When Hatred Turns Love

13 Light on the darkness


Notas iniciais
Calma, calma. Não morram, nem me matem, pelo olimpo sagrado!
Eu avisei que ia dar prioridade a esse capítulo (não avisei?), mas ele ficou graaaande, por isso demorou mais tempo de escrever.
Ok, divirtam-se!!!

Annabeth:

Depois de alguns minutos sentada na cama de Thalia, eu já me sentia uma idiota. Não via nenhuma necessidade de colocar fones de ouvindo, tocando músicas estupidamente altas, enquanto Thalia ia pegar a “surpresa”. Já estava me xingando por dentro.

Quando tirei os fones, percebi que a casa estava totalmente em silêncio, exceto por umas batidinhas, como livros sendo jogados no chão.

- Thalia! – falei alto. Eu já estava indo procura-la quando de repente ficou tudo escuro. Era como se tivesse acontecido um apagão, o que não fazia sentido, já que não estava chovendo nem nada.

Aquilo me assustou tanto que dei um pulo e um grito ensurdecedor. Depois tudo ficou em silêncio assustador, até as batidinhas pararam.

- Thalia! – gritei mais alto e saí correndo do quarto. Sei que é uma coisa idiota de se fazer quando a casa está toda escura, com chances de ser um assalto ou a aparição de espíritos, mas eu estava desesperada.

Então eu ouvi passos. Soltei o ar, aliviada. Thalia estava me procurando também. Mas porque ela não me chamava, nem nada? Fui em direção dos passos, sem saber exatamente onde estavam.

Fui tateando ás cegas, tentando chegar a algum lugar. Senti o corrimão e me sentei no primeiro degrau da escada, descendo de bunda até o chão da sala.

- Thalia, cadê você? – gritei de novo. Então ela estava se escondendo de mim? – Não tem graça!

Ouvi os passos no andar de cima. Olhai para onde o som havia vindo, mas não conseguia ver nada. Os passos estavam ficando mais próximos, e agora eu temia não ser Thalia.

Então os passos oscilaram, e eu ouvi algo rolando escada abaixo. Parecia ser uma pessoa. Ela rolou até o chão e levou um tempo para se recuperar. Ouvi-a se levantando com esforço, resmungando xingamentos que fariam minha mãe me chamar atenção.

Corri para onde a pessoa havia caído. Se fosse Thalia, ela precisava da minha ajuda. A queda havia sido feia, então ela devia estar bem machucada.

Acabei me chocando violentamente com uma pessoa, e nos duas caímos no chão. Eu bati minha cabeça, e a outra pessoa choramingou, como se não precisasse de mais nada para se machucar.

Levantei-me lentamente, mas a outra pessoa se levantou com dificuldade.

- Thalia? – perguntei insegura.

- O que? – perguntou a pessoa.

Dei um grito de pavor. Não era a voz que eu esperava, e sim um homem. Havia um homem na casa, e estava tudo escuro. Bateu um desespero descontrolado e eu saí correndo.

Só que eu corri para o lado errado, e acabei me batendo de novo no homem. Eu ia cair de novo, mas ele me segurou. Ficamos uns segundos paralisados.

Não era de medo. Era só que... De qualquer forma, tinha uma idéia de quem estava ali. Não sei... Talvez o cheiro, ou outra coisa.

Meus braços, que eu usei para diminuir o impacto, e acabaram encolhidas em seu peito, fizeram minhas mãos subirem até seu rosto. Eu sei que é um gesto idiota para se fazer quando se está praticamente abraçada com um estranho no escuro, mas eu precisava ter certeza.

Senti a respiração do estranho á minha frente acelerar, como se ele se enchesse de medo. Ele se inclinou um pouco para trás, como se tentasse se afastar, mas não me impedir.

Pus minhas mãos em suas bochechas, subindo até os olhos, que se fecharam. Elas desceram até sua boca, enquanto a sua respiração acelerava cada vez mais.

- Quem... – Sua pergunta ficou no ar. Minhas mãos caíram em seu peito de novo. Minha cabeça de repente estava á mil por hora, sem deixar que nenhum pensamento coerente se formasse.

E então o furacão passou, deixando minha mente clara. E a ficha caiu.

Lá estava ele, na minha frente. Não sabia o que ele estava fazendo ali. Nem queria saber. De acordo com nossa reação, Percy também havia entendido o que estava acontecendo.

- Percy... – sussurrei espantada. Nós nos separamos rapidamente, como se uma corrente elétrica passasse entra nós dois.

- Annabeth... – ele sussurrou também, refletindo meu tom de voz.

Eu tentei me recuperar o mais rápido possível. Respirei fundo algumas vezes até encontrar minha voz.

- O que... O que você está fazendo aqui? – perguntei ainda aos sussurros.

Percy também estava tentando se controlar.

- Eu... Vim com Luke para pegar uns livros... – ele hesitava. Então a ficha caiu e ele suspirou. – Como eu sou idiota.

- O que foi?

- Foi uma armadilha, ou sei lá como chamar isso.

Eu ainda não tinha entendido direito. Ou talvez não quisesse entender.

- Como assim?

- Eles nos atraíram até aqui. Depois fizeram essa brincadeirinha sem graça.

Ah, tá.

- Thalia, eu te mato. – murmurei para mim mesma.

- Ah, mas isso não vai ficar assim mesmo. – Percy resmungou. – Se eles pensam que são espertos, estão enganados.

- Er... E não são? Digo, eles nos pegaram direitinho. – falei.

- Mas eu não sou uma criança, posso cuidar da minha vida sozinho.

A raiva dele me pegou de surpresa. Não entendi porque ele parecia tão grosso e irritado. Tentei me manter com a mesma atitude que a dele.

- E o que você vai fazer? – perguntei indiferente.

Ele simplesmente me ignorou e passou por mim, indo em direção à porta, eu acho. É claro que ele esbarrou em uma cômoda, e alguma coisa de vidro caiu. Percy resmungou mais xingamentos, que ainda me deixavam surpresa, e continuou indo até a porta. Ouvi a maçaneta sendo girada várias vezes.

- Mas o que... – ele disse surpreso, girando a maçaneta com mais força.

- O que foi?

- Está trancada.

- O que?

Isso foi golpe baixo. Eu realmente mataria Thalia quando saísse daquela casa. O que ela tem na cabeça?

Fui até a porta, com os braços estendidos á minha frente para não esbarrar em nada. Girei a maçaneta algumas vezes.

- Ah, que maravilha. Thalia, você está muito morta. – murmurei.

Percy saiu andando pela casa ( e destruindo ela também). Eu só ouvia o barulho de coisas caindo e se quebrando, móveis sendo arrastados, e mais xingamentos resmungados.

- O que você está fazendo? – perguntei.

- Procurando... alguma coisa. – ele disse. — Achei!

- O que?

- A janela! – Eu ouvi um barulho no vidro, depois uma batida. – Fechada.

Eu suspirei.

- Não acredito que vão nos obrigar a passar uma noite presos no escuro.

Percy esbarrou em mais alguma coisa.

- Eu vou... Sei lá, tentar quebrar essa janela.

Eu ri. Foi estranho como eu podia agir mais naturalmente com ele no escuro. Se houvesse luz ali, eu estaria encolhida e calada em algum canto.

- Ah, tá. Até parece que você vai conseguir quebrar essa janela com tanta facilidade. Você nem consegue andar sem se bater.

- Ok, espertinha. Você tem alguma idéia de como sair daqui? – Percy falou. Eu tentei manter meu tom de voz irritado igual ao dele.

- Vamos ligar para alguém, ora.

Desta vez ele riu.

- Ok, gênia. E você pode me dizer como você vai achar o seu celular?

Meus ombros caíram.

- Eu não tinha pensado nisso.

Fui tateando até chegar ao sofá, que eu sabia que não ficava muito longe. Bati minha canela na mesinha de centro, depois caí no sofá, esfregando o local da batida.

- Aaai. – reclamei.

- O que foi? – perguntou Percy. O tom de voz dele parecia o mesmo, mas eu pude notar um toque de preocupação no fundo.

- Bati minha perna. – respondi.

Ele riu, e eu fiz cara feia.

- Acho que eles querem que agente vá daqui direto para o pronto socorro. Ou que acabemos mortos.

- Ha-ha – ri de mau humor.

Percy continuou andando pela casa, talvez nervoso demais para ficar sentado. Ele continuava se esbarrando pela sala, e xingando mais. Pude perceber que sua respiração saía de uma forma pesada, talvez pelos machucados da queda.

Eu suspirei e falei monotonamente.

- Quanto mais você andar, mais vai se bater.

Ele riu seco.

- Eu não...

Nesse momento eu ouvi um baque, e vidro sendo pisado. Percy deu um grito baixo de dor.

- Ai, mas que droga! – ele grunhiu.

Eu pulei do sofá.

- Percy! Você está bem?

A respiração dele saia rápida e pesadamente. Ele claramente estava sentindo dor.

- O que você acha?

Tentei me controlar para não entrar em desespero. Ele estava sentindo muita dor. Novamente, agradeci por eu não enxergar nada. O desespero certamente me atingiria se eu visse sua expressão.

Eu andei o mais rápido que pude até onde ele estava, mas Percy me repreendeu.

- Não venha até aqui. – ele disse com a voz pesada.

- Me deixe te ajudar! Me dê sua mão.

Balancei minha mão na minha frente até encontrar a dele. Depois o puxei até ele conseguir ficar de pé.

- Como está isso aí? – perguntei preocupada.

- Eles realmente querem nos matar. – Percy resmungou.

- Me diga como você está! – insisti.

- Com certeza eu vou ter que levar alguns pontos. Ou muitos pontos.

- Ai, meu deus! Venha até aqui! – eu o guiei até o sofá. Percy caiu pesadamente e depois grunhiu de dor. – Vou pegar alguma coisa para por nisso. – eu disse me virando.

- Espere! – ele disse. – Não vou deixar você passar por todo aquele vidro.

Eu ri.

- Sou mais cuidadosa que você, acredite.

Fui andando devagar até a cozinha. Senti algo molhado sob meus pés, no local da queda. “Quanto sangue”, pensei. Devia estar pior do que eu imaginava. Cheguei na cozinha e fui devagar aonde eu sabia que ficava a bancada. Abri gaveta por gaveta até achar a que guardava os panos de prato. Peguei todos e refiz o caminho de volta para o sofá.

- Aqui, cubra com isso. – eu falei, entregando os panos para Percy.

- Obrigado. – ele resmungou.

Eu me sentei do outro lado do sofá, abraçando minhas pernas. Tudo ficou muito silencioso. Mas não era desconfortável, apenas estranho. Eu estava realmente preocupada com o que aconteceu, mas não sabia realmente o que fazer. Minha melhor opção era apenas perguntar.

- Qual é o diagnóstico? – perguntei cautelosa.

Ele suspirou e depois gemeu.

- Devo estar todo roxo por causa da queda da escada, e com um galo enorme na minha cabeça. Acho que tem alguma coisa errada com minha costela. Talvez seja mais de uma, não sei. Meu braço está em pior estado em relação aos cortes. As palmas das minhas mãos também estão cortadas, mas menos. Acho que também tenho um corte na testa.

Percy falou isso numa falsa calma. Eu sabia que ele também estava tentando não entrar em pânico, como eu mesma estava tentando. Mas a situação era mais grave do que eu pensava, o que não ajudou nas minhas tentativas de me acalmar.

- Como você está?

Ele riu seco.

- Como eu estou? – Percy riu de novo. – Eu lhe digo como eu estou. Eu estou preso numa casa sem luz. Estou irritado, machucado e perdendo sangue. Isso é o suficiente?

A atitude dele já estava me tirando a paciência. Era assim que ele me tratava por me preocupar? Naquele instante quem ficou irritada fui eu.

- Qual é o seu problema? Porque está sendo tão grosso e chato? Você não é o único peso nesta casa, então não há motivo para essa irritação toda!

Geralmente quando você perde a paciência e fala deste jeito com uma pessoa, ela abaixa a bola. Mas Percy apenas ficou mais irritado, então começamos uma discussão.

- Ah, não tenho? – ele disse. – Olhe tudo isso, Annabeth. Não diga que você não sabe o motivo de tudo isso.

- É claro que eu sei – resmunguei, corando.

- Então é exatamente isso que me deixa irritado.

- Dá para você ser mais claro?

Ele suspirou.

- Me deixa irritado o fato de eu ser culpado por tudo isso. Tentei dar uma de esperto e estraguei tudo.

Eu me encolhi.

- Não foi sua culpa.

Então Percy estava irritado de novo.

- É claro que é. Eu comecei estragando tudo quando aceitei fazer aquela aposta besta. Eu não devia ter feito aquilo, não mesmo. Fui um idiota. Depois estraguei tudo de novo naquela festa depois do jogo. Desculpe por aquilo, foi uma idiotice também.

- Não se desculpe. – murmurei, mas acho que ele não me ouviu.

- E agora aqui estamos. Nossos amigos apenas tentaram nos ajudar. Não queria que nada disso tivesse acontecido. Andei me amaldiçoando a cada segundo desde aquela festa. Daria tudo para que aquilo não houvesse acontecido. Odeio-me por ter te dado aquele beijo.

O silêncio caiu sobre nós. Não falei nada, pois não havia nada que eu pudesse falar. Ainda estava tentando me recuperar do poder das suas palavras, que me atingiram como um tapa.

Até aquele momento, eu me agarrava á lembrança do beijo, como uma coisa boa, para amenizar o sofrimento. Mas ouvir da boca dele que odiava aquele beijo era demais. Machucou-me mais do que deveria. Eu sabia que ele não tinha a intenção, mas, mesmo assim, me magoou.

Eu me encolhi enquanto meus olhos se enchiam de lágrimas. Eu funguei.

- Você está chorando? – perguntou Percy, com a voz pasma.

Eu não respondi. Apenas fiquei parada, fitando o vazio. Funguei novamente e enxuguei minhas lágrimas.

- Ah meu Deus, Annabeth, me desculpe! – ele disse desesperado. – Eu realmente não tive a intenção. Desculpe-me.

Eu continuei calada.

Percy suspirou.

- É só que... Eu estou no meu limite.

- Então somos dois. – murmurei.

Ele pareceu aliviado por que ter voltado a falar.

- É tão estranho, não é?

- Estranho é pouco. – concordei.

Nós rimos juntos da situação. Estranho mesmo eram duas pessoas apaixonadas umas pelas outras conversando tão calmamente sobre isso.

- Isso nunca aconteceu comigo. – disse Percy. – Já aconteceu com você?

- Não, nunca. – respondi, corando.

Ele ficou uns segundos em silêncio, depois suspirou.

- Não é nada parecido com o que dizem.

- Nem um pouco. – concordei. – Deve ser por isso que ninguém nunca está preparado.

- É verdade.

Depois o silêncio caiu novamente sobre nós. Meu coração palpitava. Eu nunca havia pensado em conversar com Percy sobre esse assunto. De qualquer forma, era bom abrir o coração, ser sincera. Trazer o assunto á baila foi o melhor jeito de tirar um peso das costas.

- Se eu não estivesse quebrado, te abraçaria agora. – ele lamentou.

Eu ri.

- Então venha cá.

Eu estiquei o braço e Percy achou minha mão. Eu me ajeitei no sofá, puxando ele comigo. Percy deitou no meu peito e nós ficamos assim, calados, apenas sentindo a sensação.

- Acho que nós invertemos os papéis. – ele murmurou.

- Cale a boca. – eu disse, rindo. – Não me diga que está seguindo um guia.

- Não. – ele respondeu, rindo também. – Mas não é assim que acontece nos filmes?

- Que seja. Ao que parece, não somos como nos filmes. As coisas são diferentes.

Então ficamos em silêncio, apenas aproveitando o momento. Percy segurava minha mão livre, enquanto a outra acariciava seus cabelos negros. Estava tudo em paz, e eu não me sentia tão bem assim desde aquela festa.

Aquele era um momento lindo, mágico. Tudo aconteceu como deveria. E eu só rezava para que continuasse assim.

Notas finais
E então, e então? Valeu a pena esperar?
Ò, vou falar logo que agora vou dar prioridade a minha outra fic, beleza?
Beijitos!