When I Felt In Love
1 1º Capítulo
Notas iniciais
Ju: –Vem você, você, e você também — Juliana refletia sobre seu dia enquanto se aprontava para o trabalho.
Ela não era lá uma pessoa muito ligada à moda, achava tudo isso muita bobagem.
Suas filhas, Marcela e Mariana, nascidas na era da tecnologia e da preocupação com a aparência, não conseguiam se conformar com o fato de sua mãe, uma mulher tão bonita e antenada, não se preocupar com isso.
Enquanto isso, não tão longe dali, pedalando pela Orla carioca, estava Alex, um empresário bem-sucedido, charmoso e de bem com a vida, não gostava de se meter nos assuntos de sua empresa, e deixava tudo a cargo de Carlos Eduardo, ou, Cadu, seu melhor amigo.
Duas pessoas completamente diferentes. Vidas diferentes, estilos diferentes, pensamentos diferentes… Mas o que poderia unir esses dois?
Juliana sai de casa completamente atrasada, desce as escadas correndo e se depara com Mariana
Mari: Mãe, pelo amor de Deus, o que é isso?
Ju: Isso o quê, Mariana?!
Mari: Essa roupa… Esse óculos horroroso, (Juliana ajeita seu óculos) esse vestido dos anos 60… (Juliana olha para baixo observando sua saia) Virou hippie, foi? Que horror! E esse terno branco com preto? Mãe, você é linda, maravilhosa e usa isso?
Ju: Mariana, meu estilo é problema meu. Estou atrasada, não discutirei moda com você. Tchau!
Mari: A estudante de design de moda que tem bom gosto aqui sou eu. Você devia me ouvir, sabia?! Está precisando…
Deixando a filha falando sozinha, ela pega alguns livros em cima da mesa, sua bolsa e sai, a pé mesmo, para seu escritório de advocacia que era perto dali.
Alex, curtindo um som, pedala distraído, admirando a paisagem. Distraído demais, por sinal…
Uma mulher atrapalhada, provavelmente atrasada, aparece em sua frente com um visual, digamos, nada normal…
Alex não consegue desviar e acaba esbarrando sua bicicleta na mulher que tanto chamara sua atenção. Ela cai e Alex para a bicicleta:
Alex: Desculpe-me, senhora.
Mulher: Senhora? Já se olhou no espelho?
Alex: Ah… (ele a observa) você não parece uma senhora, mas essa roupa… Não ajuda muito…
Mulher: Como se não bastasse o senhor me atropelar, ainda reclama da minha roupa! O mundo está mesmo perdido! Um senhor, se achando O garotão, me atropela e ainda tem coragem de reclamar da minha aparência! Vai dizer que a culpa foi minha também?
Alex: Senhor?
Mulher: Senhor sim. Olha aqui, não sou obrigada a ouvir suas desculpas e desaforos, pelo jeito é assim que você trata sempre as pessoas, e como diz o ditado: “Não se discute com gente ignorante, é capaz de se tornar um”
Ela abaixa para juntar seus livros e Alex a ajuda.
Mulher: Não preciso da sua ajuda.
Alex: Só quero me redimir, aliás, seu braço está ralado… Meu apartamento é a duas quadras, podemos ir lá e eu faço um curativo.
Mulher: Caramba, como você é prestativo! Deve ser mais um riquinho metido a besta que atropela mulheres e usa seu charme patético para conquistá-las. Um aviso, comigo não funciona.
Alex: Nossa! Você costuma ser assim carinhosa com as pessoas?
Mulher: Não vou gastar meu tempo com uma pessoa como você. Por favor, me dê licença, estou atrasada.
Alex: Me chamou de "você”? Olha que evolução!
Mulher: Por favor, não torre minha paciência!
Quando Juliana já ia saindo, com ainda mais pressa, Alex pula da bicicleta e vai atrás dela.
Alex: Espera!
Juliana: O que foi desta vez?
Alex: Você está tão atrasada assim?
Ela olha para o relógio e diz:
Ju: Muito!
Alex: Você trabalha muito longe daqui?
Ju: Iiih! Não vou te dar satisfação da minha vida não, viu?
Alex: Poxa, calma aí, baixa a guarda. Eu só queria te convidar para tomar uma água de coco comigo.
Ju: Eu nem te conheço!
Alex: Está aí mais um motivo para você aceitar. É sempre muito bom conhecer gente nova.
Ju: Não sei não…
Alex: Vamos! Você vai ver que não sou esse monstro que você acredita.
Ela então olha para ele, para o caminho que devia seguir, para o relógio, e para ele novamente.
Mulher: Ok, vamos! Mas tenho que ser rápida, muito rápida.
Alex pega sua bike que havia ficado no chão e eles vão até um quiosque ali perto.
Alex: Duas águas de coco, por favor — disse ao garçom. — Mas então.. Com essa confusão toda, esqueci até de perguntar seu nome.
Ju: É Juliana, Juliana Ribeiro. E o seu?
Alex: Alexandre Matos de Aquino, mas me chame de Alex.
Ju: Ah! Então você é o famoso sr. Matos de Aquino, dono da Matos de Aquino Construções S.A., grande sua empresa…Já ouvi falar muito de você, mas nunca tinha visto nenhuma imagem sua.
Nisso, o garçom trouxe os dois cocos até a mesa onde eles estavam.
Garçom: Mais alguma coisa?
Ju e Alex: Não, obrigada. — disseram os dois, quase ao mesmo tempo.
Alex: Pois é, não gosto de me expor. Além do mais, não sou eu que cuido de empresa, não tenho paciência pra isso. Não me envolvo em nada. Quem toma conta de tudo é meu amigo, Carlos Eduardo.
Ju: Não administra porque tem preguiça ou porque não “nasceu” pra isso?- diz Juliana em um tom sarcástico
Alex: Acho que as duas coisas. Meu pai foi o fundador da empresa. Quando ele faleceu, tive que assumir. Mas eu nunca gostei dessas coisas. Eu gosto de praticar esportes, aproveitar a vida… E você?
Ju: Eu o quê?
Alex: O que você faz?
Ju: Ah! Eu sou advogada. Tenho um escritório com mais duas amigas.
Alex: Nossa! Então foi o destino que colocou você na frente da minha bicicleta.
Ju: Por quê?
Alex: Estou mesmo procurando uma advogada, para tratar do meu divórcio.
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