.

Os cavaleiros estavam voltando finalmente para casa.

— Aquele lá era o Dagur no navio? — Soluço perguntou surpreso. — Ele está com os caçadores de dragões?

— Não é só o Dagur! — Cabeça Quente falou mais animada do que deveria.

Morgana sentiu o corpo ficar tenso, sabia que a loira se referia a Heather e não a ela, mas isso só a fez lembrar que teria que repetir a sua história para o moreno novamente e tinha medo, mas se todos a compreenderam, ele também o faria, não é?

— Nós temos muita coisa para conversar, Soluço. — Astrid falou e olhou de relance para Morgana, a morena mal conseguia ficar em cima de Luna.

Luna soltou um barulho e olhou preocupada para a dona, tinha percebido que Morgana não estava bem.

— Está tudo bem, garota. — Ela fez um leve carinho na cabeça da dragão que não tirou a preocupação do olhar.

Outra pessoa preocupada era o líder do grupo, Soluço olhava para Morgana, querendo que a mesma também olhasse para ele para que ele perguntasse como ela estava, o que tinha acontecido, ela estava claramente ferida, e só de pensar que aqueles caçadores fizeram isso, o fazia querer voltar e acabar com todos eles, mas ela não o olhava, na verdade, parecia o estar evitando.

Morgana tentou ignorar a conversa que os outros estavam tento sobre as armaduras e em como faze-las com Ferro de Gronckel.

— ... Eu aposto que não é a última vez que nós vamos ver os caçadores de dragões.

A morena não conseguiu deixar de estremecer novamente com a fala de Soluço, ela estava tentando ao máximo evitá-lo, estava usando o Osso Voador para tampar o estrago nas suas costas.

— Hey. — Astrid chegou com Tempestade para voar do lado da morena. — Você está bem? Está com muita dor.

— Já está aliviando um pouco, só estou cansada.

— Quando chegarmos no Domínio, eu te ajudo. — Astrid sorriu para a amiga, mas pode ver que a preocupação de Morgana não era com ela mesma. — Ele não vai te julgar, eu sei disso.

Morgana abaixou a cabeça, Astrid e ela tinham virado tão boas amigas que a loira já conseguia entender as suas expressões.

— Eu não sei se consigo contar agora.

— Nós vamos tratar dos seus ferimentos primeiro, você vai descansar e depois nós contamos juntas, ok?

Morgana olhou para a loira e forçou um sorriso.

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Depois de algumas horas de voo eles chegaram ao Domínio, eles tinham pousado na plataforma dos estábulos.

— Morgana, nós podemos conversar? — Soluço falou quando todos desmontaram, mas viu Astrid correr até a garota.

— Depois, Soluço. — Astrid falou.

— Mas...

— Depois! — Astrid repetiu com mais firmeza, antes de sair andando com Morgana até a cabana da mesma, lá também era a área médica da base.

Mas Soluço não queria esperar, então quando todos estavam prontos para ir embora, Soluço puxou Perna de Peixe e os gêmeos.

— Não, não, não. Alguém vai me contar o que aconteceu e eu quero tudo. — Ele disse bem sério.

— Acho melhor a Morgana te contar. — Perna de Peixe disse meio encolhido.

— Não, eu quero saber agora e eu sei que ela contou para vocês, então nós só vamos adiantar as coisas.

— Não sei... — Perna de Peixe ainda estava relutante.

— A Morgana era uma caçadora! — Cabeça Dura gritou e a irmã teve que lhe dar um soco na cabeça.

— Idiota!

— Espera, o quê? Como assim a Morgana era uma caçadora? — Soluço sentiu o seu mundo acabar, Perna de Peixe vendo o olhar do amigo, resolveu negar logo.

— Não, quero dizer sim, mas não. — O loiro suspirou alto. — Ok, Soluço, eu vou te contar, mas você vai precisar saber de todos os detalhes pela Morgana.

Então eles contaram de forma bem resumida tudo, em como a morena foi resgata pelos caçadores, foi criada e educada por eles por alguns anos e em como os ajudou a caçar dragões, apesar de ela achar que estava os salvando, e depois em como ela descobriu tudo, matou o pai do Ryker e fugiu. Contudo, não foi a mesma coisa como foi quando Morgana contou, os detalhes, a emoção dela de como estava arrependida e em como aquilo tudo a fez sofrer muito e talvez por falta dessas coisas, Soluço tenha sido empaquetado tanto assim. Ele não contaram como ela foi torturada por eles, em como ela estava disposta a se sacrificar, Perna de Peixe acreditava que depois Soluço procuraria Morgana para conversar e entender as coisas melhor, por isso eles estavam só resumindo as coisas, para só saciar a curiosidade do amigo, mas Soluço não procuraria Morgana depois. Quando disseram que Heather também os tinha traído, Soluço nem deu tanta importância, era claro que era algo preocupante também, mas a cabeça dele estava toda no que os amigos tinham acabado de contar sobre Morgana, ela ajudou os caçadores, mas ela estava mudada agora, os ajudava, estava do lado deles, mas como confiar nela de novo? Ele sabia que estava sendo ridículo, era Morgana, a garota que ele estava completamente apaixonado, por Thor, ele iria se confessar, mas depois de tudo isso, seria certo? Como eles teriam certeza que ela era de confiança. Soluço estava com os pensamentos tão divididos que teve que ir para a sua cabana pensar um pouco, e o pior era que ele estava com medo do que poderia pensar.

Em outra cabana, a da curandeira, Astrid terminara de enfaixar o corpo de Morgana.

— Vai deixar cicatrizes, não vai? — Astrid comentou com pesar.

— Tudo bem, vão ser só mais algumas para a coleção. — Morgana tentou brincar um pouco, depois do tratamento, e remédios, ela já se sentia bem melhor.

— Eu percebi que você já tinha marcas por baixo delas. — Astrid estava meio relutante, mas a pergunta estava implícita: "como ocorreu?"

— O mundo é cruel Astrid, eu passei anos sozinha, precisei fazer sacrifícios para conseguir informações. Faz muito tempo, não tem importância para agora.

Astrid compreendeu que não deveria forçar mais, ela ajudou quando Morgana começou a se levantar.

— Você vai falar com ele agora? — Astrid ainda achava que estava cedo, a amiga precisava descansar.

— Tudo bem, eu já estou melhor, ele precisa de uma explicação. — Morgana sorriu tentando convencer a amiga que ainda estava preocupada.

— Ok, então eu vou com você.

— Eu acho melhor fazer isso sozinha, seria melhor.

Astrid viu que não iria conseguir convencer a amiga, então apenas ficou vendo ela sair da porta.

Quando Morgana chegou a cabana de Soluço, Banguela veio correndo até ela, ele sabia que ela estava ferida, tinha sentido o cheiro, então ele foi bem cuidadoso ao pedir um carinho, depois foi correndo ver Luna que estava seguindo a dona, bem de olho nos passos dela, não iria sair mais de perto da melhor amiga, iria protege-la.

Contudo, Soluço não mostrou a mesma alegria ao vê-la e Morgana percebeu isso, ele estava na sua mesa de trabalho.

— Soluço? — Morgana chamou meio exitante.

— Hum? Oh, não tinha te visto ai. — Ele olhou para ela rapidamente antes de se voltar para o trabalho a sua frente. Morgana sabia que era mentira, pois quando ela tinha aberto a porta, ele tinha se virado para ver quem era e ao vê-la, se virou rapidamente.

— Você não queria conversar? — Parecia que até o ar no ambiente era desconfortável, Morgana viu Soluço ficar tenso.

— Perna de Peixe e os gêmeos já me contaram o que aconteceu. — Ele ainda não olhava para ela.

— Oh...

Morgana entendeu agora o porque de ele estar estranho, tinha pedido para os outros dizerem e eles devem ter contado tudo, até sobre os seus ferimentos, mas Soluço não parecia se importar e Morgana acreditava que ele não pensou iguais aos outros depois que ouviu a história dela, com compreensão, afinal, Morgana também não sabia o que os outros tinha contado, achava que tinha sido tudo e por isso achou melhor não tentar se explicar, já que o próprio Soluço não parecia querer saber mais nada.

Porém, Morgana tinha que confirmar o que Soluço sentia.

— Você disse que queria conversar comigo depois de tudo, lá na caverna. — Morgana puxou o mínimo de esperança que tinha para perguntar aquilo.

Soluço ficou ainda mais tenso, tinha esquecido daquilo, mas não podia dizer o que tinha planejado, em como se declararia, confessaria tudo, e também diria em como morreu de preocupação sobre ela durante esses dois dias em que ela e os outros eram prisioneiros, mas agora que sabia o que ela tinha sido.

— Não era nada importante. — Ele e voltou para ela rapidamente. — O que eu queria falar, não tem importância mais.

Soluço sentiu o seu coração apertar e dor de um jeito que nunca tinha feito quando viu o olhar de Morgana, desolado e triste. O líder dos cavaleiros não estava pensando direito, ele sabia disso, mas parecia que alguma coisa falava por ele, um sentimento ruim que ele não queria continuar cultivando, mas que continuava falando por ele.

Morgan podia perceber que Soluço não a queria lá, mas ela não se mexeu, uma parte dela ainda tinha esperança que ele iria se levantar, falar com ela direito, ou até gritar e pedir explicações, mas que fizesse algo. A garota respirou fundo e já estava preste a sair do lugar, não se sentindo bem vinda quando o moreno resolveu falar algo, mas não eram as palavras que Morgana queria ouvir.

— Como a Astrid está? Deve ter sido um choque para ela com a traição da Heather.

Ele estava preocupado com a Astrid, mas em nenhum momento perguntou como ela estava. Morgana cravou as unhas na palma da mão .

— Ela está bem, mas você parece bem preocupado?

— Eu quero o bem dela

— Vocês sempre foram próximos assim?

— É, quando eramos crianças, eu era apaixonado por ela. — Soluço não soube o porque de ele ter mencionado aquilo assim do nada.

Morgana sentiu os ombros caindo com a resposta dele.

— E ainda sente algo?

— Eu não sei....

Soluço não sabia porque tinha dito aquilo, ele já não sentia mais nada pela loira, ambos já haviam conversado sobre isso há anos e também superado, mas saber do passado de Morgana parecia ter criado um barreira em seus sentimento e sabia que estava com pensamentos que injustiçavam ela, mas ainda não conseguia superar aquilo tudo.

— Seria melhor você voltar para a sua cabana. — Soluço não olhou para ela. Morgana se sentiu expulsa.

— Entendo...

E foi assim que Morgana percebeu que sempre esteve certa, pessoas como ela não mereciam o amor.

Notas finais
Infelizmente o nosso Soluço ficou muito em choque com os acontecimentos e não acabou fazendo besteira, o que será do relacionamento dos dois? Bem, temos varias temporadas pela frente ainda e têm muita coisa mesmo para acontecer, seria chato se fosse tudo perfeito logo de cara, assim fica mais interessante, não acham?(Apesar de eu achar que tem muita gente que deve estar querendo me matar agora)