When You Have A Killer In Your Tail

9 Capítulo 9Qando se volta a ter liberdade parte 1


Notas iniciais
Bem, bem bem... chegamos em uma parte que eu queria chegar desde o primeiro capitulo.
Será queJimmy sairá vivo de seu cativeiro? Será que Sam vai ser o herói?
Leiam para saber.
Espero que gostem.

I hear some distant drumbeat
A heartbeat pulsing low
Is it coming from within
A heartbeat I don't know
A troubled heart knows no peace
A dark and poisoned pool
Of liberty now lost
A pawn an oppressor's tool.

breaking the silence- Loreena McKennitt

Dean estava apreensivo. O ar dentro do camburão em que estava parecia muito pesado, o que não ajudava em nada, e o plano que eles deveriam seguir estava com algumas falhas, sim, era o melhor plano que eles poderiam vir com as quatro horas da madrugada de uma quinta-feira (dia vinte e quatro de novembro) e mesmo assim tudo o deixava nervoso; o tenente Shurley não tinha conseguido voltar para a delegacia no dia combinado- eles acabaram descobrindo da pior maneira que o trabalho só acaba quando os dois chefes dizem que ele acabou, ou seja, Chuck não poderia se livrar de seu disfarce e voltar para eles para ajudar a construir um plano de resgate- o tenente simplesmente tinha enviado-lhes dados importantes através de código morse e tinha feito de tudo para fazer um relatório de reconhecimento decente, mesmo assim a grande duvida pairava sobre eles: Será que tem atiradores no telhado?

Dean não queria saber. Por menos medroso que ele poderia ser e graças a sua experiencia com armas- cortesia de um pai louco que fez de seus filhos soldados- ele não estava tao interessado assim no reconhecimento ou nas falhas do plano. Se algo desse errado ele corrigiria de sua própria maneira Winchester e por mais irresponsável que possa ser ele e Sam estavam na equipe delta. Como eles tinham acabado lá ninguém sabia, ao que parece o comandante da SWAT (um grande amigo de Bobby e de Gabriel) tinha colocado toda a sua experiencia em julgar pessoas para organizar isso- bom, eles estavam em uma força tarefa não reconhecida e se algo terminasse mal todos eles estavam sujeitos a uma morte lenta e dolorosa sem direitos a enterros militares, pois eles perderiam suas patentes- e ele acabou por colocar seus meninos na equipe bravo(15), Jo Harvelle, Charlie e uma outra atiradora de elite na equipe alfa e por fim ele próprio, (comandante da SWAT cujo nome era D. Elkins) capitão Novak, Dean e Sam Winchester na equipe de maior responsabilidade. Tudo isso tinha sido organizado dentro do camburão negro disponibilizado pela SWAT logo depois que Gabriel tinha recebido as coordenadas enviadas por Chuck e um pedido estrangulado para fazer isso rápido, aparentemente Jimmy não era o único refém da lista.

Mesmo assim nenhuma dessas coisas era o que estava deixando Dean apreensivo.

Ele estava mais preocupado com o fato de seus queridos gêmeos não estarem mais sob a guarda de Jo- que tinha implorado por tudo que é sagrado para ir com eles- e com o tom que a conversa que ele teve com seu namorado antes de partir.

A conversa foi a seguinte:

“Eram duas e quarenta da madrugada, toda a equipe da policia que queria participar desse resgate estava amontoada em sua casa enquanto seus filhos dormiam, ele e Castiel estavam abraçados no sofá curtindo um pequeno momento de intimidade sem palavras, cada um queria dar forças para o outro. Antes que o silencio pudesse durar mais Dean resolveu falar, ele limpou a garganta e tirou tudo de uma forma dolorosa, como se soubesse que a resposta não seria muito boa.

-Cas- ele virou o rosto do homem para si como se tivesse esquecido que ele não poderia vê-lo- Se nos voltarmos... se nos voltarmos e Jimmy não- sua voz foi sumindo as implicações do que estava para dizer eram enormes- não estiver conosco você... nos estaremos bem? Sua voz tinha quase sumido nesse final e se Castiel não tivesse uma audição melhor do que a maioria certamente ele nunca teria escutado.

O professor tinha imediatamente posto uma mão em sua orelha e começou a coçar o osso por trás. Ele estava sem saber o que dizer por longos minutos e tinha os olhos fechados como se de alguma forma isso o ajudaria a responder a questão. Eventualmente ele respondeu:

-Sim- sua voz era macia e verdadeira como se tivesse vindo da boca de um anjo- nos estaremos bem desde que eu ainda tenha você e um outro irmão para me consolar.

Os dois tinham se beijado ardentemente e Dean nunca poderia pensar em um momento mais inconveniente para se beijar alguém, mesmo assim abriu sua boca e deixou a língua de seu parceiro explorar tudo o que ela queria. De alguma forma ele sabia que esse era o jeito de Cas de provar a verdade, ele poderia dizer que eles estavam selando um acordo e que a foma que seu anjo tinha mostrado revelava o quanto de medo ele tinha, o medo estava sendo dirigido a ele como se Castiel não fosse capaz de viver sem sua presença.

Quando eles quebraram o beijo Dean sabia que seja o que for que estava para acontecer ele não poderia se deixar machucar, ele teria de voltar vivo para os braços e o calor de seu amante. Outra coisa que ele sabia era que ele deveria proteger Gabriel com a sua vida.”

A única coisa que o ex engenheiro não sabia era que Castiel tinha feito seu irmão prometer a mesma coisa. De uma forma curta (e sem beijos de língua claro) o professor tinha colocado uma velha estrategia de guerra usada em Esparta para garantir a segurança das duas pessoas mais importantes de sua vida. Ele sabia que se os dois estiverem devidamente coordenados eles encontrariam Jimmy.

Era nisso que ele tinha de acreditar.

Em São Francisco Jessica passeava pelas lojas abertas vinte e quatro horas, ela sabia que deveria estar em casa olhando para Castiel e para os gêmeos e mesmo assim não era capaz de voltar para seu quarto com as mãos abanando. Ela se sentia na necessidade de comprar alguma coisa, alguma coisa que fizesse Jimmy feliz quando voltasse para casa depois de tanto tempo em seu cativeiro, ela sabia que ele poderia voltar catatônico, traumatizado ou até mesmo não voltar com vida e era por isso- em uma tentativa de continuar tendo esperança, esperança que ele iria voltar- que ela estava ali se certificando de comprar algo que o entretenha nas noites onde sua mente voltaria para os momentos terríveis que ela sabia que ele estava passando. Ela tinha dedicado cinco anos de sua vida a cada um daqueles três homens- claro que em especial a Jimmy- e poderia dizer com a certeza de um profeta que o professor poderia ser um pé na bunda quando estava indeciso, que o capitão parecia um malandro tarado, que poderia fazer qualquer mulher o desejar apenas com um simples olhar de âmbar liquido se ele quisesse, e que o pintor era a única coisa que fazia os outros dois funcionar depois de um passado que ainda era muito doloroso para todos eles.

Ela não poderia nem imaginar como seria se Jimmy morresse.

Saindo da loja a mulher de cabelos louros que gostava de usar roupas dos Smurfs(16) carregava telas e mais telas de todos os tamanhos. Outra coisa que ela tinha comprado foi tinta, tinta de todo o tipo: acrílica, tinta a óleo e até mesmo tinta guache, tudo para agradar seu protegido. Ela queria de todas as formas fazer com que ele voltasse a se sentir em casa depois de tanto tempo. Jessica não era burra, ela sabia dos pesadelos de Jimmy, sabia de tudo o que tinha acontecido em sua vida até os onze anos de idade- quando Gabriel não tinha mais aguentado e resolveu tomar a guarda de seus irmãos para si e se mudou com eles a tiracolo para a cidade da ponte Golden Gate- e sabia como certas coisas são praticamente impossíveis de se esquecer.

Naquele momento nada a estava ajudando, eram cinco horas da madrugada e ela estava carregando telas e tintas para dentro de seu carro. Seus olhos começaram a produzir lagrimas quando ela se lembrou da historia do carro, um novo UNO fiat, vermelho que estava simplesmente esperando por ela... sem pensar na historia do carro em sua frente ela colocou suas compras dentro da mala e entrou no banco do motorista praticamente se jogando no acento.

Pouco tempo depois ela já estava voltando para as outras pessoas que ela deveria proteger.

Era agora, não tinha mais jeito de tardar a sensação que ele estava sentindo. Sam Winchester estava finalmente fazendo o que seu pai sempre quis que ele fizesse: estava sendo um herói. A equipe Bravo tinha entrado e começado a fazer o trabalho de limpeza, averiguar o revestimento de capangas e tira-los do caminho. A equipe Alfa tinha entrado cerca de vinte minutos depois averiguando entradas secretas e possibilidades de escape para criminosos envolvidos e já tinha mandado o sinal para a equipe deles.

Essa era a hora de entrar e fazer o que era necessário. Sua missão estava tendo como foco encontrar Jimmy, mas caso o olhos amarelos ou a mao-na-boca estivessem por lá era imperativo leva-los para fora seja eles vivos ou mortos. Mesmo sabendo que as probabilidades de encontrar Ruby ali eram praticamente nulas- até mesmo o comandante da SWAT conhecia a fama de inteligente que a desgraçada mantinha- Sam tinha um gosto especial de vingança que queria ardentemente tirar de sua boca, ele queria fazer a mulher pagar por tudo o que tinha feito.

Uma pequena parte estranha de seu cérebro começou a se agitar e a dizer que se não fosse por Ruby Evans ele não estaria com Jessica, Dean não teria encontrado mais nenhuma outra pessoa que estivesse disposto a deixar entrar em sua vida e que seus sobrinhos não teriam feito outros amigos fora as mesmas crianças da escola primaria de Lawrence. Ele não deixou essa pequena parte de sua mente vencer sua raiva no entanto.

Empunhando a sua arma- mais uma vez ma nove milímetros- ele esperou para ouvir as ultimas ordens que o comandante estava dizendo para ele e Dean (os únicos civis do grupo) e viu Gabriel fazer o sinal da cruz. O capitão estava usando simples camisetas de malha e calças jeans e tinha um diferencial de um sobretudo bege que batia um pouco mais abaixo dos joelhos, quando ele terminou sua oração ele destravou sua arma com um barulho metálico muito mais familiar do que ele gostaria e saiu do camburão começando a correr na direção de seu destino a velha fabrica de macarrão que estava a dois quarteirões dali.

Antes mesmo que eles pudessem seguir o policial ele e Dean foram detidos pelo velho comandante da SWAT- o homem tinha um cigarro mal cheiroso nos lábios e um semblante completamente despojado de sua mascara de sempre, ele parecia extremamente humano- ele colocou uma mão em cada ombro deles e os olhou com olhos treinados de quem já tinha visto uma situação semelhante a essa pelo menos umas mil vezes.

Em uma voz que parecia a de um amigo cauteloso ele falou:

-Vocês dois estão fazendo isso pela pessoa que amam, correto? Os dois acenaram com a cabeça, não havia tempo para uma resposta elaborada. O rosto do comandante se suavizou e ele continuou o que tinha para dizer- ele- ninguém precisava perguntar para saber de quem ele estava se referindo- está fazendo isso pela família, a família que ele mantéu desde o dia de seu nascimento e que já sofreu poucas e boas... eu não conheço vocês, mas sei que são irmãos sendo assim eu quero que vocês tomem conta um do outro e me deixem cuidar dele.

Os dois acenaram mais uma vez com a cabeça e assim que a mão do outro homem deixou seus ombros eles correram para dentro da fabrica abandonada. Eles nunca poderiam saber que aquele homem tinha sido um grande amigo do pai dos três Novaks ou que ele tinha feito uma promessa para mante-los seguros, mas eles sabiam reconhecer a admiração e a força de caráter em uma pessoa quando viam e souberam como um passe de magica que ninguém seria mais digno de proteger Gabriel do que ele.

Por dentro Dean se sentia aliviado, ele não saberia que promessa ele iria manter a que tinha feito a Cas ou a que tinha feito a seu pai se visse tanto Sam como Gabriel em perigo. Aquilo o assustou bastante, era raro para ele encontrar uma pessoa que pudesse ocupar o lugar de Sam em sua vida. O ex engenheiro desistiu de pensar sobre esses assuntos, ele sabia que não poderia colocar em palavras seus sentimentos por Castiel e por seu irmão muito menos compara-los, ele simplesmente engatilhou sua arma e correu com toda a força que tinha e deixou-se entrar no território inimigo.

Sua cabeça estava praticamente explodindo com a diferença de som e a possibilidade de levar um tiro no meio dessa batalha e mesmo assim continuou andando seguindo a cauda de Gabriel, mantendo os olhos no sobretudo bege que seu amante tinha dado ao irmão mais velho como uma forma de proteção- na verdade como uma especie de imposição, pois Cas não queria que Jimmy sentisse frio- e atirando ocasionalmente sem nem ao menos se importar se estava acertando ou não. Ele estava com todo o seu foco em seguir o homem de baixa estatura e mesmo com sede de vingança ele não queria perder seu tempo matando lacaios.

Ele acertava a maioria de seus alvos, Dean definitivamente estava atirando como um reflexo e mesmo com raiva poderia distinguir os lugares que não iria atirar. Ele não queria matar ninguém.

Atras de si ele era capaz de ouvir Sam, e esse estava atirando para matar.

Dean não podia se importar menos, ao que tudo indicava o homem tinha agarrado uma das mulheres da equipe bravo e como tinha de ser o super herói Samantha Winchester nunca poderia deixar uma donzela em apuros. O homem de olhos verdes deixou um pequeno sorriso rastejar por suas feições enquanto continuava seguindo a figura com o casaco de chuva.

Ele viu em primeira mão Gabriel matar homens duas vezes maiores que ele com tiros rápidos apontados para a cabeça. Ele simplesmente pulou os corpos e se protegia das outras balas que estavam por vir enquanto descia o corredor para a área que o tenente tinha indicado. Dean percebeu que Gabriel não estava matando por vingança logo depois que o viu levar um tiro de raspão, assim ele acreditou, o capitão estava se posicionando de uma forma a deixar-se ser um escudo humano para ele, como se ele pensasse que sua pessoa era nada mais nada menos necessitada de proteção. Ele rangeu os dentes.

Quando Gabriel dobrou ao chão por causa de um tiro em sua perna- Dean não estava prestando atenção suficiente para saber se tinha sido de raspão ou não- foi a sua hora de agir: ele se posicionou em frente ao capitão e começou a usar sua habilidade de tiro nos lacaios que iam chegando como se fossem vilões de videogame, vilões que não acabavam nunca. Infelizmente para ele esses lacaios loucos que estavam dispostos a morrer para o dinheiro que estariam recebendo eram um pouco mais inteligentes e muito melhor treinados que os primeiros, eles estavam vestindo colete e tinham uma certa tática de batalha.

Em pouco tempo um deles tinha apontado sua arma para Gabriel. Como ele tinha chegado ali Dean nunca saberia. Chuck não tinha dito nada sobre passagens secretas dentro das paredes dos corredores.

O Winchester mais velho congelou.

-Coloque tudo no chão.

Mesmo se ele quisesse ele não poderia desobedecer essa ordem, haviam mais três homens perto dele e um em especial tinha posto o cano frio de sua arma contrabandeada na Rússia em seu templo. Gabriel sangrava em sua perna esquerda e em seu braço direito mas mantinha o olhar petulante sob o rosto. Dean jogou a arma e ela caiu com um baque surdo.

-Muito obrigado.

O infeliz não tinha feito nenhum movimento para retirar a arma de perto de Gabriel e o outro ainda mantinha o cano de sua pistola em contato com sua medula oblonga. Dean não poderia dizer o que eles tinham em mente mais sabia que tudo deveria ser algum dos planos macabros daquela mulher, ele tinha lido a lista que ela tinha escrito em um papel e viu com seus próprios olhos a cara de pau que ela tinha ao dizer que era uma mulher de palavra e que iria matar cada um dos homens que tinha feito de sua vida um inferno. Ele sabia que seu nome era parte dessa lista e esperou pelo pior.

O cara que tinha agarrado Gabriel pelo pescoço tinha destravado sua arma e agora estava perigosamente perto de apertar o gatilho. Dean rangeu os dentes incapaz de suportar o fato de que não seria capaz de manter a sua promessa e viu tudo acontecer em uma especie de câmera lenta. O único sentimento que passava por sua corrente sanguínea alem da decepção era a impotência. Não havia nada que ele pudesse fazer para ajudar.

Quatro tiros cortaram o ar e ele sentiu uma especie de ardor queimar em sua perna.

Esse era seu fim, ele poderia sentir isso.

-Dean, Dean!

Essa era a voz de Sammy, a voz de seu irmãozinho bebe que tinha um toque de calor e familiaridade. Ele não poderia ter morrido. Dean abriu os olhos ainda sem acreditar que tinha fechado-os.

A cara de cachorro de seu irmão foi a primeira coisa a aparecer em seu campo visual.

-Dean?

Era a hora de avaliar a situação, o engenheiro pensou consigo mesmo. Ele tinha ouvido quatro tiros e tinham três pessoas caídas ao chão, uma delas era o infeliz que tinha apontado uma arma Russa para sua cabeça. Gabriel já não estava mais em sua frente e tinha deixado um rastro de sangue pelo piso velho, o policial estava apoiado na parede rasgando pedaços de sua camiseta para fazer um curativo improvisado o que indicava que a bala tinha sido quase inofensiva. Ele era aliviado por isso, ao seu lado estava o senhor Elkins, que tinha uma arma pesada ainda fumaçando, tentando ajuda-lo a andar mas sem conseguir nada pois o capitão estava decidido a pensar que a perda de sangue não era nada.

Ao que parecia eles tinham sido salvos no ultimo segundo. Mesmo assim ele não sabia quem tinha dado os outros tiros, o som tinha sido simultâneo e era impossível que uma única arma tivesse matado mais de uma pessoa.

-Como? Foi tudo o que saiu de sua boca.

Sam estava aliviado por ver Dean voltar a realidade, mais tarde ele poderia até rir com o fato de que seu irmão tinha flechado os olhos na hora H, mas naquele momento ele estaria no modo preocupado.

-O comandante Elkins estava apenas fazendo o que ele tinha que fazer- ele começou a falar aceleradamente e olhava de cima a baixo em Dean para ver se os ferimentos que ele tinha eram leves- cercar o local e fazer a varredura dos idiotas com armas, ele chegou aqui na mesma hora que eu e nos vimos vocês em perigo.

Não tinha sido um plano, não tinha sido nada. Os dois simplesmente tinham avistado a situação em que Dean e Gabriel estavam cada um por seu ângulo e atiraram sem nem ao menos pensar. Foi só depois de alguns segundos que Sam percebeu que Charlie e Jo estavam logo atras dele.

Dean passou as mãos pelos cabelos, ele tinha entendido tudo.

Aonde estavam não havia momento para conversas de mulher, não havia tempo para um abraço e eles voltaram a correr cada um com sua arma em frente ao corpo. Eles descobriram que estavam no corredor certo, tinha de haver motivo para o maior numero de guardas por ali. Gabriel deixou o comandante da SWAT ter a liderança, algo tinha o feito perceber que se ele fosse um pouco mais imprudente poderia resgatar seu irmão mas morreria antes de vê-lo.

A semelhança com Dean era implacável. Mais uma vez as memorias do homem de olhos verdes se voltaram para algumas horas atras, ele teve motivos para suspeitar que o capitão tinha ouvido a troca de palavras entre ele e Castiel. Isso explicaria o por que de ele estar agindo como um suicida japonês para protege-lo.

Ele voltou a correr.

Mais uma vez o grupo que tinha se formado se resumia a duas pessoas. Certamente os outros tinham encontrado as salas onde os outros reféns estavam sendo mantidos ou outras coisas tinham os impedido de continuar, mas no momento seguinte em que virou a esquina depois de Gabriel Dean não tinha ninguém em sua cauda.

Eles chegaram a uma especie de refertório. Certamente o comandante já deveria ter passado por ali uma vez que ele tinha dado a volta no prédio, mas ao que parecia o refertório tinha dois corredores comunicantes. Aquilo estava ficando interessante. Ninguém faria dois corredores que levassem ao mesmo lugar o que certamente indicava que eles eram pontos para locais diferentes.

-SOCORRO!

Um grito cortou qualquer outro pensamento que ele poderia ter. O grito foi acompanhado por um palavrão de Gabriel e quando ele olhou sua boca deixou sair as palavras chulas.

Há menos de dois metros de onde ele estava o tenente Chuck Shurley estava correndo desesperadamente em sua direção, ele tinha os olhos completamente esbugalhados e a voz assustadoramente desesperada. Quando Dean prestou mais atenção nele, em uma tentativa de descobrir o porque de um tenente da policia estar gritando feito uma mulher, ele pode ver algo que só tinha visto nos filmes de ficção ou no ultimo episodio de uma serie britânica(17) agarrado a cintura do tenente era um cinto cheio de bombas.

O tal cinto tinha um relógio cujos números verdes gritavam “Falta menos de dois minutos para explodir”.

Dean congelou completamente.

Gabriel já tinha visto isso, aquilo era um aperitivo, a bomba era nada mais do que uma chance para as pessoas de cima fugirem de suas responsabilidades. No começo dessa missão o capitão tinha pensado que seria impossível encontrar Ruby ou Azazel por ali, mas agora, agora que ele via um cinto cheio de bombas amarrado a seu segundo parceiro o parceiro que veio a lhe ensinar que havia vida depois da perda de um parceiro policial ele quase foi tentado a ignorar completamente o homem cheio de explosivos e correr atras da mulher que tinha acabado com sua vida. Ele não fez isso.

Jimmy não iria gostar que ele ignorasse seus novos amigos em prol de uma pessoa que já deveria estar perto de reencarnar e ele não era vingativo a esse ponto, era certo como a soma de dois e dois que ela apareceria mais tarde para completar a sua vingança. Ele teria bastante tempo para pagar por tudo que ela fez.

Sendo assim ele correu para seu parceiro e olhou mais uma vez para os números verdes deixando-se assustar um pouco. Se ele estivesse atento ao resto das coisas que estavam acontecendo ele poderia ver Dean retirando um canivete de dentro do bolso e se movendo para perto deles tendo o comandante ao lado impedindo-o de fazer qualquer estupidez e explicando que esse era o jeito mais idiota de se desativar uma bomba. Ele deveria saber que se alguém tentasse cortar os fios a bomba explodiria, ele era um engenheiro afinal.

Gabriel não estava com tempo de fazer suas piadas de sempre, na verdade desde o dia em que Jimmy tinha sido sequestrado ele não se sentia no clima de fazer piadas, sendo assim, ele simplesmente tateou o corpo de Chuck para encontrar o que poderia servir como um detonador. Claro como a água o detonador não iria estar em um lugar muito difícil, quem tinha dado a ideia para isso não queria ver ninguém morto e sim ter tempo para fugir por algum buraco e escapar deles.

Ele estava certo, trinta segundos depois ele encontrou um celular no bolso lateral das calças de seu amigo. Faltavam apenas vinte segundos quando ele retirou a bateria do velho aparelho e a bomba parou de gritar números verdes. O tenente parecia que ia desmaiar, o capitão não estava impressionado, se fosse ele no lugar de Ruby certamente teria feito o mesmo. A logica por trás do movimento era clara e ele sabia que as chances de ele esbarrar com os criadores da armação estavam reduzidas a valores negativos.

Dean tinha finalmente guardado seu canivete.

Ninguém queria cortar o silencio solene que tinha se formado entre eles, Dean estava preocupado com Sam, o comandante temia por seus subordinados, Gabriel queria encontrar Jimmy e Chuck aparentemente estava com medo de revelar alguma informação. Evidentemente o silencio teve de chegar a seu ultimo suspiro.

As balas foram ouvidas mais uma vez ao longe e depois silenciadas, ao que pareceu o numero quase irritante de lacaios que pareciam se reproduzir tinha chegado a uma taxa controlável. Não havia mais ninguém alem deles naquele corredor estranho e o refertório fazia o eco de suas respiração ser mais do que a simples impressão, eles realmente pensavam que poderiam ouvir os ecos do ar que deixava seus pulmões ou a batida de seus corações carregados de adrenalina.

O tenente parecia aliviado em poder limpar seus óculos com a barra da camisa que estava vestindo. Assim que ele colocou o objeto em seu rosto as palavras deixaram sua boca;

-Eles não me descobriram- ele parecia estar muito contente com esse pedaço de informação- eles apenas tiraram na moeda o nome de dois funcionários para colocar esses cintos neles... Jimmy esta vivo.

Pela forma que ele tinha falado parecia que a noticia de que havia mais uma pessoa carregando uma bomba como aquela era uma coisa básica que se vê todos os dias. Aquilo não agradou nem um pouco a Dean e antes mesmo de ele olhar para o lado ele pode perceber que o comandante Elkins tinha sumido nas sombras, certamente ele estava correndo para desativar o próximo cinto.

-Pera ai, você está sinceramente me dizendo que há mais uma bomba louca come essa que estava amarrada a sua cintura e ainda não entrou em panico? O engenheiro tinha estreitado os olhos verdes e feito uma cara particularmente feia na direção do tenente. Para ele aquelas pessoas eram todas loucas, como alguém poderia lidar com tudo aquilo dessa forma? Ele finalmente entendia porque seu pai e Bobby precisavam tanto do álcool.

O tenente encolheu os ombros.

-Sim, mas a outra bomba está com o temporizador marcado para explodir em um minuto.

Essa não era a melhor resposta que ele poderia ter recebido. Se aquilo fosse um desenho animado japonês Dean certamente estaria com uma gota gigante escorrendo pela sua cabeça.

-Ei Chuck- foi a vez de Gabriel de ficar incrédulo- quanto tempo você acha que se passou?

O tenente ainda parecia muito perdido, era como se ele tivesse envelhecido pelo menos uns noventa anos. Bombas devem fazer isso com as pessoas, para ele o tempo tinha durado muito mais do que passou na realidade externa. Se alguma criança estivesse fazendo uma prova de historia sobre a segunda guerra mundial e tivesse que ler uma questão de cinco linhas era de se esperar que ela nem chegasse na terceira antes de Gabriel apagar as luzes da sala. Vinte e nove segundos não era nada para uma pessoa que estivesse em ambiente escolar, mas para alguém que tinha a sua vida dependendo de um botão parecia uma eternidade, se eles foram contar o tempo da conversa que estavam tendo e soma-lo ao tempo de reação que levou Gabriel a se aproximar de seu amigo eles chegariam a marca de quarenta segundos, se essa marca fosse contada com os quinze segundos em que ninguém tinha aparecido para ajudar o tenente e ele estava gritando louco e correndo feito um avestruz pela fabrica eles descobririam que faltava apenas...

-Pelo amor de Jesus Cristo!- Dean começou a entender como seu namorado se sentia nos ataques de panico- faltam cinco segundos para uma bomba explodir a porra toda e vocês estão brincando de casinha!

Em uma cena que poderia ser cômica- se ela fosse vista por alguém dez mil anos no futuro estudando essa forca-tarefa fora da lei- Gabriel e Charles tinham se entreolhado de forma bastante desdenhosa e dito em uma única voz algo que pareceu um sim. Dean não poderia acreditar no que estava ouvindo, ele pegou o tenente pelos ombros e começou a chacoalha-lo violentamente.

-Nos vamos morrer!

-Não, essas bombas caseiras não tem...

Antes que o tenente continuasse seu raciocínio um barulho incrivelmente alto pode ser ouvido vindo do outro lado do corredor, era mais ou menos a parte da fabrica que eles tinham entrado e Dean tinha imediatamente voltado para a posição de irmão mais velho. Ele estava praticamente surtando por causa do medo de perder seu irmão.

Definitivamente era assim que o homem baixo deveria estar se sentindo por todo esse tempo.

-SAM!

A única coisa que o cumprimentou foi o reboco que caia em direção ao chão.

Ele saiu correndo para onde a bomba tinha explodido.

Tudo estava escuro e o reboco parecia neve caindo em uma noite de inverno. Ele estava completamente desesperado, seus sentidos estavam misturados em um único grito angustiado, um grito cheio de medo e com pitadas de esperança.

Não, ele não poderia perder Sam.

Sendo assim ele continuou correndo.

Quando ele voltou para o grande galpão de onde tinha entrado, que realmente era parte de uma velha fabrica de macarrão, ele viu que o estrago era ainda maior. Ele não entendeu como Chuck poderia dizer que aquela era uma bomba fraca- bem não foi isso o que ele disse, mas Dean tinha certeza que era algo nessa linha- ele estava vendo o telhado que parecia uma quadra exportiva em ruínas e pensou que a única maneira de alguém cujo cinto era uma bomba conseguir danificar o telhado era se essa pessoa estivesse em cima do telhado. Foi um minuto depois que ele viu os restos mortais de um corpo carbonizado e alguns agentes da SWAT caídos ao chão que ele percebeu que era exatamente isso o que tinha acontecido.

O engenheiro poderia tirar o chapéu para os criadores desse plano. A intenção deles era realmente inquestionável.

Ele não se demorou muito com isso, ele tinha um Sammy para encontrar e um outro irmão mais novo para salvar. Ele continuou a correr e deixou seus sentidos encontrarem a alma familiar, seja qual for a situação Dean sempre foi aquele que conseguia encontrar Sam não importa aonde ele se perdesse, era como se os dois fossem imas.

Como era de se esperar seu magnetismo não o decepcionou. Em menos de cinco minutos ele encontrou Sam, o grande homem estava enfiado debaixo de uma mesa cheia de toneis do que parecia ser molho, e que definitivamente não cheirava como molho, o homem de olhos verdes se apressou a ajuda-lo a se levantar certificando-se que Sam não tinha recebido nada mais do que simples arranhões.

Ele estava aliviado, mas algo dizia que ele não deveria estar, a bomba tinha feito um estrago muito maior do que eles esperavam e tinha levado alguns agentes a caírem e sofrerem danos graves. Se ele olhasse um pouco mais atentamente para a esquerda ele poderia ver Jo Harvelle carregando um dos homens do SWAT que tinha uma perna cheia de pedaços de reboco e sangue fresco. A própria detetive tinha um machucado sangrento na testa, mas Dean ainda não estava preparado para ver isso. Ele olhou para Sam- que por sua vez estava preocupado com o ferimento na perna de Dean- e os dois estabeleceram a velha conversa telepática que desenvolveram durante anos, o mais novo dizia que estava bem e muito melhor que o mais velho e que poderia terminar sua missão sem outras ocorrências, o mais velho simplesmente chamava o mais novo de “puta” e reclamou quando este se lembrou que ele tinha fechado os olhos na hora do tiro. Em uma tentativa de dar forças ao outro os dois tinham ignorado completamente a situação entre eles, eles sabiam que a ajuda estava vindo e não seriam uteis ali, e correram para o corredor duplo de onde tinham saído.

Nenhum dos dois se surpreendeu ao perceber que o corredor levava a um outro corredor que em sua ponta tinha uma escada muito assustadora feita de ferro fundido. A total escuridão que ia se formando conforme eles desciam as escadas também parecia se encaixar perfeitamente na situação.

Foi apenas quando eles chegaram ao fim das escadas que eles encontraram Gabriel e seu tenente paralisados diante de uma porta fechada.

Gabriel estava com uma mao na maçaneta da porta, mas parecia que não tinha forças para executar nenhum movimento. Seus ombros eram caídos assim como seus olhos e seu semblante não poderia ser visto na escuridão em que se encontravam, a única coisa que tinha feito com que Sam e Dean descobrissem que apessoa em questão era o capitão de policia da cidade foi o sobretudo bege que ele estava vestindo e sua pistola prateada que emitia uma fraca luz na escuridão.

Se qualquer um deles pudesse enxergar o rosto de seu amigo logo perceberiam que ele estava chorando. As lagrimas escorriam pelas bochechas de Gabriel de uma forma que deixaria qualquer cachoeira orgulhosa.

Ele estava com medo. Muito medo.

-Porque nos paramos?

Era-se de esperar que quem falou foi Dean, ele tinha um certo dom para ignorar cenas solenes e falar o que vinha em sua cabeça. O homem de olhos verdes tinha relaxado o suficiente para colocar sua arma no colide- não era como se alguém estivesse vindo matar todos eles naquele momento- e olhava fixamente para o ponto onde ele acreditava ser os olhos de Sam, o outro Winchester não tinha a minima ideia de como responder a isso, ele sabia que havia algo importante que não tinha sido dito ainda e ele não queria assustar seu novo amigo a ponto de ele não dizer mais nada.

Ao lado dele Gabriel estava suando frio. Sua mao tinha começado a tremer e ele não se sentia mais capaz de segurar a maçaneta, não se sentia capaz de segurar sua arma. O medo estava fazendo com que ele não se mexesse e com que sua frequência respiratória aumentasse.

De repente o capitão pensou que estava em um lugar muito abafado e que todo o ar que sentia deixou seus pulmões, por mais que ele tentasse não era capaz de respirar direito e suas pernas começaram a tremer.

Foi nesse momento que Dean compreendeu o que estava acontecendo.

Em um piscar de olhos o mais velho dois civis estava ao lado do capitão de policia e tinha posto uma mão delicada em seu ombro. Depois de namorar Castiel por cerca de quatro meses e doze dias ele tinha se transformado em um especialista em crises de panico, ele poderia identificar uma a qualquer momento do dia ou da noite e tinha criado uma maneira que estava funcionando particularmente bem com ele e seu amante. Não foi essa maneira que ele utilizou em Gabriel no entanto.

O mais delicadamente possível ele virou o homem mais velho para perto de si e colocou a outra mão no ombro oposto fazendo com que os olhos âmbar encontrassem os cor de musgo. Quando sentiu que a atenção do amigo estava voltada para si ele falou:

-Gabriel, quero que você preste atenção a minha voz tudo bem?

O policial assentiu com a cabeça, ele ainda sentia-se com falta de ar e seu coração parecia que ia explodir de tanto bater em seu peito.

Dean apertou delicadamente os ombros do homem e continuou seu raciocínio, ele sabia que Gabriel era uma pessoa bastante inteligente e lecionar e somente iria perceber o que estava se passando depois que os sintomas fizessem sentido em sua cabeça. Ele começou a pensar que de uma certa forma ele faria o mesmo a Sam por ter a certeza de que seu irmãozinho nerd só entenderia se fosse algo racionalizado anteriormente.

-Seu coração e respiração estão acelerados?

Gabriel balançou a cabeça de novo. Dean não estava surpreso.

-Suas mãos estão tremendo e você esta suando como um jogador de hóquei? Ele bem sabia que não seria legal usar a palavra “porco” nessa situação, depois que o policial balançou a cabeça mais uma vez ele tinha certeza que Sam já sabia onde ele queria chegar.

Ok, ele ainda tinham mais algumas perguntas para fazer:

-Você sente sua boca seca e sua visão escurecer?

Mais um aceno. Dean começou a acreditar que não seria mais necessário fazer essas perguntas, com tudo o que ele tinha já dava para ele esclarecer a mente do outro. Ele respirou fundo e travou seus olhos no de Gabriel.

Os olhos de âmbar ainda refletiam um medo irracional.

-OK, o que você esta tendo, esse conjunto de sintomas é o que chamamos de ataque de panico, acredito que você já sabe sobre isso?- ele recebeu um outro aceno de cabeça, por alguma razão os olhos do policial destemido estava travados aos dele como se fosse uma tabula de salvação- então aqui está o que você vai fazer, eu quero que você respire bem devagar... sinta a sua respiração e não deixe nenhum pensamento ruim entrar, você está seguro e não existem registros de mortes por ataques de panico. Dean tinha dito essa ultima frase porque lembrou-se em um ponto de quando ele e Cas estavam jantando juntos e o professor tinha descrito como era estar nessas crises. O homem que parecia bastante controlado em praticamente qualquer hora do dia tinha relatado a seu amante que a sensação durante esses ataques é semelhante a descrição do inferno. Outra coisa que ele tinha dito era que por algum motivo as pessoas acabam relatando um medo irracional de morrer e uma sensação de estar fora do corpo.

Gabriel fez como lhe foi instruído, ele tentou tomar o controle de suas respirações e começou a deixar o ar entrar de forma vagarosa em seu organismo. Ele poderia ouvir Sam dizer algo como “Cheire a flor e sopre a vela” e não deixou de pensar que definitivamente o cara era uma menina grande, mas nada o impediu de descobrir que aquela era uma estrategia muito boa para reeducar alguém a respirar corretamente. Pouco a pouco ele foi reconquistando o controle de seus pulmões e o ar ia entrando de forma mais fácil e vagarosa dentro de si.

Foi cerca de dois minutos mais tarde que ele sentiu-se competente mais uma vez.

-Obrigado. Ele sussurrou assim que o medo devastador deixou seu ser. Agora ele sabia como seu irmãozinho se sentia.

Os outros três deixaram esse momento para Gabriel se recompor e não ousaram quebra-lo ate o momento em que o policial voltou a colocar sua mão na maçaneta da porta. Todos poderiam ver que o medo tinha dado lugar a determinação.

-O que tem ali? Perguntou Sam em uma voz realmente baixa para ninguém em particular.

O tenente Chuck Shurley o olhou por cerca de alguns segundos e depois voltou seus olhos para seu parceiro, ele tinha um semblante difícil de ser decifrado mas que parecia um pouco com a preocupação. Ele não queria ver seu chefe voltar ao ataque de panico. Mesmo assim ele respondeu ao garoto.

-Essa é a ultima sala desse corredor, por alguma razão ela é distante de todas as outras. Essa é a sala onde Jimmy está.

Ele poderia ter dito mais, ter dito como ele tinha descoberto essa sala e como tinha sido a primeira vez que viu o pintor mas ele resolveu ficar calado. O estado atual de James Novak não seria surpresa para sua pessoa, mas certamente seria algo avassalador para os outros.

Ele temia por seu capitão.

Foi depois de ouvir o que o tenente tinha para dizer que as coisas fizeram sentido para Dean. Ele sempre soube que Gabriel não poderia entrar em panico sem nenhum motivo, mas por sua própria ignorância ele não poderia dizer o que poderia ser, ele nunca poderia imaginar que alguém- mesmo que essa pessoa tenha sido a ex de seu irmão- pudesse manter um outro ser humano em uma sala fechada e distante que ainda por cima era debaixo da terra. Por mais que ele tivesse se acostumado a ver fotos de cadáveres e atestados de óbito de vitimas de Ruby ele não tinha se acostumado a frieza da mulher, qualquer outro sequestrador poderia manter seus reféns em condições melhores.

Uma outra coisa que ele foi capaz de compreender foi o sentimento de Gabriel. Se a situação fosse invertida ele já teria desmaiado ou teria ido sozinho fazer justiça com suas próprias mãos em uma atitude completamente irresponsável. Ele poderia pensar exatamente a mesma coisa que o policial estava pensando e sabia que toda aquela demonstração de ansiedade se dava ao medo de abrir aquela porta e ver com seus próprios olhos que a pessoa pela qual ele arriscaria sua vida não mais andava nesse mundo.

Seria uma dor semelhante a mil facas.

Gabriel voltou sua confiança e seu olhar se perdeu por alguns momentos nas lembranças mais importantes que ele tinha. Um pequeno Jimmy de cerca de doze anos e olhos muito grandes estava sorrindo para ele em seu dia de aniversario, Castiel estava exatamente a seu lado e por mais que os dois eram parecidos ninguém jamais poderia confundi-los por causa da diferença de fisionomia. Jimmy sempre tinha sido risonho e feliz não importa a ocasião, ele apenas chorava se fosse provocado ou se estivesse sozinho com pessoas estranhas ao contrario de Castiel que era sempre estoico e inteligente e que tinha assumido uma vida mais adulta da que deveria para ajuda-lo a fugir e a cria-los (se é que em algum momento o capitão achava isso possível, Castiel parecia mais a mãe de todos eles do que qualquer outra coisa), entre uma palma e outra Jimmy tinha dito sua primeira palavra, a primeira palavra que deveria ter vindo muito antes e que tinha sido motivo de desconfiança de muitos vizinhos e o fator motriz para eles terem deixado seu lar, Gabriel poderia se lembrar de que mesmo antes de descobrirem que ele era retardado mentalmente sua mãe não demostrava amor nenhum por qualquer um dos gêmeos e desprezava completamente as necessidades especiais de seu filho cego, o menino que futuramente se tornaria um pintor mundialmente conhecido tinha agarrado as mãos dele nas suas e disse em uma voz que surpreendeu as expectativas:

-Força Gabriel.

Aquela palavra acompanhada por seu nome tinha feito Gabriel tremendamente feliz, tinha dado a ele esperança de viver e de continuar a cuidar de seus irmãos, tinha lhe dado a garantia de que ele estava fazendo a coisa certa e que a luz seria encontrada no fim do túnel.

A voz de Jimmy ecoava dentro de sua mente de uma forma calmante. Nunca ele encontraria uma sabedoria mais clara que a que seu irmão tinha, nunca um acadêmico poderia reproduzir a fé e esperança por trás de olhos inocentes. Gabriel pode sentir a força voltar para dentro de seu coração e a esperança se infiltrar por seus ossos. Ele estava pronto para abrir a porta.

E foi isso o que ele fez.

A escuridão foi tudo o que o cumprimentou.

Castiel tinha acordado de seu sono tortuoso, seu corpo estava completamente encharcado de suor e ele não se sentia na melhor das forças, tudo nele parecia dolorido e tensionado, seus muculos choravam de dor e seus olhos não queriam abrir.

Ele gritou por Jessica.

Mesmo que seus olhos eram completamente inúteis desde o dia de seu nascimento ele gostava de mante-los abertos, seu pai tinha dito que as pessoas gostariam de olhar para a imensidão azul que eles eram e que os olhos eram a forma mais verdadeira de se conhecer uma pessoa. Mesmo que ele nunca veria olho algum ele queria que as pessoas o vissem e passou a se acostumar a manter os olhos abertos como se fosse uma pessoa vidente.

Jessica tinha chegado em um minuto e Danny estava logo atras dela, ele poderia saber disso por causa do barulho inconfundível da cadeira de rodas rolando pelo chão de madeira de seu apartamento. De alguma forma milagrosa a presença da criança tinha o feito seguro, seus olhos se abriram um segundo depois e ele pode sentir a sua amiga colocar uma mão delicada em seu rosto e traçar as suas linhas com os dedos cuidadosos. Ele sabia que era assim que ela acalmava Jimmy depois de um pesadelo e não pode deixar de sorrir com isso, a mulher era definitivamente uma cuidadora nata, as pessoas a tocavam de uma forma única e ela deixava suas próprias marcas nas pessoas.

O menino tinha saído de sua cadeira de rodas e se empoleirou na cama ao lado dele.

-O que foi Cas? Os dois disseram em unissonismo.

-Eu tive um pesadelo... só um sonho muito ruim.

Ele poderia sentir seu coração acelerar e respirou profundamente na antecipação, ele não queria vomitar em cima da criança ou de Jessica. A mulher por sua vez tinha beijado-lhe na testa.

-Está tudo bem, eu estou aqui.

Eles ficaram ali por cerca de um minuto quando a inquietação de Danny venceu o silencio. O menino tinha colocado- com muita dificuldade devido a sua quase inexistente coordenação motora- sua mãozinha em cima da mão de Castiel e tinha apertado delicadamente, o tempo todo ele mantinha os olhos bem treinados no namorado de seu pai.

-Você sonhou com uma sala escura feita de carpete mofado com um cheiro terrível de xixi e coco e com o ar completamente quente?

Castiel e Jessica estremeceram com a descrição do menino, mesmo sem palavras poéticas e complexas a criança de oito anos tinha colocado uma emoção enorme no que dizia.

-Eu não posso ver Danny, meus sonhos não tem as mesmas características que os seus. O menino parecia envergonhado e Cas poderia perceber isso por causa do pequeno aperto que Danny tinha dado em sua mão, era como se ele tivesse pedindo desculpas por esquecer que ele era cego. Essa não tinha sido a primeira vez que alguém tinha agido daquela forma para ele. Castiel se sentia feliz, ele não desejava que as pessoas tratassem-no o tempo todo como o cara cego que dava aulas de historia.

-Ah... o menino disse em uma voz murcha e abaixou seu olhar.

Castiel acariciou os cabelos de ouro. E sorrio, ele estava voltando a ficar calmo.

-Isso não quer dizer que eu não estive nessa sala. Eu não poderia saber sobre o carpete ou sobre a sala em si, mas em meu sonho eu pude sentir um cheiro muito forte de fezes e urina, uma pitada de sangue e mofo e o ar realmente estava quente e abafado.

Danny tinha arregalado seus olhos verdes. Ele estava certo em seu primeiro pensamento, eles tinham ambos ido durante o sonho ao local onde Jimmy estava.

Lisa tinha aparecido no umbral da porta, a menina tinha os olhos cansados e cheios de ramela mas seus semblante dizia claramente que ela tinha de participar dessa interação.

-Por que você iriam para uma sala com cheiro de xixi e mofo?

Jessica se perguntava a mesma coisa, mesmo assim ele não ousou interromper o trem de pensamentos. Ela sabia muito bem que Danny tinha o mesmo mojo que seu protegido embora em um nível um pouco inferior.

Danny respondeu a sua irma sem nem ao menos pensar, ele tinha se lembrado de tudo o que viu em seu sonho e poderia dizer exatamente o que ele tinha ido fazer por lá.

-Por que é lá onde Jimmy está! Eu posso ver papai e tio Gabriel, eles o encontraram.

O coração de Castiel tinha acelerado mais uma vez, só que agora era de felicidade.

As crianças voltaram para a cama pouco depois dessa conversa, mesmo sabendo que eles não precisariam ir a aula na outra manha- Dean tinha sido claro em querer passar o resto do dia com seus filhos caso ele voltasse- Jessica não iria deixar que eles ficassem o resto da noite sem dormir e tratou de argumentar com Lisa dizendo-lhe que se ela ficasse acordada ela não estaria de bom humor para ficar com seu pai e nem para ver Jimmy quando ele voltasse. A menina poderia dizer quando ela perdia um argumento e voltou para a cama obedientemente ajudando seu irmão no processo.

Jessica apenas esperava que Jimmy voltasse são e salvo para onde ele pertencia.

Não durou muito tempo para ela perceber que com a saída das duas crianças Castiel tinha voltado a seu estado de ansiedade. O homem de cabelos negros estava tremendo e suando mais uma vez como se um interruptor tivesse sido acionado. Ela colocou uma mão reconfortante no ombro de seu amigo e esperou que ele se acalmasse.

Naquela noite parecia que os exercícios de respiração não estavam dando certo.

-Cas? Ela perguntou com sua voz de veludo, preocupação tingia seu rosto.

-Jess, banheiro!

Ela se apressou a guiar o homem que lutava para não vomitar em seus chinelos ao banheiro que ficava a apenas cinco passos dali. A suit de Castiel era definitivamente a mais arrumada da casa e a que sempre tinha sua porta aberta.

Os flashs do sonhos que acabara de ter estavam voltando com a força total a Castiel, ele podia sentir o ar quente e abafado do local e pode ouvir sons de passos se aproximando- o que o ajudaram a saber que ele realmente estava em uma sala a partir da reverberação do som- tudo o assustou de uma forma bruta e ele não pode deixar de vomitar.

Ele era incapaz de afastar a lembrança de uma musica que Gabriel sempre cantava para ele durante os ataques de panico mais insistentes e começou a cantar baixinho sendo acompanhado por Jessica.

Eles cantaram a primeira estrofe assim que os vômitos deixaram seu corpo.

-Hello darkness, my old friend
I've come to talk with you again
Because a vision softly creeping
Left its seeds while I was sleeping
And the vision that was planted in my brain
Still remains within the sound of silence

Castiel não poderia deixar de perceber como a musica tinha a ver com toda a situação e pensou que de alguma forma uma força divina estaria olhando para eles naquele exato momento.

O que ele não sabia era que em Van Nuys seu irmão mais velho estava cantando exatamente essa musica para ter forças e continuar andando dentro da sala escura e mal cheirosa.

Gabriel tinha chegado mais perto da única forma que ele poderia ver na escuridão, o corpo de seu irmão estava deitado de costas para ele e imóvel. Medo se instalou mais uma vez por seu ser e todas as perguntas ecoavam em sua mente apagando por completo a esperança. E se Jimmy estivesse morto? E se todo o esforço que eles fizeram fossem em vão? Ele perderia o emprego e veria muitas pessoas sofrerem por sua demora. Jessica iria chorar, Cas estaria incontrolável, Danny iria perder seu sorriso fácil que sempre usava com Jimmy e Lisa daria a ele uma bronca muito bem feita sobre como não ser um idiota na próxima vida.

Antes que ele entrassem em um outro ataque de panico Dean colocou uma mão firme em seu ombro, o engenheiro tinha feito sua atenção desviar completamente e quando ele olhou para os olhos verdes de determinação ele não poderia estar mais contente por seu irmãozinho ter finalmente encontrado o cara certo.

Sem nenhuma palavra o Winchester tinha dito que tudo daria certo. Mais uma vez Gabriel se viu duvidando da famosa frase de Bob Marley.

Na tentativa de acalmar seus nervos ele resolveu cantar o que já estava cantando em sua mente.

Ele não tinha percebido que tinha colocado o colarinho do casaco de chuva bege próximo ao nariz para usar como uma barreira contra o cheiro forte. Ele apenas cantava:

-In restless dreams I walked alone
Narrow streets of cobblestone
'Neath the halo of a street lamp
I turned my collar to the cold and damp

De alguma forma bastante estranha a musica dava a ele forças para tirar os pês do chão e ele conseguiu dar passos- mesmo que pequenos- na direção do corpo deitado. Dean estava exatamente a seu lado e também cantava a musica.

Ele continuou cantando:

-When my eyes were stabbed
By the flash of a neon light
That split the night...

Finalmente ele estava do lado de seu irmão, do lado da pessoa que o tinha feito passar noites sem dormir e que o fez pensar seriamente se deveria ou não dar um tiro na cabeça de seu comissario. Gabriel ainda estava na terceira estrofe desse verso quando ele se ajoelhou diante do corpo supostamente adormecido- ele não queria nem imaginar na possibilidade de morte- de Jimmy quando ouviu em uma voz massacrada e rouca cantando a continuação da mesma:

-And touched the sound of silence.

Seu coração tinha batido tao rápido que parecia ter parado completamente e mais uma vez lagrimas escaparam pelos olhos do policial destemido.

Notas finais
A musica que Gabriel cantou nesse capitulo é THE SOUND OF SILENCE de Simon e Garfunkel e sua tradução pode ser encontrada pelo google.
Me digam o que acharam XD
Mandy