Minhas pernas falharam quando o vi seu corpo caído no chão, meu coração se apertou, meu amor estava ferido. Minha preocupação cresceu ao pensar que poderia ser algo grave, já que ele não se mexia, estaria desmaiado talvez.

Talvez. Porque todos em sua volta choravam? Porque em seu peito não havia movimento de sua respiração?

Talvez por que as pessoas em suas voltas estavam assombradas pela dimensão em que a guerra chegou, pelas mortes vistas nas suas frentes, por medo de perder alguém amado. Talvez ele estivesse... não!

A Weasley mais nova, que estava a chorar nos braços da mãe, ao ver o trio de ouro, veio correndo ao nosso encontro. Seus olhos azuis estão vermelhos e molhados, ela olha para o irmão ao meu lado, depois para mim e com esforço sua voz sai em sofrimento.

–Fred está morto!

Morto. Aquelas três palavras nunca vou esquecê-las, Harry a abraçou, Rony correu chorando até a mãe.

–Morto!- Meus lábios trêmulos sibilaram.

Senti meu coração doe, como se naquele momento alguém o arrancasse a sangue frio, a aflição em tomou. Uma ardência apareceu em meus olhos, logo lagrimas surgiram, minha garganta agonizava em gritos mudos.

Não contive a ansiedade, caminhei lentamente até seu corpo onde Jorge permanecia sentado inconsolável, ele me olhou assim que sentei do outro lado do corpo de Fred. Seus sentimentos eram os mesmos que os meus, dor e tristeza, fechei os olhos tomando coragem de olhar para cadáver pela primeira vez.

Lagrimas escorreram através de meus olhos cerrados, não estava preparada para ver a pessoa que amo morta na minha frente, tomei a coragem grifana que me sobrou e abri os olhos. Minha visão embasada me poupou do sofrimento imediato, porem logo eu vi, em perfeito contraste diante de mim.

Fred.

Mais uma vez em poucos segundos não consegui conter a agonia, desabei a chorar, a amargura me possuiu. Não sei quanto tempo fique a chorar em silencio ao lado de seu irmão, agora sem gêmeo, só dei conta quando realmente percebi que Fred não estava entre nós.

–Por favor, levanta dai- Pedi tocando seu rosto- Eu não gosto desse tipo de brincadeira.

–Bem que eu queria que ele estivesse brincando dessa vez- Comentou Jorge.

Voltou a chorar debruçada em seu peito, lugar que por algumas noites era o mais confortável travesseiro que alguma vez pude pedir, apenas queria ouvir alguém me dizer que tudo ficaria bem.

–Ele se foi- Escutei a voz angustiada de Molly.

O desgosto era tanto que se tornou em lucidez, me segando, queria apenas ouvir o som de sua voz. Apenas queria sentir seu cheiro, apenas queria sentir o seu toque em minha pele, apenas queria sentir seu corpo sobre o meu.

Somente mais uma vez. Somente mais uma vez desejava sentir seu sabor, somente mais uma vez desejava sentir Fred sussurrando em meu ouvido me fazendo arrepiar, somente mais uma vez desejava ouvir sua risada. Somente mais uma vez desejava brigar com ele, somente uma vez desejava fazer amor com Fred, somente mais uma vez desejava bagunçar seus cabelos de fogo.


Simplesmente queria a Fred. Simplesmente queria me divertir com uma das suas brincadeiras idiotas, simplesmente queria ficar acordada até tarde jogando conversa fora, simplesmente queria o encontrar escondido. Simplesmente queria lhe dizer-te que o amo.

–Fred!- Chamei em suplica.

Não houve resposta, era assim que seria nunca mais o teria.

–Hermione!- Ouvi alguém me chamar, esperança foi ser Fred- Vamos Mione, eles têm que tirar o corpo dele daqui- Harry forçou em me levantar.

–Não vou o deixar- Gritei me agarrando ao corpo de Fred.

–Neville me ajude- Escutei ele pedir.

Logo sentir uma força múltipla me puxando, infelizmente sabia que eram as garras da morte o levando para além de mim, em um esforço reuni minhas ultimas forças antes que a dona da destruição o arrastasse... Toquei seus lábios já gélidos pela ultima vez.

Não tive condições de participar de seu enterro, muitos ainda estavam chocados por saber sobre o nosso relacionamento, apenas única pessoa sabia. George, não havia como Fred esconder isso do irmão, no fim foi até bom o gêmeo saber, pois o mesmo livrava-nos de ser descoberto, Ginny desconfiava que houvesse algo entre nós, mas nunca chegou a algo concreto, até aquele perverso dia em que ele foi tirado de mim.

Tinha que conviver com sua perca, revivendo os momentos que passamos juntos e apenas aguardar o momento em que a as garras afiadas da morte me leve de encontro a ele. Desejava francamente que nosso encontro não demorasse, que nem uma boa alma acareasse algum tipo de empecilho de impedisse ou tardasse meu encontro com a mão do destino, pois almejava verdadeiramente essa nossa união.

A morte já não era mais considerada uma vilã, era apenas uma velha amiga que eu esperava de braços abertos.

Notas finais
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Você chegou ao fim do livro. Parabéns!