When You Have A Killer In Your Tail
8 Capítulo 8Quando se quebra um código
Notas iniciais
Espero que esteja agradável, pois o próximo só irá sair Deus sabe quando.
Aulas voltaram e eu tenho muita coisa para fazer.
Era uma segunda-feira, dia vinte e um de novembro, e os raios de sol tinham acabado de beijar a terra mas ninguém ali estava interessado em poesia ou em prestar atenção ao espetáculo da aurora. Todos estavam reunidos na mesma sala de estar onde tudo tinha começado- a sala do apartamento 3A da Pine Street- e os presentes mantinham seus semblantes livres de qualquer expressão, ninguém queria ser o primeiro a deixar-se transparecer.
Naquela sala estavam: um capitão, um tenente, uma detetive, um engenheiro, um advogado e- por mais estranho que possa parecer- um taxista. Este ultimo se chamava Balthazar e, pelo que os policiais estavam dizendo- era o homem que mais tinha ligações com “fontes” da cidade.
Para variar Dean não tinha gostado dele. Seus olhos pareciam maliciosos demais para um taxista que só queria ajudar...Ele era a pessoa que definitivamente não poderia fazer comentários sobre conexões estranhas e pessoas que conhecem ambos os mundos, pois ele tinha visto de tudo em sua vida, mesmo assim tinha algo sobre esse cara que o fazia manter dois passos atras. De alguma forma ele sentia que não era o único a ser arisco. Jo não dirigia sua palavra em momento sequer a ele e Gabriel parecia ter se arrependido de convida-lo para essa pequena festa.
O pior era que independente do clima que esse homem estivesse causando ele era extremamente necessário, se houvesse uma outra pessoa capaz de encontrar algum assassino de aluguel e faze-lo falar sobre os trabalhos mais recentes ou pegar informações de contrabandistas eles certamente chamariam essa pessoa. Na vida real a única pessoa em toda a São Francisco que poderia conseguir essas proezas sem ser morto no final era esse taxista, alguns diziam que era porque ele nunca chamou a policia nas vezes que os assaltantes roubavam seus clientes e outros especulavam que ele era um filho renegado de algum chefe da mafia. A verdade porem ninguém sabia.
O que ele estava trazendo para essa sala era definitivamente uma das coisas mais interessantes que a policia poderia ouvir sobre o caso Novak- do jeito que a investigação oficial ia nenhum policial saia do lugar e eles começaram a olhar para Gabriel com pena- ao que parece houve a dois meses atras uma campanha que estava tendo como vetor mulheres atraentes vestindo pouca roupa e cuja intenção era atrair pessoas para trabalho de segurança particular.
Gabriel tinha estreitado seus olhos:
-Porque você diz que essa campanha é estranha, fora o fato das mulheres?
Balthazar, que estava se servindo de uma xícara de chá verde e tinha os olhos bem treinados em uma das telas pintadas por Jimmy, simplesmente olhou para os olhos do policial e disse em uma voz sarcástica:
-Porque colocar as vagas de trabalho nesse tipo de mídia atrai candidatos ótimos.
Foi doloroso, mas todos tinham de admitir que ele tinha razão. Gabriel passou a mão em sua testa na antecipação do que seria um longo dia, se ele não estivesse passando do desesperado para resgatar seu irmão babe e se as ordens de Zacarias fossem inteligentes e seguissem uma trilha certa ele poderia até pensar que não era necessário ter essa conversa, infelizmente era. Toda vez que ele olhava para o miserável ele não mudava um milimetro de sua posição, sempre olhando o quadro que Jimmy tinha pintado como se estivesse avaliando os pros e contras de rouba-lo. Os olhos dele tornaram-se âmbar liquido em um instante.
Como sempre, era a vez do tenente para interferir. Chuck tinha uma personalidade muito estranha e sempre quando via alguém brigando ele tinha de fazer alguma coisa para parar as pessoas, a maioria do departamento pensa que por causa disso o tenente não trabalha na divisão de crimes domésticos e ele tinha certeza desse fato.
Ele fez um som com a garganta para atrair a atenção:
-Muito bem, nos sabemos que é assim que os traficantes de órgão escolhem suas vitimas- ele odiava saber disso- mas o que poderia indicar que é um trabalho de Ruby? Por todas as coisas pode até ser que o negocio seja legitimo.
Definitivamente aquela pergunta era interessante. Balthazar tinha de arranjar uma maneira de sair dela sem falar mais do que o necessário. Não, ele não tinha nada a ver com aquela mulher ou o trabalho doentio que ela estava fazendo, mas ele não poderia quebrar seu código.
Ele continuou tomando seu chá enquanto observava discretamente Dean Winchester com a rabo do olho. Ele sabia que o professor iria arranjar um outro namorado logo, mas nunca pensou que fosse alguém extremamente oposto a seu irmão. Isso o fez pensar que ele, o cara de olhos verdes, provavelmente não sabia de nada sobre seu irmão mais novo e as aventuras amorosas com Castiel e ele quase sorriu. Uma otina fonte de lucro poderia vir dessa descoberta, mas ainda assim ele precisava ter calma. Ninguém iria chantagear um cara que tinha o irmão retardado nas garras de Ruby.
Ele resolveu voltar para a pergunta:
-Porque um dos mendigos que tinha conversado com a mulher gostosa dos panfletos precisou dos meus serviços para levar a mãe doente ao hospital e ele me disse que nunca acreditou que alguém chamaria ele para um serviço de segurança que nem ao menos precisava de entrevista.
Castiel pensou que aquilo estava ficando cada vez mais interessante. Mesmo que ele ainda estivesse receoso quanto a presença daquela pessoa ali ele sabia que Balthazar não tinha nada a ver com tudo o que lhe tinha acontecido, seus olhos azuis se fecharam por um instante e ele tentou formar alguma sentença clara na sua cabeça, ele sabia que tinha algo faltando e poderia sentir que o taxista não estava lhe dizendo algo importante, mesmo assim ele continuou ouvindo até que os sinos tocassem em sua cabeça. Seja o que for que o seu antigo cunhado estivesse escondendo ele iria descobrir.
Depois de um tempo um silencio se fez na sala, Castiel poderia imaginar que algo tinha acontecido mas não poderia dizer o que. Sua cabeça se inclinou na direção de Dean e o mecânico não tardou a responder seu pedido silencioso.
-Ele está entregando um panfleto a Gabe Cas.
O professor acenou com a cabeça e apertou discretamente a mão de Gabriel, o capitão pediu desculpas pelo seu breve esquecimento e se apressou a descrever o que estava no papel. Na realidade era uma impressão comum, feita em qualquer gráfica da cidade com letras em preto que diziam: “Deseja arranjar um emprego mais não sabe como? Venha para Van Nuys e fale conosco, encontre uma van igual a essa. Cargos que procuramos: segurança, cozinheiro e faxineiros” do outro lado da folha havia uma observação dizendo que não era necessário experiencia e entrevistas para o cargo não seriam feitas, ou seja, simplesmente dariam o emprego a quem chegasse em Van Nuys primeiro.
Sam tinha achado o panfleto parecido demais com algo que ele já tinha visto, mas por mais que ele forçasse sua memoria não era capaz de se lembrar de onde. Provavelmente era algo que ele tinha visto em um de seus julgamentos enquanto defendia ou acusava alguém. Ele pegou o papel e começou a analisa-lo por si mesmo, deveria ter algo que eles estavam perdendo e ele queria fazer uma vistoria mais profunda.
-Bom- disse ele depois de ler exatamente a mesma coisa que seu vizinho- pelo menos temos um lugar para começar...- suas palavras foram interrompidas abruptamente quando ele encontrou do outro lado da folha uma linha de palavras escrita em letras minusculas, ele ficou pensativo por um instante-De onde eu conheço esse nome? Rose Cook, me parece familiar.
Castiel se levantou em um minuto, sua fisionomia estava completamente transtornada, seu rosto era retorcido e sua boca estava em uma fina linha. Qualquer um que o conhecia bem podereis saber que ele estava com muita raiva nesse momento. Quando ele voltou a se sentar ele falou em uma voz baixa e profunda que revelou todo o ódio que estava sentindo.
Se um dementador(13) tivesse voz aquela seria a voz que ele usaria para saber o nome de suas vitimas antes de dar o beijo e sugar sua alma para sempre. Dean não deixou de se arrepiar com isso, definitivamente ele não queria ser a pessoa para quem seu namorado estivesse usando essa voz assustadora.
-Aquela filha da puta. Nesse momento até mesmo Jo- que era bastante acostumada a ver pessoas xingando perto dela (principalmente porque ela cresceu com uma mãe perita criminal que era especialista em corpos desfigurados)- tinha se impressionado com a gama de raiva que saiu daquelas palavras. Era raro ouvir Castiel falar mal de alguém e era mais raro ainda ver ele usar palavrões.
Gabriel pensou que ele tinha perdido algo, definitivamente ele deveria saber quem era essa mulher mais por tudo que era sagrado ele não se lembrava desse nome. Ele pós uma mão reconfortante no ombro de Castiel e esperou que ele terminasse sua sentença.
O professor estava bastante grato pelo apoio e colocou a sua própria mão em cima da de Gabriel e acariciou cada um dos dedos com os seus antes de voltar a falar:
-Rose Cook é o nome da curadora da Minna Gallery onde os quadros de Jimmy foram expostos e onde estávamos antes de tudo acontecer.
Se o ar pudesse ser cortado com uma faca naquele momento ele poderia ser partido em mil pedaços. Nesse instante todos os demais- menos Balthazar que ainda observava o quadro pintado a tinta acrílica- estavam se lembrando da Mulher de cabelos pretos curtos andando de um lado para o outro pela galeria na noite em que tudo tinha ido por água abaixo. Sam poderia se lembrar de que Jessica tinha lhe dito que durante duas semanas a mulher estava insistindo em falar com jimmy sozinha, ela dizia que a mulher estava apenas sendo irritante e incompreensiva quando ela (Jessica) tinha sorrido educadamente e dito em uma voz bastante controlada que Jimmy não gosta de andar em lugar algum com pessoas desconhecidas. Depois disso a mulher se calou e eles permitiram que Jessica o acompanhasse na previa da exposição. Vendo as coisas por um prisma novo, que era saber que a mulher estava envolvida com pessoas perigosas, eles poderiam até ter certeza que se Jessica não tivesse o tempo tudo com Jimmy ele teria sido sequestrado meses antes logo na primeira exposição dos desenhos de James Novak.
-Santo... a voz de Gabriel tinha sumido e ele tinha compartilhado um olhar para o seu tenente, os olhos de Chuck estavam cheios de tristeza pois ele sabia que se seu comissario pensasse em entrevistar pessoas duvidosas como eles estavam fazendo Jimmy poderia ter sido encontrado muito antes- agora realmente temos por onde começar.
Balthazar tinha terminado sua xícara de chá, ele iria deixar aquela pintura bonita em paz só porque ele não queria deixar as coisas piores do que já estavam, por tudo que ele era chamado ele poderia dizer que nunca tinha sido uma pessoa sem coração. Aquelas pessoas diante dele mereciam coisa melhor do que ter um irmão querido sequestrado. Por mais que ele soubesse que acabaria por entrar na delegacia sem prazo de volta quando descobrirem que ele sabia mais do que deixava transparecer ele se manteria um menino comportado em memoria ao sofrimento deles. Ele bem sabia que enquanto eles estavam ali discutindo sobre operações fora da policia o pintor poderia estar muito morto. E de alguma forma tudo o fazia se lembrar de seu irmão e de como os dois eram diferentes. Balthazar roubaria artefatos até mesmo do ceu mas jamais machucaria inocentes.
Ele se levantou e deixou a xícara na mesa redonda da cozinha. Ele poderia sentir os olhos de todos em suas costas:
-Bom, foi um prazer ajudar vocês com a ovelhinha perdida, mas papai aqui tem de ir embora. Os táxis não se dirigem sozinhos. Sem mais uma palavra ele fechou a porta atras de si e sumiu para o novo dia.
Jo estava indignada;
-Nos vamos deixa-lo fugir assim? Suas mãos estavam em seus quadris e ela olhava de forma penetrante para seu superior que estava em uma conversa telepática com Castiel.
Foi o tenente quem quebrou o silencio. Ele estava mais uma vez ajeitando seus óculos e tinha uma voz muito devastada, parecia que toda a fé que estava depositada no Comissario Alder tinha sumido.
-Temos de deixar Harvelle. O homem ajudou mais do que a força tarefa inteira.
Todos tinham de concordar com isso.
Pelo menos a esperança que tinha se perdido em um mês, três semanas e um dia estava voltando para as veias de cada um deles.
Na delegacia de policia de São Francisco o sargento Turner tinha acabado de começar seu turno. O homem não tinha nenhuma esperança de que o dia seria promissor pois da forma como seu comissario estava liderando os detetives nada de bom tinha chegado a eles. Todos os casos pareciam estar estacionados, os detetives estavam sem animo para fazer seu trabalho e todos poderiam dizer que tinham perdido seu capitão. Com o humor sempre brincalhão de Gabriel, as apostas para ver quem resolveria este ou aquele caso, as brincadeiras e post-it com os nomes dos detetives homenageados (que sempre ganhavam frutas por terem escolhidos as teorias mais sem noção para explicar a morte de alguma vitima) e os jogos de dados que faziam para ver quem seria o azarado a falar com os parentes dos cadáveres ninguém se sentia desmotivado a trabalhar em um ambiente onde a morte e as piores características da humanidade eram parte da paisagem. O capitão ainda fazia missas em nome de cada vitima e dizia que um bom policial nunca deveria tratar a morte e a podridão das pessoas que cometiam crimes como eventos do dia a dia: “É aqui que cada um vai aprender a amar o próximo”, o sargento se lembrava das palavras que seu superior usava para cumprimentar os novos policiais que entravam no serviço depois de dois anos na academia.
Tudo o que ele poderia ver agora era um bando de pessoas que trabalhavam como robôs. Cada um dos homens e mulheres que ele conhecia tinham olhos roxos de sono e ele poderia jurar que eles estavam tentando achar algo que pudesse trazer seu capitão de volta. Teve até uma jovem oficial- especialista em armas pesadas que era uma das melhores atiradoras da força- que tinha praticamente implorado para o comissario Alder voltar com seu decreto. Ela estava quase de joelhos e dizia que do jeito que as investigações estavam ninguém nunca encontraria Jimmy Novak, tudo o que Zacarias fez foi olhar para ela e dizer que ela tinha desrespeitado uma autoridade.
A pobre mulher tinha sido obrigada a lavar privadas por cerca de dois meses. Era isso ou perder sua patente.
O sargento suspirou. Toda vez que ele entrava no andar onde a equipe de Homicídios e pessoas desaparecidas trabalhava ele via aquele cavalete com a foto de Jimmy, ironicamente a sala reservada para a força tarefa e a inteligencia era a menor sala. O comissario poderia se importar menos com isso. Ele continuou andando até a sua sala e não pode deixar de reparar a mulher lésbica querendo falar com ele.
-Hey Charlie! Ele não era a pessoa mais preconceituosa do mundo, simplesmente achava que ela era bonita para gostar de mulheres- O que temos aqui?
Como sempre a hacker estava debruçada sobre os computadores, ela tinha unhas vermelhas e estava roendo-as, ele apenas fazia isso quando estava em um caso complexo.
-Alguém invadiu o nosso sistema- sua voz não tinha um tom histérico como deveria ter, o sargento achou aquilo ainda mais intrigante- Seja quem for ele quer falar com o Capitão Novak.
Definitivamente aquilo era estranho. O sargento ergueu uma sobrancelha.
-Ele diz- Charlie nem ao menos esperou uma reação maior de seu superior, ela estava frenética- que tem informações de James Novak.
Antes que a mulher pudesse falar qualquer outra coisa o computador foi invadido por um arquivo de texto onde podia-se ler algumas informações sobre Jimmy, estava escrito:
“James Novak, 35 anos, olhos azuis e cabelos negros. Ele tem inteligencia inferior a media, prefere comidas picantes a doces e seu tipo sanguíneo é o B+.”
Rufus sorriu por um minuto, sua incredulidade era sempre sua marca, ele se virou para ver se não havia mais ninguém perto deles e se sentou ao lado da mulher:
-Não há nada que não esteja na Wikipedia. Ao que parecia a hacker também pensava assim.
Como se a pessoa do outro lado da conexão estivesse observando-os mais um artigo de texto apareceu na tela, ele era acompanhado por um artigo do autor, seja quem for que estivesse escrevendo aquilo ele sabia que os policiais não tinham acreditado nas suas informações e Charlie estava nesse momento tentando rastrear de onde a pessoa estava enviando-lhes. Antes que o outro artigo de texto fosse aberto ela conseguiu o endereço:
-Ele está em um Wal-mart na segunda esquina da avenida Valência.
Discretamente o sargento anotou o local indicado. Assim que ele pudesse ele investigaria isso, mas antes que ele voltasse para seus afazeres a mulher a seu lado tinha soltado uma exclamação o que era bastante incomum vindo dela.
-Eu acho melhor o senhor ler isso. E ela tinha virado a tela negra para que seu superior pudesse ver. Turner não acreditou no que seus olhos estavam vendo e em um instante agarrou seu telefone celular e discou o numero que ele conhecia de cor. Seu capitão precisava saber disso.
Menos de quatro minutos depois Novak, Turner, Shurley e dois Winchesters invadiram a pequena loja. Cada um deles estava com uma arma apontada para um homem negro cujos olhos demonstravam panico assim como as demais pessoas da loja.
A sorte de todos foi o tenente Shurley; como sempre sua sensibilidade foi a única coisa que impediu Gabriel de pegar o homem pelo colarinho e espanca-lo até obter respostas. Ele conseguiu fazer as pessoas em volta se acalmarem, mostrou seu distintivo ao homem sentado na cadeira do computador e em poucos segundos foi guiado para uma sala vazia onde pudessem conversar. A sala em questão era uma sala onde os funcionários descansavam, os pobres coitados que estavam ali depois de terem virado a noite fazendo a segurança do lugar tinham sido expulsos como cães.
Ao entrarem cada um deles tomou um acento na mesa que por mais curioso que possa ser tinha a forma exata de um hexágono. O homem negro estava exatamente diante do capitão de policia e um suor frio saia de sua face, ele não tinha a minima ideia do que eles poderiam querer com ele e por alguma razão chegou a pensar que o problema era com seu irmão mais novo... Vendo o nervosismo do homem Gabriel resolveu tomar o caminho lento, ele fez os exercícios de respiração que uma das psicologas da policia o tinha ensinado e falou quando sentiu sua raiva sumir;
-Segundo a dona do computador que você invadiu seu desejo era falar com o capitão Gabriel Novak, estou correto?
O homem assentiu com a cabeça, aquilo o deixou mais nervoso ainda.
-Você pode falar agora- Gabriel estendeu uma mão e percebeu que o homem olhava para sua gravata pintada com um dos desenhos de Jimmy- Sou Gabriel Novak.
Por um momento ele tinha ficado paralisado, em todos os anos que conheceu as pessoas de sangue azul- por causa do idiota do seu irmão mais velho- ele nunca tinha ficado cara a cara com o chefão da policia, as vezes ele via os agentes da condicional ou até mesmo alguns oficiais mais o homem diante de si- o cara que tinha virado o capitão mais novo a receber o título e tinha umas quatro medalhas de honra- parecia completamente diferente de tudo o que ele já tinha ouvido. Gabriel Novak estava usando um terno negro e uma gravata manchada de tinta totalmente ridícula, se isso não bastasse o homem de olhos castanhos ainda tinha um pirulito em forma de coração nos lábios. A única coisa que o tinha feito frear antes de rir descontroladamente foi o brilho intenso de seus olhos, era como se o homem diante dele pudesse matar apenas com aquele olhar.
Dean poderia descobrir o que o homem negro estava pensando sem que o minimo esforço fosse empregado. Ele sabia reconhecer uma pessoa que estivesse agindo igual a si e acabou por falar antes que pudesse pensar um pouco mais sobre o assunto:
-Olha- disse ele com uma voz simpática- eu também pensei que só porque ele chupa pirulitos e usa essas gravatas manchadas de tinta que ele seria um idiota, mas depois você percebe que por baixo dessa aparência de prego ele é mesmo um bom tira.
Se Sam pudesse colocar a cabeça em um buraco ele o faria. Quando olhou para Dean ele mostrou seu sorriso que dizia “Muito madura de sua parte Dean” e foi recebido com um chute em sua canela por debaixo da mesa. A única coisa que Gabriel conseguiu dizer foi que sua gravata não estava manchada de tinta.
-Isso é uma pintura abstrata seu retardado!
Nenhum dos dois- Dean e o cara que tinha invadido o computador da delegacia- estava convencido sobre isso, para eles um monte de cores espalhadas sobre figuras disformes eram manchas.
Com isso o clima pesado tinha se dissipado e o homem resolveu se apresentar:
-Meu nome é Raphael Rodriguez e sinto muito por ter invadido seu computador- ele realmente parecia sentir, Sam imediatamente tinha pensado que o homem queria mesmo era estar livre de tudo aquilo- mas me pediram para fazer isso.
-Te pediram para invadir os computadores da delegacia e colocar informações sobre Jimmy? Sam estava confuso, ele não entendia quem poderia pedir algo assim.
-Na verdade...- era Raphael de novo- me pediram para encontrar de qualquer forma o capitão Novak e dizer que o irmão dele está vivo. Eu escolhi fazer tudo do meu jeito porque eu tenho medo de entrar na delegacia.
Ninguém estava interessado em ouvir a historia da vida pessoal de Raphael para descobrir o por que do medo de entrar na delegacia, Turner estava com um mau pressentimento sobre aquilo tudo e não conseguia deixar de ver a cena que tinha aparecido no computador de Charlie.
-Quem era essa pessoa?
Raphael não tinha gostado dessa pergunta, por um momento ele pensou que eles iriam sair correndo e atirando quando encontrassem o cara. Mesmo assim ele respondeu:
-Não sei seu nome, era um homem ruivo que veio comprar mantimentos aqui por volta das dês horas, ele parecia assustado e olhava de um lado para o outro pensando que alguém poderia estar vendo ele. Se você quiser minha opinião eu o achei paranoico.
-Deixa eu ver se entendi- Dean estava começando a perder sua paciência, ele tinha deixado Castiel na faculdade e o pobre estava completamente esperançoso, se isso fosse mais uma pista falsa ele não sabia o que faria- Um cara doido entra do nada na sua loja e te pede para encontrar o capitão de policia e você simplesmente faz isso mesmo sem saber do que ele está falando?
Raphael abaixou a cabeça, ele estava com muita vergonha e imediatamente não tinha gostado do homem de olhos verdes.
-Sim e não- ele deixou escapar- eu ajudei o próximo assim como a bíblia diz para se fazer ele era meio paranoico porque dizia que tinha pessoas o observando e parecia completamente desesperado. Ele dizia que era assunto de vida ou morte e que eu tinha de saber sobre James Novak.
Isso deixava uma margem para a resposta que Turner queria ouvir, provavelmente a única coisa que o homem diante de si não tinha pego na Wikipedia sobre Jimmy era o que ele escreveu no segundo artigo de texto. Gabriel precisava ouvir o que tinha lá.
Gabriel estava um pouco tenso, algo dizia que ele não deveria ouvir as próximas palavras daquele homem, algo dizia que ele iria querer atirar para maar quando ele encontrasse Ruby e ele tinha medo desse sentimento. Mesmo assim ele ficou calado como todos os outros da sala e esperou Raphael concluir o que estava dizendo:
-Antes de ir embora- na verdade o homem ruivo tinha praticamente corrido de sua loja, mas ele preferiu não dizer isso- ele me disse que Jimmy estava desistindo, ele disse que ele tinha pesadelos todas as noites e perguntava se era um espirito de porco encarnado.
Dean poderia ver a palidez que se intalou na pele de Gabriel, mas por tudo o que ele poderia pensar ele não via o que tinha de assustador nisso, olhando para o seu irmão ele viu os olhos de Sam caírem um pouco o que mostrava que pelo menos o gigante tinha compreendido. Ele não deixou de perguntar, mesmo que soubesse que não seria uma boa ideia, o que era um espirito de porco encarnado.
-Na bíblia- começou Sam com um tom muito frágil- Jesus retirou demônios do corpo de um homem e os colocou em porcos, há também uma passagem que Deus diz a Moisés que os porcos são animais impuros.
Gabriel tinha os pensamentos voltados para os tempos de infância. Ele não queria contar a pessoas sofredoras como os Winchesters sobre sua mãe e como ele chamava os gêmeos, mas ele não tinha escolha. Quando Turner ligou para ele e disse que o computador tinha um dialogo onde Jimmy dizia ser um espirito de porco ele começou a ver tudo em vermelho e sem nem ao menos pensar jogou uma arma para Sam e outra para Dean e pediu a eles que os acompanhassem. A única coisa que o impedia de se achar um irresponsável era a lembrança de uma conversa com Castiel onde seu irmão cego tinha lhe dito que seus vizinhos sabiam muito bem manipular armas. Ele levantou delicadamente o olhar e ficou-o em um ponto da sala que não tinha alma e falou muito devagar:
-Minha mãe, Clairie Novak, costumava chamar Cas e Jimmy de espíritos de porcos encarnados porque ela não aceitava ter dois filhos defeituosos. Ela dizia que eles eram pequenos demônios que tinham nascido para atormenta-la.
Agora Dean estava com muita raiva. Isso explicava tudo! Por que seu namorado nunca falava do resto de sua família ou onde tinha nascido e como veio morar na Califórnia, porque Castiel tinha entrado em panico quando ele perguntou se Jimmy sempre tinha sido assim ou e o motivo deles terem brigado quando Dean insistiu em saber sobre a família de Cas. O pobre coitado tinha ficado com tanta raiva quando o ouviu perguntar a alguns alunos sobre seu passado que eles tinham fi9cado quatro dias sem se falarem e Dean nunca tinha se sentido tao errado. Bom, agora ele sabia que seu namorado não queria dizer sobre sua família a não porque não confiava nele mas por não querer se lembrar disso. O homem de olhos verdes teve que morder seu lábio e apertar suas mãos com muita força para não fazer uma merda, ele sentia que era capaz de matar alguém.
O silencio se fez na sala. O dono da loja não sabia se deveria se levantar e sair dali ou se deveria ficar e esperar mais perguntas. Ele acabou ficando.
Eles ficaram ali por um longo tempo e no fim da reunião eles deixaram a loja satisfeitos.
Castiel estava no carro de Dean, não o verdadeiro carro dele pois esse não era um Chevy Impala 67, voltando para sua casa depois de um exaustivo dia de correção de trabalhos e orientação de TCC, por alguma razão o outro não estava ouvindo as musicas antigas em um volume alto ou perguntando como tinha sido seu dia e Castiel não tinha gostado nada disso. Mesmo sem ver ele poderia saber que seu namorado estava de péssimo humor, ele já conhecia Dean a tempo suficiente para isso. Ele mordeu um lábio enquanto tentava lutar contra a duvida que se instalava, ele deveria ou não perguntar o que aconteceu a Dean?
Antes que ele se resolvesse Dean começou a falar assim que o carro parou no engarrafamento:
-Me desculpe Cas-O professor não poderia nem imaginar sobre o que o outro estava falando e antes que ele perguntasse Dean continuou- eu não deveria ficar pressionando para que você me conte seu passado... eu sou um idiota em ter pensado que você não confiava em mim.
Um alerta máximo se instalou na mente do professor, ao que ele pensava eles já tinham discutido sobre isso e Cas já tinha perdoado seu amante.
-Nos tivemos essa conversa na semana retrasada Dean. Ele disse em um tom receoso, de alguma forma ele sabia que Dean tinha descoberto. Sua mão esquerda automaticamente começou a coçar o osso de trás da orelha e ninguém precisava perguntar se ele estava nervoso, esse era o sinal para o estremo nervosismo, um trejeito que ele tinha aprendido na infância.
-Eu sei mas... e foi assim; Dean narrou a ele com a graça de um escritor inglês o dia que ele teve, narrou a ida a loja na rua Valência e tudo o que eles tinham conversado. Ele contou também- de alguma forma ele queria trazer um pouco mais de esperança a seu parceiro, o que Sam provavelmente deveria estar fazendo com Jesssica enquanto eles pegavam as crianças na escola- que eles tinham começado a fazer as coisas do jeito Winchester e estavam prontos para mandar Chuck disfarçado em busca da tal caminhonete de Van Nuys.
A única coisa que Castiel conseguiu comentar foi que finalmente o tenente teria chance de utilizar seus dotes como ator. Dean tinha rido junto a ele e depois tinha voltado a conversa:
-Por mais que o sargento Turner tenha dito que era muito arriscado ele ir sendo o tenente Chuck não voltou atras, ele disse que concordava com Lisa quanto as ordens do comissario e que preferia perder sua patente a negligenciar uma pista quente como essa.
Castiel tinha de concordar, isso era exatamente o que Shurley faria. Ele conhecia o homem desde que ele tinha virado o parceiro do seu irmão e tinha visto como ele era gentil para com as pessoas e se tivesse alguém que Cas poderia confiar a vida de seus irmãos era ele.
-Então como ficou o plano?
Dean sorriu, ele poderia ver a cor voltando para a pele de Cas. Depois de falar sobre seu passado o que ele merecia era uma noticia boa. Outra coisa que ele percebeu foi que o professor parou de coçar a orelha.
-Simples, Chuck vai lá disfarçado, vai arranjar um emprego de faxineiro por dois dias e vai localizar Jimmy. Quando ele voltar ele vai ter a planta e a localização do local e nos vamos quebrar o inferno fora de onde for e só vamos sair com Jimmy.
-Isso parece com o cavalo de troia(15). Pode dar certo.
Dean tinha duvidas sobre a comparação, mas entendia que um ataque surpresa vindo de dentro e disfarçado de algo inofensivo seria a melhor alternativa deles, por tudo o que sabia as estrategias militares de resgate não eram muito diferentes. Isso o fez colocar um sorriso bobo na cara, ele tinha certeza que Cas estava orgulhoso dele.
-Sera que eu mereço um premio por me voluntariar no resgate de Ryan? Ele falou enquanto o carro parava delicadamente em um sinal vermelho.
Castiel estava sorrindo amplamente agora. Ele tinha rezado tanto por Jimmy, rezado para encontrarem ele logo e agora ele estava ali com Dean dizendo que tinham encontrado pistas que trariam seu gêmeo de volta. Claro que ele merecia um premio.
Quando percebeu que o carro tinha parado em um sinal vermelho o professor se inclinou e selou os lábios com os de Dean em um beijo muito profundo e deixou sua língua conhecer cada parte daquela caverna quente e aconchegante e dançar sob o tapete macio que era o céu da boca do outro antes de receber a companhia da outra língua macia.
Eles poderiam ficar ali por uma eternidade, mas assim que o sinal mudou de cor uma mulher tinha gritado para eles.
-É para dirigir e não ficar beijando idiotas!
Mostrando o dedo do meio sem nenhuma reserva para a mulher Dean voltou a dirigir. Ele estava nas nuvens. Cas tinha as mãos em sua coxa como se dissesse que eles continuariam mais tarde.
Em Van Nuys o medico ruivo sorria de orelha a orelha. A qualquer momento- ele esperava que fosse logo- a policia poderia aparecer e ele não mais teria de ser condizente com tudo o que estava vendo, não mais teria que decretar a hora da morte daqueles que Ruby e o homem louco de olhos amarelos tinham matado, ele não sabia o motivo pelo qual eles insistiam em atormentar pessoas desconhecidas (que ele sabia que até agora as pessoas que tinham morrido compartilhavam a ligação de sangue) com perguntas que elas não tinham como saber. Tinha demorado menos de tres semanas para que ele descobrisse que a família de vinte pessoas que estavam sendo mantidos em cativeiros em salas similares a de Jimmy- agora a família tinha sido reduzida a menos de quatro pessoas incluindo uma criança- era a família de um amigo do capitão Nova e, consequentemente amigo do pintor, que essa pessoa namorou com a chefa do lugar, mesmo assim, quase dois meses depois, o medico ainda não tinha descoberto o que no mundo poderia valer o preço daquelas vidas.
Sabendo como Ruby estava interessada certamente tinha de ser dinheiro ou algo capaz de lhe dar poder.
E mais uma vez ele tinha pensado em como as pessoas podem se transformar em monstros para obter algo que desejam.
Sem dar nenhuma palavra para os outros empregados- que a cada dia pareciam mais e mais consumidos pelo arrependimento de compactuar com o que estava acontecendo, enquanto alguns outros pareciam nem notar como se dentro deles a sede por sangue tinha aparecido- ele despojou todos os mantimentos que tinha comprado em cima da mesa da cozinha e se apressou para chegar a sala de seu mais novo amigo. Outra coisa que ele não sabia era por que sempre tinha de ser Jimmy a ser o mais espancado dentre todos os reféns.
Ele não poderia pensar nisso por muito tempo, ele nunca chegaria a dar sentido ao que aqueles dois infelizes faziam.
Quando abriu a porta olhos azuis incrivelmente penetrantes o cumprimentaram. Como se fosse magica todo o medo que ele sentia tinha sumido e ele se aproximou da pessoa cansada e cada vez mais frágil que era aquele pintor. Ele poderia ver que o peito do homem estava coberto de sangue.
Não demorou muito para ele perceber que enquanto ele estava fora os outros lacaios tinham se divertido com seu amigo, as feridas eram feitas com a única arma que era-lhes permitido: garfos. Os dentes dele, que já não eram mais brancos como tinham sido, rangeram instantaneamente.
Jimmy parecia feliz em vê-lo.
-Oi. Disse ele em uma voz quase imperceptível.
Pelo menos alguém tinha recuperado seu humor. O medico conseguiu notar o pequeno sorriso que tinha se formado na face de Jimmy e percebeu com bastante alivio que o humor depressivo que tinha se instalado estava deixando-o. De todas aquela era a melhor noticia.
O ruivo se apressou a ajudar o homem a se sentar e quando viu uma escara nova no cotovelo esquerdo de Jimmy- o lado onde ele estava acostumado a dormir, o que fez vergonha ao medico, pois em vez de ele ter feito o procedimento correto ele simplesmente deitava Jimmy do lado oposto as escaras maiores- ele pediu desculpas com todo o coração e se apressou a massagear todos os lugares antes que a pele necrosasse.
Jimmy aceitou as desculpas e sorriu ainda mais, ele era imensamente feliz pelos bons sonhos que teve e sabia que sua fé não o decepcionaria nunca. Graças a esse amigo de cabelos laranjas eles estavam perto de sair desse pesadelo.
A única coisa que não agradou o pintor alem de toda a dor que estava sentindo ao ser virado de lado de ter sua pele apertada em todos os cantos dolorosos era não poder dizer que o tempo deles nesse cativeiro estava para acabar. Infelizmente a bola laranja que nesse momento tinha se transformado em um homem loiro (que tinha o dedo indicador sobre os lábios para lembra-lo do acordo) tinha dito que ele não poderia estragar a surpresa.
Ele fechou os olhos confiando no medico e no antigo amigo para mante-lo bem e deixou-se adormecer.
Não muito longe dali uma mulher- Rose Coook para ser mais exato- examinava o homem que tinha desesperadamente chegado a ela com um panfleto na mão e implorado por emprego. Para ela a historia que ele tinha dito era bastante convincente e de fato não tinha sido a primeira vez que um retardatário chega e pede emprego depois que eles paravam de procurar, as vezes as pessoas só precisavam de tempo para admitirem que realmente não são capazes de conseguir algo melhor. Em sua frente era um homem não muito alto e nem muito atraente- exceto pelos olhos- que mantinha uma cara completamente ridícula enquanto ela observava seus documentos, mais uma vez ela acreditava fielmente nele e em tudo o que tinha lida, mesmo assim suas ordens restritas não podiam ser burladas e ela não poderia se dar ao luxo de contratar um homem sem ver sua identidade apenas porque o achava burro demais para ser algo diferente de limpador de privadas.
O nome que ela lia era Charles Fox e a única coisa que ela poderia ver de interessante nos outros documentos era que ele tinha sido cantor em um bar gay.
-Muito bem- disse ela por fim- você pode entrar na van e vamos coloca-lo no serviço agora mesmo. “Temos muitas privadas para tirar a merda” ela pensou sem nem se dar ao trabalho de falar em voz alta, pela cara de felicidade do homem ele estava completamente desesperado por um emprego. Um sorriso passou por seus lábios quando ela começou a imaginar como essa cara feliz ia se dissipara assim que visse seu esconderijo. Ela apostava todo o seu dinheiro que Charles iria chorar ao descobrir o que eles realmente faziam.
Chuck mordeu o lábio inferior. Graças a Deus a mulher não o tinha chamado de Charles. Ele nunca poderia saber o que diabos ele tinha feito para que a hacker da força se recusasse totalmente a fazer as identidades falsas para ele, a mulher idiota tinha aberto um grande sorriso e tinha dito que o antigo nome e profissão dele eram muito melhores do que qualquer coisa que ela poderia imaginar, claro, quem poderia se lembrar que o tenente tinha mudado de nome aos dezesseis anos porque sua mãe tinha se casado com algum otário? E principalmente, quem iria pensar que um cara que tinha trabalhado três anos em um bar gay poderia se tornar um tenente da policia no futuro? Por mais que isso o tenha deixado furioso ele sabia que a lésbica estava certa. Esse era o perfil mais baixo que alguém poderia vir com.
Sendo assim ele entrou na van. Seu coração mal esperava para descobrir onde era o esconderijo da assassina.
Não tinha sido nenhuma surpresa quando o vendaram, era por isso que ele sempre tinha seu GPS nas missões de reconhecimento.
Quando o carro finalmente chegou a uma parada e ele foi guado pela curadora de arte para dentro de um ambiente abafado seu sorriso ameaçou aparecer, mas ele se esforçou para entrar no personagem que ele tinha criado e voltou a fazer uma cara de meia sem expressão.
A mulher começou a guia-lo pelas instalações, ele não demorou a perceber que provavelmente estava em alguma fabrica abandonada, o telhado lembrava o telhado de uma quadra esportiva e o cheiro de macarrão ainda estava no ar proveniente de alguns toneis de alumínio que estava em lugares estranhos. O que eel mais tinha gostado foi cumprimentar cada um dos outros trabalhadores, isso garantia uma analise de quantas pessoas estavam e com que arma eles estariam lidando. Não tinha sido nenhuma surpresa ver que cada um dos homens que estavam nesse deposito portavam armas de pequeno calibre, era logico que a segurança não seria a prioridade de Ruby uma vez que ela estivesse certa de que não estaria sendo seguida. Ele rangeu os dentes quando esse pensamento trouxe a eel a imagem de seu comissario... ele não queria pensar na possibilidade de o homem ter sido comprado.
Continuando com seu tour o tenente percebeu que o lugar era realmente grande, ele se encontrou indo para um outro galpão e depois entrou pelo que parecia ser a parte administrativa do lugar. Era um corredor com paredes brancas e varias portas com nomes escritos em uma língua que ele definitivamente não conhecia... ele pensou que isso era mais um detalhe interessante que diminuiria as possibilidades para o lugar em questão e mal poderia esperar para ser deixado sozinho e checar a exata localização. Por fim ele foi conduzido para um lugar que lembrava um grande refertório e que estava imundo.
-Nossa- ele assoviou baixinho- que porra aconteceu aqui?
A mulher olhou para ele de forma divertida, ela tinha certeza que ele teria essa reação quando chegassem a seu destino. Depois de avaliar mais uma vez o homem diante dela Rose Cook tirou um cigarro de uma cixinha e o colocou na boca. Quando ela falou seu cinzeiro azul anil estava sendo guardado mais uma vez em sua bolsa pequena e cara. A fumaça saia de sua boca conforme ela dizia as palavras:
-Aparentemente os idiotas fizeram uma aposta para ver quem deixava o gerente mais puto e a cozinha ficou assim. A cara dela era branca, não havia nem alegria nem raiva quando ela falou isso e Chuck poderia dizer que ela não dava a minima para o que acontecia ali. Isso o assustou.
Uma outra coisa que o assustou foi saber que o gerente era ninguém menos que Azazel. O homem de olhos amarelos tinha caminhado para eles e se apresentado, em seguida ele expulsou a mulher da cozinha e com uma rizada maniaca começou a interroga-lo. O interrogatório em si não tinha sido o pior, quando o traficante o conduziu para uma pequena sala onde um aparelho detector de metais- similar aos do aeroporto- estava Chuk não deixou de engolir seco. Ele sabia que isso poderia acontecer e sabia que seria difícil detectar seu GPS mas uma pitada de medo tinha passado por sua alma e os cabelos de sua nunca tinham se arrepiado.
O aparelho continuou em silencio quando ele passou por ele.
Azazel estava satisfeito.
Em menos de um segundo Chuck tinha sido devolvido para a cozinha e um esfregão foi jogado em cima dele.
-Quando eu voltar eu quero essa merda limpa.
O filho da puta tinha deixado-o com isso. Provavelmente ele tinha coisas melhores para fazer do que ficar vigiando um homem limpara uma cozinha imunda.
O tenente estava feliz por ter sido deixado sozinho.
Por agora ele iria fazer o que tinha sido instruído a fazer, mas depois ele estaria livre para armar a sua própria cena. Ele pegou o esfregão e começou a limpar o chão imundo que estava diante dele.
Ele ouviu o primeiro grito meia hora depois.
Notas finais
PS- Talvez o próximo capitulo seja dividido em duas partes.
Mandy
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