When I Met Her
1 A dor da perda
Notas iniciais
Em meio ao ruído de sirenes e luzes vermelhas piscando, ele se encontrava absorto, bilhões de imagens passando em sua cabeça, confusão e desespero tomavam conta de seus pensamentos quando chegara à estrada que dava acesso ao seu bairro. A garganta seca, respiração descompassada e coração acelerado, o medo era palpável. Um aglomerado de pessoas o impedia de ver e testificar o que ele mais temia. Era ela. Por um momento o mundo parou de girar e seu coração parou de bater. O peso da dor era demais para ele, e em frente àquela cena grotesca, caiu sobre seus joelhos e soltou um grito cortante. O carro de Melissa estava totalmente destruído e em chamas, Ela havia sido lançada para fora e estava estendida no chão do outro lado da rodovia, seu corpo ensanguentado, seu lindo rosto desfigurado por hematomas e cortes profundos, seus belos olhos já não tinham mais brilho, apenas o olhar distante de um corpo sem vida. Ele queria apenas abraça-la, mas não podia. Paramédicos a rodeavam, e policiais o impediam de se aproximar. Era o fim, sua amada já não estava mais ali, seus sonhos, planos, o filho que ela esperava e que já era tão amado por ambos, foram arrancados pela crueldade do destino.
QUARTA-FEIRA, 07h15
Acordei cansado, era assim todas as manhãs. Dormir já não fazia mais efeito, pois meu corpo não sabia o que era relaxar. Levantei fui fazer minha higiene matinal, vesti bermuda, camiseta e tênis. Peguei meu Ipod e fui correr. Sabe quando você faz algo e nem percebe que está fazendo? Esse sou eu correndo. Não vejo nada nem ninguém, apenas corro. Minha mente se liberta e esqueço um pouco a dor dos meus dias, conviver com a dor se tornou mais simples ao longo desses 6 anos, tão simples que chorar até dormir se tornou um hábito, um ritual do sono eu acho...
— Noah, espera cara! Passou e nem me viu?
— Você sabe que me desligo quando estou correndo Ben, já deveria estar acostumado. – continuei olhando para frente.
— Eu sei, mas você parece que está fugindo de alguém essa manhã, está correndo feito louco. – Disse ofegante tentando acompanhar minha passada.
— Talvez eu esteja mesmo.
— De quem? – me olhou confuso.
— De gente chata que quer puxar assunto essa hora da manhã! – dei um meio sorriso e ele entendeu minha ironia.
— Você não muda mesmo, não é? – parecia irritado – Mas, me diz, como estão as coisas com seu pai?
— Melhores, parece que ele e a mamãe querem voltar a morar aqui em Nova York.
— Uau, isso seria perfeito! Seus tempos de solidão iam acabar. – sorriu tentando me fazer sorrir também, não funcionou. – Qual é Noah, você não tem mais vida! Desde que a Melissa morreu você vegeta dentro daquele apartamento, é de casa para o escritório, do escritório para o café, do café para casa. Já está na hora de você superar, seguir em frente, acabar com esse luto eterno cara!
— Mais respeito, Benjamim! É da minha esposa que você está falando – parei de correr e o encarei, carrancudo. Não gosto quando ele se refere à Melissa desse jeito.
— ELA SE FOI, NOAH! E não há nada que você possa fazer para trazê-la de volta... – me encolhi, pois aquela era uma verdade que eu não gosto de ouvir. – Escuta, eu tenho certeza de que ela iria querer que você seguisse com sua vida, amigo. Você não pode passar o resto da sua vida sem amar alguém de novo.
— Pra quê, Ben? Pra vida puxar meu tapete outra vez? Pra eu sofrer, pra esse buraco no meu peito que não cicatriza nunca ficar cada vez maior? Eu a amava mais do que a minha própria vida, e ninguém vai conseguir preencher o vazio que ela deixou, ela e o meu filho que ela carregava na barriga! Eu não quero me envolver com mais ninguém, eu não quero mais sofrer, você não entende? – a essa altura eu já esbravejava. – Sei que você quer me ajudar, mas essa não é a melhor maneira.
— Está certo, Noah. Só que é difícil para mim, ver meu amigo morrer e ficar seco por dentro. Você era um cara pra cima, feliz, sorridente...
— Mas isso acabou! O cara que você conhecia morreu junto com a Melissa naquele acidente. – disse encerrando a conversa. – Tenho que ir, a gente se vê.
Coney Island, Nova York
— Brooke, me ajuda aqui, essa é a última caixa. – tentando me equilibrar na escada do prédio com uma caixa duas vezes maior do que eu.
— Holly, suas costas vão te matar, porque você não esperou para eu descer e te ajudar?
— Ah, eu tô tão feliz que nem estou pensando na dor. Finalmente temos um apartamento, amiga!
— Eu também nem acredito, caramba! A faculdade passou tão rápido... Agora nossa vida vai começar de verdade! Cuidado com a porta – passando a caixa no batente da porta caltelosamente.
— E amei esse bairro, é tão fofo! – pondo a caixa no chão.
— Temos que comemorar, vamos sair mais tarde? Eu vi uns bares bem legais pro lado do centro, podemos ir mais tarde, o que você acha?
— Ótima ideia, temos que festejar, finalmente vida adulta!!! – nos abraçamos e deitamos no chão pois eu estava morta de cansada de tanto carregar caixas.
Financial District, Nova York
— Noah, vamos sair mais tarde? – aparecendo do nada na minha mesa. Ben adora fazer esse tipo de coisa.
— Ben, agora não! Estou ocupado. – bebericando meu café
— Ocupado fazendo o quê? Tá aí lendo jornal – desdenhando – Vamos, cara. Vamos em algum lugar legal, música ao vivo, cerveja boa, gente bonita. Tem uns pubs legais lá no centro, vamos?
— Se eu disser que sim, você promete ficar quieto o resto do dia? – disse sem olhar para ele
— Prometo, amigão! Você não vai se arrepender! Passo na sua casa às 20:30. – saiu todo alegre.
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