When Love Happens

1 When it all started.



Logo após o café da manhã, arrumei minhas coisas, e saí de casa a caminho da escola. Era só mais um dia comum, uma típica manhã de Outono, eu acho; As arvores continham poucas folhas, pois a maioria havia caído ao chão, o clima era frio e húmido, mas havia um lindo e quente sol brilhando no céu, oque me fazia querer ficar em casa, assistindo os típicos programas matinais, enrolada em um cobertor felpudo.
A rua estava vazia e silenciosa, na verdade, silenciosa demais para o horário. Olhei em volta, e não havia uma pessoa se quer caminhando perto de mim. A não ser um homem, vestido com calças sociais, uma camisa branca, e um colete de lã velho e desbotado, ele carregava uma maleta, bem antiga por sinal, com alguns rasgos na lateral, ele a segurava, como se estivesse carregando um livro antigo e pesado. Continuei o meu trajeto até a escola, calma e andando em passos lentos e sinuosos. Até que eu ouvi os sinos da igreja badalarem, anunciando que já haviam dado 10h00min “MEU DEUS, ESTOU ATRASADA! de novo” pensei comigo mesma. Já era a quarta vez no mês que eu chegaria atrasada, e eu não estava disposta a encarar olhares de deboche enquanto ouvia um sermão do meu professor de inglês. Então, eu rapidamente acelerei meus passos, enquanto olhava para as cicatrizas e alguns cortes recentes no meu pulso. Parei no meio do caminho, observando os cortes, uma, apenas uma lágrima escorreu pelo meu rosto. Aquilo realmente doía, apenas olhando. Eu me lembrava do dia anterior, quando algo realmente havia me aborrecido, quando algo, mais uma vez, tinha me feito sofrer.
Por favor, não pensem, que sou problemática, ou suicida. Eu apenas sou frágil. Eu apenas não consigo lidar com todos os meus problemas.
Eu me sentia mal em fazer aquilo, eu me sentia culpada por me machucar. Mas na minha mente frágil, sensível e confusa, aquele ato, de me machucar, de me cortar, era a única maneira de aliviar a dor. A dor que para poucos não significava nada, mas para mim, significava novas cicatrizes.

Perdi-me em meus pensamentos, e mais uma vez, ouvi os sinos da Igreja badalarem, me assustei, e deixei de lado meus devaneios para correr e pensar na desculpa que daria por chegar, mais, uma vez atrasada.

É, foi como previsto – quando cheguei à sala, toda estabanada e cansada, todos os cinco alunos olharam para mim, uns com cara de deboche, outros confusos, pude ouvir um risinho, bem estridente por sinal, vindo da ponta da sala. Era ela, e menina, que eu conseguia detestar, com todas as minhas forças. – ouvi um pequeno, porém humilhante sermão sem me defender, sem retrucar, apenas fiquei com a cabeça abaixada, olhando para os meus all star sujos de lama e barro seco. Sentei-me na única mesa que sobrava, bem ao lado da menina com o riso estridente – a propósito, ela se chamava Flávia – ela me olhou com uma cara de desdém, e como sempre, tentou puxar assunto falando sobre os meninos que ela havia beijado no final de semana e há quantas festas ela havia ido, em apenas dois dias. E eu, como de costume, apenas olhei para ela – a bela menina, de olhos azuis, e um longo cabelo preto e liso, com pequenos cachos nas pontas – e sorri como se estivesse prestado atenção em tudo que ela havia dito.

A aula, como sempre, havia me entretido um pouco, oque fez, com que o tempo passasse mais rápido. Eu gostava de inglês, eu gostava de aprender a língua, mas o ambiente, as pessoas, que me olhavam com indiferença, nada daquilo me agradava.

A aula havia acabado, e eu senti que havia eliminado a 1º etapa do meu péssimo dia. Agora, só faltava o resto do dia de escola, e suportar minha família à noite.

Meu horário de almoço, não era em uma hora certa, era apenas quando me desse fome, mas como eu não queria me atrasar para mais nada, saí da escola, e fui direto para o restaurante em que eu almoçava as terças e quintas. Era um lugar simples, mas bem ajeitado, com várias mesas cobertas por toalhas laranja, e um balcão onde ficavam os pratos, e as comidas.

Almocei, rapidamente, afinal, como eu havia dito, eu apenas almoço quando sinto fome, mas hoje fiz uma exceção, e almocei, sem ter um pingo de fome.

Saindo do restaurante, senti meu celular apitar, avisando que havia recebido um novo “sms”. Era de Kallia, e continha a seguinte frase: Liz (me desculpem por não ter dito, meu nome é Elizabeth) me liga! Eu tenho uma enorme novidade pra te contar! Rápido!

Eu, não me empolguei com a mensagem de Kallia, eu sabia que seria só mais uma de suas novidades bobas, como dá ultima vez, quando ela me ligou desesperada por causa de uma matéria que ela leu um site falando, que a nossa banda favorita, One Direction, iria se aposentar... Mas, não se passava de um boato.
Sem retardar mais a minha conversa com ela, disquei o número do seu celular, e bastaram duas chamadas para que eu ouvisse sua voz extremamente alegre e empolgada dizendo:

- Liz! Liz! Liz!
— Oque houve Kallia

- Você não vai acreditar!
— Se você não me contar logo, eu não adivinharei nunca!

- Ai, pare de ser mal-humorada Elizabeth! Mas enfim, NÓS GANHAMOS! Nós ganhamos o concurso de intercâmbio!

- Meu Deus! Isto é sério Kallia ? está não é mais uma de suas brincadeiras não é ?

- Claro que não Liz! Nós ganhamos! Nós vamos para Londres! A terra da Rainha! E o melhor: A terra do 1D ! Dá pra acreditar ?

- Não, com certeza não dá para acreditar! Pelo menos uma notícia boa, em tanto tempo!
— E o melhor: nós vamos nó próximo mês ! Daqui a 15 dias !

Não pude conter minhas emoções diante da noticia que a Garota Morena, com olhos verdes, quase azuis e um longo e liso cabelo ( sim Kallia era linda, linda mesmo !) havia me trazido.

Os 15 dias passaram rapidamente, em meio a todas as coisas que tínhamos que providenciar, nem me lembrei do tempo, um longo tempo por sinal, que eu passaria longe do Brasil. E para uma pessoa nada patriota como eu, ficar longe, seria a melhor coisa que eu estava fazendo.

No dia em que embarcaríamos, acordei super cedo, para me arrumar e revisar direitinho a minha mala.

Coloquei essa roupa http://www.polyvore.com/cgi/set?id=50477994&.locale=pt-br ,desci as escadas e fui diretamente para a cozinha, onde encontrei minha mãe, já chorando á mesa. Eu, simplesmente odiava despedidas, eu amava meus pais, e de certa maneira me doía deixa-los por tanto tempo, mas eu sempre quis morar fora, com ou sem eles, e talvez, indo sozinha, seria uma boa maneira de começar de novo.

Terminei de tomar meu café, escovei meus dentes, peguei minhas cinco malas e fui para o carro.
Meu estomago estava cheio de borboletas, eu estava realizando um dos meus sonhos, mas estava com medo de não me dar bem, e de que nada desse certo em outro país.

Chegamos a casa da Kallia, e como sempre, ela estava linda (http://www.polyvore.com/kallia_aeroporto/set?id=50479661&.locale=pt-br ) . Fomos para o Aeroporto, fizemos o check-in e estávamos indo para a sala de embarque acompanhadas dos meus pais, e minha mãe já em prantos veio se despedir de mim quando nosso voo foi anunciado. Ela chorava desesperadamente como se nunca mais fosse me ver, ela me abraçava e dizia:

- Eu vou sentir sua falta, me ligue! Todos os dias, para eu saber como você está, entendeu ?

- Pode deixar mãe! Eu vou ligar!

Terminei de me despedir da minha mãe, e fui abraçar o meu pai, que ainda continha o choro. Eu o abracei e ele disse:
— Minha pequena, se cuide!

- Eu vou me cuidar papai, pode deixar !
— E como sua mãe disse: NÃO SE ESQUEÇA DE NOS LIGAR TODOS OS DIAS !
— Não irei me esquecer !
— Tenha juízo, seja dedicada, preste atenção nas aulas e faça com que esse tempo que você irá passar longe de nós, valha a pena.
— Irei fazer tudo certo ! Acredite. Eu te amo

- Eu também minha princesinha.
Kallia se despediu dos meus pais e fomos para o portão de embarque...