When I Met You

1 Capítulo 1


Os dias pareciam não passar dentro daquele apartamento, a garota queria sair dali mais do que um preso quer sair de uma prisão. Era assim que ela se sentia, em uma prisão. Seu patrão tinha lhe dado aquele pequeno e estúpido apartamento, contanto que ela desse setenta por cento do que recebia para ele. Sabia que aquilo era um abuso mas não podia evitar. Tudo o que ela precisava naquele momento era de sossego e de sua mãe. E um banho bem quentinho, soava acolhedor à ela. Tomar banho quente sempre foi um de seus vícios, um vício que foi trocado por outros, não lembrava da última vez que tomara um banho quente de verdade. A água daquele lixo que ela morava não passava de morna, e a garota podia jurar que as vezes a água saía um pouco escura. Pelo menos a menina ainda tinha a dignidade de comprar o seu sabonete preferido.

Olhou para seu melhor amigo Afonso, que desviou o olhar. Será que ele não poderia olhá-la nem por um segundo?

- Vem Afonso, vou te dar comida. — Ela disse por fim para seu gato. Sim, seu melhor e único amigo era seu gato velho e gordo chamado Afonso. Desde que perdeu toda a sua vida, ele foi o único que sempre continuou com ela, não que ele tivesse muita escolha, pois não tinha.

Ainda faltava uma hora para seu turno na casa noturna Black Lights. A menina tinha o turno de início que ia das oito da noite as dez. Mas como precisava receber mais dinheiro, pediu para uma das meninas da madrugada que trocasse com ela. Pegou o turno das duas da manhã até o momento que não tivesse mais nenhuma alma viva no lugar, ou alguém a levasse para um motel. E depois de tudo isso? Voltava para casa com trinta por cento do que o homem realmente a pagaria e nem mesmo tinha uma água quente!

Quando a garota tinha acabado de sair de casa, e encontrado o emprego ela se sentiu bem, achou que seria um experiência e que com o tempo se acostumaria com a vida que levaria dali para a frente, mas já fazia um ano que a menina fazia aquilo e ela estava sinceramente cansada de tudo. A vida continua, Sophia. Apenas apresse o passo e chegue logo na boate. Repetia isso para si mesma enquanto caminhava pelas ruas do bairro mais imundo de Londres. Não via a hora de acordar daquele pesadelo. Pessoas dormiam pelas ruas, e naquela hora ela podia jurar que via ratos correndo entre os boeiros. Muitas meninas de programa pela rua, e cada uma delas tinha seu ponto marcado, e não era uma decisão amigável. Viu uma criança andando sozinha com pouca roupa pelas ruas e se sentiu a pior pessoa do mundo por não poder fazer nada por ela. Aquele lugar fedia a puta e a droga, e a qualquer outra coisa que podia ser encontrado ali. Lixo espalhado, mendigos e cachorros sarnentos, eram outras coisas que a cena a oferecia a ela. Ficou feliz por avistar a boate, por mais que soubesse que não seria assaltada, tinha um pouco de medo de andar sozinha pelo local.

- Kessie! Ainda bem que chegou garota. Precisamos conversar. — Seu chefe a parou assim que pisou na boate. Sophia imediatamente ficou apreensiva. Aquele homem barbudo e gordo nunca tinha pedido para falar com ela com um olhar tão sério quanto o que ele mantinha naquele momento. Ela conseguia enxergar ali todo o nervosismo que o senhor estava sentindo naquele momento. — Olha menina, eu sei que você sempre foi uma das minhas melhores dançarinas, e sempre consegue ótimos clientes, mas infelizmente não estou recebendo mais do que estou gastando, e preciso que alguém saia. — Sophia tinha os olhos marejados, já sabia o que vinha a seguir. — E você sabe as regras criança.

- Última contratada, primeira demitida. — Ela falou alto o que o senhor que parecia não ter mais do que cinquenta e cinco anos, não teve coragem. — Tudo bem Mark, eu já sabia que em algum momento isso ia acontecer. Mas... E o apartamento?

- Você tem até o fim do mês para conseguir pagar o aluguel, se não terá que sair de lá. Um mês Kessie, não posso te dar mais que isso. Você pode ficar com o dinheiro que conseguir hoje. — Dito isso o seu chefe se retirou do local deixando a garota sem chão. Como ela tinha chegado aquela situação?

Quando já era m três da manhã um homem que não parecia ter mais de vinte e cinco anos se aproximou do lugar onde Sophia dançava e ficou a encarando por um tempo.

- Quando você cobra?

- Trezentas libras a hora, não inclui beijos, e se tiver algum fetiche ou vontade a mais o preço aumenta de acordo com o que for. — A garota disse ao parar de dançar. O homem a olhou de cima a baixo novamente e então a estendeu a mão.

- Fechado.

A menina pegou na mão macia do homem e desceu do palco agradecendo. Saíram da boate naquela última noite que a menina passara ali. Sentiu o vendo frio tocar seu rosto, se arrepiando um pouco, nada com que já não estivesse acostumada.

- Qual o seu nome? — O homem perguntou.

- K, você pode me chamar de K. — O resto da viagem foi silencioso como se nenhum deles tivesse dito nada. A garota tinha vontade de rir, pelo nervosismo do cara, ele nunca tinha feito algo como aquilo. Podia ver a força com que ele segurava a direção e também a respiração descompassada do mesmo. Como ela queria rir naquele momento. Fazia tempo que não queria rir de nada, mas ali, naquele carro, ela daria tudo para dar um gargalhada na cara do homem desconhecido por ela. E então teve vontade de ligar para sua mãe e contar pra ela como foi incrível a vontade que ela teve de rir, e em um segundo tudo passou. Não existia vontade de rir na vida que ela levava agora. Teve vontade de chorar, e então olhou para o menino no volante, sim, menino. Ficou claro como ele era novo, tanto em idade como em precisar de um prostituta. Riu com a mudança repentina de humor, e quando o menino a encarou, ela logo parou de rir. Profissionalismo, Sophia.

Estavam no hotel a mais ou menos vinte minutos, tiravam as suas roupas e o clima estava ficando quente, o garoto agarrava forte na coxa da menina, enquanto distribuía beijos ao longo do pescoço dela, e com certeza deixaria algumas marcas ali. A menina gemia baixinho, e tudo estava acontecendo quando, de repente, o menino parou. Levantou ofegante da cama e começou a vestir suas roupas de novo, com um pouco de pressa.

- Eu não posso fazer isso. — Então a menina teve realmente vontade de rir, e o fez. Ela estava gargalhando. — Do que você ta rindo?

- De você! — Ela disse entre risos. — Olha só a sua cara de culpado! Ai meu Deus, você tem namorada, não é? Olha, fica tranquilo que se você pagar mais cem libras, a gente negocia um contrato de sigilo. — E então ela voltou a gargalhar.

- Garota, será que não dá para parar de rir? Eu preciso disso, esse contrato, eu pago quando precisar.

- Não tem contrato nenhum, é só uma brincadeira, ninguém vai te descobrir...

- Leonard.

- Leonard, ninguém nunca vai te descobrir, eu nem teria para quem contar. — A garota disse a última parte mais baixo. Mas ainda estava anestesiada pelo seu ataque de risos. — Mas ainda temos quarenta minutos, não quer desabafar sobre o que aconteceu minutos atras? — Fazia tempo que ela não falava com alguém assim, mas vendo a vulnerabilidade do rapaz, ela se sentiu mal por rir dele.

- Você é só uma prostituta, o que sabe sobre relacionamentos? — Por mais que tenha soado grosseiro, o que era mesmo a intenção, a menina continuou insistindo, tinha quarenta minutos e precisava daquele dinheiro. E também ficara curiosa com a reação do outro.

- Você é só um desconhecido, o que sabe sobre quem eu sou? — A menina desafiou. E então continuou — Seria melhor conversar comigo do que com seus amigos, que provavelmente ririam de você por amarelar com uma "prostituta".

Passaram mais cinco minutos em silêncio, a menina já tinha vasculhado o quarto e agora tomava um champanhe que eles tinham pedido quando tinha chegado. O garoto, no entanto, olhava para a rua pela grande janela que tinha no quarto. Ambos pensavam e sua vida, desde que a garota recebesse no final, para ela estava tudo bem.

- Namorávamos desde o colegial, ela dizia que me amava e que estaria comigo sempre, ela fazia planos comigo para depois da faculdade, pensávamos em ter uma família.

"E então essa tarde ela chegou para mim com um rostinho triste, disse que não queria mais ficar comigo, disse que ela tinha mudado muito e que nós dois não tinha mais nada a ver. Eu fiquei com a maior cara de nada enquanto ela pegava tudo o que era dela do meu apartamento. Eu chorei por ela, pela primeira vez na vida, eu chorei por uma mulher. Então ela virou para mim e disse que tá saindo com outro cara a algumas semanas, e que tá sendo maravilhoso. Ela me disse que vai viajar com esse cara, disse para eu não procurar ela, se não seria pior, e doeria mais em nós dois — Leonard riu irônico -, tu acha que doeu nela? Eu tenho certeza que não. E então eu saí e achei uma boate, e lá eu achei você. São quase quatro horas da manhã e eu to aqui choramingando para uma pessoa que eu nem conheço.

Sophia prestou atenção em todas as palavras, escutou a história calmamente e lembrou de quando seu namorado terminou com ela, motivos parecidos. O fato dela também ter mudado e não ter mais nada a ver com ele.

- Então você está se sentindo culpado por ficar com outra pessoa depois que sua namorada terminou com você? — A menina parou por uns segundos e ele assentiu. — Mas ela jogou na sua cara que tá ficando com um cara melhor que você! — E quando ela disse isso, tudo pareceu clarear, e ela fez uma cara de surpresa e ao mesmo tempo animada com o que acabara de descobrir. — Enfim, acabou sua hora, são trezentas libras.

O menino tirou o dinheiro do bolso, e estendeu a menina, contou mais algumas notas e alegou ser para o táxi. Soph pegou o dinheiro da mão de Leonard, se aproximou e depositou um beijinho nos lábios do garoto. Virou as costas e quando estava saindo do quarto ouviu o menino perguntar.

- Qual o seu nome?

- Sophia. — Ela disse apenas, e saiu.

Notas finais
Oi gente, tudo bem? Eu espero que sim! Este é só o primeiro capítulo da história, e ele tá um pouco curtinho mas eu prometo que vai melhorar, ok? É a primeira vez que eu posto algo que eu escrevo então sejam boazinhas comigo. Eu quero muito que vocês tenham gostado e que comentem alguma coisa para me incentivar a escrever mais, e mais. Beijinhos.
Ps.: O nome da fanfic é provisório, e eu espero que dê para mudá-lo quando eu encontrar um que eu ache que se encaixa perfeitamente com a fanfic.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.