When You Have A Killer In Your Tail

13 Quando segredos são revelados


Notas iniciais
Eu definitivamente mereço punição por ter demorado tanto. Sendo assim, podem fazer o que quizer comigo só... não me matem.
Aqui está o próximo capitulo!
Muitos segredos são revelados aqui e espero que gostem!
Infelizmente nao sei quando o próximo irá sair, pois minha semana de provas está para chegar e eu tenho muitas coisas a fazer.
Sem mais delongas, vamos a historia!

“ You, what do you own the world?
how do you own disorder, disorder
Now, somewhere between the sacred silence
Sacred silence and sleep
somewhere, between the sacred silence and sleep
disorder, disorder, disorder “

Toxicity- Systen of a down

No apartamento 3A da Pine Street onde um policial, um pintor e um professor moravam a mais de dezoito anos uma leve vibração de telefone celular tinha acordado um dos três homens que por aquela noite dividiam a mesma cama. Gabriel não conseguia saber o por que de ainda deixar seu celular ligado uma vez que estava suspenso de seu trabalho por duas longas semanas mas conseguia entender que os velhos hábitos são os piores para morrer. Ele era um policial apesar de tudo e tinha sido acostumado a ser acordado em horas obscenas para trabalhar na morte de alguma pessoa que tinha sido infeliz o suficiente para morrer naquele horário.

O mais delicadamente possível, sem fazer nenhum movimento que pudesse machucar o seu irmão ferido, ele deixou a cama aconchegante e se dirigiu para a sala antes verificando quem tinha sido o infeliz que o acordou as cinco e cinquenta de um sábado. Era o sargento Turner e ele não poderia ficar irritado com o homem, ele tinha sido o único a aguentar viver no comando da delegacia sem a presença dele e de Chuck e recebendo as ordens mais loucas do comissario.

Ele nem ao menos teve tempo de dizer “Alo” pois logo que tinha apertado o botão verde o homem negro começou sua sentença.

Ele era um pouco irritado com o que ouvia:

-Será que o senhor poderia acordar Jimmy e o trazer para a delegacia? Ainda temos que colher o depoimento dele... ele deixou o resto do que tinha para dizer para mais tarde, ele sabia que aquilo não iria agradar seu capitão. Na verdade não tinha agradado ninguém da policia, mas ordens eram ordens e ele não era idiota de colocar seu emprego em risco.

Gabriel passou a mão pelo rosto em um sinal de irritação e desespero. Ele estava cansado de toda aquela merda. Por que ninguém poderia deixar Jimmy em paz? O pintor tinha se esforçado tanto para guardar o segredo e agora parece que todos queriam saber sobre isso só para ver se encontrariam Ruby na mesma pista. Ele sabia que era uma possibilidade de ouro investigar seja lá o que Jimmy tinha a dizer, mas não estava disposto a ferir seu irmão frágil como ele era para isso.

Foi nesse momento que ele teve uma ideia:

-Vocês não podem vir até aqui? É sábado e eu tenho certeza que vai ser muito melhor deixar Jim em um ambiente familiar comigo e Cas para protege-lo do comissario. Alem do mais ele teve uma concussão e não é recomendado andar de carro...- antes que ele começasse a xingar a mulher por ter deixado Jimmy no estado em que deixou ele resolveu ir direto ao assunto- eu acho que consigo deixa-lo pronto as oito.

Infelizmente nada poderia prepara-lo para o suspiro descontente de seu subalterno. Ele poderia dizer pelo som daquele suspiro que as coisas não poderiam ser bem da forma como ele queria.

Nada no mundo o tinha preparado para o que ele ouviu logo em seguida:

-Na verdade...- Rufus estava meio receoso em dizer o que ele tinha para dizer, ele sabia que não ia ser uma boa ideia, mas mais uma vez não poderia desobedecer uma ordem direta- nos temos que leva-lo para a sala de interrogatório de qualquer jeito. Os suspeitos não podem ser interrogados em suas próprias casas.

No primeiro segundo depois de ouvir o que Turner tinha acabado de falar Gabriel pensou que era uma piada, mas no segundo seguinte, quando ele não ouviu as risadas vindas do outro homem- como ele gostaria de ter ouvido- seu sorriso de desmanchou e ele sentiu a necessidade de comer algo doce imediatamente. No terceiro segundo ele já não mais queria comer coisas doces, pois sua garganta estava ardendo de raiva, muita raiva.

Ele deixou tudo o que estava sentindo sair em uma voz venenosa como uma serpente;

-O que aquele infeliz fez?

Turner sabia que seria o pior mentir, mas ele não queria ter de ser o único a explicar o que o comissario tinha dito sobre o pintor Novak. Era muito provável que seu superior fosse colocado em uma outra suspensão devido as consequências do que ele tinha de dizer. Ele suspirou longamente pelo que parecia ser a milésima vez naquele dia e resolveu contar tudo em um único respirar.

-O comissario decretou que Jimmy está trabalhando em conjunto com a mao-na-boca simplesmente porque ele não estava a fim de falar o tal segredo há dois dias atras. Ele não estava disposto a dizer que o comissario queria ver Jimmy preso simplesmente pela frustração que ele o fez passar e que nos últimos dias o superior tinha gastado seu tempo e dinheiro com planos para tirar a confissão da boca dele e prende-lo em um presidio de segurança máxima em Alcatraz.

Gabriel poderia sentir seu corpo ferver como uma chaleira. Ele estava definitivamente no humor para colocar a cabeça do comissario Alder em uma bandeja de prata e dá-la ao cachorro da vendedora de flores.

Com o canto do olho ele poderia ver Cas sentando-se na cadeira de madeira em volta da mesa de jantar. Ele não queria despejar o feijão diretamente para ele as seis horas da manha então preferiu mudar sua estrategia.

Sua voz era calma e controlada quando falou;

-Vocês precisam de um mandato para isso.

Do outro lado da linha Turner poderia ver os outros dois oficiais caminhando na sua direção, ele não poderia acreditar que aquilo realmente estava acontecendo.

Ele disse em um tom que pedia mil desculpas:

-Nos já temos um.

Gabriel agora não mais se importava com Cas saber ou não. Ele estava ardendo em fúria, uma fúria que fazia anos que ele não sentia e o consumia de uma forma avassaladora dando-lhe vontade de matar qualquer um que cruzasse seu caminho.

-Quem foi- ele falava bem devagar para que os raios gama de ódio chegassem a seu destino- o filho-da-puta que autorizou esse mandato?

Rufus sabia que essa era a pior parte. Em uma única resposta ele poderia mostrar o quanto de raiva ele tinha em comum com seu capitão. Ele odiava ter de se sentir assim, mas o homem que liderava a policia da cidade era realmente um ladrão.

Ele escolheu a verdade pela milésima vez. Não seria nem um pouco bom deixar Gabriel e os outros descobrirem isso depois de entrarem na delegacia. Enquanto ele olhava para uma das telas pintadas por Jimmy que enfeitava a entrada do departamento (era uma tela que mostrava a Lombard street pela janela traseira de um carro com um pequeno bebe sentado em uma cadeirinha) ele falava:

-O juiz do gabinete do governador. Se a dor pudesse se transformar em palavras essa frase conteria toda a dor vivida e sentida pela especie humana.

Do outro lado da linha Gabriel congelou. Sua respiração era curta e superficial. Ele nunca pensou que em algum dia ele seria capaz de sentir mais raiva de alguém do que sentiu por sua própria mãe. Se aquilo fosse dito meses antes com um criminoso qualquer que o comissario estivesse dedicado a colocar dentre quatro paredes a ideia de um homem da policia ter o juiz secretario do gabinete do governador em mãos não seria uma ideia ruim, na verdade, seria mais um motivo para os oficiais comentarem em segredo que seu comissario era um apadrinhado que subornava outras pessoas de poder. Agora, a única coisa que o capitão de policia conseguia sentir sobre isso era medo de perder uma pessoa querida por algo que ele jamais cometeu. Ele tinha visto em primeiro plano como alguns policiais corruptos colocavam provas em mãos dos suspeitos que eles acreditavam serem criminosos e acabavam por colocar na cadeia pessoas que nunca comentarem crime algum.

Gabriel acalmou sua respiração para que Cas não juntasse todas as peças em um único segundo. Inteligente como ele era Castiel já deveria ter uma hipótese do que estava acontecendo.

Ele falou em uma voz plana:

-Quem está vindo?

Foi nesse momento que Rufus olhou para os outros dois oficiais que estavam perto dele, eles queriam apenas o mandato para poderem deixar a delegacia e buscar seu suspeito, eram dois oficiais completamente diferentes; a mulher de cabelos negros e cacheados- uma atiradora de elite, mas não a melhor da força- era completamente contra o que estava indo fazer, ela trabalhava na delegacia há mais de cinco anos e conhecia a família do capitão assim como todos os outros bons oficiais que estavam no incidente que tinha ocorrido em uma galeria de arte há dois anos atras... o outro, um jovem garoto de cabelos marrons e olhos verdes claros- era um bom cumpridor de regras e pau mandado- realmente acreditava no que Zacarias Alder tinha a dizer contra Jimmy Novak. Dos dois ele seria o que menos era recomendado para fazer seu trabalho e o sargento não queria ter de dizer que o garoto estaria sendo um dos únicos oficiais a escoltar seu irmão para a delegacia. Sabendo que logo logo Gabriel veria a cara dos oficiais ele resolveu pela milésima vez andar com a verdade.

-Linda Taylor e Simon Gramby.

Gabriel poderia ter pensado em muitas coisas, em como o garoto poderia fazer mal a seu irmãozinho apenas com um olhar, em como ele realmente não queria ver seus oficiais algemando Jimmy e o colocando no banco de trás de um carro de policia, em como ele detestava tudo aquilo e no quanto ele queria matar seu comissario. Infelizmente antes que ele pudesse pensar em alguma coisa, qualquer coisa para dizer um grito de gelar o sangue cortou a madrugada e fez com que ele e Castiel corressem para o quarto grande do lado esquerdo. O policial ainda tinha seu aparelho celular em mãos e seu sargento pode ouvir tudo o que estava se passando do outro lado.

A primeira coisa que o Novak mais velho viu quando entrou em seu próprio quarto foi Jimmy sentado em cima da cama com o semblante lembrando alguém que tinha acabado de voltar da guerra do Vietina, provavelmente acordar sem ninguém no quarto escuro- as paredes do quarto eram verde musgo- tinha trazido mas recordações, recordações que nenhum deles queria trazer. Jimmy tinha o olhar vago como se estivesse perdido em memorias dolorosas e lagrimas escapando por suas orbitas oculares deixando o azul de seus olhos muito intenso, ele tremia como uma folha e suas mãos que sempre foram usadas para pintar belos quadros agora estavam arranhando seu rosto.

Eles já tinham visto a reação de arranhar o rosto antes, Jimmy tinha parado de fazer aquilo há mais de vinte anos quando as lembranças fantasmas dos xingamentos dolorosos que Clairie Novak criava para ele se dissiparam com a nova cidade. Gabriel não precisava nem ao menos dizer o que estava acontecendo, pois seu silencio era tudo o que o professor de historia precisava para montar a imagem que estava em sua frente em uma esquema compreensível para uma pessoa sem visão. Foi doloroso, mas era a verdade e ele não era ingenuo de pensar que depois de tudo o que tinha visto e passado seu irmão mais velho não iria ter uma recaída como a que ele estava tendo agora.

A única coisa que tinha impressionado o historiador era o tempo que Jimmy tinha aguentado sem voltar a fazer aquilo. Definitivamente seu gêmeo era um guerreiro.

As lagrimas do pintor eram reproduzidas nos olhos azuis esbranquiçados de Castiel e ele deu um passo para trás sabendo que se tentasse ajudar acabaria na mesma situação de Jimmy. Ele nunca tinha sido uma pessoa recomendada para lidar com aquele tipo de situação, ele era fraco e não tinha medo de admitir isso.

Naquele momento tudo o que ele queria era que Jimmy ficasse bem.

Gabriel deu um passo a frente sendo que antes jogou seu celular para Castiel, ele sabia que o outro estaria muito grato em ser útil de alguma forma. O homem cego rapidamente entendeu o que estava sendo dito e correu para a cozinha recuperando a conversa perdida com o sargento Turner, sua voz era férrea quando ele finalmente falou;

-Sargento- ele não esperou o reconhecimento do outro homem para continuar- Jimmy estará pronto quando os oficiais chegarem, mas, quero ressaltar que: ele não será algemado, ele estará acompanhado o tempo todo pelo seu capitão e que ele não dirá nada sem a presença do nosso advogado, isto é A.J. Crowley.

Castiel desligou o telefone assim que as palavras saíram de sua boca.

Do outro lado da linha Rufus sabia muito bem que aquilo era o certo a se fazer, mas não pode deixar de engolir em seco com a ideia de ver mais uma vez aquele maldito A.J. Crowley, o cara era o melhor advogado da cidade e tinha um histórico de nenhuma perda dentro de um tribunal. Sim, seria ótimo para Jimmy ter um excelente advogado em sua defesa, mas não era uma coisa que seu superior estava contando e assim que o comissario Alder descobrir que seus planos de mandar o pintor para a cadeia seriam frustrados as coisas poderiam ficar mais difíceis para todos eles dentro da delegacia. Por um momento o sargento se criticou por pensar apenas em seu trabalho, era claro que eles mereciam um advogado com a experiencia do rei das encruzilhadas e que Jimmy nunca poderia ir preso (tanto porque ele nunca cometeria um crime), ele resolveu confiar na justiça que tanto defendia e esperar para que as coisas se resolvessem da melhor forma possível.

Ele entregou a oficial Taylor o mandato.

Dentro de uma hora eles estariam batendo na casa de seu chefe.

No grande apartamento da Pine Street o professor de historia sentou-se em uma das poltronas coloridas que estavam dispostas perto do sofá e tateou pelo saco que continha suas provas. A correção das provas recém digitadas em braille por sua secretaria era algo que ele precisava fazer desesperadamente ora porque ele precisava entrega-las em um prazo que estava ridiculamente perto, ora porque elas iriam distrai-lo de Jimmy. O professor não tinha intenção de ignorar sua família por muito tempo, ele somente queria que a gritaria e o estresse chegassem a um nível confortável para ele, não porque ele não gostava do barulho ou porque ele era frio, mas porque ele sabia que se estivesse ali acabaria por se arranhar em um reflexo transferencial do que o pintor estava fazendo a si mesmo, curioso como sempre tinha sido Castiel era uma daquelas pessoas que preferia ver-se sofrer do que ver as pessoas que mais ama. Tinha sido por isso que ele nem ao menos pensou na possibilidade de ir junto a Dean, Sam e Gabriel na velha fabrica de macarrão.

Ele tinha conseguido corrigir cinco provas quando os sons torturados de Jimmy cessaram.

Ele tinha acordado por seu filho, Danny estava em pé ao lado de sua cama e usava sua mãozinha para agita-lo enquanto dizia seu nome bem alto. Ele deu um pequeno olhar para a criança e em seguida para o relógio de cabeceira que ficava logo ao lado, eram seis horas da manha.

Dean sabia que era um sábado, sendo assim, deixou-se ignorar um pouco seu próprio filho. Em sua cabeça ninguém deveria ser acordado em um sábado as seis horas e principalmente ninguém que tinha passado por tanto estresse nos últimos meses. Infelizmente para ele o menino era insistente e tinha andado- ou o que era andar para ele- até o outro lado da cama para impedir suas tentativas de ignora-lo.

Dean poderia ter quase uma dor de cabeça, ele tinha dito mil vezes para a criança que não era para tentar andar, que ele sempre se machucava mais do que cobria terrenos e outras coisas, mesmo assim lá estava seu filho com os olhos penetrantes em cima dele e gritando seu nome. Ele se levantou.

Ainda estava muito cedo para qualquer coisa e Dean colocou Danny em seu colo para impedir que o resto da casa acordasse com seus gritos:

-O que é Danny?

O menino sabia que nunca era uma boa ideia acordar seu pai em um dia de sábado cedo como ele tinha acordado, mas era importante e ele não ia conseguir ficar quieto se não contasse o que tinha visto em seu sonho.

Danny abaixou a cabeça ainda assustado com o tom grosseiro que seu pai tinha usado com ele. Bastou apenas esse gesto para que o adulto se amolecesse completamente e afagasse os cabelos loiros e leves, ele estava arrependido, mas preferia ter sido acordado mais tarde, quem sabe umas quatro horas depois?

Ele suspirou profundamente:

-Está tudo bem filho, eu só estou um pouco rabugento de sono... você pode me dizer o que é agora.

Danny tinha relaxado em um único minuto e Dean se sentia melhor consigo mesmo, ele nunca tinha gostado de ser o único que fazia seus filhos terem medo dele. Infelizmente as vezes ser pai de duas crianças fora da linha comum o deixava um pouco nervoso e tinham sido muitas aulas de autocontrole para ele não explodir com nenhum deles... felizmente ele tinha aprendido a lidar com os dois antes de outros incidentes terem acontecido e ele poderia se sentir um bom pai apenas por isso.

Danny se contorcia em seu colo e começou- com muita dificuldade- a se mover para uma posição que o deixasse olhar diretamente para seu pai, Dean o ajudou a manobrar no meio dos lençóis e depois de um período de silencio ele falou:

-Eu sonhei que o comissario Alder iria mandar prender o tio Jimmy.

Dean não acreditou no que estava escultando. Em menos de dois minutos ele saiu de seu quarto, acordou Sam e Lisa e voltou rapidamente para Danny o colocando em seus braços e o despindo para dar-lhe banho. Ele não deixaria o sonho de seu filho se transformar em realidade. Era simplesmente injusto.

O que ele não sabia era que tudo estava acontecendo exatamente como Danny tinha previsto do outro lado do corredor.

Gabriel tinha finalmente acalmado ele, seu irmão pintor ainda estava tremendo com as remanescências de seu pesadelo, mas seu olhar mostrava que agora sabia que tudo tinha sido um sonho. Colocando beijos na cabeça cheia de cabelos negros o policial ajudou-o a chegar ao banheiro e quando percebeu que o outro gêmeo já estava pronto para voltar a vê-los ele se apressou em dizer o que queria que cada um fizesse, como sempre eles trabalhavam de uma forma harmoniosa e mesmo que estivessem morrendo por dentro com o medo de que tudo poderia acabar mil vezes pior eles ficaram ali um dando forças para o outro. O que sempre surpreendia era que Jimmy dentre todos eles parecia ser o único a dar-lhe forças, o pintor famoso tinha as mãos bem presas na de Gabriel de uma forma bastante conhecida por eles e não o deixava vacilar, sempre mantendo um meio sorriso que- embora tenha sido desbotado pelo medo do pesadelo- era a representação da força de sua alma.

Todos eles estavam na suit do irmão mais velho, Jimmy era o único sentado na cadeira feita de palha ao lado da banheira de mármore, ele não parecia ter vergonha nenhuma de ter seus irmãos despindo-lo. Castiel tinha se apressado em ajudar no que fosse necessário e depois de encher a banheira com água quente começou a tirar a camiseta de flanela que seu gêmeo estava usando enquanto ouvia Gabriel retirar os sapatos com uma única mão. Ele tinha sorrido para isso, as vezes Jimmy não ia deixar nenhum deles ir por horas e eles tinham de fazer malabarismos para despi-lo com uma única mão que poderia ser a direita ou a esquerda. Aquilo quase parecia um dia normal exceto pelo fato de que dois policiais estariam em menos de meia hora na sua porta para escoltar Jimmy a delegacia como se ele fosse mais um marginal.

Aquilo era revoltante.

Castiel tinha retirado a cinta que era usada para as costelas maltratadas de Jimmy e suas mãos não deixaram de passar pelos caminhos finos similares a teias de aranha que foram marcados pelos chicotes. Ele rangia os dentes quando sentiu seu irmão minutos mais velho estremecer ao toque e imediatamente parou o que estava fazendo transferindo suas mãos para os cabelos negros que tanto pareciam com os dele. O pintor tinha relaxado imediatamente.

-Cas- ele podia ouvir a vos de Gabriel vindo em um tom muito controlado, como ele era capaz de domar suas cordas vocais para não demonstrarem a emoção gigante que sentia ele jamais saberia- me ajude a levanta-lo precisamos tirar a calça.

Castiel acenou com a cabeça e não precisou ouvir por uma segunda vez. Jimmy era muito fraco ainda e não conseguia se sustentar em pé sem ajuda, o professor ergueu o outro homem por suas axilas e mais uma vez tinha se impressionado com a quantidade de peso que ele tinha perdido, geralmente ele reclamava de como Jim estava pesado (na realidade ele era um quilo a mais que Castiel) e agora tinha sido fácil ergue-lo de uma única vez. O professor não tinha tempo para pensar sobre esse tipo de coisa, Gabriel precisava de sua ajuda e ele não queria ser o único a atrapalhar, pelo que ele tinha ouvido da conversa com Rufus um juiz tinha assinado o mandato para Jimmy ser levado a delegacia e eles não poderiam dificultar as coisas, se o comissario acreditava verdadeiramente que James Novak poderia estar por trás dos planos de Ruby ou não não era o que importava. A única coisa que importava era resolver tudo logo.

Castiel se lembrou que ainda tinha de ligar para o advogado e quase deu um tapa em seu próprio rosto.

-Gabe- ele tinha tentado, mas era inútil esconder seus sentimentos em sua voz, quando falou o nome de seu irmão mais velho a ternura e o medo cruzavam suas cordas vocais como se sempre pertenceram a este lugar- me ajude a leva-lo para a cama, você vai ter de terminar isso sozinho...- ele quase poderia imaginar as sobrancelhas do policial se levantando- ainda não liguei para Crowley.

Ambos Jimmy e Gabriel estremeceram com o nome do advogado. Eles já conheciam o homem em outros carnavais- Gabriel por causa do trabalho e Jimmy por causa de uma de suas pinturas- e não tinham gostado da pessoa por trás do título de invecto.

Os dois permaneceram calados. Ele era a única opção que poderia tira-los do que o comissario tinha preparado para eles e embora preferissem Sam claramente os dois sabiam que quanto menos o jovem aparecesse melhor para eles. Os Winchester não precisavam de uma mídia adicional em seu nome.

Suspirando Gabriel ajudou seus irmãos a chegar no quarto, Cas deixou assim que colocaram Jimmy na cama deitado sob uma toalha macia.

Ela estava com dor de cabeça. Agora ela tinha duas casas para arrumar, duas feiras para fazer e seis pessoas para cuidar, não que ela estivesse reclamando, finalmente tinha encontrado a única coisa que faltava nessa nova vida, mas, ela realmente poderia ter tido um pouco de ajuda com as compras da semana... não tinha sido nenhuma novidade quando ela descobriu que Lisa e Danny não gostavam de fazer feira e a cara de sono de Sam a impedia de utilizar as regras de namorados para isso, mais uma vez era ela a única a fazer o trabalho pesado.

Tinha sido uma enorme surpresa encontrar um carro de policia estacionado na frente de sua casa.

Jessica correu sem nem ao menos se importar se estava ou não deixando cair suprimentos recém-comprados na rua, seu sexto sentido tinha sido ativado ao mixemo quando viu o carro opressor (ela jamais poderia dizer aquilo a Gabriel, mas ela nunca tinha gostado do modelo dos carros policiais) estacionado ali como se estivesse pronto para correr depois da fuga de algum criminoso. Durante a curta caminhada entre o estacionamento do velho prédio que agora abrigava uma escola de teatro amador e sua atual residencia a mulher de cabelos loiros pode pensar em varias situações desagradáveis, ela não queria que nenhuma delas- e em especial a visita de Ruby querendo falar mais alguma coisa com seu Jimmy- se tornasse realidade.

Sendo assim ela correu o mais rápido que pode com sacolas e mais sacolas de mantimentos em seus braços.

Jessica tinha chegado a tempo de ver um casal de policiais uniformizados saindo do elevador acompanhados por Gabriel, que estava com um semblante ilegível e ainda mais disfarçado pelo óculos escuro, e Jimmy.

Seu protegido parecia ter dificuldades para andar e estava o tempo todo sendo apoiado por seu chefe. Ele parecia tremendamente aterrorizado.

Bastou apenas um olhar para o pintor para que ela soubesse o que estava acontecendo. Era logico que aqueles oficiais, ou pelo menos um deles, viam Jimmy como uma ameaça.

Em um piscar de olhos a mulher se colocou entre a saída do elevador impedindo que eles deixassem o edifício. Se ela estivesse sem as sacolas em seus braços era certo que estaria cruzando-os naquele momento.

James Novak parecia bastante feliz em vê-la.

Gabriel continuava em branco.

Cerca de dez segundos tinham se passado, este tinha sido o tempo suficiente para que os oficiais descobrissem que o que ela queria era impedi-los de deixar o elevador.

A mulher parecia um pouco aliviada com a realização, mesmo assim foi a única que falou com tom intransigente. A oficial Taylor queria resolver aquilo de uma vez e não tardou a perguntar o que Jessica queria ali sem nem ao menos saber quem era a moça. A cuidadora tinha levantado uma sobrancelha e olhado fixamente para Gabriel, quando finalmente percebeu que nada daquilo poderia ser resolvido por ele ela falou:

-Eu quero saber onde vocês pensam que estão levando Jimmy.

A atriz sabia que tinha obtido poucas informações para saber se realmente era Jimmy quem eles estavam escoltando, por tudo o que ela sabia poderia ser Gabriel o único a estar em apuros e a presença de Jimmy se daria por ele querer estar com Gabe. Felizmente para ela os cinco anos que tinha passado ali a fizeram uma boa entendedora e como para um bom entendedor meia palavra basta o simples olhar mortificado que seu protegido estava dando e o fato de Gabriel estar achando necessário usar os óculos escuros dentro de um elevador antigo já diziam muito.

De todas as coisas o que menos lhe agradava era o jovem oficial que estava atras de Jimmy, ele tinha os cabelos castanhos claros e os olhos caídos, ele realmente parecia ser uma pessoa que não se pode confiar.

O terrível habito de mascar chiclete enquanto estava trabalhando era o pior. Jessica poderia se lembrar de ter visto em algum documentário(27) que o homem que tinha arremessado a bomba de Hiroshima estava mascando miseravelmente uma goma de mascar. Aquilo a dava arrepios.

Todos os pelos de sua nuca subiram quando ele resolveu finalmente falar:

-Nos estamos escoltando um criminoso.

Ela sabia que a única resposta que poderia sair daquela boca era uma frase fria e desprovida de explicações.

Jessica passou os próximos três segundo estática. O impacto do que o jovem policial tinha acabado de dizer a fez quase querer vomitar, raiva e medo passavam por seus olhos enquanto olhava para os olhos azuis de seu amigo. Pelo menos agora ela sabia o por que de ele estar tao assustado.

Quando a mulher finalmente raciocinou que o que tinha acabado de escultar era realmente verdade nada pode impedir a reação que veio de seu organismo mental. Toda a organização de seus pensamentos gritavam em alerta e a única coisa que saia de seus lábios era o riso. Riso desesperado.

Tudo aquilo a fez lembrar de quando tinha sido assaltada, ela nunca pensou que poderia rir diante de uma arma e de uma pessoa disposta a usa-la se o dinheiro não estivesse em suas mãos.

-Jimmy? Criminoso? Ahahaha.

A simples ideia era ridícula.

A simples ideia parecia absurda.

O casal de oficiais olhava para ela como se ela fosse louca. A mulher de cabelos cacheados parecia estar aproveitando a distração enquanto o jovem de cabelos marrons estava a beira de perder a paciência. Ele tinha sido o único a empurrar a mulher para o lado deixando a passagem livre para que ele e sua parceira cumprissem seu trabalho.

Jessica parou de rir quando viu o garoto tentar algemar seu amigo.

Jimmy parecia tenso ao toque.

Ela odiava quando ele estava assim, quando ele não queria ser tocado, eram os momentos raros que significavam medo ou um estado de completo pavor. Jessica sabia sobre o por que de seu protegido resistir ao toque pois em um dia- no seu segundo ano trabalhando naquele apartamento- ele resolveu por livre e espontânea vontade contar tudo. Ele a tinha dito como Clairie Novak batia nele toda vez que ele fazia algo que ela não gostava e principalmente quando ele insistia que o que estava vendo era verdade, velhos hábitos, sempre os piores para morrer, vinte e quatro anos depois de deixar a fazenda em que viveu seus primeiros anos James ainda sofria os reflexos causados pelo medo de ser agredido e depois de tudo o que ele passou nas mãos da mulher de olhos negros Jessica poderia apostar que ele jamais superaria esse habito.

Ela não teve nem tempo para pensar, em um segundo foi empurrada para o outro lado da recepção do prédio e no outro era capaz de ouvir os passos apressados de Dean Winchester acompanhado por seu namorado e seus filhos. Como Daniel tinha descido as escadas sem a cadeira de rodas ela não sabia, mas como o menino sabia e podia andar- mesmo que não era muito recomendado por causa da falta de coordenação motora- ela imaginou que ele poderia estar sendo apoiado por Lisa durante o processo. Em um minuto sua mente parou de processar assuntos imuteis e se concentrou no problema diante de seus olhos: Jimmy ainda tinha a cara de medo e pavor no rosto, Gabriel estava prestes a quebrar a mandibula de seu próprio oficial enquanto esse oficial que estava na iminência de perder alguns dentes continuava a insistir em algemar o pintor.

Tudo aquilo lembrava-a de uma novela Mexicana particularmente ruim.

Dean tinha sido o primeiro a chegar, ele agarrou o jovem policial e em um movimento treinado tirou-lhe a algema impedindo que ele prendesse seu cunhado. Sam estava logo em seu calcanhar ajudando Jessica a se recuperar do empurrão repentino, ele tinha sido cavalheiro como sempre e a olhou nos olhos por um período curto mas que tinha feito milagres a ela, em um simples segundo uma comunicação sem palavras se passava entre os dois e ele a prometia com toda sua sinceridade que não ia deixar nada de ruin acontecer ao homem que tinha salvado-lhe a vida. Ela era muito grata.

Ao mesmo tempo que isso acontecia Lisa não tao delicadamente tinha dado um chute no pé esquerdo do oficial Gramby, o tempo todo ela ajudava Danny a encontrar seu senso de equilíbrio, o jovem deixou cair o chiclete que estava mascando por causa do grito que escapou-lhe dos lábios e ele estaria muito disposto adar um beliscão na menina se não tivesse sido brutalmente interrompido por Gabriel. O capitão continuava apoiando Jimmy com um braço e com o outro agarrou a mão do oficial e o fez prender seus olhos nos dele, a ligação dos olhos tinha dado ao jovem uma advertência quase assassina. Gabriel mataria qualquer um que machucasse sua família, seja ela a de sangue ou não.

Jessica pode perceber no meio de todo o pandemônio que os únicos que parecia calmos e civilizados naquele corredor eram Castiel e a oficial Taylor. Enquanto o professor de historia mantinha sua cabeça abaixada para que a amplitude de seus ouvidos pegassem tudo o que estava acontecendo e dessem a ele um panorama da cena em desenvolvimento a mulher estava ao lado dele falando entre dentes que tudo daria certo- Jessica poderia jurar que tinha lido os lábios dela de forma correta- o outro gêmeo agia como que aquilo fosse sua tabula da salvação e deveria ser agarrada. Se a mulher loira fosse sincera consigo mesma ela poderia dizer que era ela que precisava ouvir aquilo, seu coração frágil precisava de algum tipo de garantia, alguma coisa que a dissesse que tudo daria certo pois desde que o mês de Agosto tinha chegado suas vidas tinham sido palco para desgraças. Ela não queria que o pintor que não conseguia nem ao menos contar até vinte fosse parar em uma prisao no meio de uma ilha cheia de criminosos que tinham feito e visto de tudo e que certamente estariam dispostos a estupra-lo como boas-vindas. Ela não queria corromper aquela pessoa tao especial.

Seus olhos começaram a arder e ela desmaiou ali mesmo.

Talvez tenha sido melhor. A ultima coisa que a cuidadora pode reparar foi que Danny era alguns centímetros mais alto do que Lisa. Como irônico aquilo era.

Ele estava em uma sala pequena. Vestido com um moletom marrom de flanela.

Tinha uma mesa de madeira na frente dele e a cadeira em que ele estava era muito desconfortável.

Havia um microfone em cima da mesa e em sua frente era um grande espelho que ele sabia- aquela não era sua primeira vez ali, mas das outras vezes que se lembrava ele não estava sendo olhado como se fosse mau- ter outras pessoas atras e elas estavam a olhar para ele.

Suas mãos estavam tremendo e ele sentia o calor e o suor da mão de seu irmão mais velho passar para sua pele. Seus dentes estavam cerrados, ele sabia que se soltasse a força que colocou na mandibula ele choraria.

Gabriel estava a seu lado, pelo menos isso o deixou seguro.

Ele ainda não sabia se Jessica estava bem.

Ele estava com medo por ela.

Seus olhos começaram a arder. Seus ombros começaram a tremer e ele sentiu seu irmão colocar um braço protetor sobre ele, ele sabia que Gabriel estava fazendo o máximo para não machuca-lo ou tocar nas coisas roxas que pareciam desenhos feitos com tinta em sua pele, mesmo assim ele sentia dor. Ele não diria isso em voz alta no entanto. A energia que emanava de Gabriel poderia fazer milagres. O homem de baixa estatura e com cabelos castanhos era a coisa mais próxima que ele tinha de um pai e sua força era mais do que suficiente para acalma-lo assim como tinha feito para si e Castiel nas noites em que eles vieram para essa cidade, Gabriel não tinha vacilado e sempre conservava um ar otimista sobre as coisas- mesmo que Jimmy soubesse que foi com ele que o policial aprendeu a ser assim- um ar que sempre faria o mais deprimido dos homens te-lo como uma presença respeitosa. Do fundo de seu coração o pintor queria poder absorver toda a aura magnifica que ele emanava, mas sua própria tristeza e insegurança o corrompiam, ele parecia estar andando no escuro e não tinha nem sequer uma pista do que poderia acontecer com ele daqui para a frente. Quando a porta da sala em que estava se abrisse e o comissario viesse para interrogá-lo acompanhado por seu advogado- ele não sabia o que era isso, mas se era uma coisa que Sam fazia ele poderia confiar em alguém que fazia o mesmo que ele- tudo poderia acontecer, muitas possibilidades estavam abertas e seu dom não estava lhe dizendo nada sobre elas. Pela primeira vez na vida Jimmy teve medo do que poderia acontecer com ele, a possibilidade de perder seus irmãos e ir para uma ilha (ele sabia que era uma ilha) com pessoas estranhas não o deixava feliz, sim, ele poderia fazer algumas amizades por lá, mas quem o ajudaria a tomar banho? O que ia ser de Castiel e Jess sem ele? Gabriel iria ficar com raiva dele, com raiva de ele nunca ter lhe contado sobre o segredo? Ele tremeu pelo que parecia ser a vigésima vez naquele curto intervalo de tempo e não tardou a sentir a aura de seu policial favorito fazendo-se moldar para abraça-lo com sentimentos de carinho e esperança. Ele olhou para os olhos de âmbar liquido e se sentiu envergonhado, ele deveria ter contado a eles sobre o segredo, mas Miguel tinha lhe dito para não fazer! Jimmy não sabia mais o que pensar e quando a porta se abriu diante de seus olhos ele começou a chorar.

Ele nunca esperou que um interrogatório pudesse ser tao rude. Definitivamente o comissario Zacarias Alder não era um homem de paciência.

Ele o assustou, muito.

Pelo menos Gabriel estava lá para ele.

As perguntas que o chefe fazia eram estranhas, ele as fazia como se pensasse que seus ouvidos não funcionassem ou ele não entendesse inglês. Aquilo tinha irritado, mas ele se esforçou a responder tudo o que tinha para responder, ele respondeu o que Ruby estava querendo e não entendeu por que o Crowley, ou o cara que fazia o mesmo que Sam, não estava muito disposto a contribuir com o comissario, ele não entendia as palavras estranhas que o policial dizia para ele mas sabiam que eram feias porque Gabriel tinha se levantado uma ou duas vezes e tinha agarrado o colarinho de seu superior e o empurrado contra a parede. Seus olhos azuis eram enorme nesses momentos, Jimmy não gostava de brigas e não queria ver Gabriel perder o trabalho.

De todas as coisas estranhas que estavam acontecendo a que ele menos entendia era o por que de o microfone que ficava em cima da mesa não ter sido ligado. Não era suposto que aquilo fosse gravado?

Sua mente se distraiu em uma pequena borboleta que tinha passado e ficado presa no vidro da janela, era uma linda borboleta com assas vermelhas.

Quando sua atenção voltou o comissario estava com um olho roxo e mais dois oficial estavam dentro da sala contendo Gabriel, o tal advogado tinha um sorriso no rosto que não tinha saído nem quando Gabriel foi colocado fora da sala. O comissario disse que estava indo prender Jimmy independente de qualquer coisa e que nada do que foi dito ali o convenceu de sua inocência.

A borboleta tinha ido embora ao mesmo tempo que ele foi algemado por Charlie. A mulher pedia-lhe desculpas de segundo em segundo. Ela não era capaz de olhar nem para seus olhos azuis e nem para os olhos dourados de seu superior.

Antes de ele chegar no elevador que levaria para as celas- sim, ele conhecia aquilo também, não tinha se passado nem mesmo uma semana desde a ultima vez que esteve lá- seus olhos encontraram os olhos de Jo.

Jimmy jamais se esqueceria daqueles olhos.

Ele desmaiou logo depois.

Sam não conseguia entender nada do que estava se passando, quando ele pensou que finalmente tinha se acostumado a vida de um protegido pela policia que tem uma ex mulher serial Killer atras de si e de sua família as coisas acabam por ficar de ponta cabeça. Um comissario que ele nunca tinha visto pessoalmente aparece e toma as rédeas de suas vidas (consequentemente do caso Ruby Evans), ele se coloca como um rival para tudo o que eles tinham conseguido conquistar nesse mundo novo cheio de caos e consegue em uma única ação fazer Danny com raiva. O advogado de olhos castanhos nunca tinha acordado em um dia para ver seu sobrinho com raiva, e agora, um dia depois da decisão de prender Jimmy ele finalmente viu o ódio passar através dos olhos verdes esmeralda.

O pobre menino tinha ficado acordado a noite anterior, nem mesmo Dean cantando Hey Jude foi o suficiente para ele entrar na terra dos sonhos, Dnny estava muito chateado com tudo o que tinha acontecido, ele não conseguia dormir sabendo que seu tio Jimmy- Sam realmente não conseguia se acostumar com o fato de que agora não era mais o único tio das crianças, mesmo assim gostava de ter os Novaks como parte de sua família- estaria agora preso em uma cela que não seria nem um pouco melhor da sala em que ele estava no período de cativeiro. As coisas só tinham piorado quando o telefone começou a tocar as três da madrugada e Jessica tinha dito a ele que Jimmy tinha sido espancado, nesse momento Sam não queria ter de repassar a informação para seu irmão e Castiel, os dois já estavam muito tensos com tudo o que tinha acontecido e Cas tinha passado a noite do sábado inteira em seu gabinete da faculdade procurando por algo que ninguém jamais imaginaria... infelizmente ele sabia que tinha de faze-lo, não era justo deixar Cas sem saber o que estava acontecendo com seu gêmeo. Sendo assim, depois de receber o telefonema de sua namorada o jovem Winchester teve de se arrastar em contar tudo aos dois, o que acabou por ser repassado para Danny também, pois o garoto estava acordado, e acabou por deixa-lo tremendo de puro ódio.

Agora, as oito horas da manha de um dia de domingo (dia quatro de dezembro) ele estava sentado no sofá de seu apartamento ouvindo Castiel ler uma tese de doutorado de uma mulher chamada Lilith Evans- que era a antiga diretora do curso de historia de sua universidade- cujo tema era nada mais nada menos do que a maça do conhecimento. Ele tinha certeza de que se ainda vivesse em sua antiga vida onde nada de louco e puramente assustador como ter a vida por um fio jamais acreditaria no que o homem cego estava lendo. Como ele poderia? Quem poderia acreditar que a maça do jardim do Éden, a única fruta que Deus proibiu Adão e Eva de comer, a fruta do conhecimento que a serpente insistia em chamar e dizer que deixaria os homens tao sábios quanto o Todo-Poderoso, a fruta que expulsou os primeiros homens do paraíso existia fora das linhas metafóricas da bíblia?

Agora eles sabiam que era exatamente isso o que Ruby estava atras, Jimmy tinha aberto- finalmente- o jogo e contado ao comissario Alder que essa fruta incrível era a ultima da arvore, a única que Deus presenciou a Abrão, que passou para seu filho e que foi escondida durante seculos por uma única família. Essa família era a familia de Miguel que graças a Ruby tinha sido reduzida a cinco primos distantes que jamais iriam perdoar Jimmy por ter aberto o jogo e contado seu segredo. Agora eles sabiam, Sam não conseguia olhar para Castiel e seu semblante de tristeza, que Miguel tinha sido expulso da ordem por confiar em Jimmy para ser o guardião de seu segredo.

Pelo menos aquilo explicava o por que de uma dentre as cinco pessoas que tinham sido resgatadas por eles ter dito em alto e bom som que preferia que Jimmy tivesse morrido.

Sam se lembrava de ter visto Gabriel olhar furioso para a mulher, mas agora ele entendia o ponto de vista dela mesmo que não o aceitasse.

Ele colocou as mãos em concha em cima de seu colo e começou a brincar com seus polegares girando-os de um lado para o outro enquanto assistia Castiel traçar a leitura com seus dedos e dizer a eles como o trabalho da mulher era brilhante, ela tinha feito uma pesquisa extensa e mapeou a descendência de Abraão até chegar a uma única corrente familiar que levava a Miguel em sua ponta. O historiador parecia mais empolgado com a descoberta incrível do que com o fato de que era isso o que Ruby queria, sabedoria eterna e poder para ser como Deus- se é que aquilo fosse possível- ele estava apoiado em Dean e lia tudo com uma voz fascinada que realmente se parecia com o som do trovão. Seu irmão estava impressionado com tudo e não conseguia mais manter um semblante de incredulidade, eles todos sabiam que o estranho era parte de seu negocio agora.

Sim, ninguém poderia negar um cunhado vidente que poderia prever o futuro, um sobrinho/filho que tinha os mesmos dons do cunhado só que em uma escala um pouco inferior e uma mulher que iria matar para ter uma maça que daria a eterna sabedoria.

O advogado voltou a olhar para seus dedos dançando em seu colo. Quando foi que sua vida virou uma desordem completa?

Daniel começou a se sentir um pouco tonto e tirou a atenção de todos. O menino gordinho foi imediatamente embalado pelos braços de seu pai e começou a chorar sem nenhum motivo aparente. Dean se soltou do abraço que estava dando em seu namorado e foi para seu filho pegando-o no colo. O garoto de oito anos de idade não tardou a enrolar as pernas em volta do tronco de seu pai, o que era um mau sinal, e enterrou sua cabeça nos ombros dele chorando livremente.

-Danny? Todos os adultos pareciam em causa.

O menino não respondeu a nenhuma das vozes, ele agora tremia completamente.

Seus olhos viraram dentro das orbitas e ele desmaiou.

***

Na delegacia de policia, em uma sala bastante espaçosa que somente poderia pertencer ao comissario duas pessoas sentavam-se no sofá esverdeado em frente a mesa de mogno castanho. Uma delas era um homem em um terno negro que vestia um sorriso presunçoso no rosto, ele sabia que tinha algo que poderia mudar a situação das coisas, e o outro era um homem mais alto com um semblante que tentava não transparecer o medo de ser chantageado, infelizmente para ele era exatamente isso que seu rosto demonstrava.

O desgraçado do advogado tinha sido sagaz o suficiente para colocar uma pequena câmera dentro da cela onde James Novak- o seu cliente- estaria. Zacarias Alder jamais imaginou que alguém realmente pudesse desconfiar dele tanto assim... ele não era idiota, ele ouvia os boatos correndo em sua delegacia e como seus subordinados falavam dele, mas até o presente momento nada tinha sido muito grande ou irritante deixando-o quieto. A terra definitivamente era um planeta redondo, pensou ele, nunca pensaria que em um dia de domingo ele estaria sendo chantageado por espancar o inferno fora de um retardado mental.

Infelizmente era exatamente isso o que estava acontecendo.

Ele tinha de ir na cela do pintor? Agora Alder poderia pensar que tinha sido uma ação de puro impulso e vingança, bater em um dos prisioneiros apenas porque ele o tinha feito de idiota... não, não tinha sido a primeira vez que ele fez algo assim, mas era a primeira vez que o prisioneiro em questão tinha parentesco com alguém da policia sem contar em como foi surpreendente encontrar o advogado do dito cujo em sua sala mostrando-lhe exatamente tudo o que já sabia em sua televisão de tela plana.

Aquilo era uma anarquia completa, em um único dia ele tinha sua vida inteira transformada em desordem.

Crowley, o advogado do diabo, que ainda mantinha um sorriso irônico nos lábios olhava para ele esperando por sua reação. Ele poderia ser paciente, mas agora tudo tinha contribuído para que ele não o fosse, não que ele era um ativista do direito dos fracos e dos oprimidos, mas que ele não tolerava injustiças. Para ele as mentiras e injustiças pertenciam somente aos advogados.

O comissario ainda estava engolindo em seco e ele tinha perdido a paciência instantaneamente.

Se servindo de mais um copo de Wisky ele falou:

-Você tem duas opções vossa majestade; Soltar o meu cliente e se desculpar com todos os seus subordinados- oh, como ele sabia que a prisão de James Novak tinha causado um rebuliço na policia. Todos pareciam gostar do cara!- ou deixar tudo do jeito que está e ver na manha seguinte agentes do FBI na sua porta depois que eu enviar essa demonstração de maturidade para Sacramento.

Zacarias ainda engolia em seco. Ele não sabia o que era pior.

O diabo ainda bebia sua bebida e ao que parecia ele poderia sentir as engrenagens de seu cérebro trabalhando. Claro que ele estava interessado no dinheiro que os Novaks iam dar a ele depois que a causa fosse ganha.

Ele não sabia que Crowley estava fazendo aquilo por um dos quadros de Jimmy...

Zacarias poderia ouvir o tic-tac do relógio como se fosse uma batida de uma musica punk.

Mais uma vez o comissario olhou para a TV de plasma, nela as cenas de sua ação impulsiva eram mais uma vez reproduzidas. Ele podia ver como tinha sido gracioso em seus movimentos, como executou cada gancho com perfeição e como o sangue escorria do nariz do idiota. Sim, ele poderia ter orgulho de cada soco que deu e da dor que via nos olhos de Jimmy o que ele não poderia era deixar o pessoal de Sacramento saber disso, ele tinha um advogado ao seu lado, mas era certo que nem esse seria a favor de um comissario que agride um inocente retardado que ainda por cima era irmão mais novo do capitão de policia de São Francisco. A matemática estava contra ele.

E ainda como se não bastasse ele tinha tres assassinatos para resolver, ele precisava urgentemente dos homens a seu lado. Tinha sido um caos completo depois que os corpos de Rose Cook e Beck Rosen foram encontrados (cada qual com cortes horrendos em suas gargantas), quando o corpo da enfermeira Lara Skinner foi descoberto por um paciente psiquiatria do hospital geral. Tudo o que o comissario Alder poderia pensar era que se o paciente não fosse um dos provadores de café mais famosos da cidade- e se ele não tivesse um ofato incrível como o que tinha- ele não estaria tendo que investigar tres mortes encomendadas por Ruby... nunca em sua vida ele poderia dizer que precisava tanto de sua equipe coesa quanto naquele momento. Ele definitivamente tinha de arranjar um idiota a quem culpar.

Era hora de tomar sua decisão.

Ele se serviu de um copo de vodka:

-Está bem- ele suspirou contrariadamente- diga a seus clientes que a participação de James Novak na quadrilha é inconclusiva e que estarei fazendo o impossível para encontrar quem foi o imbecil que o espancou.

Crowley deu uma gargalhada seca e em seguida olhou bem nos olhos do comissario:

-Você quer dizer “Vai fazer o possível para incriminar um idiota para que ele sofra em seu lugar.” comissario- ele disse em uma voz que parecia uma fá de Justin Bieber- eu posso dizer isso sobre você, o senhor tem estilo.

Ele desligou a TV e retirou o DVD do aparelho quebrando-o em dois no processo. O comissario levantou uma sobrancelha.

O advogado sabia exatamente o que o outro estava pensando;

-Não se preocupe- ele cantarolava- eu tenho mais duas dessas copias em casa fresquinhas para ir a Sacramento.

As mãos do alto policial apertaram de tal forma o copo de vidro que ele acabou por se quebrar deixando sangue e vodka derramarem sobre o carpete cinza azulado.

O advogado saiu da sala mas antes resolveu jogar sua ultima carta. Ele pós a mão no ombro do comissario e sussurrou-lhe em seu ouvido:

-Eu acredito que agora você deve-me alguns favores...

Ele deixou a sala com as palavras ainda no ar.

O comissario estava revoltado. Agora ele tinha que fazer servicinhos para um cão.

Ele precisava se livrar do maldito urgentemente.

Mas as primeiras coisas primeiro, ele tinha que assinar os papeis de soltura para o idiota. Ele se vingaria dele também.

Ah, sim, ele se vingaria.

***

Ruby estava em Chinatow em um hotel chines muito luxuoso, seus óculos escuros de lentes grandes a faziam parecer uma mosca e suas unhas afiadas tamborilavam a superfície de vidro do copo de suco que ela estava tomando. A verdade por detras de sua irritação poderia ser traduzida no fato de que ela ainda não tinha encontrado o lugar por onde começar. Quando ela deixou o hospital geral ainda fantasiada de enfermeira ela poderia ter certeza de que saberia onde olhar, mas agora alguns dias depois ela estava andando em terreno desconhecido.

Ela sabia que o guardião do segredo poderia reconhecer qualquer outra pessoa de sua confiança em um novo guardião do segredo, ela tinha lido os trabalhos da sua mãe! Infelizmente nada nem mesmo os dois anos que experimentou ser a namorada de Miguel a faziam pensar em uma boa justificativa para fazer de Jimmy Novak o novo protetor da sabedoria. Aquilo aos olhos dela era uma plena ironia.

Ela se lembrou que provavelmente os outros parentes do loiro falecido pensava exatamente como ela e rangeu os dentes ao rever em sua memoria a cena de uma das mulheres da família dos protetores da maça dizer a ela em alto e bom som que preferia que ela matasse Jimmy e deixasse-os todos em paz. Era mais que claro que tinha sido uma decisão solitária por parte de seu ex-namorado, mas poderia admira-lo por isso. Certamente se ela não o tivesse matado ele poderia explicar todas as coisas utópicas que ele sempre explicou enquanto era vivo, ele pensava que nenhuma outra pessoa nesse pais era mais pura e serena do que Jimmy e era incrível como ele o respeitava mesmo sendo uma pessoa absurdamente impaciente.

Ela continuou bebendo seu suco de morango enquanto pensava que mesmo sendo desvalorizado por sua família pela sua escolha ele ainda tinha sido um gênio. Ruby tinha certeza de que nenhum dos cinco membros da família dos protetores que ainda estavam vivos poderia ser um adversário mais enigmático do que o pintor, uma prova disso era ela ali, sentada em uma cadeira de praia a borda de uma piscina em um hotel no meio de um bairro chines sem matar ninguém. Ela estava quase desistindo.

Ela olhou para o lugar onde estava, todas as pessoas na beira da piscina sem nada melhor para fazer do que aproveitar suas férias e conhecer um novo lugar, todas as pessoas se divertindo sem nem ao menos imaginar que havia uma possibilidade de se igualar a Deus, de saber o que realmente é avida e como tudo foi feito. Ela olhou para o sol cansada, sua vontade era de matar uma ou outra pessoa que passava diante de seus olhos mas ela não poderia fazer isso... aquelas pessoas ingenuas era imuteis para seu plano.

A mulher loira poderia ver uma outra mulher e sua criança em uma das espreguiçadeiras brancas, elas estavam lendo um jornal- na verdade a mulher estava lendo alto para que a criança pudesse acompanhar a noticia- e a matéria falava sobre um garoto que tinha feito um verdadeiro gesto de amizade ao entregar um quadro que valia milhões a um pintor que estava hospitalizado.

Aquilo tocou um sino em sua cabeça e ela levantou uma das sobrancelhas.

Ela continuou ouvindo. Tudo parecia ser bastante familiar.

A mulher continuava lendo:

-O mendigo Adam Milligan tem o quadro “A lua e as tulipas” por mais ou menos cinco anos e jamais pensou em vende-lo em troca de uma casa ou melhores condições de vida, ele alega que o quadro foi-lhe dado de presente pelo próprio James Novak depois de ele o ter ajudado em coias pessoais...

A mulher que estava usando óculos escuros que mais lembravam os olhos de uma mosca fedorenta em menos de um segundo juntou-se a mulher para pedir mais informações sobre a matéria. Com o seu sorriso falsamente doce ela logo conquistou a menina e sua mãe e conseguiu descobrir que elas eram da cidade- o marido era o dono do hotel- e que eles conheciam o mendigo em questão sabendo que ele sempre passava ali para ajudar com a limpeza e conseguir alguns trocados.

A pequena menina que tinha mais ou menos seis anos de idade bateu palmas quando Ruby disse que queria conhecer esse homem e o por que de ele nunca ter vendido o quadro. Com um olhar muito inteligente a criança a respondeu:

-Ora, Adam nunca faria nada para ofender Jimmy- Ruby nunca saberia se a criança realmente conhecia Jimmy ou não, mas pela forma como ela estava falando ela poderia ter uma pequena certeza de que os dois poderiam se conhecer- ele deu o quadro para que ele ficasse melhor depois de um dia que ele estava muito triste e agora é a vez dele de fazer o mesmo com Jimmy!

Aquilo estava definitivamente interessante.

Ruby poderia ver o orgulho sair da mulher adulta. Ela tinha mesmo uma filha muito inteligente.

Ela colocou seus olhos de cachorro mais famosos ecolocou uma de suas unhas grandes e bem pintadas de rosa choque na boca criando uma aparência infantil e dedicada.

Ela falou com uma voz de jovem apaixonada:

-Será que eu poderia encontrar esse cavalheiro antes de voltar a minha cidade? Eu sempre quis ver um homem que prefere os amigos ao dinheiro.

Ela poderia jurar que sua atuação merecia um óscar.

A menina de seis anos olhou para sua mae e a adulta simplesmente sorriu era incrível como era fácil manipular pessoas ingenuas. As duas não faziam a minima ideia do que ela realmente queria e a tinham ajudado como boas cristãs.

Foi a mãe quem respondeu. Ela tinha os cabelos cacheados e vermelhos e os olhos muito verdes. De alguma forma a assassina se lembrou de Lara.

-Ele estará aqui no final da tarde, ele vem aos domingos para conseguir comida decente para ele e seus amigos. Se voce quiser eu posso apresenta-lo.

-Muito obrigada. Tinha sido tudo o que a voz adolescente pode dizer.

Ruby se levantou da cadeira de praia e terminou seu copo de suco caminhando lentamente para o seu quarto.

O sorriso assassino era disfarçado por um leque azul.

Agora ela sabia onde começar.

Notas finais
Se gostou deixem comentários!
Agradecimentos especiais para Zelden-sam! Por ter me inspirado tanto a escrever.
Mandy