When I'm Gone
6 Perdida
Notas iniciais
Com certeza, era a mesma caverna. No entanto, essa era a única certeza que tinha e era, obviamente, muito pouco útil.
Olhou ao redor, a parede agora era lisa e não havia sinal de que houvesse sido entalhada. Sentia-se confusa e atordoada, mas voltou a caminhar junto à sua fiel moto e procurar uma saída.
– Okay. Eu não entendo muita coisa de arquitetura, mas tenho quase certeza que entalhes mais antigos que a tralha da minha avó não somem assim do nada... — murmurou, tocando de leve na pedra lisa e recuando ao sentir uma energia estranha atravessar seu corpo — Okay... Isso está mais estranho a cada minuto.
Com sua mão ligeiramente recostada a seu peito ela virou-se em busca de algum sinal da saída e um punhado de folhas verdes e vaga-lumes rapidamente chamou sua atenção. Apertou a mão que segurava sua moto antes de levar sua outra mão ao lado oposto.
Olhou para seus pés, arrastando um deles para a esquerda, sentindo as pedras e rochas se rebelarem contra a sola do sapato, decidiu que era mais sábio não usar a moto num terreno com um relevo tão irregular e acidentado. Bufou com a perspectiva de andar uma distância não determinada carregando uma moto depois de ter perdido litros de sangue e sobrevivido a morte iminente 3 ou 4 vezes.
Ainda assim, resignou-se e deu o primeiro passo dos muitos que viriam naquela quietude onde o único som era o eco de sua lenta progressão no caminho.
O ponto brilhante no horizonte, no inicio, não lhe fez muito alarde, vaga-lumes a rodeavam desde o inicio do percursos, aquele estava só um pouco mais afastado que o resto. Quando ele começou a ficar mais largo, foi aí que ergueu uma das sobrancelhas (não que fosse algo que pudesse ser notado na meia-luz em que se encontrava).
Deu alguns passos para trás para ter certeza, vendo o ponto diminuir e ficar maior quando se aproximava. Exultante era uma palavra muito fraca para sua sensação. Não andou mais, correu. Correu como se sua vida dependesse daquilo.
"Mais um pouco", ela pensou consigo mesma, dando o máximo de ânimo a suas pobres pernas que conseguia reunir dentro de si, "Só mais um pouco"
Como em uma resposta birrenta, seus joelhos falharam, mas ela continuou, a grama verde e as arvores balançavam ao vento convidativos, o céu azul contrastando com o cinzento que ostentava no dia anterior, durante toda aquela confusão.
Não ligou.
Sua logica não ligou.
Quando chegou do lado de fora, riu, apoiando a moto no chão e rodopiando a brisa batendo em seus cabelos e o cheiro de Flores impregnado no ar.
– Yeah! — gritou, pulando como uma louca -Tora-sama, 1! Caverna do mal, 0!
– Olá?
A voz infantil a fez congelar. Que diabos? De onde brotara? Devia virar? Devia não virar?
– Oh, merda! — praguejou aos céus — Kami, 1. Tora-não-sama, 0.
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