When You Wake Up
1 Capítulo 1 - Mudança repentina
Parece que foi ontem, a dor ainda é exatamente a mesma. Mas já fazem três meses que meu pai se foi. A cada dia sinto mais falta dele, daria tudo para trazê-lo de volta. Minha vida tem sido tão difícil depois desse ocorrido, perder uma das pessoas que mais se ama é um golpe duríssimo. Nem vou tentar descrever essa tamanha dor, é inimaginável, só sentindo mesmo para ter noção.
Hoje, no começo da noite, recebi notícias que me afligiram ainda mais. Minha mãe revelou-me que já fazia um tempo que encontrava-se com outro homem e que se sentia tão bem com meses não é tempo o bastante para conhecer bem alguém. Mas o pior ainda estava por vir, ela seguiu dizendo-me que traria ele para morar conosco, no dia seguinte. No dia seguinte! Como ela me conta tudo em cima da hora? Se eu tivesse sabido disso antes com certeza a impediria imediatamente, obviamente por isso que não quis me contar. Ainda tentei convencê-la de que ela estava abalada por causa da morte do meu pai, e por isso estava a ponto de cometer esse grave erro, mas nada a faria mudar de opinião. Ela parecia realmente convicta em relação a esse cara. Com essa decisão tomada e sem volta, minha vida será mais arruinada do que já está. Quando pensei estar no fundo do poço, o poço ficou mais fundo. Já é madrugada e ainda não consegui pregar os olhos. Como pode tanta coisa ruim acontecer assim, em seguida?
-
Na manhã seguinte, quando abri os olhos, rezei para que tudo não tivesse passado de um horrível pesadelo, tudo mesmo. Não sentia nenhuma vontade e nem possuía forças para sair da minha cama e enfrentar a realidade, para descobrir que tudo era pura verdade. Aguentei o máximo de tempo que consegui deitado, conseguiria mais se minha mãe não tivesse obrigado-me a levantar para receber o novo morador, que logo chegaria. Ela me fez tomar um banho demorado, colocar a melhor roupa que eu tinha, e jurar que eu daria uma boa impressão. Também tentou me confortar dizendo que eu me acostumaria rápido, mas ela já havia me dito a mesma coisa há três meses atrás, e eu ainda não havia me acostumado.
Já estava entediado na sala de estar, esperando a chegada do ‘convidado ilustre’. Esse folgado marcava para chegar de manhã na casa dos outros, e ainda fazia o favor de demorar. Mas com a demora, ainda fiquei com uma ponta de esperança de que ele não aparecesse.
- Que demora! Tem certeza que ele vem? – disse chateado.
- Então filho, tenho sim, mas sabe o que é? Não é ele, são eles!
- Como assim?
- Ele também tem um filho, ele vem também.
- Pra morar?
- É. Mas vai ser bom pra você! –disse antes que eu tivesse tempo de reclamar. – Ter um irmão pode te distrair.
- Aish...e onde é que ele vai ficar? Não tem lugar pra uma quarta pessoa dormir nesse apartamento!
- Bem...vai dormir no seu quarto com você, pelo menos por enquanto.
- Mãe, no meu quarto não! Aliás lá só tem uma cama, e é minha. –enfatizei.
- Essa noite será dele, você dorme naquele sofá que tem no seu quarto. É só por hoje, amanhã saímos e compramos uma cama.
- Nossa, pra você tudo se resolve tão fácil, né? –ironizei.
O barulho da campainha interrompeu nossa discussão, nos encaramos, ela ansiosamente e eu muito tenso. Ela foi correndo até a porta, soltou um suspiro e abriu-a. Logo começou com os comprimentos melosos, chamou-os para a sala de estar, onde eu me encontrava, e apresentou o tal homem para mim. Ele disse oi, eu só respondi gestuando um oi com a mão, mas com muita má vontade. Seu nome era Jin, não era gordo, nem muito alto, tinha uma cara simpática, mas nem isso fez meu santo bater com o dele. Logo minha mãe foi me apresentando o filho dele. Ele aparentava ter a mesma idade que eu, usava um óculos, e não tirava aquele sorriso irritante do rosto.
- Filho, esse é Minhwan! Minhwan esse é Junho, meu filho! – apresentou-nos.
Minha mãe percebeu que eu não estava nem um pouco a vontade com a situação, e que logo soltaria palavras que não agradariam, então ela pôs-se a tagarelar para evitar que eu abrisse a boca.
- Min, você e Junho serão grandes amigos! – ele sempre concedia sorrindo aos falatórios de minha mãe. – As aulas de vocês começam semana que vem, vão estudar juntos, não é bom? Quer dizer, se Junho passar no exame de sexta-feira. Sabe como é, perdemos meu marido no final do ano passado, ainda faltavam alguns meses para as aulas acabarem, mas diante do acontecido, Junho não conseguiu mais frequentar as aulas, então sua situação escolar ficou indefinida. O diretor foi tão gentil que deixou-o prestar um exame antes do começo das aulas, e se ele fosse bem poderia passar de ano, e as faltas do ano passado não teriam problemas. Min, sei que você é muito inteligente, pode ajudar o Junho a estudar, não é?
- Claro! – ele continuou sorrindo, como se não fosse má ideia.
- Que bom! Ah...Junho que tal agora mostrar o quarto pro Min se instalar?
- Tudo bem, vamos. – disse desanimado.
O garoto posicionou-me ao meu lado, esperando que eu o guiasse até o quarto, mas antes que eu pudesse, minha mãe soltou mais um de seus comentários desnecessários:
- Oh! Vocês dois tem muita semelhança. Parecem mesmo irmãos biológicos! –disse entusiasmada.
Subimos as escadas em silêncio, não pretendia falar com ele, só falaria se fosse necessário. Ele parecia querer se enturmar comigo, mas dependendo de mim isso não seria possível. Quando chegamos ao quarto mostrei-lhe a cama, o armário e o banheiro. Deixei-o a sós para que se instalasse e fui até a dispensa, onde eu poderia ficar sozinho e ninguém me encontraria. Lá dentro derramei algumas lágrimas, sabia que ninguém me escutaria, estavam todos tão entusiasmados que nem percebiam o que se passava comigo.
Quando escureceu, resolvi voltar ao meu quarto, estava exausto, não com físico exausto, mas sim com o psicológico, precisava urgentemente descansar a mente. Ao entrar no quarto não avistei Minhwan, melhor assim. Ajeitei-me no sofá o melhor que pude e me cobri, mas não conseguia dormir. Escutei o barulho do chuveiro, mas poucos instantes depois foi desligado. Logo após, Minhwan saiu do banheiro e foi para cama. Viu que eu estava de olhos abertos, e ás vezes olhava-me como se esperasse que eu falasse com ele. Quando cansou de esperar uma reação minha, ele mesmo puxou assunto.
- Não consegue dormir? -disse ele.
- O melhor que você faz é não falar comigo. – virei-me de forma que ele não pudesse ter contato visual com meu rosto.
- Eu sei que é difícil pra você, ter um estranho convivendo na mesma casa, no mesmo quarto. Mas eu vou tentar ser legal.
- Não está sendo legal agora, seria se ficasse quieto. –disse seco.
- Eu entendo você, é difícil ver o lugar do pai sendo tomado. Já era difícil não ter o pai por perto, não é? Agora deve parecer que os problemas duplicaram. –após ouvir isso engoli seco, mas não disse nada.
- Entendo que você deve sentir falta do seu pai, e se sentir mal ao pensar que meu pai pode substituir o seu no coração da sua mãe. Mas meu pai nunca vai substituir...
- Você não entende nada. – interrompi-o com um tom de voz agressivo, porém não alto. — Procure antes perder seu pai, e ter estranhos vivendo na sua casa pra depois tentar falar alguma coisa pra mim.
O silêncio pairou por alguns segundos.
- Na verdade, minha mãe faleceu...Eu era muito novo, e até hoje não sei qual foi a causa da morte dela, meu pai nunca me contou...Mas me lembro como se você hoje, eu estava na minha cama, esperando que ela fosse me por para dormir...ela entrou em meu quarto apressada, e sentou-se ao meu lado, seu rosto estava realmente pálido...Ela olhou fundo nos meus olhos...lembro exatamente das palavras que pronunciou: “Se eu não estiver aqui quando você acordar, não é adeus.” ...Depois daquela noite nunca mais a vi. Eu não entendia naquela época, achava que ela ia voltar algum dia...E não pense que pra mim é comum me mudar para uma casa já habitada.
Fiquei surpreendido, o que ela acabara de falar era trágico, eu certamente não agüentaria passar por isso. Eu senti meu peito apertar ao ouvi-lo, mas não pude dizer nada para reconfortá-lo, afinal, eu melhor que ninguém sei que nessas horas é melhor ficar silêncio do que acabar dizendo palavras erradas, pois pode acabar machucando mais ainda. Ao não ter resposta, ele também não insistiu em dizer mais nada. Acho que ele estava abalado demais para dizer mais alguma coisa, eu também estava. Precisávamos descansar.
Fale com o autor