When Tomorrow Comes
4 Liar? II
― Ah ― é tudo o que consigo dizer. Então ele tinha namorada… Torço para que ele não esteja lendo minha mente.
― Então você já vai, né? ― Adam diz se dirigindo à Hillary.
Ela faz menção de falar alguma coisa mas ele lhe dá um olhar firme e ela se cala.
― Sim ― ela se vira e quando chega à porta diz: ― Tchau, Audrey.
Simplesmente fico parada. Eu não deveria me preocupar com o fato de Adam namorar Hillary, e sim com a conversa que escutei.
Quando Hillary fecha a porta Adam está de costas para mim. Possos ver seus ombros subindo e descendo quando ele solta um suspiro. Ele se vira para mim e eu não consigo ver nenhum traço de expressão em seu rosto.
― Você está bem? ― ele pergunta.
Dou de ombros.
― Por que não estaria?
Tentei parecer indiferente, mas não sei se funcionou. Eles me conhecem. Têm um plano contra mim.
Ele fez uma pausa.
― Hillary é um pouco… complicada.
― É mesmo? Sabe que nem se percebe? ― falo ironicamente e me arrependo no mesmo instante.
Por algum motivo Adam sorri.
― Dá pra você me ensinar aquela coisa de bloqueio agora? ― pergunto. ― Se vou ficar aqui, não quero você bisbilhotando minha mente.
Sim, ficar lá. Vou fingir que não escutei a conversa deles. Porque não tenho para onde ir e vou descobrir o que querem comigo. Pelo jeito, alguns traços da minha personalidade já estão aparecendo.
Ouço-o suspirar novamente.
― Tudo bem, vamos lá.
Ele gesticula para que eu me sente no sofá. Logo estamos os dois sentados um de frente para o outro. Adam me encara.
― O que foi? ― pergunto desconfortável.
Ele não responde e começa a explicação.
― Primeiro concentre-se. Esqueça tudo e pense apenas em uma coisa. Seu maior segredo. Algo que não quer que ninguém saiba. Pense nisto e em nada mais.
Não tenho muitas coisas de que me lembro e começo a pensar no episódio da escada. Sobre como aquela garota, Hillary, mexeu comigo. Quer dizer, não que eu tenha muito o que falar sobre ela, eu nem mesmo a conheço, mas ela não parece muito confiável para mim. E eu com certeza não gosto nem um pouco dela. Esse é meu maior segredo porque não quero que Adam saiba o que eu penso sobre ela. Sobre eles.
― Está pronta? ― ele diz olhando fixamente para mim. Eu assinto.
Adam se esforça por um tempo, mas por fim desiste.
― Acho que você aprendeu.
― E como sei se estou mesmo conseguindo?
Tive que perguntar. Quero ter certeza, não depender de ninguém.
― Eu já te disse, funcionou ― ele responde um pouco desnorteado.
― Você não entendeu o que eu quis dizer.
Adam junta as sobrancelhas.
― Ah ― responde, visivelmente chateado ― Você acha que não estou te falando a verdade, não é?
Não respondo diretamente a pergunta dele.
― Só gosto de ter certeza de tudo.
Ele suspira, apoiando os cotovelos nos próprios joelhos e apoiando a cabeça nas mãos.
― Você se lembra do que gosta, ruivinha?
Esse apelido… Uma lembrança do passado invade minha mente. Já o havia ouvido antes, mas onde? Ele havia me chamado assim no bar, mais cedo, mas não acho que seja só isso.
― Você não me respondeu, ruivinha.
― Você me chamava assim antes, não é?
― Eu já disse que não te conheço, Audrey.
― Então agora é Audrey? ― Não havia hora melhor para impedi-lo de ler meus pensamentos.
― Esse é seu nome, não é? ― continua.
― Estou cansada. Preciso dormir ― desvio completamente o assunto.
― Por favor, não me trate assim ― ele me encara.
― Assim… Como? ― pergunto um pouco confusa.
― Estou te ajudando, ruiv… Audrey. Você não precisa me tratar mal.
― Por que, de repente, você começou evitar me chamar de “ruivinha”?
― Acho que você não gosta. Só isso ― ele está claramente tentando disfarçar alguma coisa.
Eu o encaro, prestando atenção aos seus olhos. Eles eram… raros. Heterocromia não é exatamente algo comum. E os olhos dele me trariam alguma lembrança, eu sabia disso. Só precisava descobrir qual é.
Adam solta uma risada. Percebo que já conheço aquele som.
― Por que está me encarando?
― Quero me lembrar do seu rosto ― minha paciência com a sutileza já se esgotou.
Ele abaixa a cabeça. De repente um nome me vem à mente. Hondrix. Não sei o que significa.
― Hondrix ― digo em voz alta.
Ele levanta a cabeça devagar, com um sorriso um tanto melancólico no rosto.
― Eu sabia que você não iria esquecer ― murmura.
― Esquecer o quê, exatamente? ― pergunto um tanto confusa.
Ele não responde, apenas continua olhando para mim com o mesmo sorriso.
― Adam Hondrix ― digo de repente.
Ele assente.
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