When it comes to my heart

1 Bullets coming off our lips


Notas iniciais
Primeiro capítulo, da minha primeira história por aqui, espero que agrade, embora não tenha nada profissional em mãos, apenas, queria escrever algo e ver no que saía depois de tanto tempo.

Para onde vamos? – Disse o taxista. Era uma noite de sexta, fria e chuvosa.

Bar blacklake, por favor. – Falou Manfred, enquanto entrava no carro e guardava o guarda chuva. – Poderia trocar a música por favor. – Completou, logo após fechar a porta do carro e se aconchegar.

Manfred podia sentir seu rosto escorrendo, lágrimas ou água? Impossível dizer. A luz da cidade refletia no vidro da janela e nas gotas de água, enquanto o rádio tocava em som ambiente uma nova musica de Daughtry.

Chegando ao bar, Manfred sai do carro, paga com uma nota e segue em direção a porta. – Fique com o troco.- Disse ele, já empurrando a pesada porta de madeira com a mão. O clima quente do bar corta o frio congelante do exterior, o bar está vazio, apenas duas mesas ocupadas por duas famílias, ao fundo, Manfred avista Simon no balcão. Sinaliza com uma das mãos, chamando por ele e se senta próximo a parede. Simon se aproxima lentamente com um cardápio e um pano em mãos, enquanto limpa a mesa de madeira em que estava Manfred ele diz. – Você por aqui? Você nem bebe, aconteceu alguma coisa? – Disse em meio a um sorriso. Manfred apoia os dois cotovelos na mesa, passando as mãos sobre seus cabelos, de cabeça baixa. – Lindsay... – Diz em voz baixa, apenas em tom de tristeza. Simon logo percebe que algo grave aconteceu, puxa uma cadeira e se senta frente a frente. – Ah Manny... não fica assim, me conta o que aconteceu.

Manny levanta a cabeça, com seus olhos úmidos, olha nos olhos de seu amigo e então começa a desabafar – Sinceramente, não sei. A gente estava bem, mas há umas duas semanas... ela mudou, ela ficava brava constantemente. Não importava o que eu fazia, nunca era suficiente. Então hoje, eu preparei algo especial, esperava que pudéssemos nos concentrar e voltar ao que era antes... – Dizia Manny até ser interrompido a sua respiração pesada – Manny... sinto muito, eu sei o quanto você gostava dela. Lamento que tenha terminado assim. – Completou Simon olhando para seu amigo, sem poder fazer muita coisa.

Sabe... eu só queria entender o motivo. Sempre fiz de tudo por aquela garota, é como se ela passasse a me odiar da noite pro dia. Lembro de ter falado com Mark sobre isso, eles sempre foram próximos. Jurou não saber, mas acho que agora é tarde de qualquer forma. – Disse Manfred enquanto limpava seu rosto. – De fato, agora é um pouco tarde, mas, pode ter sido melhor assim, se vocês não estavam se dando tão bem. – seguiu Simon – Eu adoraria ficar aqui e te ajudar, mas sabe como é tenho que trabalhar. – Completou.

Fica tranquilo, vai lá, eu vou ficar bem. Preciso de algo pra esquecer, sabe que eu sempre gostei de suco. – Disse Manny esboçando um sinal de sorriso no canto do rosto. – Claro, sempre um suco. – Terminou se virando para Manny e sorrindo enquanto se dirigia para o balcão. – Ah, e me faça um favor, tira dessa maldita rádio. – Finalizou Manny, voltando a observar o salão que agora contava com um casal que acabara de entrar pela porta.

Tudo parecia passar tão devagar, os pensamentos, lembranças, as vozes que ecoavam sem atenção, a droga de chuva que caía do lado de fora e fazia com que gotas corressem pela janela. Que dia mais confuso, algo que era pra ter sido tão bom, logo se transformou num inferno. 2 anos que agora não servem pra nada a não ser lembrar, momentos bons, ruins, felizes, tristes. A chuva se acalma, Manny se levanta, paga o que bebeu em completo silencio e sai do bar, a passos lentos, puxa a pesada porta de madeira e começa a caminhar na direção de casa, o frio da noite adentra seu casaco mas parece não se incomodar, seguindo sua caminhada, por ruas úmidas e geladas, desertas e escuras. Muitas pessoas na rua, afinal, era sexta, haviam comemorações em todo canto, musicas ecoavam por todos os cantos, a chuva volta a apertar, Manny acha um lugar pra se proteger e pega seu telefone. Havia uma ligação perdida de sua mãe, ele procura pelo contato e liga de volta.

Oi mãe – Disse ele com a voz ainda baixa – Oi meu filho, como você tá? O Simon me ligou e me contou o que aconteceu. – Completou ela preocupada. – Ta tudo bem mãe, eu to indo pra casa, não se preocupa tá? Só não quero falar sobre isso agora, avisa pra Yasmin que eu logo eu estou em casa. – Completou ele.

Ta bom, eu aviso, se cuida meu filho. Vai pra casa. Tchau. – Disse ela desligando o telefone. – Tchau... mãe.- Completou ele, mesmo depois de já ter desligado. Seguiu vendo seu telefone, com notificações de redes sociais, marcações de amigos, novos seguidores e coisas que apenas passavam sem atenção, pois não importava em nada naquele momento. A chuva volta a se enfraquecer, Manny segue caminhando, até chegar a um ponto de ônibus, havia apenas mais uma pessoa, coberta de roupas por todos os lados, tentando fugir do frio sentada no canto. Manny passa por ela sem dar atenção, se mantendo de pé, nos pingos gelados da chuva que agora já quase parava, também coberto de roupas, com um casaco comprido e touca, era quase que irreconhecível. Após alguns minutos o ônibus chega, Manny entra primeiro mas nota que a outra pessoa também entra no mesmo ônibus, mas segue sem dar atenção se dirigindo ao fundo, sentando-se no ultimo banco, na janela. Se aproximava das 23:00 mas os ônibus seguiam cheios, por conta do movimento de sexta a noite.

Após alguns minutos, observando o céu e as luzes da cidade, Manny se levanta e se prepara para descer em seu ponto, junto com mais algumas pessoas, ele desce e começa a caminhar em direção a sua casa, destranca a porta, volta a trancar e já se encontra com Yasmin.

Ai Manny, sinto muito por vocês – disse ela abraçando seu irmão. – Ta tudo bem, eu vou ficar bem. Só preciso... – dizia Manny até ser interrompido por batidas na porta – A essa hora, quem seria? – Diz ele se virando para destrancar a porta abrindo-a. – Bom era o que eu ia te dizer... – Disse Yasmin. Manny se depara com a pessoa que estava com ele no ponto de ônibus, percebendo agora que se trata de uma garota enquanto ela retirava a parte do casaco que tampava seu rosto e sua touca.

—R- Rachel? É... é bom te ver.-