When You Have A Killer In Your Tail
1 Capítulo 1 Quando as coisas começam a ficar ruins
Notas iniciais
Outra coisa que é importante lembrar é que Dean tem dois filhos para criar e ninguém para ajuda-lo. Enquanto isso Castiel, que não é um anjo mas irá continuar a ser chamado disso, tem uma absurda experiencia com crianças mas nenhuma que possa chamar de sua. É uma historia Dean/Cas, então se não gostar não leia.
Prometo que muito drama e romance estarão nessa historia e espero que todos gostem!
PS- Durante o decorrer dos capítulos referencias a cultura pop como series, jogos e livros serão citados. Quem acertar todas até o final dessa fic ganhará um premio.
um pequeno detalhe: Alguns acentos não estarão presente e a culpa é do computador.
Boa leitura!
A sala em que ele estava era muito maior do que qualquer sala espelhada de delegacias de policia representadas nos seus filmes favoritos e o clima era muito pior do que qualquer ator poderia representar. Ele estava há mais de duas horas sentado em uma mesa rodeado por policiais que ele jamais conhecia e por um que ele nunca pensou que poderia ser um agente aposentado.
O velho Bobby Singer, grande amigo de seu pai, tinha passado muita coisa mas nem ele nem seu irmão mais novo poderiam imaginar que antes de ele ser caçador ele era um agente do FBI.
Como eles poderiam imaginar algo desse porte? O velho tinha cara de caminhoneiro e vivia dentro de uma loja de carros usados. Se ele não soubesse atirar tao bem Dean nunca poderia ter acreditado naquilo quando o homem mais velho tinha aparecido no meio da noite em seu quarto de motel e exigido que os quatro deles saíssem e entrassem numa van da policia do Colorado.
Quando ele se lembrou de como a situação parecia solene ele não conseguiu mais prestar atenção a nada que os outros estavam falando seu olhar foi rápido para seu irmão mais novo.
Sam respondia as perguntas que os policiais faziam a ele e mesmo assim conseguia manter uma certa distancia de tudo aquilo. Qualquer idiota poderia perceber que o homem mais alto estava mortalmente machucado. Não era para menos. De todas as coisas que Dean poderia dizer que iria acontecer essa não era a que ele mais se orgulhava, claro, ele odiava com toda sua forma a filha da mãe que tinha começado com toda essa loucura mas ele não poderia falar isso pelos cantos com o seu único irmão triste daquela forma.
Outra coisa que qualquer um poderia notar era que Sam estava triste justamente pela filha da mãe que os tinha colocado nisso tudo.
Dean fechou seu punho de uma forma discreta, ele não devia estar ali. Ele tinha dois filhos para criar pelo amor de Deus! Nem o seu pior inimigo merecia o que eles estavam recebendo.
E o que eles estavam recebendo era nada mais nada menos do que uma serial killer em suas caudas.
Mais uma vez Dean estava tentando se lembrar como tudo aquilo tinha acontecido.
Ele, seus dois filhos de oito anos de idade, seu irmão e a mulher detestável dele moravam em um bairro de uma cidade do Kansas. Essa cidade foi a mesma em que a família Winchester ficou famosa por serem brilhantes lutadores. Seu pai John, um motorista de caminhão, tinha se casado com uma Campbell (Mary seu nome) e tinham vivido a vida batendo nas pessoas que tentava explodi-los dos apartamentos pelo acumulo de alugueis atrasados.
Dean nasceu e quatro anos depois Sam veio ao mundo, a mãe deles morreu em um incêndio domestico na casa onde o casal finalmente conseguiu pagar todas as contas em dia e John acabou por ficar obcecado em ensinar seus filhos a se defender de todo o tipo de coisa até sua morte iminente que ocorreu por dirigir bêbado.
Uma coisa que o velho pai não tinha os ensinado era como sobreviver a um perigo que ninguém espera: como sobreviver a uma ex mulher assassina?
Nenhum deles sabia. Quando Dean recebeu a ligação angustiada de seu irmão naquela tarde chuvosa ele não quis acreditar. Ele saiu de seu trabalho e foi correndo para sua casa e jamais esqueceria o que tinha visto.
Ele estava sendo chamado de volta a realidade.
Dean olhou para a pessoa que estava chamando por ele e imediatamente não tinha criado laços com o que viu: o policial de baixa estatura e cabelos quase loiros não inspirava tanta confiança quando ele tinha um pirulito em vez de um cigarro nos lábios. O homem poderia ser o capitão de policia de São Francisco e especialista em homicídios como aquele mas ele jamais passaria de um idiota nos olhos do civil.
O nome dele era Gabriel Novak e em suas mãos uma grande quantidade de fotos que nem ele ou Sam queriam olhar estavam sendo entregue a cada um dos homens na sala. Aquelas eram as fotos do assassinato de Anna Milton. A pobre mulher era a melhor babá que Dean poderia encontrar para seus filhos; ela era doce e não fazia mal a ninguém (apenas quando não cozinhava) e agora ela tinha sido reduzida a um cadáver fatiado cujos dedos das mãos e dos pés estavam enfiados dentro da boca seca de uma forma inconfundível. Inconfundível para aqueles policiais que tinham certeza absoluta que quem poderia matar e fazer esse tipo de sagacidade com o corpo só poderia ser Ruby Evans.
O que Dean jamais poderia imaginar era que a mulher nem ao menos se deu ao trabalho de mudar seu nome quando se casou com seu irmãozinho. Como alguém poderia fazer isso?
Quando Sam tinha se casado com aquela mulher ele não tinha dado a minima para isso, afinal ele poderia se casar com quem ele quisesse. O tempo foi passando e a mulher não tinha feito nenhum esforço para se aproximar da família de seu marido. Ela admitia abertamente não gostar de Dean e toda vez que via os seus sobrinhos alguém tinha de tira-la da sala. O fato era que essa mulher assustava os seus filhos.
Mesmo assim ninguém poderia imaginar que ela era na realidade uma assassina serial que atualmente estava na lista dos mais procurados do FBI.
O policial de nome Gabriel tinha voltado a falar. Dessa vez Dean estava prestando atenção:
-Muito bem, Ruby cometeu um grande erro quando usou seu verdadeiro nome para se casar com você, mas como nos a conhecemos por sua genialidade eu não acredito que ela tenha feito isso sem querer- Nesse ponto o capitão tinha parado e se calado por alguns instante, era como se ele estivesse pensando nos pros e contras do que iria falar- Eu acredito que ela esteja nos convidando para um tipo de jogo onde a família Winchester é o alvo.
O silencio se fez na sala de uma forma a deixar todos dentro de seus próprios pensamentos. Dean não era idiota de começar a pensar naquilo tudo agora, ele não queria ser pego em um momento sentimental mas as ideias e cenários entravam em sua cabeça de qualquer forma e ele não conseguia ser capaz de ver seus filhos mortos daquela maneira. Danny e Lisa(1) mereciam uma coisa melhor do que isso.
Olhando em todas as pessoas que estavam em sua volta ele conseguia ver Sam. O homem estranhamente alto tinha as mãos em seus cabelos e os olhos caídos, ao lado dele Bobby tinha uma mão em seu ombro enquanto a outra era usada para retirar as fotos de Anna de cima da mesa. O outro policial estava atras de Bobby com uma xícara de café na mão direita e um semblante solene. Ele era outro agente (só que estava na ativa). No outro lado da mesa de granito o capitão da policia de são Francisco, que ninguém poderia dizer como tinha chegado a saber de tudo isso vivendo em um lugar tao distante do Kansas. O palpite que Sam tinha dado era de que ele era um dos muitos policiais que estavam na cola de sua mulher durante os anos.
Gabriel ao contrario dos outros policiais de baixa patente (seu tenente Chuck Shurley e um velho amigo de Bobby Rufus Turner) tinha um olhar incrivelmente solene no rosto como se ele soubesse o que uma situação dessas poderia significar para ele e Sam. Dean jamais pensaria que esse olhar diria muito mais sobre ele do que todas as outras peças de seu vestiário. O cara usava uma gravata pintada a mão com desenhos abstratos daqueles que sua filha certamente diria pertencer a um de seus pintores favoritos e por baixo de seu paletó uma camisa de pijamas de uma instituição que ele não conhecia mas parecia ser famosa... Juntando tudo isso o cara parecia ser tao bom em pegar assassinos quanto um gatinho poderia ser.
Mesmo assim todos os policiais presentes pareciam respeitar o que ele falava e Dean não era idiota para não admitir que o homem tinha inteligencia.
-Pelo amor de Deus! Eu não acredito que esses dois idiotas fogem do Kansas sabendo que a mulher que era da família a dois dias atras é uma assassina e resolvem fazer uma viagem para o Colorado sem me avisarem.
Esse era Bobby que agora não parecia estar mais disposto a dar conforto a nenhum deles e como sempre estava os chamando de idiotas. Dean pela primeira vez não estava ofendido com o tom do homem mais velho. Ele certamente não tinha feito a melhor das escolhas ao desligar o telefone, sair correndo para sua casa, encontrar um cadáver e logo depois fazer as malas e sair com Sam e seus filhos no seu Impala como se ele fosse o próprio assassino. A única coisa que ele poderia dizer em sua defesa era que ele tinha persentido que a mulher iria tentar mata-los.
O outro agente federal, que parecia um bêbado irresponsável, tinha finalmente saído de seu esconderijo nas sombras. Ele parecia ser mais jovem que Dean mas em uma sala onde um capitão de policia usava uma gravata borrada de tinta e Bobby era um ex agente ninguém poderia julgar mais nada.
Ele simplesmente falou:
-Se eu não tivesse sido chamado naquele dia certamente eles iriam presos pela policia do Kansas. Vocês dois tiveram sorte em eu ter reconhecido vocês das historias de Bobby...
Ele deixou assim mesmo, nenhum dos Winchester queria realmente saber o que Bobby poderia falar sobre eles. Sam era o único que tinha vergonha quando o carro de Dean foi encurralado perto da saída de Aurora e eles entraram na delegacia de policia sendo tratados como os assassinos e que ainda por cima tinham sequestrado duas crianças. Ele jamais esqueceria os rostos de Daniel e Melissa quando aquilo aconteceu. A única sorte que eles tiveram foi a aparição de Ash- o agente que tinha saído das sombras- e as historias que Bobby contou a ele sobre sua família. Se não fosse isso eles nunca estariam fora da policia e certamente não estariam fora de Lawrence.
-Deve ter sido um choque ser chamado para um assassinato da mão-na-boca. Depois de três anos poderia se pensar que a infeliz tinha morrido.
Quem falava agora era o tenente Chuck Shurley e ele não poderia amenizar menos o clima dizendo o apelido de Ruby que era usado pela policia. O homem parecia um pouco pálido como se mesmo vendo morte todo o dia não era mais capaz de esconder uma sensibilidade para as vitimas. Ele estava certo no entanto, Ash parecia muito impressionado desde o minuto em que os livrou da delegacia de Aurora ao momento presente, era como se ele tivesse dedicado a vida para deter essa mulher.
Nem em seus sonhos Dean poderia dizer que uma mulher poderia dar-lhe tanta dor de cabeça e toda vez que ele olhava para Sam ele queria silenciosamente acordar em um mundo onde a sua odiada cunhada não era uma psicopata.
Certamente aquilo não ia acontecer.
Ele olhou para o relógio e percebeu que estava ali há exatamente quatro horas e vinte e cinco minutos. A fome começava a bater e a saudade de seus filhos o deixava louco. Ser pai solteiro de dois gêmeos de oito anos de idade fazia esse tipo de coisa com as pessoas: Dean não conseguia se ver afastado de seus filhos. Ele resolveu dar um fim a esse interrogatório cavernoso. Por mais que as informações de Sam fossem importantes para aquele bando de sangue-azul nenhum deles tinha mais nada a dizer.
Tudo o que ele queria era sair dali e abraçar seus filhos.
-Desculpa a intromissão, eu nunca estive muito perto de policiais como eu estou agora mas eu tenho dois filhos para cuidar e até agora nenhum de vocês disse onde eles estão.
Ele disse tudo aquilo com a voz mais autoritária que ele era capaz de reunir.
Todos os homens na sala pararam para olhar para ele. Cada um deles tinha um pouco de pena em seus olhos e Dean odiou cada olhar menos o de seu irmão. Sam era uma menina grande e era simples para ele demonstrar sentimentos desse tipo, mesmo assim ele não segurou o olhar do mais novo por muito tempo. Seus olhos se voltaram para quem parecia estar no comando ali: o capitão Novak.
Gabriel simplesmente jogou seu pirulito no lixeiro e guardou todos os laudos do caso sem nem ao menos olhar para Dean. Quando ele terminou seus afazeres ele disse em uma voz assustadoramente plana:
-Tendo em vista a situação em que Sam e Dean Winchester se meteram declaro que eles estarão sob proteção a testemunha aos cuidados do departamento de policia de São Francisco e deverão se mudar imediatamente. Quanto ao FBI eles que não tentem me tirar do caso, você tem liberdade de fazer o que quiser Ash, mas me tirar desse caso vai ser necessário passar por meu cadáver.
Depois que ouviu isso a única coisa que Sam consegui pensar foi que esse capitão poderia ser um idiota, mas que não brincava em seu turno. Ele seria capaz de confiar nele agora que via que o caso era tao pessoal para ele quanto para si mesmo.
Dean simplesmente deu uma risada de escarnio e depois falou:
-Quem disse que você tem o direito de me obrigar a viver na cidade mais louca dos Estados Unidos? E você ainda não respondeu a minha pergunta. Onde estão meus filhos?
O capitão Novak simplesmente agarrou Dean por seu colarinho e o colocou contra a parede. Seus olhos eram fogo puro quando falou:
-Você não é o único que tem de proteger uma família seu idiota! Quando se tem um serial killer na sua cauda você não corre por sua vida da forma que você fez. Isso é um ato imprudente e poderia ter colocado as suas crianças em risco, se você fosse menos idiota certamente teria uma liberdade de escolha e não precisaria matricular duas crianças em uma escola de outro estado no começo do ano. Eu vou ter de lhe ensinar? Você deveria me agradecer por não ter sido preso e suas crianças colocadas em um orfanato do governo onde Ruby poderia encontra-las facilmente.
Dean congelou. Ele poderia olhar nos olhos daquele homem e poderia ver a sinceridade por trás do que ele falava. Ao seu lado em uma reação instintual Sam tinha tentado livra-lo do aperto de morte que o capitão estava dando só para ser contido por Bobby. Lendo os lábios do velho Dean poderia concordar com ele quando ele disse a Sam “Filho ele precisa ouvir isso.” os dois relaxaram ao ouvir as palavras do homem que tinha sido um pai para eles.
Cerca de três segundos tinham se passado e a fisionomia do capitão tinha mudado da água para o sorvete e ele tinha soltado Dean.
-Bem, seus filhos estão na sala do andar de baixo vendo um episodio de uma serie musical onde uma asiática(2) canta uma das musicas de Jackson 5. eu posso mostrar a vocês o caminho.
Depois disso a reunião estava terminada, mesmo que não tenha terminado de verdade para Dean esse foi seu fim. Ele tinha saído e deixou-se levar por Gabriel enquanto ainda via Sam e os outros conversando.
Mais tarde ele iria saber que enquanto a proteção de sua família era responsabilidade da policia de São Francisco a captura de Ruby Evans era jurisdição do FBI, mas estes iriam manter todos em contato. Dean não se importava muito com quem ia ficar com o caso, mas certamente ele se sentia grato por saber que alguém iria proteger sua família. Isso era tudo o que ele era capaz de pensar.
Quando ele chegou no andar de baixo do departamento de policia (ninguém realmente se lembrava em que cidade estavam) a primeira coisa que o fez sorrir foi ver seus filhos, duas crianças loiras de olhos verdes, cantando ABC. Certamente esse não seria o melhor momento para contar para os dois que eles não iriam voltar para casa nem tao cedo mas era o minimo que ele poderia fazer depois de te-los acordado no meio da noite e os colocado em um carro para dar um “passeio” que acabou por se transformar em peregrinação.
Outra coisa que ele não queria mais tinha de fazer era explicar tudo para eles. Ele só esperava que Sam viesse para o ajudar nesse ultimo.
-Então- dizia Lisa com os olhos focados em Dean- quer dizer que a mulher do tio Sam na verdade era uma assassina e agora ela quer matar a gente?
Dean não sabia como reagir a isso, ele sempre se esquecia que seus filhos eram muito diferentes de crianças normais da idade deles. Enquanto ele olhava para Lisa e via as engrenagens do cérebro da garota trabalhando ele poderia prender sua respiração, ela poderia dizer algo muito intelectual ou simplesmente ficar com medo de tudo e ele não sabia qual das alternativas era a melhor.
A sua sorte era que Sam estava ali para ajuda-lo em qualquer situação.
Do lado da menina que tinha corpo de atleta o seu filho Danny, um menino meio gordinho de olhos verdes grandes e um semblante pensativo, parecia estar muito dentro de seus pensamentos. Qualquer um dos adultos poderia dizer que ele estava elaborando algo ou simplesmente analisando a resposta de sua irma para ver se ele iria concordar. Os dois eram sempre assim, tinham uma irritante mania de deixar um falar pelo outro e nos raros momentos que eles não estavam de acordo eles discutiam para saber o por que. Nada seria mais diferente que a primeira geração desta família onde os irmãos viviam brigando, eram muito diferentes em tudo e sempre resolviam seus problemas com pizza e cerveja.
Dean tinha a suspeita de que tinha algo mais mas ele não poderia pressionar seu filho. Imido da maneira que era Danny respondia melhor se não fosse questionado e Dean deixaria ela falar quando for a hora.
Lisa voltou a chamar a sua atenção:
-Eu não vou dizer que estou feliz em ter de me mudar para a Califórnia, mas, sem querer ofende-lo tio Sam, saber que você não está mais casado com ela é a melhor noticia desde a promoção de empadinha na cantina da escola.
Dean não queria, mas era impossível não rir. Sua filha era impossível. Ela era capaz de tirar das piores coisas noticias boas e mesmo sendo uma garotinha de oito anos de idade ela era muito mais inteligente do que a media. O melhor de tudo era que ela tinha tirado as palavras da boca dele.
Sam estava com um semblante irreconhecível, ninguém poderia dizer que tipo de choque esse comentário tinha o dado.
Lisa se apressou a concluir o que tinha dito, ela pegou na mão de seu tio e beijou-a delicadamente enquanto dizia:
-Você seria um bom pai tio Sam. Se você tivesse filhos com tia Ru... aquela mulher ele saberia reconhecer isso e estaria grato por ter um pai que não é um psicopata.
Como aquela menina era capaz de ler seus pensamentos Sam jamais saberia, mesmo assim o que foi dito tinha o aliviado completamente.
Eles se abraçaram.
Enquanto via essa cena melosa Dean correu para perto de seu filho. Era algo que não poderia escapar de seu sensor de pai o gesto que ele estava fazendo. Danny estava com uma mão na testa. Ele teve oito anos para conhecer seu filho mais novo e saber que quando ele fazia isso a dor que ele estava sentindo era insuportável.
Pegando seu filho em seus braços Dean correu para fora do corredor onde viu um bebedouro e encheu um copo de plastico. Ele sentou Danny em uma das mesas de algum policial que certamente não se importaria com isso as quatro e vinte da madrugada e entregou a ele o copo e depois uma pilula de Tylenol. O menino tomou sem nem ao menos ter medo de engolir. Claro que ele não teria, ele estava acostumado a engolir remédios para dor de cabeça.
Do outro lado do corredor Gabriel Novak tinha acabado de desligar seu telefone e ir em direção a Sam, ele não deixou de olhar para Dean e o pequeno menino de cabelos dourados enquanto passava para a sala de TV. Curiosidade crescia em sua mente.
Ele abriu a porta e encontrou Sam com sua sobrinha. A menina tinha percebido de alguma forma que os dois iriam falar de algo não muito recomendável para menores e assim saiu da sala indo ver seu pai e seu armizinho onze minutos mais novo.
Sam olhou para o capitão de policia e não pode conter sua curiosidade, ele queria saber o que iria ser de sus vida daquele ponto em diante.
-Então, nos vamos viver em uma cabana escondida até isso tudo acabar ou...
Gabriel o cortou veloz:
-Cara você é um advogado acostumado demais a lidar com pessoas que viram crimes de procurados do FBI. Ele sorriu e colocou outro pirulito na boca- Vocês não são esse tipo de pessoa. Não há nenhuma necessidade de vocês irem morar naquela cabana no norte do estado quando se tem duas crianças que gostam de ir a escola.
Sam poderia dizer que ele estava divertido em saber que os filhos de Dean gostam de frequentar as aulas, ele também entendia. Seus sobrinhos eram material raro.
Mesmo assim ele ainda tinha duvidas:
-E nos vamos morar...?
O capitão jogou para ele um panfleto de um apartamento a venda, parecia realmente bom: quatro quartos três suítes e um outro quarto para as possíveis babás de Danny e Lisa. Não era nada luxuoso mais era exatamente o que eles precisavam e o melhor de tudo para Sam é que não lembrava em nada a sua velha casa.
O outro homem ainda estava falando:
-Não é o lugar onde eu sei que um advogado famoso e um engenheiro mecânico deveriam morar mas é o que a policia pode pagar com o dinheiro de proteção as testemunhas. Alem do mais a senhora Hudson finalmente se mudou da Pine Street e eu não aguentava mais ela como a minha vizinha...
-O que? Nos vamos ser vizinhos?
Gabriel sorriu um riso que dizia “Quer ter melhor proteção do que viver do lado do capitão de policia de uma cidade?”
Depois disso nenhuma outra coisa foi falada. Sam sabia que ele estava certo. Ele só não sabia como contar isso a Dean que certamente iria odiar a ideia.
Um tempo se passou e Gabriel finalmente tinha se lembrado do verdadeiro motivo de estar ali, sim ele tinha que dizer aos protegidos que eles iriam morar em uma residencia fixa, mas outra coisa o tinha feito dizer isso a Sam e não ao mais velho. Ele tinha visto o homem muito ocupado com seu filho.
Ele resolveu perguntar antes que se esquecesse de novo:
-Aquele garoto... eu não o vi andando em nenhum momento desde que chegamos aqui. Ele é paralitico?
Certamente aquele não era a melhor forma de abordar o assunto. Pela cara do outro homem ele tinha xingado todas as suas gerações anteriores. Sam tinha se sentado pesadamente em uma cadeira e estava esperando para ver se tinha capacidade de responder uma pergunta tao rude como aquela.
Decidindo de uma vez que seria melhor o policial saber- talvez isso ajudasse na forma como ele ia conduzir o caso deles- ele olhou para o homem mais velho e começou a fala:
-Ele não é paralitico, mas não consegue andar sem que ele caia. Ele nasceu com hidrocefalia- os olhos de Gabriel ficaram grandes e antes de qualquer coisa Sam sabia o que ele ia falar assim, respondeu a outra duvida sem parar sua narrativa- não dá para perceber porque ele não tem uma cabeça grande não é? Bom, ele teve todo o liquido drenado antes dos dois anos.
Agora Gabriel sabia, seu irmãozinho realmente estava certo quando disse que ele tinha de atender aquele telefonema onde o identificador mostrava um numero de um agente do FBI, mesmo assim ele não iria falar sobre isso, não antes que todos fossem apresentados.
Nada o impediu de pensar que Jimmy iria ficar muito orgulhoso dele.
Ele voltou a prestar atenção no que Sam falava, ele não queria ser mal educado. Não se deve ouvir uma historia como aquela e ficar pensando em outras coisas.
Sam continuava contando a historia de seu sobrinho:
-Danny não apresenta sequelas graves alem da falta de capacidade para andar e de uma fraca coordenação motora. Ele nasceu com uma outra coisa também mas isso não é da hidrocefalia. Os médicos não conseguem chegar em um acordo e sempre ficam espantados quando veem que o garoto não tem controle nos esfincteres anais e uretrais, isso o deixa...
Mais uma vez ele foi brutalmente interrompido. Sera que esse homem não sabe ouvir uma historia pesada sem ter de interromper? Sam estava ficando um pouco cansado disso.
-Incapaz de ir ao banheiro como um garoto de sua idade? E tendo que usar fraldas? É eu sei o que isso significa.
Os olhos do Winchester mais novo se arregalaram. Como ele poderia saber disso? Ele tinha passado muito tempo com policiais para saber que a maioria nem ao menos sabia que glicose era açúcar.
Gabriel tinha um olhar feliz no rosto como uma criança em um dia de natal. Ele já tinha visto a expressão de Sam em muitas outras pessoas que o julgavam burro só por ser um policial e não qualquer outro tipo de coisa. Sem nem ao menos ter a consideração de explicar o que tinha dito e como sabia desse tipo de coisa ao garoto mais novo ele colocou uma mão no ombro de Sam e disse em um tom alegre:
-Não se preocupe, eu vou protege-los. Todos vocês.
Sem mais uma palavra ele saiu da sala mas antes de a porta se fechar Sam pode ouvir:
-O voo para São Francisco é de oito horas.
Sam jamais saberia que depois disso o capitão se aproximou de Dean e disse a mesma coisa que tinha dito a ele. Pelo menos quando ele dizia isso ele era completamente verdadeiro.
E lá estava ele ao lado de duas crianças completamente hiperativas por finalmente estarem indo em uma viagem de avião. Dean simplesmente deveria ter feito uma viagem dessas antes de toda a loucura começar, mas agora ele não tinha nenhuma alternativa. Enquanto ele puxava a cadeira de rodas de Daniel ele pensava em seu carro sozinho na casa de Bobby. Ele sabia que seu carro- o lindo Chevy impala 1976- poderia ser reconhecido até para um homem cego e ele também sabia que ele faria todo o tipo de coisas para manter sua família segura, mas livrar-se assim tao cedo de seu carro sem uma data de devolução definida não estava em seus planos.
Ele suspirou um suspiro que não sabia estar segurando. Como exatamente sua vida tinha virado de ponta cabeça? Dean não fazia a minima ideia do que o esperava, ele apenas continuava indo em frente para que nada de ruim acontecesse a seu irmão ou a seus filhos. O que ele jamais saberia é que quando as coisas começam a ficar ruins as coisas boas também aparecem.
Antes que ele entrasse em pensamentos filosóficos o avião estava decolando e a medida que ele avançava no céu seu passado ia ficando para trás.
Ele nunca iria admitir, mas mudar-se para a Califórnia seria o começo de uma nova vida para ele e os outros Winchester.
Ele só tinha de esperar para ver.
Notas finais
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