When You Have A Killer In Your Tail

18 Quando o palco está montado


Notas iniciais
Bom, demorou, mas chegou!
Estou orgulhosa desse capitulo, pois ele marca a reta final.
Infelizmente ele nao ficou tao grande quanto eu desejei, mas espero que gostem. Eu fiz o mais rapido que pude pensando em voces!

Aquela terça-feira dia vinte de novembro parecia ser a mais cansativa de todas, o dia mal tinha começado e o tenente da policia já tinha consumido mais latas de cerveja do que ele consumiu em todo o fim de semana. Mesmo assim ele ainda não conseguia resolver isso.

Chuck estava com seus óculos em uma mão e esfregava seus olhos sonolentos na outra. Sua vida nunca tinha sido tao conturbada... se ao menos ele ouvisse mais sua mãe ele nunca entraria na policia e nunca veria as coisas que agora eram parte de seu café da manha. O oficial sabia que aquilo nunca iria acontecer, sua mãe tinha morrido muito cedo e ele jamais poderia se imaginar fazendo outra coisa senão sendo um tenente da policia, o que ele estava reclamando naquele momento era que sua vida poderia ser mais fácil, ele poderia ter ido trabalhar em uma outra delegacia longe dessas pessoas videntes e de assassinos loucos que querem o mundo como uma laranja. Quando ele entrou na academia a coisa mais louca e ousada que ele se imaginava fazendo era uma perseguição de carro, agora lá estava ele lendo e relendo uma tese de doutorado de uma pessoa claramente doente sobre uma fruta saída de uma macieira.

Infelizmente agora ele sabia que o absurdo tinha de estar em algum lugar. A tese não só era muito bem escrita e elaborada como se tratava da única fruta proibida por Deus de ser comida pelos seus primeiros seres humanos e era por causa dessa fruta que a cidade tinha entrado em calamidade e pedido ajuda da guarda nacional. Ele engoliu em seco, não era bom para sua cabeça já zunindo se lembrar de como as coisas tinham mudado, ele não aguentava nem mesmo olhar para fora de seu prédio, pois sabia que se o fizesse ele veria as ruas rachadas e pessoas andando pelos destroços alem de tanques de guerra do exercito.

Tudo aquilo tinha sido feito com bombas de lítio, justamente as que ele costumava fazer na oficina de seu tio...

As memorias estavam muito dolorosas para ele. Ir reconhecer um cadáver depois de se descobrir que a pessoa que um dia fora esse monte de carne foi pega em uma explosão não era um piquenique; e fazer isso justamente um dia depois de terem se visto era ainda pior. Chuck tinha passado seis anos da sua vida sem ver seu tio e agora ele morre logo depois deles jantarem juntos e prometerem um ao outro que dessa vez não iam se separar... Ele não conseguia mais pensar em nada disso, ele voltou-se para o livro grosso que estava lendo e sabia que era por causa de seu tio, do que ele tinha lhe dito que ele precisava urgentemente continuar a pesquisa. Ele precisava descobrir se aquilo era verdade, se eles poderiam encontrar em uma única leitura mais aliados. Seria ótimo se a ideia do irmão de sua mãe fosse verdadeira.

O policial jamais esqueceria aquelas palavras, mesmo se ele descobrisse que não havia verdade por trás delas. Para ele o que o homem disse no ultimo dia de sua vida era uma das coisas mais reconfortantes que ele já ouvira.

A frase proferida não saia de sua cabeça:

“Meu bom Charles, os verdadeiros anjos estão na terra.”

Era certo que o velho homem nada sabia sobre os motivos do terremoto, ou sobre o perigo que o mundo esta enfrentando, ele apenas tinha dito aquilo em referencia aos bombeiros que o salvaram do terremoto no Chile, ele nem ao menos sabia que iria enfrentar coisa pior quando entrasse no banco no dia seguinte. A principio Chuck pensou que seria mais fácil dormir e não pensar em mais nada, não pensar que tinha acabado de perder o ultimo parente que lhe restava, mas infelizmente sua vida de policial não o deixava entrar em estado de negação, sua justiça e vontade de ajudar- principalmente o seu chefe que estava em uma pior do que a dele- o fez pensar e repensar em toda a historia, desde o começo quando ele descobriu que seu parceiro estava recebendo cartas escritas com sangue de uma assassina procurada em mais de vinte estados até o minuto depois das explosões. A única coisa que ele conseguiu pensar foi nos ditos guardiões, ele sabia que tinha conhecidos pelo menos a maioria deles no dia em que tinha ido libertar Jimmy de seu cativeiro, mas quando ele parou e se lembrou do que o velho homem professor de química tinha lhe dito as coisas ficaram loucas e ele não foi mais capaz de deixar o maldito livro escrito por uma mulher cujo nome lembrava um demônio bíblico pelo fim de semana inteiro.

Agora lá estava ele olhando para a quinta lata de cerveja vazia e tentando achar uma coisa, alguma coisa que pudesse sustentar a sua teoria.

Ele já estava cançado de sua teimosia. Era demais pensar que por causa de uma frase ele iria conseguir fazer uma teoria sobre os mensageiros enviados por Deus para ajudar os protetores do artefato sagrado, pior ainda era pensar que essa teoria- que não tinha vindo de nenhum outro lugar senão a cabeça dele- fosse verdade.

Ele resolveu se levantar da cadeira antes que sua bunda ficasse quadrada. De tudo o que tinha lido não havia um unco trecho, uma única palavra que pudesse sustentar o que ele tinha criado e mesmo assim ele continuava com uma força que o próprio duvidava e beirava a desespero infantil. Era certo que ele queria ajudar seu amigo, seu parceiro e capitão. Isso ele poderia dizer até mesmo em alta voz, o pobre tinha acabado de resgatar um irmão para ter o outro nas garras da mesma insana. Ele bem sabia que se fosse ele no lugar de Gabriel já teria enlouquecido... Fora isso ainda tinha o outro problema, o cara que tinha aparecido do nada na vida de todo o mundo e que tinha virado amigo e feito todos gostarem dele de seu irmão e de seus filhos. Chuck sabia que preferia morrer a ver alguma coisa acontecer com os meninos de olhos verdes brilhantes, ele tinha se apegado muito a eles.

Era por isso que ele insistia, por causa de sua teimosia e a grande vontade de ajudar. Ele não ia desistir até ver a paz voltando a seu ambiente de trabalho, com seu chefe em seu devido posto e com a grande oportunidade de poder se declarar a mulher amada. Se havia uma coisa que o tenente poderia dizer que toda a desgraça tinha feito para contribuir em sua vida era isso. Ele tinha descoberto enfim quem era a mulher de sua vida, e agora que sabia não ia deixa-la escapar, não depois de ter praticamente sido obrigado a perder a sua timidez e receios. No meio da vida e da morte não havia espaço para esses dois sentimentos em sua vida. O tenente tinha se tornado mais forte.

Dando passos repetidos de um lado a outro do sofá ele continuava com o livro apoiado em sua mão, mesmo que seus óculos tinham escorregado para a ponta fina de seu nariz oleoso ele não iria parar de ler, não até encontrar um sinal de que estivesse errado ou de que estivesse correto. Nem todas as paginas tinham sido lidas e ainda havia lugar para esperança.

Lisa estava morrendo de sono, porem estava feliz. Ela nunca tinha pensado que assaltar um museu poderia ser tao divertido e se repreendeu terrivelmente por isso. Maria, Eva e Benjamim eram os judeus mais interessantes que ela já tinha conhecido (uma vez que os únicos judeus que ela vira eram seus professores de língua estrangeira) cada um tinha uma personalidade oposta a do outro e mesmo assim conseguiram levar o plano até o fim.

No começo a menina ficou um pouco apreensiva com tudo o que estava fazendo, em ouvir que uma mulher tinha usado seus atributos para fazer com que o curador do museu dispusesse o bendito quadro em uma parede estratégica próximo a janela solar, em saber que seria ela, e somente ela a descer de rapel por uma corda de aço e retirar o quadro da parede... o coração da pobre menina quase saiu pela boca quando ela retirou a moldura da parede pintada de perola e não ouviu alarme nenhum. Ela não pode saber que tinha sido Eva quem desativou os alarmes porque o idiota do Benjamim, o mais novo e ironicamente experiente do grupo, queria ver sua reação.

E foi assim que em menos de duas horas ela já estava de volta no hotel com os outros amigos do homem ruivo a seu lado discutindo teorias para saber qual a melhor forma de transformar o quadro em um mapa útil que levasse ao fruto sagrado. Foi vendo toda a gritaria que Melissa Winchester pensou que talvez tudo aquilo fosse um sonho e ela na verdade estava vendo a um desenho animado. Não, definitivamente as ideias que cada um dos seus judeus que agora tinham virado seus amigos só poderiam pertencer a um desenho animado.

-Eu já disse para vocês. Isso é uma pintura abstrata, não tem como ter um mapa aqui! Pelo menos Yeda tinha algum bom senso. Benjamim e Eva estavam com a certeza de que aquilo se tratava de um mapa de crecas e ninguém poderia tirar isso da cabeça deles.

-Afinal o que é um mapa de crecas? Ela sabia que ia se arrepender disso, qualquer coisa que saisse da mente dos estrategistas do grupo não seria muito interessante a não ser se fosse um plano para salvar um artefato santo. Os dois gemeos de cabelos loiro poderiam ser tao abestalhados quanto seu tio Gabriel em se tratando de coisas não muito importantes para a cabeça não teórica deles.

Nesse momento todos pararam por um minuto. A curiosidade da menina era algo que nenhum deles estava acostumado a fazer. Sendo funcionários de serviço publico eles não eram as pessoas mais recomendadas para explicar sobre algo inexplicável. Lisa tinha certeza que eles poderiam acabar entrando em uma historia muito grande e que em algum momento dela o arrependimento chegaria a si. Ela não estava errada.

O arrependimento veio depois de ver a cara boazinha de Maria- a única que tinha dormido com o curador do museu... ela trabalhava lá afinal- se tornar completamente fechada. Aquilo foi ao mesmo tempo que o sorriso brotou no rosto de Benjamim.

-Ora, quando eu e Eva aqui eramos crianças...- Lisa se sentou ao lado de Rebeka, as duas sabiam que seria melhor esperar sentada... o quadro estava bem a seu lado e ela resolveu ficar olhando para ele enquanto o funcionário publico tagarelava- ...e assim nos chamávamos esses caminhos sem fim que desenhávamos na areia de mapa de crecas, ora, como o guardião é uma pessoa que tem a mente um pouco...- Lisa deu-lhe um brilho de olhar, ela não ia admitir ver mais gente chamando seu tio de retardado, não mais- limitada.. é isso... pode ser que esse mapa nos leve a algum lugar.

Todas as mulheres da sala abaixaram a cabeça. Até para Eva aquilo era idiota demais.

Aviel, no entanto, era esquentado demais para ficar calado.

-Claro que não sua mula! Javé não faria uma coisa assim impossível, uma vez que somos adultos é impossível pensar de novo como uma criança! Jimmy tinha outros planos para esse quadro e é isso que temos de descobrir.

Lisa ainda estava observando o quadro, aquele era diferente dos outros quadros que seu tio fazia, aquele não era pintado nem em tinta acrílica nem em tinta a óleo, mas a menina sabia que tinha algo mais ali, algo que ela ainda não poderia decifrar...

O funcionário publico ainda não queria jogar a toalha:

-Não é necessário quebrar nossa cabeça para pensar como uma criança! Nos temos uma criança entre nos. Por que nosso irmão nos mandou Lisa se não foi para isso?

Lisa não tinha percebido que todos tinham ficado em silencio, ela estava muito distraída olhando para o quadro, ela poderia descobrir o que tinha de diferente nele e não ia voltar a realidade até descobrir. Até o presente momento ela tinha sido apenas um peso para todos os outros e ela queria mostrar seu valor, queria poder dizer que era capaz de ajudar seu tio o seu pai.

Foi apenas quando ela colocou o quadro em suas mãos que ela viu. Ele não era um quadro de verdade, não um que poderia ser comprado em qualquer loja de pintura. Aquilo era simplesmente um pano pregado sobre uma tela de madeira. Sem nem ao menos pensar Lisa retirou as pregas que ligavam o tecido de seda pintada da madeira e expôs a pintura de valor inestimável em suas mãos.

Todos os seis judeus ainda estavam presos por seu encanto e não se atreviam a falar nada. Eles rezavam para que a menina trouxesse-lhes a resposta.

E foi então que, diante dos olhos atentos de Eva, Maria, Benjamim, Aviel, David e Luna- a única que tinha pago todas as despesas necessariedade da missão, um milagre aconteceu. Sem nem ao menos perceber Lisa tinha entrado em um estado contemplativo sendo guiada apenas pela Graça divina, seus movimentos nem ao menos passavam por seu cérebro e eram executados com leveza. A menina então, sem saber como ou por que, tinha usado suas mãos habilidosas para dobrar o pano delicado feito com o que ela poderia considerar a mais egipiínea das cedas em forma do que parecia ser uma grande pomba.

Os adultos estavam estatelados. Aquilo tinha um significado diferente para cada um deles, poderia ser um endereço, um local, uma pista que levaria a um mapa mais bem elaborado... aquilo poderia ser nada e ao mesmo tempo tudo. O silencio mais uma vez permaneceu pois nenhum deles queria dar a sua interpretação. Lisa tinha vindo a eles para ser a mediadora, a única com a capacidade para penetrar na mente de Jimmy e, mesmo que todos soubessem que ela estava sendo auxiliada por uma força superior, ninguém poderia tirar esse papel dela.

Cerca de dez minutos se passaram sem que nada amais fosse feito. O que os adultos pensavam era que em algum período a menina iria quebrar seu estado contemplativo e dizer exatamente o que eles precisavam ouvir, mas, quando Melissa Winchester desmaiou completamente exausta de sua experiencia transpessoal ninguém sabia o que fazer. Todos os judeus estavam a espera de um milagre.

Maria- que era a mais baixinha de todos e tinha longos cabelos ruivos e olhos verdes que se encaixavam muito bem em seu rosto redondo e sardento- foi a única que se mexeu de seu estado de estupor. Ela levantou-se da cadeira em que estava e sentou-se na beira da cama de Lisa segurando assim a mão da pequena criança de olhos verde esmeralda. Ela não sabia que o que estava fazendo poderia ser algo um pouco estranho até para seus costumes judaicos, mesmo assim ela foi com o coração e começou a rezar um dos salmos mais bonitos que conhecia. Seu exemplo foi seguido por todos os outros e nenhum deles era capaz de questionar o que estavam fazendo, todos eles sabiam que se um grupo estiver falando em nome do Divino ele irá estar entre seus integrantes.

A mediadora tinha desmaiado, mas a força motriz que a tinha feito chegar até aqui ainda poderia ajuda-los. E muito.

Enquanto as seis vozes se misturavam na oração os olhos da pequena se abriram. Foi exatamente nesse momento que todos os sete viram algo que jamais poderiam imaginar. Diante de seus olhos determinados a pomba branca feita com as dobras do tecido de ceda pintado a mão por Jimmy Novak tinha ganhado vida batendo cada uma de suas asas com delicadeza como se fosse um ser que tinha acabado de despertar. Um a um os amigos pensaram que tinham ficado loucos de vez.

No entanto, não era esse o caso.

A pomba colorida com tinta de tecido feita com as flores que James tinha encontrado pela rua despertava cada um de seus membros com graciosidade. Ela não emitia som algum, apenas deixava os corações daqueles que a viam mais leves e cheios de esperança. Benjamim chegou a pensar que ele jamais iria se esquecer daquilo mesmo que se esquecesse do rosto de sua mãe no decorrer estressante de sua vida.

Antes que algum dos sete amigos pudesse pensar em verbalizar seus pensamentos a pomba bateu asas e voou. Saindo pela janela em um piscar de olhos ela deixava para trás um rastro de luz colorida que mais parecia ser feito de tinta. Todos os presentes estavam impactados.

Vendo que nenhum dos humanos tinha entendido sua função a pomba colorida- que brilhava nos tons de verde e roxo- planou no ar apontando seu bico para cada um dos humanos dentro daquele quarto de hotel. Pelo que ela poderia dizer eles ainda não tinham entendido absolutamente nada do que deveria ser feito. Sendo assim ela entrou mais uma vez dentro do quarto onde sua vida foi-lhe devolvida e puxou com todas as forças a manga da menina tentando fazer com que ela olhasse para a janela.

Lisa não tinha entendido nada do que estava acontecendo. Ela não sabia se gritava ou se chorava de alegria, não era todo o dia que alguém tem o prazer de ver algo que um dia fora um simples pedaço de pano pintado por um excêntrico pintor se transformar em uma pomba que tinha força de vontade dentro de si. Os olhos verdes da criança loira ficaram grandes como pires quando ela percebeu que a textura da pomba ainda era a mesma do tecido de seda. Nada daquilo estava certo para Lisa e ela começou a pensar que talvez tudo aquilo não passasse de um sonho.

A dor provocada pelo bico de seda da ave a alertou para o pensamento de que aquilo não era um sonho. O pássaro feito de pano era verdadeiro e estava querendo mostrar-lhe alguma coisa.

E foi assim que a marcha do que um dia seria chamado pelos participantes desse evento de “O segundo Hannuka”. Todos os sete amigos que tinham se conhecido há menos de vinte e quatro horas correram para as escadas do hotel deixando apenas Maria para trás- alguém tinha que ir fechar a conta- e usaram toda a força que ainda restava em suas canelas para seguir o pássaro que estranhamente não chamava atençao de nenhuma outra pessoa que olhava para o céu.

Nenhuma deles sabia, mas apenas os homens de coração puro poderia ver a pomba de seda.

Os amigos se recusaram a pegar onibus ou taxi, eles preferiam correr com sua própria força para se sentirem dignos do que estavam fazendo. Todos eles sabiam que naquele dia a inimiga estaria chegando para fazer sua tentativa de roubo e que se ela os visse as consequências seriam terríveis. Nenhum dos seis amigos pensou naquilo em prol de continuar sua jornada, eles ainda tinham muito o que andar e não faziam a minima ideia do que poderiam encontrar. A cada passo que davam sua vontade e curiosidade aumentavam e eles sentiam-se revigorados, com a certeza de que mesmo diante de todo o mal que o mundo ainda viveria eles eram capazes de trazer paz. Tudo o que eles tinham de fazer era derrotar a mulher de cabelos loiros e mesmo que a ideia de como fazer isso ainda não foi plantada em suas mentes eles poderiam dizer que agora, definitivamente, seria. Era isso o que se passava pela cabeça de Lisa.

Enquanto corria a menina de oito anos pensava em seu pai, em seu irmão- e na missão que ele deveria cumprir- em seus amigos que deixou para tras e nos novos amigos que fez. Ela sabia que em sua situação qualquer outra pessoa poderia estar entregue a dor e ao sofrimento, mas ela não. Lisa preferia morder sua língua a entregar-se ao vazio. Quando o misterioso homem ruivo disse-lhe que foi ele quem ajudou Jessica a sair do perigo em que estava na noite em que sequestraram Jimmy, quando ele disse que ela faziam parte de uma família muito especial que devia alguns favores aos guardiões e que cabia a ela e a Danny decidir qual seria o futuro da humanidade Melissa Jane Winchester pensou que iria desmaiar, mas logo em seguida a determinação brilhou como um sol dentro dela. As imagens de sua nova cidade, a cidade onde ela tinha descoberto mais sobre a vida do que em seus oito anos inteiros, praticamente em pedaços, com as pessoas mostrando tudo o que tem de ruim para oferecer e os poucos que não se corrompem afastados por uma cortina de medo passavam por sua memoria a todo o vapor e ela sabia que mesmo que não tenha visto muito do que tinha acontecido a São Francisco seus sonhos não a deixariam em paz. Não era aquilo que ela queria para sua família e muito menos para o mundo. Foi nesse momento que ela disse ao homem de cabelos ruivos que ela faria o que fosse possível para ajudar e, mesmo ainda sendo uma criança ela iria dar o melhor de si, ia tentar aceitar todas as consequências que as suas ações poderiam gerar e não choraria diante delas. Lisa sabia dentro de seu amago que tudo seria muito mais complicado do que sua mente de criança poderia gerar, mas ela iria com a fê e era nessa fé que ela se apoiava. Ela queria um final feliz para a historia de seu pai.

Suas pernas continuavam a correr sem que ela registrasse para onde estava indo. Com a cabeça voltada para o céu e a mente ocupada com os pensamentos a habilidosa menina de cabelos loiros não percebeu que estava diante do central park.

&&&

Ele estava cansado. Seus anos na academia de policia não o tinham preparado para isso, nunca em sua vida ele se deparou com a possibilidade de seguir adiante algo que não havia provas, algo retirado apenas de sua intuição. Sim, ele era um detetive da area de homicídios, mas nunca, nunca tinha recebido nem que seja uma pequena dose de amostra grátis do que seus colegas chamavam de “instinto cop”. Ele não era Monk (n) nem Sherlock (n) e para eles todas as coisas que se encaixavam na ala da intuição eram assustadores, ele não conseguia acompanhar os raciocínios loucos de seus professores ou de seu capitão, não conseguia- até cerca de um ano atras- acreditar em nada alem do que era visto ou ouvido.

Que doce ironia. Justamente ele, um cara sem fé estava ali diante de um livro grosso cujas palavras divinas eram vistas em quase todas as linhas. Chuck não se lembrava quando tinha sido sua ultima vez com a bíblia sagrada e sabia que mesmo se lembrasse não iria gostar da resposta.

Ele tinha desistido de ler o trabalho de Lilith há mais ou menos duas horas e agora estava agarrada a uma versão velha e surrada- que nem ele sabia o que ela fazia na sua casa- da bíblia do pastoreio tentando miseravelmente achar uma fundamentação teórica para sua tese. Não demorou muito tempo para ele perceber que ali ele não encontraria nada do que estava procurando, no entanto, o policial encontrou-se menos ansioso em relação a tudo quando lia um determinado salmo, para ele aquilo era tao bonito como se fosse feito para todas as pessoas que estivessem em um desespero igual ao dele (ele nunca poderia comparar a situação quase apocalíptica em que se encontrava com outras pessoas, mas ele poderia dizer que uma estudante de química que não conseguia acertar um calculo poderia estar no mesmo barco). Aquilo tudo estava soando muito como algo que seu chefe, ou os outros irmaos deles, diriam. Foi assim que Charles encontrou um pouco mais de paz.

Ele poderia ter lido todos os salmos em um único dia se ele não estivesse tao focado no que deveria ser feito. Por mais impressionante que fosse ele tinha gostado daquilo. Eram simples os poemas, mas ao mesmo tempo traziam-lhe um ar de calma como se seu tio estivesse ali tocando sua flauta para ele toda vez que o velho homem sabia que algo estava errado com seu sobrinho único. Era reconfortante.

O tenente jamais percebeu que tinha dormido, em sua cabeça ele iria apenas descansar seus olhos por alguns minutos para depois voltar ao livro de Lilith. De repente os minutos se transformaram em horas. E, antes que pudesse pensar em voltar a consciência, ele foi pego por um sonho que passava galopante em sua direção. Talvez posteriormente Chuck poderia dizer para alguém- ao contar sobre sua historia mirabolino- que nunca tinha sido tocado por Morfeu tao rápido, ele era a pessoa mais insone de todo o seu departamento. Reduzir-se a um sono repentino era a ultima coisa que ele pensava capaz de acontecer.

Ele jamais esqueceria de nenhum dos detalhes de seu sonho. Sua gratidão era eterna.

O tenente da policia percebeu-se em outro lugar, ainda não conseguia acreditar que não estava mais em sua casa. Como isso tinha acontecido? Será que ele tinha bebido demais enquanto lia e acabou correndo desesperado para aquele lugar? E onde ele estava a final de contas? Todas essas perguntas passavam por sua cabeça enquanto ele andava em um corredor que não parecia ter fim com varias e varias portas imponentes que estavam fechadas para ele mais não para sua curiosidade. Cada uma das portas era ricamente adornada com pedras preciosas que o tenente não achou ser capaz de pronunciar os nomes e em cada uma delas havia uma inscriçao em um idioma que ele era ignorante, mas poderia ter certeza de que algumas delas estavam escritas inscrições árabes. Tudo era iluminado por tochas incandescentes e ele não conseguia se lembrar nenhum lugar na cidade que poderia ser parecido com aquilo.

Sem saber o que fazer ele continuou andando.

A cada passo que dava sua curiosidade ia aumentando. Ele queria por que queria abrir uma daquelas portas, mesmo assim tinha muito medo. Depois de tudo o que tinha acontecido ser sequestrado ou morto por um lunático era a ultima coisa que passava por sua cabeça. Ele tinha a obrigação de estar lá para aqueles que ele ama e ajuda-los no que for necessário, mesmo que essa ajuda possa o levar a morte.

“Isso é ridículo, eu devo estar tendo um sonho. Não existe lugar como esse na cidade e eu não tinha a minima intenção de sair de casa antes de encontrar algo que possa ajudar o chefe...” O tenente ficava cada vez mais irritado consigo mesmo a medida que não encontrava saída. Ele tinha quase certeza de que aquilo tudo era um sonho e foi justamente por causa disso que ele se sentia frustrado, se aquilo era um sonho, um muito doente de sua parte, ele deveria se levantar por sua própria vontade! Infelizmente não era isso o que estava acontecendo, quando mais força ele fazia para despertar mais longo o corredor ficava. Ele já tinha desistido de olhar para as portas ou de abri-las, pois, se aquilo era um sonho nada do que tivesse dentro das portas iria fazer sentido.

Depois de um tempo que para o tenente parecia uma eternidade sua irritação era tanta que ele começou a gritar consigo mesmo. Para o policial ele não tinha nada de estar ali preso dentro de seja la o que for, ele deveria estar ajudando as pessoas de sua cidade, sendo util para seus amigos e se conciliando com a mulher amada. Tudo lhe parecia uma grande perda de tempo.

Seus gritos ecoavam pelos corredores luxuosos:

-Se ao menos essas portas estivessem em inglês! Como eu posso descobrir como sair daqui sem saber ler?! Ele bateu na parede ao lado de uma das portas que parecia ser a menos adornada dentre todas elas e a dor era tao real quanto todo o resto. Chuck se sentiu idiota por achar que poderia resolver algo em um lugar irracional como seu próprio sonho e aos poucos ele começou a pensar que tudo o que ele precisava fazer era não fazer nada. Se tudo fosse um sonho ele iria acabar quando seu corpo despertasse ou quando alguém o chamasse para uma ocorrência, sendo as coisas da forma que estavam não seria muito difícil acontecer a segunda opção.

Rendendo-se por completo ele então sentou-se com as costas para uma das portas, a que era menos adornada, e ficou ali olhando para o nada esperando o tempo passar. Não demorou muito para que sua mente implorasse para ser utilizada eele se rendeu aos encantos da contemplação.

O tenente ficou ali, olhando atentamente para as portas pelo simples fato de não ter mais nada a fazer.

Ele acabou por descobrir que sabia sim o nome de cada pedra preciosa que estava em cada uma das superfícies de madeira dos portais. Esmeraldas, ametistas, lápis azul, topázios, pedras de jade, turquesas, turmalinas, perolas negras, safiras... ele encontrava todas as pedras mais de uma vez menos a que ele sabia ser a favorita de sua mulher amada. Nenhuma das portas tinha um rubi nem que seja um pequeno.

Não tendo mais nada melhor para fazer ele decidiu-se por levantar-se mais uma vez. Era curioso o fato de não haver nenhum rubi ali, já quer aquilo era seu sonho e era fruto de sua mente deveria ter a única pedra que ele faria questão de comprar sem se importar o preço. Ele sonhava com um futuro onde ele poderia dar um anel de rubis para a legista.

Ele resolveu ver com mais atenção primeiro um dos lados do corredor, o lado oposta ao que ele estava sentado, para depois ver se era capaz de encontrar agema vermelha do outro lado. Mais uma vez um tempo quase infinito se passou e ele chegou a um lugar que até então era desconhecido, depois do imenso corredor havia uma pequena escada circular feita de mármore muito parecida com a velha escada de sua casa. De todas as coisas foi aquilo o que mais despertou sua curiosidade, finalmente tinha encontrado algo que lembrasse-o de si mesmo.

Mesmo curioso o policial resolveu voltar para o caminho de onde tinha vindo e inspecionar o outro lada do corredor, sendo como ele era o tenente não gostava de deixar nada inacabado. Ele voltaria a escadaria quando terminasse o que tinha começado.

Ele jamais poderia imaginar que a porta cujo rubi brilhava era justamente a que ele tinha se apoiado. Sendo a menos adornada a porta da pedra vermelha não parecia ter nada de mais em sua madeira e quando ele passou por ela foi muito difícil descobrir o pequeno rubi escarlate em sua maçaneta.

Ver o brilho cintilante vermelho depois de tantos brilhos mais presentes tinha o assustado. Mas nada o assustou mais do que descobrir que as palavras escritas sob o carvalho velho da porta menos adornada estavam no idioma inglês.

Lia-se na porta as seguintes palavras:

SALA DE DEPOIMENTOS A

OCUPADO

Os olhos azuis do policial se arregalaram. Ele sabia que aquilo era importante senão não estaria em um idioma que ele pudesse entender, infelizmente foi nesse momento que seu ser mais uma vez foi invadido por sentimentos de decepção; ali estava ele diante do que poderia ser a maior revelação de sua vida e ele não poderia se lembrar o que diabos poderia encontrar dentro da sala de depoimentos. Tinham sido tantas historias, tantos criminosos ou inocentes que entraram ali, tantos advogados, tantas pessoas que juraram ter visto assassinos procurados... ele tinha certeza de que era justamente aquela sala a mais usada por todos os policiais justamente por ela ser a mais bem ventilada e a mais aconchegante. A sala até tinha um pouco de cor em suas paredes se diferenciando das demais salas de interrogatório/depoimento e era por isso que a maioria dos assistentes sociais preferiam levar as crianças vítimas de abuso ou sequestro para la. Com tantas coisas que tinham acontecido de um lado e do outro do espelho comunicante Chuck poderia simplesmente dizer que seria muito complicado para lembrar-se de algo; ele já esteve em ambos os lados, sendo o policial que interroga ou aquele que escuta, já esteve diante de assassinos e inocentes, de advogados e de mães, de crianças e idosos... ele tinha certeza de que todos os judeus que foram sequestrados por Ruby, todos os homens que eles conseguiram prender que estavam envolvidos com tudo o que tinha acontecido na fabrica de macarrão tinham seus depoimentos gravados ali. Seria impossível se lembrar de tudo o que tinha acontecido naquela sala quanto mais se lembrar de algo especifico quanto saber se sua teoria, se as ultimas palavras que saíram da boca de seu tio poderia ser verdade.

O policial desgastado colocou sua testa sobre a superfície de madeira velha da porta em um sinal de derrota. Mais do que tudo o que ele queria era voltar para sua confortável casa e lamber suas feridas com algo para fazer. Ele não queria essa perda de tempo.

Sem nem ao menos se dar conta um pensamento passava por seus lábios:

-Se ao menos eu fosse alguma especie de vidente sensitivo como Jimmy...

Ele teria mirrado mais uma vez o inocente carvalho se não fosse pelo barulho metálico que ele ouviu. Assustando-se pelo o que parecia ser a milésima vez Charles Shurley percebeu que Ali babá era um conto árabe e que naquele momento ele tinha acabado de compreender o sentido de todas as letras antigas na porta. Tudo aquilo o levou para dizer a sua palavra magica e, consequentemente, abrir a porta.

Enquanto segurava inseguro a maçanete da porta cravada com rubis ele fez uma promessa para si mesmo. Se o que quer que estivesse ali o levasse para a resolução de seu caso ele iria se converter a crença dos Novak, seja lá o que ela fosse. Ele pensou que pelo menos aquilo faria algum bem a ele depois de ter estado tanto tempo longe da religiosidade. Mal, pelo menos não ia fazer.

Revigorado por seus novos pensamentos e pelos novos rumos dos acontecimentos ele abriu a porta.

&&&

A quarta-feira tinha começado pesada para ele, mesmo depois de tanto tempo sendo o ultimo a dormir e o primeiro a se acordar Gabriel não conseguia mover nenhum muculo seu, não depois de tudo o que tinha acontecido no dia anterior. A adrenalina e o medo eram incapacitantes e corroíam seu sistema como um vírus. O fato de Jimmy ter se aninhado a ele durante a noite e estar em uma posição que praticamente o esmagava não tinha nada a ver com a sua atual falta de capacidade para sair da cama macia.

Pelo menos um deles tinha dormido.

O capitão sabia que não poderia fazer nenhum movimento sem que acordasse seu irmão, afinal, Jimmy estava com o corpo todo em cima dele usando-o como seu novo travesseiro. Gabriel nem ao menos sabia como tinha acabado ali, tudo da noite anterior era-lhe um blur e ele sabia que depois do que tinha acontecido na saída de incêndio ele não conseguiria simplesmente deitar e dormir. A dor que passava de um lado a outro de sua cabeça era um lembrete constante de que ele ainda tinha inúmeras coisas a resolver, faltavam-lhe dois dias de licença e tudo o que ele poderia pensar era em como os dias tinham voado e em como ele não os tinha aproveitado da melhor maneira possível. Agora ele teria de encarar seu comissario e todas as decisões que ele poderia tomar e ele bem sabia que o homem não era mais favorável a deixa-lo em homicídios, não depois de tudo o que tinha acontecido. Certamente a ultima area que ele seria inserido era o departamento do sequestros.

Aquilo lhe dava raiva, justo quando o mundo estava em perigo de se acabar ele seria jogado para o departamento de transito enquanto um banana iria conduzir as investigações como se elas fossem um jogo de cainça. O Novak mais velho prometeu a si mesmo que se um dia sobrevivesse a guerra apocalíptica ele mataria seu chefe.

Para provar seu ponto ele apertou com força a primeira coisa ao alcance de suas mãos.

-Ai!

O policial se assustou com a voz intrometida que tinha aparecido do nada no silencio. Quando ele percebeu que tinha acabado de dar um beliscão em Jimmy pensou que poderia morrer de vergonha, os olhos azuis mereciam mais tempo fechados, o pobre do seu irmão não tinha dormido quase nada e ele tinha sido o único idiota a acorda-lo. Talvez o argumento todo com Castiel tivesse um ponto afinal. Ele era mesmo um idiota.

O pintor começou a chorar. Se era pela dor ou por sentir a raiva vinda do outro ente querido Gabriel jamais saberia.

Definitivamente aquela quarta-feira tinha começado pesada.

Ele respirou fundo...

-Hey, me desculpe. Como a sua voz tinha saído tao emocional ele não sabia, suas suspeitas eram de que um dia isso tinha de acontecer. Pelo menos foi com o pintor...

Gabriel pós seus dedos para retirarem as lagrimas salgadas que escorriam como diamantes dos olhos de Jim. De todas as pessoas seu irmão mais novo era a que mais o intrigava, como ele poderia mudar de um estado emocional para outro permaneceria um mistério. Graças a força divina ele conseguiu acalma-lo e em poucos minutos Jimmy tinha voltado a aninhar-se em volta dele como um pássaro na chuva. O policial sabia que uma vez desperto Jim não iria conseguir voltar a dormir, não quando a luz do sol passava por dentro do quarto (maldita cortina!) e preferiu ficar calado, ele sabia que seu pintor estava fazendo de tudo para que ele voltasse a dormir porque o idiota era assim tao bonzinho... o homem de olhos de âmbar resolveu por aceitar esse presente de trégua e ficou em silencio, não era sempre que um de seus irmãos mais novos estava disposto a dar-lhe tempo com seus pensamentos. Ele aproveitaria isso ao máximo.

Sorrindo ele depositou um beijo nos cabelos loucos e negros:

-Você sabe que eu nunca vou deixar de te amar não é?

Um aceno de cabeça foi a única resposta que ele obteve. Era impressionante, mais o pintor estava definitivamente determinado a faze-lo dormir.

E ele poderia realmente ter dormido um bom sono se nesse exato momento seu telefone não tivesse tocado.

Quando o capitão viu em seu identificador de chamadas o nome de seu comissario ele sabia que a morte não seria suficiente para aquele homem. Ele recebeu um olhar decepcionado de Jimmy para seus pensamentos sombrios.

A primeira coisa que o recebeu depois de ter dito “Novak” foi a voz grossa de seu chefe. Pelo que parecia o homem estava puto da vida:

-Onde está o tenente Shurley capitão?

Gabriel antes de responder tirou o telefone de sua orelha e foi ver mais uma vez o identificador de chamadas, para ele era muito incomum o comissario Alden estar preocupado com algum de seus homens. Na maioria das vezes nada que pudesse sair da boca dele poderia fazer com que o capitão se interessasse, e pela primeira vez isso tinha acontecido.

Ele começou pela abordagem formal:

-Não sei senhor.

O comissario não pareceu nem um pouco contente com a sua resposta, pelo menos foi muito melhor do que se ele tivesse dito que um homem suspenso não tinha nada a ver com o resto da delegacia. Usar palavras informais seria o mesmo que começar uma guerra dado a forma como o geralmente bem apresentável comissario estava se portando na conversa telefônica. Ao que parece não tinha sido apenas ele que teve uma manha pesada.

“Se Karma realmente é uma puta eu posso dizer que eu gosto dela” O policial pensou consigo mesmo.

-Eu preciso que você procure pelo tenente imediatamente capitão. Isso é um assunto de máxima importância! Depois de algo como isso Gabriel não poderia dizer que a curiosidade não tinha picado-o, mesmo assim ele tinha um olhar de desdem em seu rosto. Ele não estava facilitando nada para aquele homem não depois de tudo o que ele tinha feito para ele e sua família e principalmente não quando ele sabia que Chuck tinha mais ressentimento para com o cara do que ele- ao que parece o seu parceiro tinha entrado em uma briga com o comissario depois que ele demitiu uma oficial por ela ter sugerido devolver o posto de capitão a ele- e mesmo se nenhuma ofensa tivesse sido tomada no meio de todos os dias e acoes passadas Gabriel não ia correr o risco de deixar Jimmy sozinho no estado em que estava apenas para atender a uma ordem superior. Ele bem sabia que o pintor ainda estava abalado pela morte de Adam.

Sendo assim ele falou em um tom sonolento:

-Eu até poderia ir, mas eu acredito que Chuck faz muito bem em desaparecer desse seu halito de bode.

Jimmy riu. Ele sabia que isso iria funcionar. Qualquer coisa para tirar o olhar sombrio do rosto dele. Do outro lado da linha o comissario parecia ter engolido um microfone, pois, quando sua voz saiu o homem de olhos âmbar teve que, literalmente, tirar o telefone de sua orelha:

-Acho melhor você fazer o que estou mandando Novak, senão eu posso colocar você em férias para sempre!

O sorriso de Jimmy tinha se esvanecido como fumaça. Ele definitivamente tinha sede de sangue de comissario.

Gabriel resolveu usar sua maior arma. Sua total frieza. Em cerca de instantes sua voz que ainda tinha vestígios de emoção se mascarou em uma voz palada de atendente de telemarketing e ele respondeu de forma uniforme:

-Desculpe desaponta-lo senhor, mais eu acredito que a promotoria ou o governador jamais iriam concordar com esse pedido. Eu sou demasiado importante para a força policial desse estado e você é nada comparado a mim.- com um sorriso de triunfo ele acrescentou- Verei o senhor daqui há dois dias, passar bem.

Ele daria de tudo para ver a cara de Zacarias Alden depois de ter desligado em sua cara. A sensação de vitoria durou até que ele viu os olhos azuis cheios de lagrimas.

Ele realmente poderia ter ficado sem essa!

Mais uma vez ele respirou fundo. Se ele encontrasse ou tivesse noticias de Chuck nos próximos quarenta minutos ele estaria certo de que o tenente iria pagar.

Dessa vez ele resolveu não mexer nas lagrimas de Jimmy. Ele simplesmente encarou o pintor com toda a força que podia reunir para não rir, era sempre adorável ver Jimmy tao preocupado com ele que até aprecia uma ironia. Depois de todos aqueles anos que ele tinha praticamente se matado para entender seu irmão, para protege-lo e fazer com que ele fique seguro era no minimo gratificante saber que o outro fazia a mesmo coisa por ele.

Deixando sua voz uniforme ele disse:

-Tá tudo bem Jim. Você não acreditar realmente que aquele idiota vai me tirar da policia, acredita?

O silencio foi tudo o que o pintor lhe deu:

-Ora Jimmy, aquele homem é tao feio, mai9s tao feio que eu duvido que você conseguiria pinta-lo. As tinta iriam se sentir ofendidas!

O placar finalmente tinha invertido. Ele tinha ganho a partida na mesma hora que o pintor recompensou-lhe com um de seus mais brilhantes sorrisos. Ele bem sabia que não poderia ve-lo chorar por tanto tempo, não depois do que tinha acontecido e de saber que logo logo sua felicidade seria consumida pelo saber que Cas e Jessica eram reféns de uma louca assassina.

Ele não ia pensar nisso, não agora.

Desistindo completamente de mais horas de sono o capitão conseguiu sair da cama e puxou o pintor junto com ele. Ele bem sabia que os dois precisavam de uma coisa para fazer, qualquer coisa que os tirasse do modo preocupados. Gabriel bem poderia levar Jimmy a seu lugar favorito, mas ele sabia que expor seu irmão a cidade destruída só o faria entrar em uma depressão. O psiquiatra que o tinha atendido tinha sido bastante claro em afirmar que o pintor estava no liminar de um estado de choque e que ele não poderia se defrontar com coisas muito pesadas para ele por agora- o pobre coitado do homem não fazia a minima ideia do que estava acontecendo na vida de cada um deles- caso contrario o episodio que ocorreu na delegacia poderia ocorrer mais uma vez. Apenas o pensamento de ver seu caçula atacar alguém era o suficiente para faze-lo estremecer.

Ele balançou a cabeça para expulsa taIs pensamentos. Ele não queria começar a se desesperar agora. Ainda lhe restavam dois dias de licença para aproveitar e mesmo que ele nunca tivesse realmente parado de procurar por Jess e Cas ele poderia se dar ao luxo de tirar um tempo livre com o pintor.

Puxando Jimmy pela mao ele disse em tom alegre:

-Vamos, vamos tomar um banho. Que tal a gente fazer alguns desenhos depois?

O policial não viu a expressão de dor que suas palavras trouxeram ao pintor. Um segundo depois o sorriso voltou a seus lábios. Jimmy tinha aprendido a disfarçar alguns de seus sentimentos pelo que seu rosto estava mostrando.

Os olhos do tenente se abriram para aluz do sol que passava por sua janela aberta. Ele tinha dormido demais! Olhando com atençao para o relógio Chuck percebeu que eram oito horas da manha e que ele tinha bebido cerca de doze latas de cerveja e meia de Wisky.

Isso poderia explicar o por que de sua cabeça estar martelando como musica eletrônica.

Ele se levantou vagarosamente e sentiu dor em cada centímetro de seu ser. Se alguém perguntasse se ele era capaz de sentir dor em outro lugar ele poderia responder-lhe que sentiria dor até mesmo meio metro depois dele. Quando seus amigos do ensino médio lhe diziam que o sono induzido pelo álcool era o melhor sono da vida ele tinha acreditado, claro, ele nunca tinha entrado em um coma alcoólico naquela época.

A única coisa boa de ter acordado era saber finalmente tudo o que queria. A descoberta de que a teoria de seu tio não era apenas uma invenção de seu cérebro em luto era a coisa mais reconfortante que já lhe aconteceu. Agora ele poderia dar um verdadeiro acríssimo a essa investigação, ele poderia descobrir uma forma de destruir ou mandar de volta a fruta da sabedoria e se isso acontecesse todos os seus problemas seriam resolvidos e ele poderia voltar para sua cidinha pacata de detetive de homicídios sem precisar pensar em coisas como o fim do mundo. Tudo estaria voltando a como era antes exceto pelo fato de eles terem de reconstruir a cidade e de que se Dean Winchester pensasse sequer em voltar para sua cidade natal e deixar ele sem ver Danny Lisa ele o mataria. Ele tinha se apegado demais as duas crianças.

Talvez as coisas não voltariam a ser como eram antes afinal...

Quando ele tinha, finalmente, aberto a porta para a sala de depoimentos A e tinha visto diante de seus olhos a chave para todos os seus mistérios- como ele poderia ter sido tao burro!- ele percebeu que tinha se detido o tempo todo no lado errado, ele deveria ter encontrado as pistas sobre a não mais hipotética família daqueles que protegiam os guardiões em um lugar muito mais acessivel, muito mais simples, tao obvio que ele jamais procuraria ali.

Quando ele abriu a porta em seu sonho ele foi saudado pela imagem de Gabriel tentando pegar um depoimento de Jimmy nos dias que se seguiram após a operação para liberta-lo. Ele sabia o por que de ele não ter pensado naquele depoimento. Ele foi o único que tinha acompanhado o capitão para a sala na tentativa de fazer com que o pintor se sentisse mais seguro. Naquele dia ele tinha corrido das garras de outros policiais que foram incompetentes e insensíveis em lidar com alguém especial como ele e acabou por se trancar em um armário de vassouras. Chuck jamais iria esquecer como ele estava chorando e tremendo e como seu depoimento tinha sido difícil, pois eles teriam de envia-lo para as lembranças de sua tortura. Era por causa da dor e do medo de invadir a privacidade de uma pessoa como Jimmy que o tenente não tinha nem ao menos pensado em rever seu depoimento, se ele tivesse feito isso uma semana antes eles poderiam ter feito o jogo mudar completamente.

Ele tinha vergonha de si mesmo. Mas como poderia saber?

Agora ele sabia. Ele sabia que a fruta da sabedoria poderia retornar para sua arvore e essa façanha teria de ser feita por um dos iluminados. Esse pequeno dado de informação era o mais impressionante de tudo, ninguém nunca pensaria na possibilidade de devolver o objeto sagrado para o seu devido lugar! O melhor de tudo foi saber que Jimmy tinha lhes dado a informação que poderia acabar com a guerra. Era logico que ninguém iria entender as coisas que ele disse na época, o pintor jamais poderia entender um código quanto mais utiliza-lo, mas, não era o pintor que estava diante deles naquela sala de interrogatório era uma presença bondosa e disposta a ajudar que misturou as palavras de Jimmy com as suas fazendo com que as respostas que ele dava ganhassem um duplo sentido. Chuck não sabia nada sobre a natureza da presença, mas poderia acreditar com toda a sua alma que Jimmy era capaz de receber outras almas dentro de si... ele poderia se lembrar da reação que teve quando, pela primeira vez, seu parceiro começou a contar-lhe sobre seus irmãos mais novos.

Agora tudo o que ele poderia fazer era agradecer. Eles iriam por um fim em toda essa angustia. Juntos.

Sentindo-se revigorado depois de um trabalho bem feito Charles Shurley pegou seu telefone e, ignorando completamente as chamadas de seu comissario, discou o numero de seu amigo.

Gabriel atendeu ao quinto toque. Ao que parecia ele tinha acordado com o pé esquerdo.

-O que é Chuck?

Gabriel estava ajoelhado na frente da banheira de porcelana e pês de gatinho que ele tinha herdado de uma grande amiga, seu irmão estava dentro d'água brincando com o que parecia ser um carro clássico em miniatura (será isso dado por Dean?) enquanto ele lavava-lhe as costas. Quando o telefone tocou o policial pensou em não atender, mas ao ver os olhos mandões de Jimmy praticamente obrigando-lhe a pegar o telefone e ver quem está querendo falar com ele as oito horas da madrugada ele parou o que estava fazendo e segurou a esponja azul com a outra mão. Quando viu que quem queria falar com ele era Chuck uma raiva avassaladora passou por ele, afinal, ele tinha dito para si mesmo que se o tenente o ligasse nos próximos quarenta minutos ele seria um homem morto. Pelo que ele sabia tinham-se passado trinta e sete minutos.

Misteriosamente o pintor tinha entrado em um silencio contemplativo como se estivesse usando toda a sua força para ouvir a conversa. Pressentindo que seria sobre algo importante o capitão decidiu sair do banheiro sendo que antes ele olhou severamente para Jimmy:

-Não beba a agua da banheira, o sabão não é para comer e não saia dai, eu volto.

Os olhos azuis reviraram teatralmente. Ele já sabia de tudo isso.

Do outro lado do corredor Gabriel finalmente atendeu o telefone:

-Chuck, você está ai?

A voz que o cumprimentou parecia ter tirado palavras da boca de Dean Winchester:

-Você é sempre assim? Não é atoa que Jimmy precisou tirar umas férias da convivencia.

Gabriel revirou seus olhos castanhos:

-Hilario. O que você quer comigo Chuck? Acabei de ser acordado pelo comissario e ele está puto da vida atras de você!

O tenente não teve tempo para se sentir envergonhado. Ele tinha visto as chamadas não atendidas e não dava a minima para aquele idiota. Sabendo que seu amigo provavelmente iria falar sem parar se ele não se desculpasse ele foi rápido em pedir um pedido sincero, mas tao logo as palavras foram pronunciadas ele mudou completamente seu tom:

-Você precisa vir aqui, surgiu algo importante e eu não posso dizer pelo telefone.

Todos os alertas dentro de Gabriel soaram e ele pode sentir que era realmente importante o que seu amigo tinha para dizer, mas, por um outro lado ele não poderia simplesmente deixar Jimmy sozinho no aparamente. A essa hora Dean estava no hospital cuidando de seu irmão e de Jo. Sem a presença constante de Jessica as coisas ficavam mais complexas, ele tinha feito a promessa de que não iria expor Jim ao terremoto não no estado em que ele estava e todas as suas celulas estavam decididas a cumprir isso.

Ele respirou fundo:

-Por que você não vem aqui Chuck?

Do outro lado da linha o tenente encarou aquilo como uma resposta desdenhosa. Ele não conseguia imaginar como Gabriel poderia soa tao desinteressado em toda a sua vida.

A resposta tinha contribuído para deixar o humor do segundo em comando ardente. As palavras que se seguiram eram ásperas como o vidro:

-Porque por acaso a porra da cidade está um campo de guerra e eu sei que ao contrario do meu o seu carro não foi esmagado por um prédio inteiro!

A vergonha tomou conta de Gabriel, ele nunca poderia imaginar que o assunto era assim tao serio. Chuck quase nunca usava apalavras de baixo escalão e quando usava era por um bom motivo. Ele sabia que tinha decepcionado seu amigo por ter usado seu tom desdenhosos diante dele.

-Me desculpe! Os dois disseram em uma só voz.

O silencio se fez por mais um minuto e cada um resolveu se acalmar antes que algo pior fosse dito. O capitão resolveu ver se estava tudo bem com Jim e depois de vê-lo brincar com o carro ele sentiu-se mais leve para continuar a conversa. Do outro lado da linha Chuck estava tomando uma aspirina.

Foi o segundo em comando quem começou a falar:

-Olha eu sei que eu pareço ter abandonado a força, principalmente depois de vinte e sete chamadas não atendidas do comissario, mas- ele acrescentou a quantidade de chamadas não atendidas com um que de humor- o que eu tenho para falar é realmente importante e eu não tenho como ir ai a não ser se eu vier a pé.

Gabriel esqueceu que ainda estava segurando a esponja e colocou a mão no rosto ficando com a face completamente ensaboada.

-Eu sei- seu tom era exasperado- mas eu estou nesse exato momento dando banho em Jimmy e não posso deixa-lo sozinho aqui. Eu poderia leva-lo junto comigo ele adora ir a sua casa... mas eu não posso expor ele a destruição em que estamos. Ele ainda está muito frágil.

E mais uma vez o silencio se fez. Agora era a vez do segundo em comando ficar envergonhado. Era claro que as prioridades de seu capitão eram a sua família, ele poderia entender isso mesmo agora que tinha perdido a ultima pessoa que pertencia a sua.

O silencio entre os parceiros duraria bem mais se eles não tivessem sido brutalmente interrompidos por Jimmy. Ele bateu na água como se ela fosse um monstro e fez com que as gotas atingissem o teto enquanto dizia que estava ouvindo a coisa toda.

Depois disso não houve mais silencio constrangedor que durasse. Os dois amigos tinham caído na gargalhada:

-Pelo que estou vendo o jeito é eu ir a pé. O tenente tinha deixado todo o seu tom serio no momento- Estarei ai em uma hora.

-Estaremos aqui. Foi tudo o que Gabriel consegui dizer antes de ser atingido por uma esponja vermelha bem na cabeça.

-Estaremos aqui Chuck. Foi o que o tenente pode ouvir sair da boca de Jimmy antes de a ligação ser cortada. Provavelmente o excêntrico pintor iria fazer uma guerra dentro do banheiro.

A imagem mental de seu superior brincando de guerra de água dentro de um banheiro foi a coisa mais engraçada que ele pode pensar nos últimos dias e foi esse pensamento que serviu para o tenente como um escudo contra toda a dor e sofrimento que viu nas ruas de sua cidade.

Na Pine Street o chefe de policia da cidade tinha sido reduzido a uma massa coberta por água. Ele estava armado com a ducha de banho, mas seu inimigo era muito forte. Jimmy tinha todas as esponjas da casa em um arsenal perigoso.

Os dois se deixaram domar pelo lúdico até o momento que Jimmy começou a espirrar. Preocupado com a saúde de seu irmão mais novo Gabriel foi rápido em agarrar a toalha e envolver o pintor nela. Ele levantou o outro homem- que ainda estava muito leve, mas que tinha quase todas as escaras voltando para acor original- e o levou para o quarto tendo cuidado com todas as esponjas que estavam no chão.

-Venha Jim. Ao que parece nos vamos receber visitas.

O pintor estava aliviado. Finalmente ele era capaz de sentir algo bom no ar.

&&&

Dean Winchester estava ao lado da cama de Sam, ele não tinha nada para fazer agora que Jimmy tinha voltado a morar com Gabriel. Por um lado aquilo era bom pois ele podia ter mais tempo para pensar- quem diria que o pintor dava tanto trabalho?- mas por outro ele sentia-se solitário. Com seu irmão dopado por remédios e tendo seus filhos e seu namorado ausentes ele não tinha mais nada a fazer a não ser lamber suas próprias feridas. Eté mesmo visitar Jo era difícil no momento pois a mulher estava finalmente deixando-se ser atendida pelos médicos.

Ele queria estar no campo de batalha. Queria poderia fazer algo para ajudar a todos, mas ao mesmo tempo sabia que ninguém ia aceitar a ajuda do cara que tinha feito a cidade em pedaços.

Dean sabia que essa linha de pensamentos não era saudável. Se lamuriar por tudo o que aconteceu não iria ajudar ninguém. Ele tentava combater esses pensamentos perigosos no entanto não conseguia. Não poder saber onde seus filhos estavam mesmo sabendo que eles estavam bem (Jimmy tinha praticamente gritado isso para ele em seu sonho) o desesperava, ver Sam deitado em uma sala de hospital o desesperava, ver Jo se culpando por não ter salvado seus filhos o angustiava e não saber se Cas ou Jess estavam bem o matava dia a dia.

Ele queria que tudo não passasse de um sonho, ele queria acordar e descobrir que ele nunca tinha saido do Kansas e que seus filhos ainda eram crianças normais que iam a escola e discutiam sobre as musicas de Justin bieber... não, ele nunca iria deixar seus filhos ouvirem aquilo, aquilo não era musica! Mas seria bom de vez em quando pensar em uma vida normal longe de todas as coisas loucas que tinham acontecido a ele nos últimos seis meses.

Ele poderia ter se lamuriado ainda mais se o telefone não tivesse tocada naquele exato instante. Desligar o aparelho não era uma opção, não quando você tem o numero pessoal do cara que está trabalhando do seu lado e que pode ter alguma pista sobre o paradeiro de seus entes queridos.

Foi com esperanças que o engenheiro atendeu o telefone.

-Alo?

-Dean? Precisamos conversar.

O tom do homem que tinha o título de ser seu cunhado não admitia hesitação.

-Claro Gabe. O que você quer?

Ele não esperava ouvir o que ouviu.

-Eu estou indo!

Foi tudo o que ele disse em resposta.

Sabendo que Sam não acordaria tao cedo ele deixou uma nota onde seu irmão possa ver e pegou seu casaco de couro. Se havia alguma possibilidade de resgatar seus filhos e seu amado ele agarraria.

Estava mais do que na hora de parar de pensar no que deu errado e começar a agir em prol do que pode dar certo.

Notas finais
Eu realmente pensei que esse capitulo nao ia ter Jimmy, mas é impossivel me livrar dele.
E é claro que ele nao ouviu a conversa, ele só teve a impressao de que deveria fazer algo, a aura das coisas tava meio pesada.

ESPERO QUE GOSTEM!
Tres capitulos para ir.
Mandy
PS- comentarios sao sempre bem vindos