When Hatred Turns Love
15 Hold on the truth
Notas iniciais
Percy:
Uma certeza na minha vida é que nunca vou usar drogas. Quando acordei, grogue, minha cabeça doía e eu estava tonto. Olhei pela janela do quarto e vi eu era de noite. Segundo o relógio na parede, eram mais de 3:00 da manhã. Estava tudo muito silencioso, então todo mundo deveria estar dormindo. Virei minha cabeça para o outro lado e adormeci novamente.
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Quando acordei novamente, o sol já estava forte. Olhei atordoado para o relógio e vi que já passara das 12:00. Mais um efeito das drogas: você dorme tanto e nem percebe.
Percebi que estava faminto e morto de sede quando minha mãe entrou sorridente no quarto, segurando uma bandeja com meu café da manhã.
- Bom dia, filho! – ela disse alegremente, pousando a bandeja no meu colo. – Como está se sentindo.
- Eu estou bem. – eu disse, enfatizando a palavra porque não aguentava mais falar isso para todo mundo que entrava no meu quarto.
- Calma, foi só uma pergunta básica de uma mãe preocupada.
- Tudo bem. – eu disse, revirando os olhos. – Onde está Annabeth?
Minha mãe deu um sorriso de felicidade e eu meio que corei.
- Ela foi para casa ontem de noite quando eu disse que você não iria acordar tão cedo.
- Ah... tá. – eu disse, começando a tomar o meu café da manhã, que estava menos pobre do que eu imaginava, com um copo de suco de laranja e um misto. – Então quando eu saio daqui? — eu mudei de assunto.
- Eu falei com seu médico hoje, e ele disse que talvez você saia ainda hoje! – disse minha mãe, animada.
- Liberdade... Finalmente. – eu murmurei, sorrindo.
Passaram-se alguns minutos de silêncio enquanto eu comia e minha mãe acariciava meus cabelos. Até que ela pigarreou.
- Er... Percy. – ela começou. – Você conhece alguma garota chamada Rachel?
Eu quase cuspi o suco que estava bebendo.
- Ra- Rachel? – eu disse, tentando recuperar o fôlego enquanto me engasgava com o suco.
- É. – disse minha mãe enquanto dava tapinhas nas minhas costas. – Ele vêm ligando quase de hora em hora, perguntando se você estava bem, dizendo que estava preocupara. Ah, sim, ela disse que era namorada.
- Ela... Ela disse isso? – perguntei, pasmo.
- Disse, sim. – Minha mãe agora estava séria. – Percy, tem alguma coisa que você queira me contar?
- O que? É claro que não! – eu disse, horrorizado. Tudo bem, nós já ficamos juntos algumas vezes (muitas vezes), mas nunca chegamos a namorar. Não foi por falta de insistência dela. Só que ela era o tipo de menina que você não quer namorar. Muito pegajosa. Urgh.
- Ah... – disse minha mãe aliviada. – Isso é bom, porque, sabe, você e Annabeth... – ela se interrompeu. – De qualquer forma, acho que essa tal de Rachel é apaixonada por você.
Eu suspirei e fiz uma careta de desgosto.
- Pior que eu sei.
- Acho melhor você esclarecer logo isso com ela, filho. – minha mãe disse, séria. – Isso não pode continuar assim.
- É, só que eu não sei como nem quando fazer isso.
Minha mãe se levantou e pegou a bandeja.
- Ah, não se preocupe. Você pode falar com ela hoje de tarde, quando ela vier te ver. – ela disse, indo para a porta. Depois parou e se virou para mim. – Eu não tinha falado isso, tinha?
- Não. – eu disse pasmo.
- É a idade. Mas ela vem te ver hoje de tarde, tudo bem? – E saiu.
E eu fiquei lá, parado, digerindo tudo. Rachel ia me visitar! Eu não estava pronto para isso! Eu já estava imaginando como isso iria ser... Uma porcaria. Tentava também descobrir qual era o problema com aquela garota. Porque era mais que óbvio que eu não gostava dela como ela gostava de mim. O tempo passava enquanto eu esperava.
Então bateram na minha porta.
- Entre. – eu disse, com medo de saber quem estava do outro lado.
Rachel entrou esbaforida no quarto.
- Ah, Percy!... – ela disse, se aproximando rapidamente e sentando na cadeira do lado da cama, com os olhos cheios de lágrimas. – Eu soube o que aconteceu. Que coisa horrível! Sabe, você não atendeu meus telefonemas, nem nada. Eu fiquei preocupada, sabe? Perguntei a quase todo mundo do colégio, mas ninguém sabia nada sobre você. Aí eu leguei para Grover, que me disse que você estava aqui. Bom, eu estava meio ocupada, mas eu liguei para perguntar se você estava bem. Sua mãe disse que sim, mas, mesmo assim, eu precisava te ver para ter certeza...
Eu fiquei calado, abismado olhando para ela. Rachel conseguiu dizer tudo isso em quase um fôlego só. E tudo tão rápido que eu tive que pensar uns segundos para processar.
- Er... – eu comecei, sem saber o que falar.
- Mas você está bem, não é? – Rachel me interrompeu, segurando minha mão mais forte. – Quero dizer, aquele foi um acidente e tanto! Cair de uma escada, Percy! Você poderia ter morrido! Poderia ter quebrado a cabeça, o pescoço, uma perna, a coluna...
- Tudo bem! – eu a interrompi, antes que ela continuasse fazendo a lista de “coisas que poderia ter acontecido com o Percy”. – Foi uma sorte não ter acontecido nada demais comigo, certo?
Rachel suspirou e me encarou.
- Mas você está bem mesmo, não está? – ela abaixou o tom de voz e acariciou meu rosto.
Eu peguei sua mão na minha bochecha e retirei delicadamente, colocando-a no seu colo.
- Rachel... acho que a gente precisa esclarecer um pouco as coisas.
Ela me olhou sem entender.
- O que? O que foi?
Eu respirei fundo, de nervosismo.
- É... Eu sei que nós já nos... envolvemos antes. Mas nunca foi nada... sério.
- Como assim? – ela perguntou ainda confusa.
- Quero dizer que nós nunca namoramos! – eu disse, ficando irritado com a lerdeza dela. – Você não pode dizer por aí que é minha namorada!
- E não sou? – ela perguntou baixo.
- Não! Nunca foi! O te fez chegar a essa conclusão?
- Bem... eu pensei que... Pensei depois de tudo que nós passamos juntos... – ela deixou a fala no ar, olhando para mim, com os olhos se enchendo de lágrimas.
- Esse é o ponto, Rachel. Nós não passamos por nada juntos. Nunca houve nada. – eu disse.
- Mas... Percy, eu... eu... – ela começou a chorar. – Você não gosta de mim?
- Não, Rachel. – eu disse calmamente.
Então, de repente, Rachel pulou da cadeira, derrubando-a. Ela começou a andar pelo quarto, com os olhos molhados pelas lágrimas.
- É aquela garota, não é? – ela perguntou furiosa.
- Que garota...? Annabeth? – eu perguntei, confuso pela mudança rápida de assunto. – Não! Escute Rachel...
- É tudo culpa daquela garota não é? – ela estava praticamente gritando para mim. – Eu devia saber. Você tem andado estranho, tudo culpa daquela vadiazinha...
- Ei, ei! Não vou deixar que fale assim dela, Rachel.
- Ah, não? – ela deu um sorriso perverso. – Então agora ela é a Santa Annabeth. Vocês se odiavam Percy! – O sorriso sumiu, e agora ela estava gritando de novo. – Se odiavam desde que eram pequenos, e agora você esta defendendo ela? O que aconteceu? Ela te drogou?
- Ninguém drogou ninguém aqui. Olhe, é meio complicado... – eu tentei argumentar, mas Rachel me interrompeu.
- Complicado? O que é complicado? O que houve? – ela berrou.
- Eu não sei! – eu disse, exasperado. – Simplesmente aconteceu!
- Não pode ter simplesmente acontecido!. – ela disse, chorando mais, pegando a cadeira e sentado de novo ao meu lar, agarrando a borda da cama. – Me diga o que fazer! Eu posso reverter isso, se você deixar...
- Não tem volta, Rachel. – eu disse duramente.
- O que ela tem que eu não tenho? – ela falou mais baixo, como se falasse consigo mesma. – Eu sou mais bonita, mais rica, mais popular...
- Não é isso, você sabe. – eu disse baixo também.
- O que é, então. – ela gritou mais alto se levantando novamente. – Qual a diferença entre ela e eu?
- A diferença é eu estou apaixonado por ela, não por você! – gritei de volta.
Ela ficou calada, processando o que eu disse, arfando. Eu também estava me recuperando, porque nunca tinha dito isso em voz alta. R Eu ia me desculpar quando uma enfermeira entrou no quarto.
- Com licença. – ela disse com uma voz repreensiva. – Vou ter que pedir que a senhorita se retire.
- Por que? – preguntou Rachel, irritada.
- Não podemos permitir essa gritaria no hospital. Me acompanhe, por favor, senhorita. – disse a enfermeira, pegando no braço de Rachel.
Ela balançou o braço com força, puxando-o de volta.
- Me solta! – exclamou.
- Senhorita, por favor... – disse a enfermeira impacientemente. Então pegou um aparelho que parecia um telefone e falou: — Preciso de ajuda aqui.
Alguns segundos depois dois homens vestidos de branco apareceram para levar Rachel, que se debatia, tentando se soltar.
- Me soltem! – ela gritava.
- Tenha calma, por favor. – disse um dos homens, puxando-a para fora.
- Você vai ver, Percy. – ela disse furiosa enquanto era puxada e empurrada para fora. – Você vai se arrepender por ter escolhido ela. Vai se arrepender por não ter me escolhido. Você vai ver. – e saiu.
Eu afundei nos travesseiros, querendo sumir. Aquela conversa tinha tirado um peso dos meus ombros, e, ao mesmo tempo, me encheu de culpa. Não tinha esperado que a conversa tomasse aquele rumo. Choro, sim, mas aquele acesso de raiva? Foi de dar medo.
Pelo menos o problema estava resolvido. Pelo menos era o que eu achava.
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Annabeth:
Eu tinha acabado de chegar ao hospital, depois de uma noite de descanso em casa. Estava descansada, com um copo de café delicioso e feliz ao saber que Percy iria para casa naquela tarde.
Estava andando normalmente, sorrindo um pouco e cantarolando, indo em direção corredor, quando ouvi uma confusão vindo dele. Vozes agitadas, passos, um som que parecia uma luta e uma menina gritando. Eu ia perguntar o que estava acontecendo para a mulher no balcão da recepção, quando a confusão chegou á sala de espera.
Para minha total surpresa, era Rachel a garota que estava gritando e esperneando nos braços de dois enfermeiros. O pior foi quando ela me viu. Seus olhos verdes se arregalaram e seu rosto se contorceu de puro ódio.
- Você! – ela praticamente rosnou. – Sua vadia!
Com o que parecia ser uma explosão de força e fúria, ela se desvencilhou dos enfermeiros e se atirou para mim. E o verbo atirar se encaixa bem, porque nós duas caímos no chão com o impacto. Rachel começou a puxar meus cabelos, gritando “Eu vou te matar!” e “ Sua vadia!”. Eu não sabia o que fazer. Tentava tirar suas mãos firmes dos meus cabelos, impedir que ela arranhasse meu rosto, gritar por ajuda. Então, de repente, Rachel ficou quieta, e caiu do meu lado. Olhei para cima e vi um dos enfermeiros arfando e segurando uma seringa. Rachel estava sedada.
Ele estendeu a mão e eu a peguei agradecia. Levantei-me com as pernas bambas e tentei acalmar minha respiração. A recepcionista me trouxe um copo de água e eu o virei, com as mãos tremendo. Sentei em um dos bancos e coloquei a cabeça entre as mãos, tentando me acalmar. Eu nem sabia o que diabos havia acabado de acontecer.
A primeira pergunta foi o Rachel estava fazendo ali. Ele devia ter sabido do acidente e vindo até aqui para uma visita. Ela saiu do corredor dos quartos, então... Rachel estava falando com Percy? O tinha acontecido naquele quarto que a deixou tão fora de si?
Resolvi achar a resposta por mim mesma. Ignorando as ofertas de mais água, ou calmantes, fui até o quarto de Percy. Nem sequer olhei para trás para ver o que fariam com Rachel. Parei apenas quando passei por um espelho na parede, e vi minha situação. Meu cabelo estava um ninho de ratos, totalmente bagunçado e desalinhado. Haviam alguns poucos arranhões no meu rosto, mas um deles, na minha testa, estava sangrando muito. Fiz o possível para por meu cabelo no lugar e peguei um pouco de papel higiênico no banheiro para limpar o sangue.
Segui para o quarto. Quando cheguei á porta, dei duas batidinhas, anunciando minha chegada, e entrei. Percy estava com uma cara assustada, com os olhos arregalados me encarando.
- O que aconteceu com você? – ele perguntou pasmo, depois sua expressão se suavizou. – Ah.
- O que? – perguntei, pensando que tinha perdido alguma coisa.
- Foi a Rachel, não foi? – ele perguntou, me encarando novamente. – Eu devia saber.
- O que houve com ela? – perguntei, tentando me esquivar do centro da conversa. – Ela estava aqui, não estava?
- Sim. Tivemos... uma conversa séria. – Percy falou, com a voz mais baixa.
- Que tipo de “conversa séria”? – perguntei curiosa.
- Eu tive que... esclarecer as coisas com ela. Sobre... você sabe.
Eu assenti, porque sabia. No meio de toda aquela confusão, nem tive tempo para pensar sobre o “relacionamento” entre Percy e Rachel. Era mais que evidente que aquela garota era totalmente louca por ele, mas Percy sempre a tratava de uma forma desdenhosa, até indiferente.
- Ahn... – falei, indo me sentar na beira da cama. – Só isso?
- Não. Estávamos aqui conversando, e então Rachel surtou. Começou a gritar e a chorar. Uma enfermeira veio aqui, e eu pensei que Rachel ia pular no pescoço da coitada. Aí vinheram os outros caras, e ela começou a espernear e gritar que eu ia me arrepender. – Percy desabafou.
- Meu Deus. – eu disse chocada.
- Pois é. E a culpa foi minha.
- Nada disso. – eu falei. – Você não fez nada que não deveria. Rachel que é uma psicopata.
- Que seja. – Percy suspirou e mudou de assunto. – E o que aconteceu no outro cenário.
Eu dei de ombros.
- Nada de mais. Eu estava vindo para cá, e Rachel apareceu com aqueles caras. Ela me viu e pulou para cima de mim. Mas não foi nada de mais.
- Nada de mais? — Percy falou, como que eu não estivesse falando serio. – Você está sangrando.
Eu toquei o corte na minha testa, e meus dedos ficaram úmidos com o sangue que havia voltado a escorrer.
- Droga. – murmurei. – Você por acaso tem um curativo aí? – brinquei.
- Não, desculpe. – disse Percy. – Mas acho que você deveria procurar alguém para cobrir isso aí. Afinal, isso aqui é um hospital.
- Tá legal. – eu disse, levantando relutantemente. – Volto depois.
- Você sabia que eu vou sair hoje? – ele perguntou casualmente, sorrindo.
- Sabia – eu disse sorrindo também. – Pelo menos uma coisa boa hoje, não é?
- É verdade. Te vejo depois. – No final parecia mais uma pergunta, mas eu assenti, ainda sorrindo.
- Claro que sim. – E saí do quarto.
Notas finais
Bom, gostaram? gostaram?
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