When You Call To Me
13 Com Arco e Flecha em Mãos
Notas iniciais
Caspian permaneceu debruçado sobre a sacada apenas sentindo a brisa suave que vinha do mar lhe tocar a face enquanto seus olhos permaneciam cerrados diante da bela vista a sua frente. Em passos lentos e firmes, logo atrás de si surgia Susana, que por um tempo ficou a observar o rapaz pelas costas depois disse ao se aproximar da sacada:
– Preocupado? –Caspian desviou o olhar rapidamente para o rosto da moça.
– Gosto da vista daqui. –respondeu em tom sério.
– É mesmo muito bonita. É a vista favorita da rainha Lucia também. –disse olhando para a praia.
– Por que acha que estou preocupado? –perguntou mantendo os olhos apertados.
– Parece... Seu semblante diz isso, sua expressão está extremamente pesada.
– Na verdade tem algumas coisas entaladas na minha garganta. –seguiu dirigindo seu olhar fixo para a praia.
– Pedro? Digo o rei Pedro. –disse sem querer deixando escapar certa intimidade.
– Está meio na cara que ele não me quer aqui.
– E o que você pensa disso?
– Sinceramente eu não sei. –disse sacudindo a cabeça negativamente. – Talvez ele esteja certo.
– Não gosta da ideia de ser rei? –perguntou erguendo uma única sobrancelha.
– E quem não gostaria? Mas isso incomoda...
– É um cargo pesado.
– Eu sei.
– Deveria confiar na rainha. –ela voltou a encarar a praia. – Lucia dificilmente se engana, principalmente quando segue sua intuição.
– Você acredita? –ele a encarou.
– Se Lucia diz que você é o rei, quem sou eu para contestar?
– Intimamente... –ele aguardou resposta.
– Deseja convencer o rei Pedro de sua credibilidade? –ela desviou a pergunta com outra.
– E como eu faria isso?
– Primeiro você precisa acreditar que é quem a rainha Lucia diz que você é. Depois...
– Depois?
– Venha comigo... –disse ela se virando e saindo da sacada.
Caspian uniu as sobrancelhas formando uma ruguinha no centro dos olhos e então ficou ereto observando a arqueira se afastar e seguir até o centro da sala, onde parou e o encarou novamente esperando que ele fosse até ela. Assim Caspian deu alguns passos e seguiu a mulher de feições fortes e olhar ameaçador até o campo de treinamento onde ela se afastou por uns segundos seguindo até um suporte de armas apanhando uma besta de madeira com flechas e entregando em mãos do moreno.
– Acha que consegue usar isso? –disse ela.
– Se me mostrar como...
– Segure firme contra a lateral interna do braço. –disse ela mostrando em seu próprio braço o local. – Se for destro, apoie sobre o canto interno do cotovelo direito e segure o gatilho. Não aperte... –avisou. –Apenas apoie.
– Tudo bem... –disse fazendo o que ela mandava. – E agora?
– Mire naquele ponto vermelho do outro lado do campo. –ela apontou.
– É muito longe. –disse ao avistar uma arvore com um símbolo circular á alguns metros.
– Incline o arco um pouco para cima. Não excessivamente como acaba de fazer. –disse assim que ele se posicionou.
– Certo. –disse ele encarando o ponto fixo.
– Destrave a área engatilhada. –disse ela apontando a mesma.
– Esta aqui? –ele franziu a testa.
– Isso. Agora mire e puxe o gatilho quando achar que tem o alvo correto.
Caspian respirou fundo achando que não poderia ser tão difícil e então puxou o gatilho mais rápido do que deveria e acertou apenas o gramado á metros de distancia do ponto alvo. Susana sacudiu a cabeça negativamente, e se aproximou mais do rapaz dizendo:
– Tente inclinar o arco alguns segundos antes de disparar. Quando sentir que a flecha está prestes a passar por este ponto. –ela demonstrou. – Incline sutilmente o arco para cima. Isso fará com que a flecha faça uma curva o suficiente para fazer este movimento... –ela encenou uma curva no ar usando a mão aberta. – Entendeu? –o encarou. – Apenas alguns segundos... Agora faça.
– Parece fácil quando você fala. –disse ele se preparando.
– Não tem a ver com força, você está usando a força do seu punho para puxar o gatilho, no máximo que vai conseguir fazendo isso é cortar o próprio dedo.
– Me mostre como... –disse retirando a besta do braço e entregando a moça.
– Tudo bem... –ela apanhou o objeto e se colocou em posição.
Susana apertou os olhos mantendo os mesmos no alvo a frente e então disparou a flecha exatamente como ensinara o moreno, inclinando a arma poucos segundos antes da flecha se separar da besta assim atingindo impecavelmente o alvo bem no centro.
– Nossa! –disse Caspian erguendo as duas sobrancelhas.
– Agora tente você. –disse entregando a arma mais uma vez a ele.
– Sem força. –disse empunhando a besta.
Susana permaneceu em silencio enquanto observava o moreno concentrado no que estava fazendo, logo cerrando os olhos castanhos na direção do alvo vermelho e disparando o gatilho acertando a arvore entre o ponto vermelho e as raízes da mesma.
– Pelo menos essa não foi no chão. –disse ela insatisfeito.
– Se fosse um soldado ele estaria com uma perna machucada, mas ainda poderia lutar. –avisou. – Tente de novo. –ela disse lhe entregando outra flecha.
Caspian apertou os lábios e voltou a colocar a flecha dentro do armamento enquanto era observado e incentivado por Susana. Ele se posicionou mais uma vez e dessa vez decidido a acertar aquele ponto vermelho exatamente como a mulher ao seu lado havia feito. Intimamente estando insatisfeito com as atitudes e afrontas de Pedro contra ele, Caspian desejava provar ao rei que não era uma ameaça, e que tão pouco seria atrapalho diante das situações atuais pelas quais o reino de Cair Paravel estava passando. Quando o gatilho disparou a flecha acertou o alvo alguns centímetros abaixo ficando parte na arvore e parte na madeira vermelha.
– Foi bem melhor. –disse Susana com um sorriso discreto. – Se conseguir acertar o centro em menos de dois dias. –disse ela se aproximando e fitando os olhos do moreno. – Eu acreditarei que você é o rei.
– Vai me ajudar com isso? –disse baixando a besta.
– Peça permissão a rainha. Diga a ela que deseja usar o campo para treinamento. Automaticamente ela lhe cederá um dos arqueiros ou até mesmo um dos soldados do capitão Edmundo para treino com espadas.
– Espadas? –disse arregalando os lindos olhos castanhos.
– Quer provar ao rei que é capaz ou não?
– Quero. –afirmou em tom firme mudando sua expressão leve para uma expressão séria.
– Então faça o que eu disse... Se a rainha me encarregar disso eu mesma o ajudarei... Mas isso depende dela. –afirmou.
– Tudo bem.
– Agora é melhor voltar antes que deem pela sua falta. –disse virando de costas e se aproximando do suporte de armas onde deixou a besta.
– Você não me disse como se chama.
– Susana. –ela o encarou.
– Obrigado Susana.
– Não me agradeça. Faço isso pela rainha, vejo que ela tem fé em você e não quero que ela se decepcione. –disse em tom firme.
– De qualquer maneira, eu agradeço.
Susana apenas acenou com a cabeça e voltou ao que fazia enquanto o moreno respirava profundamente olhando o campo vasto ao redor e logo girava sobre os próprios pés voltando ao interiro do palácio.
...
Notas finais
PS: Foto só pra ilustrar as feições do Caspian na sacada! Todos sabem como é a sacada de Cair Paravel então... Imaginem ele lá...
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